Destaques
22/06/2026
Mulheres na história do coop: de Rochdale à ACI
Neste infográfico você vai conhecer a trajetória inspiradora de mulheres que participaram ativamente da construção do movimento cooperativista no Brasil e no mundo e suas importantes contribuições para moldar o cooperativismo como conhecemos hoje.
18/06/2026
“Cooperativas que valorizam a memória fortalecem a confiança e geram mais valor”, afirma pesquisadora
Conhecer as origens é também compreender quem somos e para onde queremos ir. No Ano da Cultura Coop, pesquisas realizadas pela historiadora Carolina Kuk, a pedido do Sistema OCB, conectam memória, cultura, educação, filosofia e identidade cooperativista, mostrando que olhar para a trajetória do movimento e das cooperativas brasileiras vai muito além de preservar o passado: é uma forma de fortalecer valores, orientar decisões e contribuir para o futuro sustentável do cooperativismo.
“Cuidar da memória cooperativista é cuidar da continuidade do próprio movimento. Porque aquilo que não é registrado, compartilhado e transmitido corre o risco de se perder com o tempo”, afirmou a pesquisadora em entrevista ao Sistema OCB. “Cooperativas com memória fortalecida tendem a gerar mais engajamento, mais alinhamento interno e relações de maior confiança. Além disso, a história também gera valor para as marcas”, complementa.
Historiadora pós-graduada em Sócio-Psicologia, Carolina atua há 20 anos com projetos de memória institucional, pesquisa sócio-histórica e organização de acervos. Em sua imersão no cooperativismo, também analisou as raízes da cooperação e a formação histórica dos princípios e valores cooperativistas, resgatando elementos que ajudam a compreender a identidade do movimento e a construir definições mais conectadas à realidade atual das cooperativas.
Os resultados da pesquisa serviram de base para o alinhamento conceitual de novas soluções do Eixo CulturaCoop e outros materiais que serão lançados na Semana de Competitividade 2026, de 11 a 13 de agosto, em Brasília.
Leia a entrevista completa com a pesquisadora:
Sistema OCB: Quando você começou a trabalhar com o cooperativismo e qual o foco das pesquisas aplicadas esse ano?
Carolina Kuk: Comecei a trabalhar com o cooperativismo em 2025, quando desenvolvi uma pesquisa sobre as origens do movimento no Brasil. O estudo foi realizado para apoiar o posicionamento da OCB no contexto do Ano Internacional das Cooperativas, instituído pela ONU [Organização das Nações Unidas]. Foi um tema que me interessou muito porque conecta história, organização social e impacto coletivo.
Em 2026, desenvolvemos duas pesquisas diferentes para o Sescoop, com enfoque no Ano da Cultura Cooperativista: a primeira teve como foco a história do cooperativismo no Brasil e no mundo e investigou suas origens, principais marcos legais e o processo de institucionalização do movimento cooperativista. O objetivo foi compreender como o cooperativismo se estruturou ao longo do tempo e revisar algumas narrativas já consolidadas sobre esse tema.
A segunda pesquisa teve um caráter mais conceitual e buscou aprofundar temas como identidade, cultura, educação, filosofia e memória cooperativista. Nesse estudo, procuramos entender como os próprios autores da tradição cooperativista definiam esses conceitos, evitando interpretações simplificadas ou muito genéricas.
Qual foi a metodologia utilizada e em que consiste a pesquisa sócio-histórica?
Nossa metodologia combinou pesquisa bibliográfica, análise documental, levantamento iconográfico e investigação em arquivos e lugares de memória. O objetivo foi cruzar diferentes tipos de fontes para construir uma visão mais ampla, crítica e plural sobre o tema.
A pesquisa sócio-histórica busca compreender como os processos históricos ajudam a explicar o presente. Quando estudamos as origens, os valores e as trajetórias de uma organização ou de um movimento social, conseguimos entender melhor sua identidade, seus desafios atuais e também construir decisões mais conscientes para o futuro. É um trabalho que ajuda a dar continuidade sustentável às instituições, sem perder de vista seus valores e sua direção estratégica.
No caso do cooperativismo, esse olhar ajuda a mostrar que ele não surgiu de forma isolada ou repentina. Existe uma longa trajetória de práticas coletivas, ajuda mútua e organização comunitária que antecede os marcos oficialmente reconhecidos. De certa forma, a própria sobrevivência da humanidade sempre dependeu de algum nível de cooperação.
Como a pesquisa sócio-histórica sobre o coop foi desenvolvida?
Partimos da ideia de que conceitos não são apenas palavras: eles carregam valores, disputas, experiências históricas e diferentes interpretações ao longo do tempo. Por isso, buscamos entender como autores ligados à tradição cooperativista definiam esses temas em seus próprios textos. A metodologia envolveu levantamento bibliográfico, leitura crítica das obras e comparação entre diferentes interpretações sobre identidade, cultura, educação e filosofia cooperativista.
Em vez de trabalhar apenas com definições prontas, procuramos entender como esses conceitos foram sendo construídos historicamente e como ajudam a moldar a visão de mundo do cooperativismo até hoje. Esse processo permitiu elaborar definições mais consistentes e conectadas com a trajetória histórica do movimento cooperativista.
Quais os principais achados desse projeto até agora?
Um dos principais achados foi compreender que não existe uma única origem possível para o cooperativismo. O modelo que conhecemos hoje é resultado de um longo processo histórico, formado por diferentes experiências sociais, culturais, religiosas, comunitárias e econômicas. Isso ajuda a explicar a pluralidade do movimento cooperativista até hoje.
Outro aprendizado importante foi o papel central da memória dentro do cooperativismo. A pesquisa mostrou que memória não é apenas preservação do passado: ela organiza a cultura, fortalece a identidade, sustenta processos educativos e ajuda a orientar decisões estratégicas no presente e no futuro. Símbolos, datas comemorativas, documentos, objetos, imagens e relatos têm um papel fundamental na construção do sentimento de pertencimento e continuidade dentro do movimento cooperativista. Sem memória, é muito difícil consolidar cultura, identidade e filosofia cooperativista.
Por isso, um dos grandes alertas da pesquisa é que projetos de memória não devem ser vistos como algo acessório, mas como estruturas estratégicas para o futuro do cooperativismo. Preservar e organizar essa trajetória ajuda o movimento a inovar sem perder seus fundamentos, além de fortalecer vínculos entre diferentes gerações e ampliar o reconhecimento social do cooperativismo no Brasil.
De que maneira os resultados desses estudos se refletem nas cooperativas e cooperados?
Muitas vezes, o que sustenta uma cooperativa não está apenas em documentos formais, mas nas práticas do dia a dia, nas histórias compartilhadas e nos conhecimentos construídos coletivamente. Quando essa memória não é cuidada, parte desse patrimônio se perde. Quando é valorizada, transforma-se em um ativo estratégico.
E isso tem reflexos concretos lá na ponta. Cooperativas com memória fortalecida tendem a gerar mais engajamento, mais alinhamento interno e relações de maior confiança. Além disso, história também gera valor para as marcas. Quando uma cooperativa comunica sua trajetória e sua cultura de forma consistente, ela fortalece sua reputação, diferencia sua marca e amplia o valor percebido dos seus produtos e serviços.
No fim, cuidar da memória cooperativista é cuidar da continuidade do próprio cooperativismo. Porque aquilo que não é registrado, compartilhado e transmitido corre o risco de se perder com o tempo.
Qual a importância de conhecer e preservar a história do cooperativismo?
Na pesquisa, percebemos que a história do cooperativismo é muito mais diversa e profunda do que normalmente aparece nos livros e nas narrativas tradicionais. No Brasil, por exemplo, encontramos registros de experiências cooperativas ainda no período imperial, além de práticas coletivas desenvolvidas por populações indígenas, grupos de matriz africana e trabalhadores urbanos.
Isso amplia a compreensão sobre o cooperativismo e reforça a importância de preservar sua memória. Conhecer a própria trajetória fortalece a identidade do movimento, ajuda na construção de estratégias mais conectadas com a realidade brasileira e contribui para que o cooperativismo continue se reinventando sem perder seus valores fundamentais.
Por que estudar o coop é importante para o futuro do movimento?
Esse tipo de pesquisa é importante porque fortalece o cooperativismo de dentro para fora. Quando uma cooperativa conhece sua própria trajetória e organiza sua memória, ela compreende melhor sua identidade, sua forma de atuação e sua intenção de caminhos para o futuro. Mas a pesquisa também mostrou algo muito importante sobre os conceitos.
Muitas vezes, as cooperativas vivem determinadas práticas no cotidiano, mas não necessariamente conseguem nomeá-las ou percebê-las de forma clara. E nomear as coisas é importante porque torna elas mais visíveis, mais compreensíveis e mais palpáveis. Dar nome a uma prática, a uma cultura ou a uma forma de organização ajuda a enxergar melhor aquilo que já existe e, consequentemente, fortalece sua continuidade. A memória fortalece um movimento porque cria pertencimento, conecta gerações e transforma experiências acumuladas em conhecimento compartilhado. No cooperativismo, isso é ainda mais relevante, já que estamos falando de um modelo construído a partir das relações humanas e da experiência coletiva.
17/06/2026
Representação institucional: a voz do coop junto aos Poderes
Todos os dias, cerca de 15 mil pessoas circulam pelos corredores, salões e gabinetes do Congresso Nacional. Entre reuniões, audiências, votações e conversas de bastidores, são construídas decisões que impactam diretamente a vida de milhões de brasileiros. Em meio a esse intenso fluxo de interesses e articulações, o cooperativismo atua por meio de sua equipe de representação institucional para garantir que as demandas do setor sejam consideradas por quem formula, implementa e acompanha as políticas públicas do país.
“A representação do cooperativismo brasileiro é um trabalho permanente, técnico e estratégico”, afirma a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella. Além do Legislativo, também alcança os poderes Executivo e Judiciário para garantir um ambiente regulatório adequado ao desenvolvimento das cooperativas.
De forma estruturada, com cientistas políticos, especialistas técnicos e um time jurídico, o Sistema OCB monitora proposições legislativas, atos normativos, políticas públicas e decisões judiciais; elabora estudos, notas técnicas e propostas; dialoga com parlamentares, ministérios, agências reguladoras, órgãos de controle e tribunais; e articula as demandas do setor com as Organizações Estaduais (OCEs) e com as cooperativas.
Para orientar essa atuação, a principal ferramenta é a Agenda Institucional do Cooperativismo, que há 20 anos organiza anualmente as prioridades do movimento e direciona uma articulação transparente e qualificada junto aos Três Poderes. No Congresso, esse trabalho é feito em conjunto com a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), terceira maior frente do Brasil, que reúne 302 parlamentares, sendo 262 deputados e 40 senadores.
“Esse número mostra como a nossa pauta é plural e presente em todas as regiões do país. Queremos cada vez mais representantes que conheçam o modelo cooperativo, compreendam sua diferença em relação às empresas mercantis e estejam dispostos a construir soluções legislativas que fortaleçam a segurança jurídica, a competitividade e a capacidade das cooperativas de gerar desenvolvimento”, destaca o gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Eduardo Queiroz.
Entre os resultados da atuação coordenada do Sistema OCB e da Frencoop estão algumas das mais importantes conquistas do cooperativismo brasileiro, como o histórico reconhecimento ao ato cooperativo na Reforma Tributária; a aprovação da Lei Complementar 213/2025, que estabeleceu o marco regulatório das cooperativas de seguros; e da Lei 15.324/2026, que amplia a participação do cooperativismo no mercado de telecomunicações.
Segundo Queiroz, o impacto dessas medidas vai muito além da instância política e beneficia diretamente as 4.384 coops brasileiras. “Quando há regras claras, segurança jurídica e acesso a instrumentos de financiamento, as cooperativas conseguem investir, inovar, ampliar sua capacidade de atendimento, gerar oportunidades e prestar serviços cada vez melhores. Esses avanços se refletem diretamente nos cooperados, que são os verdadeiros donos do negócio.”
Engajamento e educação política
Mas a representação institucional do coop não se faz apenas em Brasília. Desde 2018, com o Programa de Educação Política do Cooperativismo Brasileiro, esse processo começa na base, com a formação de cooperados, dirigentes, colaboradores e lideranças conscientes do papel que exercem na democracia e nas decisões públicas que afetam o setor.
A estratégia busca fortalecer a cultura da participação política nas cooperativas e a representatividade do cooperativismo nos espaços de poder. Para isso, o programa reúne conteúdos, capacitações, cartilhas e ações de mobilização, preparando o movimento cooperativista para participar do debate público de forma qualificada, ética e alinhada aos princípios do cooperativismo.
“O Programa de Educação Política ajuda a transformar a participação em consciência, a consciência em mobilização e a mobilização em maior representatividade. Quanto mais o cooperado entende que decisões sobre crédito, tributação, infraestrutura, meio ambiente, trabalho, saúde, seguros e conectividade passam pelo campo político, maior é a capacidade do movimento de se organizar, dialogar e cobrar propostas concretas”, explica Queiroz.
Coop nas urnas
Em anos eleitorais, a participação do cooperativismo é ainda mais relevante. Em 2026, a mobilização faz um chamado direto: na hora de votar, #PensenoCoop. A campanha convida o movimento cooperativista a fortalecer sua participação cidadã e a levar para o debate público seus valores e contribuições.
“A participação política é legítima e necessária, mas deve ser feita com responsabilidade, segurança jurídica e respeito à neutralidade político-partidária. Neutralidade não significa inércia. Significa atuar de forma institucional, sem vinculação indevida a partidos ou candidaturas específicas, mas com disposição para apresentar propostas, dialogar com candidatos, qualificar o debate público e estimular o voto consciente”, destaca o gerente de Relações Institucionais.
Como participar
Para apoiar o engajamento das cooperativas no processo eleitoral com base no diálogo qualificado, apresentação de propostas e defesa institucional do movimento, o Sistema OCB desenvolveu materiais específicos para as eleições 2026:
Propostas para um Brasil mais Cooperativo
Reúne as principais contribuições do cooperativismo brasileiro para o desenvolvimento do país, com propostas voltadas ao fortalecimento de políticas públicas e das cooperativas.
Cartilha Cooperativismo e as Eleições 2026
Traz informações práticas sobre participação política, atuação institucional e engajamento responsável de cooperativas, cooperados e Organizações Estaduais no processo eleitoral.
Guia Aspectos Jurídicos Eleitorais do Programa de Educação Política do Cooperativismo - Eleições 2026
Voltado à segurança jurídica das ações desenvolvidas no âmbito do Programa de Educação Política, com esclarecimentos sobre limites legais, condutas permitidas e boas práticas durante o processo eleitoral.
Conheça todas as estratégias do cooperativismo brasileiro para influenciar o debate eleitoral no no site eleicoes2026.coop.br.
04/06/2026
Dia Mundial do Meio Ambiente: como as cooperativas ajudam a proteger os biomas brasileiros
Cuidar do meio ambiente também é cuidar das pessoas. A urgência planetária em preservar os recursos naturais, que hoje mobiliza governos, empresas e a sociedade, faz parte da essência do cooperativismo há gerações. O tamanho, a diversidade e a capilaridade do movimento – que reúne 25,8 milhões de cooperados em todo o Brasil – ampliam sua capacidade de impulsionar práticas sustentáveis em diferentes territórios, por meio de modelos baseados na cooperação, no desenvolvimento local e na responsabilidade compartilhada.
Além da presença em municípios de todos os biomas brasileiros – Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica, Cerrado, Pampa e Caatinga – o cooperativismo conta com uma vantagem estrutural para apoiar a preservação, segundo o coordenador de Meio Ambiente do Sistema OCB, Alex Macedo. “Diferentemente de modelos empresariais voltados prioritariamente ao curto prazo, as cooperativas operam com uma lógica de permanência no território, o que favorece decisões alinhadas à sustentabilidade ambiental e à resiliência econômica local”.
Ele destaca que o cooperativismo avança em diferentes agendas ambientais, como sistemas produtivos de baixo carbono, recuperação de áreas degradadas, proteção de nascentes, rastreabilidade e certificações socioambientais. As oportunidades de contribuição, porém, não estão restritas às coops “da terra”, ou seja, do ramo agropecuário. O potencial é transversal a todos os segmentos, especialmente quando as cooperativas têm uma agenda ESG bem estruturada.
Neste Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), conheça exemplos de como o cooperativismo preserva o meio ambiente nas cinco regiões do país:
Floresta em pé
A Região Norte do Brasil é o berço do bioma Amazônia, que abriga a maior biodiversidade do mundo e exerce papel fundamental no equilíbrio ambiental do planeta. Na Floresta Nacional do Tapajós, no Pará, o coop tem ajudado a combater o desmatamento ilegal e a manter a floresta em pé, gerando renda e oportunidade para as populações locais.
Em 2005, a partir da mobilização de comunidades indígenas e ribeirinhas, nasceu a Cooperativa Mista da Flona do Tapajós (Coomflona), com foco no manejo florestal comunitário. Cerca de 300 cooperados produzem madeira nativa de forma responsável, respeitando os ciclos das árvores, sem o uso de tratores e maquinários pesados. As toras de espécies nobres são comercializadas com a certificação internacional FSC, que comprova boas práticas ambientais e garantem remuneração justa aos extrativistas.
Em 2017, a Coomflona criou a movelaria Anambé, onde os cooperados aproveitam os resíduos madeireiros para produzir mesas, cadeiras, armários, portas e outros objetos artesanais, gerando oportunidades de trabalho e renda para mais famílias.
Florescer da Caatinga
Além da riqueza de culturas, a Região Nordeste também reúne uma grande diversidade de paisagens e geografias. São quatro os biomas presentes: Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e pequenas áreas da Amazônia. O predominante entre eles, a Caatinga, é o único bioma exclusivamente brasileiro. Nesse contexto, também nascem soluções únicas, pelas mãos do cooperativismo, para responder aos desafios ambientais do presente e do futuro.
Em meio à vegetação adaptada à seca, floresceu em 2008, em Pintadas (BA), a Cooperativa de Agricultura Familiar Ser do Sertão, que promove o fortalecimento de práticas agroecológicas entre os produtores locais. Entre as principais preocupações está a busca por soluções de adaptação da produção, diante das mudanças climáticas que já alteram as chuvas, a vegetação e o solo.
“A questão ambiental é algo emergente no nosso trabalho porque a mudança climática tem um impacto grande nas propriedades dos nossos agricultores. Temos que pensar em metodologias que nos ajudem a passar por esse momento, porque a gente não vai resolver a questão da seca. A gente tem que aprender a produzir, entendendo que a seca é algo que a gente pode construir junto com ela. A gente tem que se adaptar a isso, porque não vai mudar”, afirma a presidente da Ser do Sertão, Valdirene Santos.
Os 300 cooperados produzem geleias e polpas de frutas típicas da região, como cajá, umbu e acerola. Os frutos nativos são cultivados com práticas de baixo carbono e manejo do solo. Com essas técnicas, a cooperativa já recuperou 500 hectares de áreas degradadas, contribuindo diretamente para a conservação do meio ambiente na Caatinga.
Para além dos Pampas
Famosa pelos Pampas, bioma com laços fortes com a cultura e a pecuária gaúcha, a Região Sul também abriga a Mata Atlântica, predominante no Paraná, Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul. Com uma diversidade de formações vegetais, como florestas densas, matas de araucária, manguezais e restingas, o bioma predomina na serra do Rio Grande do Sul, onde nasceu a Cooperativa Vinícola Aurora. Com mais de 1 mil famílias associadas, a Aurora mantém a viticultura como principal fonte de renda local e produz rótulos reconhecidos dentro e fora do país.
Há 10 anos, a cooperativa começou a enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas, além de problemas como erosão do solo e diminuição da reserva de água. A solução cooperativista foi buscar práticas que garantissem a preservação do meio ambiente e assim, a própria sustentabilidade do negócio. Com esse objetivo, em 2015, a Aurora implementou um sistema de gestão ambiental para melhorar a saúde do solo e aumentar a resiliência dos vinhedos.
As metas incluíam a redução dos riscos de erosão, a conservação da umidade e a melhoria da fertilidade e estrutura do solo. Em parceria com instituições de ensino e pesquisa, os cooperados receberam capacitação para aplicar as novas técnicas.
Nas áreas onde o manejo sustentável foi adotado, houve redução significativa do uso de herbicidas, melhoria da estrutura do solo e aumento da resiliência das videiras a eventos climáticos extremos. Mesmo durante as chuvas recordes registradas no Rio Grande do Sul em 2024, propriedades com cobertura vegetal apresentaram menor erosão e melhor retenção de água. O sucesso do projeto da Aurora também levou outros viticultores da região a adotar as práticas, ampliando o alcance das iniciativas sustentáveis.
Cooperação pela Mata Atlântica
No Sudeste do país, a diversidade também marca a paisagem: manguezais e restingas no litoral; áreas montanhosas e campos de altitude, além de importantes bacias hidrográficas. Mata Atlântica e Cerrado predominam na região, que também abriga áreas de Caatinga no norte mineiro. Todos eles têm o cooperativismo como um aliado no seu desenvolvimento econômico e ambiental.
A Mata Atlântica em Minas Gerais vivenciou diferentes ciclos produtivos: café, pecuária e indústria. Essa exploração levou o estado a conservar apenas 10% da cobertura vegetal original. Em Juiz de Fora, o Sicoob Coopemata está fazendo a sua parte para preservar o que sobrou do bioma e conseguiu recompor quase 9 mil metros quadrados de Mata Atlântica com a mobilização de seus cooperados.
Por meio de uma parceria entre a cooperativa e a associação responsável pela Reserva Santuário, área de 920 mil metros quadrados utilizados para pesquisa, ensino e recepção de animais silvestres resgatados, surgiu a ideia da campanha Adote uma Árvore.
O projeto nasceu de um conceito essencial do coop: juntos, somos mais fortes. Cada cooperado contribuiu com R$ 195, aportados em suas contas capitais, para financiar o projeto. Com os valores arrecadados, a cooperativa investiu R$ 133,6 mil no plantio e manutenção das árvores. O esforço resultou em 2,2 mil novas árvores, que contribuíram para a recuperação do solo e da vegetação de 8,9 mil m2 de áreas degradadas inseridas na Reserva Santuário. Com a ação, também foram neutralizados o equivalente a 43 toneladas de gases do efeito estufa, que agravam as mudanças do clima.
Ciência para transformar o Cerrado
Cerrado e Pantanal, biomas com paisagens exuberantes e enorme diversidade de fauna e flora, são os dois principais no Centro-Oeste do país. A região também é conhecida por uma atividade agropecuária pujante e que cada vez mais busca alinhar-se com práticas sustentáveis em seus negócios.
No Mato Grosso do Sul, produtores da Cooperativa Agropecuária São Gabriel do Oeste (Cooasgo) estão à frente de um projeto inovador na cadeia de suinocultura. Iniciado em 2025, o projeto de Suinocultura de Baixo Carbono une ciência, gestão ambiental, tecnologia e capacitação para transformar os dejetos da produção em biofertilizantes.
A iniciativa é uma parceria da cooperativa com a Cargill Nutrição e Saúde Animal, o Instituto BioSistêmico (IBS) e a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). A partir de parâmetros rigorosos de conformidade ambiental, as equipes estão estudando os melhores caminhos para o tratamento de resíduos, buscando também a redução de custos, reaproveitamento de nutrientes e potencial de geração de biogás e metano a partir dos dejetos dos animais.
Segundo o diretor da Cooasgo, Élcio Cação, é cada vez maior o interesse dos produtores e da indústria em projetos que reduzem o impacto da atividade agropecuária. “Esse tipo de iniciativa gera um ganho ambiental na cadeia produtiva como um todo”. A longo prazo, umas das metas é usar a produção de biogás na suinocultura para gerar créditos de carbono. A experiência poderá abrir um novo horizonte de oportunidades para os produtores e cooperativas do ramo.
Fundada em 1993, a COOASGO conta com mais de 1 mil cooperados e aproximadamente 460 colaboradores. Cerca de 60 propriedades já participam do projeto, que dá seus primeiros passos para transformar a realidade dos produtores e gerar impactos ambientais positivos para o meio ambiente no cerrado mato grossense.
Vídeos Saber Cooperar
Representação política e institucional
O trabalho de representação política e institucional do Sistema OCB estabelece um diálogo estratégico e constante com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, para defender os interesses do movimento cooperativista e promover um ambiente favorável ao desenvolvimento de políticas públicas que valorizem o cooperativismo brasileiro.O que é a intercooperação
A intercooperação abre portas para novos negócios e ajuda a ampliar a participação de mercado e os resultados das cooperativas envolvidas. Assista ao vídeo e veja como a união entre cooperativas pode potencializar os resultados dos negócios cooperativos.
Cooperativismo e ESG
Qual é a relação entre cooperativas e bioeconomia?
A onda verde chegou com força ao setor econômico. A chamada bioeconomia está em alta, mas você saber o que ela propõe, na prática?
Infográficos
Mulheres na história do coop: de Rochdale à ACI
Neste infográfico você vai conhecer a trajetória inspiradora de mulheres que participaram ativamente da construção do movimento cooperativista no Brasil e no mundo e suas importantes contribuições para moldar o cooperativismo como conhecemos hoje.
Legado do Ano Internacional das Cooperativas
O legado de um ano histórico para o cooperativismo
O coop e o clima: propostas do cooperativismo brasileiro para a agenda climática
Neste infográfico, apresentamos as propostas do cooperativismo brasileiro para a agenda climática e mostramos como o modelo cooperativista torna possível unir desenvolvimento econômico e sustentabilidade. Com forte atuação em temas centrais como transição climática, bioeconomia e uso responsável dos recursos naturais reforçamos o papel das cooperativas como parte essencial das soluções para enfrentar a crise climática.
Como as cooperativas constroem um mundo melhor?
O cooperativismo é um modelo reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) por sua capacidade de promover desenvolvimento econômico com responsabilidade social e respeito ao meio ambiente. Essa atuação está diretamente conectada aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma série de metas para construir um mundo mais justo e próspero até 2030. Descubra no infográfico interativo como as cooperativas contribuem para cada ODS.
