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Metade das cooperativas se vê atrás da concorrência: como a inovação pode virar resultado

A 3ª Pesquisa de Inovação no Cooperativismo Brasileiro, realizada pelo Sistema OCB, ouviu 1.340 cooperativas. Um dos dados chama a atenção: 50,3% se veem atrás das empresas concorrentes em inovação. Quando a comparação é com outras cooperativas, esse número cai para 40%.

Vamos entender o que a pesquisa revela sobre os gargalos que travam a inovação nas cooperativas e como algumas delas já estão transformando ideias em resultados para o negócio? Boa leitura!

O que a pesquisa mostra

A inovação já está na agenda do cooperativismo. Segundo a pesquisa de inovação, 77% das cooperativas se dizem abertas à inovação.

No entanto, o desafio está em transformar essa abertura em prática. Apenas 13,6% das cooperativas têm metas e acompanhamento formalizados para a inovação, e 37,2% não contam com nenhuma estrutura dedicada ao tema, como uma área, um comitê ou um profissional responsável.

Sem metas e indicadores, é difícil medir o retorno das iniciativas, priorizar investimentos e justificar novos projetos. Sem uma estrutura responsável, a inovação tende a depender de esforços pontuais e perde continuidade.

O principal gargalo: orçamento

Quando o assunto são os obstáculos para inovar, o relatório aponta a falta de orçamento como o maior, citado por 51,1% das cooperativas. Essa constatação fica evidente na distribuição orçamentária das organizações: 48% delas investem menos de 1% ou simplesmente não destinam recursos para ações de inovação.

Uma parte da solução pode estar fora do orçamento próprio. Editais, programas de subvenção e linhas de financiamento voltadas à inovação são caminhos para viabilizar projetos, mas ainda são pouco aproveitados pelas cooperativas.

De acordo com a pesquisa, 79,8% das cooperativas conhecem pouco ou nada o ecossistema de fomento, e apenas 3,2% captam recursos com frequência. A principal barreira não é a falta de editais, e sim a falta de informação sobre as oportunidades disponíveis, citada por 56,3%.

Intercooperação e parcerias

Outro caminho para superar a falta de recursos é não inovar totalmente por conta própria. O relatório mostra que as cooperativas já fazem isso, principalmente dentro do próprio movimento. O Sistema OCB é o parceiro mais citado, com 39,7%, seguido de outras cooperativas, 33%, e fornecedores ou clientes, 28,8%.

Já parceiros externos ao cooperativismo ainda aparecem pouco. Universidades e centros de P&D foram citados por 16,6% das cooperativas, startups por 15,2% e governo ou agências de fomento por 12,8%. Além disso, 20,4% não tiveram nenhum parceiro em seus projetos de inovação.

Parcerias como essas auxiliam as cooperativas a dividir custos, reduzir riscos e acessar tecnologias que não são encontradas internamente. Startups, por exemplo, trazem agilidade e soluções já testadas, enquanto outras coops podem compartilhar estruturas, experiências e investimentos.

Cooperativas que transformaram inovação em resultado

Na prática, algumas cooperativas já encontraram caminhos para estruturar a inovação, buscar parceiros e transformar ideias em ganhos para o negócio. Conheça quatro exemplos.

Acelera Unimed: intercooperação em escala

O Acelera Unimed é o programa de intraempreendedorismo da Unimed do Brasil. Colaboradores de qualquer cooperativa do Sistema, independentemente do cargo, podem propor ideias sobre um tema estratégico definido a cada ano. Os projetos selecionados passam por capacitação e mentoria, são avaliados por uma banca externa e os vencedores são implementados em toda a rede.

Em 2024, a primeira edição recebeu 170 ideias de 58 cooperativas do Sistema Unimed, e a solução vencedora melhorou o processo de cobranças financeiras entre as cooperativas. Já a segunda edição, que focou no uso de inteligência artificial para otimizar processos, reuniu 535 ideias de 66 coops do grupo. A vencedora usou IA para agilizar a liberação de guias de atendimento.

Sicredi: inovação aberta com startups

O Sicredi aposta na inovação aberta para resolver desafios estratégicos. Por meio do programa Inovar Juntos, criado em 2018, a cooperativa conecta startups às suas demandas, realiza experimentos e, quando a solução funciona, parte para a contratação ou parceria.

Desde o início do programa, foram mais de 65 desafios abertos, 1.065 startups inscritas, 55 experimentos e 22 soluções escaladas. A cooperativa também participa de hubs como o AgTech Garage, de onde surgiu o Caderno de Campo Digital, que já beneficiou mais de mil produtores rurais.

Unimed Cascavel: Fábrica de Inovação

Na Unimed Cascavel, no Paraná, a Fábrica de Inovação reúne ideias de colaboradores e cooperados por um canal virtual. Um comitê de inovação avalia as propostas a partir de critérios como: redução de custos, geração de receita, contribuição para as metas estratégicas e viabilidade financeira. Para tirar as ideias aprovadas do papel, a cooperativa criou um centro de custos específico.

Desde o lançamento, em 2022, o programa recebeu mais de 250 ideias. Uma delas, a instalação de painéis solares, já gerou mais de 319 mil kWh de energia e uma economia superior a R$ 200 mil.

Coafra: rastreabilidade de produtos

A Coafra, Cooperativa Agroindustrial Frutos da Amazônia, no Pará, mostra que inovar não exige grandes estruturas. Quando um supermercado cliente passou a exigir que todos os fornecedores tivessem rastreabilidade dos produtos, a cooperativa tinha 30 dias para se adequar.

Em parceria com a startup Amaztrace, a organização implantou em cerca de um mês um sistema em que o consumidor acessa, por QR code, a origem do hortifruti, com dados como a localização da propriedade, o lote, a data da colheita e o transporte. A manutenção custa cerca de R$ 500 por mês.

Conclusão

A 3ª Pesquisa de Inovação no Cooperativismo Brasileiro mostra que a inovação já está na agenda das cooperativas. O próximo passo é transformar essa abertura em resultado, com estrutura, metas, prioridade no orçamento e parceiros que ajudem a dividir custos e riscos.

Para isso, as cooperativas podem contar com o Radar de Financiamento do InovaCoop. Lá elas encontram um painel com as principais fontes de apoio à inovação no Brasil, além de conteúdos e guias sobre crédito, investimentos e estratégias de financiamento.

E para se preparar para captar esses recursos, vale também conferir o curso Fontes de Fomento para Inovação, disponível no CapacitaCoop!

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