O continente europeu representa grandes oportunidades para quem busca crescer no comércio exterior. Entre grandes potências e pequenos mercados regionais, são muitos os caminhos possíveis para quem quer atuar nesse território.
Para conquistar espaço, no entanto, as cooperativas exportadoras precisam compreender o perfil dos diferentes consumidores do continente, acompanhar tendências como a preferência pelas compras presenciais e considerar o peso crescente do preço nas decisões de compra.
Perfil dos consumidores europeus
Antes de definir como
vender para a Europa, vale dimensionar o desafio: o continente reúne mais de 700 milhões de habitantes distribuídos em cerca de 50 países, incluindo os transcontinentais.
Reconhecer essa escala é fundamental para perceber a diversidade dos públicos que vivem nesses territórios. Convivem ali nações de portes muito distintos, de grandes economias como Alemanha e Reino Unido a mercados menores, caso das ilhas de Malta e do microestado de Andorra.
Pessimismo do consumidor europeu
De forma geral, o consumidor europeu demonstra pessimismo e desânimo em relação à economia de seu país. É o que mostra uma pesquisa do Boston Consulting Group (BCG) que entrevistou mais de 16 mil europeus em 2025.
Segundo o levantamento, mais da metade da população se declara pessimista quanto ao rumo da economia nacional. Apenas 40% afirmam se sentir bem com as próprias finanças, uma queda de 4 pontos percentuais em relação a 2024.
Diante desse cenário, o público europeu passou a buscar boas ofertas com mais intensidade. Inovação e estratégias de marketing mais eficientes também entraram na lista do que esses clientes consideram na hora de escolher uma marca.
Tendências de consumo na Europa
Algumas dinâmicas vêm moldando o mercado europeu e merecem a atenção das cooperativas interessadas em exportar para a região. As principais são as seguintes.
Preferência pelas lojas físicas torna o presencial imprescindível
Apesar do crescimento do comércio eletrônico, a maior parte dos consumidores europeus mantém o hábito de comprar em lojas físicas. Segundo o relatório The State of Shopping 2024, realizado pela ShopFully em parceria com o Offerista Group, 92% dos entrevistados preferem comprar presencialmente, pela possibilidade de ver e experimentar os produtos.
O digital, porém, segue relevante no processo de decisão: 78% dos consumidores pesquisam online antes de fechar a compra. Cooperativas que pretendem crescer na Europa precisam, portanto, integrar os canais físicos e digitais.
Com a baixa lealdade às marcas, qualidade e preço decidem a compra
A fraca fidelidade dos compradores europeus às marcas é outro fator a considerar. Apenas 16% se declaram completamente leais, enquanto a grande maioria decide com base no preço e na qualidade do que está comprando.
Nesse contexto, o cooperativismo brasileiro pode encontrar espaço ao oferecer produtos e serviços que proporcionem uma boa experiência ao consumidor, com preço acessível e justo, de modo que o cliente enxergue valor real na compra.
Investir em promoções e cupons também é uma boa prática comercial, já que muitos consumidores esperam por essas oportunidades para concluir uma compra.
Em momentos de incerteza, o relacionamento e a experiência são cruciais
O
cenário de cautela que cerca os consumidores europeus reduziu o poder de compra de boa parte deles. Em momentos assim, a relação do cliente com a marca pesa na disputa por um lugar no carrinho.
O antes, o durante e o depois da compra precisam ser bem resolvidos e proporcionar uma experiência positiva a quem está comprando. É esse cuidado que fortalece o vínculo e aproxima as cooperativas do consumidor final.
Retirar na loja é uma prática difundida e incentiva novas compras
O chamado “
click and collect”, conhecido no Brasil como retirada na loja, é outra tendência consolidada na Europa. Muitos consumidores pesquisam e compram online, mas fazem questão de buscar o produto pessoalmente no ponto de venda.
O método abre uma dupla oportunidade: ao ir à loja retirar o pedido, boa parte dos clientes acaba realizando novas compras. Além de comercializar o produto inicial, as cooperativas ganham, assim, novas chances de negócio.
A questão ambiental é uma prioridade
Produtos sustentáveis também estão entre as prioridades dos europeus. Esse fator pesa na decisão de compra, mas poucos consumidores se dispõem a pagar mais por ele. Unir sustentabilidade e preço competitivo, portanto, é a chave para se destacar nesse mercado.
Maiores mercados e parcerias com Brasil
Dentro do continente, alguns países e mercados oferecem oportunidades mais claras de crescimento para as cooperativas brasileiras. Conheça os principais.
Dinamarca
O mercado dinamarquês é um dos mais promissores para as cooperativas brasileiras na Europa. O país reúne os consumidores mais confiantes do continente, que buscam valor nos produtos e nas marcas mesmo em tempos difíceis.
Com quase 6 milhões de habitantes, a Dinamarca combina um mercado de trabalho flexível com uma economia capaz de se adaptar bem a choques e riscos externos. Essa estabilidade é uma vantagem para as marcas que pretendem investir em exportação.
Mercosul-UE
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia é mais um movimento que aproxima os mercados brasileiro e europeu. Assinado pelos dois blocos em janeiro de 2026, com a parte comercial em vigor provisório desde maio, o tratado estabelece uma ampla zona de livre comércio e cria inúmeras vantagens de negócios.
Para as cooperativas brasileiras, o potencial de crescimento no longo prazo é expressivo, já que o acordo integra dois dos maiores blocos econômicos do mundo e abre um mercado estratégico de 450 milhões de habitantes.
Holanda
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a Holanda é o principal destino das exportações brasileiras na Europa, o que faz do país um mercado de grande vantagem competitiva para as cooperativas.
Os Países Baixos têm preferência por produtos brasileiros, com destaque para soja e derivados, minério de ferro e aço, e o Brasil se consolida como o maior receptor de investimentos holandeses na América Latina.
Alemanha
Uma das maiores economias e a principal potência comercial da Europa, a Alemanha é o terceiro maior destino das exportações brasileiras no bloco europeu. Essa relação comercial sólida reforça o papel estratégico do país como um dos principais parceiros econômicos do Brasil na região.
Embora a confiança do consumidor alemão esteja em queda, pressionada pelo temor de tarifas e pelo avanço da inflação, o cenário guarda pontos positivos para o Brasil. Os governos dos dois países mantêm tratados de parceria voltados à economia, o que pode abrir boas oportunidades de negócios para as cooperativas brasileiras.
Conclusão
Com consumidores diversos e exigentes, a Europa segue entre os mercados mais relevantes para as
exportações brasileiras. Atentas às preferências do público e às oportunidades nos países estratégicos, as cooperativas podem fortalecer sua presença internacional nesse bloco.
Para ter sucesso, o caminho passa por sustentabilidade, presença física e preços competitivos. É essa combinação que permite ao cooperativismo brasileiro contornar a cautela econômica dos consumidores europeus e construir negócios de longo prazo na região.