Destaques
20/08/2026
Educar para cooperar: 5º princípio mantém viva a cultura coop
São Roque de Minas (MG) já foi conhecida pelo título de “a cidade que morria devagar”. A economia estagnada e a ausência de instituições bancárias levavam a população do município mineiro para longe, em busca de oportunidades, especialmente os jovens. A chegada do cooperativismo de crédito e o investimento em educação mudaram o final dessa história. Com o fortalecimento do 5º princípio do cooperativismo – Educação, formação e informação e comunicação –, São Roque hoje acumula projetos bem sucedidos que transformaram gerações da comunidade. Essa mudança teve início em 1991, com a fundação do Sicoob Sarom, antiga Saromcredi. A cooperativa de crédito garantiu o acesso dos moradores a serviços financeiros e impulsionou a produção artesanal do queijo Canastra. A economia local se fortaleceu e a cooperativa passou a refletir sobre como manter os jovens na cidade para fortalecer o desenvolvimento do município. Foi assim que, em 1999, nasceu a Cooperativa Educacional Sarom (CES), com apoio do Sicoob. A missão da escola era formar lideranças alinhadas com a visão do cooperativismo, que compreendessem a importância do trabalho coletivo e do interesse pela comunidade. “A criação da cooperativa educacional, com o apoio da Sarom, foi também uma estratégia de sustentabilidade da cooperativa de crédito. Na época, tínhamos poucas pessoas na cidade com cursos de graduação, o que dificultava o crescimento da cooperativa em razão da falta de mão-de-obra”, destaca Ighor Oliveira, gerente de Educação e Desenvolvimento do Sicoob Sarom. A escola começou oferecendo educação infantil, e hoje atende todas as etapas da educação básica, até o ensino médio. A diretora da CES, Maria José Leite, conta, orgulhosa, que já formou gerações de cooperativistas e hoje há ex-alunos trazendo os filhos, trabalhando na instituição e até mesmo integrando o Conselho de Administração. “A educação cooperativista é um processo de longo prazo. Atualmente, 51% dos alunos que se formaram na CES e concluíram a graduação, voltaram a São Roque. Aquilo que a gente desejou lá no passado, que era o retorno dos filhos de São Roque, aconteceu. Talvez seja o maior reconhecimento do nosso trabalho”, afirma. Em 2026, a CES atingiu a marca de 200 alunos matriculados. Raízes O exemplo de São Roque de Minas mostra como os princípios do cooperativismo – que nasceram com a Sociedade dos Pioneiros de Rochdale, em 1844 – seguem atuais e estão conectados ao dia a dia das cooperativas, segundo o professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Pablo Albino. “Não é algo separado, que está em uma placa. Eles são fundamentais para nortear a estratégia e o futuro das cooperativas, mesmo em 2026”, afirma Albino, que coordena o curso de graduação em Cooperativismo da universidade. O professor aponta que, em um momento de forte expansão do coop brasileiro, torna-se ainda mais urgente fortalecer os diferenciais desse modelo de negócios e destaca a importância estratégica do 5º princípio para essa construção. “Se olharmos para o tamanho que as cooperativas estão tomando no Brasil – em número de cooperados e funcionários – esse princípio precisa de atenção. Se a cooperativa não fizer esse trabalho de educação e informação, vamos ter cooperados e colaboradores envolvidos nas organizações sem saber do que eles estão fazendo parte”, pondera. Albino destaca que há diferentes tipos de estratégias para colocar o 5º princípio em prática: seja em cooperativas escolares, como a de São Roque, ou ações de educação, capacitação e formação de cooperados, colaboradores e novas lideranças. Semente Em São Roque de Minas, além de seguir apoiando a cooperativa educacional e oferecer bolsas de estudo na instituição para os filhos de seus cooperados, o Sicoob Sarom entendeu que era preciso ir além e ampliou os esforços para fortalecer a cultura cooperativista na região. Em 2013, a cooperativa criou o Movimento Coop Educação para levar o modelo a outras escolas. “A experiência da Cooperativa Educacional está, geograficamente, limitada a São Roque de Minas. Por isso, a partir do movimento, levamos a educação cooperativista para as escolas públicas dos municípios onde o Sicoob Sarom atua”, explica Oliveira. O projeto leva filosofia cooperativista, empreendedorismo e educação financeira para as salas de aula de mais de 100 escolas públicas e privadas parceiras, em sete municípios. Mais de 2 mil professores e 50 mil estudantes já foram impactados pelo movimento. “Se lá atrás se a gente tinha dificuldade de encontrar mão-de-obra qualificada, hoje em São Roque de Minas, nossa sede, 40% dos nossos colaboradores vieram, ou da cooperativa educacional, ou do programa educacional”, destaca. O modelo inspira e pode ajudar outras cooperativas interessadas nesse investimento a longo prazo na educação cooperativista. O gerente conta que, todos os anos, recebe visitantes de diferentes partes do país interessados em conhecer a revolução educacional promovida pelo Sicoob Sarom. “Estamos abertos a receber visitas de intercooperação e compartilhar nossa experiência”, convida. Leia as outras matérias da série Princípios do Cooperativismo: Qual o significado de adesão voluntária e livre? Gestão democrática fortalece governança e pertencimento Participação econômica gera ciclo virtuoso de desenvolvimento Autonomia e independência: por que o 4º princípio continua mais atual do que nunca Acesse a nova trilha de aprendizagem sobre Cultura Coop na plataforma CapacitaCoop: História, Memória e Cultura Cooperativista
14/08/2026
Autonomia e independência: por que o 4º princípio continua mais atual do que nunca
Como conciliar parcerias comerciais, relacionamento com governos e a atuação em um mercado cada vez mais competitivo sem perder a essência cooperativista? A resposta está no 4º Princípio do Cooperativismo: Autonomia e independência. Mais do que garantir a liberdade de gestão das cooperativas, ele assegura que elas possam realizar alianças estratégicas e fortalecer sua atuação sem abrir mão de sua identidade, valores e dos direitos dos cooperados.
Segundo o professor Márcio Nunes, coordenador do curso de Gestão de Cooperativas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), esse princípio permanece tão atual quanto na época em que foi incorporado ao conjunto de diretrizes que orientam o cooperativismo, em 1995, pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI).
“O 4º princípio segue cada vez mais relevante porque as cooperativas precisam realizar diversas parcerias institucionais por estarem inseridas em um ambiente competitivo. A autonomia garante que elas realizem alianças com terceiros sem perder a sua identidade, missão, valores e sem interferir na gestão democrática”, detalha.
Na prática, isso significa que toda parceria, negociação ou iniciativa que envolva governos, instituições financeiras ou outras organizações deve respeitar a autonomia da cooperativa e preservar o controle democrático exercido pelos cooperados. Qualquer influência externa que comprometa esse princípio, favoreça interesses particulares ou conceda privilégios em detrimento da coletividade enfraquece a essência do modelo cooperativista.
Nunes, no entanto, pondera que a independência prevista no 4º princípio não significa isolamento em relação ao poder público. Pelo contrário, ela permite que as cooperativas tenham acesso a políticas públicas e estabeleçam relações institucionais sem comprometer sua autonomia nem a gestão exercida pelos associados. “A autonomia e independência não impedem que os governos reconheçam o valor das cooperativas e apoiem o seu desenvolvimento. Pelo contrário, leis, políticas e regulamentos podem ser criados ou aperfeiçoados no âmbito das cooperativas sem interferir em suas características”.
Impacto positivo para os cooperados
Esse equilíbrio entre autonomia, parcerias e gestão democrática pode ser observado na prática na Cooperativa de Produção da Agricultura Familiar da Comunidade de Lagoa de Dentro e Região (Cooperlad), no interior da Bahia. A cooperativa mantém uma ampla rede de parcerias com órgãos públicos, instituições financeiras e entidades de apoio para ampliar oportunidades aos cooperados e acessar novos mercados. Ainda assim, todas as decisões estratégicas permanecem sob o controle da cooperativa, sendo deliberadas pela gestão e pelos cooperados, principalmente durante as assembleias, onde cada associado tem voz e direito a voto.
“O 4º princípio é extremamente importante porque garante que a Cooperlad preserve sua identidade, atue sempre em benefício dos cooperados e mantenha uma gestão participativa, transparente e comprometida com o desenvolvimento da agricultura familiar”, afirma o presidente da cooperativa, Cristóvão Roma.
Os resultados dessa atuação beneficiam cerca de 200 cooperados distribuídos em mais de cinco territórios de identidade da Bahia. Por meio da organização coletiva, da agroindustrialização e do acesso a mercados, produtores rurais de diferentes municípios ampliam suas oportunidades de geração de renda sem abrir mão da participação nas decisões da cooperativa. Assembleias, prestação de contas e diálogo permanente garantem que a gestão seja construída de forma coletiva.
“Autonomia, transparência e democracia estão diretamente ligadas. Esses valores fortalecem a confiança, estimulam o envolvimento dos associados e garantem que todos tenham voz dentro da cooperativa”, destaca Roma.
Para o presidente, o maior benefício para os cooperados é a segurança de fazer parte de uma organização que representa seus interesses, sem interferências externas. Ao participar das decisões e acompanhar de perto a gestão, cada associado contribui para o fortalecimento da cooperativa e para o desenvolvimento coletivo.
“A autonomia permite que a Cooperlad mantenha seus objetivos voltados ao fortalecimento da agricultura familiar, promovendo oportunidades, geração de renda e crescimento para seus cooperados. Essa forma de trabalhar garante mais oportunidades, participação nas decisões, fortalecimento da produção, acesso a mercados e melhoria da qualidade de vida”, resume.
Como fortalecer o 4º princípio
Na avaliação do professor de Gestão de Cooperativas da UFRB, a autonomia e a independência das cooperativas se fortalecem quando os cooperados exercem, de fato, o controle sobre a organização. Para isso, é indispensável que tenham acesso a informações rápidas, claras e confiáveis, capazes de subsidiar a participação nas decisões e o exercício da gestão democrática.
“A transparência e a prestação de contas contribuem para a gestão democrática da cooperativa, pois impulsionam a participação dos cooperados nos espaços de decisão, reduzem conflitos, ampliam a confiança entre os membros e fortalecem a governança da organização”, explica Nunes.
Mais do que um princípio de governança, a autonomia e a independência garantem que as cooperativas continuem fiéis ao seu propósito de promover o desenvolvimento econômico e social de forma democrática, sustentável e centrada nas pessoas.
Leia as outras matérias da série Princípios do Cooperativismo:
Qual o significado de adesão voluntária e livre?
Gestão democrática fortalece governança e pertencimento
Participação econômica gera ciclo virtuoso de desenvolvimento
05/08/2026
Dia dos Pais: cooperativismo pode ser transmitido de pai para filho
A cooperação se aprende no dia a dia e pode ser passada de pai para filho. Assim como hábitos, valores e tradições familiares, o cooperativismo também é transmitido de geração em geração. Quando pais compartilham com os filhos valores como ajuda mútua, compromisso com a comunidade, responsabilidade socioambiental e participação, ajudam a formar cidadãos mais preparados para construir um futuro baseado no interesse coletivo.
O Dia dos Pais, celebrado em 9 de agosto, é uma oportunidade para refletir sobre como o exemplo pode contribuir para manter vivo o legado cooperativista e inspirar as novas gerações a fazer parte do movimento.
No caso do publicitário Eduardo Meyer, esse caminho começou a ser trilhado há 11 anos, quando se tornou pai e passou a olhar ainda mais para o futuro e para a importância de ensinar pelo exemplo. Na época, ele abriu uma conta poupança para a filha recém-nascida em uma cooperativa de crédito e logo percebeu que a iniciativa iria além de uma decisão econômica.
“A ideia era fazer depósitos periódicos pensando no longo prazo, mas com o tempo percebi que esse investimento representava muito mais do que uma reserva financeira. Ele também se tornou uma oportunidade para falar sobre educação financeira, planejamento e a importância de administrar os recursos com responsabilidade”, lembra.
Assessor de Desenvolvimento do Cooperativismo na Sicredi União MS/TO e Oeste da Bahia, Meyer acredita que ensinar sobre dinheiro desde cedo é uma forma de preparar os filhos para tomarem decisões conscientes no futuro. Mais do que acumular recursos, o objetivo é desenvolver valores como disciplina, responsabilidade e visão de longo prazo.
Esses ensinamentos também fazem parte da rotina da família em outras situações. Meyer procura transmitir aos filhos princípios como solidariedade, cooperação e cuidado com as pessoas. Por isso, costuma levá-los para participar das ações de voluntariado promovidas pelo Sicredi. Na prática, ele mostra que o cooperativismo é vivido no cotidiano, por meio de atitudes que geram impacto positivo na vida das pessoas.
“Essas experiências ajudam a desenvolver a empatia e a compreensão de que todos nós podemos contribuir para tornar a sociedade um lugar melhor. Tento mostrar aos meus filhos que olhar para o próximo com respeito, carinho e disposição para ajudar é tão importante quanto qualquer aprendizado que recebemos dentro da escola”, acrescenta.
Segundo Meyer, seu maior legado está não apenas no que ensina aos filhos com palavras, mas principalmente em suas atitudes como pai. “São os exemplos do dia a dia que ajudam a formar cidadãos mais conscientes, responsáveis e comprometidos com a construção de um futuro melhor para todos. Esse é o ensinamento que procuro deixar para os meus filhos, todos os dias”.
Ensinando a cooperar
A transmissão dos valores cooperativistas também pode ser leve e divertida. Para as crianças, o aprendizado ganha ainda mais significado quando é adaptado à linguagem e aos interesses de cada faixa etária. Com esse objetivo, o Sistema OCB disponibiliza a plataforma Jogar+Aprender, dentro da CapacitaCoop, com jogos, vídeos, cursos e materiais educativos voltados à educação cooperativista de crianças e adolescentes.
Gratuita e desenvolvida com recursos pedagógicos e metodologias adequadas a cada fase do desenvolvimento, a plataforma oferece mini jogos, games interativos, biblioteca digital e outros conteúdos organizados para dois públicos: crianças de 6 a 12 anos e jovens de 13 a 17 anos.
“Mais do que apresentar conceitos sobre o cooperativismo, a Jogar+Aprender busca despertar, desde cedo, o interesse pela cooperação, pela participação e pelo compromisso com o bem comum. É uma aliada das famílias e educadores na missão de fortalecer a cultura cooperativista e inspirar as novas gerações a manter vivo esse legado”, explica Débora Ingrisano, Gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB.
31/07/2026
Por que as cooperativas devem tomar decisões baseadas em dados?
Em um cenário de alta competitividade e mudanças cada vez mais rápidas no mercado, tomar decisões apenas com base na experiência já não basta. Saber onde investir, quando expandir uma operação, como atender melhor aos cooperados ou identificar riscos antes que eles se tornem problemas depende, cada vez mais, da capacidade das cooperativas de transformar dados em informação útil para a gestão.
É justamente esse o propósito do Anuário do Cooperativismo Brasileiro, do Sistema OCB, que teve sua edição 2026 lançada no dia 31 de julho. Principal levantamento sobre o setor no país, a publicação mostra que as 4,4 mil cooperativas brasileiras reúnem 29 milhões de cooperados, geram 613,4 mil empregos e movimentam R$ 848,4 bilhões na economia. Mais do que reunir números, o AnuárioCoop oferece base sólida para que dirigentes planejem o futuro de suas cooperativas.
“O Anuário é a principal radiografia do cooperativismo brasileiro. Ele reúne informações sobre o desempenho das cooperativas em todo o país e mostra, de forma concreta, qual é o impacto do setor na economia e na sociedade. Para além de apresentar números, o objetivo é oferecer conhecimento para apoiar decisões e mostrar a força do modelo cooperativista”, afirma o coordenador do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB, Igor Seixas Miranda Vianna.
Segundo ele, o AnuárioCoop deve ser visto como uma ferramenta de gestão. “O dirigente pode usar os dados para comparar o desempenho da sua cooperativa com o setor, identificar tendências, avaliar oportunidades de crescimento e embasar decisões estratégicas. É uma forma de olhar para além da realidade da própria organização e entender o contexto em que ela está inserida”.
Vianna destaca que praticamente todas as grandes decisões de uma cooperativa podem ser fortalecidas por dados. “Desde a abertura de uma nova unidade, lançamento de produtos e serviços, definição de investimentos, até ações voltadas à fidelização dos cooperados ou à melhoria da eficiência operacional. Ao permitir comparações entre ramos, regiões e indicadores econômicos, o Anuário ajuda os dirigentes a transformar informações em planejamento e a tomar decisões com menor grau de incerteza”, destaca.
Dos dados à estratégia
Para o auditor federal de Finanças e Controle da Controladoria-Geral da União (CGU) e professor de Tecnologia da Informação do Gran Faculdades, Vitor Kessler, mais do que reunir informações relevantes para o negócio, o verdadeiro diferencial de usar dados nos negócios está em saber interpretá-los e transformá-los em estratégias.
“Uma gestão orientada por dados é aquela em que as decisões são fundamentadas em evidências, e não apenas em opiniões, impressões pessoais ou práticas históricas”, argumenta. “Quando a decisão é baseada apenas na percepção, problemas relevantes podem ser subestimados, recursos podem ser direcionados para áreas de menor impacto e ações aparentemente bem-sucedidas podem ser mantidas sem que exista comprovação de seus resultados”, exemplifica.
Segundo Kessler, muitas organizações ainda decidem sem recorrer à análise de dados porque parece a via mais rápida e, muitas vezes, mais confortável. “O gestor já possui experiência no setor, conhece a organização e acredita que consegue reconhecer os problemas sem precisar de uma análise mais estruturada. Além disso, muitas organizações ainda possuem dados dispersos, desatualizados ou armazenados em sistemas que não se comunicam, além de enxergarem indicadores como mecanismos de controle ou fiscalização, e não como instrumentos de aprendizagem e melhoria”, afirma.
Outro fator, aponta Kessler, é a falsa impressão de que trabalhar com dados exige tecnologias complexas, equipes numerosas e grandes investimentos. “Na prática, é possível começar com estruturas simples, desde que existam objetivos claros e disciplina na coleta e análise das informações”, explica. “À medida que a maturidade aumenta, a organização pode investir em integração de sistemas, armazenamento de dados, plataformas de BI [Business Intelligence], automação e inteligência artificial”.
Para as cooperativas que desejam fortalecer a tomada de decisão com base em dados, Kessler recomenda começar pelo problema que precisa ser resolvido, e não pela tecnologia. “Antes de escolher ferramentas, a organização deve definir qual problema precisa resolver e quais dados são necessários para isso. Essas informações precisam ser confiáveis, analisadas em contexto e comparadas com metas ou referências. Mais do que gerar gráficos, a análise deve orientar ações, com responsáveis, prazos e acompanhamento dos resultados”, orienta.
Indicadores na rotina
Esse movimento de tomada de decisões com base em dados já faz parte da realidade das cooperativas brasileiras. Uma delas é Aurora Coop, de Santa Catarina, que reúne mais de 150 mil famílias cooperadas e atua nas cadeias de carnes suína e de aves, lácteos, pescados e alimentos industrializados, com operações em diversas regiões do país. Na Aurora, dashboards, BI e indicadores fazem parte da rotina dos gestores.
“A Aurora vem evoluindo de uma cultura baseada predominantemente na experiência e no conhecimento dos gestores para um modelo em que os dados complementam e qualificam as decisões. Isso ocorre por meio da ampliação das plataformas de Business Intelligence, da democratização do acesso às informações, da governança de dados e da incorporação de indicadores aos fóruns de gestão e acompanhamento estratégico”, afirma a diretora administrativa Marinei Aparecida Zuffo Antunes da Rocha.
Segundo Marinei, a principal mudança foi compreender que dados não são apenas um elemento tecnológico, mas um ativo estratégico do negócio. A cooperativa passou a valorizar decisões sustentadas por evidências, estimulando questionamentos, análises e validações antes da tomada de decisão.
Atualmente, todos os principais processos da Aurora estão mapeados em ferramentas de BI, e a organização já avança na integração dessas informações com soluções de Inteligência Artificial. Um dos exemplos está na área agropecuária, onde, segundo Marinei, o uso de geoprocessamento, cruzamento de informações sanitárias e análise espacial contribuiu para o planejamento preventivo, gestão de riscos e definição de ações operacionais na cadeia produtiva.
Apesar dos avanços tecnológicos, Marinei acredita que o principal fator para uma gestão baseada em dados continua sendo outro. “Se fosse necessário escolher apenas um fator, eu responderia: cultura. A tecnologia tornou-se cada vez mais acessível. Processos podem ser desenhados e redesenhados. Pessoas podem ser treinadas. Porém, sem uma cultura que valorize evidências, transparência, aprendizado contínuo e decisões fundamentadas, os dados não geram valor real”, avalia.
“Na Aurora, a transformação ocorre quando liderança, equipes e tecnologia trabalham de forma integrada, mas é a cultura que efetivamente converte informação em ação e ação em resultado. Essa é a base para uma organização verdadeiramente orientada por dados”, finaliza Marinei.
Infográficos
Mulheres na história do coop: de Rochdale à ACI
Neste infográfico você vai conhecer a trajetória inspiradora de mulheres que participaram ativamente da construção do movimento cooperativista no Brasil e no mundo e suas importantes contribuições para moldar o cooperativismo como conhecemos hoje.
Legado do Ano Internacional das Cooperativas
O legado de um ano histórico para o cooperativismo
O coop e o clima: propostas do cooperativismo brasileiro para a agenda climática
Neste infográfico, apresentamos as propostas do cooperativismo brasileiro para a agenda climática e mostramos como o modelo cooperativista torna possível unir desenvolvimento econômico e sustentabilidade. Com forte atuação em temas centrais como transição climática, bioeconomia e uso responsável dos recursos naturais reforçamos o papel das cooperativas como parte essencial das soluções para enfrentar a crise climática.
Como as cooperativas constroem um mundo melhor?
O cooperativismo é um modelo reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) por sua capacidade de promover desenvolvimento econômico com responsabilidade social e respeito ao meio ambiente. Essa atuação está diretamente conectada aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma série de metas para construir um mundo mais justo e próspero até 2030. Descubra no infográfico interativo como as cooperativas contribuem para cada ODS.
