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22/09/2026
Sistema OCB fortalece cooperativismo extrativista na Amazônia
Imersão reuniu 24 cooperativas para formação, intercâmbio de experiências e articulação institucional
O Sistema OCB participou da primeira Imersão Coopera + Amazônia, realizada entre os dias 17 e 19 de setembro, em Rio Branco (AC). O encontro reuniu 48 representantes de 24 cooperativas agroextrativistas do Pará, de Rondônia e do Maranhão em uma programação voltada à formação, à troca de experiências, ao acesso a mercados e à articulação institucional.
A iniciativa integra o Coopera + Amazônia, programa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), executado pelo Sebrae Nacional, com apoio do Sistema OCB e recursos do Fundo Amazônia/BNDES. Anunciado durante a COP30, em novembro de 2025, o programa busca fortalecer o cooperativismo extrativista e impulsionar a bioeconomia na Amazônia Legal.
Com investimento de R$ 103 milhões, o Coopera + Amazônia atenderá 50 cooperativas do Acre, Amazonas, Maranhão, Pará e Rondônia ao longo de 48 meses, entre 2026 e 2030. As ações envolvem cadeias produtivas estratégicas da sociobiodiversidade, como babaçu, cupuaçu, açaí e castanha-do-brasil.
O programa contempla diagnóstico e acompanhamento técnico, consultorias especializadas, aquisição de equipamentos, formação de lideranças, compras coletivas e estratégias para ampliar o acesso a mercados e agregar valor aos produtos. A proposta conecta o desenvolvimento das cooperativas e a geração de renda para as famílias extrativistas à conservação da floresta.
Experiências que conectam a floresta ao mercado
A programação da imersão aproximou os participantes de soluções já adotadas para organizar a produção, fortalecer a gestão e ampliar a comercialização. Entre as atividades, estiveram palestras, rodas de conversa, participação no Inova Amazônia Summit e uma visita técnica à Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (CooperAcre).
Referência no acesso a mercados para produtos extrativistas, a CooperAcre reúne 12 cooperativas singulares e alcança 5.352 famílias em 20 dos 22 municípios acreanos. A central é a maior produtora de castanha-do-brasil beneficiada do país e atua também nas cadeias da borracha e de polpas de frutas.
Durante o dia de campo, realizado no dia 18, os representantes conheceram as unidades de beneficiamento e conversaram com a diretoria da cooperativa sobre organização produtiva, agregação de valor e estratégias comerciais.
A agenda também incluiu a participação no Inova Amazônia Summit, considerado um dos principais encontros de bioeconomia, inovação e empreendedorismo da Amazônia Legal. A edição de 2026 reuniu cerca de 7 mil participantes e contou com 35 painéis.
Entre os debates, o painel Da floresta ao mercado: o cooperativismo extrativista como caminho de desenvolvimento sustentável abordou oportunidades e desafios do setor. Participaram Manoel Matos, presidente da Ascosper; Valdemiro Rocha, presidente da OCB/AC; Manuele de Miranda, gerente do Sicoob Credisul; e Ana Carolina Westrup, analista de Inovação do Sebrae Nacional e coordenadora do Coopera + Amazônia.
Diversidade impulsiona a sociobioeconomia
As cooperativas atendidas no primeiro ciclo do Coopera+Amazônia representam diferentes territórios e realidades da Amazônia Legal. São oito organizações do Pará, nove de Rondônia e sete do Maranhão, com atuação em cadeias como açaí, cupuaçu, castanha-do-brasil, babaçu, café, cacau e buriti.
O grupo inclui cooperativas formadas por comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas, além de organizações com expressiva presença de mulheres e jovens. Algumas já acessam mercados institucionais e internacionais, enquanto outras contam com agroindústrias comunitárias, certificação orgânica e estruturas próprias de beneficiamento.
“O aprendizado proporcionado nos impulsiona a buscar crescimento e mais inovação. Acreditamos muito em nosso potencial e, em um grupo forte como este, tenho certeza de que podemos ir mais longe”, afirmou Francisco Tarcísio Lima Rabelo, da Coopboa, do Pará.
Durante a imersão, também foi instituído o Fórum de Cooperativas do Coopera + Amazônia, criado para estimular o envolvimento das organizações e apoiar o desenvolvimento das ações do programa. Composto por nove delegados e nove suplentes territoriais, eleitos por polos, o Fórum funcionará como espaço permanente de diálogo e articulação.
Maria Divina Lopes, da Coomara, e Anderson Uruam Suruí, da Coopaiter, foram escolhidos, respectivamente, como delegada e suplente para representar o Fórum no Comitê de Governança do programa.
Formação e governança compartilhada
O Sistema OCB acompanha a construção do Coopera + Amazônia desde 2024 e integra seu Comitê de Governança. A contribuição institucional parte da experiência acumulada na Região Norte com o NegóciosCoop e de metodologias desenvolvidas para fortalecer a gestão e a atuação comercial das cooperativas.
Entre os componentes do programa está a Formação e Mobilização para a Cultura do Cooperativismo, que será conduzida pelo Sistema OCB e contemplará duas lideranças de cada cooperativa. A entidade também avalia oportunidades de contribuir com a assistência técnica direcionada ao agroextrativismo, em complemento às ações de mercado e gestão realizadas pelo Sebrae.
Para Thayne Garcia, analista de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, a diversidade dos territórios constitui um dos principais ativos da iniciativa. “A Amazônia Legal reúne uma riqueza de culturas, pessoas, saberes e produtos cuja dimensão ainda estamos conhecendo. Valorizar essa riqueza e apoiar seu desenvolvimento a partir dos povos amazônidas e das cooperativas contribui para preservar a floresta e construir um futuro com mais oportunidades na região”, declarou.
Também fazem parte do Comitê de Governança o MDIC, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Sebrae Nacional e a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes).
Saiba Mais:
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Notícias negócios
19/09/2026
Precificação estratégica: como definir o valor justo de produtos e serviços
A precificação estratégica é fundamental para a competitividade e a sustentabilidade das cooperativas. Ela ajuda a entender os valores que o público está disposto a pagar e acredita ser justo.
Mas, para definir um valor justo de produtos e serviços, que ajude no crescimento dos negócios, é preciso estudar os custos, o mercado, os cooperados e os objetivos da cooperativa.
Neste artigo, vamos entender o que é a precificação estratégica, como a diferença de mercados afeta a lógica da precificação e como definir valores adequados. Boa leitura!
O que é a precificação estratégica?
A precificação estratégica é o processo de definir preços considerando fatores internos e externos da cooperativa, para que o custo seja visto como aceitável e justo pelo público. É uma estratégia baseada no estudo dos custos de produção, da percepção do cooperado, da análise do mercado e das metas de negócios da cooperativa.
É necessário analisar todos esses fatores para que o valor esteja de acordo com os planos a longo ou médio prazo da marca, além de ser bem aceito pelos consumidores.
Valor X preço: qual a diferença?
Para definir um preço justo, é preciso entender a diferença entre o conceito de preço e o de valor. O preço é, de forma simplificada, o valor numérico que deve ser pago para obter um produto ou serviço.
Ele representa, porém, muito mais do que isso. No preço estão envolvidos desde o posicionamento de uma marca no mercado até os custos e os rendimentos líquidos de uma venda. São muitos os fatores que envolvem o preço final de algo, sendo preciso analisar desde a matéria-prima até os impostos pagos.
Já o valor se refere menos ao número e mais ao olhar do consumidor. É a perspectiva de quem compra, se ele entende que valeu ou não o dinheiro investido.
O valor é construído pelos diferenciais de uma marca, se a dor ou necessidade do cliente foi atingida, se a qualidade atendeu ou superou as expectativas. Por isso, é necessário que o preço atribuído a um produto seja equivalente ao valor nele visto.
Mercados diferentes mudam a precificação
Ao pensar em precificação, é preciso analisar o contexto de uma venda como um todo. Por isso, levar em consideração o mercado em que um produto ou serviço está inserido é crucial.
Enquanto no Brasil um valor pode parecer justo para um determinado item, em outros países ou continentes será necessário aumentar ou diminuir esse preço.
Mercado interno exige entender a concorrência e preferências locais
Para se destacar no mercado interno, é preciso entender o contexto de buscas dos consumidores e tendências. Além disso, vale analisar a sazonalidade e as diferenças regionais de cada parte do país.
Para isso, podem ser usados dados de mercado e até mesmo o próprio histórico da cooperativa. Essas análises ajudam a prever o consumo e a demanda, a fim de definir preços orientados por insights.
Mercado externo: outras características devem ser levadas em consideração
Ao produzir e vender para mercados internacionais, outros fatores devem ser levados em consideração. Primeiro é necessário entender as diferenças nos custos de produção, pois a cadeia logística para vendas no exterior envolve taxas, transportes e contratos diferentes dos nacionais.
É importante também saber como o público se porta no contexto de outros países. Analisar quais são os maiores players em cada país e entender quais os gostos e preferências dos consumidores locais são passos cruciais para a precificação.
Como definir um valor justo na precificação estratégica?
Para chegar a um valor justo, que se alinhe à expectativa do público e traga bons resultados para a cooperativa, é necessário fazer o estudo de algumas questões:
Análise de custos, a receita e a margem
Para definir a melhor precificação, o primeiro passo é entender o custo de produção. Nessa conta, é essencial incluir tudo que foi investido, desde taxas, impostos, matéria-prima, até os gastos fixos, como aluguel e salários.
Ter tudo isso em mente ajuda a chegar a um valor em que se cubram todas as despesas gastas e garanta a geração de sobras por meio de uma margem de contribuição adequada.
Estude o mercado
Além de fazer um estudo interno, entender o contexto externo da cooperativa também é essencial. É preciso estudar os principais players do mercado, quais são seus concorrentes e como acontece a precificação de produtos nesse setor.
Assim é possível ter uma média de preço, além de compreender como pode se posicionar no mercado em relação às demais marcas.
Alinhe preço com os objetivos da cooperativa
Outro alinhamento importante a ser feito antes de definir um preço é saber quais são as metas da cooperativa.
Definir os objetivos financeiros, a quantidade de vendas e sobras esperadas ajuda a compreender qual o melhor valor a ser cobrado.
Entenda a demanda e o público
Provavelmente o passo mais importante, não é possível definir o preço sem conhecer bem o seu público. Conhecer o cliente que você quer conquistar, entendendo as suas dores, seus desejos e seu perfil socioeconômico, é crucial para que o preço definido esteja alinhado ao valor que ele enxerga no produto ou serviço.
Busque saber como precificar para esse grupo específico, a fim de que o segmento atingido veja o potencial da sua marca e do que você está colocando no mercado.
Conclusão: a importância da precificação estratégica para as cooperativas
A precificação estratégica ajuda as cooperativas a encontrar um valor para seus produtos e serviços que garanta competitividade e rentabilidade. Ao considerar custos e mercado, é possível definir preços adequados e fortalecer os resultados.
Quando a precificação acontece de forma estratégica, o valor se alinha ao preço e parece ideal para os clientes e consumidores.
Para saber mais desse processo, confira o e-book: Precificação de Produtos e Serviços: Aprenda as melhores estratégias de precificação para garantir a competitividade da sua cooperativa!
Notícias negócios
19/09/2026
Cuidados de proteção de marca e propriedade intelectual em mercados estrangeiros
Antes de levar produtos e serviços para outros países, é fundamental proteger a marca e outros ativos de propriedade intelectual, já que o registro feito no Brasil garante exclusividade apenas no território nacional. Essa proteção assegura a estabilidade de uma marca no mercado, sem risco de perder sua identidade por brigas jurídicas.
Sem esse cuidado, cooperativas podem enfrentar disputas jurídicas, perder o direito de usar sua marca em determinados mercados e comprometer sua exportação. Por isso, investir na proteção da propriedade intelectual deve ser um dos primeiros passos para vender internacionalmente.
O que é propriedade intelectual
A propriedade intelectual se refere ao conjunto de direitos que protege legalmente as marcas, garantindo o reconhecimento da autoria delas.
Nesse conceito, segundo a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), existe a proteção e reconhecimento da propriedade industrial, que seriam patentes, desenhos e indicações geográficas, e os direitos autorais, mais direcionados a obras artísticas e literárias.
Para as cooperativas, buscar essa proteção desde o início é uma estratégia que reduz riscos de concorrência desleal, protege contra problemas jurídicos e facilita a atuação em novos mercados.
Ter registrado e documentado o domínio da própria marca assegura que não será preciso mudar ou abrir mão do seu branding e identidade.
Importância da proteção de marca no exterior
Garantir a proteção de uma marca no Brasil já é extremamente importante. No exterior, também é essencial por vários motivos. Afinal, essa medida:
Garante o direito de uso da marca nos países em que a cooperativa pretende atuar
Com a proteção legal da propriedade intelectual, a cooperativa fica segura para exportar e avançar em mercados internacionais. Graças a esse processo legal, a organização certifica que terá o direito de uso da sua marca nos países em que decidir atuar.
Reduz riscos de disputas jurídicas, concorrência desleal e prejuízos financeiros
Outro benefício da proteção da propriedade intelectual é a segurança jurídica. Com uma marca protegida, a cooperativa reduz os riscos de enfrentar disputas legais relacionadas ao direito de uso do nome, da identidade visual ou de outros elementos que compõem a sua marca.
A proteção também ajuda a evitar a concorrência desleal, impedindo que outras organizações utilizem nomes ou marcas semelhantes para se beneficiar da reputação da cooperativa. Além disso, reduz o risco de prejuízos financeiros, como multas, indenizações ou a necessidade de realizar mudanças repentinas na marca em decorrência de disputas legais.
Preserva a identidade da marca e evita mudanças de nome ou posicionamento em novos mercados
A identidade de uma marca é essencial para o seu crescimento. É por meio de um nome e de uma identidade visual próprios que a cooperativa consegue entrar na mente dos consumidores e se fortalecer como uma boa opção no momento da compra.
Por isso, é tão importante proteger a propriedade intelectual. Dessa forma, a cooperativa evita o risco de precisar mudar o nome ou reposicionar a marca no mercado, evitando assim a necessidade de recalcular a rota e recomeçar o trabalho.
Facilita estratégias de exportação, franquias, licenciamento e expansão internacional
Para as cooperativas que estão em expansão territorial, ter a sua propriedade intelectual protegida facilita chegar a novos mercados com franquias e novos estabelecimentos da cooperativa.
Com a marca devidamente registrada, torna-se mais seguro firmar parcerias, realizar licenciamentos e exportar produtos ou serviços. Além de transmitir mais credibilidade a investidores e parceiros comerciais, esse cuidado garante que a identidade da cooperativa esteja protegida durante o processo de crescimento internacional.
Como proteger a propriedade intelectual em mercados estrangeiros
A internacionalização da marca pode ser feita por meio do Sistema de Madri, administrado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), que permite solicitar proteção em diversos países por um único pedido. O Brasil entrou nesse sistema em 2019.
Além disso, o pedido também pode ser feito diretamente nos escritórios de propriedade intelectual de cada país. É preciso reconhecer e estudar o órgão responsável de cada nação, suas exigências e obrigações para registrar a propriedade intelectual.
Conclusão
Proteger a marca internacionalmente é uma etapa estratégica para cooperativas que desejam crescer em novos mercados. Além de preservar a segurança do negócio, o registro reduz riscos e fortalece a competitividade na expansão internacional.
Para saber mais sobre outras práticas essenciais na construção de uma marca forte, coerente e alinhada aos valores cooperativistas, confira o curso Gestão de Marcas do NegóciosCoop!
Notícias negócios
19/09/2026
A escassez da confiança: como construir marcas fortes impulsiona os negócios das cooperativas
A marca é um ativo intangível de importância central para a geração de negócios. Na prática, marcas fortes transmitem confiança, e é justamente essa confiança que contribui para a identificação com os consumidores, representando um importante diferencial competitivo. Desse modo, comunicação e marketing precisam ocupar um papel importante na estratégia das cooperativas.
De acordo com o Edelman Trust Barometer 2026: Edição Brasil, produzido pela Edelman, a confiança é um bem escasso para as marcas. Hoje, elas funcionam como expressões de identidade e pertencimento. Nesse contexto, os consumidores estão cada vez menos dispostos a se relacionar com marcas que não compartilhem os mesmos valores.
O levantamento revela que, no Brasil, mais de sete em cada 10 pessoas têm uma mentalidade insular – ou seja, reluta em confiar em pessoas diferentes. Esse perfil utiliza essa mesma lógica para as marcas. Assim sendo, a importância de construir uma identidade de marca forte é mais importante do que nunca.
Neste artigo, vamos entender mais sobre a importância da comunicação e do marketing na jornada de construção de marca e o impacto desses fatores na geração de negócios para as cooperativas. Boa leitura!
A marca como ativo financeiro
A ideia de que marca é ativo financeiro ganhou instrumentos mais precisos de mensuração nos últimos anos. De acordo com a consultoria Kantar, as pessoas armazenam memórias associadas a conhecimento, sentimentos e experiências. Com isso, marcas capazes de ativar essas três dimensões tornam-se mais fáceis de lembrar e mais propensas a serem escolhidas na hora da compra.
Dentro dessa lógica, marcas valiosas compartilham três características fundamentais:
Significativa: atende necessidades reais ou cria afinidade emocional com os consumidores. Desse modo, ocupa espaço relevante na vida das pessoas por meio de benefícios funcionais e emocionais. É o alicerce sobre o qual a marca constrói sua relação com o mercado.
Diferente: além de ser relevante, a marca precisa ser diferente; ou seja, deve ter a capacidade de se destacar da categoria, liderar tendências ou oferecer algo que os concorrentes não conseguem.
Saliente: é a marca que vem à mente do consumidor rapidamente durante a ocasião de compra. Trata-se da facilidade com que a marca é recuperada da memória do consumidor no momento da escolha final.
Conexão entre marca e resultado
Essas três dimensões se traduzem em três mecanismos que afetam diretamente o resultado financeiro de um negócio.
O primeiro é o poder de demanda (demand power), que amplia a preferência e a participação de mercado. O segundo é o poder de precificação (pricing power), que permite sustentar preços premium sem perder competitividade. O terceiro é o poder futuro (future power), indicador do potencial de crescimento da marca nos próximos anos.
Esses são os fatores que explicam por que duas marcas com produtos ou serviços parecidos podem ter desempenhos financeiros bem distintos. A diferença está em como cada uma delas ocupa espaço na mente do consumidor.
Ou seja, quanto mais significativa, diferente e presente ela é percebida, maior a predisposição à escolha, menor a sensibilidade a preço e mais consistentes as perspectivas de crescimento no longo prazo. Para o cooperativismo, essa lógica demonstra que o branding converte a solidez de um modelo de negócio consolidado há mais de um século em vantagem percebida pelo consumidor, impactando vendas, margens e crescimento.
Comunicação e marketing: como se constrói confiança de marca
Se a marca funciona como ativo financeiro, cabe perguntar o que, na prática, sustenta esse ativo. Pelo levantamento da Edelman, a resposta passa por comunicação e marketing bem trabalhados: no Brasil, confiar na marca está entre os três principais fatores considerados na decisão de compra para 91% das pessoas, ao lado de atributos como qualidade do produto e atendimento ao cliente.
O dado mais relevante para quem planeja estratégia de comunicação, no entanto, é sobre a origem dessa confiança. O que mais pesa na disposição do brasileiro para confiar em uma marca não é o que ela diz sobre si mesma, mas sim a percepção orgânica de outras pessoas.
Recomendações espontâneas, avaliações de clientes e conversas entre conhecidos, por exemplo, correspondem a 47% da confiança formada (53% entre os brasileiros com perfil insular). Ou seja, a construção de marca não é mais um processo centralizado. As cooperativas não podem construir sozinhas a forma como são percebidas pelos consumidores. O branding é uma via de mão dupla.
Entre a confiança e a relevância
Confiança sozinha, porém, não sustenta a escolha do consumidor. O relatório mostra que ela precisa estar combinada com relevância, entendida a partir de cinco dimensões: utilidade (resolver um problema real), afinidade com a identidade do consumidor, conexão com a comunidade, vínculo emocional e sintonia com a cultura popular.
No Brasil, a afinidade com a identidade ganhou peso particular nos últimos anos: 68% dos brasileiros afirmam que as marcas que escolhem comprar dizem muito sobre seus valores e prioridades de vida, um salto de 14 pontos desde 2021. Na mesma linha, a preferência por marcas sediadas no próprio país subiu 15 pontos desde 2023 e hoje é fator decisivo para 75% dos consumidores.
O efeito prático de reunir confiança e relevância aparece nos números de comportamento. Consumidores que confiam em uma marca e a consideram relevante têm entre 32 e 37 pontos percentuais a mais de propensão a continuar usando essa marca, usá-la publicamente e interagir com ela nas redes sociais, na comparação com quem não associa a marca a nenhum dos dois atributos.
Eles também reagem com menos hostilidade a eventuais deslizes e compartilham conteúdo defendendo a marca com mais frequência. Essa dinâmica traz novas perspectivas e desafios sobre como as cooperativas precisam trabalhar suas estratégias de comunicação e marketing.
O poder da comunicação e da marca para os negócios no cooperativismo
Esses dados ajudam a explicar por que o cooperativismo parte de uma posição favorável nesse cenário. Gestão democrática, enraizamento local e propósito voltado à comunidade são características estruturais do modelo e coincidem com o que a pesquisa da Edelman aponta como decisivo para o consumidor brasileiro hoje: afinidade com valores, conexão com a comunidade e preferência por marcas com raiz local.
Esses diferenciais não se convertem em resultado automaticamente, contudo. Confiança estrutural não é o mesmo que confiança percebida: para que o consumidor associe uma cooperativa a esses atributos, é preciso comunicar isso de forma deliberada e consistente.
Sem esse trabalho, uma cooperativa pode carregar todos os fundamentos de uma marca significativa e diferente, mas mesmo assim não ser lembrada – ou talvez nem mesmo ser reconhecida como cooperativa – no momento de decisão da compra. É nesse ponto que a comunicação e o marketing precisam entrar em ação.
SomosCoop: a construção de valor de uma marca do cooperativismo brasileiro
O movimento SomosCoop é uma iniciativa do Sistema OCB que visa valorizar e aumentar a identificação das cooperativas brasileiras, construindo colaborativamente uma marca capaz de transmitir esses valores do cooperativismo e aumentar o reconhecimento na sociedade.
Um dos elementos da iniciativa é o carimbo SomosCoop, criado em 2019 para diferenciar os produtos das cooperativas no mercado. Em um mercado em que os consumidores valorizam cada vez mais a origem e as condições de produção, estar associado a um modelo de negócio justo e sustentável é uma vantagem competitiva para as cooperativas.
Na prática: cooperativas fortalecem marcas e crescem como negócio
Já há cooperativas aproveitando a força da marca para potencializar a capacidade de comunicação e gerar negócios. Veja esses exemplos, que integram o livro Comunicação e Marketing no Cooperativismo, publicado pelo Sistema OCB.
Aurora Coop: rebranding reforça identidade cooperativista
A Aurora, uma das gigantes do agronegócio brasileiro, identificou que sua marca não estava claramente associada ao cooperativismo, seja para o consumidor, seja para os produtores, seja para os parceiros institucionais. Diante disso, em 2022, ela passou por um processo de rebranding e incluiu o termo “Coop” em sua marca institucional: agora ela é a Aurora Coop.
Antes do rebranding, a cooperativa temia que o consumidor tivesse um olhar crítico para o cooperativismo. Com o passar do tempo, essa visão mudou. Acompanhando a percepção do público por meio de pesquisas nacionais com o consumidor final, a Aurora Coop identificou que o público passou a valorizar e apoiar o movimento cooperativista.
A marca comercial não herdou o “Coop” e adotou o “Aurora Alimentos”, mas isso não significou deixar a imagem cooperativista em segundo plano. Todos os produtos da marca dão destaque ao carimbo SomosCoop e as peças de comunicação e marketing exploram os diferenciais do cooperativismo como modelo de produção.
Dados de pesquisas internas apontam um aumento no reconhecimento da Aurora Coop como cooperativa desde então. Além disso, o Ranking Kantar Brand Footprint 2025 Brasil aponta que a Aurora é a 13ª marca mais presente nos lares brasileiros (em 2020, ela ocupava a 33ª posição).
Sicredi e Sicoob: cooperativismo no centro de estratégias publicitárias
O desafio de explicar o próprio modelo de negócio também motivou a estratégia publicitária dos dois maiores sistemas de crédito cooperativo do país. O Sicoob apostou em associar-se a três grandes paixões nacionais – futebol, música sertaneja e novelas – para difundir não só a própria marca, mas o modelo do cooperativismo financeiro.
Os resultados aparecem tanto em métricas de marca quanto em números de negócio. Entre 2021 e 2025, o Sicoob registrou crescimento de 92,1% na força de sua marca, o maior entre as instituições financeiras do país, e um avanço de 23,4% na contribuição de marca para a decisão de compra do consumidor.
Já entre 2021 e 2024, sua base de cooperados passou de 5,9 milhões para 8,52 milhões (alta de 44,4%), os ativos cresceram 89,2%, de R$ 190,4 bilhões para R$ 360,2 bilhões, e os seguidores nas redes sociais aumentaram 111,3%.
O Sicredi seguiu caminho semelhante para sustentar um plano agressivo de expansão nacional. O desafio identificado era apresentar o cooperativismo de crédito para públicos que associavam o modelo cooperativista a setores específicos, como agro ou saúde. O Sicredi investiu em TV aberta combinada com estratégia digital, fechou parcerias com músicos populares em diferentes regiões do país e reforçou a presença no futebol.
Segundo a cooperativa, o esforço elevou a lembrança espontânea da marca de 8% para 15%, recorde histórico medido pela Kantar e associado diretamente à conversão de novos associados.
Essas iniciativas contribuíram também para o crescimento sistêmico do Ramo Crédito. De acordo com o AnuárioCoop 2026, o cooperativismo de crédito fechou 2025 com 682 cooperativas, quase 23 milhões de cooperados e R$ 1,15 trilhão em ativos, além de superar R$ 516 bilhões em carteira de crédito.
Coop Drogaria: segmentar para crescer
Fundada em 1954 no ABC paulista, a Coop é hoje a maior cooperativa de consumo da América Latina. Durante anos, suas farmácias funcionaram como mais um departamento dos supermercados, geridas junto com padaria e açougue. Isso mudou em 2019, quando um estudo de branding levou a cooperativa a separar o negócio em duas unidades autônomas, Coop Supermercado e Coop Drogaria, cada uma com identidade de marca e gestão especializada.
O primeiro desafio foi justamente de marca: os clientes reconheciam a Coop como rede de supermercados, não de farmácias. A solução envolveu um trabalho de identidade visual dedicado, em que a marca institucional manteve vermelho, azul e branco; a Coop Supermercado passou a usar laranja, associado a um ambiente caloroso; a Coop Drogaria adotou o verde, ligado à saúde e ao bem-estar.
A separação também exigiu repensar mix de produtos, relação com fornecedores e estrutura de custos. O resultado aparece nos números: em 2025, a Coop Drogaria faturou 21,48% do total de R$ 2,6 bilhões faturado pela cooperativa no ano, somando 69 unidades (34 internas e 35 de rua), com mais sete lojas independentes previstas para 2026.
Para Luiz Gustavo Maldi Ramos, head do negócio, tratar a drogaria como especialista, e não como departamento, foi a virada de chave que permitiu à cooperativa competir de igual para igual com redes farmacêuticas especializadas. A empreitada demonstra que o investimento na marca deve partir de decisões estruturais de negócios para gerar resultado.
Conclusão: comunicação, marketing e marca como aliados dos negócios
Em um mercado brasileiro cada vez mais seletivo sobre em quais marcas confiar, comunicação e marketing ocupam um lugar crítico na estratégia de negócios. As cooperativas têm um grande potencial de gerar negócios a partir dos valores atrelados às suas marcas, mas esse potencial só vira realidade quando existe esforço para fortalecer a identidade.
Para aprofundar esse caminho, com ferramentas práticas de branding, comunicação e marketing aplicadas ao cooperativismo, vale a leitura do livro "Comunicação e Marketing no Cooperativismo", cuja versão digital está disponível no site do Sistema OCB.
Notícias negócios
04/09/2026
Cultura cooperativista fortalece identidade e ajuda a cooperativa a se manter competitiva
A cultura cooperativista está presente na forma como as pessoas pensam, se relacionam e agem, tendo como base os princípios e valores do cooperativismo. Ela sustenta a identidade coletiva e fortalece os objetivos comuns, sendo construída pelas práticas, experiências e significados compartilhados dentro das organizações.
Mais do que preservar uma identidade, fortalecer essa cultura ajuda a aproximar cooperados, estimular o relacionamento com a cooperativa e preparar as organizações para o futuro. Quando valores e princípios são efetivamente reconhecidos por cooperados, trabalhadores e comunidades, essa identidade se fortalece e traz continuidade ao movimento.
Cultura cooperativista gera negócios
Para que o cooperado não enxergue a cooperativa apenas como mais uma marca fornecedora de produtos e serviços, é necessário que ele conheça o modelo do qual faz parte e compreenda seus valores e princípios. Afinal, ser cooperado vai além da condição formal de estar associado a uma cooperativa.
O cooperativista é aquele que internaliza os valores do movimento, age orientado por eles e compreende seu papel dentro da organização. Essa relação também envolve conhecer o que a cooperativa faz e como isso se conecta ao movimento cooperativista.
Lealdade e ganhos comerciais
A lealdade, nesse contexto, também faz parte do vínculo entre cooperado e cooperativa. Para que essa relação seja construída, a cooperativa precisa oferecer um portfólio atraente e permitir que o cooperado conheça, de maneira geral, as soluções que ela oferece.
No cooperativismo de crédito, essa relação pode resultar na principalidade, quando o cooperado escolhe a cooperativa como sua instituição financeira central. A busca por esse relacionamento de confiança, que ultrapassa a relação dele com outros grandes players do mercado, só ocorre quando a cooperativa passa a conhecer o cooperado, entende suas necessidades e cria condições para que ele concentre diferentes soluções financeiras.
No agro, a aproximação com os cooperados também pode ir além da relação comercial, fortalecendo o vínculo entre produtores e cooperativa. Nesse contexto, conhecer e vivenciar o modelo cooperativista contribui para que a relação não fique restrita às transações, mas seja construída a partir de uma participação mais próxima na organização, nos conselhos e nas decisões, trazendo sua visão como parte da comunidade local na hora de fazer negócios.
Educação para formar cooperativistas e novas lideranças
A educação cooperativista é um caminho para transformar o cooperado formal em cooperativista, capaz de conhecer os valores, cobrar os princípios e participar da organização. O processo passa por envolver o cooperado na responsabilidade coletiva, além de preparar os responsáveis pela gestão das organizações.
Essa formação também está relacionada à participação dentro da cooperativa. Ser cooperado pode representar apenas uma condição jurídica, enquanto ser cooperativista significa internalizar os valores e princípios e agir orientado por eles, como participar ativamente e escolher a cooperativa para realizar seus negócios.
A educação, porém, não acontece apenas em ações formais. As relações, decisões e exemplos do cotidiano também fazem parte desse processo, e todos, independentemente da função que ocupam, podem se considerar educadores cooperativistas. Nesse sentido, o papel da educação cooperativista é ajudar as pessoas a compreender, experimentar e aplicar os elementos do movimento em suas práticas diárias.
Ao mesmo tempo, a formação precisa alcançar as diferentes gerações que fazem parte das cooperativas. Entre as dimensões observadas no mapeamento da cultura cooperativista estão a liderança e a participação, incluindo a forma como a gestão prepara futuros líderes, jovens e novas gerações.
Assim, a transmissão da cultura também passa pela preparação de pessoas que possam assumir esses espaços e manter vivos os valores e princípios cooperativistas.
Cultura como estratégia de longo prazo
A cultura cooperativista está ligada à identidade e à continuidade das organizações. Como define o livro Raízes e Fundamentos do Cooperativismo, ela é “o jeito como as pessoas pensam, se relacionam e agem tendo como base os princípios e valores do cooperativismo, que guiam as decisões e os modos de trabalho”.
Nesse processo, a memória ocupa um papel importante. As histórias vividas e as experiências compartilhadas ao longo do tempo constroem sentidos para as práticas do presente, conectando a trajetória da cooperativa às decisões e relações atuais.
A continuidade da cultura também depende da capacidade de transmiti-la e renová-la entre as gerações. O livro aponta que “a cultura só existe enquanto há agentes que a praticam, transmitem e renovam”, reforçando que sua permanência está relacionada à participação das pessoas que fazem parte da cooperativa.
Mantendo a cultura cooperativista viva
Por isso, manter a cultura ao longo do tempo passa por práticas que permitam sua transmissão e renovação. A educação cooperativista aparece nesse processo como um dos elementos responsáveis por dar continuidade ao movimento, já que a cultura, para ser levada adiante, depende de iniciativas educativas que transmitam a identidade cooperativista.
O livro também destaca que essa transmissão acontece predominantemente pela prática cotidiana e pelos rituais organizacionais, e nem sempre por programas estruturados de formação. Dessa forma, a continuidade da cultura envolve tanto ações educativas quanto práticas que fazem parte da vida da cooperativa.
Conclusão: cultura cooperativista é bom negócio
Fortalecer a cultura cooperativista é uma forma de aproximar cooperados, construir relações de longo prazo e desenvolver lideranças, mantendo vivos os valores e princípios que orientam o modelo. Esse processo também passa pela educação, pela participação e pelas relações construídas no cotidiano das cooperativas.
Ao preservar sua identidade e renovar sua cultura entre as diferentes gerações, as cooperativas fortalecem as bases para sua continuidade. Dessa forma, a cultura cooperativista permanece como parte da atuação das organizações e também como um elemento que contribui para sua competitividade.
Para saber mais sobre as raízes históricas do cooperativismo, conheça a trilha “História, Memória e Cultura Cooperativista”, disponível pelo CapacitaCoop para cooperados, dirigentes, conselheiros, colaboradores e profissionais que buscam entender como o movimento cooperativista se formou e influencia o ambiente atual das cooperativas.
Notícias negócios
10/08/2026
AnuárioCoop 2026 evidencia protagonismo do cooperativismo brasileiro nos negócios
O AnuárioCoop 2026 mostra que o cooperativismo vem apresentando resultados significativos de crescimento. Esse modelo, que atualmente reúne mais de 4 mil cooperativas e 29 milhões de cooperados, movimentou R$ 848,3 bilhões em ingressos em 2025.
Os dados também evidenciam a relevância econômica do cooperativismo em diferentes setores e sua capacidade de gerar empregos, exportar e se manter de forma sustentável. Houve um aumento de 6,1% nas vagas formais geradas em 2025, além da expansão do comércio com diversos países, como China, Alemanha e Países Baixos.
Cooperativismo amplia a presença brasileira no mercado internacional
O Brasil já se destaca no comércio global por sua atuação na exportação, em especial de commodities agrícolas e minerais. As cooperativas ocupam um papel relevante nesse processo, sendo responsáveis por parte significativa das vendas internacionais.
As cooperativas exportadoras do Brasil geraram, em 2025, US$ 17,4 bilhões em receitas com exportações. Além do valor expressivo, esse modelo de negócios foi responsável por 10,3% das exportações do agronegócio brasileiro, reforçando sua importância para o PIB e para a economia nacional.
Entre os produtos mais exportados pelo cooperativismo estão o café não torrado, carnes de aves e soja triturada. A carne suína e o óleo de soja vêm em seguida na lista coletada com dados da ApexBrasil e do Sistema OCB.
O país conta, atualmente, com 140 cooperativas exportadoras. Dentro desse setor, vale ressaltar que 67% das exportações estão concentradas em apenas 10 cooperativas. Esses números mostram como a internacionalização das cooperativas brasileiras vem se consolidando como uma estratégia de negócios, equilibrando a qualidade da produção local com as exigências das demandas mundiais.
Cooperativas trazem benefícios para a economia em diferentes ramos
O cooperativismo traz importantes impactos para o PIB e para a economia brasileira, e os números do AnuárioCoop 2026 reforçam isso. No setor de infraestrutura, por exemplo, as cooperativas apresentam resultados fortes. No total, atendem 3,5 milhões de brasileiros, estão presentes em 800 municípios e operam 115 mil quilômetros de rede.
Em alguns ramos, essa influência é ainda maior. A pesquisa mostra como o cooperativismo atua, fortalecendo ramos como agronegócio, sistemas financeiros e serviços de saúde.
O impacto econômico do cooperativismo agropecuário
O cooperativismo agropecuário, por exemplo, representa 53% da produção de grãos do país e 25% da capacidade de armazenamento das cadeias produtivas brasileiras. Os indicadores financeiros do cooperativismo agropecuário também mostram essa força, com o ramo registrando R$ 340,1 bilhões em ativos e R$ 29,3 bilhões em sobras em 2025.
Esse setor tem um alto valor de geração de empregos, com 10,7 mil profissionais de assistência técnica e extensão rural. Assim, as cooperativas agropecuárias brasileiras se tornam um motor de progresso socioeconômico, desenvolvimento regional e geração de renda para comunidades.
A força dos sistemas financeiros cooperativos
O cooperativismo de crédito é outro setor essencial. Sistemas como Sicoob e Sicredi se destacam como algumas das principais marcas no mercado financeiro do país. Atualmente, as cooperativas de crédito concentram 22% da carteira de crédito rural e 19,3% da carteira de crédito para micro, pequenas e médias empresas.
Em uma tendência de diminuição de postos de atendimento físicos, o cooperativismo de crédito nada contra a corrente. Cooperativas são a única instituição financeira presente em 1.072 municípios brasileiros.
No total, o país conta com 682 cooperativas nesse ramo, que já acumulam R$ 1.158,3 bilhões em ativos. Os benefícios também são sentidos por quem faz parte desse modelo: em 2025, as cooperativas do ramo crédito brasileiras pagaram mais de R$ 17,3 bilhões em salários e benefícios aos seus colaboradores.
Protagonismo do cooperativismo na saúde suplementar
Na saúde suplementar, as cooperativas ocupam um espaço relevante no mercado brasileiro, que possui 53 milhões de beneficiários, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Atualmente, estão em atuação 684 operadoras de plano de saúde médico feitas por cooperativas.
Essas organizações atendem 37,2% dos beneficiários de planos médicos e 13,1% dos beneficiários de planos odontológicos. Destaca-se o Sistema Unimed, que se consolidou como a maior cooperativa do mundo na categoria “Educação, saúde e trabalhos sociais”, em faturamento bruto e per capita.
Além da relevância no atendimento, estudos também apontam a solidez financeira do modelo cooperativista na saúde. A pesquisa mostrou que cooperativas operadoras de planos de saúde possuem, em média, 4,8 pontos percentuais a menos de probabilidade de insolvência do que as demais operadoras.
Percepções do modelo de negócios no AnuárioCoop 2026
Além dos valores que mostram na prática como o cooperativismo segue crescendo no Brasil e ganhando espaço no mercado mundial, o AnuárioCoop 2026 também apresentou reflexões sobre esse modelo de negócios, como:
O modelo cooperativo continua sendo perene e sustentável
A durabilidade das cooperativas é um ponto de atenção, pois se destaca frente a outros modelos de negócios. Enquanto apenas 37% das empresas duram mais de cinco anos de operação, o cooperativismo brasileiro apresenta indicadores de longevidade superiores.
No cooperativismo, o papel da governança é de extrema importância
A pesquisa percebeu que a liderança é essencial para o sucesso da cooperativa e deve contar com participação ativa e decisões democráticas. Os gestores precisam se atentar principalmente à eficiência, inovação, sustentabilidade e comunidade.
Empregos gerados pelo cooperativismo
O cooperativismo segue como um importante modelo para geração de empregos no Brasil, com 613,4 mil empregos gerados, segundo últimos dados. A força de trabalho feminina vem crescendo, e atualmente as mulheres representam 53,28% do total de empregados. Os ramos com predominância feminina são Consumo, Crédito, Saúde e Trabalho, Produção de Bens e Serviços.
Conclusão: AnuárioCoop revela força dos negócios cooperativistas
Os dados do AnuárioCoop 2026 mostram que o cooperativismo vai além da geração de empregos e da organização dos produtores. O modelo movimenta a economia, amplia a presença brasileira no comércio internacional e impulsiona o desenvolvimento econômico nos territórios onde está presente.
Que tal aprimorar a capacidade de sua cooperativa empregar dados em busca de melhores negócios? Com o curso Análise de Mercado, na plataforma CapacitaCoop, você aprende a utilizar dados de mercado para propor ações e tomar melhores decisões. Confira!
Notícias negócios
21/07/2026
Estratégias de entrada e adaptação em mercados internacionais: especial Europa
O continente europeu representa grandes oportunidades para quem busca crescer no comércio exterior. Entre grandes potências e pequenos mercados regionais, são muitos os caminhos possíveis para quem quer atuar nesse território.
Para conquistar espaço, no entanto, as cooperativas exportadoras precisam compreender o perfil dos diferentes consumidores do continente, acompanhar tendências como a preferência pelas compras presenciais e considerar o peso crescente do preço nas decisões de compra.
Perfil dos consumidores europeus
Antes de definir como vender para a Europa, vale dimensionar o desafio: o continente reúne mais de 700 milhões de habitantes distribuídos em cerca de 50 países, incluindo os transcontinentais.
Reconhecer essa escala é fundamental para perceber a diversidade dos públicos que vivem nesses territórios. Convivem ali nações de portes muito distintos, de grandes economias como Alemanha e Reino Unido a mercados menores, caso das ilhas de Malta e do microestado de Andorra.
Pessimismo do consumidor europeu
De forma geral, o consumidor europeu demonstra pessimismo e desânimo em relação à economia de seu país. É o que mostra uma pesquisa do Boston Consulting Group (BCG) que entrevistou mais de 16 mil europeus em 2025.
Segundo o levantamento, mais da metade da população se declara pessimista quanto ao rumo da economia nacional. Apenas 40% afirmam se sentir bem com as próprias finanças, uma queda de 4 pontos percentuais em relação a 2024.
Diante desse cenário, o público europeu passou a buscar boas ofertas com mais intensidade. Inovação e estratégias de marketing mais eficientes também entraram na lista do que esses clientes consideram na hora de escolher uma marca.
Tendências de consumo na Europa
Algumas dinâmicas vêm moldando o mercado europeu e merecem a atenção das cooperativas interessadas em exportar para a região. As principais são as seguintes.
Preferência pelas lojas físicas torna o presencial imprescindível
Apesar do crescimento do comércio eletrônico, a maior parte dos consumidores europeus mantém o hábito de comprar em lojas físicas. Segundo o relatório The State of Shopping 2024, realizado pela ShopFully em parceria com o Offerista Group, 92% dos entrevistados preferem comprar presencialmente, pela possibilidade de ver e experimentar os produtos.
O digital, porém, segue relevante no processo de decisão: 78% dos consumidores pesquisam online antes de fechar a compra. Cooperativas que pretendem crescer na Europa precisam, portanto, integrar os canais físicos e digitais.
Com a baixa lealdade às marcas, qualidade e preço decidem a compra
A fraca fidelidade dos compradores europeus às marcas é outro fator a considerar. Apenas 16% se declaram completamente leais, enquanto a grande maioria decide com base no preço e na qualidade do que está comprando.
Nesse contexto, o cooperativismo brasileiro pode encontrar espaço ao oferecer produtos e serviços que proporcionem uma boa experiência ao consumidor, com preço acessível e justo, de modo que o cliente enxergue valor real na compra.
Investir em promoções e cupons também é uma boa prática comercial, já que muitos consumidores esperam por essas oportunidades para concluir uma compra.
Em momentos de incerteza, o relacionamento e a experiência são cruciais
O cenário de cautela que cerca os consumidores europeus reduziu o poder de compra de boa parte deles. Em momentos assim, a relação do cliente com a marca pesa na disputa por um lugar no carrinho.
O antes, o durante e o depois da compra precisam ser bem resolvidos e proporcionar uma experiência positiva a quem está comprando. É esse cuidado que fortalece o vínculo e aproxima as cooperativas do consumidor final.
Retirar na loja é uma prática difundida e incentiva novas compras
O chamado “click and collect”, conhecido no Brasil como retirada na loja, é outra tendência consolidada na Europa. Muitos consumidores pesquisam e compram online, mas fazem questão de buscar o produto pessoalmente no ponto de venda.
O método abre uma dupla oportunidade: ao ir à loja retirar o pedido, boa parte dos clientes acaba realizando novas compras. Além de comercializar o produto inicial, as cooperativas ganham, assim, novas chances de negócio.
A questão ambiental é uma prioridade
Produtos sustentáveis também estão entre as prioridades dos europeus. Esse fator pesa na decisão de compra, mas poucos consumidores se dispõem a pagar mais por ele. Unir sustentabilidade e preço competitivo, portanto, é a chave para se destacar nesse mercado.
Maiores mercados e parcerias com Brasil
Dentro do continente, alguns países e mercados oferecem oportunidades mais claras de crescimento para as cooperativas brasileiras. Conheça os principais.
Dinamarca
O mercado dinamarquês é um dos mais promissores para as cooperativas brasileiras na Europa. O país reúne os consumidores mais confiantes do continente, que buscam valor nos produtos e nas marcas mesmo em tempos difíceis.
Com quase 6 milhões de habitantes, a Dinamarca combina um mercado de trabalho flexível com uma economia capaz de se adaptar bem a choques e riscos externos. Essa estabilidade é uma vantagem para as marcas que pretendem investir em exportação.
Mercosul-UE
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia é mais um movimento que aproxima os mercados brasileiro e europeu. Assinado pelos dois blocos em janeiro de 2026, com a parte comercial em vigor provisório desde maio, o tratado estabelece uma ampla zona de livre comércio e cria inúmeras vantagens de negócios.
Para as cooperativas brasileiras, o potencial de crescimento no longo prazo é expressivo, já que o acordo integra dois dos maiores blocos econômicos do mundo e abre um mercado estratégico de 450 milhões de habitantes.
Holanda
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a Holanda é o principal destino das exportações brasileiras na Europa, o que faz do país um mercado de grande vantagem competitiva para as cooperativas.
Os Países Baixos têm preferência por produtos brasileiros, com destaque para soja e derivados, minério de ferro e aço, e o Brasil se consolida como o maior receptor de investimentos holandeses na América Latina.
Alemanha
Uma das maiores economias e a principal potência comercial da Europa, a Alemanha é o terceiro maior destino das exportações brasileiras no bloco europeu. Essa relação comercial sólida reforça o papel estratégico do país como um dos principais parceiros econômicos do Brasil na região.
Embora a confiança do consumidor alemão esteja em queda, pressionada pelo temor de tarifas e pelo avanço da inflação, o cenário guarda pontos positivos para o Brasil. Os governos dos dois países mantêm tratados de parceria voltados à economia, o que pode abrir boas oportunidades de negócios para as cooperativas brasileiras.
Conclusão
Com consumidores diversos e exigentes, a Europa segue entre os mercados mais relevantes para as exportações brasileiras. Atentas às preferências do público e às oportunidades nos países estratégicos, as cooperativas podem fortalecer sua presença internacional nesse bloco.
Para ter sucesso, o caminho passa por sustentabilidade, presença física e preços competitivos. É essa combinação que permite ao cooperativismo brasileiro contornar a cautela econômica dos consumidores europeus e construir negócios de longo prazo na região.
Notícias negócios
13/07/2026
Como as cooperativas de crédito impulsionam o Plano Safra
O Plano Safra é o principal instrumento do governo federal de apoio à produção agropecuária, disponibilizando crédito rural subsidiado e outras condições que beneficiam quem atua no campo.
No Plano Safra 2025/2026, o valor reservado pelo Governo Federal para a agricultura empresarial foi de R$ 516,2 bilhões. Nesse cenário, as cooperativas de crédito se destacaram: juntas, Sicredi, Sicoob e Cresol liberaram cerca de R$ 145 bilhões em crédito rural no ciclo, o equivalente a aproximadamente 28% do valor do programa.
Plano Safra: como funciona?
O Plano Safra opera por meio do chamado crédito rural. O governo subsidia linhas de financiamento para os produtores, oferecidas por diversas instituições financeiras públicas e privadas. Com duração anual, o programa geralmente vai de julho de um ano a junho do ano seguinte.
Nesse período, o governo destina recursos às instituições financeiras para que a vantagem chegue ao produtor. Para viabilizar juros mais baixos, a União paga a diferença entre a taxa cobrada de quem toma o empréstimo e a remuneração necessária às instituições, a chamada equalização, além de ajudar a cobrir os custos das operações.
Importância do Plano Safra
Criado em 2003, o programa surgiu para impulsionar o agronegócio, um setor estratégico para a economia nacional. Vale lembrar que o agronegócio responde por cerca de 20% a 25% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e é um dos principais motores do crescimento do país.
O incentivo ajuda a custear despesas do processo de produção agrícola e facilita aquisições essenciais, como terras, insumos e maquinários.
A importância das cooperativas de crédito
Entre as instituições financeiras que operam o Plano Safra, o cooperativismo de crédito tem papel relevante, ampliando o acesso aos financiamentos e chegando a regiões que os bancos tradicionais não atendem.
O modelo também se destaca pela proximidade com o produtor rural, pelo estímulo às economias locais e pela divisão das sobras entre os agricultores cooperados. Essa presença na comunidade e a atenção ao desenvolvimento social garantem às cooperativas uma participação essencial em cada edição do programa.
Mudanças regulatórias e papel das cooperativas
Uma nova resolução do CMN aumentou as exigibilidades do crédito rural, afetando também as cooperativas de crédito. Com a medida, uma parcela maior dos depósitos à vista, da poupança rural e das emissões das LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) passou a ser direcionada obrigatoriamente ao crédito rural, o que eleva o volume de recursos privados destinado ao financiamento da atividade agropecuária.
O cooperativismo segue forte nesse mercado. Frente aos R$ 516,2 bilhões reservados à agropecuária empresarial no Plano Safra 2025/2026, os cerca de R$ 145 bilhões liberados pelas três maiores cooperativas de crédito do país representam perto de 28% do programa.
Os resultados de Sicredi, Sicoob e Cresol no Plano Safra 2025/2026
Para o Plano Safra 2025/2026, as principais cooperativas de crédito anunciaram um alto volume de recursos em benefício dos produtores rurais, e os balanços de fim de ciclo confirmaram as expectativas.
Sicredi
O Sicredi anunciou R$ 68 bilhões para o Plano Safra 2025/2026, valor 10% superior ao concedido no ano-safra anterior, e fechou o ciclo superando a própria previsão, com R$ 69 bilhões liberados em mais de 320 mil operações.
Na época do anúncio, a carteira dedicada ao agro somava R$ 102 bilhões em saldo, número que reforçava a posição do Sicredi como, segundo a própria instituição, a maior financeira privada do Brasil no setor.
Cresol
Com a meta inicial de liberar R$ 15 bilhões, a Cresol superou as expectativas e chegou a R$ 16,8 bilhões em recursos no Plano Safra 2025/2026. O valor representa um aumento de 40,4% nos repasses em comparação ao ano-safra 2024/2025.
Foram realizadas 115,6 mil operações, com ticket médio de R$ 145,6 mil. As linhas de crédito mais acessadas foram o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), com R$ 6,9 bilhões, e o Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural), com R$ 4,2 bilhões.
Sicoob
O Sicoob encerrou o ciclo 2025/2026 com R$ 59,5 bilhões em crédito rural liberado, crescimento de 6,88% sobre a safra anterior, em mais de 194,7 mil operações realizadas com produtores de todo o Brasil.
O balanço confirmou ainda a concentração dos recursos em pequenos e médios produtores, que responderam por 63% das operações da instituição no período.
O que esperar do Plano Safra 2026/2027
O novo ciclo já começou. Lançado pelo Governo Federal em 30 de junho de 2026, o Plano Safra 2026/2027 destina R$ 525,1 bilhões à agricultura empresarial, R$ 8,9 bilhões a mais que na temporada anterior, com redução das taxas de juros nas principais linhas e reforço nos recursos para investimento e modernização das propriedades.
As cooperativas de crédito prometem ampliar ainda mais sua participação. O Sicredi prevê disponibilizar R$ 72,1 bilhões; o Sicoob projeta cerca de R$ 70 bilhões; e a Cresol estabeleceu a meta de R$ 18 bilhões.
Somadas, as previsões das três cooperativas superam R$ 160 bilhões para o novo ano agrícola, um sinal de que o protagonismo do cooperativismo no financiamento do agro deve seguir em expansão.
Conclusão
O Plano Safra representa uma importante ação do governo para impulsionar o crescimento e o desenvolvimento do agronegócio brasileiro. O programa facilita a aquisição de produtos e equipamentos essenciais à produção, que dificilmente estariam ao alcance dos produtores sem esse apoio.
O protagonismo das cooperativas evidencia a relevância desse modelo de negócio para a economia do país e para o agro. O cooperativismo fomenta o programa e ajuda pequenos e médios produtores a conquistarem os recursos necessários para movimentar o agronegócio.
Notícias negócios
10/07/2026
Dicas e boas práticas de gestão da flutuação cambial (hedging) para cooperativas exportadoras
Ao exportar e importar, as cooperativas trabalham com diferentes moedas e, portanto, convivem com o risco das mudanças no câmbio. Para não se prejudicar, é preciso estar preparado e atento ao cenário financeiro mundial.
A gestão da flutuação cambial é uma estratégia essencial para cooperativas que querem crescer no exterior. Com boas práticas de hedging, o processo de exportação fica mais seguro e vantajoso para as marcas.
Benefícios e boas práticas do hedging
A gestão do câmbio é essencial para a segurança financeira na hora de fazer negócio com outros países. É preciso um protocolo, consultoria com instituições financeiras autorizadas e parceiros de confiança para esse processo de exportação.
Afinal, o mercado de câmbio, também conhecido como Forex (Foreign Exchange), é onde se negocia com moedas estrangeiras. As diferenças entre as moedas circulantes em cada país e as características próprias das diversas economias geram a necessidade de uma gestão estratégica.
Possibilidades de novas parcerias
Com técnicas de hedging, é possível criar acordos que beneficiem ambos os lados e assegurem a proteção financeira nos negócios. Dessa maneira, a gestão do câmbio é um importante passo da cadeia produtiva e uma maneira de mitigar possíveis riscos financeiros.
Além disso, ter uma troca segura com outras organizações passa maior confiabilidade para as instituições parceiras. Quando se trabalha com previsibilidade e estabilidade, fica mais fácil fechar novos negócios e expandir a rede de parceiros.
O que é hedging?
O hedge cambial é a estratégia usada contra o risco das flutuações cambiais. Ele funciona com o apoio de instrumentos que determinam a fixação de uma taxa cambial para as trocas e vendas entre diferentes moedas.
Essa gestão serve para proteger e assegurar maior segurança financeira para as cooperativas exportadoras, uma vez que estas trabalham com moedas e economias além da brasileira. Com essa prática, é possível ter maior previsibilidade e transações comerciais mais transparentes na exportação.
Por exemplo, se uma cooperativa precisa pagar US$ 100 mil para um fornecedor em um contrato que terminará em três meses, o dólar, que no momento do negócio está valendo R$ 5, pode valer menos ou mais no futuro. Ao fixar a taxa cambial, garantirá que o valor em reais não mude quando a cooperativa for realizar o pagamento.
Boas práticas de hedging
Algumas práticas de hedging asseguram maior proteção para as cooperativas exportadoras. São elas:
Mitigar os riscos de variação cambial
Um dos principais pontos da adoção do hedging é a mitigação de riscos causados pela variação cambial. Com a gestão da flutuação cambial, os contratos seguem uma taxa fixa e acordada no momento em que se fecham os negócios.
Assim, nas exportações ou importações, as operações de câmbio se tornam previsíveis e podem evitar futuros prejuízos.
Trazer maior previsibilidade de fluxo de caixa
Ao saber exatamente quando a cooperativa deve pagar ou irá receber, o time do financeiro tem maior previsibilidade do fluxo de caixa e das margens de lucro e prejuízo que virão de um acordo comercial.
Como a organização financeira é um aspecto essencial dos negócios, a gestão de câmbio torna essa previsibilidade possível e garante maior eficácia para a cooperativa.
Assegurar as margens comerciais
É importante fixar a taxa de câmbio não apenas para se proteger de perdas financeiras, mas também para manter as margens de ganho apesar das oscilações e desvalorizações cambiais.
Assim se garante que, mesmo que uma moeda passe a valer menos, o lucro virá da taxa pré-acordada no contrato.
Fixar a taxa de câmbio para transações futuras
Ao fechar contratos de longo prazo para exportação ou importação, é importante pensar na taxa de câmbio desses projetos com o passar do tempo. Pode ser que os negócios valham a pena no câmbio atual, mas questões internas ou geopolíticas mudem o valor das moedas envolvidas.
Para proteger as receitas e os investimentos de ambas as organizações nesse contrato, consolidando uma estabilidade financeira ao longo do tempo, é importante fixar e ir ajustando as taxas.
Definir o percentual do risco a proteger
Vale ressaltar que os riscos fazem parte de um contrato, especialmente no cenário internacional. É preciso medir qual o possível impacto dessa flutuação cambial no balanço e verificar como uma mudança na cotação pode afetar os negócios.
Com isso, a cooperativa pode definir o percentual do risco a proteger. Ou seja, ela decide quanto da exposição será coberta pelo hedge, afinal, nem sempre é necessário ou possível proteger por completo o valor.
Conclusão: hedging como estratégia
Existem diversos benefícios na adoção das práticas de hedging. Exportar com uma gestão de flutuação cambial é estar preparado para os riscos e mudanças do mercado, sem comprometer os negócios.
Além dos cuidados com a flutuação cambial, a exportação e importação exigem atenção redobrada às legislações, normas e processos de diferentes países. Para estar preparado, o NegóciosCoop lançou um e-book que ajuda as cooperativas. Confira o conteúdo: Exportação para Cooperativas III: Questões operacionais para exportação.
Notícias negócios
03/07/2026
Gestão ambiental: como calcular a pegada de carbono da sua cooperativa
Você sabe quantas emissões de gases de efeito estufa sua cooperativa libera? Em termos gerais, tem noção de quantas árvores precisam ser plantadas para harmonizar o efeito das suas produções? Diante de um mercado mais exigente, a pegada de carbono é um fator que vai além da busca pela sustentabilidade.
No cooperativismo, a preocupação com o meio ambiente e com a comunidade não ficam só no discurso. São instituições com uma governança que verdadeiramente busca uma produção mais limpa. Entre as medidas, uma que não pode ficar de fora é a gestão ambiental e a redução da pegada de carbono.
O que é a pegada de carbono?
A pegada de carbono consiste no valor das emissões de gases de efeito estufa liberadas por uma cooperativa. Ou seja, serve como um indicador ambiental para entender como as atividades de uma instituição contribuem negativamente ou positivamente para o meio ambiente.
Essa conta entende o quanto a produção de uma instituição está gerando de gases que, liberados na atmosfera, aceleram o aquecimento global. Incluem-se as emissões geradas por motores usados em veículos ou aquecedores, pelo consumo de eletricidade dos escritórios e pela queima de combustíveis fósseis.
É a soma das toneladas de dióxido de carbono (CO2), do metano, do óxido de nitrogênio, dos clorofluorcarbonos (CFCs) e de todos os outros gases que contribuem para o aquecimento global.
Importância da gestão ambiental para acessar mercados exigentes
Trabalhar com uma gestão ambiental que meça e controle a pegada de carbono é essencial. Segundo Cristiano Lagôas, presidente da Associação Brasileira de ESG, o modelo cooperativista ilustra na prática a possibilidade de conciliar crescimento econômico com preocupação ambiental.
“Estamos diante de um formato de organização que considera a preservação ambiental prioritária e coloca em destaque o bem-estar humano, enquanto adota uma abordagem participativa na governança corporativa. O cooperativismo certamente se apresentou como um parceiro estratégico para a implementação da agenda ESG no Brasil”, afirmou Lagôas ao Sistema OCB/MS.
Essa característica se torna um diferencial competitivo para esse modelo de negócios, afinal, os mercados exigentes e as novas tendências de consumo valorizam instituições responsáveis, cujos produtos e serviços não sejam prejudiciais para a natureza.
O mundo em busca da sustentabilidade
É por conta dessa tendência, inclusive, que começou um movimento mundial, liderado pela ONU (Organização das Nações Unidas), que busca a redução da emissão dos gases do efeito estufa (GEE).
Entre as maneiras de reverter esse quadro, surgem os créditos de carbono, uma ferramenta que transforma a diminuição do aquecimento em forma de gerar receita. Ao reduzir emissões, as marcas ainda se destacam no mercado.
Dessa maneira, investir em sustentabilidade é investir em novos parceiros, clientes e fornecedores que estão preparados para o momento que o mercado está vivendo. Apostar em uma cadeia produtiva com baixa pegada de carbono é essencial para aumentar o potencial das marcas nos seus setores de atuação.
Como calcular a pegada de carbono
Calcular a pegada de carbono é colocar em números o impacto gerado por uma cooperativa. Para esse cálculo, é necessário fazer a soma e a análise de várias atividades e fatores diferentes.
Não existe apenas uma fórmula, e sim várias maneiras de quantificar como o consumo de energia, produção, descarte de resíduos e outros aspectos contribuem para as emissões. Diversas calculadoras online e ferramentas confiáveis estão disponíveis.
O Sistema OCB lançou, em parceria com a Ambipar, o Guia Metodológico do Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE). O documento foi criado para apoiar cooperativas no registro e cálculo das suas emissões de GEE. Com base na metodologia do GHG Protocol, as cooperativas podem fazer essa medida simples e padronizada, fundamentada no padrão global mais utilizado para contabilizar e gerenciar o uso de gases de efeito estufa.
Faça o download do guia por aqui: Guia Metodológico do Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa
Créditos de carbono: uma oportunidade de negócios
Além de ajudar a se destacar no mercado, uma produção limpa pode trazer impactos positivos reais para os negócios quando aplicados os créditos de carbono.
Entre os setores mais promissores para gerar créditos de carbono no Brasil estão o agropecuário e o de energia, fortemente presentes no cooperativismo.
Esses setores estão em vantagem competitiva, e há muitas maneiras pelas quais as cooperativas podem obter créditos de carbono e equilibrar sua emissão de gases. Em artigo, o NegóciosCoop explica como:
Títulos verdes
Os títulos verdes são títulos de renda fixa emitidos por empresas, governos e organizações para promover iniciativas econômicas de sustentabilidade. Eles funcionam pela conservação de florestas e, economicamente, são uma grande aposta: eles provam que a floresta em pé vale mais do que qualquer atividade de exploração na Amazônia.
Uma pesquisa divulgada pelo Banco Mundial em 2022 mostrou que investir para manter a floresta preservada pode valer mais que a criação de gado, um dos principais causadores do avanço do desmatamento na Amazônia.
Ou seja, plantar árvores para equilibrar sua emissão de gases de efeito estufa, além de trazer benefícios para o meio ambiente, resulta em retornos reais para os negócios.
BNDES Créditos de Carbono
Foi lançado, em 2022, um programa de venda de créditos de carbono organizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O projeto surgiu para incentivar instituições que valorizam e buscam a preservação do meio ambiente e que querem ajudar na redução de emissão de CO2.
Nomeado de BNDES Créditos de Carbono, foi a primeira iniciativa do tipo criada por um banco brasileiro. O projeto trata a comercialização de carbono no mercado como uma maneira de trabalhar na descarbonização da economia brasileira.
Saneamento
Outra maneira não tão óbvia de melhorar o meio ambiente é o investimento em saneamento. O tratamento de esgoto surge como uma forma de gerar créditos de carbono, pois cada estação de tratamento pode gerar energia a partir do gás metano, retirado do lodo resultante do saneamento.
O Marco Legal do Saneamento, aprovado em 2020, promoveu um avanço nos investimentos em tratamento de esgoto, o que abriu, desde então, maiores oportunidades nesse setor.
Conclusão: por que medir a pegada de carbono
Medir a pegada de carbono deixou de ser apenas uma meta ambiental para se consolidar como uma estratégia essencial de inteligência de mercado. Para o cooperativismo, que já possui a responsabilidade socioambiental em seu DNA, quantificar as emissões é o passo prático que transforma o discurso da agenda ESG em dados reais e mensuráveis.
Ao conhecer e gerenciar o seu impacto por meio de ferramentas como o Guia do Sistema OCB, a cooperativa se adequa às exigências de consumidores e parceiros mais rigorosos e destrava o acesso a novas oportunidades de negócios – como os créditos de carbono e os títulos verdes.
Além disso, o Sistema OCB desenvolveu o ESGCoop, uma solução fundamentada na metodologia de avaliação de performance e análise de indicadores de sustentabilidade - confira!
Notícias negócios
26/06/2026
Desafios e oportunidades de negócios para as cooperativas agropecuárias no segundo semestre de 2026
O segundo semestre de 2026 deve ser marcado por maior incerteza climática e desaceleração do crescimento do agronegócio. A chegada do El Niño, conflitos geopolíticos e o contexto financeiro do Brasil contribuem para um crescimento mais lento.
Ao mesmo tempo, o momento mais favorável para a compra de insumos destinados à nutrição animal no confinamento bovino pode abrir novas oportunidades para as cooperativas.
Cenário do agronegócio brasileiro em 2026
O setor do agro iniciou 2026 em crescimento, impulsionado principalmente pela soja e pelo segmento de carnes, que vivem um momento positivo para os negócios. Mas, com a aproximação do segundo semestre, algumas coisas podem mudar.
Apesar dos bons resultados no início do ano, especialistas projetam perda de ritmo nos próximos meses devido a fatores climáticos, como o El Niño. O fenômeno natural, marcado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, deve voltar com um novo episódio nos próximos meses.
O El Niño costuma impactar a chuva, a temperatura e, consequentemente, o desempenho das lavouras do Brasil.
Dados do PIB e da renda agropecuária em 2026
Enquanto há expectativa de quedas na produção de arroz, feijão, algodão, trigo, milho e carne bovina, é um momento de avanço da soja, junto à recuperação das safras de café e cana.
A recuperação do abate de bovinos deve ocorrer apenas a partir do segundo semestre de 2027. Além disso, uma queda de preços de commodities e alta dos insumos devem limitar a capitalização do produtor no médio prazo.
Com o avanço dos preços do petróleo e dos insumos agrícolas, como fertilizantes, defensivos, combustíveis e sementes, a rentabilidade dos produtores também é outro fator que provavelmente irá sofrer impactos negativos.
Cenários das commodities
Saiba qual o contexto de crescimento ou diminuição no avanço das principais commodities brasileiras.
Soja: o ano começou com o avanço expressivo da produção doméstica brasileira, e previsão de novo recorde em 2027. A China segue como principal importador da soja do Brasil (respondeu por cerca de 79% do total em 2025). A tendência é positiva, pois a produção de biodiesel vem crescendo substancialmente e o óleo de soja é a sua principal matéria-prima.
Milho: os preços do milho seguem sustentados pelos menores estoques globais e um avanço na demanda interna. No Brasil, a projeção após o crescimento da produção na primeira safra é de recuo no segundo semestre.
Trigo: a produção brasileira deve recuar novamente, refletindo a redução da área plantada. Entre os fatores que explicam esse movimento estão a menor rentabilidade da cultura, as limitações do seguro agrícola e o avanço da área destinada à segunda safra de milho. Com isso, o país deve continuar dependente de importações em níveis acima da média histórica, tendo a Argentina como principal fornecedora de trigo.
Leite: a produção brasileira segue em expansão. O cenário pode ser favorecido pelo fortalecimento do real frente ao dólar e pelo aumento do consumo interno, impulsionado por eventos como a Copa do Mundo e as eleições. Entre os riscos para o setor estão possíveis impactos do conflito no Oriente Médio sobre os custos de energia, combustíveis, frete e ração animal.
Café: os preços vêm recuando, acompanhando o otimismo com a oferta global para o ciclo 2026/27. No Brasil, a colheita iniciada em maio avança em ritmo mais acelerado do que no ano anterior, o que tende a manter pressão sobre as cotações no curto prazo. Por outro lado, uma eventual intensificação do conflito no Oriente Médio pode elevar os custos de produção, especialmente com energia, combustíveis e frete.
Cenário internacional é volátil
O cenário econômico internacional vive um momento de instabilidade. Guerras no Oriente Médio e taxas americanas impactam o comércio mundial, o que gera também consequências na economia.
O contexto do segundo semestre é desafiador. Os conflitos geopolíticos pressionam os preços do petróleo e trazem incertezas para as cooperativas. A fragilização do dólar e pressões inflacionárias disseminadas impactam diretamente as economias emergentes.
Tendências e perspectivas para o segundo semestre
Algumas tendências marcam a chegada do segundo semestre de 2026. A primeira delas é uma maior oferta de soja, grãos e subprodutos industriais. É um momento positivo para a safra de soja, que deve atingir níveis recordes e elevar o volume de processamento e de farelo de soja disponíveis no mercado.
Além disso, cresce a produção de etanol de milho no Brasil, chegando a 20 bilhões de litros anuais e aumentando a oferta de subprodutos utilizados na nutrição animal.
Outra tendência observada é o avanço das tecnologias para monitoramento climático, planejamento e controle de custos. Neste momento, cresce o uso de tecnologia para acompanhamento de desempenho das safras.
O aumento dos riscos climáticos também exige um monitoramento reforçado e planejamento criterioso, que pode ser feito com auxílio de ferramentas digitais.
Pontos de atenção para cooperativas do agro
Nesse segundo semestre, será necessário se atentar a algumas características que vão marcar o mercado e podem trazer prejuízos. Serão alguns riscos para o agronegócio:
Estiagens e excesso de chuvas por conta do El Niño
O fenômeno natural tende a trazer problemas distintos em diferentes regiões do país. O El Niño acaba por intensificar as características climáticas regionais, causando redução de chuvas e estiagens em alguns ambientes, enquanto outros poderão sofrer com o excesso de água, solo encharcado e avanço de doenças.
As regiões mais propensas à redução das chuvas serão Norte e Nordeste, além da porção norte do Centro-Oeste e do Sudeste. Tal mudança pode atrapalhar as culturas e trazer risco de perdas. Na Região Sul, o El Niño costuma aumentar os volumes de chuva, dificultando as operações no campo, atrapalhando o manejo e favorecendo o surgimento de doenças.
Choque de custos com produção e transporte
Outro ponto importante para as cooperativas ficarem de olho é o econômico. Será necessário estar atento à organização financeira, pois o aumento nos gastos com a produção e com a logística de transporte podem afetar os negócios.
Práticas como gestão de margem por lote, monitoramento diário dos mercados e uso de tecnologia para acompanhamento de desempenho ajudam a reduzir os riscos e dominar as oscilações, aumentando assim a previsibilidade e segurança financeira.
Contexto financeiro do país mais apertado
O Brasil também vive um momento econômico que pode ser difícil para as cooperativas do agronegócio. Com condições financeiras de mercado mais apertadas, as marcas se veem em um contexto de programas governamentais ao setor reduzidos e incertos.
Financiamento do agronegócio brasileiro
Meios de financiamento se tornam uma medida importante com o passar do ano. Apesar do esfriamento econômico em 2026, o agronegócio recebe o suporte de incentivos federais voltados à renegociação de dívidas e ao estímulo ao consumo.
Crédito rural, inadimplência e endividamento
Após uma queda em 2025, o crédito rural voltou a crescer em 2026, mas ainda enfrenta dificuldades devido aos juros altos, ao aumento dos custos de insumos, como fertilizantes e sementes, e ao maior risco de inadimplência.
Apesar desse cenário, as renegociações pelo programa Desenrola Rural e incentivos para compra de máquinas agrícolas pelo Move Rural ajudam a impulsionar essa recuperação.
Mercado de capitais
Em um momento em que a economia não está tão aquecida, o mercado de capitais surge como uma alternativa para as cooperativas do agronegócio. Ele se torna uma fonte alternativa de financiamento, complementando crédito bancário. Entre as opções, destaca-se a renda fixa.
Setorialmente, o uso do mercado é disseminado, com destaque para o lançamento do Regime Fácil pela Comissão de Valores Mobiliário (CVM) em 2025, que simplifica o acesso de pequenas e médias empresas às emissões de dívida.
Plano Safra
Considerando o período entre julho e abril de cada Plano Safra, o ciclo 2025/26 mantém a tendência de desaceleração observada nos últimos anos, com queda de 18% na comparação anual.
O recuo foi mais intenso nas regiões Nordeste (-26%) e Norte (-24%). O Centro-Oeste registrou retração semelhante à média nacional (-18,1%), enquanto Sul (-14,5%) e Sudeste (-17,3%) apresentaram uma queda menor. Agora, o governo estuda lançar uma linha de crédito para compra de fertilizantes no Plano Safra 2026/27.
Conclusão: um semestre de oportunidades e desafios no campo
O segundo semestre de 2026 deve exigir maior capacidade de adaptação das cooperativas agropecuárias. Fatores climáticos e geopolíticos pedem maior atenção e habilidade de transformação.
Em um cenário de desaceleração econômica e maior risco climático, monitoramento reforçado, gestão eficiente de custos e tecnologias se tornam ainda mais essenciais.
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Notícias negócios
22/06/2026
5 benefícios dos consórcios de exportação: como cooperativas podem se unir para acessar mercados externos
Os consórcios de exportação são uma prática comum do mercado que ajuda no crescimento de marcas pequenas e médias. Eles garantem que as cooperativas tenham mais poder de negociação com mercados externos.
A intercooperação possibilita que essas instituições acessem países que, individualmente, seriam mais difíceis. Ou seja, ao unir forças, algo que o cooperativismo já sabe fazer como ninguém, as marcas conseguem ter mais solidez e robustez para exportar e importar.
O que são consórcios de exportação?
No comércio exterior, um consórcio de exportação funciona como uma aliança estratégica. É a união de um grupo de cooperativas ou empresas com um objetivo em comum: dividir custos operacionais e ganhar escala para fechar exportações que seriam difíceis de realizar individualmente.
Desse modo, nos consórcios de exportação, as cooperativas se unem a fim de expandir suas operações e viabilizar a entrada em novos países. É uma forma de intercooperação estratégica para as cooperativas que almejam explorar as oportunidades de negócio no mercado internacional.
O consórcio promove, portanto, melhores condições comerciais e operacionais para exportação. Ao unir os negócios, o ganho de escala e a aglomeração trazem, para as cooperativas, mais recursos e verbas para investir no crescimento internacional, além de uma capacidade financeira maior.
Como cooperativas podem se unir para acessar mercados
Mesmo sem consórcios, as cooperativas já trabalham na base da união e do coletivo. Essas características do modelo facilitam a abordagem dos consórcios, uma vez que iniciativas de intercooperação são algo comum no cooperativismo.
Para formar um consórcio de exportação, cooperativas do mesmo setor, com interesses em comum de exportação, usam essa prática corriqueira do setor. Elas se unem para investir no mercado externo de forma conjunta e, assim, chegar mais longe.
Combinados prévios à exportação
Antes de fechar um contrato, porém, as cooperativas devem entrar em acordo sobre quais serão as responsabilidades, os recursos, as decisões e as metas de cada uma.
Apesar de interesses mútuos, as cooperativas têm suas necessidades individuais. Ao formalizar a participação de todas as partes e quais ganhos buscam nesse negócio, é possível avançar com estratégias claras e planos cujos resultados estejam alinhados com as duas partes envolvidas.
5 benefícios da exportação consorciada
Se bem organizada e pré-acordada, a exportação consorciada consegue trazer inúmeros benefícios para o cooperativismo.
1. Consórcios de exportação e incentivos comerciais
Um dos primeiros ganhos de trabalhar de maneira conjunta é o acesso aos incentivos governamentais. Por conta da maior robustez, esse modelo de exportação é mais valorizado por entidades do governo, associações e outras instituições.
Ou seja, a exportação por meio de consórcio facilita a busca por crédito, incentivos fiscais e emendas de fomento à exportação. Em alguns países, inclusive, governos locais e nacionais também apoiam de forma mais forte os consórcios de exportação. É uma maneira de ajudar tanto as marcas que entram no país como as instituições regionais.
2. Menos gastos aduaneiros
O trabalho em união também diminui os gastos aduaneiros. Essas despesas são aquelas provenientes do processo de importação, necessárias na liberação das mercadorias na alfândega, ou seja, na aduana. Esse órgão governamental é quem controla e fiscaliza a chegada e saída de produtos no país.
Os gastos aduaneiros, portanto, são essenciais para a entrada legal de uma mercadoria no país. Eles impactam o preço final do produto, mudando o frete, as taxas e os impostos. Para minimizar esses gastos, o consórcio de exportação surge como uma ferramenta de divisão de contas. Uma vez que esse valor será partilhado entre ambas as partes, fica mais acessível.
3. Maior poder de negociação
Dificilmente cooperativas de pequeno e médio porte teriam grandes poderes de negociação como têm quando estão trabalhando unidas.
O consórcio de exportação possibilita que, reunidas, as cooperativas consigam fechar contratos e formalizar negócios mais vantajosos. Elas ganham poder de barganha com as instituições financeiras, clientes, transportadoras e fornecedores.
4. Acesso mais fácil a financiamentos
Os financiamentos de exportações são aqueles que incentivam marcas nacionais a irem para fora por meio de ajuda financeira para a comercialização, além de apoiarem na redução de riscos e aumentarem a competitividade.
Seja por meio de financiamentos privados ou públicos, como as linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Programa de Financiamento às Exportações (PROEX), o acesso a financiamentos é facilitado pela exportação consorciada. A união das cooperativas indica maior força no mercado do que uma operação individual e, portanto, o uso desse crédito fica mais viável.
5. Independência das cooperativas envolvidas
Uma das principais vantagens desse modelo de intercooperação é que, mesmo unidas nos negócios, as cooperativas mantêm a sua independência no mercado. Ou seja, cada uma garante que vai continuar trabalhando de acordo com sua governança.
Nesse modelo não ocorre a união das estruturas, então continuam sendo organizações distintas e livres, que apenas juntaram forças para conseguir exportar.
Conclusão: a intercooperação e os consórcios de exportação
Unidas, as cooperativas ganham mais força para exportar e crescer fora do país. Os consórcios de exportação se tornam, assim, uma prática de investimento e crescimento a longo prazo.
Para entender por que os consórcios e o modelo do cooperativismo são um bom negócio, além de compreender como exportar sendo uma coop é mais simples e eficiente, confira o e-book Exportação para Cooperativas IV: Cooperativismo como estratégia para exportação, do NegóciosCoop.
Notícias negócios
31/05/2026
Negociação de contratos internacionais: cláusulas essenciais e cuidados legais
Exportação e importação são práticas que permitem o crescimento de uma cooperativa para além do Brasil. Ao adentrar em novos países, as marcas encontram a oportunidade de atingir mais clientes, fechar com novos parceiros e remodelar seus produtos e serviços.
Para avançar no mercado com segurança, porém, é fundamental dominar as estratégias de negociação de contratos internacionais. Como cada país tem sua língua, estrutura logística e normas jurídicas, entender as especificidades do mercado fora do Brasil é um passo crucial.
Negociação de contratos internacionais
Graças à globalização e ao aumento das transações transnacionais, as exportações e importações são fundamentais para cada vez mais negócios. O mercado internacional representa boas oportunidades para as cooperativas brasileiras.
Essa tendência pode ser um motor para o cooperativismo. A possibilidade de exportar ajuda no crescimento econômico das cooperativas, servindo como um meio de continuar conquistando novos públicos e parcerias.
Mas, para conseguir ir além das fronteiras brasileiras, é preciso ter cautela. Exportar e importar é lidar com governos diferentes, o que exige maior cuidado na parte jurídica.
Particularidades dos contratos internacionais
Diferentemente de contratos nacionais, nem todos os contratos internacionais serão redigidos em português. É preciso escolher uma língua compreendida por ambas as partes como idioma oficial, evitando erros de tradução.
Quando os contratos são feitos em mais de uma língua, podem ocorrer traduções inadequadas ou erradas. Um erro ou interpretação equivocada pode mudar o sentido de um termo, prejudicando ou até invalidando algumas disposições contratuais.
Cuidados legais em acordos com outros países
Alguns aspectos precisam ter maior atenção na hora de formalizar acordos internacionais por meio de contratos e documentos legais.
Verificar a regularidade da empresa estrangeira
Um primeiro passo essencial é a verificação da regularidade da organização estrangeira. Ou seja, checar se de fato a instituição existe, qual sua constituição, quem são seus representantes e como está sua situação jurídica.
Esse passo é importante para entender até onde pode ir a negociação com a instituição, evitando que a cooperativa assine um contrato que possa tornar-se inválido ou prejudicial para os negócios.
Proteger-se contra a variação cambial e definir forma de pagamento
Outro ponto importante é o risco cambial. A variação das moedas usadas, tanto a brasileira quanto a internacional, pode impactar nos resultados e gastos. Dessa maneira, uma mudança brusca por uma questão interna ou geopolítica pode gerar prejuízos inesperados.
É preciso estar preparado para lidar com essas oscilações, determinando no contrato quais instrumentos jurídicos e decisões financeiras serão usados para mitigar os danos caso algo ocorra nesse sentido.
Estabelecer formas e prazos de entrega
A fim de evitar atrasos, que podem complicar toda a cadeia produtiva e as entregas finais aos consumidores e clientes, as cooperativas também precisam ter cuidados legais referentes às formas e prazos de entrega dos produtos.
As condições de logística e transporte devem ser definidas previamente. Questões como guerras, greves ou interrupções prolongadas na cadeia logística têm a capacidade de comprometer as datas definidas. Assim sendo, o contrato deve definir o que fazer nessas ocasiões e quem será responsável por tomar as medidas necessárias.
Escolher o foro de execução do contrato e a legislação do país a ser aplicada no contrato
A cláusula de jurisdição é uma das mais essenciais em contratos internacionais. É ela que define qual país será responsável pela jurisdição do contrato. Escolher o tribunal competente ajuda a saber quais regras e leis valem para o documento.
Em momentos de conflito ou mudanças, essa escolha é essencial para não haver arbitrariedade, e as decisões serem justas de acordo com a lei escolhida.
Definir os meios de comunicação para troca de informações
Graças à globalização e à digitalização, existem muitas formas de se comunicar entre países diferentes. É importante que, desde o início, seja estabelecida a maneira pela qual essa troca de informações vai ocorrer.
Seja por e-mail, WhatsApp ou outra plataforma, o canal de comunicação deve constar também nas cláusulas do contrato.
O que não pode faltar em contratos internacionais
Pensando nos cuidados legais e nas características dos contratos internacionais, algumas cláusulas são essenciais e devem fazer parte dos documentos formais da negociação. São elas:
Cláusulas de garantia: caso o contrato não traga bons resultados, é preciso que ambos os lados tenham, por escrito, algumas garantias definidas. Isso passa uma segurança a mais para os contratantes, que podem contar com reembolso ou penalidades e se proteger de possíveis riscos financeiros ou operacionais.
Força maior e hardship: caso alguma mudança ou acontecimento imprevisível acabe por prejudicar um dos lados do contrato, é importante assegurar a renegociação do documento. Isso acontece quando um dos lados sofre algum impedimento ou prejuízo por conta de uma força maior, como guerras, fenômenos da natureza ou outra questão.
Cláusulas compromissórias: para evitar que todas as questões parem na justiça, a cláusula compromissória garante que, caso haja alguma questão a ser debatida, será responsabilidade dos árbitros escolhidos pelas instituições, e seguirá as regras previamente definidas.
Cláusulas de Jurisdição: essa é a cláusula responsável por determinar qual estado terá o poder de julgar o contrato, ou seja, por qual jurisdição as instituições serão guiadas. Essa parte do documento é essencial para definir as regras e quem vai julgar um eventual conflito entre as partes.
Incoterms: os Incoterms referem-se aos International Commercial Terms (em português: termos internacionais de comércio). Essa parte do contrato padroniza algumas questões comerciais em ambas as partes, como seguros e transportes. A definição ocorre por entender que cada país carrega suas próprias regras e logística.
Estabilidade da moeda: a estabilidade da moeda, ou fixação do preço, ocorre por conta da movimentação dos valores e dos possíveis prejuízos pela variação cambial. Esta cláusula define a moeda usada e padroniza valores de produtos.
Cláusula penal: essencial para lidar com problemas no contrato, a cláusula penal é aquela que define qual sanção será conduzida para os erros e ações incongruentes com o contrato, protegendo e cobrindo ambos os lados.
Seguros: por fim, uma cláusula essencial é a de seguros, que protege as instituições em casos de danos ou prejuízo aos produtos durante a troca internacional. Ela é uma medida contra riscos que podem ocorrer durante a execução do contrato, especialmente em operações internacionais.
Conclusão
Contratos com outros países exigem mais atenção e cuidado. É importante conhecer as particularidades de cada nação, a fim de evitar erros por falta de comunicação e concordância. No fim, quando são feitos acordos que respeitam ambos os lados, as negociações internacionais podem ser extremamente benéficas.
Para se aprofundar no processo de exportação, confira o e-book do NegóciosCoop Exportação para Cooperativas III: Questões operacionais para exportação. Com ele, você aprende métodos seguros, melhores práticas e documentos essenciais para exportar.
Notícias negócios
26/05/2026
Regulação do cooperativismo de Seguros abre oportunidades de negócios para novo Ramo
O mercado de seguros passa por mudanças desde a Lei Complementar 213/2025. Graças à promulgação da Lei em 15 de janeiro de 2025, o setor sofreu transformações normativas a respeito dos seguros privados, previdência e capitalização. A partir da nova legislação, ficou permitida a atuação de cooperativas de seguros, aumentando a concorrência e abrindo oportunidades para o setor cooperativista
Além disso, o Ramo Seguros já foi aprovado em assembleia do Sistema OCB. A criação do oitavo ramo cooperativista ocorreu em 18 de março de 2025, em Brasília, durante Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada pelo Sistema OCB.
Em outros países, o setor está entre os mais fortes do cooperativismo. No Brasil, só em 2024, o mercado segurador atingiu R$ 435,5 bilhões de faturamento. Os dados apontam para uma grande oportunidade que se abre para esse modelo de negócios.
Regulamentação em 2025 e contexto de oportunidades
A Lei Complementar 213/2025, promulgada no começo do ano passado, foi peça-chave para a entrada do cooperativismo no setor de seguros. A lei permite que, pela primeira vez no mercado brasileiro, as cooperativas possam ser integradas à regulamentação do Sistema Nacional de Seguros Privados (SNSP).
O SNSP é o órgão responsável pelos seguros no Brasil. Segundo o Decreto-Lei n.º 73 de novembro de 1966, que rege as operações de seguro, o Sistema Nacional – integrado pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e pelas sociedades autorizadas a operar em seguros privados e capitalização, foi instituído para operar os seguros privados e a capitalização.
A nova lei permite que cooperativas de seguros operem em todos os ramos, exceto os vedados pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), como previdência e capitalização.
Cooperativas respondem ao CNSP e à Susep
Uma vez que passam a responder ao SNSP, as cooperativas devem cumprir as regras do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). Essa entidade é formada por representantes do Ministério da Fazenda, da Superintendência de Seguros Privados (Susep), do Banco Central do Brasil e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que determinam as diretrizes e normas dos seguros privados, entre outras atividades.
A fiscalização das cooperativas de seguros será feita pela Susep. A autarquia, vinculada ao Ministério da Fazenda, surgiu na década de 60 e tem como responsabilidade assegurar o controle e fiscalização dos mercados de seguros.
Oportunidade de crescimento
Atualmente, muitos brasileiros, principalmente no ramo de automóveis, ainda não têm acesso a seguros, o que indica um espaço de crescimento para as cooperativas. Júlia Normande Lins, diretora da Susep, relatou em entrevista ao Valor Econômico que, dentro dos 75 milhões de veículos que constituem a frota circulante brasileira, mais de 40 milhões não possuem cobertura por seguro ou por proteção veicular.
Desse modo, a entrada do cooperativismo pode ser uma oportunidade de aumentar o acesso ao seguro no Brasil, algo ainda escasso no país. Além disso, o modelo de negócios tem um grande diferencial competitivo. Por se tratar de um negócio coletivo, a proximidade com os cooperados é um destaque das cooperativas de seguros.
Cooperativismo de seguros e as mudanças no setor
As novas regulações trazem também mudanças para o setor de seguros brasileiro, tanto para os provedores quanto para os consumidores.
Maior competição graças à entrada de cooperativas e associações no mercado
Ao ampliar a quantidade de participantes no mercado, o decreto ajuda a proporcionar pluralidade no setor e, consequentemente, aumentar a concorrência. A chegada das cooperativas e das associações traz maior competitividade, o que exige dos provedores de seguros uma necessidade de melhorar para se destacar.
Além disso, a medida ajuda a promover mais opções para os consumidores, pois a maior concorrência eleva o acesso a diferentes seguros no Brasil.
Cooperativas que já existem podem entrar no mercado de seguros
A Lei, ao regulamentar a atuação das cooperativas de seguros para além do setor agrícola, de saúde e de acidente de trabalho, oferece espaço para novos ramos do cooperativismo entrarem no mercado, gerando a expansão desse serviço dentro desse modelo de negócios.
Cooperativas de crédito e de saúde, por exemplo, podem aproveitar essa possibilidade. Ao Valor Econômico, Helton Freitas, presidente da Seguros Unimed, disse que enxerga caminhos de diversificação dos seus serviços graças à entrada do cooperativismo no mercado de seguros.
Multas mais pesadas e maior fiscalização
Uma vez sob supervisão da Susep, as cooperativas passam a responder a uma fiscalização mais árdua e responsável. A entidade pode multar os infratores que desobedecem a suas normas ou atuam sem autorização.
Se antes da nova lei as multas eram de no máximo R$ 1 milhão, as normas mudaram e agora definem que as cooperativas sancionadas podem ser multadas em até R$ 35 milhões, seguindo os limites predefinidos.
Desafios e o que falta definir
As transformações, apesar de positivas, também podem representar novos desafios para o cooperativismo. Algumas definições, inclusive, estão em aberto e aguardam decisões jurídicas para oficialização.
Definição de Open Insurance e o SRO (Sistema de Registro de Operações)
A mudança exige uma atenção maior à fiscalização e à regulação, para que as regras sejam proporcionais e de acordo com o funcionamento das novas entidades do setor de seguros.
Segundo a diretora da Susep, a entidade segue avaliando se o Open Insurance e o Sistema de Registro de Operações (SRO) serão obrigatórios para as cooperativas e associações desde o início, pois entende-se que o custo regulatório é um fator determinante para a entrada desses players no segmento.
Risco de perda da identidade cooperativista
Outro impacto, que precisa de atenção das cooperativas, é o risco de, ao seguir as novas normas, perder as características que moldam a identidade cooperativa.
As novas legislações contam com dispositivos que podem restringir a autonomia e a gestão democrática das cooperativas, essenciais nesse modelo de negócios.
Necessidade de adaptação às novas regras
Para se destacar e ganhar espaço neste segmento, as cooperativas deverão conseguir se adaptar às regras e ao funcionamento do mercado de seguros no Brasil.
A capacidade de ajustar as estruturas de capital e governança para cumprir o que é definido pela Susep sem perder a essência cooperativa vai definir o sucesso das operações.
Conclusão: o futuro do cooperativismo de seguros
“As cooperativas têm uma vocação natural para atuar com responsabilidade e inclusão. Este projeto reforça essa capacidade, permitindo que o cooperativismo contribua ainda mais para a proteção e o bem-estar da sociedade brasileira. É um avanço que reflete a maturidade do setor e a força do diálogo entre as entidades e o poder público”, explica Márcio Lopes de Freitas, presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB.
A regulamentação traz mais concorrência e potencial de crescimento para o setor, o que pode ser positivo para os consumidores e para as cooperativas. Mas, a fim de aproveitar esse mercado promissor, será preciso se adaptar às mudanças e ganhar espaço com competitividade no mercado.
Notícias negócios
23/05/2026
Como melhorar a gestão da cadeia de suprimentos e a logística reversa em cooperativas
Para garantir que cada etapa de uma cooperativa esteja alinhada e funcionando da melhor maneira, é essencial construir uma gestão de cadeia de suprimentos eficiente e organizada. Ela é responsável por analisar o passo a passo da produção e comercialização da cooperativa, identificando gargalos e otimizando processos.
Na gestão da cadeia de suprimentos, inclusive, é benéfico apostar em uma logística reversa. Não apenas sustentável, essa ferramenta ajuda a fortalecer a relação com clientes e cooperados, destacando a marca com competitividade no mercado. Confira!
O que é gestão da cadeia de suprimentos - e para que serve?
O Supply Chain Management (SCM) ou gestão da cadeia de suprimentos é o gerenciamento de tudo o que envolve a produção e comercialização de um produto, monitorando seu caminho desde a aquisição da matéria-prima até o destino final com o consumidor.
Nessa análise, são estudados a logística, o manuseio de materiais, os softwares, o atendimento e o rastreamento de informações. Além disso, mantém-se uma integração com fornecedores, cooperados, fabricantes, transportadoras, clientes, varejistas e todos os outros integrantes do processo de comercialização.
Importância do SCM
Uma boa gestão de cadeia de suprimentos assegura um controle maior sobre a produção, o que permite ter mais transparência nos processos, gastos controlados, espaços e recursos otimizados. Os benefícios dessa organização são diversos, pois minimiza o desperdício e aumenta a eficiência.
Além de ganhar competitividade no mercado, se destacando frente a outros players, também é possível garantir uma experiência do usuário positiva. A gestão da cadeia de suprimentos é um esforço que eleva a qualidade do trabalho para os cooperados e clientes, mantendo fortalecida a base da cooperativa.
Como melhorar a gestão da cadeia de suprimentos em cooperativas
Para manter uma boa gestão da cadeia de suprimentos, é crucial atentar-se aos principais processos envolvidos. Os cinco mais importantes são:
Produção
Tudo começa na produção. É nessa etapa que se delimita o que será produzido dentro da cooperativa e o que deve vir de fornecedores externos. Quais matérias-primas, embalagens e produtos são necessários para chegar ao resultado final?
É essencial entender quais devem ser os custos, os padrões de qualidade a seguir, a capacidade de produção da cooperativa, a possível demanda do consumidor e a maneira de chegar ao melhor nível de satisfação possível.
Para isso, é preciso fazer uma análise interna e externa. Entender o ambiente externo permite traçar metas precisas, enquanto a análise interna assegura que os objetivos sejam viáveis e aponta os recursos necessários para alcançá-los.
Fornecedores
É na escolha dos fornecedores que se dá um dos principais passos para garantir que as operações funcionem. Afinal, são eles que proporcionam a matéria-prima, as embalagens, os produtos e outros elementos usados na cadeia produtiva.
Por conta disso, é preciso delimitar os custos e visar à qualidade do produto. Deve-se entender qual é a capacidade de produção do fornecedor, além de analisar suas entregas e conformidades ESG.
Estoque
Evitar o excesso de estoques é uma prática recomendável na gestão da cadeia de suprimentos. Afinal, excesso de estoque pode trazer gastos desnecessários e desperdícios.
Recomenda-se trabalhar com uma gestão de estoque eficiente, a fim de garantir que a cooperativa estará sempre abastecida, com entregas sob demanda, mas sem riscos de deterioração ou roubo por excesso de produtos.
Transporte
Outro ponto fundamental é a gestão do transporte da cooperativa. Fazer escolhas estratégicas sobre a localização e o trânsito dos produtos ajuda a otimizar o tempo, diminuir os riscos e facilitar as entregas de produtos.
Torna-se fundamental escolher uma posição geográfica que não seja distante dos fornecedores e dos distribuidores, para agilizar essas trocas. Tal localização também impacta os custos de transporte da cooperativa.
Desempenho
Acompanhar os indicadores de desempenho é crucial para entender, com base em dados, como está sendo a performance da cadeia de suprimentos da cooperativa. Analisando os KPIs certos, como inovação, frequência de devoluções e sustentabilidade, é possível enxergar que áreas da cooperativa merecem mais atenção.
Essas informações ajudam a eliminar gargalos e identificar possíveis falhas antes que se tornem prejuízos grandes para a organização.
Implementando logística reversa
Mais um passo pode ser adicionado no processo de gestão de cadeia de suprimentos de uma cooperativa: a logística reversa. Além de ser uma prática ecologicamente correta, ela fortalece o vínculo com consumidores, reduz custos operacionais e melhora a reputação da cooperativa.
A logística reversa se baseia no retorno do produto ou parte dele, como embalagem, para a cooperativa. Com essa devolução, a fábrica pode usar o material para reaproveitamento ou enviar para reciclagem, assegurando a destinação correta dos resíduos.
Saiba como implementar essa prática na cadeia de suprimentos
Para praticar a logística reversa nas cooperativas, três passos são essenciais:
Disponibilizar maneiras de devolução: é preciso que o cliente tenha maneiras acessíveis para conseguir devolver o produto ou embalagem. A cooperativa deve fornecer pontos de entrega ou sistemas de transporte que consigam recolher esses resíduos.
Engajar os clientes: não basta oferecer um meio de entrega se os clientes não estiverem aptos a fazer esse movimento. Vale criar campanhas e uma comunicação sólida para engajar os clientes e cooperados, mostrando a importância dessa reciclagem. É importante trabalhar na conscientização e também optar por oferecer algo em troca para aqueles que devolverem os produtos, como descontos ou valores promocionais.
Reciclagem ou reaproveitamento: por fim, deve-se investir no futuro desses resíduos, seja fazendo a destinação correta ou criando novos produtos com os materiais coletados. A divulgação dessa prática também fortalece a educação do público, destacando a importância da logística reversa e melhorando a imagem da cooperativa no mercado.
Conclusão: gestão da cadeia de suprimentos e logística reversa beneficiam cooperativas
Manter uma gestão da cadeia de suprimentos, aplicando o processo de logística reversa, é uma estratégia não apenas sustentável, mas também mercadologicamente vantajosa para as cooperativas.
Ao construir uma gestão eficiente, a cooperativa consegue evitar gastos desnecessários e ainda fortalecer sua relação com distribuidores, fornecedores, associados e clientes, trazendo benefícios a longo prazo para a marca.
Notícias negócios
22/05/2026
Cooperativismo amplia conexões e negócios na Apas Show 2026
Sistema OCB levou campanha Escolha o Coop para a feira e fortaleceu presença das coops no varejo
Em meio a corredores movimentados, degustações concorridas e reuniões de negócios, o cooperativismo conquistou espaço de destaque na Apas Show 2026. Pelo segundo ano consecutivo, o Sistema OCB participou da maior feira supermercadista do mundo com um estande coletivo voltado à promoção das cooperativas brasileiras, e ampliou a visibilidade do setor diante de varejistas, atacadistas, distribuidores e compradores nacionais e internacionais.
Realizada entre os dias 18 e 21 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo, a feira reuniu empresas de diferentes segmentos ligados à cadeia de alimentos, bebidas, tecnologia, logística e inovação. Em um ambiente marcado por tendências de consumo, lançamentos e conexões estratégicas, o cooperativismo apresentou diversidade, qualidade e capacidade competitiva por meio de produtos que chegaram ao público alinhados à campanha Escolha Consciente, Escolha o Coop.
O estande do Sistema OCB contou com 103,5 m² e a presença de sete cooperativas expositoras: Cocamar, Nova Aliança, Ouro do Sul, Cocapec, Cooprata, Cemil e Sanjo. Ao longo dos quatro dias de evento, os visitantes puderam conhecer e degustar cafés, vinhos, espumantes, sucos, produtos lácteos, molhos e bebidas à base de soja, além de cortes suínos e embutidos.
A estratégia de degustação foi um dos pontos altos da participação das cooperativas e ajudou a aproximar o público dos produtos coop. Segundo Jean Fernandes, analista de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, a ação contribuiu para gerar conexões mais diretas com os visitantes e fortalecer o posicionamento do cooperativismo no setor supermercadista.
“Esse já é o nosso segundo ano consecutivo na APAS e dá para perceber o quanto estar nesse ambiente fortalece a presença das cooperativas. A feira é uma grande porta de entrada para o varejo, atacarejos e supermercados. Conseguimos um espaço mais estratégico este ano e isso refletiu diretamente no movimento do estande”, destacou o analista.
Jean também ressaltou a sintonia entre a participação do Sistema OCB na feira e a nova campanha institucional do cooperativismo. “A Apas conversa muito com a campanha Escolha Consciente, Escolha o Coop. Estávamos na feira certa, promovendo as cooperativas para o público certo e com uma campanha totalmente alinhada com esse momento”.
Expansão comercial
Para as cooperativas participantes, a feira representou uma oportunidade concreta de expansão comercial, abertura de mercados e fortalecimento institucional. O Diretor comercial da Cemil, Wallisson Caitano, considerou a relevância da iniciativa coletiva para ampliar oportunidades de negócios e integração entre as cooperativas. “Foi um evento muito importante. Tivemos muitos visitantes, oportunidades e trocas de experiências. Trazer o cooperativismo para dentro de uma feira desse porte é fundamental”.
Na mesma linha, Artur Ferreira, coordenador de vendas da Cooprata, afirmou que a participação na Apas ajudou a acelerar negociações comerciais em andamento. “A feira abriu portas para negociações que antes encontravam resistência. Fizemos muitos contatos e as expectativas para as próximas semanas são muito positivas”, contou.
Já Victor Ferreira, gestor de torrefação da Cocapec, declarou que a experiência ampliou possibilidades de prospecção e relacionamento. “Uma feira desse tamanho facilita o acesso a mercados que talvez fossem mais difíceis sem essa oportunidade. Além disso, foi importante reencontrar parceiros, clientes e representantes em um ambiente extremamente qualificado”, disse.
Relacionamento
A participação das cooperativas também foi marcada pelo lançamento de produtos e pela aproximação com grandes redes varejistas. A gestora de Mercados Internacionais da Cocamar, Elis Simone Ferreira Fernandes, destacou que a Apas foi escolhida como palco para apresentar novos hambúrgueres e almôndegas de carne precoce 100% bovina. “É um evento onde encontramos varejistas, distribuidores e consumidores qualificados. Não haveria ambiente melhor para esse lançamento”, afirmou.
Por sua vez, Alysson Kaiper, da Sanjo, ressaltou a importância estratégica da feira para ampliar relacionamentos comerciais. Segundo ele, a participação permitiu estreitar vínculos com grandes parceiros e abrir portas para novos clientes em um mercado de grande alcance. Para Ismael Hilgert, da Ouro do Sul, a alta visibilidade da Apas Show foi decisiva para gerar novas possibilidades de negócios. “Tivemos contato com diversos países e grandes possibilidades de abrir novas portas comerciais”, relatou.
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Notícias negócios
04/05/2026
Cooperativas de telecomunicações: lei abre novo mercado para o cooperativismo
As cooperativas de telecomunicações passaram a integrar oficialmente o mercado de distribuição desses serviços no começo deste ano, graças às novas regulamentações. A abertura do setor traz oportunidades e caminhos alternativos para esse modelo de negócios.
Além disso, ao fazer parte do mercado geral de oferta de internet e telefone, a chegada das cooperativas é um motor na inclusão digital. Para o Ministério das Comunicações, “a alteração na Lei Geral de Telecomunicações vai possibilitar a ampliação da infraestrutura digital e a democratização dos serviços de telecomunicações”.
Isso porque as cooperativas devem representar avanços na democratização do acesso à internet no Brasil, uma vez que poderão atuar sobretudo nas localidades onde as ofertas de serviços se mostram insuficientes ou economicamente pouco atrativas para prestadoras tradicionais, a exemplo de áreas urbanas desatendidas, zonas rurais ou regiões remotas, aponta a pasta.
Neste artigo, vamos conhecer a legislação que abre o mercado para as cooperativas de telecomunicações e quais são as principais oportunidades que se abrem para o ramo. Boa leitura!
O que mudou com a Lei nº 15.324
A Lei nº 15.324/2026, sancionada em 6 de janeiro de 2026, autoriza cooperativas de telecomunicações a prestarem serviços como internet e telefonia, em todo o Brasil.
A nova norma altera a Lei Geral de Telecomunicações, permitindo que agora essas entidades integrem o mercado e atuem de forma igualitária com outras operadoras tradicionais.
Dessa maneira, as cooperativas passam a ser um dos agentes de telecomunicações que são regulados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Tal órgão, criado em 1997, é uma autarquia federal responsável por normatizar e fiscalizar os serviços de telecomunicações no país.
Com a chegada do cooperativismo no segmento, a expectativa é que aumente a concorrência, assim como a cobertura de internet banda larga.
Objetivos das cooperativas de telecomunicações
A norma alterou a legislação que limitava os serviços de telecomunicações no Brasil. Antes das mudanças, o modelo das grandes operadoras deixava de fora áreas de menor densidade populacional.
Essa exclusão leva ao surgimento de desertos digitais, ou seja, regiões em que o acesso à internet de qualidade é limitado ou inexistente. Desse modo, a inclusão das cooperativas no setor atua para expandir a democratização desses serviços.
Importâncias das cooperativas de telecomunicações
As mudanças regulatórias, portanto, serão essenciais para sanar essa questão. A atuação das cooperativas de telecomunicações no setor pode servir como propagadora da conectividade em comunidades rurais.
Segundo Márcio Lopes de Freitas, presidente do Conselho Executivo do Sistema OCB, a entrada do cooperativismo no setor de telecomunicações promove a universalização do acesso aos serviços de telecomunicações em regiões interioranas.
“Vivemos em um mundo cada vez mais conectado, onde a internet faz parte de praticamente todas as nossas atividades diárias. Por isso, essa medida é tão importante. Nossas cooperativas de energia já possuem infraestrutura para oferecer esses serviços e poderão ampliar seu alcance para atender ainda mais famílias”, declarou.
Regulamentação das cooperativas de telecomunicações
Com a Lei nº 15.324, as cooperativas de telecomunicações ficam obrigadas a seguir as normas da Anatel. Ou seja, as regras concorrenciais, os deveres regulatórios e as sanções que são aplicadas às demais prestadoras de serviços também se tornam um dever das cooperativas.
A fiscalização dessas cooperativas também é encargo da agência reguladora. A fim de prevenir a concentração econômica e manter as prestadoras sob as normas jurídicas, a Anatel pode impor restrições, limites e condições também para as cooperativas de telecomunicações.
Oportunidades para as cooperativas
Graças à entrada no mercado, muitas oportunidades surgem também para as cooperativas de telecomunicações. Seguindo as normas da Anatel e crescendo com responsabilidade, será possível se destacar no mercado e usar a abertura para o crescimento desse modelo.
A partir da autorização para a operação das cooperativas de telecomunicação, novos cenários se abrem para o setor, tais como:
Expansão estruturada: as novas normas e a fiscalização da Anatel permitem que o acesso e crescimento do cooperativismo no setor de internet e telefonia sejam estruturados e cobertos juridicamente com regras, facilitando um avanço de forma organizada.
Atendimento em localidades desatendidas ou subatendidas: sabendo da existência dos desertos digitais e dos espaços mal atendidos pelas grandes operadoras, as cooperativas já entram nesse mercado com locais e grupos que necessitam de seus serviços. Ou seja, a falta de acesso de regiões afastadas das capitais aparece como uma grande oportunidade para esse modelo de negócios. A maior proximidade das cooperativas com seus clientes e cooperados também é um benefício nesse sentido.
Participação em políticas de universalização e programas de fomento (Fust): ao integrar oficialmente o setor de telecomunicações, as cooperativas podem participar de políticas e programas do governo voltados à ampliação do acesso à internet, como o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust). Essas iniciativas ajudam financeiramente as cooperativas, pois servem para financiar instituições que levam conectividade a mais regiões e públicos.
Conclusão
A nova legislação traz benefícios para as cooperativas, que entram em um setor repleto de oportunidades e espaços de crescimento e consolidação.
Além disso, a norma é positiva para o público, pois aumenta a concorrência no mercado de telecomunicações e promove, com a entrada de novas organizações, uma maior cobertura de serviços e um avanço no acesso à internet no Brasil.
As cooperativas de telecomunicações irão ampliar ainda mais a relevância das cooperativas de infraestrutura. Saiba mais sobre a modernização, os desafios regulatórios e os impactos do Ramo na Análise Econômica do NegóciosCoop!
Notícias negócios
01/05/2026
Panorama econômico 2026: o que as cooperativas podem esperar da economia e dos negócios no ano
Com a aproximação das eleições, o ano de 2026 apresenta diversos desafios para as cooperativas. Os juros altos, a inflação diminuindo e o crescimento mundial em ritmo desacelerado marcam um contexto em que é preciso ter cuidado para fazer bons negócios.
Tanto na economia interna quanto externa, este ano será repleto de vulnerabilidade. O contexto geopolítico do Brasil e do mundo é instável e, dependendo do rumo das eleições e dos conflitos mundiais, muita coisa pode mudar para investidores e para o mercado.
Cautela é a palavra-chave para que as cooperativas possam, mesmo assim, prosperar. Saiba como está o cenário econômico de 2026 e o que esperar dos próximos meses.
Juros altos e inflação
Neste ano, ao contrário das especulações, os juros devem permanecer altos. “Está bem claro por que estamos com os juros em patamar restritivo e por que entendemos que vamos permanecer”, declarou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
A previsão é de que a Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, se mantenha em torno de 15%, com a possibilidade de redução apenas no segundo semestre de 2026. A posição do Banco Central visa manter a estabilidade da inflação - e a prática já vem mostrando resultados.
A inflação está diminuindo e, no final do ano passado, chegou a atingir o índice de 4,46%. O valor está abaixo do teto estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,5%, mas ainda segue distante da meta ideal de 3%.
Graças à inflação menor, as expectativas do mercado são de que 2026 seja um ano de moderação. Até dezembro, acredita-se que a Selic se manterá em um nível elevado, mas a previsão é de que ela termine o ano abaixo do patamar inicial, com valor próximo de 12,25%, de acordo com o boletim Focus do BC.
PIB e contas públicas
Quando o assunto é o PIB brasileiro, os juros altos devem inibir um crescimento robusto da economia do país. A projeção do Produto Interno Bruto para 2026 é que avance em torno de 1,8%, valor abaixo dos 2,1% estimados inicialmente. O resultado também é menor quando comparado ao PIB mundial, cujo crescimento esperado para os próximos meses é de 3,1%.
Outra grande influência na economia é a fragilidade estrutural no campo fiscal. O déficit primário, que também impacta o mercado e os investimentos brasileiros, deve alcançar R$ 90 bilhões.
No final de 2025, a dívida pública já ultrapassou 80% do PIB, mostrando um aumento em comparação aos 71% apresentados no início de 2023. A previsão é de que siga aumentando em 2026, e o resultado das eleições pode determinar o futuro dessa questão.
Crescimento mundial segue em passos lentos
Um aspecto que também influencia a economia brasileira em 2026 é o crescimento global em ritmo lento, fator que impõe dificuldades à expansão das exportações brasileiras. O cenário internacional se encontra em um momento mais lento e isso tem reflexos no Brasil, uma vez que as cooperativas devem depender mais do mercado doméstico.
Os dados já reforçam esse contexto. Em janeiro de 2026, o país apresentou uma queda de 23% no volume de exportações em relação a dezembro de 2025, e uma retração de 2,2% comparada ao mês de janeiro do ano passado.
Influência das eleições nos negócios cooperativos
Apesar de o ano eleitoral influenciar os preços dos ativos financeiros todos os meses, o tema ganha verdadeiro destaque no segundo semestre de 2026. É nesse momento que o cenário econômico pode mudar drasticamente de acordo com o processo e resultado eleitoral, impactando os negócios cooperativos.
Em ano eleitoral, pode-se esperar também um câmbio instável, uma vez que ele costuma ser um dos primeiros canais de transmissão da incerteza política. O dólar costuma variar conforme muda a percepção externa ao cenário político e à gestão econômica futura.
A forma como o próximo governo decidir tratar as contas públicas e a questão fiscal pode afetar diretamente a reação do mercado, afetando a volatilidade cambial, os ativos domésticos e o comércio internacional.
Impacto das tarifas
Se o cenário interno já exige cautela, o tabuleiro internacional em 2026 adiciona uma camada extra de complexidade. A consolidação das políticas tarifárias dos Estados Unidos alterou profundamente o fluxo do comércio global.
As cooperativas brasileiras precisam estar atentas a riscos como:
Dificuldade de acesso ao mercado americano: cooperativas que exportam produtos manufaturados ou processados diretamente para os EUA enfrentam margens mais apertadas devido ao custo de entrada encarecido pelas tarifas.
Triangulação e retaliação: o maior perigo reside no acirramento de uma guerra comercial. Com a China sendo sobretaxada pelos EUA, Pequim tende a redirecionar seu excesso de produção para outros mercados ou reduzir a demanda por insumos, o que afeta o preço das commodities brasileiras.
Custo de insumos: como muitas cooperativas dependem de tecnologia e insumos importados, a valorização do dólar encarece a produção nacional, pressionando o caixa.
De acordo com análises do Fundo Monetário Internacional (FMI), a previsão é de um PIB global mais fraco em 2026. No Brasil, a volatilidade cambial derivada dessas tensões é o principal fator de risco para o agronegócio em 2026, exigindo que as cooperativas reforcem suas estratégias de proteção cambial.
Conclusão: um ano complexo e de grande volatilidade
Devido às eleições e ao contexto internacional, pode-se esperar que o ano de 2026 seja marcado por volatilidade, incertezas e crescimento lento para os negócios. Por conta disso, as cooperativas devem estar atentas às mudanças e ao cenário político para saber se adaptar e continuar crescendo, apesar da instabilidade.
Para conseguir coletar, interpretar e utilizar dados sobre o mercado, a fim de adquirir conhecimento que ajude nas ações e decisões da cooperativa, o CapacitaCoop disponibiliza o curso “Análise de Mercado: Aprenda a utilizar dados de mercado para propor ações ou tomar decisões em seu ramo de atuação”; confira!
Notícias negócios
01/05/2026
Gestão do capital social: como fortalecer a base financeira da sua cooperativa
A gestão do capital social de uma cooperativa é um dos principais pilares da longevidade dos negócios. É com esse conjunto de recursos iniciais que uma cooperativa começa suas operações e vai ganhando força até se estabelecer.
Esse investimento não apenas representa um apoio financeiro que os associados dão para a cooperativa, mas também materializa a participação individual na organização coletiva. Entenda sua importância e como essa prática pode fortalecer a cooperativa.
O que é capital social?
Essencial nas instituições financeiras, o capital social é o montante de recursos que os sócios reúnem para iniciar e manter as operações da organização, assegurando o funcionamento das atividades e o crescimento dos negócios a curto e longo prazo.
De forma geral, esse capital pode vir em diferentes formatos. No entanto, é importante destacar que, nas cooperativas de crédito, a integralização dessas quotas-partes é feita exclusivamente por meio de aportes financeiros (dinheiro). Isso garante a formação de uma base financeira com alta liquidez, essencial para a solidez e o cumprimento das regulamentações do setor.
Capital social no cooperativismo de crédito
No cooperativismo, o capital social também representa a participação dos associados na cooperativa, sendo um investimento que gera retornos para todos os cooperados e para a instituição.
Entendendo que todos são donos daquele negócio, o capital social, que chamamos no cooperativismo de quotas-partes, vai representar a parcela de cada membro no quadro geral, garantindo seus direitos iguais na cooperativa.
Diferente do dinheiro parado em uma conta comum, o capital social nas cooperativas de crédito costuma ser remunerado anualmente. Essa remuneração, conhecida como Juros ao Capital Social (que pode ser limitada à taxa Selic), faz com que o investimento do associado cresça, gerando um retorno financeiro direto e atrativo.
Definição de quotas-partes no cooperativismo
Ao entrar em uma cooperativa, você contribui com um ativo inicial que se torna parte do patrimônio líquido nos balanços das cooperativas. O valor investido é a garantia da sua parte na cooperativa e, uma vez que todos investem, o negócio se torna coletivo e pertencente a todos.
Os valores investidos, definidos como as quotas-partes, não apenas fortalecem a segurança financeira da organização, como asseguram que o cooperado é um verdadeiro dono do negócio. Aqui, entra um dos maiores diferenciais do modelo: o princípio de 'um membro, um voto'. Não importa se o associado tem uma ou mil quotas-partes, nas assembleias o poder de decisão é igual para todos.
Além disso, essa construção patrimonial não acontece apenas na entrada. A capitalização contínua (seja ela mensal ou vinculada ao uso de produtos de crédito) é o que garante o crescimento sustentável da instituição a longo prazo.
Importância da gestão do capital social para fortalecer a cooperativa
As quotas-partes servem para fortalecer os negócios da cooperativa e sua gestão é essencial para manter a segurança financeira. Entre os principais benefícios dessa prática, destacam-se:
Sustentabilidade financeira no início das operações
As quotas-partes garantem o dinheiro e a infraestrutura que uma cooperativa precisa para começar as atividades. Até a cooperativa atingir seu ponto de equilíbrio e passar a gerar sobras (que é como chamamos os resultados positivos no cooperativismo, já que a instituição não visa o lucro mercantil), é importante que a cooperativa tenha um valor robusto para seu funcionamento e crescimento.
Vale ressaltar que essa importância não é apenas operacional, mas também legal. As cooperativas de crédito devem estar dentro do Índice de Basileia, um indicador internacional de solidez financeira. Ele determina se o valor que entra na cooperativa está com uma proporção segura em comparação ao valor que a instituição está emprestando.
Caso essa balança esteja desigual, as cooperativas podem sofrer sanções do Banco Central (BC). Sendo assim, o crescimento do capital social proporcional às operações de crédito é necessário para que as cooperativas de crédito possam crescer de forma saudável, além de obter segurança jurídica e regulatória.
Segurança financeira para os cooperados
O capital social também garante a segurança financeira para os cooperados. Ao investirem juntos, constrói-se um Patrimônio Líquido robusto, o que transmite estabilidade ao funcionamento das operações.
É essa base forte de capital próprio que dá fôlego para a cooperativa operar com segurança e absorver impactos em momentos de oscilação do mercado. Uma cooperativa bem capitalizada, afinal, protege indiretamente as operações de todos os associados, garantindo a continuidade dos negócios mesmo em cenários desafiadores.
Investimentos em infraestrutura e necessidades operacionais
Para conseguir crescer, uma cooperativa necessita ter uma infraestrutura completa, desde colaboradores preparados até equipamentos e instalações adequados.
O capital social tem grande responsabilidade nesse quesito, pois é usado para captar os recursos que uma cooperativa precisa para se consolidar no mercado.
Capital social e o associado
O capital social também representa o vínculo do associado, exercendo um papel jurídico e de integração do cooperado com a instituição. Ou seja, a quota-parte certifica a união do cooperado, assegurando seu papel na cooperativa.
Por conta disso, é dever da instituição estabelecer normas de resgate do capital social, com critérios internos definidos na governança corporativa. De forma coletiva, os associados devem chegar a um acordo de como e quando esse capital social poderá ser devolvido para aqueles que se desligarem da cooperativa.
Conclusão: capital social garante o crescimento da marca cooperativa
O capital social é um dos pilares mais importantes de uma cooperativa e deve ser estabelecido com princípios e regras para garantir sua efetividade. Quando trabalhado com clareza, ele traz inúmeros benefícios e se consolida como parte essencial dos negócios.
Uma boa gestão desses recursos permite que a cooperativa tenha como investir em oportunidades, se proteger de momentos conturbados e crescer com competitividade no mercado. Por conta disso, não basta construir um capital social, mas também se deve saber alocar esses ativos de maneira estratégica e eficiente.
Notícias negócios
13/04/2026
Planejamento sucessório e desenvolvimento de novas lideranças na cooperativa
O planejamento sucessório em uma cooperativa é essencial para determinar o futuro da instituição. É nesse processo que se escolhem e preparam colaboradores para representar os valores e atuar em conformidade com as diretrizes de governança estabelecidas.
Esse processo garante que as novas lideranças vão seguir o legado da cooperativa, respeitando seus princípios ao mesmo tempo em que investem no crescimento e na inovação dos negócios. Confira como estruturar um planejamento sucessório e veja casos práticos no cooperativismo.
Importância do planejamento sucessório
Primeiro, é preciso entender a importância do planejamento sucessório. Não se resume apenas a escolher quem vai ocupar os cargos de lideranças futuras; essa prática é um conjunto de ações focadas em desenvolver talentos alinhados às necessidades da cooperativa para preparar aqueles que ocuparão cargos de gestão.
Dessa forma, o planejamento sucessório garante que as promoções não sejam feitas sem preparo prévio. Assim, os cargos estratégicos, tão importantes para assegurar o funcionamento e desenvolvimento dos negócios, são ocupados por profissionais capacitados e prontos para desempenhar funções que impulsionem o crescimento de toda a cooperativa.
Como estruturar um planejamento sucessório
Para estruturar um planejamento sucessório bem-sucedido, é importante se atentar a alguns passos. Tendo em vista que esse processo trará resultados a longo prazo, deve-se ter atenção e cautela em cada etapa.
Estruture um plano de ação e revise constantemente
O primeiro e mais importante passo é estruturar o planejamento da cooperativa. É importante estabelecer, de maneira coletiva, o que é esperado das futuras lideranças, quais são as principais características buscadas nos colaboradores para esse cargo e quem serão os responsáveis pelo processo.
Com transparência e clareza, todos da cooperativa poderão se preparar e buscar desenvolver o que é requerido para ocupar os cargos futuros.
Pensando que o mercado está sempre em mudança e evolução, tal plano deve ser constantemente revisado e, quando necessário, ajustado. As lideranças devem conhecer bem a trajetória da cooperativa, mas também precisam estar preparadas para lidar com os desafios novos e cenários atuais.
Identifique líderes em todos os níveis e setores da cooperativa
Vale ressaltar que as futuras lideranças nem sempre ocupam, previamente, cargos elevados. Considerando que os postos estratégicos podem mudar a qualquer momento, é essencial identificar, em todas as áreas da cooperativa, pessoas com potencial e preparo para assumir funções de gestão.
Procurar líderes em diferentes níveis hierárquicos da organização ajuda a abrir um leque maior de possibilidades e criar carreiras a longo prazo, preparando profissionais desde o começo da atuação até o momento de liderança.
Selecione o que é esperado de cada líder
Antes de encontrar colaboradores para ocupar posições de alta responsabilidade, é importante determinar o que essa liderança exige. Trabalho em equipe, organização, inteligência emocional e delegação de responsabilidades, por exemplo, são alguns dos atributos que constituem um cargo de liderança.
Listar tais necessidades e habilidades ajuda a realizar uma busca com mais precisão, focando nos colaboradores cujas competências já se destacam e podem ser aperfeiçoadas.
Passos para desenvolver seus novos líderes
Uma vez determinados os novos líderes, por meio do processo de planejamento sucessório, deve-se prepará-los para sua nova função. Essa parte é essencial, pois, apesar de já terem sinergia com o cargo por conta das suas habilidades, esses colaboradores ainda não possuem experiência nesse tipo de posto e, para ocupá-lo, devem ser capacitados.
Para isso, vale apostar em:
Programas de mentoria e capacitação com lideranças: nada melhor do que aprender com as atuais ou antigas lideranças. Momentos dedicados à formação e coaching com líderes experientes podem ser uma ótima forma de esses colaboradores aprenderem com os erros e acertos de quem já ocupou tais cargos, podendo ser guiados e sanar dúvidas a fim de que cheguem mais preparados ao posto.
Capacitações para o desenvolvimento de competências técnicas e de gestão: além de mentorias, fornecer treinamentos e aulas para esses colaboradores é fundamental. Eles devem ter acesso constante a programas que ensinem sobre gestão de pessoas, resolução de conflitos, comunicação e outras aptidões importantes para a liderança.
Delegação de responsabilidades e desafios: aprender na prática é tão importante quanto estudar a teoria. No processo de preparo desses profissionais, vale entregar projetos e desafios que vão contribuir para o desenvolvimento das novas lideranças, expondo-os às primeiras situações reais de tomada de decisão.
Feedback contínuo: para melhorar, é preciso que as futuras lideranças saibam exatamente onde estão errando e acertando. Apenas assim é possível fazer ajustes na sua forma de trabalhar. Por conta disso, feedbacks e avaliações contínuas são imprescindíveis no planejamento sucessório.
Planejamento sucessório na prática
Muitas cooperativas já trabalham buscando desenvolver um planejamento sucessório a longo prazo. Conheça casos práticos no cooperativismo:
Projeto Juventude Conectada traz capacitação para Sistema Cresol
A Cresol, sistema financeiro cooperativo que tem mais de 871 mil cooperados e agências em 19 estados brasileiros, desenvolveu o projeto Juventude Conectada para engajar jovens a participarem da cooperativa e seguirem os negócios de suas famílias.
Fundada em 1995 no Paraná, a cooperativa incentiva a gestão familiar dos negócios, proporcionando apoio técnico e atenção contínua para a sucessão das lideranças.
A iniciativa Juventude Conectada trabalha com jovens cooperados ou filhos de cooperados, por meio de uma formação on-line que aborda os seguintes temas: cooperativismo, educação financeira e protagonismo.
Núcleo Jovem forma novas lideranças para Coplacana
A Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana), ao se deparar com a ausência de conexão dos jovens cooperados e dos familiares dos produtores com os negócios, percebeu a necessidade de atrair uma nova geração para a cooperativa.
Assim se iniciou o Núcleo Jovem, um projeto que visa envolver os jovens de 16 a 35 anos e preparar a sucessão familiar por meio da capacitação.
O objetivo é fornecer formação em diversas áreas, preparando os participantes para cargos internos e outros setores, como administração e direito. A cooperativa ensinou temas que variam desde inteligência emocional até planejamento estratégico, fortalecendo a nova geração de profissionais.
Programa Herdeiros do Campo ajuda familiares da coop Cooabriel
A cooperativa do Espírito Santo Cooabriel aplicou o Programa Herdeiros do Campo, desenvolvido pelo SENAR-PR, para trabalhar a sucessão nas propriedades rurais de seus associados.
O projeto aconteceu em parceria com o sindicato rural local, a Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (FAES) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Espírito Santo (SENAR-ES), responsável por trazer a iniciativa do SENAR paranaense para os cooperados da Cooabriel.
Herdeiros do Campo é um programa para explicar às famílias rurais qual a importância da sucessão dentro da propriedade e como planejar essa transmissão para novas lideranças.
Comitê Geração C
A Cresol faz parte do Comitê Geração C, programa do Sistema Ocergs criado para conectar jovens de 18 a 34 anos ao cooperativismo e impulsionar a sucessão nos negócios gaúchos.
O comitê trabalha promovendo capacitações e troca de experiências para os cooperados, impulsionando a formação de novas lideranças e o desenvolvimento sustentável das cooperativas que participam da iniciativa.
As cooperativas podem encaminhar associados para o programa, onde irão elaborar diretrizes, propor ações e receber o conhecimento necessário para desenvolver habilidades de liderança.
Conclusão: planejar as lideranças para assegurar a longevidade das cooperativas
Pensar nas próximas gerações de lideranças é pensar no futuro da cooperativa, desenvolvendo e impulsionando os profissionais que vão cuidar dos negócios e representar os associados a longo prazo.
É com uma gestão da sucessão que se assegura um crescimento contínuo dos negócios, investindo hoje nos líderes de amanhã.
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