Destaques
05/08/2026
Dia dos Pais: cooperativismo pode ser transmitido de pai para filho
A cooperação se aprende no dia a dia e pode ser passada de pai para filho. Assim como hábitos, valores e tradições familiares, o cooperativismo também é transmitido de geração em geração. Quando pais compartilham com os filhos valores como ajuda mútua, compromisso com a comunidade, responsabilidade socioambiental e participação, ajudam a formar cidadãos mais preparados para construir um futuro baseado no interesse coletivo. O Dia dos Pais, celebrado em 9 de agosto, é uma oportunidade para refletir sobre como o exemplo pode contribuir para manter vivo o legado cooperativista e inspirar as novas gerações a fazer parte do movimento. No caso do publicitário Eduardo Meyer, esse caminho começou a ser trilhado há 11 anos, quando se tornou pai e passou a olhar ainda mais para o futuro e para a importância de ensinar pelo exemplo. Na época, ele abriu uma conta poupança para a filha recém-nascida em uma cooperativa de crédito e logo percebeu que a iniciativa iria além de uma decisão econômica. “A ideia era fazer depósitos periódicos pensando no longo prazo, mas com o tempo percebi que esse investimento representava muito mais do que uma reserva financeira. Ele também se tornou uma oportunidade para falar sobre educação financeira, planejamento e a importância de administrar os recursos com responsabilidade”, lembra. Assessor de Desenvolvimento do Cooperativismo na Sicredi União MS/TO e Oeste da Bahia, Meyer acredita que ensinar sobre dinheiro desde cedo é uma forma de preparar os filhos para tomarem decisões conscientes no futuro. Mais do que acumular recursos, o objetivo é desenvolver valores como disciplina, responsabilidade e visão de longo prazo. Esses ensinamentos também fazem parte da rotina da família em outras situações. Meyer procura transmitir aos filhos princípios como solidariedade, cooperação e cuidado com as pessoas. Por isso, costuma levá-los para participar das ações de voluntariado promovidas pelo Sicredi. Na prática, ele mostra que o cooperativismo é vivido no cotidiano, por meio de atitudes que geram impacto positivo na vida das pessoas. “Essas experiências ajudam a desenvolver a empatia e a compreensão de que todos nós podemos contribuir para tornar a sociedade um lugar melhor. Tento mostrar aos meus filhos que olhar para o próximo com respeito, carinho e disposição para ajudar é tão importante quanto qualquer aprendizado que recebemos dentro da escola”, acrescenta. Segundo Meyer, seu maior legado está não apenas no que ensina aos filhos com palavras, mas principalmente em suas atitudes como pai. “São os exemplos do dia a dia que ajudam a formar cidadãos mais conscientes, responsáveis e comprometidos com a construção de um futuro melhor para todos. Esse é o ensinamento que procuro deixar para os meus filhos, todos os dias”. Ensinando a cooperar A transmissão dos valores cooperativistas também pode ser leve e divertida. Para as crianças, o aprendizado ganha ainda mais significado quando é adaptado à linguagem e aos interesses de cada faixa etária. Com esse objetivo, o Sistema OCB disponibiliza a plataforma Jogar+Aprender, dentro da CapacitaCoop, com jogos, vídeos, cursos e materiais educativos voltados à educação cooperativista de crianças e adolescentes. Gratuita e desenvolvida com recursos pedagógicos e metodologias adequadas a cada fase do desenvolvimento, a plataforma oferece mini jogos, games interativos, biblioteca digital e outros conteúdos organizados para dois públicos: crianças de 6 a 12 anos e jovens de 13 a 17 anos. “Mais do que apresentar conceitos sobre o cooperativismo, a Jogar+Aprender busca despertar, desde cedo, o interesse pela cooperação, pela participação e pelo compromisso com o bem comum. É uma aliada das famílias e educadores na missão de fortalecer a cultura cooperativista e inspirar as novas gerações a manter vivo esse legado”, explica Débora Ingrisano, Gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB.
31/07/2026
Por que as cooperativas devem tomar decisões baseadas em dados?
Em um cenário de alta competitividade e mudanças cada vez mais rápidas no mercado, tomar decisões apenas com base na experiência já não basta. Saber onde investir, quando expandir uma operação, como atender melhor aos cooperados ou identificar riscos antes que eles se tornem problemas depende, cada vez mais, da capacidade das cooperativas de transformar dados em informação útil para a gestão.
É justamente esse o propósito do Anuário do Cooperativismo Brasileiro, do Sistema OCB, que teve sua edição 2026 lançada no dia 31 de julho. Principal levantamento sobre o setor no país, a publicação mostra que as 4,4 mil cooperativas brasileiras reúnem 29 milhões de cooperados, geram 613,4 mil empregos e movimentam R$ 848,4 bilhões na economia. Mais do que reunir números, o AnuárioCoop oferece base sólida para que dirigentes planejem o futuro de suas cooperativas.
“O Anuário é a principal radiografia do cooperativismo brasileiro. Ele reúne informações sobre o desempenho das cooperativas em todo o país e mostra, de forma concreta, qual é o impacto do setor na economia e na sociedade. Para além de apresentar números, o objetivo é oferecer conhecimento para apoiar decisões e mostrar a força do modelo cooperativista”, afirma o coordenador do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB, Igor Seixas Miranda Vianna.
Segundo ele, o AnuárioCoop deve ser visto como uma ferramenta de gestão. “O dirigente pode usar os dados para comparar o desempenho da sua cooperativa com o setor, identificar tendências, avaliar oportunidades de crescimento e embasar decisões estratégicas. É uma forma de olhar para além da realidade da própria organização e entender o contexto em que ela está inserida”.
Vianna destaca que praticamente todas as grandes decisões de uma cooperativa podem ser fortalecidas por dados. “Desde a abertura de uma nova unidade, lançamento de produtos e serviços, definição de investimentos, até ações voltadas à fidelização dos cooperados ou à melhoria da eficiência operacional. Ao permitir comparações entre ramos, regiões e indicadores econômicos, o Anuário ajuda os dirigentes a transformar informações em planejamento e a tomar decisões com menor grau de incerteza”, destaca.
Dos dados à estratégia
Para o auditor federal de Finanças e Controle da Controladoria-Geral da União (CGU) e professor de Tecnologia da Informação do Gran Faculdades, Vitor Kessler, mais do que reunir informações relevantes para o negócio, o verdadeiro diferencial de usar dados nos negócios está em saber interpretá-los e transformá-los em estratégias.
“Uma gestão orientada por dados é aquela em que as decisões são fundamentadas em evidências, e não apenas em opiniões, impressões pessoais ou práticas históricas”, argumenta. “Quando a decisão é baseada apenas na percepção, problemas relevantes podem ser subestimados, recursos podem ser direcionados para áreas de menor impacto e ações aparentemente bem-sucedidas podem ser mantidas sem que exista comprovação de seus resultados”, exemplifica.
Segundo Kessler, muitas organizações ainda decidem sem recorrer à análise de dados porque parece a via mais rápida e, muitas vezes, mais confortável. “O gestor já possui experiência no setor, conhece a organização e acredita que consegue reconhecer os problemas sem precisar de uma análise mais estruturada. Além disso, muitas organizações ainda possuem dados dispersos, desatualizados ou armazenados em sistemas que não se comunicam, além de enxergarem indicadores como mecanismos de controle ou fiscalização, e não como instrumentos de aprendizagem e melhoria”, afirma.
Outro fator, aponta Kessler, é a falsa impressão de que trabalhar com dados exige tecnologias complexas, equipes numerosas e grandes investimentos. “Na prática, é possível começar com estruturas simples, desde que existam objetivos claros e disciplina na coleta e análise das informações”, explica. “À medida que a maturidade aumenta, a organização pode investir em integração de sistemas, armazenamento de dados, plataformas de BI [Business Intelligence], automação e inteligência artificial”.
Para as cooperativas que desejam fortalecer a tomada de decisão com base em dados, Kessler recomenda começar pelo problema que precisa ser resolvido, e não pela tecnologia. “Antes de escolher ferramentas, a organização deve definir qual problema precisa resolver e quais dados são necessários para isso. Essas informações precisam ser confiáveis, analisadas em contexto e comparadas com metas ou referências. Mais do que gerar gráficos, a análise deve orientar ações, com responsáveis, prazos e acompanhamento dos resultados”, orienta.
Indicadores na rotina
Esse movimento de tomada de decisões com base em dados já faz parte da realidade das cooperativas brasileiras. Uma delas é Aurora Coop, de Santa Catarina, que reúne mais de 150 mil famílias cooperadas e atua nas cadeias de carnes suína e de aves, lácteos, pescados e alimentos industrializados, com operações em diversas regiões do país. Na Aurora, dashboards, BI e indicadores fazem parte da rotina dos gestores.
“A Aurora vem evoluindo de uma cultura baseada predominantemente na experiência e no conhecimento dos gestores para um modelo em que os dados complementam e qualificam as decisões. Isso ocorre por meio da ampliação das plataformas de Business Intelligence, da democratização do acesso às informações, da governança de dados e da incorporação de indicadores aos fóruns de gestão e acompanhamento estratégico”, afirma a diretora administrativa Marinei Aparecida Zuffo Antunes da Rocha.
Segundo Marinei, a principal mudança foi compreender que dados não são apenas um elemento tecnológico, mas um ativo estratégico do negócio. A cooperativa passou a valorizar decisões sustentadas por evidências, estimulando questionamentos, análises e validações antes da tomada de decisão.
Atualmente, todos os principais processos da Aurora estão mapeados em ferramentas de BI, e a organização já avança na integração dessas informações com soluções de Inteligência Artificial. Um dos exemplos está na área agropecuária, onde, segundo Marinei, o uso de geoprocessamento, cruzamento de informações sanitárias e análise espacial contribuiu para o planejamento preventivo, gestão de riscos e definição de ações operacionais na cadeia produtiva.
Apesar dos avanços tecnológicos, Marinei acredita que o principal fator para uma gestão baseada em dados continua sendo outro. “Se fosse necessário escolher apenas um fator, eu responderia: cultura. A tecnologia tornou-se cada vez mais acessível. Processos podem ser desenhados e redesenhados. Pessoas podem ser treinadas. Porém, sem uma cultura que valorize evidências, transparência, aprendizado contínuo e decisões fundamentadas, os dados não geram valor real”, avalia.
“Na Aurora, a transformação ocorre quando liderança, equipes e tecnologia trabalham de forma integrada, mas é a cultura que efetivamente converte informação em ação e ação em resultado. Essa é a base para uma organização verdadeiramente orientada por dados”, finaliza Marinei.
31/07/2026
Cooperativismo deve aproveitar eleições para ser mais reconhecido, afirma Fabíola Nader Motta
O ano eleitoral também é um período estratégico para as cooperativas. Em meio ao processo que definirá os rumos do país pelos próximos anos, o cooperativismo tem a oportunidade de organizar suas pautas institucionais, dialogar com os candidatos e ampliar sua presença no debate público. Segundo a superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, o principal desafio é consolidar o reconhecimento do coop como um movimento permanente, organizado e comprometido com o interesse coletivo.
“O cooperativismo promove desenvolvimento local, gera oportunidades, fortalece cadeias produtivas, amplia o acesso a serviços e contribui para a redução das desigualdades. Quanto mais a sociedade compreender esse papel, maior será a capacidade do movimento de influenciar positivamente as decisões públicas”, afirma.
A consolidação desse reconhecimento, segundo a gestora, requer uma atuação institucional consistente, baseada no diálogo, na informação qualificada e participação cidadã, sem abrir mão da neutralidade partidária.
Leia a entrevista completa:
Sistema OCB: Como as cooperativas devem se preparar para as eleições gerais de 2026? É possível participar do processo sem comprometer a neutralidade partidária?
Fabíola Nader Motta: As eleições representam uma oportunidade para que as cooperativas ampliem sua participação no debate público e fortaleçam sua presença em temas que impactam diretamente seus cooperados e as comunidades onde atuam. A preparação começa muito antes da campanha eleitoral. É fundamental que as cooperativas conheçam os principais desafios de seus territórios, organizem suas pautas prioritárias e estejam preparadas para dialogar com candidatos, partidos e lideranças de diferentes espectros políticos. A força política do cooperativismo está vinculada à sua capacidade de mobilização, de apresentar propostas consistentes e de demonstrar os resultados concretos que gera para a sociedade. Nosso movimento está presente em milhares de municípios, reúne milhões de brasileiros e contribui para a geração de emprego, renda, inclusão financeira, produção de alimentos, acesso à saúde e desenvolvimento regional. Esse capital social e econômico confere legitimidade ao movimento para participar das discussões sobre o futuro do país. Manter a neutralidade partidária significa justamente concentrar a atuação institucional nas pautas de interesse do movimento. A cooperativa pode promover encontros, apresentar agendas de interesse, estimular o voto consciente e dialogar com todos os candidatos de forma transparente e equilibrada. O foco deve ser sempre a defesa de políticas públicas que contribuam para o desenvolvimento das cooperativas e das comunidades, independentemente de quem esteja disputando ou ocupando os cargos eletivos.
Como o Sistema OCB orienta a participação cooperativista no processo eleitoral?
Para apoiar essa preparação, o Sistema OCB desenvolveu uma série de ferramentas reunidas no site Eleições 2026, criado especialmente para fortalecer a participação cidadã e a representação institucional do cooperativismo. Entre os materiais disponíveis está o documento Propostas para um Brasil Mais Cooperativo, que apresenta aos candidatos e tomadores de decisão uma agenda de contribuições do cooperativismo para o desenvolvimento econômico e social do país. As cooperativas também têm acesso à cartilha Cooperativismo e as Eleições 2026, que traz orientações de boas práticas na participação política, atuação institucional e engajamento responsável de cooperativas, cooperados e Organizações Estaduais no processo eleitoral. O objetivo é apoiar a promoção da educação política e do voto consciente, contribuindo para uma participação mais ativa, informada e alinhada aos valores do cooperativismo. Esse conjunto de ferramentas contribui para a formação de lideranças mais conscientes, capazes de participar de forma qualificada e permanente dos debates que impactam o futuro do setor e das comunidades onde atuam.
Como o cooperativismo consegue organizar suas pautas e levá-las aos candidatos?
No caso do documento Propostas para um Brasil Mais Cooperativo, essa construção ocorre de forma estruturada e participativa, com a escuta de lideranças cooperativistas de todos os ramos do cooperativismo e regiões do país. As propostas também são orientadas pelo Planejamento Estratégico do Sistema OCB e pelas diretrizes do nosso Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), que em sua última edição, reuniu cerca de 3 mil lideranças cooperativistas. A partir dessa escuta, os principais desafios, tendências e oportunidades são transformados em propostas objetivas, fundamentadas em dados e conectadas às diferentes realidades regionais. O resultado é a organização de uma pauta de prioridades que representa o cooperativismo brasileiro de forma ampla e demonstra aos candidatos, de forma concreta, como o setor pode contribuir para a inclusão produtiva, a redução das desigualdades, o fortalecimento da economia e o desenvolvimento sustentável do país.
Qual o erro mais comum das cooperativas no período eleitoral?
Talvez o erro mais comum seja tratar a participação política como uma ação pontual, restrita ao período eleitoral. Quando isso acontece, perde-se a oportunidade de construir relacionamentos institucionais duradouros e de acompanhar de forma efetiva as decisões que afetam o ambiente de negócios das cooperativas. Outro equívoco recorrente é concentrar esforços em pessoas específicas em vez de fortalecer pautas e propostas. O cooperativismo precisa ser reconhecido como um movimento permanente, organizado e comprometido com o interesse coletivo. Isso exige uma atuação institucional consistente, baseada em diálogo, informação qualificada e participação cidadã. Também é importante evitar a confusão entre participação política e partidarização. O cooperativismo tem o direito e o dever de defender suas pautas, mas sempre respeitando sua natureza plural e democrática, que reúne pessoas com diferentes visões políticas em torno de objetivos comuns.
Qual a ferramenta para apoiar essa atuação contínua?
O Programa de Educação Política. A iniciativa busca fortalecer uma cultura permanente de participação cidadã e representação institucional, oferecendo conhecimento, ferramentas e espaços de diálogo para que cooperados e dirigentes compreendam melhor o ambiente político e possam atuar de forma mais estratégica. Quanto mais preparadas estiverem as cooperativas para acompanhar os debates públicos, organizar suas pautas e se relacionar com os tomadores de decisão, maior será sua capacidade de contribuir para a construção de políticas públicas alinhadas às necessidades das comunidades e ao desenvolvimento do cooperativismo.
Como a educação política na base ajuda a eleger representantes alinhados com o coop?
A educação política é uma das ferramentas mais importantes para fortalecer a representatividade do cooperativismo. Quando cooperados, colaboradores e dirigentes compreendem como funcionam os Poderes da República, quais são as atribuições dos cargos eletivos e como as políticas públicas impactam seu cotidiano, eles passam a participar de forma mais consciente do processo democrático. Essa conscientização contribui para que o voto seja orientado por propostas, histórico de atuação e compromisso com temas relevantes para o desenvolvimento das comunidades. Ao entender melhor o papel da representação política, os cooperados conseguem identificar candidatos que valorizam o empreendedorismo coletivo, a inclusão produtiva, a geração de oportunidades e o desenvolvimento sustentável. O resultado é um ambiente que contribui para o fortalecimento de espaços de representação como a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), que tem desempenhado papel fundamental na defesa de pautas estratégicas para o setor. A educação política fortalece, portanto, a cidadania e amplia a capacidade da sociedade de acompanhar, cobrar e participar das decisões públicas.
Quais cuidados a cooperativa deve ter com sua comunicação institucional durante o período eleitoral?
A comunicação institucional exige atenção redobrada durante o período eleitoral. As cooperativas devem assegurar que seus canais sejam utilizados para informar, educar e promover o diálogo democrático, sem qualquer favorecimento ou prejuízo a candidaturas específicas. É fundamental observar as regras da legislação eleitoral e estabelecer critérios claros para participação de candidatos em eventos, entrevistas, debates ou conteúdos institucionais. Caso haja abertura para participação de agentes políticos, o tratamento deve ser isonômico e transparente. Nas redes sociais, é importante diferenciar claramente posicionamentos institucionais de manifestações individuais de dirigentes, colaboradores ou cooperados. A comunicação da cooperativa deve permanecer focada em suas pautas, em seus resultados e em seu compromisso com o desenvolvimento da comunidade. Além de evitar riscos jurídicos, essa postura fortalece a credibilidade e a confiança na instituição.
Como se informar sobre essas orientações específicas?
O Sistema OCB disponibiliza a cartilha de boas práticas Cooperativismo e as Eleições 2026, que oferece referências seguras para que as cooperativas possam se comunicar de forma transparente, com respeito à legislação e à sua neutralidade partidária, sem abrir mão de seu papel legítimo de apresentar propostas, promover o diálogo e contribuir para o debate sobre temas relevantes para o desenvolvimento local e nacional. Dessa forma, buscamos dar às cooperativas mais segurança para participarem de maneira responsável, alinhada aos valores e princípios do cooperativismo.
Qual o principal desafio do cooperativismo brasileiro nestas eleições?
O principal desafio continua sendo ampliar o conhecimento da sociedade e dos tomadores de decisão sobre o verdadeiro alcance do cooperativismo. Apesar da sua presença em praticamente todos os setores da economia e em milhares de municípios brasileiros, muitas pessoas ainda desconhecem a dimensão do impacto que as cooperativas geram na vida das comunidades. Essa falta de conhecimento pode limitar a inclusão de pautas estratégicas do cooperativismo nos programas de governo e nas agendas legislativas. Por isso, o desafio é político, mas também comunicacional e educativo. Precisamos mostrar cada vez mais que o cooperativismo oferece benefícios que ultrapassam o seu número de cooperados. Ele promove desenvolvimento local, gera oportunidades, fortalece cadeias produtivas, amplia o acesso a serviços e contribui para a redução das desigualdades. Quanto mais a sociedade compreender esse papel, maior será a capacidade do movimento de influenciar positivamente as decisões públicas.
Como alcançar esse objetivo estratégico?
Superar esse desafio passa por ampliar o acesso à informação qualificada. Por isso, em 2026, o Sistema OCB dá um novo impulso ao Programa de Educação Política com um chamado claro: na hora de votar, #PensenoCoop. A nossa campanha convida o movimento cooperativista a fortalecer sua participação cidadã e a levar para o debate público seus valores e contribuições. Temos convicção de que a presença ativa do cooperativismo como parte da discussão e instrumento de políticas públicas, ajuda a gerar mais oportunidades, inclusão e prosperidade para milhões de brasileiros.
Que conselho você deixa para os dirigentes cooperativistas no período eleitoral?
Meu principal conselho é que assumam o protagonismo na construção do ambiente institucional em que suas cooperativas estão inseridas. As decisões tomadas nos parlamentos, nos governos e nos órgãos reguladores impactam diretamente a capacidade das cooperativas de crescer, inovar e gerar benefícios para seus cooperados. Por isso, é fundamental investir na formação política, estimular o engajamento cidadão e promover o diálogo permanente com lideranças públicas. Participar da vida democrática significa compreender os desafios do país, apresentar propostas, defender interesses legítimos e contribuir para a construção de soluções coletivas. O cooperativismo nasceu da participação, da organização e do compromisso com o bem comum. Esses mesmos valores devem orientar sua atuação no debate público. Quando cooperativas e cooperados entendem a importância da representação política e se mobilizam em torno de pautas comuns, todo o movimento ganha força para construir um Brasil mais próspero, inclusivo e cooperativo. Também recomendo que os dirigentes engajem com nossos materiais de apoio e de comunicação, disponíveis no site Eleições 2026, que podem ajudar as cooperativas a transformarem sua relevância econômica e social em maior capacidade de participação nos debates que definirão o futuro do país. Quanto mais preparadas estiverem as lideranças cooperativistas, maior será a contribuição do movimento para a construção de políticas públicas alinhadas às necessidades das pessoas e das comunidades.
22/07/2026
Educação Política fortalece cultura de representação institucional no coop
A política está mais presente no cotidiano das cooperativas do que muita gente imagina. É nos espaços de decisão que são definidas leis, regulamentações e políticas públicas capazes de impulsionar – ou limitar – o desenvolvimento do cooperativismo. Por isso, acompanhar o ambiente político-institucional e participar do diálogo com os tomadores de decisão é uma estratégia essencial para fortalecer o setor e garantir que as especificidades do modelo cooperativo sejam consideradas.
Para aprimorar essa atuação, o Sistema OCB criou o Programa de Educação Política, que prepara lideranças cooperativistas para compreender o funcionamento das instituições, qualificar a representação institucional e ampliar a participação do cooperativismo nos debates de interesse do setor. Mais do que incentivar o acompanhamento da agenda pública, o programa busca consolidar uma cultura de atuação apartidária, técnica e permanente, voltada à defesa legítima das pautas cooperativistas.
“Nossa intenção é formar cidadãos mais conscientes, lideranças mais preparadas e cooperativas mais capazes de dialogar com os tomadores de decisão. Queremos que o cooperativismo seja reconhecido não apenas por sua relevância econômica e social, mas também por sua capacidade de contribuir para a construção de soluções para os desafios do país”, explica o gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Eduardo Queiroz.
Esse fortalecimento da representação institucional se traduz em ações concretas. Ao acompanhar a agenda legislativa, dialogar com representantes dos Poderes e construir relacionamentos institucionais, o cooperativismo amplia sua capacidade de atuar de forma estratégica na defesa de seus interesses. Com isso, consegue apresentar propostas fundamentadas, contribuir tecnicamente para a formulação de políticas públicas e levar aos espaços de decisão a experiência de organizações que promovem inclusão produtiva, desenvolvimento regional, geração de renda e o fortalecimento das comunidades.
“Quando um dirigente entende como tramita um projeto de lei, quando um cooperado compreende o impacto de uma política pública sobre sua atividade ou quando uma cooperativa consegue apresentar propostas estruturadas para candidatos e gestores públicos, estamos fortalecendo a capacidade de incidência do movimento”, destaca o gerente.
Como participar
O Programa de Educação Política oferece diferentes ferramentas para as cooperativas aperfeiçoarem sua participação em processos decisórios importantes para as regiões onde estão inseridas. Em todo o país, 25 Organizações Estaduais (OCEs) já aderiram à plataforma. Segundo Queiroz, quanto maior o envolvimento das cooperativas, maior a capacidade do movimento de apresentar suas contribuições para o desenvolvimento do país e defender um ambiente institucional favorável ao seu crescimento.
“Cooperativas que investem em educação política fortalecem sua capacidade de relacionamento institucional, desenvolvem lideranças mais preparadas, ampliam sua influência nos debates públicos e conseguem antecipar tendências regulatórias e legislativas que podem impactar seus negócios. Além disso, tornam-se organizações mais conectadas com seus territórios e mais capazes de atuar como agentes de desenvolvimento local”, ressalta.
O programa é colocado em prática nos estados com oficinas, seminários, encontros de lideranças, cursos de formação, campanhas de conscientização e atividades voltadas para jovens, mulheres e dirigentes cooperativistas. São ações que destacam a importância da participação cidadã e da representação institucional dentro do coop e vem gerando uma mudança cultural ao longo dos anos.
“Percebemos um avanço significativo na capacidade das próprias cooperativas de organizarem suas pautas, construírem agendas regionais e participarem de discussões sobre desenvolvimento local, o que amplia a legitimidade e a influência institucional do movimento”, avalia o gerente.
Atuação estratégica
O Programa de Educação Política funciona com base em eixos estratégicos. No primeiro, Formação Política e Cidadã, o foco é promover a capacitação sobre democracia, funcionamento das instituições, processo eleitoral, Poder Legislativo, Poder Executivo e participação social. É a base que permite que o sistema cooperativista tenha multiplicadores do programa por todo o país.
No eixo Mobilização e Engajamento, o Sistema OCB busca transformar conhecimento em participação. O objetivo é incentivar cooperados, dirigentes e colaboradores a acompanharem os temas de interesse do cooperativismo e a se envolverem nos debates que impactam suas comunidades e seus negócios.
O terceiro eixo – Representação Institucional – inclui o cooperativismo no centro da agenda de decisões, por meio do documento Propostas para um Brasil Mais Cooperativo, entregue aos presidenciáveis e demais candidatos em nível federal, estadual e municipal. Por fim, o eixo Comunicação e Conscientização amplia o alcance dessas discussões por meio de campanhas, materiais educativos e plataformas digitais. É nesse contexto que iniciativas como a campanha “Na hora de votar, #PensenoCoop” ganham relevância, aproximando cooperativas e representantes públicos.
“É uma formação completa, que vai permitir à cooperativa entender como funciona todo o processo de participação política e como usá-la a seu favor. Em 2026, ano de eleições gerais, essa decisão é ainda mais importante no sentido de qualificar o relacionamento institucional das cooperativas com candidatos, parlamentares e gestores públicos”, destaca Eduardo Queiroz.
Educação política na prática
No Sistema OCB/ES, 100% dos parlamentares eleitos em âmbito estadual já firmaram um compromisso com o cooperativismo. A adesão é resultado de um trabalho consistente de representação institucional do coop capixaba.
O assessor de Relações Institucionais do Sistema OCB/ES, David Duarte Ribeiro, explica que, com a ajuda do Programa de Educação Política, os atores políticos compreenderam que o cooperativismo possui uma atuação apartidária, com foco em fortalecer as cooperativas e ampliar a contribuição delas para o desenvolvimento do estado.
Participante do programa desde 2023, a OCE já vem colhendo resultados significativos, como a aprovação de leis de reconhecimento e incentivo ao cooperativismo em 22 municípios capixabas. Os avanços refletem um esforço que também mobiliza quem atua na ponta. Cooperativas como a Coopram, de agricultura familiar, e a Coopersules, de transporte, passaram a dedicar painéis exclusivos ao Programa de Educação Política em seus eventos internos. “Nesses espaços, os multiplicadores apresentam a iniciativa, debatem a importância do envolvimento institucional e mostram como as decisões políticas impactam diretamente o dia a dia da cooperativa”, conta Ribeiro.
Para ampliar esse alcance, o Sistema OCB/ES aposta em duas frentes complementares. A primeira é a capacitação dos multiplicadores, por meio da trilha de aprendizagem Cooperativismo e Relações Governamentais, na plataforma CapacitaCoop, garantindo que eles tenham domínio dos temas abordados.
A segunda consiste em comunicar o tema de forma simples e próxima do público. “Encaminhamos materiais dinâmicos, como cartilhas digitais e pílulas de informação via WhatsApp, além de promovermos reuniões de comitês educativos. O foco é desmistificar a política, mostrando que a educação política não é sinônimo de partidarismo, mas sim um mecanismo para atuarmos em defesa do modelo de negócios cooperativo”, afirma o assessor.
Construção permanente
O Paraná foi o estado pioneiro na implementação do Programa de Educação Política do Sistema OCB, ainda na fase piloto, em 2018. Adaptada à realidade local, a iniciativa alcançou mais de 1 milhão de pessoas. Agora, a meta é ampliar esse alcance para 3 milhões, mobilizando as 255 cooperativas registradas na Ocepar.
De acordo com a coordenadora de Relações Institucionais da entidade, Danielly Andressa da Silva, esse avanço é resultado de um trabalho contínuo de formação de coordenadores locais – lideranças indicadas pelas cooperativas para atuar como pontos focais do programa em cada organização.
Os coordenadores participam regularmente de capacitações, recebem orientações técnicas e integram reuniões e fóruns promovidos pela Ocepar, garantindo alinhamento e uniformidade na condução das ações em todo o estado. “Cada vez mais lideranças compreendem que acompanhar o ambiente político-institucional não significa fazer política partidária, mas exercer uma representação institucional responsável, organizada e alinhada aos interesses do cooperativismo”, afirma.
O pioneirismo também tem impacto na representatividade do coop paranaense. Hoje, 26 deputados federais e senadores do estado integram a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) no Congresso Nacional. “Observamos recentemente uma evolução importante na qualidade do relacionamento institucional com os Poderes Executivo e Legislativo, permitindo que as contribuições do cooperativismo sejam apresentadas de forma técnica, propositiva e permanente”, destaca Danielly.
Para a coordenadora, esse trabalho ultrapassa os períodos eleitorais e busca consolidar uma cultura permanente de representação institucional. A proposta é preparar cooperativas e lideranças para acompanhar os processos de decisão e atuar de forma organizada na defesa de pautas estratégicas para o setor.
A consolidação do programa também passa por uma agenda estruturada de formação e mobilização. A Ocepar investe na capacitação contínua de lideranças, na produção de materiais de comunicação, em parcerias institucionais e em ações de sensibilização junto às cooperativas. Entre as iniciativas desenvolvidas estão o documento Propostas por um Paraná mais Cooperativo, que complementa o material elaborado pelo Sistema OCB com indicadores e prioridades para o estado, o MBA em Inteligência Política e Governos, realizado com o apoio do Sescoop/PR, além de imersões institucionais na Assembleia Legislativa do Paraná e diálogo permanente com representantes dos Executivo.
Segundo Danielly, a experiência tem mostrado que o maior desafio não é executar o programa, mas consolidar uma cultura de representação institucional capaz de ampliar, de forma legítima e contínua, a influência do cooperativismo nos espaços de decisão. “Nosso objetivo hoje é fortalecer uma atuação orientada por inteligência política, preparando lideranças para compreender o ambiente institucional, antecipar tendências e qualificar o diálogo com os tomadores de decisão”, conclui.
Infográficos
Mulheres na história do coop: de Rochdale à ACI
Neste infográfico você vai conhecer a trajetória inspiradora de mulheres que participaram ativamente da construção do movimento cooperativista no Brasil e no mundo e suas importantes contribuições para moldar o cooperativismo como conhecemos hoje.
Legado do Ano Internacional das Cooperativas
O legado de um ano histórico para o cooperativismo
O coop e o clima: propostas do cooperativismo brasileiro para a agenda climática
Neste infográfico, apresentamos as propostas do cooperativismo brasileiro para a agenda climática e mostramos como o modelo cooperativista torna possível unir desenvolvimento econômico e sustentabilidade. Com forte atuação em temas centrais como transição climática, bioeconomia e uso responsável dos recursos naturais reforçamos o papel das cooperativas como parte essencial das soluções para enfrentar a crise climática.
Como as cooperativas constroem um mundo melhor?
O cooperativismo é um modelo reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) por sua capacidade de promover desenvolvimento econômico com responsabilidade social e respeito ao meio ambiente. Essa atuação está diretamente conectada aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma série de metas para construir um mundo mais justo e próspero até 2030. Descubra no infográfico interativo como as cooperativas contribuem para cada ODS.
