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14/08/2026

Sistema OCB e DLG aproximam agendas de inovação e tecnologia no agro

Primeiro encontro institucional discutiu biogás, biometano e tecnologias para ampliar produtividade   O Sistema OCB e a Sociedade Agrícola Alemã (DLG, na sigla em alemão) deram os primeiros passos para uma aproximação institucional voltada à inovação, à tecnologia e à sustentabilidade no setor agropecuário. Em reunião realizada no Sistema OCB, na terça-feira (11), as instituições apresentaram suas estruturas e frentes de atuação, e discutiram desafios que estão no centro da agenda do agro brasileiro, como a produção de biogás e biometano e o uso de novas tecnologias para aumentar a eficiência no campo.  Com mais de 30 mil membros, a DLG atua como uma plataforma internacional de inovação e conhecimento nos setores agrícola e alimentício. Fundada em 1885, a entidade organiza feiras e eventos, realiza testes de alimentos, máquinas e equipamentos agrícolas e produz conteúdos técnicos voltados à disseminação de conhecimento. A atuação também envolve ciência, pesquisa, educação, proteção ao consumidor e cooperação internacional.  “Essa primeira aproximação institucional foi importante para entendermos melhor as agendas da DLG e, ao mesmo tempo, apresentarmos a força e a diversidade do cooperativismo brasileiro. Temos desafios comuns quando falamos de tecnologia, produtividade e sustentabilidade, e a troca de experiências pode abrir caminhos para novas soluções”, afirmou João Penna, coordenador de Relações Internacionais do Sistema OCB.  Entre os temas debatidos esteve o desenvolvimento do setor de biogás e biometano no Brasil. A conversa permitiu compartilhar percepções sobre os principais desafios enfrentados atualmente e discutir tecnologias e aplicações que podem contribuir para melhorar a produção agrícola, ampliar a eficiência das propriedades e agregar valor aos resíduos gerados nas atividades agropecuárias.    Eventos  A aproximação também envolveu o calendário de grandes eventos promovidos pela DLG. Um dos pontos tratados foi a realização, em novembro de 2026, em Hannover, na Alemanha, das feiras EnergyDecentral e EuroTier. Os eventos reúnem empresas, especialistas e representantes do setor para apresentar soluções, tecnologias e tendências relacionadas à energia descentralizada, produção animal e sistemas de produção.  Outro destaque da conversa foi a Agritechnica 2027, uma das principais feiras internacionais de tecnologia agrícola. A próxima edição terá o Brasil entre os países em foco, o que amplia as possibilidades de participação e conexão entre o setor cooperativista brasileiro e o ambiente internacional de inovação.  Segundo Rodolfo Jordão, coordenador do ramo Agropecuário, a presença do Brasil em uma agenda desse porte pode contribuir para aproximar as cooperativas das soluções que estão sendo desenvolvidas em outros mercados. “A Agritechnica é uma referência global em tecnologia agrícola e o fato de o Brasil estar entre os países foco da próxima edição cria uma oportunidade importante para mostrar a capacidade do nosso agro e, especialmente, das cooperativas. Também é uma chance de aproximar produtores e cooperativas brasileiras de tecnologias que podem fazer diferença na produção”, destacou.  A DLG mantém atuação na Alemanha, na Europa e em outros mercados, conectando conhecimento científico, pesquisa e aplicações práticas. Para o Sistema OCB, a aproximação pode contribuir para ampliar o intercâmbio com organizações internacionais e acompanhar de perto soluções que respondam a desafios concretos do campo.      Saiba Mais:  Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro  Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro  Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI 
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14/08/2026

Brasil e Tailândia ampliam diálogo sobre agricultura e cooperativismo

2ª reunião do GTAC debateu intercâmbio de tecnologias, associativismo rural e novas parcerias  A aproximação entre Brasil e Tailândia na agricultura ganhou novos capítulos nesta semana, com a realização da 2ª reunião do Grupo de Trabalho Agrícola Conjunto (GTAC), em Brasília. O encontro, realizado entre 11 e 13 de agosto, reuniu representantes dos dois países para discutir áreas de cooperação, intercâmbio de conhecimentos e transferência de tecnologias, incluindo uma frente específica dedicada ao cooperativismo e ao associativismo rural.  A participação do Sistema OCB ocorreu dentro da agenda de cooperação agrícola construída entre os dois países. Na programação oficial do GTAC, o coordenador de Relações Internacionais do Sistema OCB, João Penna, participou da apresentação brasileira sobre cooperativismo, associativismo rural e agregação de valor, ao lado de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).  “O cooperativismo tem muito a contribuir para essa agenda de cooperação, especialmente quando falamos de organização dos produtores, agregação de valor e acesso a mercados. A troca de experiências com a Tailândia também nos permite conhecer outras soluções e identificar oportunidades de parceria que possam beneficiar os produtores dos dois países”, afirmou João Penna.  A agenda do GTAC está relacionada ao memorando de entendimento firmado entre o Brasil e a Tailândia para ampliar a cooperação no setor agrícola. O acordo contempla o intercâmbio de informações, técnicos e pesquisadores, além de treinamentos, cursos, seminários, projetos de assistência técnica e visitas de estudo.  Entre os temas previstos estão produção animal, aquática e vegetal; manejo e conservação do solo; gestão de recursos hídricos; desenvolvimento de cooperativas agrícolas e instituições de agricultores; biodiversidade; manejo integrado de pragas; e energia alternativa.    Troca de experiências  A programação da reunião combinou discussões institucionais e atividades práticas. Entre os temas apresentados pelo Brasil estiveram o Plano ABC+, a agenda de cooperativismo, associativismo rural e agregação de valor e a plataforma Agro Brasil + Sustentável. A delegação tailandesa também apresentou iniciativas relacionadas à conservação do solo, segurança alimentar, edição genética de culturas e produção de café.   Na quarta-feira (12), a delegação conheceu a Embrapa Cerrados, onde foram apresentados trabalhos sobre fertilidade e saúde do solo, e sistemas integrados de produção, como a integração lavoura-pecuária-floresta. Já na quinta-feira (13), a programação incluiu visitas a uma propriedade produtora de café, a uma vinícola e à Emater-DF.     Relações comerciais  A aproximação entre os dois países ocorre, ainda, em um contexto de relações comerciais relevantes no agronegócio. A Tailândia é um importante mercado para produtos brasileiros no Sudeste Asiático, com destaque para o complexo soja, além de produtos florestais, couro, carnes e outros itens agropecuários. O comércio também acontece no sentido inverso . O Brasil importa da Tailândia produtos como borracha natural, arroz, óleos e extratos vegetais, sementes e alimentos para animais.  Esse cenário amplia a importância da cooperação técnica entre os dois países. Além de facilitar o comércio, a troca de conhecimentos pode contribuir para o desenvolvimento de tecnologias, processos produtivos e modelos de organização capazes de responder aos desafios comuns do setor agrícola.    Próximos passos  Durante o encontro, os representantes discutiram as atividades que poderão fazer parte do Plano de Trabalho da cooperação. A proposta é manter uma agenda periódica de diálogo entre Brasil e Tailândia, aproximando órgãos públicos, instituições de pesquisa e organizações ligadas ao setor rural.     Saiba Mais:  Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro  Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro  Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI 
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14/08/2026

Semana de Competitividade é encerrada com chamado à ação

Após três dias de debates, Tania Zanella convoca participantes a levar aprendizados para a prática A Semana de Competitividade 2026 terminou nesta quinta-feira (13), em Brasília, com um chamado para que os debates realizados ao longo dos três dias se transformem em ações dentro das cooperativas. No encerramento, a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, afirmou que fortalecer a cultura cooperativista será decisivo para sustentar o crescimento do movimento nos próximos anos.  Com o tema Cultivando a Cultura Cooperativista, o evento reuniu cerca de 800 participantes de todo o país no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB). A programação combinou palestras, trilhas e laboratórios voltados à identidade cooperativista, governança, educação, comunicação, sucessão, diversidade e relacionamento com os cooperados.  Ao fazer um balanço da semana, Tania afirmou que a discussão sobre cultura ganhou urgência diante das transformações vividas pelo próprio cooperativismo. Segundo ela, o desafio não está apenas em ampliar números, negócios ou participação de mercado, mas em garantir que esse crescimento preserve aquilo que diferencia as cooperativas de outros modelos econômicos. “O nosso modelo é a nossa diferença, é o que nos faz únicos”, afirmou.  A presidente executiva destacou que tendências hoje valorizadas pela sociedade, como economia colaborativa, compartilhamento, propósito e preocupação com as pessoas, estão diretamente relacionadas aos fundamentos do cooperativismo. Para ela, uma das forças do modelo está justamente na capacidade de compartilhar resultados. Essa característica, segundo ela, ajuda a explicar a resiliência das cooperativas em períodos de crise e a presença do movimento em comunidades nas quais outros agentes econômicos muitas vezes não chegam.  O crescimento, porém, aumenta a responsabilidade. Tania recuperou um dos dados apresentados durante a Semana de Competitividade: nos últimos sete anos, em média, cerca de 6 mil pessoas ingressaram por dia nas cooperativas brasileiras. Atualmente, o movimento reúne 29 milhões de cooperados. “Você imaginar que, nos últimos sete anos, a cada dia 6 mil pessoas ingressaram nas nossas cooperativas é um desafio. A gente talvez nunca tenha parado para pensar nisso”, disse.  O avanço quantitativo, de acordo com a presidente executiva, precisa ser acompanhado por uma conexão maior entre o cooperado, a cooperativa e os princípios do movimento. O desafio é fazer com que quem utiliza os serviços de uma cooperativa compreenda por que aquele modelo é diferente e qual é o seu papel dentro dele. “É isso que precisamos cultivar. Precisamos fazer com que o olho brilhe, se encha de orgulho e a pessoa diga: eu estou no modelo que transforma a minha vida, que transforma realidades. Eu estou no cooperativismo”.    De dentro para fora  Essa construção, segundo Tania, precisa começar dentro das próprias organizações. A estratégia é fortalecer primeiro o orgulho de ser cooperativista entre dirigentes, colaboradores e cooperados para, depois, ampliar a percepção da sociedade sobre o modelo. “Primeiro temos que trabalhar internamente, desdobrar o orgulho de ser cooperativista, para depois conversar e abrir as mentes e os corações dos brasileiros para o movimento”, defendeu.  A reflexão dialogou com diferentes momentos da programação. Durante os três dias, especialistas discutiram desde liderança e participação até educação cooperativista, comunicação, memória institucional, sucessão e engajamento de novas gerações. No último dia, o antropólogo Michel Alcoforado abordou as transformações no mundo do trabalho e as diferenças de expectativas entre as gerações.  Tania ressaltou que essa convivência entre diferentes gerações deve ser encarada como uma oportunidade para as cooperativas. “Tenho uma equipe também muito jovem e isso, para mim, é uma experiência formidável. Eu aprendo todo santo dia. Acho que essa diversidade é o que tem de mais bonito”, argumentou. Ela relacionou, ainda, o fortalecimento da cultura à representação institucional do. “Quanto maior a presença econômica e social das cooperativas, maior também será a necessidade de explicar suas diferenças e defender o modelo perante a sociedade e o poder público”, complementou.    Chamamento  O encerramento também marcou a passagem da discussão para uma nova etapa prática. Tania chamou ao palco os agentes de cultura das Organizações Estaduais do Sistema OCB, que terão a missão de levar aos estados e às cooperativas os conceitos, ferramentas e ações discutidos durante a semana. “Esse futuro não termina aqui. Quando vocês pegarem as malas, voltarem para suas famílias e iniciarem amanhã as atividades nas cooperativas, é que começará efetivamente o trabalho”, reforçou. “Isso precisa ser feito por todos nós. O grande chamamento é construir em conjunto essa cultura que se espera da gente”.  Como parte dessa estratégia, a presidente executiva anunciou o lançamento da Comunidade CulturaCoop, uma rede destinada a conectar os agentes de cultura e demais participantes do movimento em todo o país. A rede seguirá uma experiência semelhante à comunidade criada anteriormente para profissionais de comunicação do Sistema OCB. A proposta é concentrar materiais, comunicados, experiências e boas práticas, além de manter a troca entre os participantes depois do encerramento do evento.  “Vocês vão entrar nessa rede, nessa comunidade que vai conectar todos nós. A ideia é chamar todos para essa grande revolução da cultura cooperativista nas nossas cooperativas”, afirmou Tania durante o anúncio. Segundo ela, a comunidade será um dos instrumentos para garantir que a Semana de Competitividade não seja uma iniciativa isolada, mas o início de um processo permanente de mobilização. Tenho certeza de que o sucesso desse movimento passa por vocês, padrinhos, madrinhas e agentes que agora vão replicar todo esse nosso plano de trabalho para as cooperativas. O trabalho começa agora”, finalizou.     Samba e cooperação  Para exemplificar uma vez mais a força da cooperação, representantes do grupo Batucada S/A, mostraram como o funcionamento de uma bateria de samba exige colaboração para garantir ritmo e sonoridade perfeitas. Eles conectaram os participantes em um time único que se integrou à banda e tocou instrumentos cedidos pelo grupo em um verdadeiro show de colaboração. A metáfora da bateria reforçou a missão proposta ao final do evento: atuar em conjunto, de forma coordenada e com um propósito comum para cultivar e fortalecer a cultura cooperativista em todo o Brasil.    Saiba Mais:  Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro  Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro  Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI 
Semana de Competitividade é encerrada com chamado à ação
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14/08/2026

Márcio Lopes de Freitas recebe livro sobre o futuro dos conselhos

Obra reúne reflexões sobre governança e traz capítulo dedicado às cooperativas  O presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, recebeu um exemplar do livro Board: Conselhos com visão de Futuro, entregue pela coautora Lilian Pascoal Clemente Barbosa de Carvalho durante a Semana de Competitividade 2026, realizada de 11 a 13 de agosto, em Brasília. A publicação, lançada no dia 8 de agosto, reúne contribuições de 40 autores sobre o papel dos conselhos diante dos desafios e das transformações das organizações.  Conselheira fiscal do Sescoop Rondônia e profissional da área de governança da Unimed Porto Velho, Lilian é autora do capítulo Conselho em cooperativas: como profissionalizar sem perder a essência. Administradora e advogada, especialista em governança e direito cooperativo, ela decidiu entregar a publicação ao presidente Márcio após identificar uma conexão direta entre o conteúdo que escreveu e as reflexões apresentadas pelo presidente na abertura do evento.  “Fiz questão de trazer o livro para o presidente Márcio porque a fala dele na abertura trouxe justamente a importância de resgatarmos a cultura do cooperativismo. Para que as cooperativas sejam competitivas no mercado, elas precisam se profissionalizar, mas, ao mesmo tempo, precisam preservar o cooperativismo em sua essência. Temos um propósito enquanto cooperativa”, afirmou Lílian.  A reflexão dialoga com o tema central da Semana de Competitividade deste ano, Cultivando a Cultura Cooperativista. Ao longo dos três dias de programação, o evento colocou em debate a importância de fortalecer a identidade, preservar a memória e preparar as cooperativas para os desafios futuros.    Essência preservada  No capítulo, Lilian analisa especialmente o papel dos conselhos de administração, formados por cooperados, na preservação da identidade das cooperativas diante do avanço da profissionalização da gestão. Para ela, estruturas de gestão cada vez mais qualificadas fortalecem a capacidade das cooperativas de competir e crescer, enquanto cabe à governança assegurar que os princípios, o propósito e os interesses dos cooperados continuem orientando as decisões estratégicas.  “O conselho de administração é fundamental para que a cultura do cooperativismo permaneça na cooperativa, mesmo com a profissionalização. Ele precisa estar muito bem capacitado para conseguir conduzir essa mudança e manter o cooperado como foco e com as mãos na estratégia”, explicou.  Essa visão já encontra aplicação na experiência profissional de Lilian. Na Unimed Porto Velho, a cooperativa avançou neste ano em um novo modelo de governança, aprovado pelos cooperados, que combina um conselho de administração formado por representantes eleitos do quadro social com uma gestão executiva profissionalizada. A executiva passou a contar com profissionais contratados e com experiência de mercado, enquanto os cooperados permanecem responsáveis pelo direcionamento estratégico por meio do conselho de administração.     Memória que conecta  Outro aspecto ressaltado por Lilian durante a entrega foi a importância da memória institucional, tema que também ganhou espaço na programação da Semana de Competitividade. Para ela, preservar a trajetória das cooperativas contribui para transmitir sua cultura às novas gerações e fortalecer o sentimento de pertencimento.  Na Unimed Porto Velho, esse desafio já faz parte da realidade da organização, que conta com cooperados de segunda geração, filhos de profissionais que participaram de sua trajetória. O próprio atual presidente da cooperativa, segundo Lilian, é filho de cooperado. “Resgatar a memória é uma forma de fazer com que eles sintam que a cooperativa é deles. Isso faz toda a diferença no relacionamento com a cooperativa e na entrega do trabalho que realizam”, destacou.  Para Lilian, a conexão entre memória, governança e profissionalização ajuda a traduzir um dos principais desafios abordados em seu capítulo: preparar as cooperativas para o futuro mantendo os elementos que diferenciam o modelo cooperativista e dão sentido à participação dos cooperados.    Saiba Mais:  Semana de Competitividade é encerrada com chamado à ação  Cooperativismo preserva legado e prepara as próximas gerações  Encontro de gerações abre caminhos para renovação 
Márcio Lopes de Freitas recebe livro sobre o futuro dos conselhos
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14/08/2026

Trilha de governança aponta caminhos para cooperativas mais perenes

Participação, formação de líderes e diversidade marcam debates da Semana de Competitividade  Princípios e valores dão identidade ao cooperativismo, mas é na forma como as pessoas participam das decisões, assumem responsabilidades e preparam novas lideranças que essa identidade se mantém viva ao longo do tempo. Na Semana de Competitividade 2026, os debates da trilha Governança Cooperativa mostraram como participação, formação e diversidade podem transformar a cultura do movimento em práticas de gestão e contribuir para a continuidade do modelo de negócios entre diferentes gerações. Na primeira palestra do dia, ao abordar como a liderança pode promover a cultura cooperativista, Silvio Giusti, da Giacoo, defendeu que estratégia e cultura precisam caminhar juntas. Para ele, cabe às lideranças transformar princípios e valores em comportamentos cotidianos e garantir que cooperados, colaboradores, conselheiros e dirigentes compreendam o propósito da organização. “A estratégia dá a direção e a cultura faz essa estratégia acontecer”, afirmou.   Giusti  chamou atenção para a necessidade de comunicar as ações realizadas pelas cooperativas, mas também as razões que estão por trás delas. “Precisamos dizer o porquê fazemos aquilo que fazemos. É aí que estão nosso diferencial e nosso legado”, acrescentou.    Fortalecimento  A discussão ganhou exemplos práticos no painel sobre fortalecimento da governança, mediado por Simone Montandon, coordenadora de Governança e Gestão do Sistema OCB. Ela relacionou o desafio da participação à dimensão atual do movimento, que reúne mais de 29 milhões de cooperados e registra um volume de ingressos superior a R$ 848 bilhões. “Cultura e governança têm uma relação muito próxima”, destacou.  Um dos cases foi apresentado por Ederson Madruga, presidente da Certaja, cooperativa de infraestrutura do Rio Grande do Sul que identificou um progressivo afastamento de seus mais de 30 mil cooperados. Em assembleias, a participação havia chegado a apenas 250 ou 300 pessoas. Para reverter esse cenário, ela reorganizou seu quadro social por meio da criação de núcleos regionais, o que ampliou os espaços de prestação de contas, formação, escuta e participação.   A iniciativa, segundo Ederson, levou o envolvimento nas atividades para perto de 4 mil pessoas, entre cooperados e familiares. “Os cooperados estavam nos enxergando como uma distribuidora comum. Nós não podíamos perder a nossa essência e a nossa identidade”, afirmou o dirigente. A experiência agora avança para uma nova etapa, com maior participação dos núcleos na governança, preparação de novas lideranças e iniciativas voltadas a mulheres e jovens.  O segundo case foi apresentado por Magno Braz, presidente da Coopersino e representante do Ramo Trabalho no Sistema OCB/MT, que mostrou os resultados do EduCoop, iniciativa voltada ao fortalecimento da governança, da gestão e da intercooperação entre as cooperativas educacionais de Mato Grosso. O programa surgiu a partir das dificuldades enfrentadas pelo segmento, especialmente após a pandemia, quando as cooperativas identificaram fragilidades na gestão e a necessidade de preparar melhor dirigentes e cooperados.   A iniciativa começou com diagnósticos individualizados e avançou para capacitações, planejamento e intercâmbio de experiências. Entre os resultados apresentados, 100% das cooperativas participantes passaram a contar com planejamento estratégico estruturado e documentação adequada, enquanto 90% realizaram projetos sociais e ampliaram seu portfólio de negócios.  Magno Braz chamou atenção principalmente para a necessidade de capacitar quem assume funções de liderança. No segmento educacional, ele explicou que profissionais com sólida formação pedagógica podem passar a ocupar cargos administrativos sem necessariamente terem sido preparados para gestão, planejamento ou tomada de decisões. “Se a governança não tem capacitação, você fica no escuro”, lembrou. Para ele, a formação também é fundamental para preparar novos dirigentes, fortalecer a participação dos cooperados e garantir a sucessão dentro das organizações.  Diversidade   A força da diversidade foi o próximo tema a entrar na discussão. Gisele Gomes, CEO da Parônima defendeu que iniciativas de inclusão não podem depender exclusivamente da disposição de um presidente ou dirigente, sob o risco de desaparecerem quando ocorre uma mudança de gestão. De acordo com ela, o desafio é institucionalizar a diversidade, incorporando o tema aos processos e à própria cultura das organizações. “Precisamos pensar nisso como uma ação em camadas: participação, visibilidade das trajetórias e mudança para quem chega e para quem permanece”, declarou.   Gisele também relacionou diversidade à estratégia das organizações e destacou a crescente participação feminina na economia. “A discussão sobre mulheres na liderança não deve partir de uma visão essencialista, como se características naturalmente femininas fossem responsáveis por melhores resultados, mas da contribuição proporcionada pela pluralidade de experiências e perspectivas nos espaços de decisão”, defendeu.  O debate sobre diversidade também contou com experiências práticas de dirigentes e representantes do cooperativismo. Tiago Schmidt, presidente do Conselho de Administração da Sicredi Pioneira (RS), apresentou os resultados de um trabalho voltado à ampliação da participação feminina. Na última renovação do Conselho, três dos quatro novos integrantes eleitos são mulheres. O resultado, segundo ele, gerou questionamentos sobre uma eventual adoção de cotas. “Não colocamos cota. O segredo foi dar o mesmo tempo para todo mundo, dar o mesmo espaço para as mulheres”, afirmou. Jaqueline Azevedo Gomes, vice-presidente do Sicoob Central Bahia, por sua vez, chamou atenção para a importância de envolver também os homens nas discussões sobre diversidade e inclusão. Ela observou que a presença masculina havia sido maior nas atividades realizadas pela manhã e diminuiu justamente quando a programação passou a tratar do tema. “Quando começamos a falar de diversidade e inclusão, os homens não participam”, mas a presença deles é fundamental para que possam atuar como multiplicadores dessa discussão”, argumentou.   Jaqueline também citou a experiência desenvolvida na Bahia com ações de formação de mulheres e jovens, voltadas à preparação de novas lideranças e à ampliação da participação desses públicos nos espaços de representação. Para ela, o cooperativismo precisa avançar para uma compreensão mais ampla da diversidade, que não fique restrita apenas à discussão entre homens e mulheres. “Ainda estamos na disputa do gênero. Precisamos discutir para além disso”, completou.   A discussão sobre a participação feminina ganhou novos exemplos em painel mediado por Divani Ferreira, analista de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, com a participação de Iandra Vilela, coordenadora do Grupo Caffeína Cocatrel, e Solange Pinzon, vice-presidente da Central Sicoob Unicoob.  Iandra apresentou a trajetória do Grupo Caffeína, criado na Cocatrel para fortalecer e valorizar a atuação das mulheres cafeicultoras. A iniciativa reúne mais de 2 mil mulheres e combina conhecimento compartilhado, apoio mútuo e qualificação da produção com a construção de espaços de protagonismo.  “O Caffeína é um movimento construído sobre conhecimento compartilhado, apoio mútuo e a busca incansável pelo melhor. Aqui aprendemos, crescemos e evoluímos juntas”, afirmou Iandra.  O movimento também associa o protagonismo feminino à geração de valor. Os cafés produzidos pelas participantes recebem cuidados no pós-colheita, rastreabilidade e controle de qualidade e já chegaram a mais de 20 países. “Somos mais de duas mil mulheres que produzem, cultivam e transformam. E esse número cresce a cada safra. Mulheres que disseram sim ao protagonismo”, destacou.  Na sequência, Solange mostrou como a participação pode avançar até os espaços formais de decisão. A experiência apresentada por ela partiu da criação de comitês femininos com o objetivo de ampliar a presença de mulheres em cargos de liderança cooperativista.   “Nosso objetivo com o Comitê Feminino é possibilitar a inclusão de mais mulheres em cargos de liderança cooperativista”, explicou Solange.  O trabalho envolve a conscientização das altas e médias lideranças, a mobilização das cooperadas, a estruturação dos comitês e a criação de um plano de capacitação. “A proposta é definir um plano de capacitação que possa transformar participação em protagonismo”, ressaltou.  Futuro sustentável  A relação entre governança, cultura, perenidade e sustentabilidade ganhou uma perspectiva de futuro nas apresentações de Ricardo Voltolini e Rosilene Rosado. Voltolini destacou que preservar a essência cooperativista exige capacidade de atualizar crenças e práticas diante das transformações da sociedade e do mercado. Para ele, a governança exerce papel decisivo nesse processo ao transformar propósito em políticas e rotinas, criar condições para inovação e preparar a sucessão de lideranças. O especialista defendeu uma atuação capaz de conciliar legado e identidade, eficiência no presente e preparação para o futuro, com sustentabilidade, diversidade e inovação incorporadas às decisões e à avaliação das lideranças.  Já Rosilene Rosado aprofundou essa conexão ao relacionar os critérios ESG ao sétimo princípio cooperativista, o Interesse pela Comunidade. Ela ressaltou que a atuação das cooperativas está diretamente ligada aos territórios onde estão inseridas e que a geração de valor alcança cooperados, comunidades, economia e meio ambiente. “Nesse contexto, sustentabilidade passa pela identificação de impactos, riscos e oportunidades, pelo envolvimento das partes interessadas e pela definição de indicadores e metas capazes de orientar a gestão”, declarou. A perspectiva, segundo ela, é assegurar que as cooperativas atendam às necessidades atuais e, ao mesmo tempo, preservem as condições para que as próximas gerações continuem gerando valor.  Saiba Mais:  Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiroClóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI
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14/08/2026

Labs estimulam soluções para fortalecer a cultura cooperativista

Experiências colaborativas abordaram juventude, educação, comunicação e preservação da memória  Transformar conhecimento em ação marcou as experiências vivenciadas nos labs da Semana de Competitividade 2026, realizados como parte da programação do evento nesta quarta-feira (12), em Brasília. Em quatro espaços de atividades práticas e colaborativas, os participantes foram convidados a desvendar desafios presentes no cotidiano das cooperativas e construir caminhos que possam ser aplicados em suas organizações.  Os laboratórios integraram as trilhas de Governança Cooperativa, Educação Cooperativista, Comunicação e Experiência, e Legado e Sucessão. Com metodologias participativas, as atividades colocaram os participantes no centro da busca por soluções para a disseminação efetiva da CulturaCoop com foco em juventude, aprendizagem, relacionamento com cooperados, preservação da história e do legado do movimento.     Engajamento de jovens                                Tai Barroso, palestrante da Awelle Na trilha Governança Cooperativa, Tai Barroso e Matheus Cardoso, da Awelle, conduziram o lab Como construir um plano de ação para engajamento de jovens. A atividade partiu de um desafio que mobiliza o cooperativismo: como atrair as novas gerações e, principalmente, criar condições para que elas permaneçam envolvidas ativamente com as cooperativas.  Os participantes conheceram dados sobre o perfil da juventude brasileira e discutiram como mudanças nas expectativas profissionais e pessoais interferem na forma como os jovens se relacionam com as organizações. Estabilidade financeira, qualidade de vida, oportunidades de participação e novas perspectivas de desenvolvimento estão entre os elementos que, segundo os monitores, precisam ser considerados.  O lab também chamou atenção para a necessidade de conhecer melhor os jovens que já estão dentro das cooperativas. “Engajar e manter os jovens ativos é um dos principais desafios. Para construir uma estratégia que realmente funcione, além de criar comitês, núcleos ou programas específicos, precisamos entender quem é esse jovem, o que ele busca e quais oportunidades de participação estamos oferecendo dentro da cooperativa”, explicaram Tai Barroso e Matheus Cardoso.    Novas experiências de aprendizagem  Kasuo Yassaka e Willians Pressi, da Yassaka, conduziram o lab Design de experiência de aprendizagem na trilha Educação Cooperativista. A proposta buscou provocar os participantes a repensarem o conteúdo ensinado e, principalmente, a forma como o conhecimento é construído.                                     Willians Pressi, sócio da Yassaka A atividade começou com uma reflexão sobre experiências educacionais que marcaram a trajetória dos próprios participantes e avançou para as diferenças entre o modelo tradicional de ensino e a abordagem andragógica, voltada à aprendizagem de adultos.  Nesse modelo, o educador assume o papel de facilitador, as experiências de cada pessoa passam a integrar o processo de aprendizagem e o erro deixa de ser encarado apenas como problema para também se transformar em oportunidade de desenvolvimento.  “Quando falamos em experiência de aprendizagem, o mais importante é como as pessoas vão participar desse processo. O conhecimento ganha força quando parte da experiência, promove troca e permite que o participante coloque aquilo em prática”, destacaram os monitores.  Durante o lab, a metodologia foi vivenciada com atividades para despertar a curiosidade, ouvir o grupo, conectar conteúdos à realidade dos participantes, promover interação, experimentar soluções e revisar os aprendizados.   Vanessa Regina Rocha, assessora de Pessoas e Cultura no Sicredi Integração Bahia, considerou que a experiência apresentou novas possibilidades para a educação dentro das cooperativas. “Colocamos a mão na massa realmente. O laboratório trouxe muitas experiências com relação a uma forma diferente de trabalhar a educação dentro da cooperativa, principalmente com o modelo andragógico. Consegui ter um novo olhar para trabalhar”, afirmou.    Estratégia para chegar aos cooperados                                  Bruno Peres, fundador da Arca.buzz Na trilha Comunicação e Experiência, Bruno Peres, da Arca.buzz, conduziu o lab Como criar um plano de comunicação eficiente com os cooperados. A atividade mostrou que uma estratégia de comunicação começa antes da escolha dos canais ou da produção de conteúdo. Os participantes foram convidados a analisar a realidade de suas cooperativas e estruturar um planejamento a partir de quatro pontos: definição do público-alvo, posicionamento, objetivos e metas, além da escolha dos canais e conteúdo.  O exercício também provocou reflexões sobre a promessa que cada cooperativa entrega aos seus públicos, seus diferenciais, as histórias que podem ser contadas e o tom de voz mais adequado para expressar sua identidade. “Uma comunicação eficiente começa quando a cooperativa entende com quem quer falar, o que deseja comunicar e qual resultado pretende alcançar. Quando público, posicionamento, mensagem e canais estão alinhados, a comunicação ganha propósito, fortalece a identidade da cooperativa e cria uma relação mais próxima com os cooperados”, destacou Bruno.  A proposta reforçou a comunicação como instrumento estratégico para ampliar a conexão com os cooperados e traduzir princípios e valores do cooperativismo em mensagens capazes de gerar identificação.    Memória como patrimônio           Maria Rosa, pesquisadora da Raiz Projetos e Pesquisas de HistóriaO lab Como fazer um projeto de memória institucional, da trilha Legado e Sucessão, foi conduzido por Carolina Kuk, Maria Rosa Crespo e Thaís Pelligrinelli, da Raiz Projetos. Por meio da dinâmica Construindo a memória Coop, os participantes responderam a 12 perguntas orientadoras para identificar os primeiros passos necessários à construção de um projeto para suas cooperativas.   Documentos, fotografias, objetos, registros institucionais e relatos de pessoas foram trabalhados como elementos capazes de contar a trajetória das organizações e preservar experiências importantes para as próximas gerações.  “Construir um projeto de memória exige mais que apenas guardar documentos ou fotografias. É identificar as histórias que ajudam a explicar quem somos, organizar esse patrimônio e criar condições para que ele continue acessível e faça sentido para as próximas gerações”, explicaram Carolina, Maria Rosa e Thaís.  O exercício mostrou que preservar a memória exige planejamento, organização e continuidade. Ao recuperar histórias de fundadores, cooperados, dirigentes e colaboradores, as cooperativas também fortalecem sua identidade e criam referências para os processos de renovação e sucessão.      Saiba Mais:  Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro  Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro  Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI 
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14/08/2026

Cooperativismo preserva legado e prepara as próximas gerações

Semana de Competitividade debate sucessão e estratégias para fortalecer a continuidade do modelo  A programação da Semana da Competitividade 2026, realizada de 11 a 13 de agosto, também abriu espaço para discussões mais profundas sobre o que sustenta as cooperativas ao longo do tempo. Na sala temática da trilha Legado e Sucessão, lideranças e especialistas compartilharam experiências sobre cultura e preparação de novas gerações, demonstrando que a perenidade do cooperativismo depende tanto de preservar sua identidade quanto de preparar o futuro.                 Dafna Blaschkauer, escritora e palestrante A escritora e palestrante Dafna Blaschkauer abordou a relação entre cultura, liderança, desempenho e continuidade das organizações. Com 25 anos de experiência em posições de liderança e passagens por empresas como Nike e Apple, ela destacou que estratégias podem ser copiadas, mas a cultura é construída a partir das escolhas e comportamentos que se repetem no cotidiano.  Para Dafna, a cultura funciona como um “código-fonte invisível”, presente na maneira como as organizações lidam com erros, crises, decisões e relações. Por isso, a sucessão não deve ser tratada apenas como a escolha de quem ocupará uma posição de liderança, mas como um processo de preparação para garantir que aquilo que dá identidade à organização permaneça vivo. “A sucessão é um dos maiores testes da cultura. A liderança pode e deve mudar, mas o DNA da organização precisa continuar”, argumentou.     Memória que se transforma em futuro  A preservação da história cooperativista foi o tema do painel que contou com a participação de Heloisa Lopes, presidente da Casa Cooperativa, e Alberto Oppata, presidente da Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta).   Heloisa apresentou o trabalho da Casa Cooperativa na preservação do Sítio Histórico do Cooperativismo de Linha Imperial, em Nova Petrópolis (RS), onde nasceu, em 1902, o cooperativismo de crédito no Brasil e na América Latina. O espaço, que completa 15 anos, é o único local brasileiro entre os 31 reconhecidos como Patrimônio Cultural Mundial Cooperativo pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI).  A iniciativa transforma esse legado em experiências educativas para cooperativas, estudantes e visitantes e inspira o Legado Coop, evento previsto para maio de 2027, com expectativa de reunir mais de 1,5 mil participantes. “Legado não é o que deixamos parado no passado. É o que continua em movimento nas mãos de quem vem depois”, defendeu.  A trajetória da Camta, apresentada pelo presidente Alberto Oppata, mostrou como passado e futuro podem se conectar na prática. Criada a partir da imigração japonesa em Tomé-Açu (PA), a cooperativa enfrentou diferentes ciclos econômicos e encontrou na crise provocada pela fusariose da pimenta-do-reino o impulso para desenvolver o Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu (Safta). Para Oppata, preservar o legado significa aprender com a história e, ao mesmo tempo, abrir espaço para novas ideias, tecnologias e gerações. A agrofloresta, segundo ele, traduz essa visão. “Assim como ela não depende de uma única espécie, a cooperativa não pode depender de uma única geração”, afirmou.    Preparar quem vem depois  A formação de novas lideranças foi o foco da apresentação Como planejar a sucessão nas cooperativas?, conduzida por Larissa Zambiasi, da CooperConcórdia. Produtora de leite, sucessora familiar e cooperativista, Larissa partiu da própria experiência para discutir um desafio presente em muitas organizações: garantir a renovação do quadro social e dos espaços de liderança.  Um dos dados apresentados reforçou a importância do tema: apenas 13% dos cooperados possuem menos de 30 anos, segundo o AnuárioCoop 2025. Para Larissa, o cenário mostra que a sucessão precisa fazer parte da estratégia de desenvolvimento da cooperativa, em vez de ser tratada como um momento isolado.  Nesse processo, ela contrapôs dois caminhos: de um lado, cooperativas que acompanham o envelhecimento do quadro social e esperam que os jovens estejam “prontos” para assumir responsabilidades; de outro, organizações que criam oportunidades de desenvolvimento, pertencimento e participação e, assim, formam lideranças ao longo do tempo.  Essa jornada, segundo Larissa, pode começar ainda na infância e avançar por diferentes etapas: filho ou neto de cooperado, associado, integrante de comitês de jovens, líder de núcleo, delegado, conselheiro e, posteriormente, presidente ou vice-presidente. “A ideia é que a cooperativa acompanhe o cooperado em diferentes fases da vida e ofereça espaços reais de participação”, completou.    Sucessão na prática  A discussão ganhou uma dimensão prática com a participação de Bruno Rangel, diretor da Coplana, e Tiago Schmidt, presidente do Conselho de Administração da Sicredi Pioneira. Bruno contou que a Coplana estruturou seu processo de sucessão a partir da necessidade de fortalecer a governança e renovar suas lideranças. A cooperativa passou a investir na formação de produtores e na aproximação de jovens das famílias cooperadas com interesse pela atividade e pelo cooperativismo.  O próprio Bruno participou desse processo desde 2012, quando ainda cursava Engenharia Agronômica, até chegar à presidência em 2020. Para ele, a sucessão exige preparação contínua e oportunidades para que os jovens conheçam a organização, seus valores e responsabilidades. “Quando damos confiança e mostramos que ele é importante para a cooperativa e para a sociedade, começamos a formar uma liderança baseada em princípios”, afirmou.  Tiago Schmidt ampliou essa perspectiva ao defender que a sucessão deve alcançar diferentes instâncias da governança. “Não é só o presidente que precisa ser sucedido em uma cooperativa. Temos que pensar na sucessão do conselho e nas diferentes estruturas de liderança e representação. Na cooperativa, parte desse trabalho ocorre por meio dos coordenadores de núcleo, associados que aproximam a base da gestão e participam de processos de formação, projetos e discussões estratégicas”, destacou.  A partir de 2018, a Sicredi Pioneira também passou a considerar características comportamentais e o envolvimento com a comunidade na identificação desses representantes. Segundo Tiago, a mudança contribuiu para ampliar a presença de jovens, mulheres, diferentes gerações e segmentos econômicos entre os coordenadores. A participação contínua na vida da cooperativa também ajuda a preparar potenciais conselheiros e novas lideranças. “Uma das coisas em que mais acredito como papel do presidente de uma cooperativa é identificar e formar novas lideranças estratégicas”, concluiu.    Sucessão familiar  A discussão avançou para a dimensão familiar e produtiva com Gabriela Olinda de Paiva, produtora rural da Coopexvale, Cooperativa de Produtores e Exportadores do Vale do São Francisco. Na palestra Sucessão com Propósito: cultivando lideranças para as próximas gerações, ela destacou que a continuidade das propriedades rurais exige preparar os jovens tanto para a gestão dos negócios quanto para uma participação efetiva no cooperativismo. A Coopexvale reúne 20 empresas familiares ligadas à produção e comercialização de uvas no Vale do São Francisco.  Gabriela apresentou um estudo sobre sucessão familiar em empresas produtoras de uva de Petrolina (PE), que apontou as diferenças de opinião entre gerações e as dificuldades na tomada de decisão entre os principais obstáculos do processo. Para ela, reconhecer esses desafios permite antecipar conflitos e incorporar a sucessão ao planejamento das famílias. “Não esperar a necessidade aparecer para buscar um sucessor, mas formar hoje as pessoas que poderão dar continuidade ao cooperativismo amanhã”, resumiu.  Com esse propósito, a Coopexvale estruturou ações para ampliar a participação das novas gerações, profissionalizar a gestão, formar lideranças e promover maior integração entre as famílias. Entre as iniciativas estão a inclusão de jovens na diretoria, a criação do Comitê de Organização do Quadro Social (OQS) e o Legado Coop, voltado aos filhos dos associados e potenciais sucessores. As ações já envolveram mais de 70 cooperados e familiares e contribuíram para a chegada de cinco jovens aos Conselhos Administrativo e Fiscal da cooperativa.    Perenidade  A sucessão ganhou uma perspectiva ainda mais ampla na palestra de Marcus Nakagawa, professor e especialista em sustentabilidade. Ele relacionou a continuidade das cooperativas à capacidade de incorporar governança e visão de longo prazo à gestão. Para Marcus, pensar em sustentabilidade significa também discutir perenidade, preparar quem conduzirá a organização no futuro e definir o legado que será transmitido às próximas gerações.  Nesse processo, aspectos ambientais, sociais e de governança precisam estar integrados às decisões e aos processos da cooperativa. Marcus associou essa visão aos próprios princípios cooperativistas, como gestão democrática, participação econômica, educação, formação e interesse pela comunidade. “O ESG não é um departamento e também não pode ser tratado como uma moda. Ele é transversal, faz parte da gestão e da gestão de riscos”, salientou.  Segundo ele, essa abordagem permite conectar os resultados do presente à capacidade de enfrentar transformações, reduzir riscos e assegurar a continuidade da organização. “Não basta pensar apenas nos resultados de hoje. É preciso ter governança, controles e políticas, mas também promover conversas maduras sobre quem vai conduzir a organização no futuro e qual legado queremos deixar”, concluiu.   Saiba Mais:  Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro  Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro  Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI 
Cooperativismo preserva legado e prepara as próximas gerações
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13/08/2026

Comunicação que aproxima: confiança e pertencimento fortalecem coops

Escuta, reputação, experiência e identidade ampliam vínculos com cooperados e sociedade  Em um mundo de atenção disputada, relações cada vez mais digitais e públicos que esperam ser ouvidos, a comunicação ganha uma missão decisiva para as cooperativas: transformar valores em experiências capazes de gerar confiança, participação e pertencimento. Foi esse o fio condutor da trilha Comunicação e Experiência, da Semana de Competitividade 2026. Ao longo da programação, especialistas e representantes de cooperativas mostraram que fortalecer vínculos exige conhecer profundamente as pessoas, antecipar expectativas, abrir espaços reais de participação e fazer com que a identidade cooperativista seja percebida em cada ponto de contato.  Da gestão da reputação à fidelização, passando pela experiência do cooperado, construção de marca e novas formas de influência, as discussões convergiram para uma mesma direção: comunicação e relacionamento precisam ocupar espaço estratégico nas decisões. Para além de transmitir mensagens, o desafio é construir relações que façam sentido para as pessoas e contribuam para a sustentabilidade dos negócios. Patrícia Marins, da Oficina Consultoria   Antes da mensagem  A importância de colocar a comunicação no centro da estratégia foi destacada por Patrícia Marins, jornalista e fundadora da Oficina Consultoria. Especialista em gestão de reputação, ela defendeu que a área participe das decisões, antecipe riscos e contribua para a construção da confiança. “Não existe nada mais importante para uma marca do que a sua reputação. Todo o resto vem depois”, afirmou. Para ela, a comunicação precisa superar uma atuação reativa, acionada somente quando uma decisão já foi tomada ou quando surge uma crise. “Comunicação não pode ser bombeiro”, resumiu.  A mudança exige escuta, diagnóstico e planejamento. Entre as perguntas propostas pela especialista para antecipar vulnerabilidades estão: quem pode se sentir ignorado por determinada comunicação, qual promessa da organização pode ser questionada e quais sinais podem indicar perda de confiança. “Quanto mais você entender a vulnerabilidade, quanto mais entender a necessidade e aprofundar o diagnóstico, mais vai conseguir desenhar um planejamento e sair da roupa de bombeiro. A gente tem que ter a roupa do planejador”, descreveu.  Essa atuação também passa por compreender a diversidade do cooperativismo. Produtores rurais, profissionais de saúde, trabalhadores, transportadores e cooperados de instituições financeiras, entre tantos outros públicos, têm necessidades e expectativas diferentes. Para Patrícia, comunicar a força da identidade coletiva depende de reconhecer essas particularidades e entender que um novo canal ou formato, sozinho, dificilmente resolverá um problema de relacionamento. “Não é canal que vai mudar a realidade. É muito mais o lugar na tomada de decisão”, ressaltou.    Identidade que conecta  Se reputação começa nas decisões, a identidade cooperativista pode se transformar em um importante ativo de comunicação e de negócio. Essa perspectiva foi apontada no painel SomosCoop – o movimento que conecta e transforma, que reuniu experiências relatadas por Gualter Lisboa Ramalho, diretor de Mercado e Marketing da Unimed do Brasil, e Júlio César Pollária, gestor de Marca e Comunicação da Aurora Coop.  Na Unimed, o desafio está em conectar cooperativas independentes em torno de crenças, valores e propósitos compartilhados. O cuidado com a vida ocupa posição central nessa identidade, associado à governança, sustentabilidade e compromisso com as comunidades. A presença territorial também reforça a conexão. “A gente pertence à comunidade, a gente se relaciona com a comunidade”, destacou Gualter.  Na Aurora Coop, esse movimento passou pela profissionalização da comunicação e pelo investimento em branding. Para Júlio, comunicar o cooperativismo também significa gerar valor para o negócio. “É importante olhar a comunicação como um ativo do negócio”, afirmou.  A cooperativa passou a trabalhar o próprio modelo como diferencial competitivo e a levar essa identidade às campanhas, embalagens e demais pontos de contato com o consumidor. Nesse processo, o SomosCoop tornou-se um elo entre a marca própria e a identidade coletiva do movimento. “Existe um movimento de fortalecimento do conjunto. Acho que isso é o que legitima o cooperativismo e o torna muito bonito”, disse.  As experiências reforçaram que uma identidade comum não exige renunciar às características de cada organização. Ao contrário: é justamente a combinação entre essência própria e valores compartilhados que permite transformar o cooperativismo em elemento de diferenciação e conexão com a sociedade.    Do benefício ao vínculo  A identidade, porém, precisa ser vivenciada pelo cooperado. Esse foi um dos principais pontos apresentados por Thais Jerônimo, na palestra Fidelização de cooperados e centralidade. Segundo ela, condições comerciais, crédito, distribuição de resultados e vantagens em produtos e serviços continuam relevantes, mas não são suficientes para construir uma relação duradoura. “Quando a relação é baseada exclusivamente em entregas comerciais, ela pode ser substituída a qualquer momento. Para fidelizar, precisamos trabalhar lealdade, confiança, convicção e compromisso”, relatou.   Thais propôs uma evolução na própria ideia de centralidade. Em vez de uma relação unilateral, na qual todas as entregas são direcionadas à satisfação do cooperado, a cooperativa deve buscar uma relação de reciprocidade. O cooperado precisa perceber o valor que recebe, mas também compreender seu papel como parte do empreendimento.   Nesse caminho, educação cooperativista, formação e participação assumem importância especial. Assembleias, núcleos, comitês e outros espaços de escuta precisam proporcionar voz efetiva, enquanto programas de desenvolvimento ajudam o cooperado a compreender seu papel e sua capacidade de contribuir. “Cooperativismo nasce da relação, e não da transação. Se for só uma relação comercial, ela é facilmente substituível”, destacou. O objetivo, segundo Thais, é avançar de uma lógica de “negócio com a cooperativa porque é vantajoso” para “escolho a cooperativa porque acredito, participo e me reconheço nela”.    Escutar e transformar  Na prática, construir esse vínculo exige transformar escuta em ação. As experiências da Cocamar e da Arteza, apresentadas no painel Construção de relacionamento e pertencimento dos cooperados, mostraram caminhos diferentes para chegar a esse resultado. Na Cocamar, a estratégia foi estruturar uma Jornada do Cooperado, capaz de identificar pontos de satisfação e atrito e converter percepções em melhorias.   A metodologia acompanha momentos essenciais do relacionamento e utiliza indicadores de satisfação, recomendação e comentários dos produtores. “Eu não estou olhando para o negócio e perguntando o que está bom e o que precisa melhorar. Eu estou perguntando para o meu cooperado o que está bom e o que precisa melhorar”, explicou João Sadao, gerente de Cooperativismo e Experiência do Cliente da cooperativa.    A escuta, entretanto, precisa gerar consequências. Segundo ele, quando alguém aponta um problema, cria também a expectativa de que algo será feito. Por isso, a cooperativa estruturou uma governança para acompanhar os temas prioritários e implementar planos de melhoria. Outro aprendizado foi a conexão entre as experiências de cooperados e colaboradores. “A experiência do cooperado, no fim das contas, é conduzida pela experiência do colaborador”, acrescentou.  Na Arteza, o pertencimento nasceu da transformação de uma comunidade. Criada em 1998 por 28 curtidores e artesãos em Cabaceiras, no Cariri paraibano, a cooperativa ajudou a transformar uma atividade tradicional em fonte de renda, oportunidades e reconhecimento para o território. Atualmente, reúne cerca de 80 associados e está relacionada à geração de mais de 500 empregos diretos e indiretos em um distrito com aproximadamente 1,8 mil habitantes.  “Agora eu não preciso sair mais da minha cidade. Temos a cooperativa, temos renda”, relatou Ângelo Mácio, presidente da Arteza. Para ele, o resultado dessa trajetória aparece também no orgulho dos moradores em relação à própria origem. “O individualismo pode levar você longe. Mas, quando você se une, se torna mais forte e consegue ir ainda mais longe”.    Experiência que gera resultados  A relação entre experiência e desempenho dos negócios ganhou outra perspectiva na palestra de Gisele Paula, CEO e fundadora do Instituto Cliente Feliz. Para ela, cada interação ajuda a construir a percepção que o cooperado terá da organização. “A experiência é como um baldinho. O cooperado vai colocando ali tudo o que ele vive, as coisas boas e as ruins. No final, ele olha para essa soma e avalia se valeu a pena”, explicou.  Gisele chamou atenção para dois motores de crescimento: a conquista de novos públicos e o desenvolvimento da base existente. É no segundo que as cooperativas encontram uma oportunidade relevante. Depois da adesão, o cooperado precisa perceber valor, utilizar soluções, ampliar sua participação e construir confiança até se tornar também um promotor da organização. “A resposta para a competitividade está na nossa base de cooperados”, disse. Nesse processo, pertencer precisa deixar de ser apenas um conceito. “Não basta dizer ao cooperado que ele é dono. Ele precisa sentir que é dono”.  A especialista também abordou a inteligência artificial e a digitalização do atendimento. A tecnologia pode aumentar a eficiência, mas sem criar barreiras. “O futuro é digital, mas nunca foi tão humano”, resumiu. Para ela, atendimento de excelência deve combinar humanização, capacidade de resolução e baixo esforço. E, antes de buscar grandes gestos de encantamento.    Da atenção à confiança  Para encerrar esse conjunto de reflexões, Marcelo Minutti, professor de inovação e transformação organizacional do Insper, Ibmec e FGV, levou o debate para um dos maiores desafios da comunicação contemporânea: conquistar atenção e confiança em um ambiente hiperconectado. Minutti definiu comunicação estratégica como a “gestão intencional de significados que sustentam confiança, participação e tomada de decisão”. Para ele, mensagens, valores, experiências e narrativas acumuladas ao longo do tempo constroem reputação e, consequentemente, ampliam a capacidade de influência da cooperativa.  Nesse cenário, comunicar não pode ser confundido com simplesmente publicar. O cooperado está exposto a inúmeros estímulos e inserido em redes próprias de confiança. Minutti destacou que 84% das pessoas confiam em recomendações pessoais e resumiu uma mudança relevante para as estratégias das organizações. “A voz institucional perde espaço para a voz pessoal”, argumentou.    Para as cooperativas, segundo ele, isso significa reconhecer os próprios associados, lideranças comunitárias, especialistas e outros atores como integrantes de um ecossistema de influência. “Influência não é a mesma coisa que alcance”, acrescentou. A estratégia deve identificar pessoas e grupos que já possuem legitimidade junto aos públicos e construir pontes entre a coerência da voz institucional e a credibilidade das relações pessoais.    Saiba Mais: Pesquisa revela desafios e avanços da cultura cooperativista no Brasil Educação cultiva pertencimento e futuro no cooperativismo O cooperativismo que transforma e amplia desenvolvimento local  
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13/08/2026

Encontro de gerações abre caminhos para renovação

Michel Alcoforado defende intercâmbio de ideias para combinar experiência, propósito e inovação  A convivência de diferentes gerações no ambiente de trabalho deixou de ser uma escolha e passou a fazer parte da rotina das organizações. Para o antropólogo Michel Alcoforado, o desafio agora é transformar as diferenças de comportamento, comunicação e expectativas profissionais em uma oportunidade de renovação para as cooperativas.   O tema abriu a programação desta quinta-feira (13), terceiro e último dia da Semana de Competitividade 2026, promovida pelo Sistema OCB, em Brasília. Na palestra Tendências de comunicação e os conflitos geracionais, Alcoforado analisou como transformações sociais, tecnológicas e demográficas alteraram as relações de trabalho e a forma como diferentes gerações enxergam carreira, liderança e propósito. Alcoforado: "Tudo que é novo é desafiador" Segundo o antropólogo, as organizações vivem uma situação inédita, com três, quatro e, em alguns casos, até cinco gerações dividindo o mesmo ambiente profissional. Essa convivência tende a se tornar ainda mais frequente com o envelhecimento da população e a permanência dos profissionais por mais tempo no mercado. “Você vai ter que lidar com gente que pensa diferente de você. E isso não é uma escolha”, afirmou.  Para Alcoforado, um dos principais erros é analisar as novas gerações a partir da ideia de que os comportamentos do passado eram necessariamente melhores. O discurso de que “no meu tempo era melhor”, segundo ele, dificulta a compreensão das mudanças e amplia os conflitos. “O mesmo fenômeno já ocorreu com outras gerações. Os millennials também foram recebidos com desconfiança quando começaram a ocupar espaço nas empresas, especialmente por questionarem estruturas hierárquicas e demonstrarem expectativas diferentes sobre carreira. Tudo que é novo é desafiador”, disse.    Conflito pode estimular inovação  Alcoforado defendeu que as divergências não sejam tratadas apenas como problemas. Quando administrado de forma adequada, o conflito pode evitar a acomodação das equipes e estimular novas soluções. Ele chamou esse processo de fricção produtiva: o encontro entre pessoas com experiências, referências e visões distintas que obriga uma organização a questionar práticas consolidadas. “Toda vez que temos divergência de opinião, que alguém sabe uma coisa que o outro não sabe, temos também a possibilidade de abrir caminho para inovações e novas possibilidades”, defendeu.   Para as cooperativas, segundo o antropólogo, esse processo ganha relevância porque a renovação precisa ocorrer sem que o conhecimento acumulado ao longo dos anos seja perdido. Em sua avaliação, equipes formadas apenas por pessoas com referências semelhantes correm maior risco de reproduzir as mesmas respostas para problemas que estão mudando rapidamente. “A alternativa está justamente no intercâmbio geracional: criar espaços nos quais profissionais mais experientes compartilhem conhecimento e memória institucional, enquanto os mais jovens contribuam com novas linguagens, tecnologias e formas de enxergar o trabalho”, complementou.     Experiência e memória  Ao abordar profissionais mais experientes, Alcoforado chamou atenção para uma mudança importante no mercado. Pessoas que antes estariam próximas da aposentadoria permanecem profissionalmente ativas e consideram estar justamente no período de maior capacidade de contribuição. Isso traz, de acordo com ele, mais um desafio para os processos de sucessão e renovação das lideranças. Ao mesmo tempo, representa uma oportunidade para preservar conhecimentos construídos durante décadas.  Nas cooperativas, afirmou, a memória tem valor ainda maior porque as organizações são construídas a partir de relações de longo prazo com cooperados, comunidades e setores produtivos. “A mentoria dos mais velhos é fundamental para a vida da nossa cooperativa. Com avanço da inteligência artificial, por exemplo, os jovens podem dominar rapidamente as ferramentas, mas o repertório acumulado é necessário para avaliar criticamente as respostas produzidas”.   Na análise dos millennials, Alcoforado destacou o peso atribuído ao propósito. Essa geração passou a questionar com maior intensidade não apenas o que faz profissionalmente, mas porque realiza determinado trabalho. Nesse aspecto, ele considerou que o cooperativismo parte de uma posição privilegiada em comparação com organizações que precisam construir artificialmente uma narrativa de propósito. “É mais fácil fazer isso com cooperativas, uma vez que elas têm um senso de porquê, de impacto na vida das pessoas, dos colaboradores, dos cooperados e da comunidade”, defendeu.   Para ele, a meta é transformar esse diferencial em uma experiência percebida no cotidiano. “Não basta comunicar o propósito institucional, é necessário mostrar aos profissionais como o trabalho individual contribui para os resultados coletivos”.    Autonomia para os mais jovens  Com a geração Z, a lógica muda novamente. Alcoforado apontou que os jovens valorizam autonomia, responsabilidades concretas, reconhecimento e a possibilidade de construir uma trajetória própria. Isso não significa, segundo ele, que a resposta pode estar em oferecer responsabilidades progressivas e oportunidades para que esses profissionais experimentem, proponham e percebam sua contribuição individual.   Outra característica é a construção da identidade profissional. O antropólogo destacou que parte dos jovens não pretende permanecer na mesma carreira durante toda a vida e espera que a organização também contribua para seu desenvolvimento individual. “Para as lideranças, isso exige uma relação mais próxima, com orientação, feedback e espaço para experimentação”, disse.    Comunicação entre gerações  As diferenças aparecem até nas situações mais simples de comunicação. Durante a palestra, Alcoforado usou exemplos bem-humorados sobre a maneira como pessoas de idades distintas utilizam WhatsApp, emojis, áudios, abreviações e outras ferramentas digitais. Embora estejam nas mesmas plataformas, as gerações atribuem significados diferentes às mensagens e adotam códigos próprios. No ambiente profissional, ignorar essas diferenças pode gerar ruídos, interpretações equivocadas e conflitos. Por isso, ele lembrou que as cooperativas precisam criar canais capazes de aproximar os diferentes grupos.  Ao concluir, Alcoforado relacionou o debate diretamente à capacidade de continuidade das cooperativas. Na avaliação dele, nenhuma geração, isoladamente, possui repertório suficiente para responder à velocidade das transformações atuais. “Profissionais mais experientes podem oferecer memória, conhecimento do setor e capacidade de avaliar novidades. Os millennials ajudam a reforçar propósito e conexão com a comunidade. Já os mais jovens trazem novas formas de trabalhar, maior demanda por autonomia e disposição para testar modelos diferentes”, relacionou.   A combinação dessas características, completou, deve substituir a disputa sobre qual geração trabalha melhor. “O mundo ficou complexo demais para só quem tem cabelo branco resolver, ou só para quem está cheio de cabelo na cabeça resolver. A gente precisa unir a experiência de alguém que já viu muito com a novidade de quem chegou agora”, finalizou.    Saiba Mais:  Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro  Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro  Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI 
Encontro de gerações abre caminhos para renovação
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13/08/2026

Educação cultiva pertencimento e futuro no cooperativismo

Conhecimento, confiança, participação e cultura ajudam a preservar a essência do movimento  Manter viva a essência do cooperativismo em organizações que crescem, recebem novas gerações e acompanham as transformações da sociedade exige intenção, aprendizado e participação. Na trilha Educação Cooperativista, da Semana de Competitividade 2026, especialistas e representantes do movimento mostraram como a educação fortalece o pertencimento, aproxima cooperados, forma novas lideranças e ajuda a transformar os valores cooperativistas em práticas capazes de atravessar gerações e preparar as cooperativas para o futuro. José Máximo Daronco, diretor geral da Escoop A programação contou com José Máximo Daronco, diretor geral da Escoop; Hugo Andrade, coordenador de Ramos do Sistema OCB; Rogério Machado, superintendente da Fundação Sicredi; Fernanda Paiva, analista do Instituto Sicoob; Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB; Helena Soares, pesquisadora da TM20; Tania Savaget, CSO da Zaic; Cláudia Moreno, coordenadora Educacional do Sistema OCB; Itamar Vodzicki, gerente da Cresol Instituto; Thaís Cristina, coordenadora de Organização do Quadro Social na Rede Cooper; Ricardo Leite, palestrante da Resultte Educação Corporativa; e Ricardo Cappra, fundador do Cappra Institute.  Na abertura das apresentações, José Máximo destacou que a educação é fundamental para preservar a identidade cooperativista à medida que as organizações crescem. “Quanto maior a cooperativa, mais intencional precisa ser a construção de sua cultura”.  Entre os cases apresentados, Rogério Machado trouxe o Programa Crescer. Ele começou contextualizando o tamanho do Sicredi hoje, com mais de 10 milhões de associados, 99 cooperativas e 3 mil agências, para mostrar que quanto maior a cooperativa fica, maior a responsabilidade de manter os cooperados entendendo o modelo de negócio. A lógica apresentada foi direta: crescimento gera escala, escala aumenta complexidade, complexidade pode afastar o associado, e é a educação que reconecta e reengaja.   O programa Crescer, segundo ele, se estrutura numa trilha de 4 passos:  sentir que pertence, conhecer o modelo, participar de fato e gerar valor coletivo, com conteúdo básico, avançado e complementar que cada cooperativa pode adaptar à sua realidade. O impacto da iniciativa é comprovado pelos números alcançados. Rogério relatou que associados formados pelo programa aumentam indicadores como ISA e principalidade em até 50% depois de 18 meses, com mais de 1 milhão de associados já formados.   "A educação cooperativista é fundamental para acompanhar o crescimento, aproximar os associados e fortalecer o sentimento de pertencimento. O crescimento constrói escala, a educação constrói pertencimento, e o pertencimento sustenta uma cooperativa”, concluiu.     Novas gerações  A formação de crianças e jovens para os valores e princípios do cooperativismo foi o foco da apresentação de Fernanda Paiva, que compartilhou a experiência do Programa Cooperativa Mirim. Ao destacar os desafios da educação diante das transformações da sociedade, ela defendeu novas formas de aprendizagem capazes de dialogar com as habilidades exigidas pelo futuro. “Temos uma escola do século XIX, um professor do século XX e um aluno do século XXI”, provocou.   O programa leva a vivência cooperativista a crianças e adolescentes de 8 a 17 anos em escolas e instituições sociais, com aprendizado prático sobre cooperação, participação e organização coletiva. Atualmente, são 170 cooperativas mirins e mais de 5,5 mil associados, distribuídos por 13 estados e presentes também em comunidades quilombolas, ribeirinhas e indígenas, além de uma Apae.   Os resultados refletem o alcance da iniciativa. Segundo Fernanda, 86% dos participantes afirmam ter aprendido como funciona uma cooperativa e 77% se sentem mais motivados a enfrentar desafios. A apresentação foi encerrada com uma reflexão de Paulo Freire sobre o papel da educação: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria construção.”  A relação entre educação e cultura foi discutida por Helena Soares e Tania Savaget. Elas apresentaram os resultados da Pesquisa Nacional de Cultura Cooperativista, que contou com 46 entrevistas em profundidade realizadas com representantes de 37 cooperativas de todas as unidades federativas do país, além de 9.761 respondentes na etapa quantitativa. O estudo identificou uma cultura marcada por confiança, lealdade e propósito, mas também desafios para ampliar sua presença.  “O desafio agora é transformar essa força em participação, renovação e pertencimento”, destacou Helena.     Vivência  Ao debater o 5º princípio cooperativista, Itamar Vodzicki apresentou iniciativas educacionais da Cresol, enquanto Thaís Cristina mostrou a experiência dos Núcleos Cooper, voltados à participação e à formação de lideranças. “Numa cooperativa com milhares de cooperados, a participação não sobrevive por inércia, ela precisa de espaço, de escuta e de gente disposta a cultivá-la todos os dias”, afirmou Thaís.  Ricardo Leite abordou o papel do educador cooperativista e a importância de transformar conhecimento em vivência. “Ensinar o cooperativismo é essencial. O nosso desafio é fazer com que ele seja experimentado efetivamente cada vez mais”.  Ricardo Cappra encerrou a trilha com uma apresentação sobre os impactos do uso de dados e da inteligência artificial na cultura das organizações. Para ele, a adaptação tecnológica exige também mudanças de comportamento, ambiente e formas de decisão, sem perder de vista os valores que orientam as cooperativas. “Cultura não se implementa. Comportamento, ambiente e recursos precisam ser reconfigurados e os valores precisam orientar a transformação. Assim, a cultura se adapta”, defendeu.    Saiba Mais:  Pesquisa revela desafios e avanços da cultura cooperativista no Brasil  O cooperativismo que transforma e amplia desenvolvimento local   Memória e identidade ajudam a fortalecer as raízes do cooperativismo 
Educação cultiva pertencimento e futuro no cooperativismo
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12/08/2026

Pesquisa revela desafios e avanços da cultura cooperativista no Brasil

Estudo apresentado por Fabíola Nader Motta ouviu 9.761 pessoas e mapeou a relação dos cooperados com o movimento  Como está a cultura cooperativista no Brasil hoje? Foi essa pergunta que a superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Cooperados escolhem educação, formação e informação como princípio prioritárioMotta, levou ao palco da Semana de Competitividade 2026, nesta quarta-feira (12). Pela primeira vez, o movimento conta com um diagnóstico nacional sobre a maturidade dessa cultura, construído a partir da percepção de cooperados, empregados, dirigentes e conselheiros.  A pesquisa ouviu 9.761 pessoas em todo o país. Na etapa qualitativa, foram realizadas 46 entrevistas em profundidade, em 37 cooperativas de 26 Unidades da Federação e do Distrito Federal, ampliando a compreensão sobre as percepções, experiências e desafios vividos no dia a dia do cooperativismo.  O estudo chega em um momento de forte crescimento da base. O cooperativismo passou de 15,5 milhões de cooperados em 2019 para 29 milhões em 2025, uma média de 6,1 mil novos cooperados por dia no período. Para Fabíola, o número também traz uma responsabilidade: garantir que quem chega conheça o modelo e saiba qual é seu papel. “Esses 6 mil novos cooperados todos os dias sabem que são cooperados? Eles sabem seus deveres, responsabilidades, direitos, o seu papel?”, questionou.    Quem conhece, cria vínculo  Um dos principais achados da pesquisa foi a força da relação entre cooperados e cooperativas. Entre os entrevistados, 93% afirmaram sentir o dever de honrar os compromissos assumidos com a cooperativa; 89% pretendem manter uma relação de longo prazo e o mesmo percentual recomendaria sua cooperativa a amigos ou familiares. Outros 87% mantêm a fidelidade mesmo em períodos de crise. Fabíola Nader Motta, superintendente do Sistema OCB Por outro lado, a participação ainda é um ponto de atenção. Participar ativamente das assembleias foi o item com menor índice entre os cooperados. A falta de tempo apareceu como principal barreira, citada por 36%, seguida pela falta de informação sobre como participar, com 22%. No conjunto, três em cada dez cooperados citaram alguma barreira relacionada à informação ou ao conhecimento, índice que chega a 43% entre os cooperados do ramo Crédito.  “Quem conhece, gosta. A barreira é a comunicação e o caminho é a educação cooperativista”, resumiu Fabíola.    Educação e integração são prioridades  Os resultados também mostram que educação, formação e informação foi o princípio mais citado pelos participantes como prioridade. Entre os cooperados, 58% escolheram esse princípio como prioritário, percentual que sobe para 71% entre os empregados e chega a 57% entre os dirigentes. Entre os jovens de 18 a 34 anos, a prioridade foi apontada por 62%.  A chegada de novos integrantes foi apontada como um ponto de alerta. Na consulta realizada com os participantes durante a Semana de Competitividade, apenas 18% das cooperativas disseram ter um programa estruturado e contínuo de integração de novos cooperados. Além disso, 17% afirmaram utilizar história e memória para fortalecer a identidade cooperativa. Para Fabíola, os dados mostram que o desafio não é apenas crescer, mas fazer com que cada novo cooperado compreenda o movimento do qual passou a fazer parte.  A preocupação com a cultura cooperativista, no entanto, não é recente. Em 2023, dirigentes de todo o país responderam à Pesquisa Nacional do Cooperativismo e 65% elegeram o reforço da cultura cooperativista como uma prioridade para o futuro do movimento.  O diagnóstico apresentado agora amplia essa agenda e ajuda a indicar caminhos para transformar a prioridade em ações mais concretas de educação, comunicação, participação e preparação de novas lideranças.     Saiba Mais:  Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro  Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro  Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI 
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12/08/2026

O cooperativismo que transforma e amplia desenvolvimento local 

Painel da Semana de Competitividade mostrou exemplos de geração de renda, inclusão e qualidade de vida  O impacto de uma cooperativa vai muito além dos resultados do próprio negócio. Quando chega a uma comunidade, o modelo pode movimentar a economia, ampliar o acesso a serviços, gerar oportunidades e estimular iniciativas que permanecem no território. O painel O impacto do coop nas comunidades, realizado nesta terça-feira (11), durante a Semana de Competitividade 2026, reforçou essa realidade.   A discussão reuniu Clara Pedroso Maffia, gerente geral de Negócios do Sistema OCB; Alison Pablo de Oliveira, pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe); Ivan Capra, presidente do Sicoob Credisul; Claudia Maria Morais, diretora financeira da Central Centro-Oeste (CCO); e Marina Stoetzer Echeverria, coordenadora da Cooperativa Agrária. Alison Oliveira, Ivan Capra, Claudia Morais, Marina Echeverria e Clara Maffia Na abertura, Clara explicou que a proposta era mostrar como a cultura cooperativista se traduz em resultados concretos. “A ideia é falarmos um pouquinho sobre o impacto, porque essa cultura, essa forma de agir, relacionar e atuar junto com as pessoas, a partir de princípios e valores, certamente tem impacto nos municípios onde as cooperativas estão inseridas”, destacou.     O impacto que aparece nos dados  Alison apresentou os resultados de estudo desenvolvido pela Fipe em parceria com o Sistema OCB. A pesquisa mediu os efeitos da expansão do cooperativismo sobre as economias locais, ao comparar municípios que passaram a contar com novas cooperativas com aqueles sem registro dessa presença. Entre 1995 e 2025, o número de municípios atendidos por cooperativas cresceu 65%. “A expansão permitiu observar mudanças em indicadores como emprego e renda”, relatou.   A pesquisa também dimensionou a participação do cooperativismo na economia brasileira. Em 2021, os empreendimentos cooperativos estiveram associados a R$ 866 bilhões em produção de bens e serviços, R$ 164 bilhões em valor adicionado — equivalente a 6,9% do total produzido no país — e cerca de 10% dos empregos formais e informais. Segundo Alison, esse impacto está relacionado às características do próprio modelo, no qual os cooperados são donos do empreendimento, participam das decisões e compartilham os resultados gerados.    Crédito que movimenta as cidades  A experiência do Sicoob Credisul mostrou como os efeitos econômicos e sociais podem caminhar juntos. Ivan Capra apresentou exemplos de municípios onde a cooperativa participa da dinâmica econômica local e direciona parte de sua atuação para projetos definidos pela própria comunidade. “Em todas as localidades em que a comunidade nos abraça, criamos ou encampamos projetos que essa própria comunidade julga importantes e damos sequência. É um DNA, um jeito de fazer que tem dado muito certo e nos tem levado a lugares fantásticos”, pontuou. Entre os exemplos apresentados estão iniciativas nas áreas de educação, inovação, esporte, meio ambiente e saúde.  Em Vilhena (RO), a cooperativa apoiou a criação de uma estrutura educacional de 60 mil metros quadrados, com atendimento do maternal ao ensino superior. Também foi apresentado o Hospital Cooperar, construído a partir de uma mobilização entre cooperados e comunidade, posteriormente estruturado em parceria com a Unimed. “Tínhamos uma deficiência na área da saúde e resolvemos. Criamos uma associação dentro da cooperativa para construir o hospital com doações dos cooperados”, contou.   A unidade tem 12 mil metros quadrados, com área de expansão já preparada, e atende diferentes especialidades. A parceria com a Unimed permitiu a operação e o aporte de equipamentos. O dirigente também citou ações ambientais e esportivas, além da participação de jovens da região em um hackathon internacional promovido pela Nasa.  Protagonismo aos catadores  Na reciclagem, o impacto do cooperativismo aparece na organização do trabalho e na busca por melhores condições para quem vive da atividade. Claudia Marins apresentou a trajetória da Central Centro-Oeste (CCO), formada por cinco cooperativas e cerca de 279 cooperados. Criada há três anos, a iniciativa nasceu do desejo de fortalecer a atuação dos catadores e ampliar sua capacidade de negociação. “Formamos essa central para o catador se tornar protagonista de sua própria história. O catador tem que aparecer. Se ele não aparece, não tem importância para a reciclagem. Nós, catadores, sempre fomos mais esquecidos, mais excluídos. E hoje nós temos mais força graças ao cooperativismo”, relatou emocionada.   A atuação em rede também abriu espaço para novas iniciativas de capacitação e comercialização. Uma parceria com o Sescoop e a Universidade Católica de Brasília possibilitou a formação de cooperados e filhos de catadores em um curso superior de tecnologia em cooperativismo. Dos 25 participantes, 23 concluíram a formação. A central também começou a comercializar materiais de forma conjunta. Nos três meses anteriores ao painel, as cooperativas haviam vendido mais de 600 toneladas de materiais em conjunto.  O próximo passo, segundo Claudia, é ampliar a autonomia econômica das cooperativas, com participação em editais e contratos de grandes geradores e investimentos em equipamentos. A central já conta com caminhão, prensa e estrutura para ampliar a operação. “Juntos, somos mais fortes”, completou.     Uma história que começou há 75 anos  Na Cooperativa Agrária, apresentada por Marina, o compromisso com a comunidade está ligado à própria origem da organização. Fundada há 75 anos por imigrantes suábios do Danúbio, que chegaram ao Paraná após a Segunda Guerra Mundial, a cooperativa surgiu da necessidade de reconstruir a vida de centenas de famílias e garantir acesso à saúde, educação e preservação cultural.  Ao longo das décadas, esse esforço deu origem a uma estrutura que inclui hospital, escola, museu e outras iniciativas comunitárias. O hospital tornou-se referência regional e hoje realiza cerca de 70% dos atendimentos pelo SUS, com importância reforçada pela distância de aproximadamente 45 minutos até a cidade mais próxima. “Quando alguém que está com uma necessidade muito urgente, ter um hospital no local é muito importante. Salva vidas”, enfatizou Marina.  Na educação, a escola apoiada pela cooperativa atende estudantes dos dois anos de idade ao ensino médio e oferece ensino bilíngue em alemão. A atuação social inclui ainda o Programa Paz, que há mais de duas décadas mobiliza colaboradores em ações voluntárias. “Para a Agrária isso é tão importante que essa parte social hoje está dentro do planejamento estratégico da cooperativa”, finalizou.    Saiba Mais:  Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI
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11/08/2026

Como está a cultura na sua coop? Palestra provoca reflexão

Jessyca Bolzan e Thais Jerônimo discutiram como valores do movimento podem ser mensurados na prática  Jessyca Bolzan e Thais Jerônimo: cultura é viva, está em movimento e se manifesta nas relações e atitudesO que faz uma cooperativa ser reconhecida como cooperativa? A resposta pode estar em pontos que, à primeira vista, parecem pequenas: na forma como um novo cooperado é recebido, na maneira como a história da organização é contada, em como as assembleias são realizadas, na relação com a comunidade ou até nos símbolos espalhados pelos espaços da cooperativa. Foi por esse caminho que Jessyca Bolzan, coordenadora de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, e Thais Jerônimo, historiadora e palestrante, conduziram, nesta terça-feira (11), a apresentação Como está a cultura na sua coop?, durante a Semana de Competitividade 2026.  A conversa partiu de características que tornam o tema desafiador: cultura é viva, está em movimento e se manifesta nas relações e atitudes. Ainda assim, segundo Thais, é possível identificar sinais concretos dessa cultura. Uniformes, símbolos, formas de comunicação, rituais, comportamentos e práticas recorrentes são alguns dos elementos que ajudam a revelar como os valores e princípios cooperativistas são vivenciados. “Nosso desafio é tornar visíveis esses sinais para entender como os valores e princípios do movimento estão presentes na vida das cooperativas”, explicou.  A pesquisadora apresentou a proposta de um mapeamento de artefatos da cultura cooperativista, que ainda será desenvolvido. A ideia é começar pelo que pode ser observado para, posteriormente, ampliar a compreensão sobre outros aspectos da cultura. “O trabalho não pretende dizer quais cooperativas tem uma cultura melhor ou pior, mas identificar práticas, padrões e iniciativas que ajudam a manter a identidade cooperativista viva”, acrescentou.     Cotidiano  Experiências compartilhadas durante a palestra ajudaram a mostrar como esses sinais podem surgir de maneiras inesperadas. Thaís citou, como exemplo, a camiseta usada pelos participantes de Santa Catarina que trazem nas costas a frase Em Santa Catarina, cooperar é cultural. Para ela, a iniciativa revelou uma manifestação da cultura cooperativista.  Outro exemplo veio de uma experiência com cooperados do Sicredi Vale do Piquiri. Durante uma celebração dos dez anos dos comitês de mulheres e jovens, uma cooperada definiu sua relação com a organização de uma forma inusitada: disse que a cooperativa tinha um “cheiro” próprio. A frase, segundo a palestrante, traduziu uma percepção que dificilmente apareceria em um indicador tradicional, mas que faz parte da experiência de quem vive aquela cooperativa.  A partir dessas manifestações, a proposta apresentada por Jéssyca e Thais, considerou cinco dimensões para observar a presença cultura nas cooperativas: comunicação e expressão; legado e memória; educação e formação; liderança e participação; e relações e vivências. “Na prática, isso significa olhar para a maneira como a cooperativa declara sua identidade, preserva e transmite sua história, educa seus públicos, prepara novas lideranças e estabelece relações com cooperados, colaboradores e comunidade. São diferentes caminhos para entender se os valores do movimento estão presentes apenas no discurso ou também nas experiências cotidianas”, descreveu Jessyca.    De cooperado a cooperativista  A discussão também levou a uma reflexão sobre o próprio significado de ser cooperado. A associação formal é o ponto de partida, mas a experiência cooperativista envolve engajamento, conhecimento e pertencimento. Participar das assembleias, compreender os valores e princípios, acompanhar as decisões e escolher a própria cooperativa como espaço de negócios são atitudes que aproximam o cooperado do movimento. Por isso, uma das perguntas deixadas para o público foi direta: se uma pessoa se tornasse cooperada hoje, quanto tempo levaria para descobrir que faz parte de um movimento diferente das demais empresas?  A resposta, segundo Jéssyca, passa pela forma como as cooperativas recebem seus novos membros. “Não basta realizar uma atividade de integração; é preciso avaliar se ela consegue transmitir o que diferencia aquela organização e qual é o papel do cooperado dentro dela. É importante entender se as ações estão, de fato, contribuindo para fortalecer a cultura cooperativista. Precisamos olhar para a forma como contamos nossa história, como promovemos a educação cooperativista e como estimulamos a participação. A cultura se constrói no cotidiano e precisa ser intencionalmente cuidada”, complementou.  Outro ponto levantado foi o papel das lideranças. Para que a cultura se mantenha viva, é necessário que o comportamento de quem lidera esteja alinhado aos valores que a cooperativa pretende transmitir. A palestra terminou com um convite. “Antes de medir ou comparar, é preciso observar o que já acontece dentro de cada organização. Como as pessoas se relacionam, quais histórias são preservadas, que práticas se repetem e de que maneira a cooperativa é percebida por quem faz parte dela”, concluiu Thais.  Saiba Mais:  Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI
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11/08/2026

Sistema OCB lança livro Raízes e Fundamentos do Cooperativismo

Obra reforça a importância da preservação da memória e o fortalecimento da cultura cooperativista  O primeiro dia da Semana de Competitividade 2026, nesta terça-feira (11), foi marcado pelo lançamento do livro Raízes e Fundamentos do Cooperativismo – volume 1. Legado, da Trilogia Cultura Cooperativista, obra traça um histórico da evolução do movimento, explicando as origens do pensamento cooperativista e as experiências protocooperativistas, que culminaramCapa do livro lançado pelo Sistema OCB com a constituição do modelo atual contemplando valores, princípios e práticas que compreendem mais de 360 anos e que permanecem atuais. O lançamento ocorreu durante a palestra As raízes do Coop e a memória institucional, conduzida por Carolina Kuk, fundadora da Raiz Projetos e Pesquisas de História, com participação de Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas e Eduardo Queiroz, gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB.   “O livro nasce de uma grande responsabilidade: transmitir a cultura cooperativista para as milhões de pessoas que fazem parte desse movimento. Ao revisitar nossa trajetória, buscamos compreender os valores e princípios que nos trouxeram até aqui e mantê-los vivos para as próximas gerações. Esta é a primeira obra de uma trilogia que conecta passado, presente e futuro e reforça que preservar nossa cultura é também preparar o que ainda vamos construir juntos”, afirmou Débora.   Ao revisitar acontecimentos, personagens e marcos históricos, a obra demonstra que a cultura cooperativista é resultado de uma construção coletiva, continuamente fortalecida pelas pessoas que fazem parte desse modelo de negócios.  Organizado em cinco capítulos, o livro percorre diferentes momentos da evolução do cooperativismo. O primeiro resgata as experiências de cooperação ao longo da história, passando pelas raízes filosóficas do movimento, pelas primeiras iniciativas cooperativas e pela experiência de Rochdale, na Inglaterra, reconhecida como marco do cooperativismo moderno. Também apresenta a expansão do modelo pelo mundo até sua chegada ao Brasil.  Na sequência, a publicação aborda o desenvolvimento do cooperativismo brasileiro, com destaque para a organização institucional do movimento, a atuação de lideranças que contribuíram para sua consolidação e a evolução da legislação voltada ao setor. O capítulo também apresenta o papel desempenhado pelo Sistema OCB na representação e no fortalecimento das cooperativas em todo o país.  Um dos principais eixos da obra é a cultura cooperativista. O livro mostra que ela vai além do conhecimento sobre os sete princípios ou da adoção de práticas de gestão. Trata-se de um conjunto de valores, símbolos, formas de relacionamento e comportamentos que orientam o dia a dia das cooperativas e fortalecem sua identidade.   Outro tema de destaque é a preservação da memória cooperativista. A publicação evidencia que cuidar da memória é, antes de tudo, um ato estratégico e dessa forma incentiva iniciativas que mantenham viva a trajetória das cooperativas.  O último capítulo apresenta as principais correntes de pensamento que influenciaram a formação do cooperativismo ao longo do tempo e relaciona esses fundamentos aos desafios contemporâneos enfrentados pelas cooperativas. A proposta é mostrar que compreender as origens do movimento é indispensável para que ele continue inovando sem perder sua essência.  Para o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, o lançamento representa mais um passo na valorização da memória institucional do cooperativismo brasileiro. “Ao reunir conhecimento histórico, reflexão conceitual e referências sobre cultura cooperativista em uma única publicação, o livro amplia o acesso a conteúdo fundamental para dirigentes, lideranças, colaboradores, pesquisadores e todos aqueles que desejam aprofundar seu entendimento sobre esse modelo de negócios”, afirma.    Saiba Mais: Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro Cooperativas de saúde reforçam papel na assistência aos brasileiros
Sistema OCB lança livro Raízes e Fundamentos do Cooperativismo
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11/08/2026

Memória e identidade ajudam a fortalecer as raízes do cooperativismo

Palestras da Semana de Competitividade reuniram reflexões sobre patrimônio cultural e preservação  O que faz o cooperativismo ser reconhecido e permanecer relevante ao longo do tempo? Para além dos resultados econômicos, há uma trajetória construída por pessoas, comunidades, valores e experiências que ajudam a explicar a identidade do movimento. Essa foi a reflexão central da palestra As raízes do coop e a memória institucional, realizada nesta terça-feira (11), durante a Semana de Competitividade 2026. Carolina Kuk destacou a importância da dimensão histórica do cooperativismo A atividade reuniu Carolina Kuk, fundadora da Raiz Projetos e Pesquisas de História, Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas, e Eduardo Queiroz, gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB. O encontro também marcou o lançamento do livro Raízes e Fundamentos do Cooperativismo – volume 1. Legado, primeiro título da trilogia Cultura Cooperativista.  Carolina conduziu a discussão a partir da relação entre identidade e legado. Segundo ela, construções, monumentos, documentos e outros registros podem adquirir um significado que vai além de sua função original. Eles ajudam a materializar uma trajetória que foi construída ao longo de gerações, em diferentes comunidades e contextos. “A cooperação acompanha a humanidade há muito tempo. Antes mesmo de existirem as cooperativas como conhecemos hoje, diferentes sociedades já criavam formas de ajuda mútua, organização coletiva e defesa de interesses comuns. Conhecer essas experiências nos ajuda a compreender as raízes do cooperativismo e a dimensão dessa história”, afirmou.    Representação e identidade caminham juntas Eduardo Queiroz: essência do movimento conectada à história A atuação institucional foi apresentada por Eduardo Queiroz. Ele lembrou que a cultura cooperativista esteve entre os temas mais recorrentes nas discussões realizadas pelas lideranças do setor durante o 15º Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), em 2024, e apresentou as principais iniciativas e ações desenvolvidas pelo Sistema OCB para preservar o legado do movimento, como o documentário Histórias de um mundo melhor, o livro fotográfico Retratos de um mundo melhor, e a sanção da Lei 15.433/2026, que reconheceu o cooperativismo como manifestação da cultura nacional.   “Vivemos um novo momento de consolidação, que nos convida a assumir o protagonismo diante de novos desafios e responsabilidades. Nosso negócio é, acima de tudo, feito de pessoas para pessoas, e essa essência precisa estar sempre conectada à nossa história e aos valores que não podem ser esquecidos. A junção da nossa identidade com o nosso legado nos dá bases consistentes para que as novas gerações assumam responsabilidades, Débora Ingrisano apresentou livro Raízes e Fundamentos do Cooperativismorenovem nosso propósito e deem continuidade a uma história construída por tantas pessoas”, afirmou.    Livro reúne fundamentos e trajetória  A discussão ganhou um novo capítulo com o lançamento da publicação Raízes e Fundamentos do Cooperativismo – volume 1. Legado, apresentado por Débora durante a programação. “Temos uma grande responsabilidade em transmitir a cultura cooperativista para milhões de pessoas que fazem parte desse movimento. O livro nasce justamente desse compromisso: revisitar nossa trajetória para compreender os valores e princípios que nos trouxeram até aqui e manter essa cultura viva para as próximas gerações. Raízes e Fundamentos do Cooperativismo é o primeiro de uma trilogia que também abordará educação cooperativista e sucessão, conectando passado, presente e futuro”, destacou.  A publicação recupera mais de 360 anos de experiências de cooperação e acompanha a evolução do pensamento cooperativista até a formação do modelo atual. O percurso passa pelas primeiras iniciativas cooperativas, pelas experiências que antecederam o movimento moderno, por Rochdale, na Inglaterra, e pela expansão da iniciativa até sua chegada ao Brasil. Em cinco capítulos, a obra também aborda a organização do cooperativismo brasileiro, a atuação de lideranças, a evolução da legislação e o papel do Sistema OCB na representação do setor.    Saiba Mais:  Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro  Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro  Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI 
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11/08/2026

Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI

Professor refletiu sobre confiança, generosidade e solidariedade como caminhos para fortalecer o coletivo  A força do cooperativismo está na capacidade de transformar interesses individuais em construção coletiva e reconhecer no outro uma parte fundamental para o desenvolvimento de todos. Essa reflexão marcou a palestra do professor Clóvis de Barros Filho, nesta terça-feira (11), durante palestra de abertura da Semana de Competitividade 2026, promovida pelo Sistema OCB, em Brasília. Com o tema O que é ser cooperativista no século XXI, Clóvis apresentou uma reflexão sobre as relações humanas e os diferentes caminhos que levam à cooperação.   Para ele, compreender o cooperativismo passa, primeiro, pelo reconhecimento de que ninguém atua sozinho. “Na cooperação temos uma operação que envolve pelo menos mais uma pessoa. Quando falamos de convivência, precisamos compreender a fertilidade e a riqueza da cooperação e, com isso, a riqueza desse modelo de organização social, profissional e produtiva”, afirmou. Clóvis de Barros Filho: professor falou sobre os caminhos que levam a cooperação Um dos principais pontos abordados pelo professor foi o que classificou como uma “sociedade da desconfiança”, marcada pela tendência de enxergar o outro como alguém que precisa ser permanentemente vigiado, controlado ou fiscalizado. Segundo o professor, essa lógica favorece uma visão individualizada do sucesso, associada ao acúmulo de recursos e à busca por reconhecimento, embora a própria vida em sociedade seja sustentada por inúmeras relações de confiança e colaboração, que costumam receber menos atenção do que os episódios de ruptura.   Nesse contexto, ele ressaltou a importância das organizações coletivas como espaços capazes de ampliar a representação e a capacidade de atuação das pessoas. “Quem entende das organizações coletivas sabe da força do coletivo. Indivíduos isolados são mais fáceis de dominar do que coletividades organizadas”, acrescentou.    Talentos individuais, generosidade e solidariedade  Ao recorrer à filosofia clássica, Clóvis lembrou a concepção de Aristóteles de que o ser humano depende da convivência para realizar plenamente sua humanidade. Segundo ele, uma sociedade justa deve criar condições para que cada pessoa reconheça e desenvolva seus talentos e coloque suas melhores capacidades a serviço dos demais. Essa ideia, explicou, está na base da “cooperação virtuosa”, em que as características individuais fortalecem o coletivo. “É uma cooperação em que cada indivíduo, respeitando as características particulares de sua própria natureza, oferece aos demais aquilo que faz de melhor”, destacou.  Ao abordar diferentes formas de cooperação nas relações humanas, Clóvis diferenciou o amor, baseado no sentimento, da generosidade, que pode ser aprendida e estimulada. Para ele, essa característica torna a generosidade especialmente relevante nos ambientes coletivos, onde pode integrar a própria cultura organizacional. Nesse processo, destacou o papel das lideranças na valorização das pessoas e de suas contribuições. “Uma liderança generosa pode fazer uma enorme diferença”.  Outro conceito abordado durante a palestra foi o da solidariedade, apresentada como uma forma de cooperação baseada na existência de interesses e objetivos compartilhados. O professor detalhou, que nesse modelo, cada pessoa preserva seus próprios objetivos, mas compreende que alcançá-los também depende da participação e do sucesso dos demais. “É perceber que o sucesso do coletivo pode ser condição para o seu próprio sucesso individual”. Para ele, colaborar, incentivar e contribuir para o desenvolvimento do outro fortalece todo o grupo e amplia a capacidade de alcançar resultados comuns.    Programação segue até quinta  Promovida pelo Sistema OCB, a Semana de Competitividade 2026 segue até quinta-feira (13), no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília. A edição deste ano tem a cultura cooperativista como eixo central e reúne lideranças, especialistas e representantes do movimento para debater os desafios e as transformações do cooperativismo brasileiro.  Ainda nesta terça-feira, a programação conta com a palestra As raízes do coop e a memória institucional, com Carolina Kuk, Débora Ingrisano e Eduardo Queiroz, além do painel O impacto do coop nas comunidades, com representantes do Sistema OCB, Fipe, Sicoob Credisul, CCO e Agrária.    Saiba Mais: Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro Sistema OCB leva agenda cooperativista ao congresso do Agronegócio
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11/08/2026

Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro

Produção do Ano CulturaCoop reúne memórias de lideranças que ajudaram a construir o movimento no país  A história do cooperativismo brasileiro é feita principalmente de pessoas. Lideranças que dedicaram décadas ao movimento, ajudaram a estruturar cooperativas, participaram da criação de entidades e contribuíram para que a cooperação chegasse a diferentes regiões e setores do país. Para preservar essas trajetórias e aproximá-las das novas gerações, o Sistema OCB lançou, nesta terça-feira (11), durante a Semana de Competitividade 2026, o documentário Pioneiros do Cooperativismo Brasileiro. A produção integra o Ano CulturaCoop, iniciativa que trabalha a cultura cooperativista a partir de três perspectivas: passado, presente e futuro. Dentro desse eixo, o projeto de memória audiovisual registra relatos e experiências de pessoas que ajudaram a construir o cooperativismo brasileiro ao longo das últimas décadas. Pioneiros do cooperativismo homenageados O documentário reúne momentos marcantes das entrevistas realizadas com os pioneiros, além de registros em ambientes ligados às suas trajetórias. A proposta é transformar essas histórias em um patrimônio de memória para o movimento e também em conteúdo que possa ser utilizado nas soluções do CulturaCoop, especialmente na frente dedicada ao legado.  “Pioneiros do Cooperativismo Brasileiro registra diferentes capítulos de uma trajetória coletiva. São histórias de liderança, organização e participação que ajudam a contar como o cooperativismo ganhou espaço no Brasil e chegou à dimensão que tem hoje”, destaca o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas.    Homenageados Imagem do documentário Entre os homenageados estão quatro lideranças reconhecidas por sua contribuição ao cooperativismo em âmbito nacional e estadual: Roberto Rodrigues, pioneiro do cooperativismo nacional; Ronaldo Scucato, em Minas Gerais; Malaquias Oliveira, em Pernambuco; e Américo Utumi, em São Paulo. A trajetória de Utumi ganha um significado especial no documentário, que também se constitui como um registro em sua memória e preserva sua contribuição para a história do cooperativismo brasileiro.  O documentário também registra a trajetória de pioneiros que se destacaram em diferentes ramos do movimento: Jânio Stefanello (Infraestrutura), Nilson Luiz May (Saúde), Dorival Bartzike (Transporte), Hercílio Schmitt (Consumo), Margaret Garcia (Trabalho), Moacir Krambeck (Crédito), e José Aroldo Gallassini (Agropecuário).  As histórias mostram como o cooperativismo se desenvolveu em diferentes frentes. Roberto Rodrigues, por exemplo, teve atuação como líder do movimento, professor e ex-ministro da Agricultura, com forte presença nos debates sobre produção agrícola, agronegócio e políticas públicas. Já Américo Utumi teve participação importante na organização da representação cooperativista paulista e nacional e na articulação que antecedeu a promulgação da Lei Nacional do Cooperativismo, em 1971.  No âmbito dos ramos, as trajetórias também revelam diferentes formas de contribuição. Jânio Stefanello está ligado à expansão da energia elétrica e da conectividade no meio rural. Nilson Luiz May construiu sua carreira no cooperativismo médico. Moacir Krambeck dedicou mais de seis décadas ao ramo Crédito e à defesa da intercooperação. Já Gallassini está à frente de uma das principais referências do cooperativismo agroindustrial brasileiro.    Memória que olha para o futuro  O projeto parte de uma ideia simples: conhecer quem veio antes ajuda a entender o que o cooperativismo é hoje e a pensar os caminhos que ainda serão construídos. Por isso, o registro das memórias não se limita a uma homenagem. Ele também funciona como ferramenta de educação e formação para as próximas gerações.  Ao preservar relatos, documentos e experiências, o Ano CulturaCoop busca manter vivas referências que podem inspirar dirigentes, cooperados, profissionais e educadores. A iniciativa também apresenta, na prática, uma das propostas da solução LegadoCoop: cuidar da memória como parte da continuidade do movimento.  O lançamento durante a Semana de Competitividade dá ainda mais significado à homenagem. O maior evento anual do Sistema OCB reúne representantes do cooperativismo de todo o país e cria o ambiente para que essas histórias sejam compartilhadas com quem vive o presente e participa da construção do futuro do movimento.    Saiba Mais: Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro Sistema OCB leva agenda cooperativista ao congresso do Agronegócio Cooperativas de saúde reforçam papel na assistência aos brasileiros  
Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro
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11/08/2026

Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro

Evento reúne cooperativistas em Brasília para discutir educação, identidade e continuidade do movimento A cultura cooperativista está no centro do debate da Semana de Competitividade 2026, que começou nesta terça-feira (11), no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília. Com o tema Cultivando a Cultura Cooperativista, o evento reúne, até quinta-feira (13), cerca de 800 cooperativistas de todos os estados do país e do Distrito Federal para discutir caminhos que contribuam para fortalecer a identidade e a atuação do movimento. Na abertura institucional, o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, lembrou que a escolha do tema nasceu na própria base cooperativista. Durante o processo de escuta realizado pelo Sistema OCB no 15º Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), foram recebidas 1,9 mil sugestões para orientar as diretrizes de atuação do movimento no período de 2025-2030. A palavra “cultura” apareceu mais de 400 vezes nas contribuições, sinalizando a relevância do assunto para as cooperativas. Para Márcio, falar de cultura é falar também daquilo que sustenta o movimento e da relação entre a cooperativa e quem está no centro do modelo: o cooperado. “Cooperativismo é uma planta que nasce muito melhor quando é muda do que quando é enxerto. Se ele não vier de uma origem, de um sentimento, só no campo das ideias, ele não se enraíza. A cultura cooperativista precisa ser cultivada diariamente”, afirmou. A partir dessa escuta, a cultura passou a ocupar espaço estratégico no planejamento do Sistema OCB e ganhou uma programação específica durante a Semana de Competitividade. De acordo com o presidente Márcio, o desafio está em conciliar o avanço das cooperativas com a preservação dos princípios que diferenciam o modelo. “Precisamos surfar a onda da inovação, da profissionalização, da adequação. Precisamos de negócios grandes, de potência de negócio. Mas não podemos deixar que o negócio desequilibre o conceito com as bases, os princípios e os valores. Essa é a nossa diferença”, destacou.Presidente Márcio Lopes de Freitas Nesse contexto, Márcio chamou atenção para o papel do cooperado como origem e razão de ser da cooperativa. “A cooperativa é a criatura do cooperado. A criatura não pode ser mais importante que o criador. A base do nosso negócio é a nossa gente, é o nosso cooperado”, disse. A fala também apontou para a necessidade de aproximar novamente as cooperativas de suas bases, sem renunciar à evolução necessária para competir em mercados cada vez mais complexos. “A proposta do Ano CulturaCoop e da programação da Semana é justamente iniciar esse movimento de resgate. Resgate do verdadeiro papel dos cooperados, de um sentimento cada vez mais forte de que essa é a nossa diferença. Essa semana é um motor de arranque nesse processo”, completou.   Cultura que atravessa gerações José Alves Neto, presidente da ACI Américas A programação da Semana de Competitividade 2026 parte da compreensão de que a cultura cooperativista não é algo estático. Ela está ligada à trajetória construída pelo movimento ao longo das décadas, às transformações vividas pelas cooperativas e aos desafios de manter seus valores presentes em uma sociedade em constante mudança. A proposta é discutir como os princípios cooperativistas podem continuar fazendo sentido no presente e orientar as escolhas do movimento no futuro. José Alves Neto, presidente da Unimed do Brasil e da Aliança Cooperativa Internacional para as Américas, também participou da abertura e destacou que o crescimento do cooperativismo precisa caminhar junto com a preservação de sua identidade. Ao abordar o cenário brasileiro e internacional, José Alves destacou que a preocupação com a cultura cooperativista não é exclusiva do Brasil. “A resposta dos encontros, tanto aqui no Brasil quanto nas conversas que tenho pelas Américas e na Ásia, é sempre a mesma: formar pessoas, formar lideranças conscientes, formar educadores capazes de disseminar a cultura cooperativista entre cooperados, colaboradores e comunidade, e formar cooperados que entendam, na prática, por que fazemos o que fazemos e da forma que fazemos”, afirmou.   Memória que ajuda a construir o futuroHomenagem aos pioneiros do cooperativismo A relação entre passado, presente e futuro também marcou a abertura da Semana, com o lançamento do documentário Pioneiros do Cooperativismo Brasileiro. Produzido pelo Sistema OCB como parte do Ano CulturaCoop, o filme reúne relatos de lideranças que ajudaram a construir o cooperativismo em diferentes ramos e regiões do país. Após a exibição, os pioneiros foram homenageados com placas em reconhecimento à contribuição para o desenvolvimento do movimento. O registro audiovisual amplia essa homenagem ao preservar memórias que podem ser compartilhadas com as novas gerações e utilizadas em ações de educação e formação cooperativista. Foram homenageadas quatro lideranças reconhecidas por sua contribuição ao cooperativismo em âmbito nacional e estadual: Roberto Rodrigues, pioneiro do cooperativismo nacional; Ronaldo Scucato, em Minas Gerais; Malaquias Oliveira, em Pernambuco; e Américo Utumi, em São Paulo (in memorian), além de lideranças dos diferentes ramos do movimento: Jânio Stefanello (Infraestrutura), Nilson Luiz May (Saúde), Dorival Bartzike (Transporte), Hercílio Schmitt (Consumo), Margaret Garcia (Trabalho), Moacir Krambeck (Crédito), e José Aroldo Gallassini (Agropecuário). A programação da Semana de Competitividade 2026 segue até quinta-feira (13), conectando memória, cultura, formação e inovação em torno do futuro do cooperativismo.   Saiba Mais:  Sistema OCB recebe maior cooperativa de crédito do México Sistema OCB leva agenda cooperativista ao congresso do Agronegócio Modelo brasileiro do coop agro é apresentado em congresso na Argentina  
Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro
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10/08/2026

Sistema OCB leva agenda cooperativista ao congresso do Agronegócio

Tania Zanella participou de debates sobre agroindústria, financiamento e sustentabilidade em São Paulo  A 25ª edição do Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), realizada pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), em parceria com a B3, nesta segunda-feira (9), em São Paulo, teve como tema Agro & Indústria – integrando e transformando o Brasil.  O encontro reuniu representantes de diferentes setores para discutir os caminhos do agro diante das transformações econômicas, tecnológicas e ambientais, além do cenário geopolítico, verticalização da produção, investimentos e financiamento em um ambiente de maior volatilidade.   Tania Zanella, que também preside o Instituto Pensar Agropecuária (IPA) participou da cerimônia de abertura ao lado de lideranças do agronegócio.     Sustentabilidade   A agenda ambiental também ganhou espaço no encontro. Debates sobre verticalização sustentável e sobre como transformar desafios ambientais em oportunidades para o agronegócio mostraram que competitividade e sustentabilidade estão cada vez mais conectadas.  Para o cooperativismo, a discussão tem relevância tanto pela presença das cooperativas nas cadeias agropecuárias quanto pelo papel que elas desempenham na disseminação de tecnologias, na agregação de valor e na geração de renda nas regiões onde estão inseridas.  “O agro brasileiro tem diante de si o desafio de produzir mais, agregar valor e avançar em sustentabilidade. As cooperativas têm um papel importante nesse processo, porque estão próximas do produtor e ajudam a transformar inovação e boas práticas em resultados concretos para toda a cadeia”, destacou Tania.    Saiba Mais:  Cooperativismo leva experiência em RIG a seminário da Abrig  Coop defende integração para ampliar a resiliência climática no agro  Modelo brasileiro do coop agro é apresentado em congresso na Argentina 
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10/08/2026

Sistema OCB recebe maior cooperativa de crédito do México

Caja Popular Mexicana visitou iniciativas de educação, crédito e regulação em Brasília e Porto Alegre  O coop brasileiro recebeu, entre os dias 3 e 6 de agosto, uma comitiva de 31 representantes da Caja Popular Mexicana, maior cooperativa do México e também a maior cooperativa de crédito do país. Formado por dirigentes e integrantes da alta direção da instituição, o grupo veio ao Brasil para conhecer experiências do cooperativismo de crédito e iniciativas de educação cooperativista.  A programação começou na segunda-feira (3), no Sistema OCB, onde a delegação foi recebida pelo presidente do Conselho de Administração, Márcio Lopes de Freitas. Na ocasião, ele apresentou um panorama do cooperativismo brasileiro e destacou a importância de aproximar experiências de diferentes países. “O cooperativismo tem essa capacidade de conectar pessoas e organizações que, mesmo em realidades diferentes, enfrentam desafios muito parecidos. Receber uma comitiva como essa é uma oportunidade de mostrar um pouco do que construímos no Brasil e também de conhecer o que eles têm feito no México”, afirmou.  O grupo ainda conheceu o CapacitaCoop e suas contribuições para o desenvolvimento do cooperativismo brasileiro. Ainda em Brasília, o grupo visitou a sede do Sicoob e conheceu mais de perto a estrutura e o funcionamento do sistema cooperativista de crédito, além de sua cobertura nacional e sua miríade de produtos financeiros.  Na terça-feira (4), a agenda foi dedicada ao ambiente regulatório. Os representantes da Caja Popular Mexicana estiveram no Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop) e no Banco Central para conhecer as estruturas de proteção, supervisão e regulação que fazem parte do cooperativismo de crédito brasileiro.  Um dos temas de maior interesse da delegação foi a educação cooperativista. Na quarta-feira (5), já em Porto Alegre, o grupo conheceu a Escola Superior do Cooperativismo (Escoop) e teve contato com iniciativas de formação desenvolvidas no setor.   A programação terminou na quinta-feira (6), com uma agenda no Centro Administrativo do Sicredi (CAS), também em Porto Alegre.  A comitiva contou com a participação da presidente do Conselho de Administração da Caja Popular Mexicana,  Nadia Romero Gaytán, que acompanhou a agenda no país. Para os representantes mexicanos, a visita permitiu conhecer soluções adotadas pelas cooperativas brasileiras e observar como o modelo está organizado em diferentes frentes.  A aproximação também contribuiu para ampliar o diálogo entre os movimentos cooperativistas dos dois países. A Caja Popular Mexicana tem atuação voltada à oferta de serviços financeiros aos seus cooperados e mantém uma trajetória de mais de 70 anos no cooperativismo mexicano.  Saiba Mais:  Cooperativismo leva experiência em RIG a seminário da Abrig  Coop defende integração para ampliar a resiliência climática no agro  Modelo brasileiro do coop agro é apresentado em congresso na Argentina 
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