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Sistema OCB fortalece cooperativismo extrativista na Amazônia 

Imersão reuniu 24 cooperativas para formação, intercâmbio de experiências e articulação institucional 

Visita a CooperAcreO Sistema OCB participou da primeira Imersão Coopera + Amazônia, realizada entre os dias 17 e 19 de setembro, em Rio Branco (AC). O encontro reuniu 48 representantes de 24 cooperativas agroextrativistas do Pará, de Rondônia e do Maranhão em uma programação voltada à formação, à troca de experiências, ao acesso a mercados e à articulação institucional. 

A iniciativa integra o Coopera + Amazônia, programa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), executado pelo Sebrae Nacional, com apoio do Sistema OCB e recursos do Fundo Amazônia/BNDES. Anunciado durante a COP30, em novembro de 2025, o programa busca fortalecer o cooperativismo extrativista e impulsionar a bioeconomia na Amazônia Legal. 

Com investimento de R$ 103 milhões, o Coopera + Amazônia atenderá 50 cooperativas do Acre, Amazonas, Maranhão, Pará e Rondônia ao longo de 48 meses, entre 2026 e 2030. As ações envolvem cadeias produtivas estratégicas da sociobiodiversidade, como babaçu, cupuaçu, açaí e castanha-do-brasil. 

O programa contempla diagnóstico e acompanhamento técnico, consultorias especializadas, aquisição de equipamentos, formação de lideranças, compras coletivas e estratégias para ampliar o acesso a mercados e agregar valor aos produtos. A proposta conecta o desenvolvimento das cooperativas e a geração de renda para as famílias extrativistas à conservação da floresta. 

Experiências que conectam a floresta ao mercado 

Participação no Inova SummitA programação da imersão aproximou os participantes de soluções já adotadas para organizar a produção, fortalecer a gestão e ampliar a comercialização. Entre as atividades, estiveram palestras, rodas de conversa, participação no Inova Amazônia Summit e uma visita técnica à Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (CooperAcre)

Referência no acesso a mercados para produtos extrativistas, a CooperAcre reúne 12 cooperativas singulares e alcança 5.352 famílias em 20 dos 22 municípios acreanos. A central é a maior produtora de castanha-do-brasil beneficiada do país e atua também nas cadeias da borracha e de polpas de frutas. 

Durante o dia de campo, realizado no dia 18, os representantes conheceram as unidades de beneficiamento e conversaram com a diretoria da cooperativa sobre organização produtiva, agregação de valor e estratégias comerciais. 

A agenda também incluiu a participação no Inova Amazônia Summit, considerado um dos principais encontros de bioeconomia, inovação e empreendedorismo da Amazônia Legal. A edição de 2026 reuniu cerca de 7 mil participantes e contou com 35 painéis. 

Entre os debates, o painel Da floresta ao mercado: o cooperativismo extrativista como caminho de desenvolvimento sustentável abordou oportunidades e desafios do setor. Participaram Manoel Matos, presidente da Ascosper; Valdemiro Rocha, presidente da OCB/AC; Manuele de Miranda, gerente do Sicoob Credisul; e Ana Carolina Westrup, analista de Inovação do Sebrae Nacional e coordenadora do Coopera + Amazônia. 

Diversidade impulsiona a sociobioeconomia 

As cooperativas atendidas no primeiro ciclo do Coopera+Amazônia representam diferentes territórios e realidades da Amazônia Legal. São oito organizações do Pará, nove de Rondônia e sete do Maranhão, com atuação em cadeias como açaí, cupuaçu, castanha-do-brasil, babaçu, café, cacau e buriti. 

O grupo inclui cooperativas formadas por comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas, além de organizações com expressiva presença de mulheres e jovens. Algumas já acessam mercados institucionais e internacionais, enquanto outras contam com agroindústrias comunitárias, certificação orgânica e estruturas próprias de beneficiamento. 

“O aprendizado proporcionado nos impulsiona a buscar crescimento e mais inovação. Acreditamos muito em nosso potencial e, em um grupo forte como este, tenho certeza de que podemos ir mais longe”, afirmou Francisco Tarcísio Lima Rabelo, da Coopboa, do Pará. 

Durante a imersão, também foi instituído o Fórum de Cooperativas do Coopera + Amazônia, criado para estimular o envolvimento das organizações e apoiar o desenvolvimento das ações do programa. Composto por nove delegados e nove suplentes territoriais, eleitos por polos, o Fórum funcionará como espaço permanente de diálogo e articulação. 

Maria Divina Lopes, da Coomara, e Anderson Uruam Suruí, da Coopaiter, foram escolhidos, respectivamente, como delegada e suplente para representar o Fórum no Comitê de Governança do programa. 

Formação e governança compartilhada 

O Sistema OCB acompanha a construção do Coopera + Amazônia desde 2024 e integra seu Comitê de Governança. A contribuição institucional parte da experiência acumulada na Região Norte com o NegóciosCoop e de metodologias desenvolvidas para fortalecer a gestão e a atuação comercial das cooperativas. 

Entre os componentes do programa está a Formação e Mobilização para a Cultura do Cooperativismo, que será conduzida pelo Sistema OCB e contemplará duas lideranças de cada cooperativa. A entidade também avalia oportunidades de contribuir com a assistência técnica direcionada ao agroextrativismo, em complemento às ações de mercado e gestão realizadas pelo Sebrae. 

Para Thayne Garcia, analista de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, a diversidade dos territórios constitui um dos principais ativos da iniciativa. “A Amazônia Legal reúne uma riqueza de culturas, pessoas, saberes e produtos cuja dimensão ainda estamos conhecendo. Valorizar essa riqueza e apoiar seu desenvolvimento a partir dos povos amazônidas e das cooperativas contribui para preservar a floresta e construir um futuro com mais oportunidades na região”, declarou. 

Também fazem parte do Comitê de Governança o MDIC, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Sebrae Nacional e a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes). 

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