Trabalho, Produção de Bens e Serviços
Em 2026, o progresso é visto em muitas áreas
Criado para cuidar da saúde humana, o cooperativismo de saúde brasileiro ocupa a liderança mundial, sendo colocado como referência para todos os países que desejam avançar no segmento por meio da estrutura de negócios cooperativos. Reunindo especialistas em saúde e seus consumidores, as cooperativas do ramo têm como missão ofertar ou obter produtos e serviços com enfoque na preservação, atendimento e promoção da saúde humana.
Nesse modelo, os próprios cooperados são donos do negócio, participam das decisões e compartilham os resultados de maneira democrática. Além de promover autonomia e autogestão, as cooperativas contribuem para melhores condições de trabalho, ampliação da renda, acesso a direitos sociais e melhoria da qualidade de vida.
Valorizar esse tipo de empreendimento é reconhecer a importância de um modelo econômico que coloca as pessoas no centro das atividades produtivas, fortalece a inclusão social, amplia oportunidades de geração de renda e estimula o desenvolvimento sustentável das comunidades. Ao unir esforços em torno de objetivos comuns, as cooperativas demonstram que a colaboração pode ser um caminho mais justo, resiliente e eficiente para o crescimento econômico e social.
Panorama do Cooperativismo de Trabalho no Brasil
Distribuição de cooperativas do ramo por estado em 2026. Clique em um estado para filtrar os dados da página.
- Cooperativas —
- Cooperados —
- Empregados —
- Ingressos —
- Ativos —
- Sobras —
Indicadores financeiros do cooperativismo de trabalho
Em 2026 as cooperativas do ramo trabalho, produção de bens e serviços brasileiras pagaram mais de:
Segmentação do Ramo TPBS
O ramo reúne doze segmentos de prestação de serviços especializados a terceiros e de produção de bens.
Os percentuais somam mais de 100% porque uma mesma cooperativa pode atuar em vários segmentos.
Intercooperar gera Negócios
Com quais outros ramos o TPBS mais faz negócios.
Segmentos em destaque
Três frentes ilustram a força e a diversidade do ramo: a reciclagem, motor da economia circular; o segmento mineral, que formaliza a atividade garimpeira; e a produção artesanal, guardiã da cultura e da renda de milhões de brasileiros.
Reciclagem
As cooperativas de reciclagem desempenham um papel fundamental na construção de uma economia circular, ao garantir que materiais recicláveis sejam reaproveitados de forma eficiente e sustentável. Além de contribuírem para a redução do desperdício e dos impactos ambientais, essas cooperativas geram trabalho digno e renda para milhares de catadores e catadoras, promovendo inclusão social e produtiva para pessoas em situação de vulnerabilidade.
Organizados de forma coletiva, esses profissionais conquistam melhores condições de trabalho, acesso a equipamentos de proteção e oportunidades de formalização. As cooperativas também ampliam sua capacidade de atuação ao firmar contratos com o setor público e privado, prestando serviços como coleta seletiva, triagem, classificação e logística reversa. São verdadeiras agentes de transformação, que unem cuidado com o meio ambiente, justiça social e desenvolvimento local.
Nos últimos anos, importantes avanços marcaram o fortalecimento da reciclagem popular no Brasil. Entre 2025 e 2026, um conjunto de políticas públicas, marcos legais e investimentos passou a reconhecer, de forma mais concreta, o papel essencial dos catadores e das cooperativas na construção de uma economia circular inclusiva. Juntas, essas medidas representam um novo ciclo de valorização do trabalho dos catadores, aumento da competitividade das cooperativas e reconhecimento do seu protagonismo ambiental e social. Abaixo, apresentamos 4 destas iniciativas
Em janeiro de 2025, a Lei nº 15.088 proibiu a importação de resíduos sólidos e rejeitos, medida que favoreceu as cooperativas ao eliminar a concorrência com materiais importados, garantindo espaço para a indústria nacional e participação dos catadores nos fóruns de decisão. A medida protegeu a renda de mais de 800 mil catadores e reduziu em 90% as importações concorrentes.
O DECRETO Nº 12.783, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2025 instituiu o Programa Nacional de Investimento na Reciclagem Popular – Pronarep, com a finalidade de proporcionar apoio financeiro, técnico, estrutural, econômico e social às catadoras e aos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis, individuais e autônomos, cooperativas, associações, redes ou outras formas de organização popular, em todo o território nacional.
O DECRETO Nº 12.688, DE 21 DE OUTUBRO DE 2025 instituiu que o sistema de logística reversa de embalagens de plástico fica a cargo dos fabricantes, dos importadores, dos distribuidores e dos comerciantes, que abrangem todo o ciclo de vida do produto e estabeleceu a priorização das cooperativas, associações e outras formas de organização popular de catadoras e catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis nas etapas da estruturação, da implementação e da operacionalização, de forma a estimular a contratação, a estruturação e o aprimoramento das condições de trabalho e de infraestrutura destas organizações.
A Lei 15.394/2026 desonera a cadeia da reciclagem ao isentar de PIS e Cofins a venda de desperdícios, resíduos e aparas por pequenos agentes e cooperativas. Simultaneamente, garante crédito tributário às indústrias do Lucro Real que utilizam esses materiais como matéria-prima.
Mineral
As cooperativas minerais têm como finalidade pesquisar, extrair, lavrar, industrializar, comercializar, importar e exportar produtos minerais de forma sustentável, promovendo a preservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida de seus cooperados. Além da atividade mineral em si, essas cooperativas oferecem serviços fundamentais, como acesso à saúde, capacitação profissional e educação cooperativista.
Segundo a Constituição Federal, a formalização da atividade garimpeira deve se dar por meio de cooperativas. Isso torna o cooperativismo um instrumento essencial para garantir aos garimpeiros o acesso aos direitos minerários, à cidadania, ao crédito, às políticas públicas, aos programas de capacitação, à comercialização da produção e à geração de desenvolvimento regional com inclusão social. Mais do que um modelo econômico, trata-se de uma estratégia de organização produtiva que valoriza o trabalho coletivo, promove dignidade e contribui para a construção de uma mineração mais justa e responsável.
Cooperativas com títulos minerais ativos na Agência Nacional de Mineração (ANM)
A OCB representa 65 cooperativas minerais distribuídas em 44 municípios brasileiros, juntas estas cooperativas reúnem mais de 20,4 mil garimpeiros cooperados e empregam diretamente 152 funcionários. Em 2025, estas cooperativas possuíam 578 títulos minerários em produção (concessão de lavra, permissão de lavra garimpeira e licenciamento) e produziram 3,05 milhões de toneladas de minérios, dentre eles, ouro, estanho, quartzo, calcário, tântalo, argila, diamante, areia, entre outros.
Produção Artesanal
O artesanato brasileiro alia geração de renda, preservação cultural e desenvolvimento local. O setor movimenta cerca de R$ 100 bilhões por ano, representa aproximadamente 3% do PIB nacional e garante sustento para cerca de 8,5 milhões de pessoas, sendo 77% mulheres, que desempenham papel fundamental na preservação dos saberes e tradições culturais do país.
Nesse cenário, as cooperativas de artesanato fortalecem o trabalho coletivo como alternativa ao trabalho individual, permitindo que artesãs e artesãos ampliem seu acesso a mercados, participem de feiras e eventos, compartilhem conhecimentos e conquistem melhores condições de comercialização. Atualmente, o Sistema OCB reúne cerca de 30 cooperativas do segmento, representando mais de 1.300 cooperadas e cooperados.
Ao unir pessoas em torno de objetivos comuns, as cooperativas agregam valor à produção artesanal, promovem inclusão produtiva, fortalecem a geração de renda e contribuem para a valorização do patrimônio cultural brasileiro.
Desafios e Oportunidades
O cooperativismo de trabalho ocupa papel cada vez mais estratégico na construção de uma economia mais justa, inclusiva e solidária — alternativa concreta de inserção econômica e renda num mercado competitivo e dinâmico.
A ascensão da tecnologia e da inteligência artificial redesenha o mundo do trabalho; plataformas digitais podem ampliar o alcance das cooperativas, facilitar a gestão e democratizar o acesso ao conhecimento. A reforma tributária abre uma janela de oportunidades e desafios — a regulamentação adequada será essencial para que as cooperativas não sejam penalizadas por um modelo pensado para empresas convencionais.
Por fim, ainda há barreiras à participação das cooperativas em contratações públicas — superá-las exige ajustes normativos e mudança de mentalidade, reconhecendo o cooperativismo como parceiro estratégico do Estado.
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