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Gestão ambiental: como calcular a pegada de carbono da sua cooperativa

Gestão ambiental: como calcular a pegada de carbono da sua cooperativa
Você sabe quantas emissões de gases de efeito estufa sua cooperativa libera? Em termos gerais, tem noção de quantas árvores precisam ser plantadas para harmonizar o efeito das suas produções? Diante de um mercado mais exigente, a pegada de carbono é um fator que vai além da busca pela sustentabilidade. No cooperativismo, a preocupação com o meio ambiente e com a comunidade não ficam só no discurso. São instituições com uma governança que verdadeiramente busca uma produção mais limpa. Entre as medidas, uma que não pode ficar de fora é a gestão ambiental e a redução da pegada de carbono.

O que é a pegada de carbono?

A pegada de carbono consiste no valor das emissões de gases de efeito estufa liberadas por uma cooperativa. Ou seja, serve como um indicador ambiental para entender como as atividades de uma instituição contribuem negativamente ou positivamente para o meio ambiente. Essa conta entende o quanto a produção de uma instituição está gerando de gases que, liberados na atmosfera, aceleram o aquecimento global. Incluem-se as emissões geradas por motores usados em veículos ou aquecedores, pelo consumo de eletricidade dos escritórios e pela queima de combustíveis fósseis. É a soma das toneladas de dióxido de carbono (CO2), do metano, do óxido de nitrogênio, dos clorofluorcarbonos (CFCs) e de todos os outros gases que contribuem para o aquecimento global.

Importância da gestão ambiental para acessar mercados exigentes

Trabalhar com uma gestão ambiental que meça e controle a pegada de carbono é essencial. Segundo Cristiano Lagôas, presidente da Associação Brasileira de ESG, o modelo cooperativista ilustra na prática a possibilidade de conciliar crescimento econômico com preocupação ambiental. “Estamos diante de um formato de organização que considera a preservação ambiental prioritária e coloca em destaque o bem-estar humano, enquanto adota uma abordagem participativa na governança corporativa. O cooperativismo certamente se apresentou como um parceiro estratégico para a implementação da agenda ESG no Brasil”, afirmou Lagôas ao Sistema OCB/MS. Essa característica se torna um diferencial competitivo para esse modelo de negócios, afinal, os mercados exigentes e as novas tendências de consumo valorizam instituições responsáveis, cujos produtos e serviços não sejam prejudiciais para a natureza.

O mundo em busca da sustentabilidade

É por conta dessa tendência, inclusive, que começou um movimento mundial, liderado pela ONU (Organização das Nações Unidas), que busca a redução da emissão dos gases do efeito estufa (GEE). Entre as maneiras de reverter esse quadro, surgem os créditos de carbono, uma ferramenta que transforma a diminuição do aquecimento em forma de gerar receita. Ao reduzir emissões, as marcas ainda se destacam no mercado. Dessa maneira, investir em sustentabilidade é investir em novos parceiros, clientes e fornecedores que estão preparados para o momento que o mercado está vivendo. Apostar em uma cadeia produtiva com baixa pegada de carbono é essencial para aumentar o potencial das marcas nos seus setores de atuação.

Como calcular a pegada de carbono

Calcular a pegada de carbono é colocar em números o impacto gerado por uma cooperativa. Para esse cálculo, é necessário fazer a soma e a análise de várias atividades e fatores diferentes. Não existe apenas uma fórmula, e sim várias maneiras de quantificar como o consumo de energia, produção, descarte de resíduos e outros aspectos contribuem para as emissões. Diversas calculadoras online e ferramentas confiáveis estão disponíveis. O Sistema OCB lançou, em parceria com a Ambipar, o Guia Metodológico do Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE). O documento foi criado para apoiar cooperativas no registro e cálculo das suas emissões de GEE. Com base na metodologia do GHG Protocol, as cooperativas podem fazer essa medida simples e padronizada, fundamentada no padrão global mais utilizado para contabilizar e gerenciar o uso de gases de efeito estufa.

Créditos de carbono: uma oportunidade de negócios

Além de ajudar a se destacar no mercado, uma produção limpa pode trazer impactos positivos reais para os negócios quando aplicados os créditos de carbono. Entre os setores mais promissores para gerar créditos de carbono no Brasil estão o agropecuário e o de energia, fortemente presentes no cooperativismo. Esses setores estão em vantagem competitiva, e há muitas maneiras pelas quais as cooperativas podem obter créditos de carbono e equilibrar sua emissão de gases. Em artigo, o NegóciosCoop explica como:

Títulos verdes

Os títulos verdes são títulos de renda fixa emitidos por empresas, governos e organizações para promover iniciativas econômicas de sustentabilidade. Eles funcionam pela conservação de florestas e, economicamente, são uma grande aposta: eles provam que a floresta em pé vale mais do que qualquer atividade de exploração na Amazônia. Uma pesquisa divulgada pelo Banco Mundial em 2022 mostrou que investir para manter a floresta preservada pode valer mais que a criação de gado, um dos principais causadores do avanço do desmatamento na Amazônia. Ou seja, plantar árvores para equilibrar sua emissão de gases de efeito estufa, além de trazer benefícios para o meio ambiente, resulta em retornos reais para os negócios.

BNDES Créditos de Carbono

Foi lançado, em 2022, um programa de venda de créditos de carbono organizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O projeto surgiu para incentivar instituições que valorizam e buscam a preservação do meio ambiente e que querem ajudar na redução de emissão de CO2. Nomeado de BNDES Créditos de Carbono, foi a primeira iniciativa do tipo criada por um banco brasileiro. O projeto trata a comercialização de carbono no mercado como uma maneira de trabalhar na descarbonização da economia brasileira.

Saneamento

Outra maneira não tão óbvia de melhorar o meio ambiente é o investimento em saneamento. O tratamento de esgoto surge como uma forma de gerar créditos de carbono, pois cada estação de tratamento pode gerar energia a partir do gás metano, retirado do lodo resultante do saneamento. O Marco Legal do Saneamento, aprovado em 2020, promoveu um avanço nos investimentos em tratamento de esgoto, o que abriu, desde então, maiores oportunidades nesse setor.

Conclusão: por que medir a pegada de carbono

Medir a pegada de carbono deixou de ser apenas uma meta ambiental para se consolidar como uma estratégia essencial de inteligência de mercado. Para o cooperativismo, que já possui a responsabilidade socioambiental em seu DNA, quantificar as emissões é o passo prático que transforma o discurso da agenda ESG em dados reais e mensuráveis. Ao conhecer e gerenciar o seu impacto por meio de ferramentas como o Guia do Sistema OCB, a cooperativa se adequa às exigências de consumidores e parceiros mais rigorosos e destrava o acesso a novas oportunidades de negócios – como os créditos de carbono e os títulos verdes. Além disso, o Sistema OCB desenvolveu o ESGCoop, uma solução fundamentada na metodologia de avaliação de performance e análise de indicadores de sustentabilidade - confira!

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