Impactos do Cooperativismo de Crédito
Impactos do cooperativismo de crédito para o desenvolvimento econômico e social no Brasil
O Sistema OCB e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), conjuntamente aos sistemas de crédito registrados na OCB, divulgam novo estudo elaborado com o objetivo de avaliar os impactos econômicos e sociais do cooperativismo de crédito no Brasil, bem como identificar os benefícios da presença de cooperativas nos municípios.
Além da inclusão financeira, o crescimento das cooperativas repercute em nível sistêmico, colaborando para aumentar a concorrência, reduzir a pobreza, desigualdades econômicas e os entraves/custos que dificultam o acesso ao crédito para famílias e empresas (assim, estimular as economias locais).
Benefícios locais das cooperativas de crédito
Por meio da metodologia de diferenças em diferenças (diff-diff) os grupos de municípios são acompanhados antes e depois da instalação de estabelecimentos classificados como cooperativas de crédito (grupo de tratamento).
No gráfico, a variável selecionada do Grupo de Tratamento deveria ter mantido a trajetória pontilhada na ausência do tratamento, paralela ao Grupo de Controle. A diferença entre o comportamento observado e o comportamento esperado (contrafactual) representa o efeito líquido (ou diferencial) do tratamento sobre a variável de interesse.
Impacto Econômico
A presença local de cooperativas de crédito está correlacionada com incrementos em:
Atividade Agropecuária
A presença local de cooperativas de crédito está correlacionada com incrementos em:
Valores referentes à variação da variável no último período.
Impacto Social
Municípios com a presença de cooperativas de crédito apresentam variações em:
Valores referentes à variação da variável no último período.
Avaliação de impacto econômico
Com o objetivo de identificar os impactos do cooperativismo de crédito sobre a atividade econômica, o estudo utilizou a metodologia de Matriz Insumo-Produto (MIP).
É um modelo simplificado que representa matematicamente o funcionamento da economia, espelhando os vínculos intersetoriais estabelecidos entre indústrias e cadeias produtivas.
Assim, a metodologia da MIP captura os impactos difundidos por um choque através da economia em sucessivas rodadas, representados pelo chamado "efeito multiplicador" do choque inicial:
Variação no saldo do estoque de crédito concedido pelas cooperativas, refletindo-se em aporte de recursos para investimento e consumo dos agentes.
Empresas e famílias mobilizam, através da sua demanda, recursos e insumos de empresas de diferentes setores da economia brasileira.
As empresas mobilizadas pelos tomadores de crédito, por sua vez, investem e consomem produtos de outras empresas e setores.
O processo, se alongando no tempo e intersetorialmente, gera emprego e renda para os agentes nos diversos elos da economia brasileira e dos setores afetados, ampliando a massa salarial dos trabalhadores e induzindo novas rodadas de aumento nos dispêndios na economia brasileira.
Multiplicadores
Os multiplicadores indicam quanto o aumento de uma unidade monetária no crédito concedido por cooperativas a empresas e famílias se traduz, via investimento e consumo, em movimentação da atividade econômica, valor adicionado, impostos arrecadados, empregos e massa salarial.
De acordo com os cálculos dos multiplicadores estimados pela Fipe:
Impactos Econômicos (2018–2023)
Com base nos multiplicadores e na variação do saldo e perfil do crédito concedido por cooperativas (média anual entre 2018 e 2023), é possível quantificar (em R$) os impactos diretos, indiretos e induzidos na economia brasileira.
Considerando os impactos do saldo de crédito concedido por cooperativas para viabilizar anualmente a demanda de empresas e famílias (R$ 52,7 bilhões/ano), foram movimentados R$ 135,1 bilhões/ano na economia.
Essa movimentação foi responsável por um acréscimo de R$ 61,5 bilhões/ano em Valor Adicionado (cerca de 0,6% do VA da economia de 2023) e R$ 6,0 bilhões em impostos arrecadados/ano (cerca de 0,4% da arrecadação de 2023). Além disso, o crédito esteve por trás de 1,2 milhão de empregos/ano (1,1% da força de trabalho e 1,2% dos ocupados de 2023) e R$ 26 bilhões/ano em salários (0,8% da massa salarial de 2023).
