Destaques
22/07/2026
Educação Política fortalece cultura de representação institucional no coop
A política está mais presente no cotidiano das cooperativas do que muita gente imagina. É nos espaços de decisão que são definidas leis, regulamentações e políticas públicas capazes de impulsionar – ou limitar – o desenvolvimento do cooperativismo. Por isso, acompanhar o ambiente político-institucional e participar do diálogo com os tomadores de decisão é uma estratégia essencial para fortalecer o setor e garantir que as especificidades do modelo cooperativo sejam consideradas. Para aprimorar essa atuação, o Sistema OCB criou o Programa de Educação Política, que prepara lideranças cooperativistas para compreender o funcionamento das instituições, qualificar a representação institucional e ampliar a participação do cooperativismo nos debates de interesse do setor. Mais do que incentivar o acompanhamento da agenda pública, o programa busca consolidar uma cultura de atuação apartidária, técnica e permanente, voltada à defesa legítima das pautas cooperativistas. “Nossa intenção é formar cidadãos mais conscientes, lideranças mais preparadas e cooperativas mais capazes de dialogar com os tomadores de decisão. Queremos que o cooperativismo seja reconhecido não apenas por sua relevância econômica e social, mas também por sua capacidade de contribuir para a construção de soluções para os desafios do país”, explica o gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Eduardo Queiroz. Esse fortalecimento da representação institucional se traduz em ações concretas. Ao acompanhar a agenda legislativa, dialogar com representantes dos Poderes e construir relacionamentos institucionais, o cooperativismo amplia sua capacidade de atuar de forma estratégica na defesa de seus interesses. Com isso, consegue apresentar propostas fundamentadas, contribuir tecnicamente para a formulação de políticas públicas e levar aos espaços de decisão a experiência de organizações que promovem inclusão produtiva, desenvolvimento regional, geração de renda e o fortalecimento das comunidades. “Quando um dirigente entende como tramita um projeto de lei, quando um cooperado compreende o impacto de uma política pública sobre sua atividade ou quando uma cooperativa consegue apresentar propostas estruturadas para candidatos e gestores públicos, estamos fortalecendo a capacidade de incidência do movimento”, destaca o gerente. Como participar O Programa de Educação Política oferece diferentes ferramentas para as cooperativas aperfeiçoarem sua participação em processos decisórios importantes para as regiões onde estão inseridas. Em todo o país, 25 Organizações Estaduais (OCEs) já aderiram à plataforma. Segundo Queiroz, quanto maior o envolvimento das cooperativas, maior a capacidade do movimento de apresentar suas contribuições para o desenvolvimento do país e defender um ambiente institucional favorável ao seu crescimento. “Cooperativas que investem em educação política fortalecem sua capacidade de relacionamento institucional, desenvolvem lideranças mais preparadas, ampliam sua influência nos debates públicos e conseguem antecipar tendências regulatórias e legislativas que podem impactar seus negócios. Além disso, tornam-se organizações mais conectadas com seus territórios e mais capazes de atuar como agentes de desenvolvimento local”, ressalta. O programa é colocado em prática nos estados com oficinas, seminários, encontros de lideranças, cursos de formação, campanhas de conscientização e atividades voltadas para jovens, mulheres e dirigentes cooperativistas. São ações que destacam a importância da participação cidadã e da representação institucional dentro do coop e vem gerando uma mudança cultural ao longo dos anos. “Percebemos um avanço significativo na capacidade das próprias cooperativas de organizarem suas pautas, construírem agendas regionais e participarem de discussões sobre desenvolvimento local, o que amplia a legitimidade e a influência institucional do movimento”, avalia o gerente. Atuação estratégica O Programa de Educação Política funciona com base em eixos estratégicos. No primeiro, Formação Política e Cidadã, o foco é promover a capacitação sobre democracia, funcionamento das instituições, processo eleitoral, Poder Legislativo, Poder Executivo e participação social. É a base que permite que o sistema cooperativista tenha multiplicadores do programa por todo o país. No eixo Mobilização e Engajamento, o Sistema OCB busca transformar conhecimento em participação. O objetivo é incentivar cooperados, dirigentes e colaboradores a acompanharem os temas de interesse do cooperativismo e a se envolverem nos debates que impactam suas comunidades e seus negócios. O terceiro eixo – Representação Institucional – inclui o cooperativismo no centro da agenda de decisões, por meio do documento Propostas para um Brasil Mais Cooperativo, entregue aos presidenciáveis e demais candidatos em nível federal, estadual e municipal. Por fim, o eixo Comunicação e Conscientização amplia o alcance dessas discussões por meio de campanhas, materiais educativos e plataformas digitais. É nesse contexto que iniciativas como a campanha “Na hora de votar, #PensenoCoop” ganham relevância, aproximando cooperativas e representantes públicos. “É uma formação completa, que vai permitir à cooperativa entender como funciona todo o processo de participação política e como usá-la a seu favor. Em 2026, ano de eleições gerais, essa decisão é ainda mais importante no sentido de qualificar o relacionamento institucional das cooperativas com candidatos, parlamentares e gestores públicos”, destaca Eduardo Queiroz. Educação política na prática No Sistema OCB/ES, 100% dos parlamentares eleitos em âmbito estadual já firmaram um compromisso com o cooperativismo. A adesão é resultado de um trabalho consistente de representação institucional do coop capixaba. O assessor de Relações Institucionais do Sistema OCB/ES, David Duarte Ribeiro, explica que, com a ajuda do Programa de Educação Política, os atores políticos compreenderam que o cooperativismo possui uma atuação apartidária, com foco em fortalecer as cooperativas e ampliar a contribuição delas para o desenvolvimento do estado. Participante do programa desde 2023, a OCE já vem colhendo resultados significativos, como a aprovação de leis de reconhecimento e incentivo ao cooperativismo em 22 municípios capixabas. Os avanços refletem um esforço que também mobiliza quem atua na ponta. Cooperativas como a Coopram, de agricultura familiar, e a Coopersules, de transporte, passaram a dedicar painéis exclusivos ao Programa de Educação Política em seus eventos internos. “Nesses espaços, os multiplicadores apresentam a iniciativa, debatem a importância do envolvimento institucional e mostram como as decisões políticas impactam diretamente o dia a dia da cooperativa”, conta Ribeiro. Para ampliar esse alcance, o Sistema OCB/ES aposta em duas frentes complementares. A primeira é a capacitação dos multiplicadores, por meio da trilha de aprendizagem Cooperativismo e Relações Governamentais, na plataforma CapacitaCoop, garantindo que eles tenham domínio dos temas abordados. A segunda consiste em comunicar o tema de forma simples e próxima do público. “Encaminhamos materiais dinâmicos, como cartilhas digitais e pílulas de informação via WhatsApp, além de promovermos reuniões de comitês educativos. O foco é desmistificar a política, mostrando que a educação política não é sinônimo de partidarismo, mas sim um mecanismo para atuarmos em defesa do modelo de negócios cooperativo”, afirma o assessor. Construção permanente O Paraná foi o estado pioneiro na implementação do Programa de Educação Política do Sistema OCB, ainda na fase piloto, em 2018. Adaptada à realidade local, a iniciativa alcançou mais de 1 milhão de pessoas. Agora, a meta é ampliar esse alcance para 3 milhões, mobilizando as 255 cooperativas registradas na Ocepar. De acordo com a coordenadora de Relações Institucionais da entidade, Danielly Andressa da Silva, esse avanço é resultado de um trabalho contínuo de formação de coordenadores locais – lideranças indicadas pelas cooperativas para atuar como pontos focais do programa em cada organização. Os coordenadores participam regularmente de capacitações, recebem orientações técnicas e integram reuniões e fóruns promovidos pela Ocepar, garantindo alinhamento e uniformidade na condução das ações em todo o estado. “Cada vez mais lideranças compreendem que acompanhar o ambiente político-institucional não significa fazer política partidária, mas exercer uma representação institucional responsável, organizada e alinhada aos interesses do cooperativismo”, afirma. O pioneirismo também tem impacto na representatividade do coop paranaense. Hoje, 26 deputados federais e senadores do estado integram a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) no Congresso Nacional. “Observamos recentemente uma evolução importante na qualidade do relacionamento institucional com os Poderes Executivo e Legislativo, permitindo que as contribuições do cooperativismo sejam apresentadas de forma técnica, propositiva e permanente”, destaca Danielly. Para a coordenadora, esse trabalho ultrapassa os períodos eleitorais e busca consolidar uma cultura permanente de representação institucional. A proposta é preparar cooperativas e lideranças para acompanhar os processos de decisão e atuar de forma organizada na defesa de pautas estratégicas para o setor. A consolidação do programa também passa por uma agenda estruturada de formação e mobilização. A Ocepar investe na capacitação contínua de lideranças, na produção de materiais de comunicação, em parcerias institucionais e em ações de sensibilização junto às cooperativas. Entre as iniciativas desenvolvidas estão o documento Propostas por um Paraná mais Cooperativo, que complementa o material elaborado pelo Sistema OCB com indicadores e prioridades para o estado, o MBA em Inteligência Política e Governos, realizado com o apoio do Sescoop/PR, além de imersões institucionais na Assembleia Legislativa do Paraná e diálogo permanente com representantes dos Executivo. Segundo Danielly, a experiência tem mostrado que o maior desafio não é executar o programa, mas consolidar uma cultura de representação institucional capaz de ampliar, de forma legítima e contínua, a influência do cooperativismo nos espaços de decisão. “Nosso objetivo hoje é fortalecer uma atuação orientada por inteligência política, preparando lideranças para compreender o ambiente institucional, antecipar tendências e qualificar o diálogo com os tomadores de decisão”, conclui.
16/07/2026
Marketing de influência fortalece comunicação cooperativista
Quase metade da população brasileira já realizou uma compra por recomendação de influenciadores digitais, colocando o país na liderança do ranking global sobre o poder dos criadores de conteúdo nas decisões de consumo, segundo pesquisa da Statista e Hootsuite. O cooperativismo vem ocupando esse espaço de forma estratégica, utilizando o marketing de influência para ampliar o alcance de mensagens que engajam, informam e ajudam a promover escolhas conscientes.
Com o uso cada vez mais massivo das redes sociais, os influenciadores se destacam por criar conexões genuínas com seus seguidores, um ativo valioso para marcas e instituições que desejam conquistar o público digital. É aí que entra o marketing de influência, uma estratégia de comunicação que utiliza personalidades influentes para divulgar produtos ou serviços.
De acordo com a professora e pesquisadora do Instituto Federal de Brasília (IFB) Carla Simone Castro, embora o termo tenha ganhado notoriedade com as redes sociais, o conceito é antigo, porque as marcas sempre recorreram a figuras públicas, especialistas, artistas e lideranças sociais para transferir credibilidade em suas divulgações. “O que mudou foi a dinâmica da comunicação digital. Com o surgimento das plataformas sociais, especialmente Instagram, TikTok, YouTube e LinkedIn, surgiram novos formadores de opinião que passaram a construir comunidades próprias, estabelecendo relações mais próximas, frequentes e autênticas com seus seguidores”, explica.
Em tempos de super conectividade, o diferencial do marketing de influência é gerar confiança em um contexto onde os consumidores buscam referências, opiniões e experiências compartilhadas por outros usuários. “Enquanto a publicidade tradicional comunica a partir da instituição, o influenciador comunica a partir da experiência, da vivência e da relação de confiança construída com sua audiência. Isso gera uma percepção de autenticidade que muitas vezes amplia a eficácia da mensagem”, destaca a especialista.
O marketing de influência também permite uma segmentação altamente qualificada. Segundo Carla, é possível trabalhar com criadores de conteúdo especializados, alcançando públicos específicos com muito mais precisão do que em campanhas massificadas, o que gera melhores resultados. “Produtos, serviços ou políticas públicas que exigem explicação podem ser comunicados de forma mais acessível por especialistas e criadores de conteúdo que já possuem legitimidade perante seus públicos”, ressalta.
Marketing de influência no coop
Esse potencial de traduzir conceitos para o público de forma autêntica e confiável levou o cooperativismo a investir no marketing de influência como estratégia de comunicação. Este ano, os criadores de conteúdo ganharam espaço relevante na campanha SomosCoop 2026 para ajudar a espalhar a mensagem-tema: Escolha consciente, escolha o coop.
O time é formado pela apresentadora Ana Maria Braga, a educadora financeira Nath Finanças, a divulgadora científica Mari Kruger, o humorista Ed Gama e a influenciadora de investimentos Dani Colombo. A escolha dos nomes foi baseada na autenticidade, credibilidade e afinidade entre o perfil de cada um e a mensagem que o movimento coop deseja transmitir, segundo Samara Araujo, gerente de Comunicação e Marketing do Sistema OCB.
“Os influenciadores traduzem mensagens complexas para uma linguagem acessível, geram identificação e ajudam a inserir o cooperativismo em contextos nos quais ele normalmente não estaria presente. Isso amplia o reconhecimento da marca SomosCoop, desperta curiosidade e fortalece a conexão emocional com os consumidores”, destaca.
Ana Maria Braga, por exemplo, tem uma relação de confiança com o público construída ao longo de décadas com temas ligados à alimentação, qualidade e escolhas de consumo, além de exercer grande influência nas decisões de compra de milhões de brasileiros. Em uma das ações da campanha, ela levou o SomosCoop para a bancada do Mais Você.
Nath Finanças contribui para conectar a campanha ao conceito de consumo consciente e educação financeira, enquanto o Ed Gama utiliza o humor para aproximar o cooperativismo de novos públicos de forma leve e acessível. Mari Krüger e Dani Colombo reforçam a comunicação da campanha SomosCoop com uma linguagem simples e didática, ampliando o entendimento sobre o cooperativismo e incentivando escolhas mais conscientes.
Segundo Samara, quando existe coerência entre o influenciador e a mensagem, o conteúdo tende a gerar maior confiança e engajamento, o que tem sido comprovado pelos resultados. “Nos primeiros meses da campanha, já ultrapassamos 320 milhões de impactos, enquanto os conteúdos protagonizados por Ana Maria Braga, Nath Finanças, Ed Gama, Mari Kruger e Dani Colombo somaram mais de 20 milhões de visualizações nas redes sociais”, detalha a gerente.
A campanha SomosCoop 2026 representa uma evolução da estratégia de comunicação do cooperativismo brasileiro. A divulgação integrada reúne publicidade, assessoria de imprensa, produção de conteúdo institucional, marketing de influência, ações em pontos de venda, ações em grandes programas de entretenimento, presença digital e forte mobilização das cooperativas em todo o país. “Também disponibilizamos um amplo enxoval de comunicação, materiais de trade marketing, treinamentos e orientações para que o movimento fale de forma coordenada, fortaleça uma identidade única e potencialize os resultados”, explica Samara Araujo.
Conteúdos mais coop
Escolher um influenciador digital para comunicar o cooperativismo vai muito além do número de seguidores e envolve reputação, credibilidade e aderência aos objetivos estratégicos do movimento. Para garantir que a ferramenta seja eficaz, é preciso identificar criadores de conteúdos alinhados às mensagens e valores que serão apresentados.
De acordo com a pesquisadora Carla Simone Castro, do IFB, uma tendência crescente nesse mercado é a co-criação de conteúdo. Em vez de apenas divulgar uma mensagem pronta, as organizações passam a desenvolver soluções, experiências e narrativas conjuntamente com os influenciadores, aumentando a autenticidade da comunicação.
“É importante estabelecer objetivos claros, definir indicadores de desempenho, orientar corretamente sobre a campanha e garantir transparência na relação comercial. Além disso, é fundamental avaliar a afinidade genuína com o tema que será comunicado, pois a autenticidade faz toda a diferença para que a mensagem seja percebida como verdadeira”, pondera a especialista.
“O influenciador precisa atuar como um parceiro estratégico, capaz de compreender e traduzir os valores da cooperação, e não apenas como um veículo para divulgação de uma mensagem”, complementa Samara Araujo.
Para o futuro, a pesquisadora prevê um mercado de marketing de influência cada vez mais profissionalizado, orientado por dados e com maiores níveis de transparência. “O setor caminha para modelos que relacionam influência não apenas a métricas de vaidade, como curtidas e visualizações, mas a indicadores concretos de negócio, reputação, geração de valor e comportamento do consumidor”.
A experiência do Sistema OCB mostra que é necessário investir não somente em marketing de influência, mas também em branding, produção de conteúdo, campanhas publicitárias, inteligência de dados, experiências presenciais, entre outros. “Dentro dessa lógica de se assumir coop, podemos nos apoiar nas narrativas. As cooperativas possuem um patrimônio extremamente valioso: histórias reais, cooperados, comunidades transformadas e impactos concretos. Muitas vezes, esses ativos ainda são pouco explorados. Por isso, é fundamental desenvolver uma comunicação que conte essas histórias de forma simples, próxima e conectada com a realidade das pessoas”, finaliza a gerente.
10/07/2026
Cooperativa é protagonista de pesquisa com jaborandi na Amazônia
Na Floresta Nacional de Carajás, no Pará, a mata densa e úmida guarda tesouros escondidos. É neste cenário que um projeto científico realizado com a participação de um cooperativa trabalha para preservar uma planta fundamental para a medicina moderna: o jaborandi, ou Pilocarpus microphyllus. A espécie amazônica é a única fonte natural conhecida da pilocarpina, composto usado no tratamento de doenças como glaucoma e a Síndrome de Sjögren.
Os pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV) contam com um ativo especial para essa missão: a força do cooperativismo, representada pela Coex Carajás. A cooperativa reúne extrativistas da unidade de conservação desde 1990 e é reconhecida pelo manejo sustentável da floresta.
O jaborandi é uma planta classificada como vulnerável na Lista Vermelha da Flora Brasileira, ou seja, com alto risco de extinção na natureza em médio prazo. A preservação é urgente, em especial porque não há alternativa sintética à pilocarpina extraída da planta. Para resolver essa equação, os pesquisadores do ITV, com apoio da comunidade local e do envolvimento da Coex Carajás, criaram uma coleção inter situ, ou um “banco vivo de conservação” do jaborandi. Isso porque a planta não pode ser preservada por métodos tradicionais, como na forma de sementes.
“Existem bancos de sementes espalhados por vários locais no mundo. Se, por exemplo, algum dia ocorrer uma catástrofe mundial, você consegue recuperar as espécies usando esses acervos. Há várias espécies que a gente chama de sementes ortodoxas, que conseguem ser armazenadas por longos períodos. Mas outras perdem a viabilidade muito rápido, como o jaborandi”, explica o pesquisador Cecilio Caldeira Frois.
O estudo, comandado por ele e pela equipe do ITV, foi publicado na renomada revista científica PLOS One. Há várias formas de manter uma coleção de plantas e, no caso do jaborandi, a aposta foi pela forma inter situ, ou seja, no próprio local em que a espécie se desenvolve, a partir da recuperação das áreas degradadas.
“A grande vantagem da coleção inter situ é que, além de estudos, ela serve para uso. As plantas crescem como se estivessem em um ambiente natural”, explica o cientista. Antes do plantio, é feito um estudo genético das mudas em viveiro, um traçado das áreas e o desenvolvimento das técnicas para que elas brotem. Depois, vem a fase de manejo, em que os pesquisadores acompanham as espécies para avaliar a sobrevivência e o crescimento.
“Isso tudo é feito durante vários anos até que a coleção se estabeleça. Aquelas plantas que nós levamos começam a ter ‘novos filhos’ ali e conseguem ter autonomia da população”, resume. O trabalho da pesquisa começou em 2020, com a coleta das sementes que indicaram quatro populações geneticamente distintas do jaborandi - três delas apresentaram resultados expressivos, com mais de 500 plantas estabelecidas.
Protagonismo coop
Com experiência de muitos anos no manejo sustentável do jaborandi na região, a Coex Carajás tem papel fundamental na pesquisa. Os cooperados participaram de diversas etapas do estudo, desde o planejamento até o trabalho em campo, que é remunerado pelo instituto. “Boa parte das ações que a gente executa, a cooperativa participa. Por exemplo, para mapear as áreas de ocorrência do jaborandi na Floresta Nacional de Carajás. Quem vai a campo e coleta os dados são os cooperados. A gente faz o treinamento e os contrata”, explica Frois.
O resultado da cooperação beneficia os extrativistas, a ciência e toda a sociedade, uma vez que a preservação do jaborandi garante o tratamento de quem precisa do ativo. “Esse mapeamento vai retornar para os cooperados da Coex Carajás, porque essas novas áreas serão os locais onde eles poderão explorar folhas e sementes de jaborandi no futuro”, pondera o pesquisador. Além disso, a equipe do ITV pretende elaborar um guia sobre como implantar coleções de espécies excepcionais, como o jaborandi, auxiliando outras frentes de trabalho científico.
Cooperativismo e desenvolvimento na Amazônia
O superintendente do Sistema OCB/PA, Júnior Serra, destaca que as cooperativas paraenses, pela própria inserção no bioma amazônico, praticam a bioeconomia desde sua essência. “Elas estão auxiliando nesse modal da integração entre homem e natureza. Muitas cooperativas como a Coex Carajás precisam estar com o ecossistema equilibrado para produzir”, ressalta.
O pesquisador Cecílio Frois destaca que a presença de uma comunidade local dedicada ao manejo sustentável foi o ambiente perfeito para que o estudo se desenvolvesse da melhor forma possível. “A gente encontra na espécie uma demanda comercial, uma demanda de conservação e uma comunidade local que quer e precisa fazer a conservação e o manejo da espécie. Essa sinergia com a cooperativa. Para mim, que trabalho com pesquisa, ver isso sendo aplicado é extraordinário”, afirma.
Serra destaca que, com a participação das cooperativas em projetos de sustentabilidade ambiental, o ganho deixa de ser individual para se tornar coletivo. “O cooperativismo é uma importante ferramenta de desenvolvimento social e econômico, capaz de impulsionar a preservação ambiental, a permanência das pessoas no campo e promover o desenvolvimento tão necessário para essas comunidades”.
10/07/2026
Semana de Competitividade 2026 impulsiona a cultura cooperativista
Como crescer sem perder a identidade? Desde o 15º Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), essa reflexão tem orientado a construção de uma visão estratégica para o futuro do movimento, fundamentada nos princípios e valores que o definem. Em agosto, essa mobilização terá um marco importante, com a Semana de Competitividade 2026, que este ano terá como tema “Cultivando a Cultura Cooperativista”, um chamado à ação para fortalecer os diferenciais do coop e impulsionar o crescimento sustentável.
O evento será realizado de 11 a 13 de agosto, em Brasília, e integra as atividades do Ano da Cultura Coop, promovido pelo Sistema OCB para oferecer às cooperativas soluções que visam fortalecer a cultura cooperativista por meio da educação orientada para continuidade e renovação, com foco na formação de educadores cooperativistas.
“A cultura cooperativista é um movimento vivo, em transformação. No momento em que o modelo de negócios cooperativista está em plena expansão no Brasil, reforçar o que nos torna únicos é fundamental. Para que os valores e princípios do coop se mantenham sólidos, precisamos investir em educação e informação sobre nossa identidade, e a Semana de Competitividade trará importantes ferramentas para isso”, afirma a gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, Débora Ingrisano.
Durante o evento, serão apresentados os resultados da Pesquisa de Cultura Cooperativista 2026, estudos sobre identidade e memória cooperativista, além de novas soluções do Eixo CulturaCoop nas áreas de legado, educação e sucessão.
Formação e engajamento
A programação vai reunir cooperativistas de todo o país, especialistas e lideranças em trilhas sobre
governança cooperativa, educação cooperativista, comunicação e experiência, legado e sucessão. Os participantes poderão compartilhar experiências, tendências e boas práticas de cultura cooperativista em palestras, labs, salas temáticas e momentos de troca sobre temas fundamentais para o futuro do cooperativismo brasileiro.
“Esta edição foi pensada para valorizar aquilo que diferencia o coop: sua essência, seus valores, sua identidade e sua capacidade de gerar desenvolvimento de forma coletiva. É uma oportunidade para refletirmos, na prática, sobre como a cultura coop pode fortalecer nossas organizações e ampliar nosso diferencial competitivo”, destaca o gerente do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB, Guilherme Costa.
Ao longo dos três dias, a Semana de Competitividade vai propor discussões sobre a cultura cooperativista como um diferencial estratégico das cooperativas, abordando identidade, valores, práticas organizacionais, educação cooperativista e formas de fortalecer o jeito cooperativo de atuar. Reconhecido pelas ativações inovadoras e interatividade, o evento deste ano oferecerá uma experiência ainda mais dinâmica e conectada com os desafios atuais das cooperativas.
“A proposta é que os participantes encontrem uma programação diversa, com conteúdos que combinam reflexão estratégica, cases reais e atividades mais aplicadas, sempre com foco em mostrar como a cultura cooperativista pode ser cultivada no dia a dia e transformada em diferencial competitivo.”, ressalta Costa.
Reflexões e prática
Os destaques da programação da Semana de Competitividade 2026 estão disponíveis no site oficial do evento. As palestras irão debater temas como juventude cooperativista, tendências de comunicação e oportunidades geracionais, futuro do coop e legado cooperativista. Nas salas temáticas, os programas incluem diversidade e inclusão, protagonismo feminino, educação e Inteligência Artificial (IA), além de sucessão, fidelização de cooperados e governança. Os labs – com atividades práticas – foram definidos a partir de questões norteadoras para o futuro do coop, como engajamento de jovens, design de experiência, plano de comunicação e memória institucional.
Confira a programação no site da Semana de Competitividade 2026.
Vídeos Saber Cooperar
Representação política e institucional
O trabalho de representação política e institucional do Sistema OCB estabelece um diálogo estratégico e constante com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, para defender os interesses do movimento cooperativista e promover um ambiente favorável ao desenvolvimento de políticas públicas que valorizem o cooperativismo brasileiro.O que é a intercooperação
A intercooperação abre portas para novos negócios e ajuda a ampliar a participação de mercado e os resultados das cooperativas envolvidas. Assista ao vídeo e veja como a união entre cooperativas pode potencializar os resultados dos negócios cooperativos.
Cooperativismo e ESG
Qual é a relação entre cooperativas e bioeconomia?
A onda verde chegou com força ao setor econômico. A chamada bioeconomia está em alta, mas você saber o que ela propõe, na prática?
Infográficos
Mulheres na história do coop: de Rochdale à ACI
Neste infográfico você vai conhecer a trajetória inspiradora de mulheres que participaram ativamente da construção do movimento cooperativista no Brasil e no mundo e suas importantes contribuições para moldar o cooperativismo como conhecemos hoje.
Legado do Ano Internacional das Cooperativas
O legado de um ano histórico para o cooperativismo
O coop e o clima: propostas do cooperativismo brasileiro para a agenda climática
Neste infográfico, apresentamos as propostas do cooperativismo brasileiro para a agenda climática e mostramos como o modelo cooperativista torna possível unir desenvolvimento econômico e sustentabilidade. Com forte atuação em temas centrais como transição climática, bioeconomia e uso responsável dos recursos naturais reforçamos o papel das cooperativas como parte essencial das soluções para enfrentar a crise climática.
Como as cooperativas constroem um mundo melhor?
O cooperativismo é um modelo reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) por sua capacidade de promover desenvolvimento econômico com responsabilidade social e respeito ao meio ambiente. Essa atuação está diretamente conectada aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma série de metas para construir um mundo mais justo e próspero até 2030. Descubra no infográfico interativo como as cooperativas contribuem para cada ODS.
