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SABER COOPERAR
14/01/2026
Campanha SomosCoop: como participar e incentivar os brasileiros a escolher o coop
Em 2026, a campanha SomosCoop traz um convite simples e direto para os brasileiros: Escolha o coop. Uma mensagem para transformar o ato de consumir em uma decisão consciente, capaz de promover desenvolvimento, sustentabilidade e impacto. A mobilização será lançada oficialmente no dia 23 de março, mas as cooperativas já podem se preparar para fazer parte desse movimento de forma estratégica e fortalecer o coop como a melhor escolha. O foco da campanha é reforçar a visibilidade do modelo cooperativista no dia a dia das pessoas, com ações multimídia e em pontos de venda e fortalecimento do carimbo SomosCoop. Para isso, o Sistema OCB desenvolveu materiais de divulgação, conteúdos para rádio e TV, peças digitais para redes sociais, entre outros itens, que podem ser acessados pelas cooperativas na Central da Marca. A comunicação visual da campanha utiliza ilustrações que mostram o cooperativismo no cotidiano dos brasileiros: no supermercado, no atendimento médico, na gestão de resíduos, nas instituições financeiras e em projetos e iniciativas que preservam o meio ambiente. “A campanha aposta em narrativas universais: pequenas escolhas do cotidiano, decisões familiares, consumo responsável, planejamento do futuro e cuidado com o outro. Em vez de explicar o cooperativismo de forma teórica, mostramos seus efeitos concretos na vida das pessoas”, destaca a gerente de Comunicação e Marketing do Sistema OCB, Samara Araujo. Para amplificar a mensagem divulgada pelas cooperativas, a campanha terá ações nacionais com três personalidades reconhecidas pelos brasileiros: a apresentadora Ana Maria Braga, a educadora financeira Nath Finanças e o humorista e influenciador Ed Gama. “A parceria envolve ações integradas em mídia digital, conteúdos especiais e ativações em programas de grande audiência. A ideia é associar imagens conhecidas à campanha, mas também utilizar a influência deles para legitimar a mensagem do cooperativismo e mostrar, de forma prática, por que produtos e serviços de cooperativas merecem ser escolhidos”, explica Samara. Além dessas personalidades, outros influenciadores vão compor o time de celebridades que levará a mensagem do coop para “fora da bolha” neste ano. Também estão previstas ações especiais para o Dia Internacional do Cooperativismo (CoopsDay), conectadas à Copa do Mundo, e uma inserção no programa MasterChef Brasil. Marca coop Uma das principais ferramentas para ajudar os consumidores a escolher o cooperativismo é o carimbo SomosCoop, marca estampada em produtos, serviços e materiais institucionais das cooperativas brasileiras. Uma em cada quatro coops do país já utiliza a logo, e a meta da campanha é ampliar esse engajamento em 2026 e consolidar ainda mais a identidade cooperativista entre os brasileiros. “Quando o consumidor encontrar o carimbo nos produtos e serviços de cooperativas, ele reconhecerá que ali existe um modelo de negócio diferente, comprometido com impactos positivos reais. Ao dar protagonismo ao carimbo SomosCoop, reforçamos sua função como um orientador de escolha, fortalecemos o reconhecimento das cooperativas e influenciamos positivamente a escolha das pessoas”, afirma Samara Araujo. O carimbo SomosCoop é de uso livre e gratuito pelas cooperativas de todos os ramos e portes em produtos, serviços e comunicações. Formada por um box com cantos arredondados que contém a palavra SomosCoop e a bandeira do Brasil em um pequeno círculo, a marca pode ser utilizado com a cor institucional do movimento – verde – ou adaptada à identidade visual da cooperativa, de acordo com as orientações do manual disponível na Central da Marca do movimento SomosCoop. Histórico O chamado ao consumo consciente de produtos e serviços cooperativistas proposto pela campanha 2026 é uma evolução natural do movimento SomosCoop que, desde 2020, já teve mobilizações com os temas “Vem ser coop”, “O coop faz muito e faz bem”, “Bora cooperar”, “O coop é um bom negócio” e “Bora cooperar por um mundo melhor”. Desta vez, além de apresentar o coop como o modelo de negócios ideal para um país mais justo e sustentável, a iniciativa transforma posicionamento em comportamento. “Mais do que um slogan, é um convite à reflexão e à atitude. A mensagem parte do princípio de que toda escolha carrega consequências e que optar por produtos e serviços de cooperativas é escolher um modelo de negócio que valoriza pessoas, territórios e o futuro. Não se trata apenas de reconhecer o cooperativismo como algo positivo, mas de incorporá-lo como critério de decisão”, reforça Samara Araujo. Saiba mais: Ano Internacional das Cooperativas passa a integrar agenda decenal da ONU Participe da pesquisa nacional que fortalece a cultura cooperativista Sistema OCB acompanha lançamento do Portal da Reforma Tributária
SABER COOPERAR
07/01/2026
“Diversidade gera inovação e resultados sustentáveis”, afirma Tania Zanella sobre mulheres na agricultura
Uma em cada três mulheres trabalhadoras no mundo atua em sistemas agroalimentares, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Além de produzirem alimentos, elas protegem o meio ambiente e impulsionam o desenvolvimento sustentável, papéis que terão destaque global durante o Ano Internacional da Mulher Agricultora, declarado pela ONU para 2026.
No cooperativismo brasileiro, essa agenda tem uma representante de destaque: a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, que vem fortalecendo o protagonismo feminino no setor e ampliando o diálogo sobre a importância das mulheres para a inovação, a competitividade e o futuro das cooperativas.
De acordo com a ONU, as mulheres agricultoras mobilizam comunidades, influenciam políticas públicas e constroem pontes entre a ação local e o progresso global. Em muitos países, elas têm liderado movimentos coletivos em prol da igualdade, da justiça climática e da transformação social. Apesar disso, muitas delas acabam tendo seu potencial limitado pela desigualdade de recursos, financiamento e educação, evidenciando a necessidade de fortalecimento desse grupo como estratégia para o progresso global.
Em entrevista ao Sistema OCB, Tania Zanella destaca o potencial das mulheres no cooperativismo agropecuário – ramo em que representam 19,2% dos cooperados – e o papel que exercem para tornar o segmento cada vez mais relevante para a economia e para a construção de um futuro mais sustentável.
“Quando uma cooperativa valoriza a mulher agricultora, fortalece todo o negócio. No agro, um setor onde tudo muda rápido, a diversidade na gestão amplia a visão estratégica e a capacidade de resposta”, afirma.
Além da presidência executiva do Sistema OCB, Tania lidera o Instituto Pensar Agropecuária (IPA) e está entre as “100 Mulheres Mais Poderosas do Agronegócio”, segundo ranking da Forbes.
Leia a entrevista completa:
Sistema OCB: No momento em que a ONU celebra o Ano Internacional da Mulher Agricultora, qual é o cenário da participação feminina no cooperativismo agropecuário brasileiro?
Tania Zanella: As mulheres têm um papel cada vez mais relevante nas cooperativas do agro. Elas não estão apenas como cooperadas ou colaboradoras, mas assumem funções de liderança, gestão e tomada de decisão. Isso é transformador para o movimento cooperativista. Segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025, já temos cerca de 41% de mulheres entre os cooperados no Brasil. Esse dado mostra que avançamos muito, mas também revela que ainda temos desafios importantes. Há reconhecimento e iniciativas para ampliar essa participação. Porém, quando olhamos para cargos de alta gestão e governança, a presença feminina ainda é menor do que gostaríamos, especialmente no agro, que historicamente é um setor masculino. Ou seja: estamos no caminho certo, mas precisamos acelerar para garantir mais espaço e oportunidades para a mulher agricultora.
Como começou sua relação com o ramo agropecuário?
Minha história com o agro começou na infância, em Santa Catarina, um estado com forte tradição cooperativista. Cresci vendo a força da agricultura e da cooperação para transformar comunidades. O agro não é só produção de alimentos: é geração de emprego, desenvolvimento regional e soberania alimentar. É um setor que conecta o Brasil ao mundo e que tem no cooperativismo um modelo sustentável e inclusivo.
Em 2008, essa paixão virou missão: há 17 anos trabalho pelo fortalecimento do cooperativismo brasileiro, porque acredito que o nosso movimento tem histórias reais de transformação por meio do trabalho, geração de renda e criação de oportunidades. Passei por diferentes áreas na Casa do Cooperativismo, inclusive fui a primeira mulher a ocupar cargos estratégicos. Essa trajetória me deu uma visão ampla: da base cooperada às políticas públicas, da governança às relações institucionais. Fui a primeira mulher a ocupar cargos como gerente-geral, superintendente e, hoje, presidente executiva do Sistema OCB. Isso reforça meu compromisso: abrir caminhos e mostrar que é possível.
Como as cooperativas agropecuárias podem fortalecer a participação das mulheres em suas estruturas?
Existem ações práticas que fazem diferença e que já estão sendo incentivadas pelo Sistema OCB. Quando a cooperativa adota essas medidas, ela não só valoriza a mulher agricultora, mas fortalece todo o negócio. Destacamos a importância dos Comitês de Mulheres, que criam espaços formais de atuação com metas e voz ativa. Para isso, disponibilizamos o Manual de Implementação de Comitês de Mulheres nas Cooperativas. Além disso, incentivamos a capacitação e liderança, que significa investir em programas voltados para mulheres, com temas como governança, inovação, negociação e articulação.
Temos também as políticas de equidade, que garantem regras claras para ampliar a participação feminina em conselhos e diretorias, oferecer mentorias e apoiar a conciliação entre trabalho e vida familiar. Destacamos ainda a cultura inclusiva, que mostra que a diversidade não é só imagem, é estratégia. Como sempre digo: diversidade gera inovação e resultados sustentáveis. Por fim, a intercooperação, que cria redes de apoio entre cooperativas para compartilhar boas práticas e dar visibilidade ao protagonismo feminino. O movimento Elas pelo Coop é um exemplo disso.
Qual é o impacto positivo da promoção de ações para a equidade de gênero dentro das cooperativas?
Equidade de gênero não é só uma causa social: é uma vantagem competitiva para o cooperativismo. Por isso mesmo, os impactos são claros e estratégicos. Para começar, cito uma governança mais robusta, pois a diversidade traz diferentes perspectivas e melhora a qualidade das decisões. Também temos mais inovação e competitividade, pois equipes diversas pensam diferente e criam soluções mais completas.
Ações para equidade de gênero também fortalecem a cultura, pois promover mulheres mostra que a cooperativa valoriza meritocracia e justiça, o que atrai e retém talentos. Essas práticas geram credibilidade social porque questões ESG hoje são fundamentais. Cooperativas que praticam equidade ganham relevância e confiança. Para finalizar, destaco a resiliência e sustentabilidade, já que no agro, onde tudo muda rápido, a diversidade na gestão amplia a visão estratégica e a capacidade de resposta.
Como é para você ser uma inspiração para as mulheres cooperativistas?
É uma honra e uma responsabilidade que me motivam todos os dias. Acredito que inspirar não é estar distante, é caminhar junto. É ouvir, apoiar, compartilhar experiências e celebrar conquistas. Cada mulher que assume um papel de liderança fortalece todo o sistema. Iniciativas como o movimento Elas pelo Coop e os comitês de mulheres são instrumentos para transformar essa inspiração em prática. Porque não se trata de uma jornada individual, mas coletiva.
Saiba mais:
Lei garante cooperativas no setor de telecom e amplia conectividade
Cooperativismo de crédito assume presidência do Open Finance
Nota Conjunta sobre a atuação do Banco Central do Brasil
SABER COOPERAR
29/12/2025
Cinco conquistas do Ano Internacional das Cooperativas
O cooperativismo brasileiro encerra 2025 com conquistas que reforçam sua relevância econômica, social e institucional. Ao longo do Ano Internacional das Cooperativas, declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o movimento ampliou sua visibilidade, fortaleceu parcerias e consolidou seu papel como força capaz de construir um mundo melhor e promover soluções para desafios globais de desenvolvimento sustentável.
“O Ano Internacional nos deixa um legado de avanços concretos: maior reconhecimento institucional, mais articulação com os poderes públicos, fortalecimento da governança e da integração com agendas globais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Com o respaldo da ONU, as cooperativas mostraram, na prática, que é possível gerar crescimento econômico com responsabilidade social e protagonismo coletivo”, destaca o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas.
Confira cinco conquistas do Ano Internacional das Cooperativas 2025:
Mais visibilidade para o coop
A declaração de 2025 como Ano Internacional das Cooperativas é um marco histórico que chamou a atenção do mundo para o nosso modelo de negócios e permitiu que o movimento cooperativista ampliasse sua atuação global.
No Brasil, a campanha SomosCoop de 2025 teve como mote “Bora cooperar por um mundo melhor” e reforçou o impacto social e econômico do cooperativismo por meio de ações de comunicação e projetos de valorização do movimento. Na celebração do CoopsDay, em julho, uma ação inovadora do Sistema OCB levou o cooperativismo para as ruas de cinco capitais brasileiras, em projeções mapeadas vistas por milhares de pessoas. O coop também conquistou espaço em grandes veículos de comunicação, intensificou a atuação nas redes sociais por meio de parcerias estratégicas com influenciadores e reforçou laços com a imprensa, ampliando seu alcance entre os brasileiros.
Mais influência política do coop
O ano de 2025 foi um período de fortalecimento da articulação institucional do movimento cooperativista junto aos Três Poderes nos âmbitos local, estadual e federal. Uma das conquistas mais importantes foi a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei 357/2025, que reconhece o cooperativismo como manifestação da cultura nacional. De autoria do deputado Arnaldo Jardim (SP), presidente da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), a proposta destaca a inserção do cooperativismo na sociedade brasileira e sua força transformadora.
Em julho, uma sessão solene na Câmara dos Deputados homenageou o Dia Internacional do Cooperativismo com a presença de parlamentares, lideranças cooperativistas e autoridades – entre elas o representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, Jorge Meza. A homenagem destacou a contribuição das cooperativas para o desenvolvimento do país e reforçou a necessidade de garantir políticas públicas que fortaleçam as cooperativas.
Mais ação climática coop
No Ano Internacional das Cooperativas, outro marco histórico também impulsionou a presença do coop nos debates globais: a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) em Belém (PA), com participação histórica das cooperativas. O movimento demonstrou, com cases reais, que é parte da solução para a crise climática em áreas como transição energética, agricultura de baixo carbono, financiamento verde, bioeconomia, segurança alimentar e fortalecimento de comunidades vulneráveis.
Mais de 60 cases cooperativistas foram apresentados na COP30, com participação presencial de 36 cooperativas em painéis em áreas estratégicas, entre elas a Blue Zone (onde ocorreram as negociações oficiais), na Green Zone, na AgriZone, na Casa do Seguro e no espaço Coop na COP 30, organizado em parceria com a ONU.
Mais orgulho de ser coop
O reconhecimento da ONU, a maior visibilidade do coop na sociedade e a repercussão nas redes sociais e na mídia impulsionaram o orgulho de ser coop entre os mais de 25,8 milhões de brasileiros que fazem parte do movimento.
Essa valorização do pertencimento a um modelo de negócios que gera impacto econômico e social de forma sustentável foi retratada no documentário Histórias de um mundo melhor: o Brasil que o cooperativismo transforma. A produção audiovisual percorreu as cinco regiões do país para contar histórias reais que mostram o impacto das cooperativas para as pessoas e suas comunidades. O resultado é um mosaico sensível e potente sobre como o coop amplia oportunidades e constrói um Brasil melhor. Além do documentário, o livro fotográfico Cooperativas do Brasil: retratos de um mundo melhor também reúne imagens e relatos de 60 cooperativas de todos os estados brasileiros que representam propósito, pertencimento e prosperidade nos locais onde atuam.
Mais coop pelo mundo
Para encerrar o Ano Internacional das Cooperativas e deixar um legado de reconhecimento, a Aliança Cooperativa Internacional (ACI) desenvolveu, com apoio do Sistema OCB, o Mapa do Patrimônio Cultural Cooperativo, um inventário digital de marcos históricos e simbólicos da cooperação nos cinco continentes.
A plataforma já reúne 31 locais simbólicos para o coop em 25 países e será atualizada de forma colaborativa. O Brasil está representado com o Monumento ao Cooperativismo, situado em Nova Petrópolis, berço da primeira cooperativa de crédito do país e Capital Nacional do Cooperativismo. A próxima etapa do projeto da ACI é a catalogação de tradições orais, práticas e rituais que incorporam a cultura cooperativa, compondo o patrimônio imaterial do coop pelo mundo.
Conheça as ações realizadas pelo cooperativismo brasileiro durante o Ano Internacional das Cooperativas no site especial.
SABER COOPERAR
22/12/2025
“Nunca fomos tão reconhecidos pela sociedade”, afirma Márcio Lopes de Freitas em balanço sobre o Ano Internacional das Cooperativas
O reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) ao cooperativismo em 2025 deixará um legado permanente para o movimento, com ganhos de visibilidade, ampliação de negócios e fortalecimento da representação institucional. A avaliação é do presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, que celebra o encerramento do período com o olhar para o futuro, trabalhando para consolidar conquistas e seguir mostrando ao mundo que as cooperativas são parte da solução para desafios econômicos, sociais e ambientais.
“A imagem do cooperativismo está mais moderna, mais próxima e mais confiável. O Ano Internacional das Cooperativas 2025 ampliou ainda mais essa exposição, conectando o Brasil a debates globais”, afirmou Lopes de Freitas em entrevista.
Entre as conquistas para o coop brasileiro durante o Ano Internacional, ele cita a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei (PL) 357/2025, que reconhece o cooperativismo como manifestação da cultura nacional, a participação histórica das cooperativas na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), a ampliação do mercado de seguros para as cooperativas, entre outros avanços regulatórios e institucionais.
Para 2026, além de um novo modelo de governança estratégica – com Conselho de Administração e Diretoria Executiva – o Sistema OCB começa o ano com a missão de aprofundar a agenda propositiva sobre o coop, garantindo a defesa de interesses do movimento em planos de governo, nas plataformas legislativas e nas agendas estaduais e municipais.
Confira a entrevista completa:
Sistema OCB: Houve um aumento da visibilidade das cooperativas na imprensa, nas redes sociais e na sociedade em 2025. De que forma esse movimento foi construído ao longo do ano e quais os resultados desse conjunto de ações?
Márcio Lopes de Freitas: O crescimento da visibilidade é resultado de uma estratégia consistente: campanhas do movimento SomosCoop, maior presença nas redes sociais, aproximação com jornalistas, dados robustos apresentados no AnuárioCoop e o protagonismo das cooperativas em agendas sensíveis – como clima, crédito, segurança alimentar e desenvolvimento regional. As pesquisas mostram isso: nunca fomos tão reconhecidos pela sociedade. A imagem do cooperativismo está mais moderna, mais próxima e mais confiável. O Ano Internacional das Cooperativas 2025 ampliou ainda mais essa exposição, conectando o Brasil a debates globais e mostrando que o cooperativismo é solução real para desafios contemporâneos.
Qual o balanço da agenda do cooperativismo nos espaços públicos em 2025?
O cooperativismo brasileiro tem realmente trabalhado de forma cada vez mais intensa e efetiva sua representação institucional. No Ano Internacional das Cooperativas, atuamos de forma concentrada no Congresso, nas assembleias e nas câmaras municipais, com posicionamentos claros, propostas estruturadas e diálogo técnico permanente. O balanço é muito positivo: conquistamos avanços regulatórios importantes, ampliamos o reconhecimento do cooperativismo como ator estratégico para o desenvolvimento e aprofundamos o diálogo com o Executivo em temas como clima, energia, crédito e inclusão produtiva. O que faz diferença nesse processo é nossa abordagem propositiva. Em vez de reagir a agendas, levamos soluções prontas – com dados, impacto e articulação nos territórios. Isso mostra ao poder público que cooperativismo não é demanda: é oferta de políticas públicas eficazes.
Como a participação das cooperativas na COP30 contribuiu para essa agenda de reconhecimento?
A presença inédita e estruturada do cooperativismo brasileiro na COP30 é uma das maiores conquistas do Ano Internacional das Cooperativas. Levamos ao mundo um pavilhão próprio, painéis, oficinas, produtos da bioeconomia e experiências concretas em agricultura de baixo carbono, crédito verde, reciclagem e energias renováveis. Mostramos que o cooperativismo brasileiro não discursa – entrega. E isso foi determinante para posicionar nossas cooperativas como atores relevantes na implementação das políticas climáticas, na transição energética justa e na construção de economias mais resilientes. A COP30 abriu portas para novos acordos, parcerias e investimentos. E, principalmente, ampliou a autoestima das cooperativas brasileiras como soluções de impacto global.
Como a aprovação do Projeto de Lei (PL) 357/2025, que reconhece o cooperativismo como manifestação da cultura nacional, abre novas possibilidades para o movimento?
O reconhecimento do cooperativismo como manifestação cultural brasileira muda profundamente a forma como o país enxerga o nosso movimento. Estamos deixando de ser vistos apenas como um modelo econômico para sermos reconhecidos como parte da identidade nacional – uma forma brasileira de organizar trabalho, produção, solidariedade e vida comunitária. A mobilização da Frencoop [Frente Parlamentar do Cooperativismo no Congresso Nacional] no Ano Internacional das Cooperativas abre portas inéditas: preservação de práticas tradicionais, fortalecimento das cooperativas ligadas a territórios e culturas locais, valorização de saberes comunitários e inclusão do cooperativismo em políticas de turismo cultural, educação patrimonial e desenvolvimento regional. Em um país onde estamos presentes em milhares de municípios, esse marco reforça a mensagem de que cooperativismo não é apenas atividade econômica – é cultura viva, que atravessa gerações e molda territórios.
Quais os impactos de iniciativas internacionais como o Contrato por uma Nova Economia Global, a plataforma CM50 e a Estratégia Global da ACI 2026 - 2030 para o coop brasileiro?
Essas iniciativas inauguram uma nova etapa do cooperativismo no mundo. O Contrato Global, a plataforma CM50 e a Estratégia da ACI apontam para prioridades claras: resiliência comunitária, inclusão financeira, digitalização democrática, novas lideranças, segurança alimentar e climática. O Brasil está bem posicionado para essa agenda. Somos um dos maiores sistemas cooperativos do mundo, com impacto direto em setores essenciais como agro, crédito, saúde, energia, reciclagem e infraestrutura. Temos capilaridade, diversidade e resultados econômicos robustos. Mas também estamos desafiados. O novo marco global exige mais ambição. Precisamos intensificar a transição energética justa, ampliar o acesso ao financiamento verde, atuar em territórios vulneráveis e colocar jovens e mulheres no centro das decisões. Nosso compromisso é alinhar o planejamento do Sistema OCB à estratégia da ACI 2026-2030 e fazer do Brasil um dos protagonistas desse novo ciclo global do cooperativismo.
Para finalizar, quais as perspectivas do cooperativismo para 2026, ano eleitoral no Brasil?
De uma forma geral, para 2026, vejo três prioridades: consolidar o aumento da nossa visibilidade conquistada no Ano Internacional das Cooperativas, transformando-a em engajamento; aprofundar a narrativa de que as cooperativas são respostas práticas às crises ambiental, social e econômica; fortalecer agendas de juventude, inclusão de mulheres, inovação e bioeconomia, mostrando que o cooperativismo é tradição e futuro ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo, será mais um ano de trabalho intenso e, acreditamos, conquistas efetivas. Vamos trabalhar para que o cooperativismo esteja presente nos planos de governo, nas plataformas legislativas e nas agendas estaduais e municipais. A prioridade será clara: transformar o legado do AIC 2025 e da COP30 em políticas públicas permanentes.
Entre os temas estratégicos estão: fortalecimento do crédito cooperativo e dos seguros; expansão das cooperativas de saúde, infraestrutura e reciclagem; bioeconomia e clima; inclusão produtiva; inovação, digitalização e formação de lideranças jovens e femininas. E, claro, também iremos acompanhar as eleições com responsabilidade institucional para garantir que o Brasil avance no reconhecimento das cooperativas como solução para emprego, renda, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
Vídeos Saber Cooperar
Representação política e institucional
O trabalho de representação política e institucional do Sistema OCB estabelece um diálogo estratégico e constante com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, para defender os interesses do movimento cooperativista e promover um ambiente favorável ao desenvolvimento de políticas públicas que valorizem o cooperativismo brasileiro.O que é a intercooperação
A intercooperação abre portas para novos negócios e ajuda a ampliar a participação de mercado e os resultados das cooperativas envolvidas. Assista ao vídeo e veja como a união entre cooperativas pode potencializar os resultados dos negócios cooperativos.
Cooperativismo e ESG
Qual é a relação entre cooperativas e bioeconomia?
A onda verde chegou com força ao setor econômico. A chamada bioeconomia está em alta, mas você saber o que ela propõe, na prática?
Infográficos
O coop e o clima: propostas do cooperativismo brasileiro para a agenda climática
Neste infográfico, apresentamos as propostas do cooperativismo brasileiro para a agenda climática e mostramos como o modelo cooperativista torna possível unir desenvolvimento econômico e sustentabilidade. Com forte atuação em temas centrais como transição climática, bioeconomia e uso responsável dos recursos naturais reforçamos o papel das cooperativas como parte essencial das soluções para enfrentar a crise climática.
Como as cooperativas constroem um mundo melhor?
O cooperativismo é um modelo reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) por sua capacidade de promover desenvolvimento econômico com responsabilidade social e respeito ao meio ambiente. Essa atuação está diretamente conectada aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma série de metas para construir um mundo mais justo e próspero até 2030. Descubra no infográfico interativo como as cooperativas contribuem para cada ODS.