Notícias
Notícias
As principais informações e novidades do coop no Brasil e no mundo!
Destaques
EVENTOS
13/08/2026
Educação cultiva pertencimento e futuro no cooperativismo
Conhecimento, confiança, participação e cultura ajudam a preservar a essência do movimento Manter viva a essência do cooperativismo em organizações que crescem, recebem novas gerações e acompanham as transformações da sociedade exige intenção, aprendizado e participação. Na trilha Educação Cooperativista, da Semana de Competitividade 2026, especialistas e representantes do movimento mostraram como a educação fortalece o pertencimento, aproxima cooperados, forma novas lideranças e ajuda a transformar os valores cooperativistas em práticas capazes de atravessar gerações e preparar as cooperativas para o futuro. A programação contou com José Máximo Daronco, diretor geral da Escoop; Hugo Andrade, coordenador de Ramos do Sistema OCB; Rogério Machado, superintendente da Fundação Sicredi; Fernanda Paiva, analista do Instituto Sicoob; Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB; Helena Soares, pesquisadora da TM20; Tania Savaget, CSO da Zaic; Cláudia Moreno, coordenadora Educacional do Sistema OCB; Itamar Vodzicki, gerente da Cresol Instituto; Thaís Cristina, coordenadora de Organização do Quadro Social na Rede Cooper; Ricardo Leite, palestrante da Resultte Educação Corporativa; e Ricardo Cappra, fundador do Cappra Institute. Na abertura das apresentações, José Máximo destacou que a educação é fundamental para preservar a identidade cooperativista à medida que as organizações crescem. “Quanto maior a cooperativa, mais intencional precisa ser a construção de sua cultura”. Entre os cases apresentados, Rogério Machado trouxe o Programa Crescer. Ele começou contextualizando o tamanho do Sicredi hoje, com mais de 10 milhões de associados, 99 cooperativas e 3 mil agências, para mostrar que quanto maior a cooperativa fica, maior a responsabilidade de manter os cooperados entendendo o modelo de negócio. A lógica apresentada foi direta: crescimento gera escala, escala aumenta complexidade, complexidade pode afastar o associado, e é a educação que reconecta e reengaja. O programa Crescer, segundo ele, se estrutura numa trilha de 4 passos: sentir que pertence, conhecer o modelo, participar de fato e gerar valor coletivo, com conteúdo básico, avançado e complementar que cada cooperativa pode adaptar à sua realidade. O impacto da iniciativa é comprovado pelos números alcançados. Rogério relatou que associados formados pelo programa aumentam indicadores como ISA e principalidade em até 50% depois de 18 meses, com mais de 1 milhão de associados já formados. "A educação cooperativista é fundamental para acompanhar o crescimento, aproximar os associados e fortalecer o sentimento de pertencimento. O crescimento constrói escala, a educação constrói pertencimento, e o pertencimento sustenta uma cooperativa”, concluiu. Novas gerações A formação de crianças e jovens para os valores e princípios do cooperativismo foi o foco da apresentação de Fernanda Paiva, que compartilhou a experiência do Programa Cooperativa Mirim. Ao destacar os desafios da educação diante das transformações da sociedade, ela defendeu novas formas de aprendizagem capazes de dialogar com as habilidades exigidas pelo futuro. “Temos uma escola do século XIX, um professor do século XX e um aluno do século XXI”, provocou. O programa leva a vivência cooperativista a crianças e adolescentes de 8 a 17 anos em escolas e instituições sociais, com aprendizado prático sobre cooperação, participação e organização coletiva. Atualmente, são 170 cooperativas mirins e mais de 5,5 mil associados, distribuídos por 13 estados e presentes também em comunidades quilombolas, ribeirinhas e indígenas, além de uma Apae. Os resultados refletem o alcance da iniciativa. Segundo Fernanda, 86% dos participantes afirmam ter aprendido como funciona uma cooperativa e 77% se sentem mais motivados a enfrentar desafios. A apresentação foi encerrada com uma reflexão de Paulo Freire sobre o papel da educação: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria construção.” A relação entre educação e cultura foi discutida por Helena Soares e Tania Savaget. Elas apresentaram os resultados da Pesquisa Nacional de Cultura Cooperativista, que contou com 46 entrevistas em profundidade realizadas com representantes de 37 cooperativas de todas as unidades federativas do país, além de 9.761 respondentes na etapa quantitativa. O estudo identificou uma cultura marcada por confiança, lealdade e propósito, mas também desafios para ampliar sua presença. “O desafio agora é transformar essa força em participação, renovação e pertencimento”, destacou Helena. Vivência Ao debater o 5º princípio cooperativista, Itamar Vodzicki apresentou iniciativas educacionais da Cresol, enquanto Thaís Cristina mostrou a experiência dos Núcleos Cooper, voltados à participação e à formação de lideranças. “Numa cooperativa com milhares de cooperados, a participação não sobrevive por inércia, ela precisa de espaço, de escuta e de gente disposta a cultivá-la todos os dias”, afirmou Thaís. Ricardo Leite abordou o papel do educador cooperativista e a importância de transformar conhecimento em vivência. “Ensinar o cooperativismo é essencial. O nosso desafio é fazer com que ele seja experimentado efetivamente cada vez mais”. Ricardo Cappra encerrou a trilha com uma apresentação sobre os impactos do uso de dados e da inteligência artificial na cultura das organizações. Para ele, a adaptação tecnológica exige também mudanças de comportamento, ambiente e formas de decisão, sem perder de vista os valores que orientam as cooperativas. “Cultura não se implementa. Comportamento, ambiente e recursos precisam ser reconfigurados e os valores precisam orientar a transformação. Assim, a cultura se adapta”, defendeu. Saiba Mais: Pesquisa revela desafios e avanços da cultura cooperativista no Brasil O cooperativismo que transforma e amplia desenvolvimento local Memória e identidade ajudam a fortalecer as raízes do cooperativismo
EVENTOS
12/08/2026
Pesquisa revela desafios e avanços da cultura cooperativista no Brasil
Estudo apresentado por Fabíola Nader Motta ouviu 9.761 pessoas e mapeou a relação dos cooperados com o movimento
Como está a cultura cooperativista no Brasil hoje? Foi essa pergunta que a superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, levou ao palco da Semana de Competitividade 2026, nesta quarta-feira (12). Pela primeira vez, o movimento conta com um diagnóstico nacional sobre a maturidade dessa cultura, construído a partir da percepção de cooperados, empregados, dirigentes e conselheiros.
A pesquisa ouviu 9.761 pessoas em todo o país. Na etapa qualitativa, foram realizadas 46 entrevistas em profundidade, em 37 cooperativas de 26 Unidades da Federação e do Distrito Federal, ampliando a compreensão sobre as percepções, experiências e desafios vividos no dia a dia do cooperativismo.
O estudo chega em um momento de forte crescimento da base. O cooperativismo passou de 15,5 milhões de cooperados em 2019 para 29 milhões em 2025, uma média de 6,1 mil novos cooperados por dia no período. Para Fabíola, o número também traz uma responsabilidade: garantir que quem chega conheça o modelo e saiba qual é seu papel. “Esses 6 mil novos cooperados todos os dias sabem que são cooperados? Eles sabem seus deveres, responsabilidades, direitos, o seu papel?”, questionou.
Quem conhece, cria vínculo
Um dos principais achados da pesquisa foi a força da relação entre cooperados e cooperativas. Entre os entrevistados, 93% afirmaram sentir o dever de honrar os compromissos assumidos com a cooperativa; 89% pretendem manter uma relação de longo prazo e o mesmo percentual recomendaria sua cooperativa a amigos ou familiares. Outros 87% mantêm a fidelidade mesmo em períodos de crise.
Por outro lado, a participação ainda é um ponto de atenção. Participar ativamente das assembleias foi o item com menor índice entre os cooperados. A falta de tempo apareceu como principal barreira, citada por 36%, seguida pela falta de informação sobre como participar, com 22%. No conjunto, três em cada dez cooperados citaram alguma barreira relacionada à informação ou ao conhecimento, índice que chega a 43% entre os cooperados do ramo Crédito.
“Quem conhece, gosta. A barreira é a comunicação e o caminho é a educação cooperativista”, resumiu Fabíola.
Educação e integração são prioridades
Os resultados também mostram que educação, formação e informação foi o princípio mais citado pelos participantes como prioridade. Entre os cooperados, 58% escolheram esse princípio como prioritário, percentual que sobe para 71% entre os empregados e chega a 57% entre os dirigentes. Entre os jovens de 18 a 34 anos, a prioridade foi apontada por 62%.
A chegada de novos integrantes foi apontada como um ponto de alerta. Na consulta realizada com os participantes durante a Semana de Competitividade, apenas 18% das cooperativas disseram ter um programa estruturado e contínuo de integração de novos cooperados. Além disso, 17% afirmaram utilizar história e memória para fortalecer a identidade cooperativa. Para Fabíola, os dados mostram que o desafio não é apenas crescer, mas fazer com que cada novo cooperado compreenda o movimento do qual passou a fazer parte.
A preocupação com a cultura cooperativista, no entanto, não é recente. Em 2023, dirigentes de todo o país responderam à Pesquisa Nacional do Cooperativismo e 65% elegeram o reforço da cultura cooperativista como uma prioridade para o futuro do movimento.
O diagnóstico apresentado agora amplia essa agenda e ajuda a indicar caminhos para transformar a prioridade em ações mais concretas de educação, comunicação, participação e preparação de novas lideranças.
Saiba Mais:
Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro
Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro
Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI
EVENTOS
12/08/2026
O cooperativismo que transforma e amplia desenvolvimento local
Painel da Semana de Competitividade mostrou exemplos de geração de renda, inclusão e qualidade de vida
O impacto de uma cooperativa vai muito além dos resultados do próprio negócio. Quando chega a uma comunidade, o modelo pode movimentar a economia, ampliar o acesso a serviços, gerar oportunidades e estimular iniciativas que permanecem no território. O painel O impacto do coop nas comunidades, realizado nesta terça-feira (11), durante a Semana de Competitividade 2026, reforçou essa realidade.
A discussão reuniu Clara Pedroso Maffia, gerente geral de Negócios do Sistema OCB; Alison Pablo de Oliveira, pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe); Ivan Capra, presidente do Sicoob Credisul; Claudia Maria Morais, diretora financeira da Central Centro-Oeste (CCO); e Marina Stoetzer Echeverria, coordenadora da Cooperativa Agrária.
Na abertura, Clara explicou que a proposta era mostrar como a cultura cooperativista se traduz em resultados concretos. “A ideia é falarmos um pouquinho sobre o impacto, porque essa cultura, essa forma de agir, relacionar e atuar junto com as pessoas, a partir de princípios e valores, certamente tem impacto nos municípios onde as cooperativas estão inseridas”, destacou.
O impacto que aparece nos dados
Alison apresentou os resultados de estudo desenvolvido pela Fipe em parceria com o Sistema OCB. A pesquisa mediu os efeitos da expansão do cooperativismo sobre as economias locais, ao comparar municípios que passaram a contar com novas cooperativas com aqueles sem registro dessa presença. Entre 1995 e 2025, o número de municípios atendidos por cooperativas cresceu 65%. “A expansão permitiu observar mudanças em indicadores como emprego e renda”, relatou.
A pesquisa também dimensionou a participação do cooperativismo na economia brasileira. Em 2021, os empreendimentos cooperativos estiveram associados a R$ 866 bilhões em produção de bens e serviços, R$ 164 bilhões em valor adicionado — equivalente a 6,9% do total produzido no país — e cerca de 10% dos empregos formais e informais. Segundo Alison, esse impacto está relacionado às características do próprio modelo, no qual os cooperados são donos do empreendimento, participam das decisões e compartilham os resultados gerados.
Crédito que movimenta as cidades
A experiência do Sicoob Credisul mostrou como os efeitos econômicos e sociais podem caminhar juntos. Ivan Capra apresentou exemplos de municípios onde a cooperativa participa da dinâmica econômica local e direciona parte de sua atuação para projetos definidos pela própria comunidade. “Em todas as localidades em que a comunidade nos abraça, criamos ou encampamos projetos que essa própria comunidade julga importantes e damos sequência. É um DNA, um jeito de fazer que tem dado muito certo e nos tem levado a lugares fantásticos”, pontuou. Entre os exemplos apresentados estão iniciativas nas áreas de educação, inovação, esporte, meio ambiente e saúde.
Em Vilhena (RO), a cooperativa apoiou a criação de uma estrutura educacional de 60 mil metros quadrados, com atendimento do maternal ao ensino superior. Também foi apresentado o Hospital Cooperar, construído a partir de uma mobilização entre cooperados e comunidade, posteriormente estruturado em parceria com a Unimed. “Tínhamos uma deficiência na área da saúde e resolvemos. Criamos uma associação dentro da cooperativa para construir o hospital com doações dos cooperados”, contou.
A unidade tem 12 mil metros quadrados, com área de expansão já preparada, e atende diferentes especialidades. A parceria com a Unimed permitiu a operação e o aporte de equipamentos. O dirigente também citou ações ambientais e esportivas, além da participação de jovens da região em um hackathon internacional promovido pela Nasa.
Protagonismo aos catadores
Na reciclagem, o impacto do cooperativismo aparece na organização do trabalho e na busca por melhores condições para quem vive da atividade. Claudia Marins apresentou a trajetória da Central Centro-Oeste (CCO), formada por cinco cooperativas e cerca de 279 cooperados. Criada há três anos, a iniciativa nasceu do desejo de fortalecer a atuação dos catadores e ampliar sua capacidade de negociação. “Formamos essa central para o catador se tornar protagonista de sua própria história. O catador tem que aparecer. Se ele não aparece, não tem importância para a reciclagem. Nós, catadores, sempre fomos mais esquecidos, mais excluídos. E hoje nós temos mais força graças ao cooperativismo”, relatou emocionada.
A atuação em rede também abriu espaço para novas iniciativas de capacitação e comercialização. Uma parceria com o Sescoop e a Universidade Católica de Brasília possibilitou a formação de cooperados e filhos de catadores em um curso superior de tecnologia em cooperativismo. Dos 25 participantes, 23 concluíram a formação. A central também começou a comercializar materiais de forma conjunta. Nos três meses anteriores ao painel, as cooperativas haviam vendido mais de 600 toneladas de materiais em conjunto.
O próximo passo, segundo Claudia, é ampliar a autonomia econômica das cooperativas, com participação em editais e contratos de grandes geradores e investimentos em equipamentos. A central já conta com caminhão, prensa e estrutura para ampliar a operação. “Juntos, somos mais fortes”, completou.
Uma história que começou há 75 anos
Na Cooperativa Agrária, apresentada por Marina, o compromisso com a comunidade está ligado à própria origem da organização. Fundada há 75 anos por imigrantes suábios do Danúbio, que chegaram ao Paraná após a Segunda Guerra Mundial, a cooperativa surgiu da necessidade de reconstruir a vida de centenas de famílias e garantir acesso à saúde, educação e preservação cultural.
Ao longo das décadas, esse esforço deu origem a uma estrutura que inclui hospital, escola, museu e outras iniciativas comunitárias. O hospital tornou-se referência regional e hoje realiza cerca de 70% dos atendimentos pelo SUS, com importância reforçada pela distância de aproximadamente 45 minutos até a cidade mais próxima. “Quando alguém que está com uma necessidade muito urgente, ter um hospital no local é muito importante. Salva vidas”, enfatizou Marina.
Na educação, a escola apoiada pela cooperativa atende estudantes dos dois anos de idade ao ensino médio e oferece ensino bilíngue em alemão. A atuação social inclui ainda o Programa Paz, que há mais de duas décadas mobiliza colaboradores em ações voluntárias. “Para a Agrária isso é tão importante que essa parte social hoje está dentro do planejamento estratégico da cooperativa”, finalizou.
Saiba Mais:
Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro
Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro
Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI
EVENTOS
12/08/2026
Como está a cultura na sua coop? Palestra provoca reflexão
Jessyca Bolzan e Thais Jerônimo discutiram como valores do movimento podem ser mensurados na prática
O que faz uma cooperativa ser reconhecida como cooperativa? A resposta pode estar em pontos que, à primeira vista, parecem pequenas: na forma como um novo cooperado é recebido, na maneira como a história da organização é contada, em como as assembleias são realizadas, na relação com a comunidade ou até nos símbolos espalhados pelos espaços da cooperativa. Foi por esse caminho que Jessyca Bolzan, coordenadora de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, e Thais Jerônimo, historiadora e palestrante, conduziram, nesta terça-feira (11), a apresentação Como está a cultura na sua coop?, durante a Semana de Competitividade 2026.
A conversa partiu de características que tornam o tema desafiador: cultura é viva, está em movimento e se manifesta nas relações e atitudes. Ainda assim, segundo Thais, é possível identificar sinais concretos dessa cultura. Uniformes, símbolos, formas de comunicação, rituais, comportamentos e práticas recorrentes são alguns dos elementos que ajudam a revelar como os valores e princípios cooperativistas são vivenciados. “Nosso desafio é tornar visíveis esses sinais para entender como os valores e princípios do movimento estão presentes na vida das cooperativas”, explicou.
A pesquisadora apresentou a proposta de um mapeamento de artefatos da cultura cooperativista, que ainda será desenvolvido. A ideia é começar pelo que pode ser observado para, posteriormente, ampliar a compreensão sobre outros aspectos da cultura. “O trabalho não pretende dizer quais cooperativas tem uma cultura melhor ou pior, mas identificar práticas, padrões e iniciativas que ajudam a manter a identidade cooperativista viva”, acrescentou.
Cotidiano
Experiências compartilhadas durante a palestra ajudaram a mostrar como esses sinais podem surgir de maneiras inesperadas. Thaís citou, como exemplo, a camiseta usada pelos participantes de Santa Catarina que trazem nas costas a frase Em Santa Catarina, cooperar é cultural. Para ela, a iniciativa revelou uma manifestação da cultura cooperativista.
Outro exemplo veio de uma experiência com cooperados do Sicredi Vale do Piquiri. Durante uma celebração dos dez anos dos comitês de mulheres e jovens, uma cooperada definiu sua relação com a organização de uma forma inusitada: disse que a cooperativa tinha um “cheiro” próprio. A frase, segundo a palestrante, traduziu uma percepção que dificilmente apareceria em um indicador tradicional, mas que faz parte da experiência de quem vive aquela cooperativa.
A partir dessas manifestações, a proposta apresentada por Jéssyca e Thais, considerou cinco dimensões para observar a presença cultura nas cooperativas: comunicação e expressão; legado e memória; educação e formação; liderança e participação; e relações e vivências. “Na prática, isso significa olhar para a maneira como a cooperativa declara sua identidade, preserva e transmite sua história, educa seus públicos, prepara novas lideranças e estabelece relações com cooperados, colaboradores e comunidade. São diferentes caminhos para entender se os valores do movimento estão presentes apenas no discurso ou também nas experiências cotidianas”, descreveu Jessyca.
De cooperado a cooperativista
A discussão também levou a uma reflexão sobre o próprio significado de ser cooperado. A associação formal é o ponto de partida, mas a experiência cooperativista envolve engajamento, conhecimento e pertencimento. Participar das assembleias, compreender os valores e princípios, acompanhar as decisões e escolher a própria cooperativa como espaço de negócios são atitudes que aproximam o cooperado do movimento. Por isso, uma das perguntas deixadas para o público foi direta: se uma pessoa se tornasse cooperada hoje, quanto tempo levaria para descobrir que faz parte de um movimento diferente das demais empresas?
A resposta, segundo Jéssyca, passa pela forma como as cooperativas recebem seus novos membros. “Não basta realizar uma atividade de integração; é preciso avaliar se ela consegue transmitir o que diferencia aquela organização e qual é o papel do cooperado dentro dela. É importante entender se as ações estão, de fato, contribuindo para fortalecer a cultura cooperativista. Precisamos olhar para a forma como contamos nossa história, como promovemos a educação cooperativista e como estimulamos a participação. A cultura se constrói no cotidiano e precisa ser intencionalmente cuidada”, complementou.
Outro ponto levantado foi o papel das lideranças. Para que a cultura se mantenha viva, é necessário que o comportamento de quem lidera esteja alinhado aos valores que a cooperativa pretende transmitir. A palestra terminou com um convite. “Antes de medir ou comparar, é preciso observar o que já acontece dentro de cada organização. Como as pessoas se relacionam, quais histórias são preservadas, que práticas se repetem e de que maneira a cooperativa é percebida por quem faz parte dela”, concluiu Thais.
Saiba Mais:
Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro
Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro
Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI
Todos os ramos
Agropecuário
Consumo
Crédito
Infraestrutura
Saúde
Seguros
Trabalho, Produção de Bens e Serviços
Transporte
REPRESENTAÇÃO
10/08/2026
Cooperativas de saúde reforçam papel na assistência aos brasileiros
Ramo chega a 304 mil cooperados, geral mais de 160 mil empregos e movimenta R$ 130,7 bilhões
Cuidar das pessoas está no centro da atuação das cooperativas de saúde. Em um cenário de crescente demanda por serviços de qualidade, o ramo segue ampliando sua presença no Brasil ao combinar atendimento humanizado, valorização dos profissionais e um modelo de gestão que reinveste seus resultados no próprio negócio e nas comunidades onde atua.
Os números do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, divulgado pelo Sistema OCB nesta sexta-feira (31), refletem essa trajetória. O ramo reúne 695 cooperativas, responsáveis por 304.329 cooperados e 162.285 empregos diretos em todo o país. Em 2025, as cooperativas de saúde movimentaram R$ 130,7 bilhões em ingressos e alcançaram R$ 81,9 bilhões em ativos, o que consolida sua relevância para o sistema de saúde brasileiro. Além disso, o ramo destinou R$ 10,1 bilhões às despesas com pessoal.
De acordo com a Agência Nacional de Saúde (ANS), as operadoras de saúde médica reuniram mais de 24 milhões de beneficiários em 2025, com cerca de 20 milhões atendidos pelas cooperativas médicas enquanto as odontológicas totalizaram cerca de 4,7 milhões. A agência também aponta que o Sistema Unimed se destaca no Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS) do período. Entre as 20 operadoras médico-hospitalares que obtiveram nota máxima na avaliação, 18 são cooperativas Unimed (90%). Já a Aliança Cooperativa Internacional (ACI), destaca o Sistema Unimed no topo dos 4 maiores grupos cooperativistas do mundo, considerando a relação entre receitas e PIB per capita dos países.
Para a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, o crescimento do ramo demonstra a capacidade do cooperativismo de responder aos desafios da assistência à saúde em um país de dimensões continentais. "As cooperativas de saúde unem excelência técnica, gestão eficiente e compromisso com o cuidado. É um modelo que valoriza os profissionais, amplia o acesso da população aos serviços e contribui para um sistema de saúde mais sustentável e próximo das necessidades das pessoas. E esses são fatores que fazem muita diferença quando consideramos o tamanho, as diferenças e os desafios que o nosso país impõe para a oferta de serviços de qualidade”, afirma.
Melhoria contínua
Presentes em todas as regiões brasileiras, as cooperativas de saúde atuam em diferentes especialidades e modalidades de atendimento ao reunir médicos, odontólogos, psicólogos, fisioterapeutas e outros profissionais que compartilham a gestão do empreendimento e participam das decisões estratégicas. Essa estrutura permite ampliar a oferta de serviços, fortalecer redes de atendimento e investir continuamente em tecnologia, inovação e qualificação profissional. "Quando os próprios profissionais participam da gestão, as decisões são tomadas com foco na qualidade da assistência e na sustentabilidade do negócio. Isso fortalece o cuidado com o paciente e cria um ambiente favorável à inovação e ao aprimoramento constante dos serviços, acrescenta Tania.
Outro destaque do ramo é sua forte integração com os demais segmentos do cooperativismo. As cooperativas de saúde mantêm relações com cooperativas de crédito, trabalho, consumo, infraestrutura e agropecuárias. Essa intercooperação amplia o alcance dos serviços e cria soluções cada vez mais completas para cooperados e comunidades.
Saiba Mais:
Sistema OCB recebe maior cooperativa de crédito do México
Modelo brasileiro do coop agro é apresentado em congresso na Argentina
Coop defende integração para ampliar a resiliência climática no agro
REPRESENTAÇÃO
07/08/2026
Cooperativas de Infraestrutura expandem geração de energia
Ramo chega a 1,48 milhão de cooperados, amplia investimentos e leva soluções para todo o país
Garantir acesso à energia e a outros serviços essenciais é um dos grandes desafios para o desenvolvimento sustentável do país. Em diferentes regiões do Brasil, esse desafio tem sido enfrentado por meio da cooperação. Organizadas pelos próprios usuários, as cooperativas de infraestrutura se destacam cada vez mais por sua atuação na geração e distribuição de energia, além de desenvolver soluções que impulsionam a economia local e melhoram a qualidade de vida das comunidades.
O Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, divulgado pelo Sistema OCB nesta sexta-feira (31), aponta que o ramo reuniu, em 2025, 247 cooperativas, que atendem 1,48 milhão de cooperados e geram 7.110 empregos diretos. No mesmo período, essas cooperativas movimentaram R$ 6,81 bilhões em ingressos e alcançaram R$ 11,46 bilhões em ativos, consolidando sua expansão em todo o país.
O fortalecimento do ramo também se reflete em seus indicadores econômicos. Em 2025, os ativos das cooperativas de infraestrutura chegaram a R$ 11,45 bilhões, enquanto os ingressos alcançaram R$ 6,81 bilhões, demonstrando a capacidade do setor de ampliar investimentos e desenvolver projetos de longo prazo. O capital social atingiu R$ 718,4 milhões, o que evidencia a confiança dos cooperados no modelo cooperativista e na expansão das iniciativas conduzidas pelas próprias comunidades.
“As cooperativas de infraestrutura mostram que desenvolvimento também se constrói de forma colaborativa. Quando as pessoas se unem para investir em soluções que atendem às necessidades da própria comunidade, elas ampliam o acesso a serviços essenciais, fortalecem a economia local e criam condições para um crescimento mais sustentável e inclusivo", defende a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella.
Geração de energia
A geração de energia é hoje o principal vetor de crescimento das cooperativas de infraestrutura. O Anuário registra 94 cooperativas dedicadas à geração de energia para consumo próprio, 79 cooperativas de distribuição de energia e 29 cooperativas voltadas à geração para comercialização, dados que refletem o avanço de um modelo que combina sustentabilidade, inovação e participação coletiva.
Esse crescimento acompanha a expansão da geração distribuída no Brasil e reforça o protagonismo das cooperativas na construção de alternativas energéticas mais eficientes e próximas das necessidades dos consumidores. "A expansão da geração de energia pelas cooperativas acompanha uma transformação importante do setor elétrico brasileiro. O cooperativismo contribui para acelerar a transição para uma matriz cada vez mais sustentável, sempre com os benefícios retornando para os próprios cooperados e para suas comunidades", acrescenta Tania.
Outras soluções
Embora a energia concentre a maior parte das atividades do ramo, as cooperativas de infraestrutura também atuam em áreas como construção civil, telecomunicações e outras iniciativas voltadas à implantação e manutenção de serviços essenciais.
Essa diversidade permite que cada cooperativa desenvolva projetos compatíveis com as necessidades de sua região e amplie o acesso à infraestrutura em localidades onde, muitas vezes, a oferta tradicional é limitada. Dessa forma, elas fortalecem a capacidade das próprias comunidades de identificar prioridades, definir investimentos e construir soluções coletivas para seus desafios.
Ao transformar necessidades coletivas em soluções construídas de forma colaborativa, as cooperativas de infraestrutura demonstram que investir em energia e em serviços essenciais também é uma forma de promover desenvolvimento, inclusão e prosperidade para milhares de brasileiros.
Saiba Mais:
Cooperativismo leva experiência em RIG a seminário da Abrig
Cooperativas de consumo fortalecem economia compartilhada
Lideranças da Fecoagro visitam a Casa do Cooperativismo
REPRESENTAÇÃO
AnuárioCoop 2026: Dados do Cooperativismo Brasileiro
Números não existem apenas para medir resultados. Eles revelam movimentos que transformam realidades. O AnuárioCoop 2026 já está no ar e mostra a força do cooperativismo brasileiro em dados: crescimento, geração de oportunidades, desenvolvimento e presença em todo o país. Saiba mais em: https://anuario.coop.br
06/08/2026
REPRESENTAÇÃO
Imersão pré-COP31
Neste Se Liga, você confere como a Imersão em cooperativismo Pré-COP31 reúne representantes de organismos internacionais, autoridades e instituições estratégicas para conhecer, de perto, experiências que mostram como as cooperativas brasileiras já contribuem para o desenvolvimento sustentável.
06/08/2026
REPRESENTAÇÃO
Cooperativas de consumo fortalecem economia compartilhada
Papel do ramo na oferta de produtos e serviços ganha destaque no AnuárioCoop 2026
Consumir também pode ser uma forma de participar. Nas cooperativas de consumo, quem utiliza produtos e serviços contribui com as decisões, ajuda a definir os rumos do empreendimento e compartilha os resultados gerados. O modelo, baseado na economia compartilhada, segue conquistando espaço no Brasil e alcançou 2,84 milhões de cooperados em 2025, crescimento de 10,8% em relação ao ano anterior, segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, divulgado pelo Sistema OCB nesta sexta-feira (31).
O avanço do quadro social acompanha o fortalecimento do ramo. As cooperativas de consumo movimentaram R$ 7,9 bilhões em ingressos ao longo do ano, somaram R$ 4,16 bilhões em ativos e reúnem atualmente 191 organizações, responsáveis por 15.798 empregos diretos em todo o país.
Para a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, o crescimento demonstra que cada vez mais brasileiros percebem valor em um modelo que vai além da simples relação de compra e venda. "As cooperativas de consumo mostram que é possível unir eficiência econômica e compromisso com as pessoas. Ao organizar demandas comuns, elas ampliam o acesso a produtos e serviços, fortalecem o poder de compra dos associados e fazem com que os benefícios gerados retornem para quem participa da cooperativa e para a própria comunidade", destaca.
Soluções diversificadas
O cooperativismo de consumo está presente em diversas áreas do cotidiano. As cooperativas atuam em supermercados, farmácias, postos de combustíveis, lojas de vestuário, beleza, equipamentos, serviços veiculares e outras atividades que atendem às necessidades dos cooperados. Em muitos casos, uma mesma cooperativa desenvolve mais de uma atividade, ampliando as soluções oferecidas.
Essa diversidade permite que o modelo esteja presente em diferentes etapas da vida das pessoas, com alternativas mais próximas da realidade de cada comunidade e com potencial para fortalecer as relações de consumo baseadas na confiança, na participação e no interesse coletivo.
Outro destaque do ramo é a evolução da presença de mulheres em seu quadro social. Em 2025, foi registrado 1,42 milhão de mulheres cooperadas, crescimento de 16,2% em relação ao ano anterior, enquanto o número de homens registrou alta de 5,9%.
Na avaliação da presidente Tania, esse resultado reforça uma das principais características das cooperativas. "Quanto mais diversa e representativa é a base de cooperados, maior é a capacidade de compreender as necessidades das pessoas e construir soluções adequadas para elas. A participação democrática é um dos pilares que tornam esse modelo tão conectado às comunidades onde atua".
O Anuário também mostra que a intercooperação é parte importante da estratégia do ramo. Mais da metade das organizações de consumo utilizam cooperativas de crédito para movimentar seus recursos financeiros e mantém parcerias com outros segmentos para ampliar a oferta de serviços de saúde, transporte, produtos agropecuários e outras soluções ao seu quadro social. Essa integração fortalece o ecossistema cooperativista, amplia a competitividade das cooperativas e cria oportunidades para os cooperados.
Escolhas mais conscientes
O principal diferencial das cooperativas de consumo está na forma como organizam as relações econômicas. Diferentemente do modelo tradicional, os consumidores também são donos do empreendimento, participam das decisões em igualdade de condições e compartilham os resultados obtidos pela cooperativa. O modelo fortalece o poder de negociação dos associados, estimula escolhas mais conscientes e contribui para que os recursos permaneçam em circulação nas próprias comunidades, gerando emprego, renda e novas oportunidades de desenvolvimento.
Como destaca Tania, "o cooperativismo de consumo demonstra que é possível construir relações econômicas mais equilibradas, em que o sucesso da organização está diretamente ligado ao bem-estar das pessoas. Quando o consumidor também é protagonista, o resultado da compra de um produto ou da contratação de um serviço fortalece uma comunidade inteira".
Saiba Mais:
AnuárioCoop 2026 amplia visibilidade do cooperativismo na imprensa
Conselho da ACI conclui pautas estratégicas para assembleia no Panamá
Sistema OCB adere a pacto de combate à violência contra a mulher
06/08/2026
REPRESENTAÇÃO
Coops Day 2026
O Dia Internacional do Cooperativismo (Coops Day) celebra um modelo de negócio que transforma vidas, fortalece comunidades e promove um desenvolvimento mais sustentável e inclusivo. No Se Liga desta semana, o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, compartilha uma mensagem especial em homenagem à data, destacando a importância do cooperativismo brasileiro e o papel das cooperativas na construção de um futuro melhor para todos. Dê o play e celebre com a gente o Coops Day 2026!
06/08/2026
REPRESENTAÇÃO
AnuárioCoop 2026 amplia visibilidade do cooperativismo na imprensa
Levantamento gerou ampla repercussão, com cobertura positiva em veículos de referência
Os dados do AnuárioCoop 2026 ganharam destaque nos principais veículos de comunicação do país e ampliaram a presença do cooperativismo no debate público. Mais de 46 reportagens foram divulgadas em jornais, revistas, portais especializados, emissoras de televisão e plataformas digitais nos primeiros três dias após a publicação oficial dos dados pelo Sistema OCB na sexta-feira (31).
A cobertura alcançou veículos de grande referência, como Folha de S.Paulo, Estadão, Valor Econômico (impresso), Exame, Forbes Brasil, CNN Brasil, Globo Rural, InfoMoney, Poder360, Portal Terra, Nexo Jornal, AGFeed e Brazil Economy, além de diversos portais voltados ao agronegócio, à economia e ao cooperativismo.
Os diferentes enfoques mostraram a amplitude dos resultados apresentados pelo Anuário. As reportagens destacaram o crescimento do cooperativismo brasileiro, que alcançou 29 milhões de cooperados, movimentou R$ 848,4 bilhões em ingressos e registrou 613 mil empregos diretos em 2025. O desempenho do ramo Agropecuário, a participação das cooperativas nas exportações brasileiras e a projeção de o setor atingir R$ 1 trilhão em movimentação financeira até 2028 também estiveram entre os temas mais repercutidos.
Na televisão, a CNN Brasil realizou duas entradas ao vivo durante a programação da sexta-feira, com mais de dez minutos divulgados à divulgação dos resultados do levantamento e ampliação do alcance das informações para o público nacional. O levantamento ainda foi pauta em plataformas de negócios, economia e mercado financeiro, como Broadcast Agro, LinkedIn News e MSN Notícias, além de veículos regionais de diferentes estados.
"A repercussão do AnuárioCoop mostra que o cooperativismo está cada vez mais presente na agenda nacional. Quando os principais veículos de comunicação destacam nossos resultados, eles ajudam a tornar mais conhecido um modelo de negócios que gera oportunidades, distribui riqueza, fortalece comunidades e contribui diretamente para o crescimento do Brasil. Essa visibilidade amplia o reconhecimento da força das cooperativas e reforça a credibilidade do setor perante a sociedade” destaca a a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella.
O AnuárioCoop reúne os principais dados econômicos, sociais e de gestão do cooperativismo brasileiro. A edição de 2026 mostrou que o setor segue em expansão, com crescimento no número de cooperados, geração de empregos, aumento da movimentação financeira e fortalecimento de sua presença em todas as regiões do país.
Confira todas as reportagens.
Saiba Mais:
AnuárioCoop 2026: cooperativismo chega a 29 milhões de cooperados
OCEs acompanham apresentação do AnuárioCoop 2026 em encontro online
Cooperativas agropecuárias movimentam R$ 487,3 bilhões e ampliam presença no país
05/08/2026
REPRESENTAÇÃO
Cooperativas de crédito ultrapassam R$ 1,16 trilhão em ativos
AnuárioCoop 2026 mostra crescimento da base de cooperados e fortalecimento da inclusão financeira
O cooperativismo de crédito brasileiro alcançou um novo patamar em 2025. As cooperativas do ramo ultrapassaram, pela primeira vez, a marca de R$ 1,15 trilhão em ativos, resultado que representa um crescimento de 17,1% em relação ao ano anterior. Os dados fazem parte do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, divulgado nesta sexta-feira (31) pelo Sistema OCB, e confirmam a consolidação do segmento como um dos principais agentes da inclusão financeira e de desenvolvimento regional no país.
O ramo reúne atualmente 22,95 milhões de cooperados, crescimento de 14,1% em apenas um ano, e mantém presença física em 59% dos municípios brasileiros. Na prática, 8 em cada 10 cooperados no Brasil estão em uma cooperativa de crédito. Além disso, em 1.072 cidades, as cooperativas de crédito são a única instituição financeira em funcionamento, o que permite a ampliação do acesso ao crédito, aos serviços financeiros e às oportunidades de desenvolvimento para milhões de brasileiros.
Para a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, esses resultados demonstram que o crescimento do cooperativismo de crédito acompanha uma demanda crescente da sociedade por instituições financeiras mais próximas das pessoas. "Cada novo cooperado representa alguém que escolhe participar de uma instituição da qual também é dono. Esse modelo fortalece a confiança e faz com que os recursos circulem nas próprias comunidades, financiem famílias, produtores rurais, empreendedores e pequenos negócios", afirma.
Os resultados econômicos reforçam essa trajetória. Em 2025, os ingressos alcançaram R$ 198,3 bilhões, alta de 19,9% sobre o ano anterior. O capital social chegou a R$ 84,7 bilhões, crescimento de 18,3%, enquanto as sobras do exercício somaram R$ 24 bilhões, avanço de 54,3%. O cooperativismo de crédito reúne atualmente 682 cooperativas e gera 134.395 empregos diretos, número 10,3% superior ao registrado em 2024.
O cooperativismo de crédito também exerce papel estratégico para o conjunto do movimento cooperativista. As cooperativas do ramo financiam investimentos, capital de giro e projetos desenvolvidos por cooperativas agropecuárias, de transporte, saúde, infraestrutura, consumo e outros segmentos, o que fortalece o ambiente de intercooperação, amplia a competitividade de todo o setor e impulsiona o desenvolvimento das economias locais.
Os resultados do AnuárioCoop2026 mostram que o cooperativismo de crédito mantém uma trajetória consistente de crescimento econômico e de ampliação de seu impacto social. A ampliação de sua participação no Sistema Financeiro Nacional (SFN) avançou para 8,0% e os depósitos atingiram 9,8% de acordo com dados do Banco Central. O Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) permaneceu entre os segmentos com maior crescimento da carteira de crédito no SFN (13,1%), e chegou a R$ 516 bilhões em operações de crédito líquidas de provisão.
Para Tania, essa evolução confirma que o cooperativismo de crédito desempenha um papel cada vez mais relevante para o país. "O ramo demonstra que é possível conciliar eficiência econômica, inclusão financeira e desenvolvimento regional. Quanto mais as cooperativas crescem, maior é sua capacidade de ampliar oportunidades, apoiar a atividade produtiva e contribuir para uma economia mais forte e mais inclusiva”, complementa.
Valor compartilhado
Além de serviços financeiros, as cooperativas de crédito promovem um modelo de negócios baseado na participação dos cooperados, na gestão democrática e no compromisso com o desenvolvimento das comunidades. Como os cooperados são, ao mesmo tempo, clientes e donos da instituição, os resultados permanecem no próprio sistema, fortalecem o patrimônio das cooperativas, ampliam sua capacidade de investimento e retornam aos associados na forma de melhores soluções financeiras, distribuição de sobras e iniciativas voltadas ao desenvolvimento local.
Essa dinâmica contribui para ampliar a inclusão financeira, estimular o empreendedorismo, apoiar a atividade produtiva e reduzir desigualdades regionais, especialmente em municípios onde o acesso a serviços financeiros ainda é limitado. Ao combinar eficiência econômica com compromisso social, o cooperativismo de crédito fortalece economias, gera oportunidades e reafirma seu papel como um dos principais instrumentos de desenvolvimento sustentável do país.
Saiba Mais:
Cooperativas agropecuárias movimentam R$ 487,3 bilhões e ampliam presença no país
AnuárioCoop 2026: cooperativismo chega a 29 milhões de cooperados
OCEs acompanham apresentação do AnuárioCoop 2026 em encontro online
04/08/2026
Todos os ramos
Agropecuário
Consumo
Crédito
Infraestrutura
Saúde
Seguros
Trabalho, Produção de Bens e Serviços
Transporte
INOVAÇÃO
30/04/2026
AnuárioCoop: cooperativas devem preencher questionário até 3 de junho
Atualização via SouCoop garante dados mais precisos e fortalece a leitura do cooperativismo no país
Cooperativas de todo o país tem até 3 de junho para preencher os questionários do SouCoop e garantir a atualização das informações que irão compor AnuárioCoop 2026. A etapa é essencial para consolidar a principal base de dados do cooperativismo brasileiro, utilizada como referência para construção de estudos, análise de desempenho, formulação de estratégias e fortalecimento da representação institucional do setor. A qualidade e a consistência dessas informações dependem diretamente do engajamento das cooperativas no envio de dados completos, atualizados e alinhados à realidade de suas operações.
O AnuárioCoop cumpre um papel central na organização e na visibilidade do cooperativismo no Brasil. A partir dos dados consolidados, o Sistema OCB consegue ampliar a capacidade de diálogo com o poder público, qualificar a defesa de pautas prioritárias e direcionar políticas e projetos mais aderentes às necessidades das cooperativas. Além disso, o material contribui para evidenciar, de forma estruturada, a relevância econômica e social do setor, com impactos concretos na geração de emprego, renda e desenvolvimento sustentável em diferentes regiões do país.
“O preenchimento dos questionários do Anuário no SouCoop é fundamental para que possamos retratar, com precisão, a realidade do cooperativismo brasileiro. São essas informações que sustentam nossas análises, fortalecem a nossa atuação institucional e ampliam a visibilidade do setor”, destaca o gerente do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB, Guilherme Costa.
A recomendação é que as cooperativas realizem o preenchimento com antecedência, com tempo hábil para revisão das informações e para evitar possíveis instabilidades decorrentes do acesso concentrado nos últimos dias do prazo. A mobilização coletiva é determinante para assegurar um retrato fiel, atualizado e representativo do cooperativismo brasileiro, o que fortalece a capacidade de planejamento e atuação de todo o movimento.
Saiba Mais:
Acesso aos fundos regionais avança na Câmara
Cooperativismo brasileiro participa de plenária da RECM
Sistema OCB participa de oficina Plano Safra promovida pelo MDA
INOVAÇÃO
09/03/2026
Workshop reúne OCEs para mapear uso de inteligência artificial
Pontos focais vão diagnosticar maturidade digital e estruturar iniciativas no cooperativismo
O Sistema OCB realizou na sexta-feira (6), em Brasília, o Workshop de Mapeamento de Soluções de Inteligência Artificial com Pontos Focais das Organizações Estaduais do Cooperativismo (OCEs). O encontro discutiu o uso estratégico da tecnologia nos nas unidades do cooperativismo em todo o Brasil. A iniciativa integra o Plano Institucional de Uso de Inteligência Artificial, que busca, ao mesmo tempo, ampliar o conhecimento sobre a tecnologia entre os colaboradores e levantar um diagnóstico nacional sobre o nível de adoção de ferramentas de IA no cooperativismo.
A proposta do encontro foi promover um momento de escuta ativa, alinhamento conceitual e construção coletiva de oportunidades de aplicação da tecnologia nas rotinas de trabalho das organizações. Durante as atividades, os participantes compartilharam experiências, levantaram desafios e discutiram caminhos para incorporar soluções baseadas em inteligência artificial de forma estruturada e responsável.
Um dos principais pontos abordados ao longo do workshop foi a abordagem metodológica para adoção da tecnologia. A mensagem central foi de que a implementação de IA não deve começar pela escolha de ferramentas tecnológicas, mas pela compreensão detalhada dos processos organizacionais.
Nesse sentido, os debates destacaram a importância de mapear fluxos de trabalho já existentes, identificar gargalos operacionais, compreender as principais necessidades das equipes e, somente a partir desse diagnóstico, avaliar quais etapas poderiam se beneficiar de automação ou apoio analítico.
A proposta busca evitar um problema comum em iniciativas de inteligência artificial: a adoção de soluções tecnológicas sem um diagnóstico claro dos processos. Quando isso ocorre, é frequente que projetos avancem até a fase de protótipos, mas não se consolidem como soluções efetivas no dia a dia das organizações.
Durante o encontro, os participantes também foram estimulados a refletir sobre o papel da tecnologia como instrumento de melhoria de processos. A inteligência artificial foi apresentada como uma ferramenta capaz de ampliar eficiência e apoiar a tomada de decisão, desde que aplicada sobre atividades com objetivos bem definidos e estrutura operacional clara.
A programação incluiu dinâmicas de trabalho colaborativas, nas quais os representantes das OCEs puderam analisar rotinas institucionais, identificar oportunidades de aprimoramento e discutir possíveis frentes de inovação que possam ser exploradas futuramente no Sistema.
O workshop integra o projeto de construção do Plano Institucional de Uso de Inteligência Artificial do Sistema OCB, iniciativa que será desenvolvida ao longo de 2026 com a participação das unidades estaduais. Nesse processo, os pontos focais terão papel importante no acompanhamento das discussões técnicas e no compartilhamento de informações sobre iniciativas e necessidades identificadas nos estados.
“O objetivo é entender como as organizações estaduais já utilizam ou pretendem utilizar inteligência artificial em suas rotinas e, a partir disso, estruturar um plano consistente para o Sistema OCB. Estamos falando de uma tecnologia com enorme potencial para aumentar eficiência, apoiar decisões e qualificar ainda mais nossos serviços.” destacou o coordenador do projeto e gerente geral do Sescoop, Ivan Mafra.
Saiba Mais:
Sistema OCB participa de conferência regional da FAO nas Américas
II Conferência do Trabalho avança em propostas para relações de trabalho
Mulheres ampliam presença e liderança no coop brasileiro
INOVAÇÃO
Guia orienta cooperativas a acessar recursos do FNDCT para inovação
Cartilha do Sistema OCB e da Finep detalha caminhos para financiar projetos de ciência e tecnologia
O Sistema OCB disponibilizou, nesta sexta-feira (23), a cartilha Guia de Acesso ao FNDCT por Cooperativas, material que reúne informações práticas para apoiar cooperativas interessadas em acessar recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Elaborado em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o guia esclarece regras, modalidades e etapas do processo.
A publicação foi organizada após a sanção da Lei 15.184/2025, que incluiu formalmente as cooperativas entre os beneficiários diretos do FNDCT e autorizou o uso do superávit financeiro do Fundo para operações de financiamento. Com isso, projetos de ciência, tecnologia e inovação desenvolvidos por cooperativas passam a ter acesso a um volume expressivo de recursos, operados principalmente pela Finep, secretaria executiva do Fundo.
O guia apresenta o funcionamento do FNDCT, suas fontes de recursos e a evolução recente do orçamento, que atingiu patamares recordes nos últimos anos. Também explica as modalidades disponíveis (reembolsáveis e não reembolsáveis), os requisitos legais e estatutários para participação, além da documentação necessária para submissão de propostas.
Oportunidade
Outro destaque do material é a contextualização do papel das cooperativas no ecossistema nacional de inovação. Dados apresentados no guia indicam que a maioria das cooperativas reconhece a inovação como elemento estratégico, mas aponta o financiamento como um dos principais entraves para tirar projetos do papel. Nesse cenário, o acesso ao FNDCT representa uma oportunidade para ampliar iniciativas em áreas como conectividade no campo, energia limpa, digitalização de processos, agricultura de precisão e economia circular.
Nesta quinta (22), o Sistema OCB e a Finep assinaram um Acordo de Cooperação Técnica para ampliar e organizar o acesso das cooperativas aos instrumentos de financiamento à inovação, como o FNDCT. O acordo estabelece uma agenda de trabalho voltada à orientação técnica, capacitação e divulgação das linhas disponíveis a fim de oferecer condições mais claras para que cooperativas de diferentes ramos consigam estruturar e viabilizar projetos de pesquisa e desenvolvimento.
Saiba Mais:
Programa fortalece participação política do coop em ano eleitoral
Artigo do 8º EBPC avalia eficiência das cooperativas de crédito
Diálogo com BNB busca aproximação com o cooperativismo
23/01/2026
INOVAÇÃO
InovaCoop lança videocast com 16 episódios
Produção reúne cases, especialistas e tendências da inovação cooperativista
O Sistema OCB acaba de lançar uma novidade no InovaCoop, com 16 episódios gravados durante o World Cooperative Management (WCM). A produção traz conversas diretas, práticas e inspiradoras sobre inovação no cooperativismo, além de reunir lideranças, especialistas e gestores de cooperativas de diferentes ramos.
Disponível na trilha Ensina Vídeos da plataforma InovaCoop, a série apresenta um panorama atual das tendências, dos desafios e das oportunidades que têm moldado o futuro das cooperativas no Brasil. Cada episódio traz aprendizados de lideranças, especialistas e gestores que, de diferentes ramos e regiões, compartilham caminhos concretos para inovar com propósito.
Confira os destaques da série, aprofunde seus conhecimentos e descubra ideias, caminhos e estratégias que podem inspirar o futuro da sua cooperativa:
1. Cultura de inovação e evolução do RH – Comigo
Com participação de Tani Melo, Gerente de RH, e Pâmela Costenaro, coordenadora de Desenvolvimento de Pessoas da Comigo, uma das maiores cooperativas agroindustriais do Brasil, o episódio mostra como a gestão de pessoas se tornou eixo estratégico para inovação e fortalecimento cultural.
2. Políticas públicas e ambiente regulatório
Geraldo Magela Silva, assessor institucional da Ocemg, explica como marcos regulatórios bem estruturados podem acelerar a inovação no cooperativismo.
3. Transformação digital na saúde – Unimed São Sebastião do Paraíso
Matheus Colombaroli, diretor-presidente da Unimed São Sebastião do Paraíso, detalha como a digitalização reduziu retrabalhos e melhorou a experiência dos beneficiários.
4. Reinvenção e competitividade – Coopresa
Lívia Maria, presidente da Coopresa, apresenta a jornada de modernização de uma cooperativa de manutenção aeronáutica diante de um mercado altamente exigente.
5. Modernização com raízes cooperativistas – Coopama
Fernando Caixeta Vieira, diretor-presidente da Coopama, e Marcelo Rocha Nogi, superintendente financeiro, contam como a cooperativa fundada em 1944 atualiza processos sem perder sua essência.
6. Design Thinking para cooperativas
Hellen Beck, analista de inovação do Sistema OCB, mostra como a abordagem centrada nas pessoas fortalece a inovação interna.
7. Pacto Sistêmico de Estratégia – Sicoob
George Laporta, gerente nacional de performance corporativa do Sicoob, explica como o maior sistema financeiro cooperativo do país construiu um direcionamento unificado, sem abrir mão da autonomia das cooperativas.
8. Jornada de inovação da Unimed-BH
Frederico Peret, diretor-presidente da Unimed-BH, apresenta a estratégia de uma das cooperativas mais inovadoras do setor de saúde.
9. Sistemas de gestão da inovação
Hélio Gomes de Carvalho, professor doutor, consultor e especialista em inovação, detalha como estruturar processos, medir resultados e fortalecer a cultura inovadora.
10. Oportunidades da Lei 15.184 e acesso ao FNDCT
Fabíola Nader Motta, gerente-geral do Sistema OCB, explica como o novo marco de fomento pode ampliar a competitividade das cooperativas.
11. Financiamento da inovação
Fernanda Freitas, gerente de inovação na ABGi Brasil, aborda caminhos e ferramentas para captar recursos e viabilizar projetos inovadores.
12. Inovação na expansão da Transpocred
Diogo Angioleti, líder de Gente, Gestão e Inovação da Transpocred, mostra como a cooperativa de crédito do transporte cresceu ao pensar fora da caixa.
13. Conexão entre academia e cooperativismo
Valéria Fully, doutora em Economia Aplicada pela UFV, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), analisa como a integração entre pesquisa, educação e cooperativas gera soluções transformadoras.
14. Intercooperação como força competitiva
Geâne Ferreira, gerente-geral do Sescoop/DF, apresenta iniciativas que conectam unidades estaduais e ampliam o desenvolvimento sistêmico.
15. Inovação com propósito – episódio de estreia
Lisiane Lemos, referência nacional em tecnologia, liderança e equidade, discute como inovação e propósito se complementam no cooperativismo brasileiro.
16.Inteligência artificial, letramento digital e o futuro das organizações
Gil Giardelli, cofundador da Quinta Era e membro do comitê de IA para Países em Desenvolvimento, fala sobre as mudanças provocadas pela inteligência artificial e o que organizações precisam fazer para navegar essa transformação com responsabilidade e visão de longo prazo.
Saiba Mais:
COP30 deixa legado estratégico para o cooperativismo brasileiro
Documentário sobre o coop celebra histórias reais de transformação
Prêmio Café Brasil destaca sustentabilidade e força das cooperativas
09/12/2025
INOVAÇÃO
InovaCoop lança área dedicada ao uso da Inteligência Artificial
Nova seção reúne conteúdo e facilita acesso de cooperativas a ferramentas e casos de sucesso
A inteligência artificial (IA) já faz parte da rotina de diversas cooperativas brasileiras e agora ganhou um espaço exclusivo no InovaCoop. A plataforma de inovação do cooperativismo lançou a aba Saiba Mais IA, que reúne conteúdos acessíveis e práticos para apoiar cooperativas de todos os ramos na adoção dessa tecnologia.
O novo espaço chega para facilitar a vida de dirigentes, colaboradores e cooperados interessados em entender como aplicar a IA em processos, serviços e estratégias de negócios. Nele é possível encontrar desde guias básicos até materiais mais avançados sobre temas como engenharia de prompt, governança de dados, uso de ferramentas gratuitas e pagas, além de vídeos explicativos.
Segundo Guilherme Souza Costa, gerente do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB, a iniciativa tem como objetivo democratizar o acesso ao conhecimento. “A inteligência artificial não é uma solução mágica. Ela gera bons resultados quando está alinhada ao propósito da cooperativa e apoiada em dados estruturados. O Saiba Mais IA foi pensado justamente para oferecer conteúdos claros, práticos e úteis, que ajudem as cooperativas a avançarem nessa jornada de forma estratégica”, afirma.
Casos inspiradores
A nova aba também apresenta exemplos concretos do uso da inteligência artificial no cooperativismo. Um dos destaques é a Unimed Grande Florianópolis, que implementou o Robô Laura, sistema de IA capaz de monitorar em tempo integral sinais vitais de pacientes. A tecnologia identifica riscos de sepse em tempo real, permitindo respostas rápidas e aumentando a segurança do atendimento hospitalar.
No agro, a Cooxupé, maior cooperativa de café do mundo, utiliza inteligência artificial para classificar cafés especiais. O sistema garante precisão na avaliação dos grãos, valoriza a produção dos cooperados e fortalece a competitividade no mercado internacional.
Já no crédito, cooperativas começam a explorar soluções de IA para análise de riscos e atendimento ao cooperado, abrindo caminho para serviços mais personalizados e ágeis.
“O cooperativismo tem a preocupação de beneficiar a todos. Quando uma cooperativa adota IA, busca não apenas melhorar processos, mas entregar soluções que impactam positivamente a vida dos cooperados e das comunidades”, destaca Guilherme.
Jornada coletiva
Além de guias e cases, o Saiba Mais IA traz e-books sobre dados e governança, tema fundamental para o uso responsável da tecnologia. A proposta é estimular reflexões e oferecer ferramentas que preparem as cooperativas para aproveitar ao máximo as soluções disponíveis.
A ideia é que cada cooperativa, independentemente do ramo ou porte, encontre recursos para iniciar ou aprofundar sua jornada com inteligência artificial. “O movimento é claro: a IA tende a se tornar cada vez mais presente e acessível. As cooperativas têm todas as condições de liderar esse processo com responsabilidade e impacto social. O Saiba Mais IA é um convite para darmos juntos os próximos passos nessa transformação”, conclui Guilherme
Saiba Mais:
CCJC aprova projeto que reconhece cooperativismo como cultura nacional
Projeto que corrige cobrança da TCFA avança para o Senado
Sistema OCB destaca força do cooperativismo na Nova Brasil FM
04/09/2025
INOVAÇÃO
ConecteCoop: conheça novo jogo sobre o cooperativismo
Com dinâmicas interativas, game aproximou sociedade do cooperativismo durante o Dia C
O cooperativismo brasileiro ganhou, no último sábado (30), uma ferramenta inédita para se aproximar ainda mais da sociedade: o ConecteCoop, game virtual desenvolvido pelo Sistema OCB para apresentar, de forma lúdica e interativa, os princípios e a força transformadora das cooperativas. A aplicação ocorreu durante o Dia de Cooperar (Dia C), iniciativa que mobiliza cooperativas de todo o Brasil em ações de voluntariado e solidariedade.
A escolha do Dia C para a estreia não foi por acaso. O evento reúne um público diversificado, com pessoas que, muitas vezes, ainda não conhecem o movimento cooperativista. Nesse contexto, o game se mostrou uma porta de entrada criativa e acessível para despertar o interesse de diferentes gerações pelo tema.
A fase piloto
O ConecteCoop foi testado em duas localidades: Campo Grande (MS) e Brasília (DF). Em Campo Grande, a dinâmica aconteceu no Poliesportivo Mamede Assem José, na Vila Almeida, reunindo 41 jogadores. Já em Brasília, a experiência foi realizada no estacionamento do Fórum de Planaltina, com a participação de 109 pessoas.
Ao todo, 150 participantes experimentaram o jogo, interagindo com a proposta de construir uma rede de conexões e descobrir, na prática, como o cooperativismo se fortalece pela soma de esforços.
No game, cada jogador assume um personagem que precisa conquistar cooperados virtuais ao longo de sua jornada. A cada desafio cumprido, a rede cresce, simbolizando como a colaboração gera impacto coletivo e amplia resultados. De forma simples e divertida, o público pôde entender a lógica da cooperação e os benefícios do modelo.
Para o gerente do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB, Guilherme Souza Costa, o piloto confirmou que o game tem potencial de se tornar uma ferramenta estratégica para a comunicação do movimento.
“O ConecteCoop mostra que é possível explicar o cooperativismo de forma leve e envolvente. O piloto nos mostrou que o game tem potencial para ser utilizado em diferentes eventos e espaços, ajudando a atrair novos públicos para conhecer a nossa forma de organização”, avaliou.
Apoio das OCEs
A realização do piloto contou com o apoio das Organizações das Cooperativas Estaduais de Mato Grosso do Sul (OCB/MS) e do Distrito Federal (OCB/DF), que mobilizaram equipes e voluntários para viabilizar as ações. A parceria foi fundamental para garantir a estrutura, o engajamento e a receptividade local.
Inovação e futuro
O lançamento do ConecteCoop faz parte de uma estratégia mais ampla do Sistema OCB de investir em ferramentas inovadoras de aproximação com a sociedade. A ideia é que o game seja utilizado em grandes eventos, escolas, feiras, encontros comunitários e ambientes digitais, fortalecendo a presença do cooperativismo em diferentes espaços.
“Estamos sempre em busca de novas formas de dialogar com a sociedade. O ConecteCoop é mais uma prova de que o cooperativismo tem linguagem atual e pode se conectar com diferentes gerações”, concluiu Guilherme.
Saiba Mais:
Cooperativas têm a chance de brilhar na COP30: inscreva-se já
Seguro cooperativo: Brasil conquista espaço global na ICMIF Américas
Programa NegóciosCoop impulsiona avanços em oito cooperativas do DF
01/09/2025
INOVAÇÃO
Sistema OCB apoia internacionalização do empreendedorismo feminino
Evento promovido pela ApexBrasil reforça importância de impulsionar negócios liderados por mulheres
O Sistema OCB marcou presença no evento Mulheres e Negócios Internacionais – Territórios, promovido pela ApexBrasil no dia 10 de junho, em Salvador (BA). A ação teve como foco a capacitação, inspiração e conexão de mulheres empreendedoras com o mercado internacional e se insere no âmbito do Programa Mulheres e Negócios Internacionais, iniciativa que integra também a Estratégia Nacional de Empreendedorismo Feminino.
Representando o cooperativismo, a gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB/BA, Jussiara Lessa, acompanhou a programação que contou com painéis, oficinas e apresentações de cases de sucesso protagonizados por mulheres de diferentes perfis, setores e faixas etárias. Segundo ela, o evento foi uma demonstração concreta de como a atuação em rede e o apoio institucional podem abrir portas para o empreendedorismo feminino no Brasil.
“Ficou evidente o quanto a parceria entre instituições como a ApexBrasil, Sebrae e Sistema OCB pode impulsionar mulheres empreendedoras — inclusive cooperadas — a expandirem seus negócios para o mercado internacional. Já temos cooperativas lideradas por mulheres com produtos de excelência e esse tipo de articulação fortalece caminhos para a exportação”, destacou Jussiara.
Durante o evento, foram apresentados exemplos como o da startup baiana EcoCiclo, criadora de absorventes biodegradáveis, e da empresa Latitude 13 Cafés Especiais, liderada por mulheres e responsável pela produção de cafés premiados cultivados na Chapada Diamantina. Muitos dos relatos destacaram a importância da formação empreendedora por meio de iniciativas como o curso Empretec, ofertado pelo Sebrae, e o apoio de políticas públicas que integram raça, gênero e desenvolvimento regional.
O evento também foi um espaço de escuta e acolhimento de diferentes trajetórias femininas, reforçando o valor da representatividade. Mulheres que começaram com poucos recursos, mas com muita determinação, dividiram o palco com empreendedoras consolidadas, em um ambiente de aprendizado mútuo.
O encontro contou com o apoio dos ministérios do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), das Mulheres, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Banco do Brasil, Correios e Sepromi, entre outros parceiros.
A atuação do Sistema OCB no evento também reforça uma das diretrizes do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado com a ApexBrasil. O ACT prevê, entre suas prioridades, o fortalecimento de iniciativas voltadas à igualdade de gênero, com foco especial no estímulo à internacionalização de negócios liderados por mulheres. Com essa diretriz, a parceria tem buscado ampliar a presença feminina nas ações de promoção comercial internacional, abrindo novas oportunidades para que cooperativas lideradas por mulheres possam alcançar mercados estrangeiros.
Por meio desse acordo, o Sistema OCB e a ApexBrasil têm somado esforços para garantir que mais cooperativas, especialmente aquelas protagonizadas por mulheres, tenham acesso às ferramentas, capacitações e ações estratégicas voltadas à exportação. A presença no evento realizado em Salvador reflete esse compromisso com a inclusão produtiva e com a promoção de um cooperativismo cada vez mais diverso e competitivo, alinhado à agenda ESG e às políticas públicas de desenvolvimento sustentável com recorte de gênero.
Saiba Mais:
Cúpula global destaca protagonismo feminino e inovação no agro
Tania Zanella é homenageada em prêmio nacional de diversidade e inclusão
Workshop destaca ID&E como pilar para o cooperativismo do futuro
17/06/2025
INOVAÇÃO
8ª EBPC incentiva pesquisa acadêmica como motor do cooperativismo
Edição 2025 busca ampliar debate sobre contribuição do setor para o desenvolvimento sustentável
O Encontro Brasileiro de Pesquisadores em Cooperativismo (EBPC) chega à sua 8ª edição e reafirma o papel essencial no avanço das pesquisas sobre o cooperativismo no Brasil. Com o tema Ano Internacional das Cooperativas: Integração, Impacto e Perspectivas para o Cooperativismo Brasileiro, o evento será realizado entre os dias 6 e 8 de outubro, em Brasília, e está com chamada aberta para submissão de trabalhos e iniciação científica até o dia 1º de junho.
Desde 2010, o EBPC tem se consolidado como o principal espaço de diálogo entre a academia, as cooperativas, os órgãos de representação e os agentes de fomento ao setor. É um ambiente que valoriza o cooperativismo como um campo de estudo estratégico, multidisciplinar e profundamente conectado com os desafios contemporâneos da sociedade.
“Mais do que um evento científico, o EBPC é um espaço de construção coletiva de saberes. A cada edição, vemos crescer o interesse da academia pelo cooperativismo, o que demonstra a potência do setor como objeto de estudo e ação. Este ano, com o tema alinhado ao Ano Internacional das Cooperativas, vamos aprofundar o debate sobre o impacto do modelo cooperativista no desenvolvimento sustentável do país”, destaca Guilherme Souza Costa, gerente do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB.
A oportunidade reforça o compromisso do EBPC com o fortalecimento da produção acadêmica qualificada e com o reconhecimento dos pesquisadores dedicados ao tema.
Os trabalhos devem se enquadrar em um dos cinco eixos temáticos:
Identidade Cooperativa e Direito Cooperativo;
Educação, Inovação e Diversidade;
Governança e Gestão;
Contabilidade, Finanças e Desempenho;
Impactos e Contribuições Econômicas, Sociais e Ambientais.
Além da visibilidade científica, os trabalhos aprovados e apresentados no 8º EBPC serão convidados a participar do processo de Fast Track, um fluxo prioritário de publicação em revistas científicas renomadas. A participação deverá respeitar os critérios definidos por cada publicação (serão divulgadas em breve) e o aceite será facultado ao aceite dos autores. Para esta edição as revistas habilitadas são: .
Revista de Gestão e Organizações Cooperativas - RGC (UFSM) - ISSN 2359-0432
Brazilian Administration Review - BAR (ANPAD) - ISSN 1807-7692
Contabilidade Vista & Revista (UFMG) - ISSN 0103-734
Administração Pública e Gestão Social (UFV) - ISSN 2175-5787
Pesquisadores, estudantes e profissionais engajados na construção de um setor mais robusto e sustentável são convidados a contribuir com o evento. Submeta seu artigo científico ou de iniciação científica até 01 de junho no site do evento.
Saiba Mais:
Inscrições abertas para o 8º EBPC
Presidente do Sistema OCB faz abertura do 7º EBPC
Sistema OCB estimula cultura de inovação com protagonismo coletivo
17/04/2025
Todos os ramos
Agropecuário
Consumo
Crédito
Infraestrutura
Saúde
Seguros
Trabalho, Produção de Bens e Serviços
Transporte
NEGÓCIOS
22/05/2026
Cooperativismo amplia conexões e negócios na Apas Show 2026
Sistema OCB levou campanha Escolha o Coop para a feira e fortaleceu presença das coops no varejo
Em meio a corredores movimentados, degustações concorridas e reuniões de negócios, o cooperativismo conquistou espaço de destaque na Apas Show 2026. Pelo segundo ano consecutivo, o Sistema OCB participou da maior feira supermercadista do mundo com um estande coletivo voltado à promoção das cooperativas brasileiras, e ampliou a visibilidade do setor diante de varejistas, atacadistas, distribuidores e compradores nacionais e internacionais.
Realizada entre os dias 18 e 21 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo, a feira reuniu empresas de diferentes segmentos ligados à cadeia de alimentos, bebidas, tecnologia, logística e inovação. Em um ambiente marcado por tendências de consumo, lançamentos e conexões estratégicas, o cooperativismo apresentou diversidade, qualidade e capacidade competitiva por meio de produtos que chegaram ao público alinhados à campanha Escolha Consciente, Escolha o Coop.
O estande do Sistema OCB contou com 103,5 m² e a presença de sete cooperativas expositoras: Cocamar, Nova Aliança, Ouro do Sul, Cocapec, Cooprata, Cemil e Sanjo. Ao longo dos quatro dias de evento, os visitantes puderam conhecer e degustar cafés, vinhos, espumantes, sucos, produtos lácteos, molhos e bebidas à base de soja, além de cortes suínos e embutidos.
A estratégia de degustação foi um dos pontos altos da participação das cooperativas e ajudou a aproximar o público dos produtos coop. Segundo Jean Fernandes, analista de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, a ação contribuiu para gerar conexões mais diretas com os visitantes e fortalecer o posicionamento do cooperativismo no setor supermercadista.
“Esse já é o nosso segundo ano consecutivo na APAS e dá para perceber o quanto estar nesse ambiente fortalece a presença das cooperativas. A feira é uma grande porta de entrada para o varejo, atacarejos e supermercados. Conseguimos um espaço mais estratégico este ano e isso refletiu diretamente no movimento do estande”, destacou o analista.
Jean também ressaltou a sintonia entre a participação do Sistema OCB na feira e a nova campanha institucional do cooperativismo. “A Apas conversa muito com a campanha Escolha Consciente, Escolha o Coop. Estávamos na feira certa, promovendo as cooperativas para o público certo e com uma campanha totalmente alinhada com esse momento”.
Expansão comercial
Para as cooperativas participantes, a feira representou uma oportunidade concreta de expansão comercial, abertura de mercados e fortalecimento institucional. O Diretor comercial da Cemil, Wallisson Caitano, considerou a relevância da iniciativa coletiva para ampliar oportunidades de negócios e integração entre as cooperativas. “Foi um evento muito importante. Tivemos muitos visitantes, oportunidades e trocas de experiências. Trazer o cooperativismo para dentro de uma feira desse porte é fundamental”.
Na mesma linha, Artur Ferreira, coordenador de vendas da Cooprata, afirmou que a participação na Apas ajudou a acelerar negociações comerciais em andamento. “A feira abriu portas para negociações que antes encontravam resistência. Fizemos muitos contatos e as expectativas para as próximas semanas são muito positivas”, contou.
Já Victor Ferreira, gestor de torrefação da Cocapec, declarou que a experiência ampliou possibilidades de prospecção e relacionamento. “Uma feira desse tamanho facilita o acesso a mercados que talvez fossem mais difíceis sem essa oportunidade. Além disso, foi importante reencontrar parceiros, clientes e representantes em um ambiente extremamente qualificado”, disse.
Relacionamento
A participação das cooperativas também foi marcada pelo lançamento de produtos e pela aproximação com grandes redes varejistas. A gestora de Mercados Internacionais da Cocamar, Elis Simone Ferreira Fernandes, destacou que a Apas foi escolhida como palco para apresentar novos hambúrgueres e almôndegas de carne precoce 100% bovina. “É um evento onde encontramos varejistas, distribuidores e consumidores qualificados. Não haveria ambiente melhor para esse lançamento”, afirmou.
Por sua vez, Alysson Kaiper, da Sanjo, ressaltou a importância estratégica da feira para ampliar relacionamentos comerciais. Segundo ele, a participação permitiu estreitar vínculos com grandes parceiros e abrir portas para novos clientes em um mercado de grande alcance. Para Ismael Hilgert, da Ouro do Sul, a alta visibilidade da Apas Show foi decisiva para gerar novas possibilidades de negócios. “Tivemos contato com diversos países e grandes possibilidades de abrir novas portas comerciais”, relatou.
Saiba Mais:
Sistema OCB fortalece integração internacional na AgroBrasília
SomosCoop é destaque em simpósio internacional sobre marca cooperativa
Capacitações alinham metodologia do AvaliaCoop em todo o país
NEGÓCIOS
22/02/2026
NegóciosCoop Reciclagem certifica cooperativas no Pará
Programa fortaleceu gestão e governança, além de avanços em renda, parcerias e novos mercados
Na última sexta-feira (20), o Sistema OCB/PA celebrou a formatura das três cooperativas paraenses participantes do primeiro ciclo do Programa NegóciosCoop para a Reciclagem no estado. A cerimônia marcou a conclusão de 12 meses de acompanhamento técnico voltado ao fortalecimento da gestão, da produção e da inserção no mercado de organizações do setor.
Participaram do ciclo as cooperativas ACCSB, Concaves e Filhos do Sol. Ao longo da trilha de capacitação, foram destinadas 234 horas de atendimento técnico, entre diagnóstico inicial, análise documental, módulos formativos e diagnóstico final. O percurso contemplou conteúdos como fundamentos do cooperativismo, gestão financeira e contábil, liderança, eficiência na cadeia de suprimentos, foco no cliente e inovação.
O programa é estruturado em cinco pilares: Organização Social para Empreendimento; Produção; Gestão; Agregação de Valor, Verticalização; e Mercado, e tem como objetivo consolidar as cooperativas como negócios sustentáveis, com maior autonomia e capacidade de geração de renda.
Evolução em gestão e governança
Os diagnósticos comparativos indicaram avanço consistente na maturidade das cooperativas. Entre os destaques registrados ao longo do ciclo estão a definição e internalização de planos de negócio, ampliação da presença em redes sociais, participação em eventos, fortalecimento da liderança com protagonismo feminino e estruturação de novas frentes de atuação, como iniciativas de verticalização e serviços ambientais.
Para a presidente da Cooperativa Concaves, Débora Baía, o processo representou um divisor de águas na forma de enxergar o próprio negócio. “Foi um desenvolvimento pessoal e profissional muito importante. Para mim, como presidente, foi uma lição contar com esse suporte técnico e operacional. As capacitações, principalmente na parte de mercado, ajudaram a entender nosso papel como empreendedores. A gente passou a compreender que tem capacidade, sim, de prestar um serviço qualificado e ocupar novos espaços”, afirmou.
Segundo ela, o aprendizado foi além da teoria. “Os consultores trouxeram informações que a gente não tinha. Colocamos em prática e vimos a realidade da cooperativa mudar. Hoje temos orgulho de dizer que somos referência no estado do Pará.”
Os resultados alcançados no Pará foram expressivos e demonstram impacto concreto na estruturação das cooperativas. Em um dos casos, o número de parcerias mais do que triplicou ao longo do ciclo, superando 200% de crescimento.
No campo econômico, os avanços foram ainda mais significativos: houve registros de crescimento superior a 300% na receita média mensal da cooperativa e aumento de quase 150% na renda média dos cooperados.
De forma agregada, o programa proporcionou uma elevação média de aproximadamente 70% na renda dos cooperados e crescimento superior a 100% na receita mensal das cooperativas, números que evidenciam a efetividade da metodologia aplicada.
Para Júnior Serra, superintendente do Sistema OCB/PA, o programa amplia a atuação estratégica do cooperativismo no estado. “Ficamos muito felizes em ser piloto do Programa NegóciosCoop. No Pará, o Sescoop atua como órgão de fomento e existem mercados que podem, e devem, ser ocupados pelas cooperativas. O programa qualifica e capacita cada vez mais esses empreendimentos para que possam acessar novas oportunidades.”
Durante a realização da COP30 em Belém, as cooperativas também tiveram papel relevante. “Elas foram importantes não só como política pública, mas como empreendimentos que geraram trabalho e renda durante o evento. Após um ano de trabalho, percebemos uma evolução significativa nas três cooperativas, principalmente no acesso a novos mercados. O Programa NegóciosCoop amplia essa área de atuação do Sescoop e contribui para a sustentabilidade desses empreendimentos”, completou.
Transformação na prática
Ao todo, cerca de 54 cooperados concluíram a jornada formativa. Segundo Luciane Fiel, analista de Desenvolvimento e Monitoramento de Cooperativas do Sistema OCB/PA, a formatura simboliza comprometimento e persistência. “Foi um momento muito especial. Representa o interesse dos cooperados em fortalecer a gestão, organizar melhor a produção e ampliar a visão de negócio. Esse processo trouxe mais autonomia, mais capacidade de planejamento e melhores condições para acessar novos mercado.”
A analista de Negócios do Sistema OCB, Luana Mendonça, também destacou que os resultados vão além dos indicadores econômicos. “Quando os cooperados entendem mais sobre gestão e planejamento, ganham força para crescer. Os resultados não são apenas números: representam mais renda, mais organização, novas parcerias e mais segurança para o futuro. Isso demonstra que estamos no caminho certo."
Superação de desafios estruturais
O ciclo foi realizado em meio a uma série de desafios concretos no dia a dia das cooperativas. A instabilidade da coleta seletiva municipal; as reformas estruturais em preparação para a Conferência do Clima (COP30), que aconteceu em Belém em novembro de 2025; a necessidade constante de validações técnicas; e o contexto de vulnerabilidade social impactaram diretamente o ritmo das atividades e a rotina dos cooperados.
Mesmo diante desse cenário, o trabalho seguiu. O acompanhamento técnico ajudou a manter o grupo mobilizado, garantir a realização dos encontros e fortalecer o papel das lideranças na condução das mudanças propostas.
Saiba Mais:
Visita a cooperativas de eletrificação fortalece atuação em SC
Sistema OCB debate modernização da escala de trabalho e segurança jurídica
Inclusão financeira cresce com cooperativas no Norte e Nordeste
NEGÓCIOS
Capacitação fortalece uso do SouCoop e do Desempenho na Região Norte
Treinamento reuniu equipes das OCEs para alinhamento técnico e uso estratégico das plataformas
O Sistema OCB realizou, em Manaus, mais uma etapa do ciclo de capacitações regionais voltado ao aprimoramento do uso dos sistemas SouCoop e Desempenho. Organizado pelo Sistema OCB/AM, o encontro reuniu técnicos, analistas e superintendentes das OCEs da Região Norte e marcou a segunda edição do treinamento, a primeira ocorreu no Nordeste, no início do ano.
Durante dois dias, os participantes alternaram atividades expositivas e práticas, com foco na familiarização e no domínio das ferramentas que dão suporte a processos essenciais do cooperativismo. A proposta foi garantir que as equipes regionais estejam plenamente preparadas para operar os sistemas de forma segura, alinhada e produtiva.
O SouCoop foi um dos destaques da programação. A plataforma consolida dados cadastrais e documentais das cooperativas, permitindo que acessem serviços disponibilizados pelo Sistema OCB e utilizem o ambiente como fonte de gestão e manutenção de informações. O sistema unifica três processos estratégicos: Registro, Atualização Cadastral e Anuário do Cooperativismo, reforçando a base institucional da representação cooperativista.
Outro foco do treinamento foi o Desempenho, ferramenta que permite o acompanhamento mensal dos principais indicadores econômicos e financeiros das cooperativas. Com ela, dirigentes e gestores podem realizar análises comparativas, avaliar resultados em tempo real e tomar decisões mais assertivas. O objetivo é apoiar a autogestão, ampliar a transparência e fortalecer a sustentabilidade dos negócios cooperativos.
Para Fábio Trinca, gerente da área Financeira do Sistema OCB, o encontro reforçou a importância de aproximar as equipes da rotina operacional das ferramentas. “Agora, na Região Norte, o treinamento foi uma oportunidade valiosa para que analistas e superintendentes pudessem se familiarizar com a operação desses sistemas, tão importantes no nosso dia a dia. A iniciativa reforça o compromisso do Sistema OCB em equipar suas equipes com as ferramentas necessárias para um trabalho de excelência”, afirmou.
Guilherme Costa, gerente do Núcleo de Inteligência e Inovação, lembrou que o ciclo formativo tem caráter permanente. “Assim como no primeiro encontro, esta foi uma oportunidade valiosa para que colaboradores experientes e recém-chegados se aprofundassem no funcionamento dessas ferramentas, entendendo sua relevância estratégica e a legislação que orienta sua aplicação. A iniciativa demonstra, mais uma vez, o esforço do Sistema OCB em fortalecer capacidades, promover alinhamento nacional e garantir que nossas equipes estejam plenamente preparadas para entregar um trabalho de excelência”, declarou.
A superintendente do Sistema OCB/AM, Claudia Sampaio Inácio, destacou a importância da capacitação presencial para a realidade dos estados do Norte. “A capacitação, voltada à realidade da Região Norte, atualizou nossas equipes, qualificou novos colaboradores e fortaleceu o uso estratégico das plataformas no nosso dia a dia. Experiências como essa mostram o quanto os treinamentos regionais são fundamentais para respeitar as particularidades de cada estado e gerar mais resultados para as cooperativas. Para nós, foi uma honra sediar esse encontro e receber os técnicos e analistas dos demais estados da região”.
Saiba Mais:
Sistema OCB reforça defesa do leite em audiência com Alckmin no MDIC
Geração C e Elas pelo Coop encerram 2025 com balanço e novas metas
Sistema OCB prestigia lançamento de plano contra fraudes digitais
05/12/2025
NEGÓCIOS
Brasil cooperativo abre portas para o mundo com catálogo de exportadoras
Publicação apresenta agro e artesanato para ampliar presença global do cooperativismo
O cooperativismo brasileiro acaba de ganhar mais um instrumento estratégico para ampliar sua presença no mercado internacional. O Catálogo Brasileiro de Cooperativas Exportadoras, lançado pelo Sistema OCB, reúne informações de cooperativas com experiências em exportação e oferece um panorama qualificado de produtos, serviços e potenciais parceiros para compradores e instituições de comércio exterior em todo o mundo.
A publicação é voltada a importadores, distribuidores, parceiros institucionais e representantes de órgãos públicos e privados que atuam no comércio internacional. Com versões em português, inglês, espanhol e mandarim, o catálogo pretende aproximar o que o Brasil cooperativo tem de melhor a mercados exigentes e diversificados, reforçando a imagem de qualidade, sustentabilidade e inovação que o setor representa.
“O catálogo é um convite para o mundo conhecer a força e a diversidade do cooperativismo brasileiro, que combina qualidade, compromisso social e sustentabilidade. Ao conectar nossas cooperativas a novos mercados, abrimos portas para oportunidades que geram renda, desenvolvimento e impacto positivo dentro e fora do país”, destaca Márcio Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB.
Dois setores, um objetivo: crescer no mundo
O catálogo contempla dois segmentos de destaque na pauta exportadora cooperativista: agronegócio e artesanato. No agro, a ferramenta ajuda cooperativas a acessar novos mercados, negociar melhores preços e gerar mais renda para os cooperados. Já no artesanato, valoriza a identidade cultural brasileira e abre portas para nichos como comércio justo e consumo consciente, em que a origem e o impacto social dos produtos são diferenciais competitivos.
Em ambos os casos, a publicação destaca soluções sustentáveis, rastreáveis e competitivas, capazes de atender a demandas internacionais cada vez mais voltadas para práticas responsáveis e produtos de alta qualidade.
Inteligência de mercado
Além de ser um material promocional, o catálogo também funciona como fonte de inteligência, permitindo conhecer melhor o perfil das cooperativas exportadoras brasileiras e direcionar de forma mais assertiva as ações de qualificação e promoção do setor.
“Com essa base organizada, podemos atuar de forma mais estratégica, conectando nossas cooperativas com as oportunidades certas e fortalecendo o posicionamento do Brasil no cenário internacional”, completa Márcio.
Essa abordagem fortalece a atuação conjunta entre o Sistema OCB, o governo e parceiros institucionais como a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), além de embaixadas e adidos agrícolas, que poderão utilizar o material como referência em ações de promoção comercial.
Mais oportunidades, mais impacto
O Catálogo Brasileiro de Cooperativas Exportadoras representa ganhos para todos os envolvidos: para as cooperativas, que poderão ampliar sua base de clientes e consolidar marcas no exterior; para o Sistema OCB, que fortalece sua rede de contatos e sua capacidade de promoção; e para o país, com a geração de divisas, renda e empregos.
O documento apresenta desde cooperativas com atuação já consolidada no mercado global até aquelas que estão iniciando sua jornada internacional, com potencial de se tornar referência em seus segmentos.
O catálogo terá atualização bianual, garantindo que as informações estejam sempre atualizadas e em sintonia com as demandas do mercado internacional. As cooperativas interessadas em incluir seus produtos e contatos na publicação podem procurar diretamente a Organização Estadual à qual são vinculadas, que fará o encaminhamento das informações ao Sistema OCB
O material será distribuído a parceiros institucionais, embaixadas brasileiras, adidos agrícolas e compradores internacionais, além de ser utilizado pelo Sistema OCB e pelas organizações estaduais em feiras, missões e rodadas de negócios.
Saiba Mais:
PEC da Reciclagem fortalece cooperativas e impulsiona economia circular
Congresso Nacional aprova MP da reforma do setor elétrico
Acordo com Finep visa orientar a participação de cooperativas no FNDCT
19/09/2025
NEGÓCIOS
CapacitaCoop: Novo curso prepara cooperativas para Reforma Tributária
Capacitação gratuita e online oferece orientação sobre adaptações fiscais
O Sistema OCB lançou o curso Reforma Tributária do Consumo para Cooperativas, disponível na plataforma CapacitaCoop. Gratuito e 100% online, o conteúdo foi desenvolvido para apoiar dirigentes, conselheiros fiscais, gestores tributários, auditores e contadores de cooperativas na compreensão das mudanças promovidas pela Reforma Tributária no Brasil.
O curso aborda a parte geral da reforma, com foco na tributação sobre o consumo e apresenta orientações sobre como as cooperativas podem se adaptar ao novo regime. A trilha de aprendizagem inclui vídeos explicativos, podcasts temáticos, atividades e e-books complementares.
Segundo a gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Clara Maffia, o tema exige atenção redobrada do setor. “A Reforma Tributária representa uma das maiores transformações do sistema fiscal brasileiro em décadas. Nosso objetivo é oferecer uma capacitação acessível, didática e consistente, que ajude as cooperativas a entenderem o impacto das mudanças e a se prepararem de forma estruturada para a transição”, afirmou.
A estrutura do curso contempla seis módulos principais: introdução à Reforma Tributária; alterações na tributação sobre o consumo; impactos operacionais e econômicos para as cooperativas; período de transição; apuração, recolhimento e declaração dos novos tributos; e compensação ou ressarcimento dos tributos substituídos.
Ao concluir os estudos e alcançar 70% de aproveitamento na avaliação de aprendizagem, o participante terá acesso ao certificado digital. O conteúdo foi elaborado com linguagem acessível, rigor técnico e foco em soluções práticas.
Clara também reforça a importância da mobilização das cooperativas: “Este é o momento de se antecipar. Quanto mais cedo dirigentes e gestores compreenderem as novas regras, mais preparados estaremos para manter a competitividade e o equilíbrio econômico do setor”, completou.
Além do curso geral, o Sistema OCB prepara a disponibilização de módulos específicos por ramos do cooperativismo, que serão lançados em uma segunda fase.
Como parte das ações de orientação técnica, o Sistema OCB publicou materiais específicos sobre a Reforma Tributária no boletim Panorama Coop Tributário. Duas edições já foram disponibilizadas, sendo a mais recente em 14 de agosto. Novas publicações estão previstas para os próximos meses, com análises detalhadas e foco nos impactos práticos da reforma para o cooperativismo.
Prepare sua coop para a Reforma Tributária, inscreva-se já e acompanhe o Panorama Coop.
Saiba Mais:
Coops rumo à COP30: seleções abertas para painéis temáticos
Banco Central: Sistema OCB reforça temas de interesse do Ramo Crédito
ANTT e cooperativas de transporte e Agro avançam em soluções para multas
20/08/2025
NEGÓCIOS
Sistema OCB debate fortalecimento do crédito cooperativo com o MIDR
Diálogo mira expansão da participação das cooperativas de crédito nos Fundos Constitucionais de Financiamento
O Sistema OCB deu mais um passo estratégico para ampliar a presença e a contribuição do cooperativismo de crédito nas políticas públicas de desenvolvimento regional. Em reunião nesta segunda-feira (14), com o secretário de Fundos e Instrumentos Financeiros do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Eduardo Corrêa Tavares, a superintendente do Sistema OCB, Tania Zanella, apresentou as propostas construídas pelo setor para otimizar o uso dos Fundos Constitucionais de Financiamento (FCFs).
O encontro teve como objetivo alinhar agendas e reforçar o papel do cooperativismo como parceiro estratégico da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR). Para Tania Zanella, a atuação do setor é essencial para ampliar o alcance dos recursos públicos a comunidades e municípios das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
“Levamos ao ministério uma contribuição técnica que nasce da experiência prática das nossas cooperativas de crédito, que já operam os recursos dos fundos e conhecem de perto as necessidades das regiões. É uma pauta construída a várias mãos, com a participação dos principais sistemas cooperativos e das nossas organizações estaduais”, destacou Tania.
Atualmente, as cooperativas de crédito desempenham um papel crescente nos repasses dos Fundos Constitucionais. Dados apresentados durante a reunião mostram que, entre 2019 e 2024, a cobertura municipal do cooperativismo passou de 25,6% para 42,4% no Norte e de 59,3% para 78,8% no Centro-Oeste. Esse avanço se deve, em grande parte, ao aumento significativo da participação direta do sistema nos repasses, o que ampliou a inclusão financeira em áreas antes desassistidas.
Agenda propositiva
Entre os principais pontos discutidos com o secretário Eduardo Tavares, estão o reconhecimento formal do cooperativismo de crédito como parceiro estratégico da PNDR, a realização de um evento institucional no MIDR para entrega das propostas do setor, e o convite para participação do Sistema OCB nas reuniões dos Conselhos Deliberativos (Sudene, Sudam e Sudeco).
“O cooperativismo está pronto para contribuir ainda mais com o desenvolvimento regional. Nossas propostas visam melhorar a governança, dar mais previsibilidade e eficiência aos repasses e garantir equidade nas condições de acesso aos recursos”, explicou a superintendente.
O secretário Eduardo Tavares reconheceu o potencial transformador do setor e se mostrou receptivo às pautas apresentadas. Segundo ele, a integração do cooperativismo às políticas públicas pode ampliar o impacto social e econômico dos fundos.
As propostas apresentadas ao MIDR trazem medidas voltadas aos eixos legislativo e regulatório, com foco na melhoria da operacionalização dos fundos e na ampliação da participação do cooperativismo no planejamento e execução das políticas públicas. “A união de esforços entre bancos administradores e cooperativas é fundamental para otimizar os recursos e garantir que eles cheguem a quem mais precisa. Nosso compromisso é com uma política de desenvolvimento regional mais eficiente e inclusiva”, concluiu Tania.
Saiba Mais:
Histórias de um mundo melhor: o Brasil que o cooperativismo transforma
Cooperativismo se posiciona como solução para crise climática
Cooperativismo leva voz do Brasil a fórum sobre dados ambientais
14/07/2025
NEGÓCIOS
Programa ESGCoop leva Solução Eficiência Energética à Cotripal no RS
Equipe técnica realizou diagnóstico para otimizar o consumo de energia e reduzir emissões de GEE na cooperativa
A Cotripal, cooperativa agro com sede em Panambi (RS), recebeu entre os dias 24 e 27 de junho a visita técnica do Programa ESGCoop – Solução Eficiência Energética, iniciativa coordenada pelo Sistema OCB em parceria com a OCERGS. A ação integra a terceira fase da Solução e contou com um detalhado mapeamento de oportunidades para aprimorar a gestão do consumo de energia, reduzir emissões de gases de efeito estufa e otimizar custos operacionais.
A visita incluiu uma programação intensa: reuniões iniciais com a diretoria para apresentação da metodologia, inspeções técnicas no frigorífico e no complexo de varejo – que engloba supermercado, açougue, restaurante e magazine – e, por fim, um encontro final para compartilhar impressões preliminares do diagnóstico. Todas as atividades foram acompanhadas de perto pela equipe de engenharia da Cotripal, que participou ativamente das discussões e levantamento de dados.
“Ao aplicar esse diagnóstico, estamos contribuindo para que a Cotripal avance na eficiência energética e se fortaleça enquanto agente de transformação ambiental e social. Essa é uma das formas de o cooperativismo demonstrar seu compromisso com as agendas globais de sustentabilidade”, destacou Laís Nara Castro, analista de Meio Ambiente do Sistema OCB.
Para Thiago dos Santos, gerente de engenharia da Cotripal, o trabalho já está gerando reflexões importantes para a cooperativa. “Apesar de estarmos na fase de levantamento e sem o diagnóstico final, já percebemos a seriedade e o rigor técnico da consultoria. A eficiência energética vai além do aspecto econômico; está ligada ao nosso compromisso com a sustentabilidade e com os valores do cooperativismo”, afirmou.
O gerente ressaltou ainda que o apoio da equipe técnica da consultoria Stride conseguiu envolver todos os setores da cooperativa e trouxe uma abordagem organizada e prática. “O apoio do Sistema OCB e do Sistema Ocergs nos dá segurança para implementar melhorias efetivas. Essa parceria agrega muito valor e nos permite enxergar oportunidades que, no dia a dia, poderiam passar despercebidas”, completou Thiago.
O diagnóstico realizado na Cotripal é parte de um movimento mais amplo de apoio às cooperativas brasileiras na busca por uma gestão mais eficiente e alinhada às boas práticas ambientais. A Solução Eficiência Energética, que faz parte do Programa ESGCoop, já conta com a participação de 15 cooperativas em diferentes estados brasileiros. A proposta é que, a partir dessas análises técnicas, sejam elaborados planos de ação com soluções de curto, médio e longo prazos.
“Essa etapa presencial é essencial porque permite identificar, in loco, como cada cooperativa pode reduzir desperdícios, modernizar processos e avançar no uso consciente de recursos naturais. Estamos falando de ganhos ambientais, mas também de eficiência operacional e redução de custos, o que reforça o papel do cooperativismo como protagonista do desenvolvimento sustentável”, explicou Laís.
A iniciativa se alinha diretamente ao compromisso do cooperativismo com a Agenda 2030 da ONU e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente aqueles relacionados à energia limpa e acessível, ação contra as mudanças climáticas e consumo responsável.
“Estamos confiantes de que o diagnóstico final nos trará insights valiosos e propostas viáveis, que poderão ser incorporadas de forma estratégica ao nosso planejamento. Isso reforça nossa responsabilidade ambiental e o cuidado com os recursos naturais, além de garantir mais eficiência para nossos processos internos”, concluiu Thiago.
Saiba Mais:
Tania Zanella destaca protagonismo do cooperativismo em live da Ocepar
Reunião e assembleia da ACI tem protagonismo brasileiro em Manchester
Mapa global do patrimônio cooperativo começa em Rochdale
03/07/2025
NEGÓCIOS
Cooperativismo avança em indicadores ESG e soluções sociais com foco no impacto
Sistema OCB promove encontros estratégicos para fortalecer práticas sustentáveis e inclusivas
Nos dias 24 e 25 de junho, o Sistema OCB promoveu dois encontros estratégicos para incentivar a construção de uma sociedade mais sustentável, inclusiva e inovadora. As reuniões do Grupo de Trabalho ESGCoop e da Câmara Temática Social reuniram representantes de cooperativas, organizações estaduais do Sistema OCB, sistemas organizados e especialistas para avançar na construção de indicadores ESG e no fortalecimento das soluções sociais do movimento.
No dia 24, foi realizada a reunião presencial do Grupo de Trabalho ESGCoop, com foco na construção dos indicadores específicos para o Ramo Saúde. Participaram integrantes das Organizações Estaduais (OCEs) (Ocemg, Ocesp, Ocesc e Ocepar), dos sistemas Unimed e Uniodonto, além de cooperativas convidadas especialmente para compor um grupo de especialistas: Uniodonto Manaus, Coopanest-CE, Unimed Federação Minas, Unimed Campo Grande, Unimed Londrina, Uniodonto Campinas, Unimed Nacional, Unimed FESP, Unimed Fortaleza, COOENF/PR, Unimed do Brasil, Uniodonto do Brasil, Fencom, CoopCare (DF) e Uniodonto Porto Alegre.
A agenda deu continuidade ao processo iniciado com uma reunião online preparatória, no dia 13 de junho, e teve como objetivo avaliar, com base em metodologia especializada, os indicadores que melhor representam o desempenho ESG das cooperativas de saúde. Além disso, o encontro marcou a participação de diversas cooperativas que integraram o GT ESGCoop pela primeira vez, fortalecendo a representatividade e a diversidade de experiências no debate.
Jacqueline Oliveira Estevan, diretora de Governança, Risco e Compliance, da Uniodonto Campinas, destacou a aplicação prática dos debates. “A gente pôde olhar na prática, no operacional, e trazer isso para o dia a dia. É você pegar o ESG e colocar ali na operação. O resultado disso para as cooperativas vai ser gigante”.
Para Luis Antônio Schmidt, gerente geral do Sistema Ocesp, o ponto forte da construção coletiva está na legitimidade do processo. “Esse trabalho só tem relevância porque foi construído a várias mãos. O envolvimento direto das cooperativas, com apoio das unidades estaduais e do Sistema OCB, torna o resultado mais concreto e aplicável”, afirmou.
O grupo já havia concluído os indicadores universais — válidos para todos os ramos — e os indicadores específicos do crédito. O próximo passo será a validação e homologação, até agosto de 2025, da lista final de indicadores ESG para o Ramo Saúde.
Soluções sociais
Já no dia 25, a 3ª reunião presencial da Câmara Temática Social reuniu representantes das OCEs (Ocemg, Ocesp, Ocergs e Ocepar), além de integrantes de sistemas organizados como Sicoob Confederação, Fundação Sicredi, Ailos, Cresol, Infracoop, Unicred e Unimed do Brasil. O encontro teve como foco promover o diálogo e a construção coletiva em torno das soluções sociais alinhadas à Agenda ESG.
Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, deu início às atividades apresentando as soluções sociais e a conexão entre as ações do diagnóstico ESGCoop e os projetos de impacto social. Ela ressaltou que essas iniciativas são parte essencial do modelo de negócios cooperativista e respondem de forma concreta às demandas da sociedade. “As soluções sociais não são ações paralelas — elas estão no centro do modelo de negócios do cooperativismo. São projetos que nascem da base, com propósito claro de transformar realidades, gerar inclusão e desenvolver comunidades”, declarou.
A especialista em Diversidade Cultural e Inclusão Gisele Gomes ministrou a palestra ID&E como infraestrutura de inovação, Gisele provocou reflexões sobre o uso de dados e evidências para fortalecer soluções sociais mais eficazes e orientadas à realidade das comunidades, destacando o potencial transformador da informação bem estruturada.
A Câmara Temática Social atua como um espaço estratégico para fortalecer e disseminar práticas de impacto social no cooperativismo. Ao reunir representantes de diferentes ramos, amplia o alcance das discussões e incentiva a criação de soluções intercooperativas para o desenvolvimento sustentável.
Ainda segundo Débora, a realização articulada desses dois encontros evidencia o compromisso do Sistema OCB com uma atuação integrada nas dimensões econômica, social e ambiental do cooperativismo. “Consolidar indicadores ESG e potencializar as soluções sociais é posicionar as cooperativas como protagonistas de um modelo de desenvolvimento mais justo, responsável e transformador”, complementou.
Saiba Mais:
Sistema OCB discute inclusão no transporte rodoviário de cargas
Sistema OCB apoia internacionalização do empreendedorismo feminino
GT ESGCoop aprofunda projeto sobre indicadores para o Ramo Crédito
27/06/2025
Todos os ramos
Agropecuário
Consumo
Crédito
Infraestrutura
Saúde
Seguros
Trabalho, Produção de Bens e Serviços
Transporte
ESG
29/07/2026
Solução Eficiência Energética beneficia cooperativas de saúde e crédito
Iniciativa do Sistema OCB fortalece gestão, reduz custos e impulsiona práticas de sustentabilidade
A busca por operações mais eficientes e sustentáveis tem levado cooperativas de diferentes ramos a investir em uma gestão mais estratégica do consumo de energia. Desenvolvida pelo Sistema OCB, a Solução Eficiência Energética, integrante do Programa ESGCoop, já começa a transformar essa realidade em diferentes regiões do país. Após ser implantada na Unimed Caruaru (PE), primeira cooperativa do Sistema Unimed a aderir à iniciativa, a solução também chegou ao Sicoob Norte Sul (BA), primeira cooperativa baiana a integrar a segunda turma do projeto.
A iniciativa busca reduzir custos com energia elétrica, otimizar processos e fortalecer uma cultura permanente de gestão energética, alinhando eficiência operacional, sustentabilidade e competitividade. A metodologia proposta contempla, inicialmente, a capacitação das equipes, seguida da realização de um diagnóstico detalhado do consumo energético. Com base nos resultados obtidos, são identificadas oportunidades de melhoria, estruturado um plano de ação e promovido o suporte à implementação das medidas recomendadas. O processo é complementado por um monitoramento contínuo dos resultados, garantindo a sustentabilidade dos ganhos e a melhoria contínua do desempenho energético.
Entre as ações avaliadas estão a modernização dos sistemas de iluminação, otimização dos equipamentos de climatização, automação de processos e revisão de hábitos relacionados ao consumo de energia. "A eficiência energética permite que a cooperativa conheça melhor seu consumo, identifique oportunidades de melhoria e tome decisões baseadas em dados. Investir em gestão energética é investir na sustentabilidade do negócio, na competitividade e na qualidade dos serviços prestados aos cooperados e clientes”, explica Alex Macedo, coordenador de Meio Ambiente do Sistema OCB.
Referência no Ramo Saúde
Uma das primeiras experiências da solução ocorreu na Unimed Caruaru. Com 478 médicos cooperados, cerca de 68 mil clientes e uma estrutura que reúne hospitais, clínicas e unidades administrativas, a cooperativa possui uma operação intensiva em consumo de energia elétrica. Com o diagnóstico, foi possível identificar oportunidades para tornar a operação mais eficiente sem comprometer a qualidade dos serviços prestados.
Para o presidente do Conselho de Administração da cooperativa, Pedro Melo, o olhar técnico especializado faz diferença mesmo em organizações que já possuem processos consolidados. "Mesmo quando a cooperativa acredita que está fazendo um bom trabalho, não pode abrir mão do olhar especializado. Em estruturas de grande porte, pequenos ajustes podem representar uma economia significativa. A eficiência energética exige acompanhamento constante, atualização e busca permanente por conhecimento para aperfeiçoar processos que muitas vezes já consideramos eficientes", declarou.
O vice-presidente do Conselho de Administração, André Muniz, destacou que a iniciativa estimula uma mudança de cultura dentro da cooperativa. "Os resultados do diagnóstico nos mostraram que, muitas vezes, um novo olhar é suficiente para transformar processos que pareciam consolidados. A solução desperta a curiosidade, provoca reflexão e mostra que sempre há espaço para inovar. Esse aprendizado vai além da gestão da energia e passa a influenciar a forma como planejamos nossos projetos e conduzimos a cooperativa", relatou.
Já o superintendente Jean Charles disse considerar que o diagnóstico servirá como referência para futuras ampliações na estrutura da cooperativa. "O levantamento mostrou que temos uma boa infraestrutura, mas também revelou oportunidades importantes de evolução. O maior ganho é incorporar esse conhecimento desde a concepção dos novos projetos. Pensar em eficiência energética ainda na fase de planejamento evita retrabalhos, reduz custos futuros e garante empreendimentos mais sustentáveis desde o início”, afirmou.
Crédito também avança
A solução também passou a ser aplicada no Sicoob Norte Sul, tornando a cooperativa a primeira da Bahia e uma das primeiras do país a participar da segunda turma da Solução de Eficiência Energética. Entre os dias 21 e 23 de julho, um especialista da consultoria Stride juntamente com equipe do Sistema OCB e do Sistema OCEB realizaram visitas técnicas e levantamentos na matriz, em Santo Antônio de Jesus, e na unidade de Cruz das Almas para identificar oportunidades de melhoria na gestão do consumo de energia.
Assim como na Unimed Caruaru, a etapa atual consistiu em um diagnóstico detalhado da operação. A partir desse levantamento, será elaborado um plano de ação com prioridades, metas, cronograma e responsáveis pela implementação das melhorias, seguido de acompanhamento técnico e monitoramento dos resultados.
"A etapa de diagnóstico é um trabalho técnico que analisa as atividades da cooperativa e identifica pontos de melhoria a partir de uma metodologia que explica, de forma clara, como cada equipamento e até mesmo os hábitos das equipes impactam o consumo de energia. Muitas vezes, a mudança de comportamento é a principal virada de chave para uma gestão energética mais eficiente”, salientou Mayara Araujo dos Reis, analista de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB.
Para o diretor de Negócios do Sicoob Norte Sul, Gabriel Chagas, a iniciativa está alinhada aos princípios do movimento e contribuirá para o fortalecimento da gestão da cooperativa. "Acreditamos que esse projeto representa um importante passo para gerar benefícios para a cooperativa, mas também para os cooperados e para a comunidade. Essa parceria vai trazer melhorias nos processos, na gestão da eficiência energética e orientar decisões sobre futuras instalações e reformas".
O gerente de Suporte Organizacional da cooperativa, Robert dos Santos, considerou que o diagnóstico permitiu enxergar oportunidades que servirão de base para os próximos investimentos. "As visitas técnicas nos permitiram identificar oportunidades de melhoria tanto nas unidades atuais quanto nos projetos que ainda serão desenvolvidos. Esse conhecimento será importante para planejarmos estruturas cada vez mais eficientes", declarou.
Sustentabilidade como estratégia
A implementação da solução também é acompanhada pelos sistemas estaduais de cooperativismo. Na Bahia, o trabalho é realizado em parceria com o Sistema Oceb e na Unimed Caruaru, com o Sistema OCB/PE. "O Programa ESGCoop demonstra que é possível crescer economicamente sem abrir mão da boa governança, do cuidado com as pessoas e da responsabilidade ambiental. A eficiência energética é uma ferramenta importante para tornar as cooperativas ainda mais competitivas”, acrescentou o presidente do Sistema Oceb, Cergio Tecchio.
Saiba Mais:
Semana de Competitividade: trilhas serão comandadas por especialistas
Cooperativismo apresenta propostas para ampliar alcance do FNO à Sudam
Sistema OCB avança na preservação do patrimônio cultural cooperativo
ESG
14/07/2026
Diagnóstico de eficiência energética chega à Cooperbelgo
Cooperativa inicia plano para aumentar a eficiência energética e fortalecer sua agenda ESG
Entre os últimos dias 7 e 9 de julho, a Cooperativa Agropecuária Mista de Bela Vista de Goiás (Cooperbelgo) deu mais um passo para fortalecer sua gestão sustentável ao concluir a etapa de diagnóstico técnico da Solução Eficiência Energética. A iniciativa, desenvolvida pelo Sistema OCB, apoia cooperativas na identificação de oportunidades de redução do consumo de energia, aumento da eficiência operacional e fortalecimento das práticas ESG.
O trabalho foi realizado por especialistas da Stride, em parceria com o Sistema OCB e o Sistema OCB/GO, e envolveu uma análise detalhada de diferentes unidades da cooperativa. Foram avaliados o posto de combustível, supermercado, sede administrativa, loja agropecuária, fábrica de rações, armazém e cerealista, além do laticínio. A partir desse levantamento, será elaborado um plano de ação com recomendações técnicas, prioridades de investimento e estratégias para otimizar o uso da energia em toda a operação.
O diagnóstico oferece uma visão estratégica sobre o consumo energético da cooperativa, para permitir que decisões futuras sejam tomadas com base em dados técnicos. A iniciativa também contribui para reduzir desperdícios, melhorar processos e ampliar a competitividade do negócio.
Melhoria contínua
Para o presidente da Cooperbelgo, André Luiz de Mattos, a participação no projeto representa uma oportunidade de fortalecer uma agenda que já faz parte das prioridades da cooperativa. "A perspectiva de fazer parte desse projeto é muito boa, porque é um tema muito atual e necessário, tanto para gerar economia para a cooperativa quanto para difundir, entre os cooperados e colaboradores, uma mentalidade voltada à sustentabilidade. O diagnóstico realizado pela Stride, em conjunto com o Sistema OCB nacional e o Sistema OCB Goiás, certamente vai gerar bons resultados para a Cooperbelgo", afirmou.
A diretora administrativa operacional da cooperativa, Caroline Paixão do Amaral, destacou que a iniciativa está alinhada ao processo de crescimento da organização e ao compromisso com a melhoria contínua. "Esse projeto vem ao encontro da nossa busca por crescer, melhorar nossa produtividade e nossos resultados. Também fortalece nossa atuação dentro da agenda ESG. Ficamos muito felizes por fazer parte das cooperativas selecionadas pelo Sistema OCB para participar dessa iniciativa. Saber que estamos entre as 22 cooperativas do país contempladas nos enche de orgulho e nos motiva a evoluir cada vez mais, fazendo a diferença também para o meio ambiente", declarou.
O envolvimento das equipes durante a realização do diagnóstico também foi destacado por Leonardo Carrara, responsável pela área de Compliance da Cooperbelgo. Segundo ele, o desafio agora será transformar as recomendações técnicas em ações concretas. "Estamos muito felizes por sermos contemplados com esse projeto, que traz um conhecimento fundamental para a cooperativa. Agora é o momento de colocar as ações em prática. Toda a equipe está empenhada e comprometida em seguir em frente para alcançar os resultados esperados."
Para o Sistema OCB, a etapa de diagnóstico representa o início de uma jornada de transformação na gestão da energia das cooperativas. "O diagnóstico permite que a cooperativa compreenda, com profundidade, como a energia é utilizada em cada etapa da operação e identifique oportunidades reais de ganho de eficiência. A partir dessas informações, é possível definir prioridades, direcionar investimentos e construir uma gestão energética mais estratégica. O objetivo do Sistema OCB é apoiar as cooperativas na adoção de soluções que gerem resultados econômicos, ambientais e fortaleçam sua competitividade no longo prazo”, explicou a analista de Desenvolvimento de Cooperativas, Mayara Araújo dos Reis.
Saiba Mais:
Sistema OCB lança propostas para fortalecer fundos constitucionais
Lar Cooperativa reúne lideranças para celebrar o Dia do Cooperativismo
Campanha nacional convida coops a fortalecer proteção às mulheres
ESG
Sistema OCB leva diagnóstico de eficiência energética à Copasul
Cooperativa conclui etapa de diagnóstico técnico da Solução Eficiência Energética e avança na construção de um plano para reduzir custos, otimizar processos e ampliar sua competitividade
Reduzir custos, aumentar a competitividade e tornar o uso da energia cada vez mais inteligente. Esses são alguns dos objetivos que levaram a Copasul a participar da Solução Eficiência Energética, iniciativa do Sistema OCB que apoia cooperativas na identificação de oportunidades para otimizar o consumo energético e fortalecer suas estratégias de sustentabilidade.
Como parte dessa jornada, a cooperativa concluiu a etapa de diagnóstico técnico em campo, realizada por especialistas, que analisaram processos, equipamentos e padrões de consumo para identificar oportunidades de melhoria. O levantamento servirá de base para a construção de um plano de ação estruturado, com prioridades definidas, indicadores de desempenho e acompanhamento técnico especializado.
O diagnóstico oferece informações que permitem transformar dados em decisões. A partir da análise detalhada do consumo energético, a Copasul poderá direcionar investimentos, reduzir desperdícios, aumentar a eficiência operacional e ampliar sua resiliência diante dos custos crescentes da energia.
Para o presidente executivo da Copasul, Adroaldo Taguti, o sucesso desse tipo de iniciativa depende do envolvimento das pessoas e da criação de uma cultura permanente de melhoria. "Esse trabalho precisa ter um comitê acompanhando de perto. Se não houver alguém responsável por acompanhar a evolução, as coisas acabam não avançando. O mais interessante é que, muitas vezes, as maiores economias são resultado de pequenas ações do dia a dia. São mudanças simples que geram economia, mas também engajamento. As pessoas levam esse comportamento para a vida, inclusive para casa, e isso cria uma verdadeira mudança de cultura."
Essa visão também é compartilhada pela equipe industrial da cooperativa. Segundo o gerente industrial, Marcos do Nascimento, a eficiência energética dialoga diretamente com a filosofia Lean, que busca fazer mais com menos recursos e reduzir desperdícios em todas as etapas dos processos. "Desde as primeiras conversas sobre o projeto, enxerguei uma conexão muito forte com o pensamento Lean, que já buscamos implantar na cooperativa. O ganho não está apenas na redução dos custos com energia, mas também na construção de uma cultura de aproveitamento inteligente dos recursos. Fazer melhor, com menos desperdício, fortalece a sustentabilidade e melhora nossos processos."
Já para o gerente de Sustentabilidade, Inovação e Novos Negócios da Copasul, Egidio Tsuji, a eficiência energética vai além da economia e influencia diretamente os indicadores ambientais da organização. "A sustentabilidade está diretamente ligada à forma como conduzimos nossa operação. A energia, além de representar um dos principais custos da cooperativa, impacta diversos indicadores ambientais. Quando conseguimos operar com mais eficiência, reduzimos o consumo de recursos, diminuímos as emissões e fortalecemos nossa agenda ESG. Esse trabalho também ajuda os colaboradores a compreenderem que pequenas mudanças no dia a dia podem gerar resultados importantes para o negócio e para o meio ambiente."
A experiência da Copasul integra uma estratégia mais ampla conduzida pelo Sistema OCB para apoiar cooperativas na gestão eficiente da energia. A Solução Eficiência Energética contempla capacitação de gestores, diagnóstico técnico especializado, elaboração de planos de ação, acompanhamento contínuo e integração com iniciativas de descarbonização.
"O diagnóstico é o primeiro passo para transformar a gestão da energia em uma vantagem competitiva. Quando a cooperativa conhece com precisão onde e como consome energia, consegue priorizar investimentos, eliminar desperdícios e fortalecer sua agenda ESG de forma consistente. Mais do que economizar, estamos ajudando as cooperativas a desenvolver uma cultura de melhoria contínua, com impactos positivos para a competitividade, a sustentabilidade e a perenidade dos seus negócios”, finalizou o coordenador de Meio Ambiente do Sistema OCB, Alex Macedo.
Saiba Mais:
Sistema OCB prestigia os 55 anos da Ocepar em fórum de lideranças
Em Foz do Iguaçu, lideranças das Américas definem agenda da ACI
Sistema OCB e Anatel avançam diálogo sobre cooperativas em telecom
06/07/2026
ESG
Sistema OCB alinha estratégias para fortalecer agenda climática
Equipes da entidade avançam em indicadores ESG, COP31 e mercado regulado de carbono
O coop brasileiro está se preparando para uma nova etapa de sua atuação na agenda de sustentabilidade. Com foco em integração, planejamento e geração de resultados concretos, o Sistema OCB promoveu, nesta segunda-feira (22), uma reunião conjunta entre o Time ESG, o Grupo de Trabalho ESG (GT ESG) e as Câmaras Temáticas de COP e Meio Ambiente. Entre os assuntos debatidos estiveram a construção dos indicadores ESG do cooperativismo, o plano de trabalho para a COP31 e os próximos passos relacionados ao mercado regulado de carbono no Brasil.
Logo na abertura, Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, deixou claro a importância do encontro: “a sustentabilidade deixou de ser uma pauta complementar e passou a ocupar posição estratégica para a competitividade e a perenidade dos negócios. Nosso desafio é demonstrar, com dados e resultados, que o cooperativismo entrega soluções concretas para a transição climática e para o desenvolvimento sustentável”, destacou.
Um dos destaques da reunião foi a apresentação do estágio atual dos Indicadores ESG do Cooperativismo Brasileiro, iniciativa desenvolvida no âmbito do Programa ESGCoop. O trabalho já resultou na homologação de 56 indicadores universais, aplicáveis a cooperativas de todos os ramos, distribuídos entre as dimensões social, ambiental, econômica e de governança. Além disso, avançam as construções dos indicadores setoriais específicos para os diferentes ramos do cooperativismo.
Como parte do movimento de integração entre as equipes, também foi anunciada a unificação das Câmaras Temáticas de COP e Meio Ambiente, que passam a atuar conjuntamente sob a denominação de Câmara Temática de Meio Ambiente e Clima. A mudança busca ampliar a articulação entre os temas e fortalecer a construção de posicionamentos técnicos e estratégicos para o cooperativismo.
Da COP30 para a COP31
Outro tema central foi a avaliação dos resultados da participação do cooperativismo na COP30 e a construção da estratégia para a COP31, que será realizada em novembro na Turquia. A participação na conferência realizada em Belém foi considerada fundamental para consolidar o protagonismo do cooperativismo brasileiro no debate internacional sobre sustentabilidade e mudanças climáticas.
Ao longo do evento, cooperativas participaram de dezenas de painéis, oficinas e espaços de articulação institucional, levando experiências práticas relacionadas a financiamento climático, agricultura sustentável, transição energética, descarbonização e inclusão produtiva.
Segundo Débora, o momento agora é de transformar esse reconhecimento conquistado em ações concretas. “A COP30 ampliou a visibilidade do cooperativismo e reforçou nossa capacidade de articulação. Entramos a partir dela em uma fase de implementação, em que precisamos transformar posicionamentos em entregas efetivas, fortalecendo ainda mais a contribuição das cooperativas para as soluções climáticas”, ressaltou.
O plano de trabalho para a COP31 prevê ações de articulação institucional, participação em fóruns nacionais e internacionais, fortalecimento de parcerias estratégicas e apoio às cooperativas em iniciativas voltadas à descarbonização e eficiência energética.
Mercado de carbono
A agenda do mercado regulado de carbono também teve espaço de destaque durante a reunião. O Sistema OCB acompanha a regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e atua para garantir que as especificidades do modelo cooperativista sejam consideradas nesse processo.
Para o coordenador do Ramo Agro do Sistema OCB, Rodolfo Jordão, o avanço da regulamentação do mercado de carbono representa uma oportunidade estratégica para o cooperativismo ampliar sua contribuição para uma economia de baixo carbono. “As cooperativas já desenvolvem práticas que geram benefícios ambientais concretos, como recuperação de áreas, agricultura de baixo carbono e manejo sustentável. Nosso papel é garantir que essas iniciativas sejam reconhecidas e que os cooperados tenham condições de participar desse mercado com segurança, previsibilidade e geração de valor”.
Débora lembrou que, atualmente, dezenas de cooperativas participam das ações do Programa ESGCoop voltadas à neutralidade de carbono, envolvendo iniciativas de mensuração, monitoramento e redução de emissões. “Temos uma oportunidade concreta de mostrar que o cooperativismo é parte da solução. Nossa força está na capacidade de gerar desenvolvimento econômico aliado à inclusão social e à preservação ambiental. Quanto mais alinhada e integrada for nossa atuação, maior será o impacto que conseguiremos entregar para o país e para o mundo”, concluiu.
Saiba Mais:
Prêmio Melhores do Ano entra na reta final de inscrições para coops
Conectividade no campo avança com protagonismo das cooperativas
Seminário reforça papel do cooperativismo no debate político de 2026
22/06/2026
ESG
15 anos de AvaliaCoop: como diagnóstico virou cultura de gestão
Programa consolidou desenvolvimento nas cooperativas, ao conectar governança, desempenho e ESG
Há 15 anos, o Sistema OCB iniciou um movimento estratégico para atender à legislação que exigia o monitoramento das cooperativas. O que poderia ter se limitado a uma obrigação regulatória evoluiu significativamente. De forma colaborativa, com as Organizações Estaduais e as próprias cooperativas, foram desenvolvidas ferramentas diagnósticas que se consolidaram como a principal porta de entrada para o desenvolvimento organizacional.
Esse processo deu origem a uma estratégia nacional de inteligência analítica: o AvaliaCoop. Hoje, ele não apenas apoia o monitoramento, mas sustenta a gestão, o planejamento e a tomada de decisão de milhares de cooperativas, posicionando-se como base estruturante da inteligência do cooperativismo brasileiro.
Hoje, o eixo reúne soluções diagnósticas em temas estratégicos como identidade cooperativista, governança e gestão, desempenho econômico-financeiro, negócios e ESG. Para a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, o aniversário marca muito mais do que uma data. "Quinze anos do AvaliaCoop representam quinze anos de compromisso com o fortalecimento das cooperativas brasileiras. Essa iniciativa nasceu das necessidades contingenciais do cooperativismo no início dos ano 2000 e cresceu sustentada por rigor técnico, parceria com os estados e visão estratégica e de longo prazo. Hoje, ela é um dos pilares do nosso trabalho de desenvolvimento, porque ajuda cada cooperativa a se conhecer melhor, a planejar com mais precisão e a evoluir com consistência. É um orgulho enorme ver o quanto esse programa transformou a cultura de gestão do setor."
Susan Vilela, gerente de Controle Interno do Sistema OCB, foi precursora da operacionalização das soluções, fortalecendo uma agenda pautada na intercooperação e na escuta ativa, promovendo reuniões e espaços de diálogo com as Organizações Estaduais e as cooperativas. "Percebemos que, primeiro, era necessário identificar a dor da cooperativa para então entregar a melhor solução possível", relembra Susan
Esse movimento coletivo permitiu compreender, de forma aprofundada, os diferentes contextos e necessidades. Como resultado, os diagnósticos desenvolvidos — independentemente da metodologia ou das referências adotadas — passaram a refletir de forma consistente as especificidades do modelo de negócios cooperativo e suas respectivas legislações.
Identidade
O primeiro grande marco veio com o Diagnóstico Identidade, desenvolvido em parceria com a Fundace. A ferramenta buscava mapear elementos essenciais do modelo cooperativista, considerando princípios, conformidade legal e aspectos ligados à identidade organizacional. A construção aconteceu de forma coletiva, com forte participação das organizações estaduais. O processo também abriu espaço para troca de experiências e compartilhamento de boas práticas.
Com o amadurecimento do trabalho, surgiu uma nova necessidade. Além de fortalecer sua identidade, as cooperativas precisavam avançar em gestão e governança para responder às exigências do mercado e ampliar sua competitividade.
Governança e gestão
Em 2012, o Sistema OCB firmou parceria com a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) para desenvolver o diagnóstico de Governança e Gestão, hoje uma das soluções mais consolidadas do AvaliaCoop. O modelo foi estruturado em níveis de maturidade e permite que cada cooperativa evolua de forma gradual, respeitando seu contexto e estágio de desenvolvimento.
A lógica é acompanhar uma jornada contínua de evolução, uma vez que implementar boas práticas exige preparo, tempo e amadurecimento institucional. Foi nesse contexto que nasceu também o Prêmio SomosCoop Excelência em Gestão, criado para incentivar o compartilhamento de conhecimento entre cooperativas. A iniciativa deu origem ao compêndio de boas práticas, que segue como uma importante ferramenta de disseminação de experiências dentro do cooperativismo.
Para o coordenador de Inteligência Analítica do Sistema OCB, Tomás Nascimento, essa consistência metodológica é o que garante resultados concretos. "Celebrar os 15 anos dos diagnósticos AvaliaCoop é reconhecer o trabalho de todos que se dedicaram para chegarmos até aqui, com a consistência de um trabalho tático-operacional que sustenta resultados concretos. Ao estruturar metodologia e conteúdo, evoluir sistemas, analisar dados com rigor e apoiar as OCEs de forma ativa, consolidamos uma cultura orientada a dados. Esse conjunto integrado é o que transforma informação em direcionamento e garante a efetividade e a evolução contínua das cooperativas."
A coordenadora de Governança e Gestão, que atuou na coordenação de Inteligência Analítica por quase 10 anos, Simone Montandon, destaca que a robustez do programa está diretamente ligada ao seu processo de aprimoramento permanente. "Durante esses 15 anos, os diagnósticos passaram por uma evolução contínua e estruturada, com revisões sistemáticas de questionários, atualização de conceitos e refinamento metodológico a cada ciclo. Houve também um investimento permanente na evolução tecnológica da plataforma, ampliando a confiabilidade dos dados, a comparabilidade e a qualidade das devolutivas. O resultado é um sistema mais intuitivo, mais rastreável e com impacto cada vez mais concreto na gestão das cooperativas."
Apoio
Com o avanço dos diagnósticos, o AvaliaCoop passou a apoiar diretamente outras áreas do Sistema OCB, especialmente em formação profissional e decisões estratégicas. Os dados coletados passaram a orientar o planejamento de ações e soluções voltadas ao desenvolvimento das cooperativas, incluindo a criação de cursos, capacitações e iniciativas conectadas às demandas reais do setor. "Antes disso, muitas iniciativas acabavam sendo repetidas sem um direcionamento claro. Com os diagnósticos, tornou-se possível identificar prioridades com mais precisão e aumentar a efetividade das entregas", conta Susan.
Ao longo dos anos, o AvaliaCoop deixou de ser apenas uma ferramenta de monitoramento para assumir uma posição estratégica dentro do Sistema OCB. Atualmente, o eixo reúne cinco soluções diagnósticas principais: Identidade, Governança e Gestão (PDGC), Desempenho, Negócios e ESG.
A gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, Débora Ingrisano, explica que essa evolução acompanhou as transformações do mercado e as novas demandas do cooperativismo. Segundo ela, o conceito de monitoramento se ampliou e passou a incorporar uma atuação mais voltada à inteligência analítica e ao desenvolvimento organizacional. "O diagnóstico não é um fim em si mesmo. Ele é a porta de entrada para entender desafios, definir prioridades e desenvolver soluções mais assertivas", afirma.
Essa nova fase ganhou ainda mais força a partir de 2022, quando o Sistema OCB iniciou uma revisão do portfólio de soluções para integrar de forma mais clara os diagnósticos às áreas de capacitação, negócios, ESG e cultura cooperativista.
Sustentabilidade
O movimento também acompanhou mudanças importantes no ambiente de negócios. Temas ligados à sustentabilidade, impacto social e governança passaram a ocupar espaço central na estratégia das cooperativas e impulsionaram a criação do diagnóstico ESG.
A solução foi desenvolvida para apoiar cooperativas na avaliação de práticas ambientais, sociais e de governança, alinhando o cooperativismo às exigências atuais do mercado. "O mercado mudou e as cooperativas precisam acompanhar essas transformações para continuarem competitivas e sustentáveis", destaca Débora.
Futuro
Além do ESG, o AvaliaCoop passou a ampliar seu olhar para temas que vêm adquirindo cada vez mais importância, ligados à saúde organizacional, desempenho laboral e sustentabilidade dos negócios, e que se relacionam diretamente com a NR1. Entre as próximas entregas previstas está o Diagnóstico de Saúde e Bem-Estar, atualmente em fase piloto e com lançamento nacional previsto para o próximo ano.
Outro foco imediato do Sistema OCB é ampliar a adesão das cooperativas às soluções diagnósticas e evoluir as estratégias e metodologias de oferta dessas. A avaliação é que a cultura do desenvolvimento organizacional ainda tem muito espaço para crescer dentro do cooperativismo brasileiro. A proposta é dar um grande passo para otimizar a experiência da jornada AvaliaCoop e fazer com que os diagnósticos integrem cada vez mais a rotina das cooperativas, apoiando o planejamento, a priorização de investimentos e o fortalecimento da gestão.
Para Susan, olhar para os 15 anos do AvaliaCoop é reconhecer uma construção coletiva, feita gradualmente e sempre em diálogo com as necessidades das cooperativas. "Tudo foi construído aos poucos. O importante é entender essa trajetória e continuar evoluindo sem perder de vista o caminho que foi percorrido até aqui", ressalta.
Débora reforça que o desenvolvimento organizacional precisa fazer parte da cultura das cooperativas. "Tudo começa com uma pergunta simples: como estou? Não adianta querer abraçar o mundo. Uma prioridade bem estruturada vale mais do que dez objetivos que ficam só no papel", conclui.
Saiba Mais:
Renegociação de dívidas rurais aprovada no Senado retorna à Câmara
Cooperativas brasileiras apresentam modelo ao Sudeste Asiático
Cooperativismo de seguros avança com regulamentação e mobiliza setor
12/06/2026
ESG
Capacitação de gestores impulsiona eficiência energética no coop
Sistema OCB conecta cooperativas e impulsiona gestão mais eficiente e sustentável
O Sistema OCB realizou mais uma etapa da Solução Eficiência Energética, com a Capacitação de Gestores em Eficiência Energética, com encontros na terça-feira (7) e na quinta-feira (9) desta semana. Participaram as cooperativas Coopernova – Armazém (MT), Inovar (RJ), Coabriel (ES), Sicoob Norte Sul (BA), Copasul (MS), Cooperbelgo (GO) e Unimed Caruaru (PE). Juntas, elas somam mais de R$ 7,5 bilhões em faturamento, cerca de 3,8 mil colaboradores e quase 40 mil cooperados.
A etapa marcou o encerramento dos encontros coletivos, com foco no alinhamento conceitual. Na sequência, o trabalho avança para reuniões preparatórias e diagnósticos in loco em cada cooperativa, com identificação de oportunidades de melhoria no consumo, na gestão e nos processos. A partir disso, serão estruturados planos de ação personalizados, aderentes à realidade de cada cooperativa, com acompanhamento remoto ao longo da implementação. Ao final do ciclo, a expectativa é que a eficiência energética esteja incorporada à rotina de gestão como um vetor estratégico de competitividade e sustentabilidade.
Para a gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, Débora Ingrisano, o principal ganho está em transformar o tema em prática contínua. “Eficiência energética não é algo pontual. É uma forma de gerir melhor a operação, com rotina, acompanhamento e decisões baseadas em dados”, explicou.
Ela também destacou que os resultados ultrapassam os aspectos econômicos. “Quando a cooperativa organiza esse processo, ela reduz custos, melhora sua eficiência e ainda fortalece sua atuação em ESG, o que hoje pesa cada vez mais no mercado”, acrescentou.
Mais gestão, menos desperdício
Um dos pontos centrais da capacitação foi mostrar que eficiência energética não começa na tecnologia, mas na forma de gerir. O desafio está em entender onde a energia está sendo mal utilizada e corrigir esses pontos.
Durante os encontros, os participantes trabalharam conceitos muito presentes na rotina do dia a dia: desperdício, desbalanceamento e sobrecarga. Na prática, são situações que fazem a energia ser consumida sem gerar resultado. A proposta foi trazer esse olhar mais atento para o funcionamento das operações.
Medir para melhorar
Os gestores foram orientados a olhar com mais atenção para os dados de consumo, desde a fatura de energia até medições mais detalhadas. Quanto mais informação disponível, mais fácil identificar onde estão os desperdícios e agir rapidamente.
Além disso, a capacitação mostrou que não basta olhar o consumo total. O ideal é relacionar esse dado com a produção ou com a atividade da cooperativa. Isso permite comparações mais justas e ajuda a entender, de fato, se houve ganho de eficiência.
Saiba Mais:
Escolha que transforma: SomosCoop chega ao Mais Você
Cooperativismo é contemplado em Plano Nacional de Bioeconomia
NegóciosCoop capacita equipes para ampliar acesso a mercados
09/04/2026
ESG
Cooperativismo é contemplado em Plano Nacional de Bioeconomia
Iniciativa prevê R$ 350 milhões em investimentos e busca estruturar nova lógica produtiva no país
O Sistema OCB acompanhou, nesta quarta-feira (1º), o lançamento do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), iniciativa do governo federal que estabelece diretrizes para orientar o crescimento do setor na próxima década.
A proposta posiciona a biodiversidade brasileira como ativo estratégico para o desenvolvimento econômico sustentável, com integração entre inovação, tecnologia e inclusão social. O cooperativismo foi incluindo como um dos eixos do Plano, que prevê o fortalecimento de pelo menos 60 cooperativas com impacto direto em mais de 5 mil famílias, especialmente na região amazônica.
Com aporte inicial de R$ 350 milhões do Fundo Amazônia, o PNDBio busca estruturar uma nova lógica produtiva no país, ao aliar conservação ambiental à geração de renda. A iniciativa integra o eixo de bioeconomia do Plano de Transformação Ecológica e dialoga com a agenda de reindustrialização nacional, com foco em ampliar a presença do Brasil nas cadeias globais de valor.
Durante o evento, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, destacou o papel do cooperativismo como instrumento de inclusão econômica e fortalecimento produtivo. “É fundamental estimular o modelo. Os pequenos, quando se organizam em cooperativas, fazem toda a diferença”, afirmou. Ele também ressaltou a relevância dos instrumentos financeiros voltados ao desenvolvimento sustentável, como o Fundo Amazônia e o Fundo Clima, que somam bilhões em recursos disponíveis.
Entre as ações estruturantes apoiadas pelo Fundo Amazônia estão programas como o Coopera+ Amazônia, o projeto Cooperar com a Floresta e o Desafios da Amazônia, que juntos, concentram investimentos superiores a R$ 300 milhões de reais e contam com a participação direta de cooperativas agropecuárias. Essas iniciativas buscam impulsionar cadeias produtivas sustentáveis, promover a organização coletiva e ampliar o acesso a mercados.
Metas ambiciosas
O PNDBio também estabelece metas ambiciosas para os próximos anos, como o apoio a 6 mil negócios comunitários, a ampliação do acesso ao crédito e a inclusão de até 300 mil beneficiários em programas de pagamento por serviços ambientais até 2035. A estratégia contempla ainda a recuperação de áreas degradadas, o fortalecimento da economia florestal e o aumento da produtividade com sustentabilidade.
No campo produtivo, o plano propõe a diversificação das lavouras, além do estímulo à bioindustrialização e ao uso de matérias-primas renováveis. A expectativa é que o Brasil avance em segmentos como biocombustíveis, biomateriais e insumos químicos de base biológica, consolidando sua liderança global no tema.
Outro eixo relevante é o incentivo à inovação em saúde, com a meta de ampliar a participação de fitoterápicos no mercado nacional e incorporar novos produtos ao Sistema Único de Saúde (SUS). O plano também prevê avanços no turismo sustentável, com estímulo ao ecoturismo em unidades de conservação.
A construção do PNDBio envolveu mais de 16 ministérios e contou com ampla participação da sociedade, setor produtivo e instituições de pesquisa, somando mais de 900 contribuições. A governança será acompanhada por sistemas de monitoramento que visam garantir transparência e segurança jurídica na execução das ações.
Saiba Mais:
Modernização do CAR avança e reforça Código Florestal
Sistema OCB acompanha posse dos novos ministros
Protagonismo feminino marca encontro do coop
02/04/2026
ESG
Sistema OCB amplia ações de eficiência energética no coop
Novo ciclo da iniciativa estrutura gestão contínua de consumo e redução de custos
Em mais uma etapa de desenvolvimento da Solução Eficiência Energética, o Sistema OCB reuniu, nesta sexta (20), cooperativas de diferentes ramos para dar continuidade aos trabalhos técnicos do ciclo 2026, com foco na gestão do consumo, redução de desperdícios e melhoria de processos.
O contexto global reforça a urgência do tema. Segundo o World Energy Outlook 2025, a demanda por eletricidade deve crescer cerca de 40% até 2035. No Brasil, a expansão projetada é de 3,3% ao ano, o que pressiona custos e exige maior eficiência no uso da energia, especialmente em setores intensivos como agro, saúde e crédito.
Para a gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, Débora Ingrisano, a eficiência energética já demonstra resultados concretos e rápidos nas cooperativas. Ela destacou que a agenda vai além da redução de custos. “Estamos falando também de mercado, reputação e cultura de sustentabilidade. É uma agenda que conecta desempenho econômico e posicionamento estratégico”, afirmou.
A solução parte do diagnóstico de que a energia é um dos principais custos operacionais das cooperativas e, ao mesmo tempo, uma oportunidade de ganho imediato de eficiência. Em alguns casos acompanhados pelo Sistema OCB, ajustes simples já geraram economia perceptível no curto prazo. “Houve cooperativas que fizeram adequações e, no mês seguinte, já viram resultado financeiro”, relatou Débora.
Participam desta etapa cooperativas como Coopernova (MT), Inovar (RJ), Coabriel (ES), Sicoob Norte Sul (BA), Copasul (MS), Cooperbelgo (GO) e Unimed Caruaru (PE). Juntas, elas reúnem grande diversidade de operações e realidades, o que amplia o potencial de aprendizado e replicação de boas práticas.
O processo previsto pela solução envolve capacitação técnica, diagnóstico em campo e elaboração de planos de ação personalizados. O objetivo é estruturar uma gestão contínua da eficiência energética, com definição de indicadores, metas e rotinas de acompanhamento.
Segundo o consultor da Strider, Alexandre Mater, a experiência do ciclo anterior mostrou que há oportunidades em todas as cooperativas, independentemente do nível de maturidade. “Em todas elas, tivemos resultados positivos. Algumas mais avançadas, outras iniciando, mas todas encontraram oportunidades relevantes de melhoria”. Ele explicou que o foco está no uso inteligente da energia.
Para as cooperativas, o tema já aparece como prioridade estratégica. Na Copasul, por exemplo, a energia representa parcela significativa dos custos. “É mais de 30% do nosso custo total. Qualquer ganho de eficiência impacta diretamente o resultado”, destacou a analista de sustentabilidade, Nayara Moraes.
Já na Coabriel, o trabalho vem complementar iniciativas em andamento. “Já temos investimentos em fontes renováveis e projetos em desenvolvimento. A expectativa é melhorar ainda mais os resultados com essa solução”, afirmou o supervisor de manutenção, Caio Vicente.
A proposta do Sistema OCB é transformar a eficiência energética em prática permanente de gestão, integrada à governança das cooperativas. Isso inclui desde decisões operacionais como manutenção de equipamentos e controle de consumo, até estratégias mais amplas, como diversificação de fontes e alinhamento com metas de descarbonização.
Saiba Mais:
Coordenadores de ramos alinham atuação em encontro nacional
Sistema OCB lança campanha Escolha o Coop
Cursos da CapacitaCoop integram plataforma do governo QualificaProBR
23/03/2026
Todos os ramos
Agropecuário
Consumo
Crédito
Infraestrutura
Saúde
Seguros
Trabalho, Produção de Bens e Serviços
Transporte
SABER COOPERAR
02/08/2026
Dia dos Pais: cooperativismo pode ser transmitido de pai para filho
A cooperação se aprende no dia a dia e pode ser passada de pai para filho. Assim como hábitos, valores e tradições familiares, o cooperativismo também é transmitido de geração em geração. Quando pais compartilham com os filhos valores como ajuda mútua, compromisso com a comunidade, responsabilidade socioambiental e participação, ajudam a formar cidadãos mais preparados para construir um futuro baseado no interesse coletivo.
O Dia dos Pais, celebrado em 9 de agosto, é uma oportunidade para refletir sobre como o exemplo pode contribuir para manter vivo o legado cooperativista e inspirar as novas gerações a fazer parte do movimento.
No caso do publicitário Eduardo Meyer, esse caminho começou a ser trilhado há 11 anos, quando se tornou pai e passou a olhar ainda mais para o futuro e para a importância de ensinar pelo exemplo. Na época, ele abriu uma conta poupança para a filha recém-nascida em uma cooperativa de crédito e logo percebeu que a iniciativa iria além de uma decisão econômica.
“A ideia era fazer depósitos periódicos pensando no longo prazo, mas com o tempo percebi que esse investimento representava muito mais do que uma reserva financeira. Ele também se tornou uma oportunidade para falar sobre educação financeira, planejamento e a importância de administrar os recursos com responsabilidade”, lembra.
Assessor de Desenvolvimento do Cooperativismo na Sicredi União MS/TO e Oeste da Bahia, Meyer acredita que ensinar sobre dinheiro desde cedo é uma forma de preparar os filhos para tomarem decisões conscientes no futuro. Mais do que acumular recursos, o objetivo é desenvolver valores como disciplina, responsabilidade e visão de longo prazo.
Esses ensinamentos também fazem parte da rotina da família em outras situações. Meyer procura transmitir aos filhos princípios como solidariedade, cooperação e cuidado com as pessoas. Por isso, costuma levá-los para participar das ações de voluntariado promovidas pelo Sicredi. Na prática, ele mostra que o cooperativismo é vivido no cotidiano, por meio de atitudes que geram impacto positivo na vida das pessoas.
“Essas experiências ajudam a desenvolver a empatia e a compreensão de que todos nós podemos contribuir para tornar a sociedade um lugar melhor. Tento mostrar aos meus filhos que olhar para o próximo com respeito, carinho e disposição para ajudar é tão importante quanto qualquer aprendizado que recebemos dentro da escola”, acrescenta.
Segundo Meyer, seu maior legado está não apenas no que ensina aos filhos com palavras, mas principalmente em suas atitudes como pai. “São os exemplos do dia a dia que ajudam a formar cidadãos mais conscientes, responsáveis e comprometidos com a construção de um futuro melhor para todos. Esse é o ensinamento que procuro deixar para os meus filhos, todos os dias”.
Ensinando a cooperar
A transmissão dos valores cooperativistas também pode ser leve e divertida. Para as crianças, o aprendizado ganha ainda mais significado quando é adaptado à linguagem e aos interesses de cada faixa etária. Com esse objetivo, o Sistema OCB disponibiliza a plataforma Jogar+Aprender, dentro da CapacitaCoop, com jogos, vídeos, cursos e materiais educativos voltados à educação cooperativista de crianças e adolescentes.
Gratuita e desenvolvida com recursos pedagógicos e metodologias adequadas a cada fase do desenvolvimento, a plataforma oferece mini jogos, games interativos, biblioteca digital e outros conteúdos organizados para dois públicos: crianças de 6 a 12 anos e jovens de 13 a 17 anos.
“Mais do que apresentar conceitos sobre o cooperativismo, a Jogar+Aprender busca despertar, desde cedo, o interesse pela cooperação, pela participação e pelo compromisso com o bem comum. É uma aliada das famílias e educadores na missão de fortalecer a cultura cooperativista e inspirar as novas gerações a manter vivo esse legado”, explica Débora Ingrisano, Gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB.
SABER COOPERAR
31/07/2026
Por que as cooperativas devem tomar decisões baseadas em dados?
Em um cenário de alta competitividade e mudanças cada vez mais rápidas no mercado, tomar decisões apenas com base na experiência já não basta. Saber onde investir, quando expandir uma operação, como atender melhor aos cooperados ou identificar riscos antes que eles se tornem problemas depende, cada vez mais, da capacidade das cooperativas de transformar dados em informação útil para a gestão.
É justamente esse o propósito do Anuário do Cooperativismo Brasileiro, do Sistema OCB, que teve sua edição 2026 lançada no dia 31 de julho. Principal levantamento sobre o setor no país, a publicação mostra que as 4,4 mil cooperativas brasileiras reúnem 29 milhões de cooperados, geram 613,4 mil empregos e movimentam R$ 848,4 bilhões na economia. Mais do que reunir números, o AnuárioCoop oferece base sólida para que dirigentes planejem o futuro de suas cooperativas.
“O Anuário é a principal radiografia do cooperativismo brasileiro. Ele reúne informações sobre o desempenho das cooperativas em todo o país e mostra, de forma concreta, qual é o impacto do setor na economia e na sociedade. Para além de apresentar números, o objetivo é oferecer conhecimento para apoiar decisões e mostrar a força do modelo cooperativista”, afirma o coordenador do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB, Igor Seixas Miranda Vianna.
Segundo ele, o AnuárioCoop deve ser visto como uma ferramenta de gestão. “O dirigente pode usar os dados para comparar o desempenho da sua cooperativa com o setor, identificar tendências, avaliar oportunidades de crescimento e embasar decisões estratégicas. É uma forma de olhar para além da realidade da própria organização e entender o contexto em que ela está inserida”.
Vianna destaca que praticamente todas as grandes decisões de uma cooperativa podem ser fortalecidas por dados. “Desde a abertura de uma nova unidade, lançamento de produtos e serviços, definição de investimentos, até ações voltadas à fidelização dos cooperados ou à melhoria da eficiência operacional. Ao permitir comparações entre ramos, regiões e indicadores econômicos, o Anuário ajuda os dirigentes a transformar informações em planejamento e a tomar decisões com menor grau de incerteza”, destaca.
Dos dados à estratégia
Para o auditor federal de Finanças e Controle da Controladoria-Geral da União (CGU) e professor de Tecnologia da Informação do Gran Faculdades, Vitor Kessler, mais do que reunir informações relevantes para o negócio, o verdadeiro diferencial de usar dados nos negócios está em saber interpretá-los e transformá-los em estratégias.
“Uma gestão orientada por dados é aquela em que as decisões são fundamentadas em evidências, e não apenas em opiniões, impressões pessoais ou práticas históricas”, argumenta. “Quando a decisão é baseada apenas na percepção, problemas relevantes podem ser subestimados, recursos podem ser direcionados para áreas de menor impacto e ações aparentemente bem-sucedidas podem ser mantidas sem que exista comprovação de seus resultados”, exemplifica.
Segundo Kessler, muitas organizações ainda decidem sem recorrer à análise de dados porque parece a via mais rápida e, muitas vezes, mais confortável. “O gestor já possui experiência no setor, conhece a organização e acredita que consegue reconhecer os problemas sem precisar de uma análise mais estruturada. Além disso, muitas organizações ainda possuem dados dispersos, desatualizados ou armazenados em sistemas que não se comunicam, além de enxergarem indicadores como mecanismos de controle ou fiscalização, e não como instrumentos de aprendizagem e melhoria”, afirma.
Outro fator, aponta Kessler, é a falsa impressão de que trabalhar com dados exige tecnologias complexas, equipes numerosas e grandes investimentos. “Na prática, é possível começar com estruturas simples, desde que existam objetivos claros e disciplina na coleta e análise das informações”, explica. “À medida que a maturidade aumenta, a organização pode investir em integração de sistemas, armazenamento de dados, plataformas de BI [Business Intelligence], automação e inteligência artificial”.
Para as cooperativas que desejam fortalecer a tomada de decisão com base em dados, Kessler recomenda começar pelo problema que precisa ser resolvido, e não pela tecnologia. “Antes de escolher ferramentas, a organização deve definir qual problema precisa resolver e quais dados são necessários para isso. Essas informações precisam ser confiáveis, analisadas em contexto e comparadas com metas ou referências. Mais do que gerar gráficos, a análise deve orientar ações, com responsáveis, prazos e acompanhamento dos resultados”, orienta.
Indicadores na rotina
Esse movimento de tomada de decisões com base em dados já faz parte da realidade das cooperativas brasileiras. Uma delas é Aurora Coop, de Santa Catarina, que reúne mais de 150 mil famílias cooperadas e atua nas cadeias de carnes suína e de aves, lácteos, pescados e alimentos industrializados, com operações em diversas regiões do país. Na Aurora, dashboards, BI e indicadores fazem parte da rotina dos gestores.
“A Aurora vem evoluindo de uma cultura baseada predominantemente na experiência e no conhecimento dos gestores para um modelo em que os dados complementam e qualificam as decisões. Isso ocorre por meio da ampliação das plataformas de Business Intelligence, da democratização do acesso às informações, da governança de dados e da incorporação de indicadores aos fóruns de gestão e acompanhamento estratégico”, afirma a diretora administrativa Marinei Aparecida Zuffo Antunes da Rocha.
Segundo Marinei, a principal mudança foi compreender que dados não são apenas um elemento tecnológico, mas um ativo estratégico do negócio. A cooperativa passou a valorizar decisões sustentadas por evidências, estimulando questionamentos, análises e validações antes da tomada de decisão.
Atualmente, todos os principais processos da Aurora estão mapeados em ferramentas de BI, e a organização já avança na integração dessas informações com soluções de Inteligência Artificial. Um dos exemplos está na área agropecuária, onde, segundo Marinei, o uso de geoprocessamento, cruzamento de informações sanitárias e análise espacial contribuiu para o planejamento preventivo, gestão de riscos e definição de ações operacionais na cadeia produtiva.
Apesar dos avanços tecnológicos, Marinei acredita que o principal fator para uma gestão baseada em dados continua sendo outro. “Se fosse necessário escolher apenas um fator, eu responderia: cultura. A tecnologia tornou-se cada vez mais acessível. Processos podem ser desenhados e redesenhados. Pessoas podem ser treinadas. Porém, sem uma cultura que valorize evidências, transparência, aprendizado contínuo e decisões fundamentadas, os dados não geram valor real”, avalia.
“Na Aurora, a transformação ocorre quando liderança, equipes e tecnologia trabalham de forma integrada, mas é a cultura que efetivamente converte informação em ação e ação em resultado. Essa é a base para uma organização verdadeiramente orientada por dados”, finaliza Marinei.
SABER COOPERAR
Histórias de um mundo melhor
O documentário Histórias de um Mundo Melhor percorre diferentes regiões do país revelando, por meio de histórias reais, como o cooperativismo transforma a vida das pessoas. Da floresta manejada de forma sustentável em Rondônia às vinhas centenárias da Serra Gaúcha, cada trajetória revela um Brasil que resiste, se reinventa e cuida do coletivo. Mais do que um filme, a produção é um retrato sensível do que o cooperativismo tem de mais bonito: gente que se une para construir um futuro mais justo e próspero para todos.
06/08/2026
SABER COOPERAR
Conquistas do coop no 1° semestre de 2026 | Se Liga no Sistema OCB
Neste Se Liga no Sistema OCB, o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, apresenta alguns dos principais avanços alcançados, como o reconhecimento do cooperativismo como manifestação cultural do Brasil, a presença das cooperativas no MasterChef Brasil, ações de promoção internacional, importantes vitórias na agenda de representação institucional e o lançamento de mais uma edição do Programa de Educação Política.
06/08/2026
SABER COOPERAR
Cooperativismo deve aproveitar eleições para ser mais reconhecido, afirma Fabíola Nader Motta
O ano eleitoral também é um período estratégico para as cooperativas. Em meio ao processo que definirá os rumos do país pelos próximos anos, o cooperativismo tem a oportunidade de organizar suas pautas institucionais, dialogar com os candidatos e ampliar sua presença no debate público. Segundo a superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, o principal desafio é consolidar o reconhecimento do coop como um movimento permanente, organizado e comprometido com o interesse coletivo.
“O cooperativismo promove desenvolvimento local, gera oportunidades, fortalece cadeias produtivas, amplia o acesso a serviços e contribui para a redução das desigualdades. Quanto mais a sociedade compreender esse papel, maior será a capacidade do movimento de influenciar positivamente as decisões públicas”, afirma.
A consolidação desse reconhecimento, segundo a gestora, requer uma atuação institucional consistente, baseada no diálogo, na informação qualificada e participação cidadã, sem abrir mão da neutralidade partidária.
Leia a entrevista completa:
Sistema OCB: Como as cooperativas devem se preparar para as eleições gerais de 2026? É possível participar do processo sem comprometer a neutralidade partidária?
Fabíola Nader Motta: As eleições representam uma oportunidade para que as cooperativas ampliem sua participação no debate público e fortaleçam sua presença em temas que impactam diretamente seus cooperados e as comunidades onde atuam. A preparação começa muito antes da campanha eleitoral. É fundamental que as cooperativas conheçam os principais desafios de seus territórios, organizem suas pautas prioritárias e estejam preparadas para dialogar com candidatos, partidos e lideranças de diferentes espectros políticos. A força política do cooperativismo está vinculada à sua capacidade de mobilização, de apresentar propostas consistentes e de demonstrar os resultados concretos que gera para a sociedade. Nosso movimento está presente em milhares de municípios, reúne milhões de brasileiros e contribui para a geração de emprego, renda, inclusão financeira, produção de alimentos, acesso à saúde e desenvolvimento regional. Esse capital social e econômico confere legitimidade ao movimento para participar das discussões sobre o futuro do país. Manter a neutralidade partidária significa justamente concentrar a atuação institucional nas pautas de interesse do movimento. A cooperativa pode promover encontros, apresentar agendas de interesse, estimular o voto consciente e dialogar com todos os candidatos de forma transparente e equilibrada. O foco deve ser sempre a defesa de políticas públicas que contribuam para o desenvolvimento das cooperativas e das comunidades, independentemente de quem esteja disputando ou ocupando os cargos eletivos.
Como o Sistema OCB orienta a participação cooperativista no processo eleitoral?
Para apoiar essa preparação, o Sistema OCB desenvolveu uma série de ferramentas reunidas no site Eleições 2026, criado especialmente para fortalecer a participação cidadã e a representação institucional do cooperativismo. Entre os materiais disponíveis está o documento Propostas para um Brasil Mais Cooperativo, que apresenta aos candidatos e tomadores de decisão uma agenda de contribuições do cooperativismo para o desenvolvimento econômico e social do país. As cooperativas também têm acesso à cartilha Cooperativismo e as Eleições 2026, que traz orientações de boas práticas na participação política, atuação institucional e engajamento responsável de cooperativas, cooperados e Organizações Estaduais no processo eleitoral. O objetivo é apoiar a promoção da educação política e do voto consciente, contribuindo para uma participação mais ativa, informada e alinhada aos valores do cooperativismo. Esse conjunto de ferramentas contribui para a formação de lideranças mais conscientes, capazes de participar de forma qualificada e permanente dos debates que impactam o futuro do setor e das comunidades onde atuam.
Como o cooperativismo consegue organizar suas pautas e levá-las aos candidatos?
No caso do documento Propostas para um Brasil Mais Cooperativo, essa construção ocorre de forma estruturada e participativa, com a escuta de lideranças cooperativistas de todos os ramos do cooperativismo e regiões do país. As propostas também são orientadas pelo Planejamento Estratégico do Sistema OCB e pelas diretrizes do nosso Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), que em sua última edição, reuniu cerca de 3 mil lideranças cooperativistas. A partir dessa escuta, os principais desafios, tendências e oportunidades são transformados em propostas objetivas, fundamentadas em dados e conectadas às diferentes realidades regionais. O resultado é a organização de uma pauta de prioridades que representa o cooperativismo brasileiro de forma ampla e demonstra aos candidatos, de forma concreta, como o setor pode contribuir para a inclusão produtiva, a redução das desigualdades, o fortalecimento da economia e o desenvolvimento sustentável do país.
Qual o erro mais comum das cooperativas no período eleitoral?
Talvez o erro mais comum seja tratar a participação política como uma ação pontual, restrita ao período eleitoral. Quando isso acontece, perde-se a oportunidade de construir relacionamentos institucionais duradouros e de acompanhar de forma efetiva as decisões que afetam o ambiente de negócios das cooperativas. Outro equívoco recorrente é concentrar esforços em pessoas específicas em vez de fortalecer pautas e propostas. O cooperativismo precisa ser reconhecido como um movimento permanente, organizado e comprometido com o interesse coletivo. Isso exige uma atuação institucional consistente, baseada em diálogo, informação qualificada e participação cidadã. Também é importante evitar a confusão entre participação política e partidarização. O cooperativismo tem o direito e o dever de defender suas pautas, mas sempre respeitando sua natureza plural e democrática, que reúne pessoas com diferentes visões políticas em torno de objetivos comuns.
Qual a ferramenta para apoiar essa atuação contínua?
O Programa de Educação Política. A iniciativa busca fortalecer uma cultura permanente de participação cidadã e representação institucional, oferecendo conhecimento, ferramentas e espaços de diálogo para que cooperados e dirigentes compreendam melhor o ambiente político e possam atuar de forma mais estratégica. Quanto mais preparadas estiverem as cooperativas para acompanhar os debates públicos, organizar suas pautas e se relacionar com os tomadores de decisão, maior será sua capacidade de contribuir para a construção de políticas públicas alinhadas às necessidades das comunidades e ao desenvolvimento do cooperativismo.
Como a educação política na base ajuda a eleger representantes alinhados com o coop?
A educação política é uma das ferramentas mais importantes para fortalecer a representatividade do cooperativismo. Quando cooperados, colaboradores e dirigentes compreendem como funcionam os Poderes da República, quais são as atribuições dos cargos eletivos e como as políticas públicas impactam seu cotidiano, eles passam a participar de forma mais consciente do processo democrático. Essa conscientização contribui para que o voto seja orientado por propostas, histórico de atuação e compromisso com temas relevantes para o desenvolvimento das comunidades. Ao entender melhor o papel da representação política, os cooperados conseguem identificar candidatos que valorizam o empreendedorismo coletivo, a inclusão produtiva, a geração de oportunidades e o desenvolvimento sustentável. O resultado é um ambiente que contribui para o fortalecimento de espaços de representação como a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), que tem desempenhado papel fundamental na defesa de pautas estratégicas para o setor. A educação política fortalece, portanto, a cidadania e amplia a capacidade da sociedade de acompanhar, cobrar e participar das decisões públicas.
Quais cuidados a cooperativa deve ter com sua comunicação institucional durante o período eleitoral?
A comunicação institucional exige atenção redobrada durante o período eleitoral. As cooperativas devem assegurar que seus canais sejam utilizados para informar, educar e promover o diálogo democrático, sem qualquer favorecimento ou prejuízo a candidaturas específicas. É fundamental observar as regras da legislação eleitoral e estabelecer critérios claros para participação de candidatos em eventos, entrevistas, debates ou conteúdos institucionais. Caso haja abertura para participação de agentes políticos, o tratamento deve ser isonômico e transparente. Nas redes sociais, é importante diferenciar claramente posicionamentos institucionais de manifestações individuais de dirigentes, colaboradores ou cooperados. A comunicação da cooperativa deve permanecer focada em suas pautas, em seus resultados e em seu compromisso com o desenvolvimento da comunidade. Além de evitar riscos jurídicos, essa postura fortalece a credibilidade e a confiança na instituição.
Como se informar sobre essas orientações específicas?
O Sistema OCB disponibiliza a cartilha de boas práticas Cooperativismo e as Eleições 2026, que oferece referências seguras para que as cooperativas possam se comunicar de forma transparente, com respeito à legislação e à sua neutralidade partidária, sem abrir mão de seu papel legítimo de apresentar propostas, promover o diálogo e contribuir para o debate sobre temas relevantes para o desenvolvimento local e nacional. Dessa forma, buscamos dar às cooperativas mais segurança para participarem de maneira responsável, alinhada aos valores e princípios do cooperativismo.
Qual o principal desafio do cooperativismo brasileiro nestas eleições?
O principal desafio continua sendo ampliar o conhecimento da sociedade e dos tomadores de decisão sobre o verdadeiro alcance do cooperativismo. Apesar da sua presença em praticamente todos os setores da economia e em milhares de municípios brasileiros, muitas pessoas ainda desconhecem a dimensão do impacto que as cooperativas geram na vida das comunidades. Essa falta de conhecimento pode limitar a inclusão de pautas estratégicas do cooperativismo nos programas de governo e nas agendas legislativas. Por isso, o desafio é político, mas também comunicacional e educativo. Precisamos mostrar cada vez mais que o cooperativismo oferece benefícios que ultrapassam o seu número de cooperados. Ele promove desenvolvimento local, gera oportunidades, fortalece cadeias produtivas, amplia o acesso a serviços e contribui para a redução das desigualdades. Quanto mais a sociedade compreender esse papel, maior será a capacidade do movimento de influenciar positivamente as decisões públicas.
Como alcançar esse objetivo estratégico?
Superar esse desafio passa por ampliar o acesso à informação qualificada. Por isso, em 2026, o Sistema OCB dá um novo impulso ao Programa de Educação Política com um chamado claro: na hora de votar, #PensenoCoop. A nossa campanha convida o movimento cooperativista a fortalecer sua participação cidadã e a levar para o debate público seus valores e contribuições. Temos convicção de que a presença ativa do cooperativismo como parte da discussão e instrumento de políticas públicas, ajuda a gerar mais oportunidades, inclusão e prosperidade para milhões de brasileiros.
Que conselho você deixa para os dirigentes cooperativistas no período eleitoral?
Meu principal conselho é que assumam o protagonismo na construção do ambiente institucional em que suas cooperativas estão inseridas. As decisões tomadas nos parlamentos, nos governos e nos órgãos reguladores impactam diretamente a capacidade das cooperativas de crescer, inovar e gerar benefícios para seus cooperados. Por isso, é fundamental investir na formação política, estimular o engajamento cidadão e promover o diálogo permanente com lideranças públicas. Participar da vida democrática significa compreender os desafios do país, apresentar propostas, defender interesses legítimos e contribuir para a construção de soluções coletivas. O cooperativismo nasceu da participação, da organização e do compromisso com o bem comum. Esses mesmos valores devem orientar sua atuação no debate público. Quando cooperativas e cooperados entendem a importância da representação política e se mobilizam em torno de pautas comuns, todo o movimento ganha força para construir um Brasil mais próspero, inclusivo e cooperativo. Também recomendo que os dirigentes engajem com nossos materiais de apoio e de comunicação, disponíveis no site Eleições 2026, que podem ajudar as cooperativas a transformarem sua relevância econômica e social em maior capacidade de participação nos debates que definirão o futuro do país. Quanto mais preparadas estiverem as lideranças cooperativistas, maior será a contribuição do movimento para a construção de políticas públicas alinhadas às necessidades das pessoas e das comunidades.
31/07/2026
SABER COOPERAR
Educação Política fortalece cultura de representação institucional no coop
A política está mais presente no cotidiano das cooperativas do que muita gente imagina. É nos espaços de decisão que são definidas leis, regulamentações e políticas públicas capazes de impulsionar – ou limitar – o desenvolvimento do cooperativismo. Por isso, acompanhar o ambiente político-institucional e participar do diálogo com os tomadores de decisão é uma estratégia essencial para fortalecer o setor e garantir que as especificidades do modelo cooperativo sejam consideradas.
Para aprimorar essa atuação, o Sistema OCB criou o Programa de Educação Política, que prepara lideranças cooperativistas para compreender o funcionamento das instituições, qualificar a representação institucional e ampliar a participação do cooperativismo nos debates de interesse do setor. Mais do que incentivar o acompanhamento da agenda pública, o programa busca consolidar uma cultura de atuação apartidária, técnica e permanente, voltada à defesa legítima das pautas cooperativistas.
“Nossa intenção é formar cidadãos mais conscientes, lideranças mais preparadas e cooperativas mais capazes de dialogar com os tomadores de decisão. Queremos que o cooperativismo seja reconhecido não apenas por sua relevância econômica e social, mas também por sua capacidade de contribuir para a construção de soluções para os desafios do país”, explica o gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Eduardo Queiroz.
Esse fortalecimento da representação institucional se traduz em ações concretas. Ao acompanhar a agenda legislativa, dialogar com representantes dos Poderes e construir relacionamentos institucionais, o cooperativismo amplia sua capacidade de atuar de forma estratégica na defesa de seus interesses. Com isso, consegue apresentar propostas fundamentadas, contribuir tecnicamente para a formulação de políticas públicas e levar aos espaços de decisão a experiência de organizações que promovem inclusão produtiva, desenvolvimento regional, geração de renda e o fortalecimento das comunidades.
“Quando um dirigente entende como tramita um projeto de lei, quando um cooperado compreende o impacto de uma política pública sobre sua atividade ou quando uma cooperativa consegue apresentar propostas estruturadas para candidatos e gestores públicos, estamos fortalecendo a capacidade de incidência do movimento”, destaca o gerente.
Como participar
O Programa de Educação Política oferece diferentes ferramentas para as cooperativas aperfeiçoarem sua participação em processos decisórios importantes para as regiões onde estão inseridas. Em todo o país, 25 Organizações Estaduais (OCEs) já aderiram à plataforma. Segundo Queiroz, quanto maior o envolvimento das cooperativas, maior a capacidade do movimento de apresentar suas contribuições para o desenvolvimento do país e defender um ambiente institucional favorável ao seu crescimento.
“Cooperativas que investem em educação política fortalecem sua capacidade de relacionamento institucional, desenvolvem lideranças mais preparadas, ampliam sua influência nos debates públicos e conseguem antecipar tendências regulatórias e legislativas que podem impactar seus negócios. Além disso, tornam-se organizações mais conectadas com seus territórios e mais capazes de atuar como agentes de desenvolvimento local”, ressalta.
O programa é colocado em prática nos estados com oficinas, seminários, encontros de lideranças, cursos de formação, campanhas de conscientização e atividades voltadas para jovens, mulheres e dirigentes cooperativistas. São ações que destacam a importância da participação cidadã e da representação institucional dentro do coop e vem gerando uma mudança cultural ao longo dos anos.
“Percebemos um avanço significativo na capacidade das próprias cooperativas de organizarem suas pautas, construírem agendas regionais e participarem de discussões sobre desenvolvimento local, o que amplia a legitimidade e a influência institucional do movimento”, avalia o gerente.
Atuação estratégica
O Programa de Educação Política funciona com base em eixos estratégicos. No primeiro, Formação Política e Cidadã, o foco é promover a capacitação sobre democracia, funcionamento das instituições, processo eleitoral, Poder Legislativo, Poder Executivo e participação social. É a base que permite que o sistema cooperativista tenha multiplicadores do programa por todo o país.
No eixo Mobilização e Engajamento, o Sistema OCB busca transformar conhecimento em participação. O objetivo é incentivar cooperados, dirigentes e colaboradores a acompanharem os temas de interesse do cooperativismo e a se envolverem nos debates que impactam suas comunidades e seus negócios.
O terceiro eixo – Representação Institucional – inclui o cooperativismo no centro da agenda de decisões, por meio do documento Propostas para um Brasil Mais Cooperativo, entregue aos presidenciáveis e demais candidatos em nível federal, estadual e municipal. Por fim, o eixo Comunicação e Conscientização amplia o alcance dessas discussões por meio de campanhas, materiais educativos e plataformas digitais. É nesse contexto que iniciativas como a campanha “Na hora de votar, #PensenoCoop” ganham relevância, aproximando cooperativas e representantes públicos.
“É uma formação completa, que vai permitir à cooperativa entender como funciona todo o processo de participação política e como usá-la a seu favor. Em 2026, ano de eleições gerais, essa decisão é ainda mais importante no sentido de qualificar o relacionamento institucional das cooperativas com candidatos, parlamentares e gestores públicos”, destaca Eduardo Queiroz.
Educação política na prática
No Sistema OCB/ES, 100% dos parlamentares eleitos em âmbito estadual já firmaram um compromisso com o cooperativismo. A adesão é resultado de um trabalho consistente de representação institucional do coop capixaba.
O assessor de Relações Institucionais do Sistema OCB/ES, David Duarte Ribeiro, explica que, com a ajuda do Programa de Educação Política, os atores políticos compreenderam que o cooperativismo possui uma atuação apartidária, com foco em fortalecer as cooperativas e ampliar a contribuição delas para o desenvolvimento do estado.
Participante do programa desde 2023, a OCE já vem colhendo resultados significativos, como a aprovação de leis de reconhecimento e incentivo ao cooperativismo em 22 municípios capixabas. Os avanços refletem um esforço que também mobiliza quem atua na ponta. Cooperativas como a Coopram, de agricultura familiar, e a Coopersules, de transporte, passaram a dedicar painéis exclusivos ao Programa de Educação Política em seus eventos internos. “Nesses espaços, os multiplicadores apresentam a iniciativa, debatem a importância do envolvimento institucional e mostram como as decisões políticas impactam diretamente o dia a dia da cooperativa”, conta Ribeiro.
Para ampliar esse alcance, o Sistema OCB/ES aposta em duas frentes complementares. A primeira é a capacitação dos multiplicadores, por meio da trilha de aprendizagem Cooperativismo e Relações Governamentais, na plataforma CapacitaCoop, garantindo que eles tenham domínio dos temas abordados.
A segunda consiste em comunicar o tema de forma simples e próxima do público. “Encaminhamos materiais dinâmicos, como cartilhas digitais e pílulas de informação via WhatsApp, além de promovermos reuniões de comitês educativos. O foco é desmistificar a política, mostrando que a educação política não é sinônimo de partidarismo, mas sim um mecanismo para atuarmos em defesa do modelo de negócios cooperativo”, afirma o assessor.
Construção permanente
O Paraná foi o estado pioneiro na implementação do Programa de Educação Política do Sistema OCB, ainda na fase piloto, em 2018. Adaptada à realidade local, a iniciativa alcançou mais de 1 milhão de pessoas. Agora, a meta é ampliar esse alcance para 3 milhões, mobilizando as 255 cooperativas registradas na Ocepar.
De acordo com a coordenadora de Relações Institucionais da entidade, Danielly Andressa da Silva, esse avanço é resultado de um trabalho contínuo de formação de coordenadores locais – lideranças indicadas pelas cooperativas para atuar como pontos focais do programa em cada organização.
Os coordenadores participam regularmente de capacitações, recebem orientações técnicas e integram reuniões e fóruns promovidos pela Ocepar, garantindo alinhamento e uniformidade na condução das ações em todo o estado. “Cada vez mais lideranças compreendem que acompanhar o ambiente político-institucional não significa fazer política partidária, mas exercer uma representação institucional responsável, organizada e alinhada aos interesses do cooperativismo”, afirma.
O pioneirismo também tem impacto na representatividade do coop paranaense. Hoje, 26 deputados federais e senadores do estado integram a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) no Congresso Nacional. “Observamos recentemente uma evolução importante na qualidade do relacionamento institucional com os Poderes Executivo e Legislativo, permitindo que as contribuições do cooperativismo sejam apresentadas de forma técnica, propositiva e permanente”, destaca Danielly.
Para a coordenadora, esse trabalho ultrapassa os períodos eleitorais e busca consolidar uma cultura permanente de representação institucional. A proposta é preparar cooperativas e lideranças para acompanhar os processos de decisão e atuar de forma organizada na defesa de pautas estratégicas para o setor.
A consolidação do programa também passa por uma agenda estruturada de formação e mobilização. A Ocepar investe na capacitação contínua de lideranças, na produção de materiais de comunicação, em parcerias institucionais e em ações de sensibilização junto às cooperativas. Entre as iniciativas desenvolvidas estão o documento Propostas por um Paraná mais Cooperativo, que complementa o material elaborado pelo Sistema OCB com indicadores e prioridades para o estado, o MBA em Inteligência Política e Governos, realizado com o apoio do Sescoop/PR, além de imersões institucionais na Assembleia Legislativa do Paraná e diálogo permanente com representantes dos Executivo.
Segundo Danielly, a experiência tem mostrado que o maior desafio não é executar o programa, mas consolidar uma cultura de representação institucional capaz de ampliar, de forma legítima e contínua, a influência do cooperativismo nos espaços de decisão. “Nosso objetivo hoje é fortalecer uma atuação orientada por inteligência política, preparando lideranças para compreender o ambiente institucional, antecipar tendências e qualificar o diálogo com os tomadores de decisão”, conclui.
22/07/2026
SABER COOPERAR
Marketing de influência fortalece comunicação cooperativista
Quase metade da população brasileira já realizou uma compra por recomendação de influenciadores digitais, colocando o país na liderança do ranking global sobre o poder dos criadores de conteúdo nas decisões de consumo, segundo pesquisa da Statista e Hootsuite. O cooperativismo vem ocupando esse espaço de forma estratégica, utilizando o marketing de influência para ampliar o alcance de mensagens que engajam, informam e ajudam a promover escolhas conscientes.
Com o uso cada vez mais massivo das redes sociais, os influenciadores se destacam por criar conexões genuínas com seus seguidores, um ativo valioso para marcas e instituições que desejam conquistar o público digital. É aí que entra o marketing de influência, uma estratégia de comunicação que utiliza personalidades influentes para divulgar produtos ou serviços.
De acordo com a professora e pesquisadora do Instituto Federal de Brasília (IFB) Carla Simone Castro, embora o termo tenha ganhado notoriedade com as redes sociais, o conceito é antigo, porque as marcas sempre recorreram a figuras públicas, especialistas, artistas e lideranças sociais para transferir credibilidade em suas divulgações. “O que mudou foi a dinâmica da comunicação digital. Com o surgimento das plataformas sociais, especialmente Instagram, TikTok, YouTube e LinkedIn, surgiram novos formadores de opinião que passaram a construir comunidades próprias, estabelecendo relações mais próximas, frequentes e autênticas com seus seguidores”, explica.
Em tempos de super conectividade, o diferencial do marketing de influência é gerar confiança em um contexto onde os consumidores buscam referências, opiniões e experiências compartilhadas por outros usuários. “Enquanto a publicidade tradicional comunica a partir da instituição, o influenciador comunica a partir da experiência, da vivência e da relação de confiança construída com sua audiência. Isso gera uma percepção de autenticidade que muitas vezes amplia a eficácia da mensagem”, destaca a especialista.
O marketing de influência também permite uma segmentação altamente qualificada. Segundo Carla, é possível trabalhar com criadores de conteúdo especializados, alcançando públicos específicos com muito mais precisão do que em campanhas massificadas, o que gera melhores resultados. “Produtos, serviços ou políticas públicas que exigem explicação podem ser comunicados de forma mais acessível por especialistas e criadores de conteúdo que já possuem legitimidade perante seus públicos”, ressalta.
Marketing de influência no coop
Esse potencial de traduzir conceitos para o público de forma autêntica e confiável levou o cooperativismo a investir no marketing de influência como estratégia de comunicação. Este ano, os criadores de conteúdo ganharam espaço relevante na campanha SomosCoop 2026 para ajudar a espalhar a mensagem-tema: Escolha consciente, escolha o coop.
O time é formado pela apresentadora Ana Maria Braga, a educadora financeira Nath Finanças, a divulgadora científica Mari Kruger, o humorista Ed Gama e a influenciadora de investimentos Dani Colombo. A escolha dos nomes foi baseada na autenticidade, credibilidade e afinidade entre o perfil de cada um e a mensagem que o movimento coop deseja transmitir, segundo Samara Araujo, gerente de Comunicação e Marketing do Sistema OCB.
“Os influenciadores traduzem mensagens complexas para uma linguagem acessível, geram identificação e ajudam a inserir o cooperativismo em contextos nos quais ele normalmente não estaria presente. Isso amplia o reconhecimento da marca SomosCoop, desperta curiosidade e fortalece a conexão emocional com os consumidores”, destaca.
Ana Maria Braga, por exemplo, tem uma relação de confiança com o público construída ao longo de décadas com temas ligados à alimentação, qualidade e escolhas de consumo, além de exercer grande influência nas decisões de compra de milhões de brasileiros. Em uma das ações da campanha, ela levou o SomosCoop para a bancada do Mais Você.
Nath Finanças contribui para conectar a campanha ao conceito de consumo consciente e educação financeira, enquanto o Ed Gama utiliza o humor para aproximar o cooperativismo de novos públicos de forma leve e acessível. Mari Krüger e Dani Colombo reforçam a comunicação da campanha SomosCoop com uma linguagem simples e didática, ampliando o entendimento sobre o cooperativismo e incentivando escolhas mais conscientes.
Segundo Samara, quando existe coerência entre o influenciador e a mensagem, o conteúdo tende a gerar maior confiança e engajamento, o que tem sido comprovado pelos resultados. “Nos primeiros meses da campanha, já ultrapassamos 320 milhões de impactos, enquanto os conteúdos protagonizados por Ana Maria Braga, Nath Finanças, Ed Gama, Mari Kruger e Dani Colombo somaram mais de 20 milhões de visualizações nas redes sociais”, detalha a gerente.
A campanha SomosCoop 2026 representa uma evolução da estratégia de comunicação do cooperativismo brasileiro. A divulgação integrada reúne publicidade, assessoria de imprensa, produção de conteúdo institucional, marketing de influência, ações em pontos de venda, ações em grandes programas de entretenimento, presença digital e forte mobilização das cooperativas em todo o país. “Também disponibilizamos um amplo enxoval de comunicação, materiais de trade marketing, treinamentos e orientações para que o movimento fale de forma coordenada, fortaleça uma identidade única e potencialize os resultados”, explica Samara Araujo.
Conteúdos mais coop
Escolher um influenciador digital para comunicar o cooperativismo vai muito além do número de seguidores e envolve reputação, credibilidade e aderência aos objetivos estratégicos do movimento. Para garantir que a ferramenta seja eficaz, é preciso identificar criadores de conteúdos alinhados às mensagens e valores que serão apresentados.
De acordo com a pesquisadora Carla Simone Castro, do IFB, uma tendência crescente nesse mercado é a co-criação de conteúdo. Em vez de apenas divulgar uma mensagem pronta, as organizações passam a desenvolver soluções, experiências e narrativas conjuntamente com os influenciadores, aumentando a autenticidade da comunicação.
“É importante estabelecer objetivos claros, definir indicadores de desempenho, orientar corretamente sobre a campanha e garantir transparência na relação comercial. Além disso, é fundamental avaliar a afinidade genuína com o tema que será comunicado, pois a autenticidade faz toda a diferença para que a mensagem seja percebida como verdadeira”, pondera a especialista.
“O influenciador precisa atuar como um parceiro estratégico, capaz de compreender e traduzir os valores da cooperação, e não apenas como um veículo para divulgação de uma mensagem”, complementa Samara Araujo.
Para o futuro, a pesquisadora prevê um mercado de marketing de influência cada vez mais profissionalizado, orientado por dados e com maiores níveis de transparência. “O setor caminha para modelos que relacionam influência não apenas a métricas de vaidade, como curtidas e visualizações, mas a indicadores concretos de negócio, reputação, geração de valor e comportamento do consumidor”.
A experiência do Sistema OCB mostra que é necessário investir não somente em marketing de influência, mas também em branding, produção de conteúdo, campanhas publicitárias, inteligência de dados, experiências presenciais, entre outros. “Dentro dessa lógica de se assumir coop, podemos nos apoiar nas narrativas. As cooperativas possuem um patrimônio extremamente valioso: histórias reais, cooperados, comunidades transformadas e impactos concretos. Muitas vezes, esses ativos ainda são pouco explorados. Por isso, é fundamental desenvolver uma comunicação que conte essas histórias de forma simples, próxima e conectada com a realidade das pessoas”, finaliza a gerente.
10/07/2026
SABER COOPERAR
Cooperativa é protagonista de pesquisa com jaborandi na Amazônia
Na Floresta Nacional de Carajás, no Pará, a mata densa e úmida guarda tesouros escondidos. É neste cenário que um projeto científico realizado com a participação de um cooperativa trabalha para preservar uma planta fundamental para a medicina moderna: o jaborandi, ou Pilocarpus microphyllus. A espécie amazônica é a única fonte natural conhecida da pilocarpina, composto usado no tratamento de doenças como glaucoma e a Síndrome de Sjögren.
Os pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV) contam com um ativo especial para essa missão: a força do cooperativismo, representada pela Coex Carajás. A cooperativa reúne extrativistas da unidade de conservação desde 1990 e é reconhecida pelo manejo sustentável da floresta.
O jaborandi é uma planta classificada como vulnerável na Lista Vermelha da Flora Brasileira, ou seja, com alto risco de extinção na natureza em médio prazo. A preservação é urgente, em especial porque não há alternativa sintética à pilocarpina extraída da planta. Para resolver essa equação, os pesquisadores do ITV, com apoio da comunidade local e do envolvimento da Coex Carajás, criaram uma coleção inter situ, ou um “banco vivo de conservação” do jaborandi. Isso porque a planta não pode ser preservada por métodos tradicionais, como na forma de sementes.
“Existem bancos de sementes espalhados por vários locais no mundo. Se, por exemplo, algum dia ocorrer uma catástrofe mundial, você consegue recuperar as espécies usando esses acervos. Há várias espécies que a gente chama de sementes ortodoxas, que conseguem ser armazenadas por longos períodos. Mas outras perdem a viabilidade muito rápido, como o jaborandi”, explica o pesquisador Cecilio Caldeira Frois.
O estudo, comandado por ele e pela equipe do ITV, foi publicado na renomada revista científica PLOS One. Há várias formas de manter uma coleção de plantas e, no caso do jaborandi, a aposta foi pela forma inter situ, ou seja, no próprio local em que a espécie se desenvolve, a partir da recuperação das áreas degradadas.
“A grande vantagem da coleção inter situ é que, além de estudos, ela serve para uso. As plantas crescem como se estivessem em um ambiente natural”, explica o cientista. Antes do plantio, é feito um estudo genético das mudas em viveiro, um traçado das áreas e o desenvolvimento das técnicas para que elas brotem. Depois, vem a fase de manejo, em que os pesquisadores acompanham as espécies para avaliar a sobrevivência e o crescimento.
“Isso tudo é feito durante vários anos até que a coleção se estabeleça. Aquelas plantas que nós levamos começam a ter ‘novos filhos’ ali e conseguem ter autonomia da população”, resume. O trabalho da pesquisa começou em 2020, com a coleta das sementes que indicaram quatro populações geneticamente distintas do jaborandi - três delas apresentaram resultados expressivos, com mais de 500 plantas estabelecidas.
Protagonismo coop
Com experiência de muitos anos no manejo sustentável do jaborandi na região, a Coex Carajás tem papel fundamental na pesquisa. Os cooperados participaram de diversas etapas do estudo, desde o planejamento até o trabalho em campo, que é remunerado pelo instituto. “Boa parte das ações que a gente executa, a cooperativa participa. Por exemplo, para mapear as áreas de ocorrência do jaborandi na Floresta Nacional de Carajás. Quem vai a campo e coleta os dados são os cooperados. A gente faz o treinamento e os contrata”, explica Frois.
O resultado da cooperação beneficia os extrativistas, a ciência e toda a sociedade, uma vez que a preservação do jaborandi garante o tratamento de quem precisa do ativo. “Esse mapeamento vai retornar para os cooperados da Coex Carajás, porque essas novas áreas serão os locais onde eles poderão explorar folhas e sementes de jaborandi no futuro”, pondera o pesquisador. Além disso, a equipe do ITV pretende elaborar um guia sobre como implantar coleções de espécies excepcionais, como o jaborandi, auxiliando outras frentes de trabalho científico.
Cooperativismo e desenvolvimento na Amazônia
O superintendente do Sistema OCB/PA, Júnior Serra, destaca que as cooperativas paraenses, pela própria inserção no bioma amazônico, praticam a bioeconomia desde sua essência. “Elas estão auxiliando nesse modal da integração entre homem e natureza. Muitas cooperativas como a Coex Carajás precisam estar com o ecossistema equilibrado para produzir”, ressalta.
O pesquisador Cecílio Frois destaca que a presença de uma comunidade local dedicada ao manejo sustentável foi o ambiente perfeito para que o estudo se desenvolvesse da melhor forma possível. “A gente encontra na espécie uma demanda comercial, uma demanda de conservação e uma comunidade local que quer e precisa fazer a conservação e o manejo da espécie. Essa sinergia com a cooperativa. Para mim, que trabalho com pesquisa, ver isso sendo aplicado é extraordinário”, afirma.
Serra destaca que, com a participação das cooperativas em projetos de sustentabilidade ambiental, o ganho deixa de ser individual para se tornar coletivo. “O cooperativismo é uma importante ferramenta de desenvolvimento social e econômico, capaz de impulsionar a preservação ambiental, a permanência das pessoas no campo e promover o desenvolvimento tão necessário para essas comunidades”.
10/07/2026
Todos os ramos
Agropecuário
Consumo
Crédito
Infraestrutura
Saúde
Seguros
Trabalho, Produção de Bens e Serviços
Transporte
LGPD
10/04/2026
Shadow AI e proteção de dados pessoais: desafios para a governança cooperativista
A rápida disseminação da inteligência artificial no ambiente corporativo tem proporcionado ganhos relevantes de produtividade e eficiência, mas também evidenciou um novo e significativo risco para a conformidade com Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e as boas práticas Segurança da Informação: a chamada Shadow AI.
Esse fenômeno ocorre quando, por exemplo, colaboradores utilizam ferramentas de inteligência artificial (como chatbots públicos, geradores de texto ou soluções de análise de dados e código) sem aprovação formal, supervisão técnica ou governança institucional, muitas vezes motivados pela intenção legítima de otimizar tarefas do dia a dia.
No contexto das cooperativas esse uso não controlado representa um risco direto à conformidade legal e à segurança das informações. Some-se a isso o fato de que o modelo cooperativista é fundamentado na confiança mútua entre cooperados e gestão: um incidente de segurança não representa apenas um problema jurídico, mas pode abalar a própria essência do vínculo cooperativo.
Na prática, a Shadow AI se materializa quando dados pessoais e informações institucionais, como relatórios, contratos, dados cadastrais, informações financeiras ou registros de atendimento, são inseridas em ferramentas de IA não homologadas para obtenção de análises, resumos ou sugestões. O risco não está na tecnologia em si, mas no fato de que, ao realizar esse procedimento, as informações e dados pessoais ultrapassam o “perímetro de segurança” sem qualquer controle técnico, garantias de confidencialidade ou clareza quanto ao armazenamento, reutilização ou descarte dessas informações, que podem ser utilizadas para treinamento de modelos, ampliando significativamente os riscos de exposição.
Diferentemente dos ataques cibernéticos tradicionais, não há indícios claros de violação, como malware ou invasões e a exposição ocorre de forma silenciosa, decorrente de ações internas aparentemente inofensivas.
Sob a perspectiva da LGPD, a Shadow AI cria um conjunto relevante de vulnerabilidades. O uso não autorizado de dados pessoais viola princípios fundamentais desta legislação, como finalidade, necessidade, segurança, prevenção e responsabilização, além da ausência de rastreabilidade sobre onde e como as informações e dados pessoais foram processados, fragilizando a governança corporativa como um todo.
Para cooperativas, cuja cultura é baseada em colaboração e confiança, a abordagem mais eficaz envolve a adoção de políticas institucionais bem definidas com participação ativa do Encarregado pelo tratamento de dados pessoais (DPO) e das áreas de TI, sendo fundamental a orientação sobre o uso adequado de tecnologias de IA.
Nesse contexto, o maior risco já não reside apenas em agentes externos maliciosos, mas em práticas internas que podem comprometer a governança institucional. Antecipar esses riscos, estruturar uma governança para uso inteligência artificial e fortalecer a cultura de proteção de dados pessoais são medidas essenciais para preservar a confiança dos cooperados, a reputação institucional e os princípios fundamentais do cooperativismo.
LGPD
23/03/2026
Decretos regulamentam o ECA Digital
Em 18 de março de 2026, o Governo Federal publicou três decretos que regulamentam o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (Lei nº 15.211/2025), trazendo maior clareza sobre como as obrigações legais devem ser implementadas. De forma geral, a regulamentação não traz muitas orientações práticas (indicando que a Agência Nacional de Proteção de Dados – ANPD o fará oportunamente), mas define competências institucionais, estrutura a atuação estatal e indica caminhos para a adoção das medidas exigidas.
Os decretos tratam, essencialmente, de três frentes:
Detalhamento da aplicação do ECA Digital (Decreto nº 12.880/2026)
Estabelece diretrizes para sua execução, reforçando a necessidade de adoção de medidas como verificação de idade, controles parentais, gestão de riscos e proteção de dados de crianças e adolescentes. Ainda que não esgote todos os aspectos técnicos, o decreto orienta a implementação com base em uma abordagem de risco e no melhor interesse do menor, indicando que as soluções adotadas devem ser proporcionais ao nível de risco das atividades. Na prática, isso significa que as cooperativas passam a ter maior previsibilidade sobre como estruturar seus programas de adequação, ainda que persistam lacunas que dependerão de regulamentação complementar pela ANPD.
Reestruturação da ANPD e fortalecimento da fiscalização (Decreto nº 12.881/2026)
Promove alterações relevantes na estrutura da ANPD, responsável pela fiscalização do ECA Digital. Destaca-se a criação de superintendências especializadas, o que tende a ampliar a capacidade técnica e operacional da Autoridade, especialmente para lidar com temas relacionados à proteção de dados de crianças e adolescentes e à regulação de ambientes digitais. Com isso, a ANPD se consolida como protagonista na interpretação e aplicação prática do ECA Digital, inclusive com competência para editar normas complementares — que serão essenciais para esclarecer pontos ainda abertos, como critérios técnicos de verificação de idade e supervisão parental.
Centralização de denúncias e atuação repressiva (Decreto nº 12.882/2026)
O terceiro decreto institui o Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente, vinculado à Polícia Federal, com a função de centralizar denúncias de violações ocorridas no ambiente digital. A medida busca integrar e agilizar a resposta estatal, permitindo o encaminhamento mais eficiente de casos envolvendo exploração, violência ou outras violações de direitos de crianças e adolescentes em plataformas digitais.
A regulamentação representa um avanço importante para que as cooperativas que disponibilizam soluções de acesso provável para menores ou que comercializam produtos proibidos para esse público (ex.: bebidas alcoólicas) implementem os controles previstos na lei. Ainda assim, o cenário ainda é de regras e parâmetros desconhecidos e que demandarão regulação complementar pela ANPD. Para as cooperativas, tal realidade reforça a necessidade de adotar uma abordagem estruturada de adequação, baseada em avaliação de riscos, decisões justificadas e documentação das medidas implementadas (que, neste momento, talvez não sejam as ideais, mas as possíveis diante da ausência de regras mais claras).
LGPD
ECA Digital entra em vigor em março: confira as principais obrigações
A Lei nº 15.211/2025, conhecida como ECA Digital, estabelece uma série de medidas para a proteção de crianças e adolescentes em ambientes virtuais.
06/03/2026
LGPD
Decisão de adequação Brasil–União Europeia
Novo marco para a transferência internacional de dados pessoais
23/02/2026
LGPD
Alerta para coops: ANPD lança Painel de Fiscalização
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) disponibilizou publicamente seu novo Painel de Fiscalização, uma ferramenta interativa em Power BI que reúne dados consolidados sobre processos de monitoramento, fiscalização e procedimentos administrativos sancionadores. A iniciativa marca um avanço importante na transparência regulatória e permite que a sociedade identifique quais organizações (cooperativas, empresas ou órgãos públicos) estão respondendo a processos administrativos em razão de possíveis descumprimentos da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – LGPD.
Os dados atualmente disponíveis no painel mostram que já foram instaurados 81 (oitenta e um) processos administrativos pela ANPD, com objetivo de monitorar atividades relacionadas ao tratamento de dados pessoais, fiscalizar e aplicar penalidades. Os 3 temas mais comuns relacionados aos processos são:
Direitos das pessoas: não atendimento dos direitos previstos na LGPD (como acesso aos dados pessoais, informações sobre compartilhamento, eliminação e outros) ou atendimento inadequado.
Bases legais e conformidade documental: ausência de bases legais (previstas nos artigos 7º e 11 da LGPD) para justificar atividades envolvendo tratamento de dados pessoais, bem como ausência ou insuficiência de detalhamento no Registro das Operações de Tratamento de Dados Pessoais (documento obrigatório para a conformidade com a LGPD).
Falhas de segurança e incidentes: ausência de medidas básicas de prevenção a incidentes de segurança ou ausência de comunicado adequado para ANPD, nos casos em que obrigatório (ou seja, naqueles em que o incidente pode causar danos ou riscos relevantes para as pessoas).
O Portal demonstra que a ANPD está ampliando a visibilidade e o acompanhamento externo de suas ações de fiscalização. Isso reforça que cooperativas que ainda não concluíram sua adequação à LGPD devem fazê-lo com a máxima urgência. O ambiente regulatório está mais transparente e estruturado, o que deve aumentar as consequências negativas para quem não está em conformidade.
O que as cooperativas devem fazer agora?
Reforçar seus programas de governança em privacidade e proteção de dados.
O DPO deve ser formalmente designado, com atribuições claras e acesso à alta administração (a cooperativa deve garantir que o encarregado possa exercer adequadamente sua função, o que inclui: autonomia técnica; recursos mínimos (humanos, financeiros e tecnológicos); não acúmulo de funções que gerem conflito de interesses; capacidade de interagir diretamente com a ANPD quando necessário; participação nos processos decisórios que envolvam dados pessoais; capacidade de atualizar políticas internas, bases legais, registro das operações e mecanismos de resposta a titulares.
Estruturar evidências de conformidade, já que a ausência de documentação é uma das causas frequentes de abertura de processos.
Preparar equipes e lideranças para responder a fiscalizações, que tendem a se tornar mais frequentes.
Com a atuação da ANPD cada vez mais visível e estruturada, a falta de adequação completa à LGPD ou a manutenção de práticas superficiais de governança expõe as cooperativas a um risco regulatório significativo. A boa notícia é que o risco pode ser integralmente tratado a partir da adoção das ações acima exemplificadas e de outras que apresentamos aqui no LGPD no Cooperativismo.
24/11/2025
LGPD
STF redefine a responsabilidade das plataformas digitais
O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou recentemente o acórdão que confirma a decisão pela inconstitucionalidade parcial do artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014).
23/11/2025
LGPD
ECA Digital entra em vigor em março de 2026: o que as cooperativas precisam saber
No dia 17 de setembro de 2025, foi sancionada a Lei nº 15.211/2025, conhecida como ECA Digital, que moderniza a proteção de crianças e adolescentes em ambientes virtuais.
30/09/2025
LGPD
Videomonitoramento e proteção de dados
A presença de câmeras de segurança tem sido cada vez mais frequente em todos os lugares, inclusive nas cooperativas, que, evidentemente, se preocupam com a segurança de seus ambientes.
26/06/2025
Todos os ramos
Agropecuário
Consumo
Crédito
Infraestrutura
Saúde
Seguros
Trabalho, Produção de Bens e Serviços
Transporte
EVENTOS
13/08/2026
Educação cultiva pertencimento e futuro no cooperativismo
Conhecimento, confiança, participação e cultura ajudam a preservar a essência do movimento
Manter viva a essência do cooperativismo em organizações que crescem, recebem novas gerações e acompanham as transformações da sociedade exige intenção, aprendizado e participação. Na trilha Educação Cooperativista, da Semana de Competitividade 2026, especialistas e representantes do movimento mostraram como a educação fortalece o pertencimento, aproxima cooperados, forma novas lideranças e ajuda a transformar os valores cooperativistas em práticas capazes de atravessar gerações e preparar as cooperativas para o futuro.
A programação contou com José Máximo Daronco, diretor geral da Escoop; Hugo Andrade, coordenador de Ramos do Sistema OCB; Rogério Machado, superintendente da Fundação Sicredi; Fernanda Paiva, analista do Instituto Sicoob; Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB; Helena Soares, pesquisadora da TM20; Tania Savaget, CSO da Zaic; Cláudia Moreno, coordenadora Educacional do Sistema OCB; Itamar Vodzicki, gerente da Cresol Instituto; Thaís Cristina, coordenadora de Organização do Quadro Social na Rede Cooper; Ricardo Leite, palestrante da Resultte Educação Corporativa; e Ricardo Cappra, fundador do Cappra Institute.
Na abertura das apresentações, José Máximo destacou que a educação é fundamental para preservar a identidade cooperativista à medida que as organizações crescem. “Quanto maior a cooperativa, mais intencional precisa ser a construção de sua cultura”.
Entre os cases apresentados, Rogério Machado trouxe o Programa Crescer. Ele começou contextualizando o tamanho do Sicredi hoje, com mais de 10 milhões de associados, 99 cooperativas e 3 mil agências, para mostrar que quanto maior a cooperativa fica, maior a responsabilidade de manter os cooperados entendendo o modelo de negócio. A lógica apresentada foi direta: crescimento gera escala, escala aumenta complexidade, complexidade pode afastar o associado, e é a educação que reconecta e reengaja.
O programa Crescer, segundo ele, se estrutura numa trilha de 4 passos: sentir que pertence, conhecer o modelo, participar de fato e gerar valor coletivo, com conteúdo básico, avançado e complementar que cada cooperativa pode adaptar à sua realidade. O impacto da iniciativa é comprovado pelos números alcançados. Rogério relatou que associados formados pelo programa aumentam indicadores como ISA e principalidade em até 50% depois de 18 meses, com mais de 1 milhão de associados já formados.
"A educação cooperativista é fundamental para acompanhar o crescimento, aproximar os associados e fortalecer o sentimento de pertencimento. O crescimento constrói escala, a educação constrói pertencimento, e o pertencimento sustenta uma cooperativa”, concluiu.
Novas gerações
A formação de crianças e jovens para os valores e princípios do cooperativismo foi o foco da apresentação de Fernanda Paiva, que compartilhou a experiência do Programa Cooperativa Mirim. Ao destacar os desafios da educação diante das transformações da sociedade, ela defendeu novas formas de aprendizagem capazes de dialogar com as habilidades exigidas pelo futuro. “Temos uma escola do século XIX, um professor do século XX e um aluno do século XXI”, provocou.
O programa leva a vivência cooperativista a crianças e adolescentes de 8 a 17 anos em escolas e instituições sociais, com aprendizado prático sobre cooperação, participação e organização coletiva. Atualmente, são 170 cooperativas mirins e mais de 5,5 mil associados, distribuídos por 13 estados e presentes também em comunidades quilombolas, ribeirinhas e indígenas, além de uma Apae.
Os resultados refletem o alcance da iniciativa. Segundo Fernanda, 86% dos participantes afirmam ter aprendido como funciona uma cooperativa e 77% se sentem mais motivados a enfrentar desafios. A apresentação foi encerrada com uma reflexão de Paulo Freire sobre o papel da educação: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria construção.”
A relação entre educação e cultura foi discutida por Helena Soares e Tania Savaget. Elas apresentaram os resultados da Pesquisa Nacional de Cultura Cooperativista, que contou com 46 entrevistas em profundidade realizadas com representantes de 37 cooperativas de todas as unidades federativas do país, além de 9.761 respondentes na etapa quantitativa. O estudo identificou uma cultura marcada por confiança, lealdade e propósito, mas também desafios para ampliar sua presença. “O desafio agora é transformar essa força em participação, renovação e pertencimento”, destacou Helena.
Vivência
Ao debater o 5º princípio cooperativista, Itamar Vodzicki apresentou iniciativas educacionais da Cresol, enquanto Thaís Cristina mostrou a experiência dos Núcleos Cooper, voltados à participação e à formação de lideranças. “Numa cooperativa com milhares de cooperados, a participação não sobrevive por inércia, ela precisa de espaço, de escuta e de gente disposta a cultivá-la todos os dias”, afirmou Thaís.
Ricardo Leite abordou o papel do educador cooperativista e a importância de transformar conhecimento em vivência. “Ensinar o cooperativismo é essencial. O nosso desafio é fazer com que ele seja experimentado efetivamente cada vez mais”.
Ricardo Cappra encerrou a trilha com uma apresentação sobre os impactos do uso de dados e da inteligência artificial na cultura das organizações. Para ele, a adaptação tecnológica exige também mudanças de comportamento, ambiente e formas de decisão, sem perder de vista os valores que orientam as cooperativas. “Cultura não se implementa. Comportamento, ambiente e recursos precisam ser reconfigurados e os valores precisam orientar a transformação. Assim, a cultura se adapta”, defendeu.
Saiba Mais:
Pesquisa revela desafios e avanços da cultura cooperativista no Brasil
O cooperativismo que transforma e amplia desenvolvimento local
Memória e identidade ajudam a fortalecer as raízes do cooperativismo
EVENTOS
12/08/2026
Pesquisa revela desafios e avanços da cultura cooperativista no Brasil
Estudo apresentado por Fabíola Nader Motta ouviu 9.761 pessoas e mapeou a relação dos cooperados com o movimento
Como está a cultura cooperativista no Brasil hoje? Foi essa pergunta que a superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, levou ao palco da Semana de Competitividade 2026, nesta quarta-feira (12). Pela primeira vez, o movimento conta com um diagnóstico nacional sobre a maturidade dessa cultura, construído a partir da percepção de cooperados, empregados, dirigentes e conselheiros.
A pesquisa ouviu 9.761 pessoas em todo o país. Na etapa qualitativa, foram realizadas 46 entrevistas em profundidade, em 37 cooperativas de 26 Unidades da Federação e do Distrito Federal, ampliando a compreensão sobre as percepções, experiências e desafios vividos no dia a dia do cooperativismo.
O estudo chega em um momento de forte crescimento da base. O cooperativismo passou de 15,5 milhões de cooperados em 2019 para 29 milhões em 2025, uma média de 6,1 mil novos cooperados por dia no período. Para Fabíola, o número também traz uma responsabilidade: garantir que quem chega conheça o modelo e saiba qual é seu papel. “Esses 6 mil novos cooperados todos os dias sabem que são cooperados? Eles sabem seus deveres, responsabilidades, direitos, o seu papel?”, questionou.
Quem conhece, cria vínculo
Um dos principais achados da pesquisa foi a força da relação entre cooperados e cooperativas. Entre os entrevistados, 93% afirmaram sentir o dever de honrar os compromissos assumidos com a cooperativa; 89% pretendem manter uma relação de longo prazo e o mesmo percentual recomendaria sua cooperativa a amigos ou familiares. Outros 87% mantêm a fidelidade mesmo em períodos de crise.
Por outro lado, a participação ainda é um ponto de atenção. Participar ativamente das assembleias foi o item com menor índice entre os cooperados. A falta de tempo apareceu como principal barreira, citada por 36%, seguida pela falta de informação sobre como participar, com 22%. No conjunto, três em cada dez cooperados citaram alguma barreira relacionada à informação ou ao conhecimento, índice que chega a 43% entre os cooperados do ramo Crédito.
“Quem conhece, gosta. A barreira é a comunicação e o caminho é a educação cooperativista”, resumiu Fabíola.
Educação e integração são prioridades
Os resultados também mostram que educação, formação e informação foi o princípio mais citado pelos participantes como prioridade. Entre os cooperados, 58% escolheram esse princípio como prioritário, percentual que sobe para 71% entre os empregados e chega a 57% entre os dirigentes. Entre os jovens de 18 a 34 anos, a prioridade foi apontada por 62%.
A chegada de novos integrantes foi apontada como um ponto de alerta. Na consulta realizada com os participantes durante a Semana de Competitividade, apenas 18% das cooperativas disseram ter um programa estruturado e contínuo de integração de novos cooperados. Além disso, 17% afirmaram utilizar história e memória para fortalecer a identidade cooperativa. Para Fabíola, os dados mostram que o desafio não é apenas crescer, mas fazer com que cada novo cooperado compreenda o movimento do qual passou a fazer parte.
A preocupação com a cultura cooperativista, no entanto, não é recente. Em 2023, dirigentes de todo o país responderam à Pesquisa Nacional do Cooperativismo e 65% elegeram o reforço da cultura cooperativista como uma prioridade para o futuro do movimento.
O diagnóstico apresentado agora amplia essa agenda e ajuda a indicar caminhos para transformar a prioridade em ações mais concretas de educação, comunicação, participação e preparação de novas lideranças.
Saiba Mais:
Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro
Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro
Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI
EVENTOS
O cooperativismo que transforma e amplia desenvolvimento local
Painel da Semana de Competitividade mostrou exemplos de geração de renda, inclusão e qualidade de vida
O impacto de uma cooperativa vai muito além dos resultados do próprio negócio. Quando chega a uma comunidade, o modelo pode movimentar a economia, ampliar o acesso a serviços, gerar oportunidades e estimular iniciativas que permanecem no território. O painel O impacto do coop nas comunidades, realizado nesta terça-feira (11), durante a Semana de Competitividade 2026, reforçou essa realidade.
A discussão reuniu Clara Pedroso Maffia, gerente geral de Negócios do Sistema OCB; Alison Pablo de Oliveira, pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe); Ivan Capra, presidente do Sicoob Credisul; Claudia Maria Morais, diretora financeira da Central Centro-Oeste (CCO); e Marina Stoetzer Echeverria, coordenadora da Cooperativa Agrária.
Na abertura, Clara explicou que a proposta era mostrar como a cultura cooperativista se traduz em resultados concretos. “A ideia é falarmos um pouquinho sobre o impacto, porque essa cultura, essa forma de agir, relacionar e atuar junto com as pessoas, a partir de princípios e valores, certamente tem impacto nos municípios onde as cooperativas estão inseridas”, destacou.
O impacto que aparece nos dados
Alison apresentou os resultados de estudo desenvolvido pela Fipe em parceria com o Sistema OCB. A pesquisa mediu os efeitos da expansão do cooperativismo sobre as economias locais, ao comparar municípios que passaram a contar com novas cooperativas com aqueles sem registro dessa presença. Entre 1995 e 2025, o número de municípios atendidos por cooperativas cresceu 65%. “A expansão permitiu observar mudanças em indicadores como emprego e renda”, relatou.
A pesquisa também dimensionou a participação do cooperativismo na economia brasileira. Em 2021, os empreendimentos cooperativos estiveram associados a R$ 866 bilhões em produção de bens e serviços, R$ 164 bilhões em valor adicionado — equivalente a 6,9% do total produzido no país — e cerca de 10% dos empregos formais e informais. Segundo Alison, esse impacto está relacionado às características do próprio modelo, no qual os cooperados são donos do empreendimento, participam das decisões e compartilham os resultados gerados.
Crédito que movimenta as cidades
A experiência do Sicoob Credisul mostrou como os efeitos econômicos e sociais podem caminhar juntos. Ivan Capra apresentou exemplos de municípios onde a cooperativa participa da dinâmica econômica local e direciona parte de sua atuação para projetos definidos pela própria comunidade. “Em todas as localidades em que a comunidade nos abraça, criamos ou encampamos projetos que essa própria comunidade julga importantes e damos sequência. É um DNA, um jeito de fazer que tem dado muito certo e nos tem levado a lugares fantásticos”, pontuou. Entre os exemplos apresentados estão iniciativas nas áreas de educação, inovação, esporte, meio ambiente e saúde.
Em Vilhena (RO), a cooperativa apoiou a criação de uma estrutura educacional de 60 mil metros quadrados, com atendimento do maternal ao ensino superior. Também foi apresentado o Hospital Cooperar, construído a partir de uma mobilização entre cooperados e comunidade, posteriormente estruturado em parceria com a Unimed. “Tínhamos uma deficiência na área da saúde e resolvemos. Criamos uma associação dentro da cooperativa para construir o hospital com doações dos cooperados”, contou.
A unidade tem 12 mil metros quadrados, com área de expansão já preparada, e atende diferentes especialidades. A parceria com a Unimed permitiu a operação e o aporte de equipamentos. O dirigente também citou ações ambientais e esportivas, além da participação de jovens da região em um hackathon internacional promovido pela Nasa.
Protagonismo aos catadores
Na reciclagem, o impacto do cooperativismo aparece na organização do trabalho e na busca por melhores condições para quem vive da atividade. Claudia Marins apresentou a trajetória da Central Centro-Oeste (CCO), formada por cinco cooperativas e cerca de 279 cooperados. Criada há três anos, a iniciativa nasceu do desejo de fortalecer a atuação dos catadores e ampliar sua capacidade de negociação. “Formamos essa central para o catador se tornar protagonista de sua própria história. O catador tem que aparecer. Se ele não aparece, não tem importância para a reciclagem. Nós, catadores, sempre fomos mais esquecidos, mais excluídos. E hoje nós temos mais força graças ao cooperativismo”, relatou emocionada.
A atuação em rede também abriu espaço para novas iniciativas de capacitação e comercialização. Uma parceria com o Sescoop e a Universidade Católica de Brasília possibilitou a formação de cooperados e filhos de catadores em um curso superior de tecnologia em cooperativismo. Dos 25 participantes, 23 concluíram a formação. A central também começou a comercializar materiais de forma conjunta. Nos três meses anteriores ao painel, as cooperativas haviam vendido mais de 600 toneladas de materiais em conjunto.
O próximo passo, segundo Claudia, é ampliar a autonomia econômica das cooperativas, com participação em editais e contratos de grandes geradores e investimentos em equipamentos. A central já conta com caminhão, prensa e estrutura para ampliar a operação. “Juntos, somos mais fortes”, completou.
Uma história que começou há 75 anos
Na Cooperativa Agrária, apresentada por Marina, o compromisso com a comunidade está ligado à própria origem da organização. Fundada há 75 anos por imigrantes suábios do Danúbio, que chegaram ao Paraná após a Segunda Guerra Mundial, a cooperativa surgiu da necessidade de reconstruir a vida de centenas de famílias e garantir acesso à saúde, educação e preservação cultural.
Ao longo das décadas, esse esforço deu origem a uma estrutura que inclui hospital, escola, museu e outras iniciativas comunitárias. O hospital tornou-se referência regional e hoje realiza cerca de 70% dos atendimentos pelo SUS, com importância reforçada pela distância de aproximadamente 45 minutos até a cidade mais próxima. “Quando alguém que está com uma necessidade muito urgente, ter um hospital no local é muito importante. Salva vidas”, enfatizou Marina.
Na educação, a escola apoiada pela cooperativa atende estudantes dos dois anos de idade ao ensino médio e oferece ensino bilíngue em alemão. A atuação social inclui ainda o Programa Paz, que há mais de duas décadas mobiliza colaboradores em ações voluntárias. “Para a Agrária isso é tão importante que essa parte social hoje está dentro do planejamento estratégico da cooperativa”, finalizou.
Saiba Mais:
Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro
Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro
Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI
12/08/2026
EVENTOS
Como está a cultura na sua coop? Palestra provoca reflexão
Jessyca Bolzan e Thais Jerônimo discutiram como valores do movimento podem ser mensurados na prática
O que faz uma cooperativa ser reconhecida como cooperativa? A resposta pode estar em pontos que, à primeira vista, parecem pequenas: na forma como um novo cooperado é recebido, na maneira como a história da organização é contada, em como as assembleias são realizadas, na relação com a comunidade ou até nos símbolos espalhados pelos espaços da cooperativa. Foi por esse caminho que Jessyca Bolzan, coordenadora de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, e Thais Jerônimo, historiadora e palestrante, conduziram, nesta terça-feira (11), a apresentação Como está a cultura na sua coop?, durante a Semana de Competitividade 2026.
A conversa partiu de características que tornam o tema desafiador: cultura é viva, está em movimento e se manifesta nas relações e atitudes. Ainda assim, segundo Thais, é possível identificar sinais concretos dessa cultura. Uniformes, símbolos, formas de comunicação, rituais, comportamentos e práticas recorrentes são alguns dos elementos que ajudam a revelar como os valores e princípios cooperativistas são vivenciados. “Nosso desafio é tornar visíveis esses sinais para entender como os valores e princípios do movimento estão presentes na vida das cooperativas”, explicou.
A pesquisadora apresentou a proposta de um mapeamento de artefatos da cultura cooperativista, que ainda será desenvolvido. A ideia é começar pelo que pode ser observado para, posteriormente, ampliar a compreensão sobre outros aspectos da cultura. “O trabalho não pretende dizer quais cooperativas tem uma cultura melhor ou pior, mas identificar práticas, padrões e iniciativas que ajudam a manter a identidade cooperativista viva”, acrescentou.
Cotidiano
Experiências compartilhadas durante a palestra ajudaram a mostrar como esses sinais podem surgir de maneiras inesperadas. Thaís citou, como exemplo, a camiseta usada pelos participantes de Santa Catarina que trazem nas costas a frase Em Santa Catarina, cooperar é cultural. Para ela, a iniciativa revelou uma manifestação da cultura cooperativista.
Outro exemplo veio de uma experiência com cooperados do Sicredi Vale do Piquiri. Durante uma celebração dos dez anos dos comitês de mulheres e jovens, uma cooperada definiu sua relação com a organização de uma forma inusitada: disse que a cooperativa tinha um “cheiro” próprio. A frase, segundo a palestrante, traduziu uma percepção que dificilmente apareceria em um indicador tradicional, mas que faz parte da experiência de quem vive aquela cooperativa.
A partir dessas manifestações, a proposta apresentada por Jéssyca e Thais, considerou cinco dimensões para observar a presença cultura nas cooperativas: comunicação e expressão; legado e memória; educação e formação; liderança e participação; e relações e vivências. “Na prática, isso significa olhar para a maneira como a cooperativa declara sua identidade, preserva e transmite sua história, educa seus públicos, prepara novas lideranças e estabelece relações com cooperados, colaboradores e comunidade. São diferentes caminhos para entender se os valores do movimento estão presentes apenas no discurso ou também nas experiências cotidianas”, descreveu Jessyca.
De cooperado a cooperativista
A discussão também levou a uma reflexão sobre o próprio significado de ser cooperado. A associação formal é o ponto de partida, mas a experiência cooperativista envolve engajamento, conhecimento e pertencimento. Participar das assembleias, compreender os valores e princípios, acompanhar as decisões e escolher a própria cooperativa como espaço de negócios são atitudes que aproximam o cooperado do movimento. Por isso, uma das perguntas deixadas para o público foi direta: se uma pessoa se tornasse cooperada hoje, quanto tempo levaria para descobrir que faz parte de um movimento diferente das demais empresas?
A resposta, segundo Jéssyca, passa pela forma como as cooperativas recebem seus novos membros. “Não basta realizar uma atividade de integração; é preciso avaliar se ela consegue transmitir o que diferencia aquela organização e qual é o papel do cooperado dentro dela. É importante entender se as ações estão, de fato, contribuindo para fortalecer a cultura cooperativista. Precisamos olhar para a forma como contamos nossa história, como promovemos a educação cooperativista e como estimulamos a participação. A cultura se constrói no cotidiano e precisa ser intencionalmente cuidada”, complementou.
Outro ponto levantado foi o papel das lideranças. Para que a cultura se mantenha viva, é necessário que o comportamento de quem lidera esteja alinhado aos valores que a cooperativa pretende transmitir. A palestra terminou com um convite. “Antes de medir ou comparar, é preciso observar o que já acontece dentro de cada organização. Como as pessoas se relacionam, quais histórias são preservadas, que práticas se repetem e de que maneira a cooperativa é percebida por quem faz parte dela”, concluiu Thais.
Saiba Mais:
Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro
Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro
Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI
12/08/2026
EVENTOS
Sistema OCB lança livro Raízes e Fundamentos do Cooperativismo
Obra reforça a importância da preservação da memória e o fortalecimento da cultura cooperativista
O primeiro dia da Semana de Competitividade 2026, nesta terça-feira (11), foi marcado pelo lançamento do livro Raízes e Fundamentos do Cooperativismo – volume 1. Legado, da Trilogia Cultura Cooperativista, obra traça um histórico da evolução do movimento, explicando as origens do pensamento cooperativista e as experiências protocooperativistas, que culminaram com a constituição do modelo atual contemplando valores, princípios e práticas que compreendem mais de 360 anos e que permanecem atuais. O lançamento ocorreu durante a palestra As raízes do Coop e a memória institucional, conduzida por Carolina Kuk, fundadora da Raiz Projetos e Pesquisas de História, com participação de Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas e Eduardo Queiroz, gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB.
“O livro nasce de uma grande responsabilidade: transmitir a cultura cooperativista para as milhões de pessoas que fazem parte desse movimento. Ao revisitar nossa trajetória, buscamos compreender os valores e princípios que nos trouxeram até aqui e mantê-los vivos para as próximas gerações. Esta é a primeira obra de uma trilogia que conecta passado, presente e futuro e reforça que preservar nossa cultura é também preparar o que ainda vamos construir juntos”, afirmou Débora.
Ao revisitar acontecimentos, personagens e marcos históricos, a obra demonstra que a cultura cooperativista é resultado de uma construção coletiva, continuamente fortalecida pelas pessoas que fazem parte desse modelo de negócios.
Organizado em cinco capítulos, o livro percorre diferentes momentos da evolução do cooperativismo. O primeiro resgata as experiências de cooperação ao longo da história, passando pelas raízes filosóficas do movimento, pelas primeiras iniciativas cooperativas e pela experiência de Rochdale, na Inglaterra, reconhecida como marco do cooperativismo moderno. Também apresenta a expansão do modelo pelo mundo até sua chegada ao Brasil.
Na sequência, a publicação aborda o desenvolvimento do cooperativismo brasileiro, com destaque para a organização institucional do movimento, a atuação de lideranças que contribuíram para sua consolidação e a evolução da legislação voltada ao setor. O capítulo também apresenta o papel desempenhado pelo Sistema OCB na representação e no fortalecimento das cooperativas em todo o país.
Um dos principais eixos da obra é a cultura cooperativista. O livro mostra que ela vai além do conhecimento sobre os sete princípios ou da adoção de práticas de gestão. Trata-se de um conjunto de valores, símbolos, formas de relacionamento e comportamentos que orientam o dia a dia das cooperativas e fortalecem sua identidade.
Outro tema de destaque é a preservação da memória cooperativista. A publicação evidencia que cuidar da memória é, antes de tudo, um ato estratégico e dessa forma incentiva iniciativas que mantenham viva a trajetória das cooperativas.
O último capítulo apresenta as principais correntes de pensamento que influenciaram a formação do cooperativismo ao longo do tempo e relaciona esses fundamentos aos desafios contemporâneos enfrentados pelas cooperativas. A proposta é mostrar que compreender as origens do movimento é indispensável para que ele continue inovando sem perder sua essência.
Para o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, o lançamento representa mais um passo na valorização da memória institucional do cooperativismo brasileiro. “Ao reunir conhecimento histórico, reflexão conceitual e referências sobre cultura cooperativista em uma única publicação, o livro amplia o acesso a conteúdo fundamental para dirigentes, lideranças, colaboradores, pesquisadores e todos aqueles que desejam aprofundar seu entendimento sobre esse modelo de negócios”, afirma.
Saiba Mais:
Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro
Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro
Cooperativas de saúde reforçam papel na assistência aos brasileiros
11/08/2026
EVENTOS
Memória e identidade ajudam a fortalecer as raízes do cooperativismo
Palestras da Semana de Competitividade reuniram reflexões sobre patrimônio cultural e preservação
O que faz o cooperativismo ser reconhecido e permanecer relevante ao longo do tempo? Para além dos resultados econômicos, há uma trajetória construída por pessoas, comunidades, valores e experiências que ajudam a explicar a identidade do movimento. Essa foi a reflexão central da palestra As raízes do coop e a memória institucional, realizada nesta terça-feira (11), durante a Semana de Competitividade 2026.
A atividade reuniu Carolina Kuk, fundadora da Raiz Projetos e Pesquisas de História, Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas, e Eduardo Queiroz, gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB. O encontro também marcou o lançamento do livro Raízes e Fundamentos do Cooperativismo – volume 1. Legado, primeiro título da trilogia Cultura Cooperativista.
Carolina conduziu a discussão a partir da relação entre identidade e legado. Segundo ela, construções, monumentos, documentos e outros registros podem adquirir um significado que vai além de sua função original. Eles ajudam a materializar uma trajetória que foi construída ao longo de gerações, em diferentes comunidades e contextos. “A cooperação acompanha a humanidade há muito tempo. Antes mesmo de existirem as cooperativas como conhecemos hoje, diferentes sociedades já criavam formas de ajuda mútua, organização coletiva e defesa de interesses comuns. Conhecer essas experiências nos ajuda a compreender as raízes do cooperativismo e a dimensão dessa história”, afirmou.
Representação e identidade caminham juntas
A atuação institucional foi apresentada por Eduardo Queiroz. Ele lembrou que a cultura cooperativista esteve entre os temas mais recorrentes nas discussões realizadas pelas lideranças do setor durante o 15º Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), em 2024, e apresentou as principais iniciativas e ações desenvolvidas pelo Sistema OCB para preservar o legado do movimento, como o documentário Histórias de um mundo melhor, o livro fotográfico Retratos de um mundo melhor, e a sanção da Lei 15.433/2026, que reconheceu o cooperativismo como manifestação da cultura nacional.
“Vivemos um novo momento de consolidação, que nos convida a assumir o protagonismo diante de novos desafios e responsabilidades. Nosso negócio é, acima de tudo, feito de pessoas para pessoas, e essa essência precisa estar sempre conectada à nossa história e aos valores que não podem ser esquecidos. A junção da nossa identidade com o nosso legado nos dá bases consistentes para que as novas gerações assumam responsabilidades, renovem nosso propósito e deem continuidade a uma história construída por tantas pessoas”, afirmou.
Livro reúne fundamentos e trajetória
A discussão ganhou um novo capítulo com o lançamento da publicação Raízes e Fundamentos do Cooperativismo – volume 1. Legado, apresentado por Débora durante a programação. “Temos uma grande responsabilidade em transmitir a cultura cooperativista para milhões de pessoas que fazem parte desse movimento. O livro nasce justamente desse compromisso: revisitar nossa trajetória para compreender os valores e princípios que nos trouxeram até aqui e manter essa cultura viva para as próximas gerações. Raízes e Fundamentos do Cooperativismo é o primeiro de uma trilogia que também abordará educação cooperativista e sucessão, conectando passado, presente e futuro”, destacou.
A publicação recupera mais de 360 anos de experiências de cooperação e acompanha a evolução do pensamento cooperativista até a formação do modelo atual. O percurso passa pelas primeiras iniciativas cooperativas, pelas experiências que antecederam o movimento moderno, por Rochdale, na Inglaterra, e pela expansão da iniciativa até sua chegada ao Brasil. Em cinco capítulos, a obra também aborda a organização do cooperativismo brasileiro, a atuação de lideranças, a evolução da legislação e o papel do Sistema OCB na representação do setor.
Saiba Mais:
Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro
Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro
Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI
11/08/2026
EVENTOS
Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI
Professor refletiu sobre confiança, generosidade e solidariedade como caminhos para fortalecer o coletivo
A força do cooperativismo está na capacidade de transformar interesses individuais em construção coletiva e reconhecer no outro uma parte fundamental para o desenvolvimento de todos. Essa reflexão marcou a palestra do professor Clóvis de Barros Filho, nesta terça-feira (11), durante palestra de abertura da Semana de Competitividade 2026, promovida pelo Sistema OCB, em Brasília. Com o tema O que é ser cooperativista no século XXI, Clóvis apresentou uma reflexão sobre as relações humanas e os diferentes caminhos que levam à cooperação.
Para ele, compreender o cooperativismo passa, primeiro, pelo reconhecimento de que ninguém atua sozinho. “Na cooperação temos uma operação que envolve pelo menos mais uma pessoa. Quando falamos de convivência, precisamos compreender a fertilidade e a riqueza da cooperação e, com isso, a riqueza desse modelo de organização social, profissional e produtiva”, afirmou.
Um dos principais pontos abordados pelo professor foi o que classificou como uma “sociedade da desconfiança”, marcada pela tendência de enxergar o outro como alguém que precisa ser permanentemente vigiado, controlado ou fiscalizado. Segundo o professor, essa lógica favorece uma visão individualizada do sucesso, associada ao acúmulo de recursos e à busca por reconhecimento, embora a própria vida em sociedade seja sustentada por inúmeras relações de confiança e colaboração, que costumam receber menos atenção do que os episódios de ruptura.
Nesse contexto, ele ressaltou a importância das organizações coletivas como espaços capazes de ampliar a representação e a capacidade de atuação das pessoas. “Quem entende das organizações coletivas sabe da força do coletivo. Indivíduos isolados são mais fáceis de dominar do que coletividades organizadas”, acrescentou.
Talentos individuais, generosidade e solidariedade
Ao recorrer à filosofia clássica, Clóvis lembrou a concepção de Aristóteles de que o ser humano depende da convivência para realizar plenamente sua humanidade. Segundo ele, uma sociedade justa deve criar condições para que cada pessoa reconheça e desenvolva seus talentos e coloque suas melhores capacidades a serviço dos demais. Essa ideia, explicou, está na base da “cooperação virtuosa”, em que as características individuais fortalecem o coletivo. “É uma cooperação em que cada indivíduo, respeitando as características particulares de sua própria natureza, oferece aos demais aquilo que faz de melhor”, destacou.
Ao abordar diferentes formas de cooperação nas relações humanas, Clóvis diferenciou o amor, baseado no sentimento, da generosidade, que pode ser aprendida e estimulada. Para ele, essa característica torna a generosidade especialmente relevante nos ambientes coletivos, onde pode integrar a própria cultura organizacional. Nesse processo, destacou o papel das lideranças na valorização das pessoas e de suas contribuições. “Uma liderança generosa pode fazer uma enorme diferença”.
Outro conceito abordado durante a palestra foi o da solidariedade, apresentada como uma forma de cooperação baseada na existência de interesses e objetivos compartilhados. O professor detalhou, que nesse modelo, cada pessoa preserva seus próprios objetivos, mas compreende que alcançá-los também depende da participação e do sucesso dos demais. “É perceber que o sucesso do coletivo pode ser condição para o seu próprio sucesso individual”. Para ele, colaborar, incentivar e contribuir para o desenvolvimento do outro fortalece todo o grupo e amplia a capacidade de alcançar resultados comuns.
Programação segue até quinta
Promovida pelo Sistema OCB, a Semana de Competitividade 2026 segue até quinta-feira (13), no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília. A edição deste ano tem a cultura cooperativista como eixo central e reúne lideranças, especialistas e representantes do movimento para debater os desafios e as transformações do cooperativismo brasileiro.
Ainda nesta terça-feira, a programação conta com a palestra As raízes do coop e a memória institucional, com Carolina Kuk, Débora Ingrisano e Eduardo Queiroz, além do painel O impacto do coop nas comunidades, com representantes do Sistema OCB, Fipe, Sicoob Credisul, CCO e Agrária.
Saiba Mais:
Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro
Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro
Sistema OCB leva agenda cooperativista ao congresso do Agronegócio
11/08/2026
EVENTOS
Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro
Produção do Ano CulturaCoop reúne memórias de lideranças que ajudaram a construir o movimento no país
A história do cooperativismo brasileiro é feita principalmente de pessoas. Lideranças que dedicaram décadas ao movimento, ajudaram a estruturar cooperativas, participaram da criação de entidades e contribuíram para que a cooperação chegasse a diferentes regiões e setores do país. Para preservar essas trajetórias e aproximá-las das novas gerações, o Sistema OCB lançou, nesta terça-feira (11), durante a Semana de Competitividade 2026, o documentário Pioneiros do Cooperativismo Brasileiro.
A produção integra o Ano CulturaCoop, iniciativa que trabalha a cultura cooperativista a partir de três perspectivas: passado, presente e futuro. Dentro desse eixo, o projeto de memória audiovisual registra relatos e experiências de pessoas que ajudaram a construir o cooperativismo brasileiro ao longo das últimas décadas.
O documentário reúne momentos marcantes das entrevistas realizadas com os pioneiros, além de registros em ambientes ligados às suas trajetórias. A proposta é transformar essas histórias em um patrimônio de memória para o movimento e também em conteúdo que possa ser utilizado nas soluções do CulturaCoop, especialmente na frente dedicada ao legado.
“Pioneiros do Cooperativismo Brasileiro registra diferentes capítulos de uma trajetória coletiva. São histórias de liderança, organização e participação que ajudam a contar como o cooperativismo ganhou espaço no Brasil e chegou à dimensão que tem hoje”, destaca o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas.
Homenageados
Entre os homenageados estão quatro lideranças reconhecidas por sua contribuição ao cooperativismo em âmbito nacional e estadual: Roberto Rodrigues, pioneiro do cooperativismo nacional; Ronaldo Scucato, em Minas Gerais; Malaquias Oliveira, em Pernambuco; e Américo Utumi, em São Paulo. A trajetória de Utumi ganha um significado especial no documentário, que também se constitui como um registro em sua memória e preserva sua contribuição para a história do cooperativismo brasileiro.
O documentário também registra a trajetória de pioneiros que se destacaram em diferentes ramos do movimento: Jânio Stefanello (Infraestrutura), Nilson Luiz May (Saúde), Dorival Bartzike (Transporte), Hercílio Schmitt (Consumo), Margaret Garcia (Trabalho), Moacir Krambeck (Crédito), e José Aroldo Gallassini (Agropecuário).
As histórias mostram como o cooperativismo se desenvolveu em diferentes frentes. Roberto Rodrigues, por exemplo, teve atuação como líder do movimento, professor e ex-ministro da Agricultura, com forte presença nos debates sobre produção agrícola, agronegócio e políticas públicas. Já Américo Utumi teve participação importante na organização da representação cooperativista paulista e nacional e na articulação que antecedeu a promulgação da Lei Nacional do Cooperativismo, em 1971.
No âmbito dos ramos, as trajetórias também revelam diferentes formas de contribuição. Jânio Stefanello está ligado à expansão da energia elétrica e da conectividade no meio rural. Nilson Luiz May construiu sua carreira no cooperativismo médico. Moacir Krambeck dedicou mais de seis décadas ao ramo Crédito e à defesa da intercooperação. Já Gallassini está à frente de uma das principais referências do cooperativismo agroindustrial brasileiro.
Memória que olha para o futuro
O projeto parte de uma ideia simples: conhecer quem veio antes ajuda a entender o que o cooperativismo é hoje e a pensar os caminhos que ainda serão construídos. Por isso, o registro das memórias não se limita a uma homenagem. Ele também funciona como ferramenta de educação e formação para as próximas gerações.
Ao preservar relatos, documentos e experiências, o Ano CulturaCoop busca manter vivas referências que podem inspirar dirigentes, cooperados, profissionais e educadores. A iniciativa também apresenta, na prática, uma das propostas da solução LegadoCoop: cuidar da memória como parte da continuidade do movimento.
O lançamento durante a Semana de Competitividade dá ainda mais significado à homenagem. O maior evento anual do Sistema OCB reúne representantes do cooperativismo de todo o país e cria o ambiente para que essas histórias sejam compartilhadas com quem vive o presente e participa da construção do futuro do movimento.
Saiba Mais:
Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro
Sistema OCB leva agenda cooperativista ao congresso do Agronegócio
Cooperativas de saúde reforçam papel na assistência aos brasileiros
11/08/2026
