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18/06/2026
“Cooperativas que valorizam a memória fortalecem a confiança e geram mais valor”, afirma pesquisadora
Conhecer as origens é também compreender quem somos e para onde queremos ir. No Ano da Cultura Coop, pesquisas realizadas pela historiadora Carolina Kuk, a pedido do Sistema OCB, conectam memória, cultura, educação, filosofia e identidade cooperativista, mostrando que olhar para a trajetória do movimento e das cooperativas brasileiras vai muito além de preservar o passado: é uma forma de fortalecer valores, orientar decisões e contribuir para o futuro sustentável do cooperativismo.
“Cuidar da memória cooperativista é cuidar da continuidade do próprio movimento. Porque aquilo que não é registrado, compartilhado e transmitido corre o risco de se perder com o tempo”, afirmou a pesquisadora em entrevista ao Sistema OCB. “Cooperativas com memória fortalecida tendem a gerar mais engajamento, mais alinhamento interno e relações de maior confiança. Além disso, a história também gera valor para as marcas”, complementa.
Historiadora pós-graduada em Sócio-Psicologia, Carolina atua há 20 anos com projetos de memória institucional, pesquisa sócio-histórica e organização de acervos. Em sua imersão no cooperativismo, também analisou as raízes da cooperação e a formação histórica dos princípios e valores cooperativistas, resgatando elementos que ajudam a compreender a identidade do movimento e a construir definições mais conectadas à realidade atual das cooperativas.
Os resultados da pesquisa serviram de base para o alinhamento conceitual de novas soluções do Eixo CulturaCoop e outros materiais que serão lançados na Semana de Competitividade 2026, de 11 a 13 de agosto, em Brasília.
Leia a entrevista completa com a pesquisadora:
Sistema OCB: Quando você começou a trabalhar com o cooperativismo e qual o foco das pesquisas aplicadas esse ano?
Carolina Kuk: Comecei a trabalhar com o cooperativismo em 2025, quando desenvolvi uma pesquisa sobre as origens do movimento no Brasil. O estudo foi realizado para apoiar o posicionamento da OCB no contexto do Ano Internacional das Cooperativas, instituído pela ONU [Organização das Nações Unidas]. Foi um tema que me interessou muito porque conecta história, organização social e impacto coletivo.
Em 2026, desenvolvemos duas pesquisas diferentes para o Sescoop, com enfoque no Ano da Cultura Cooperativista: a primeira teve como foco a história do cooperativismo no Brasil e no mundo e investigou suas origens, principais marcos legais e o processo de institucionalização do movimento cooperativista. O objetivo foi compreender como o cooperativismo se estruturou ao longo do tempo e revisar algumas narrativas já consolidadas sobre esse tema.
A segunda pesquisa teve um caráter mais conceitual e buscou aprofundar temas como identidade, cultura, educação, filosofia e memória cooperativista. Nesse estudo, procuramos entender como os próprios autores da tradição cooperativista definiam esses conceitos, evitando interpretações simplificadas ou muito genéricas.
Qual foi a metodologia utilizada e em que consiste a pesquisa sócio-histórica?
Nossa metodologia combinou pesquisa bibliográfica, análise documental, levantamento iconográfico e investigação em arquivos e lugares de memória. O objetivo foi cruzar diferentes tipos de fontes para construir uma visão mais ampla, crítica e plural sobre o tema.
A pesquisa sócio-histórica busca compreender como os processos históricos ajudam a explicar o presente. Quando estudamos as origens, os valores e as trajetórias de uma organização ou de um movimento social, conseguimos entender melhor sua identidade, seus desafios atuais e também construir decisões mais conscientes para o futuro. É um trabalho que ajuda a dar continuidade sustentável às instituições, sem perder de vista seus valores e sua direção estratégica.
No caso do cooperativismo, esse olhar ajuda a mostrar que ele não surgiu de forma isolada ou repentina. Existe uma longa trajetória de práticas coletivas, ajuda mútua e organização comunitária que antecede os marcos oficialmente reconhecidos. De certa forma, a própria sobrevivência da humanidade sempre dependeu de algum nível de cooperação.
Como a pesquisa sócio-histórica sobre o coop foi desenvolvida?
Partimos da ideia de que conceitos não são apenas palavras: eles carregam valores, disputas, experiências históricas e diferentes interpretações ao longo do tempo. Por isso, buscamos entender como autores ligados à tradição cooperativista definiam esses temas em seus próprios textos. A metodologia envolveu levantamento bibliográfico, leitura crítica das obras e comparação entre diferentes interpretações sobre identidade, cultura, educação e filosofia cooperativista.
Em vez de trabalhar apenas com definições prontas, procuramos entender como esses conceitos foram sendo construídos historicamente e como ajudam a moldar a visão de mundo do cooperativismo até hoje. Esse processo permitiu elaborar definições mais consistentes e conectadas com a trajetória histórica do movimento cooperativista.
Quais os principais achados desse projeto até agora?
Um dos principais achados foi compreender que não existe uma única origem possível para o cooperativismo. O modelo que conhecemos hoje é resultado de um longo processo histórico, formado por diferentes experiências sociais, culturais, religiosas, comunitárias e econômicas. Isso ajuda a explicar a pluralidade do movimento cooperativista até hoje.
Outro aprendizado importante foi o papel central da memória dentro do cooperativismo. A pesquisa mostrou que memória não é apenas preservação do passado: ela organiza a cultura, fortalece a identidade, sustenta processos educativos e ajuda a orientar decisões estratégicas no presente e no futuro. Símbolos, datas comemorativas, documentos, objetos, imagens e relatos têm um papel fundamental na construção do sentimento de pertencimento e continuidade dentro do movimento cooperativista. Sem memória, é muito difícil consolidar cultura, identidade e filosofia cooperativista.
Por isso, um dos grandes alertas da pesquisa é que projetos de memória não devem ser vistos como algo acessório, mas como estruturas estratégicas para o futuro do cooperativismo. Preservar e organizar essa trajetória ajuda o movimento a inovar sem perder seus fundamentos, além de fortalecer vínculos entre diferentes gerações e ampliar o reconhecimento social do cooperativismo no Brasil.
De que maneira os resultados desses estudos se refletem nas cooperativas e cooperados?
Muitas vezes, o que sustenta uma cooperativa não está apenas em documentos formais, mas nas práticas do dia a dia, nas histórias compartilhadas e nos conhecimentos construídos coletivamente. Quando essa memória não é cuidada, parte desse patrimônio se perde. Quando é valorizada, transforma-se em um ativo estratégico.
E isso tem reflexos concretos lá na ponta. Cooperativas com memória fortalecida tendem a gerar mais engajamento, mais alinhamento interno e relações de maior confiança. Além disso, história também gera valor para as marcas. Quando uma cooperativa comunica sua trajetória e sua cultura de forma consistente, ela fortalece sua reputação, diferencia sua marca e amplia o valor percebido dos seus produtos e serviços.
No fim, cuidar da memória cooperativista é cuidar da continuidade do próprio cooperativismo. Porque aquilo que não é registrado, compartilhado e transmitido corre o risco de se perder com o tempo.
Qual a importância de conhecer e preservar a história do cooperativismo?
Na pesquisa, percebemos que a história do cooperativismo é muito mais diversa e profunda do que normalmente aparece nos livros e nas narrativas tradicionais. No Brasil, por exemplo, encontramos registros de experiências cooperativas ainda no período imperial, além de práticas coletivas desenvolvidas por populações indígenas, grupos de matriz africana e trabalhadores urbanos.
Isso amplia a compreensão sobre o cooperativismo e reforça a importância de preservar sua memória. Conhecer a própria trajetória fortalece a identidade do movimento, ajuda na construção de estratégias mais conectadas com a realidade brasileira e contribui para que o cooperativismo continue se reinventando sem perder seus valores fundamentais.
Por que estudar o coop é importante para o futuro do movimento?
Esse tipo de pesquisa é importante porque fortalece o cooperativismo de dentro para fora. Quando uma cooperativa conhece sua própria trajetória e organiza sua memória, ela compreende melhor sua identidade, sua forma de atuação e sua intenção de caminhos para o futuro. Mas a pesquisa também mostrou algo muito importante sobre os conceitos.
Muitas vezes, as cooperativas vivem determinadas práticas no cotidiano, mas não necessariamente conseguem nomeá-las ou percebê-las de forma clara. E nomear as coisas é importante porque torna elas mais visíveis, mais compreensíveis e mais palpáveis. Dar nome a uma prática, a uma cultura ou a uma forma de organização ajuda a enxergar melhor aquilo que já existe e, consequentemente, fortalece sua continuidade. A memória fortalece um movimento porque cria pertencimento, conecta gerações e transforma experiências acumuladas em conhecimento compartilhado. No cooperativismo, isso é ainda mais relevante, já que estamos falando de um modelo construído a partir das relações humanas e da experiência coletiva.
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17/06/2026
Representação institucional: a voz do coop junto aos Poderes
Todos os dias, cerca de 15 mil pessoas circulam pelos corredores, salões e gabinetes do Congresso Nacional. Entre reuniões, audiências, votações e conversas de bastidores, são construídas decisões que impactam diretamente a vida de milhões de brasileiros. Em meio a esse intenso fluxo de interesses e articulações, o cooperativismo atua por meio de sua equipe de representação institucional para garantir que as demandas do setor sejam consideradas por quem formula, implementa e acompanha as políticas públicas do país.
“A representação do cooperativismo brasileiro é um trabalho permanente, técnico e estratégico”, afirma a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella. Além do Legislativo, também alcança os poderes Executivo e Judiciário para garantir um ambiente regulatório adequado ao desenvolvimento das cooperativas.
De forma estruturada, com cientistas políticos, especialistas técnicos e um time jurídico, o Sistema OCB monitora proposições legislativas, atos normativos, políticas públicas e decisões judiciais; elabora estudos, notas técnicas e propostas; dialoga com parlamentares, ministérios, agências reguladoras, órgãos de controle e tribunais; e articula as demandas do setor com as Organizações Estaduais (OCEs) e com as cooperativas.
Para orientar essa atuação, a principal ferramenta é a Agenda Institucional do Cooperativismo, que há 20 anos organiza anualmente as prioridades do movimento e direciona uma articulação transparente e qualificada junto aos Três Poderes. No Congresso, esse trabalho é feito em conjunto com a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), terceira maior frente do Brasil, que reúne 302 parlamentares, sendo 262 deputados e 40 senadores.
“Esse número mostra como a nossa pauta é plural e presente em todas as regiões do país. Queremos cada vez mais representantes que conheçam o modelo cooperativo, compreendam sua diferença em relação às empresas mercantis e estejam dispostos a construir soluções legislativas que fortaleçam a segurança jurídica, a competitividade e a capacidade das cooperativas de gerar desenvolvimento”, destaca o gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Eduardo Queiroz.
Entre os resultados da atuação coordenada do Sistema OCB e da Frencoop estão algumas das mais importantes conquistas do cooperativismo brasileiro, como o histórico reconhecimento ao ato cooperativo na Reforma Tributária; a aprovação da Lei Complementar 213/2025, que estabeleceu o marco regulatório das cooperativas de seguros; e da Lei 15.324/2026, que amplia a participação do cooperativismo no mercado de telecomunicações.
Segundo Queiroz, o impacto dessas medidas vai muito além da instância política e beneficia diretamente as 4.384 coops brasileiras. “Quando há regras claras, segurança jurídica e acesso a instrumentos de financiamento, as cooperativas conseguem investir, inovar, ampliar sua capacidade de atendimento, gerar oportunidades e prestar serviços cada vez melhores. Esses avanços se refletem diretamente nos cooperados, que são os verdadeiros donos do negócio.”
Engajamento e educação política
Mas a representação institucional do coop não se faz apenas em Brasília. Desde 2018, com o Programa de Educação Política do Cooperativismo Brasileiro, esse processo começa na base, com a formação de cooperados, dirigentes, colaboradores e lideranças conscientes do papel que exercem na democracia e nas decisões públicas que afetam o setor.
A estratégia busca fortalecer a cultura da participação política nas cooperativas e a representatividade do cooperativismo nos espaços de poder. Para isso, o programa reúne conteúdos, capacitações, cartilhas e ações de mobilização, preparando o movimento cooperativista para participar do debate público de forma qualificada, ética e alinhada aos princípios do cooperativismo.
“O Programa de Educação Política ajuda a transformar a participação em consciência, a consciência em mobilização e a mobilização em maior representatividade. Quanto mais o cooperado entende que decisões sobre crédito, tributação, infraestrutura, meio ambiente, trabalho, saúde, seguros e conectividade passam pelo campo político, maior é a capacidade do movimento de se organizar, dialogar e cobrar propostas concretas”, explica Queiroz.
Coop nas urnas
Em anos eleitorais, a participação do cooperativismo é ainda mais relevante. Em 2026, a mobilização faz um chamado direto: na hora de votar, #PensenoCoop. A campanha convida o movimento cooperativista a fortalecer sua participação cidadã e a levar para o debate público seus valores e contribuições.
“A participação política é legítima e necessária, mas deve ser feita com responsabilidade, segurança jurídica e respeito à neutralidade político-partidária. Neutralidade não significa inércia. Significa atuar de forma institucional, sem vinculação indevida a partidos ou candidaturas específicas, mas com disposição para apresentar propostas, dialogar com candidatos, qualificar o debate público e estimular o voto consciente”, destaca o gerente de Relações Institucionais.
Como participar
Para apoiar o engajamento das cooperativas no processo eleitoral com base no diálogo qualificado, apresentação de propostas e defesa institucional do movimento, o Sistema OCB desenvolveu materiais específicos para as eleições 2026:
Propostas para um Brasil mais Cooperativo
Reúne as principais contribuições do cooperativismo brasileiro para o desenvolvimento do país, com propostas voltadas ao fortalecimento de políticas públicas e das cooperativas.
Cartilha Cooperativismo e as Eleições 2026
Traz informações práticas sobre participação política, atuação institucional e engajamento responsável de cooperativas, cooperados e Organizações Estaduais no processo eleitoral.
Guia Aspectos Jurídicos Eleitorais do Programa de Educação Política do Cooperativismo - Eleições 2026
Voltado à segurança jurídica das ações desenvolvidas no âmbito do Programa de Educação Política, com esclarecimentos sobre limites legais, condutas permitidas e boas práticas durante o processo eleitoral.
Conheça todas as estratégias do cooperativismo brasileiro para influenciar o debate eleitoral no no site eleicoes2026.coop.br.
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04/06/2026
Dia Mundial do Meio Ambiente: como as cooperativas ajudam a proteger os biomas brasileiros
Cuidar do meio ambiente também é cuidar das pessoas. A urgência planetária em preservar os recursos naturais, que hoje mobiliza governos, empresas e a sociedade, faz parte da essência do cooperativismo há gerações. O tamanho, a diversidade e a capilaridade do movimento – que reúne 25,8 milhões de cooperados em todo o Brasil – ampliam sua capacidade de impulsionar práticas sustentáveis em diferentes territórios, por meio de modelos baseados na cooperação, no desenvolvimento local e na responsabilidade compartilhada.
Além da presença em municípios de todos os biomas brasileiros – Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica, Cerrado, Pampa e Caatinga – o cooperativismo conta com uma vantagem estrutural para apoiar a preservação, segundo o coordenador de Meio Ambiente do Sistema OCB, Alex Macedo. “Diferentemente de modelos empresariais voltados prioritariamente ao curto prazo, as cooperativas operam com uma lógica de permanência no território, o que favorece decisões alinhadas à sustentabilidade ambiental e à resiliência econômica local”.
Ele destaca que o cooperativismo avança em diferentes agendas ambientais, como sistemas produtivos de baixo carbono, recuperação de áreas degradadas, proteção de nascentes, rastreabilidade e certificações socioambientais. As oportunidades de contribuição, porém, não estão restritas às coops “da terra”, ou seja, do ramo agropecuário. O potencial é transversal a todos os segmentos, especialmente quando as cooperativas têm uma agenda ESG bem estruturada.
Neste Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), conheça exemplos de como o cooperativismo preserva o meio ambiente nas cinco regiões do país:
Floresta em pé
A Região Norte do Brasil é o berço do bioma Amazônia, que abriga a maior biodiversidade do mundo e exerce papel fundamental no equilíbrio ambiental do planeta. Na Floresta Nacional do Tapajós, no Pará, o coop tem ajudado a combater o desmatamento ilegal e a manter a floresta em pé, gerando renda e oportunidade para as populações locais.
Em 2005, a partir da mobilização de comunidades indígenas e ribeirinhas, nasceu a Cooperativa Mista da Flona do Tapajós (Coomflona), com foco no manejo florestal comunitário. Cerca de 300 cooperados produzem madeira nativa de forma responsável, respeitando os ciclos das árvores, sem o uso de tratores e maquinários pesados. As toras de espécies nobres são comercializadas com a certificação internacional FSC, que comprova boas práticas ambientais e garantem remuneração justa aos extrativistas.
Em 2017, a Coomflona criou a movelaria Anambé, onde os cooperados aproveitam os resíduos madeireiros para produzir mesas, cadeiras, armários, portas e outros objetos artesanais, gerando oportunidades de trabalho e renda para mais famílias.
Florescer da Caatinga
Além da riqueza de culturas, a Região Nordeste também reúne uma grande diversidade de paisagens e geografias. São quatro os biomas presentes: Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e pequenas áreas da Amazônia. O predominante entre eles, a Caatinga, é o único bioma exclusivamente brasileiro. Nesse contexto, também nascem soluções únicas, pelas mãos do cooperativismo, para responder aos desafios ambientais do presente e do futuro.
Em meio à vegetação adaptada à seca, floresceu em 2008, em Pintadas (BA), a Cooperativa de Agricultura Familiar Ser do Sertão, que promove o fortalecimento de práticas agroecológicas entre os produtores locais. Entre as principais preocupações está a busca por soluções de adaptação da produção, diante das mudanças climáticas que já alteram as chuvas, a vegetação e o solo.
“A questão ambiental é algo emergente no nosso trabalho porque a mudança climática tem um impacto grande nas propriedades dos nossos agricultores. Temos que pensar em metodologias que nos ajudem a passar por esse momento, porque a gente não vai resolver a questão da seca. A gente tem que aprender a produzir, entendendo que a seca é algo que a gente pode construir junto com ela. A gente tem que se adaptar a isso, porque não vai mudar”, afirma a presidente da Ser do Sertão, Valdirene Santos.
Os 300 cooperados produzem geleias e polpas de frutas típicas da região, como cajá, umbu e acerola. Os frutos nativos são cultivados com práticas de baixo carbono e manejo do solo. Com essas técnicas, a cooperativa já recuperou 500 hectares de áreas degradadas, contribuindo diretamente para a conservação do meio ambiente na Caatinga.
Para além dos Pampas
Famosa pelos Pampas, bioma com laços fortes com a cultura e a pecuária gaúcha, a Região Sul também abriga a Mata Atlântica, predominante no Paraná, Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul. Com uma diversidade de formações vegetais, como florestas densas, matas de araucária, manguezais e restingas, o bioma predomina na serra do Rio Grande do Sul, onde nasceu a Cooperativa Vinícola Aurora. Com mais de 1 mil famílias associadas, a Aurora mantém a viticultura como principal fonte de renda local e produz rótulos reconhecidos dentro e fora do país.
Há 10 anos, a cooperativa começou a enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas, além de problemas como erosão do solo e diminuição da reserva de água. A solução cooperativista foi buscar práticas que garantissem a preservação do meio ambiente e assim, a própria sustentabilidade do negócio. Com esse objetivo, em 2015, a Aurora implementou um sistema de gestão ambiental para melhorar a saúde do solo e aumentar a resiliência dos vinhedos.
As metas incluíam a redução dos riscos de erosão, a conservação da umidade e a melhoria da fertilidade e estrutura do solo. Em parceria com instituições de ensino e pesquisa, os cooperados receberam capacitação para aplicar as novas técnicas.
Nas áreas onde o manejo sustentável foi adotado, houve redução significativa do uso de herbicidas, melhoria da estrutura do solo e aumento da resiliência das videiras a eventos climáticos extremos. Mesmo durante as chuvas recordes registradas no Rio Grande do Sul em 2024, propriedades com cobertura vegetal apresentaram menor erosão e melhor retenção de água. O sucesso do projeto da Aurora também levou outros viticultores da região a adotar as práticas, ampliando o alcance das iniciativas sustentáveis.
Cooperação pela Mata Atlântica
No Sudeste do país, a diversidade também marca a paisagem: manguezais e restingas no litoral; áreas montanhosas e campos de altitude, além de importantes bacias hidrográficas. Mata Atlântica e Cerrado predominam na região, que também abriga áreas de Caatinga no norte mineiro. Todos eles têm o cooperativismo como um aliado no seu desenvolvimento econômico e ambiental.
A Mata Atlântica em Minas Gerais vivenciou diferentes ciclos produtivos: café, pecuária e indústria. Essa exploração levou o estado a conservar apenas 10% da cobertura vegetal original. Em Juiz de Fora, o Sicoob Coopemata está fazendo a sua parte para preservar o que sobrou do bioma e conseguiu recompor quase 9 mil metros quadrados de Mata Atlântica com a mobilização de seus cooperados.
Por meio de uma parceria entre a cooperativa e a associação responsável pela Reserva Santuário, área de 920 mil metros quadrados utilizados para pesquisa, ensino e recepção de animais silvestres resgatados, surgiu a ideia da campanha Adote uma Árvore.
O projeto nasceu de um conceito essencial do coop: juntos, somos mais fortes. Cada cooperado contribuiu com R$ 195, aportados em suas contas capitais, para financiar o projeto. Com os valores arrecadados, a cooperativa investiu R$ 133,6 mil no plantio e manutenção das árvores. O esforço resultou em 2,2 mil novas árvores, que contribuíram para a recuperação do solo e da vegetação de 8,9 mil m2 de áreas degradadas inseridas na Reserva Santuário. Com a ação, também foram neutralizados o equivalente a 43 toneladas de gases do efeito estufa, que agravam as mudanças do clima.
Ciência para transformar o Cerrado
Cerrado e Pantanal, biomas com paisagens exuberantes e enorme diversidade de fauna e flora, são os dois principais no Centro-Oeste do país. A região também é conhecida por uma atividade agropecuária pujante e que cada vez mais busca alinhar-se com práticas sustentáveis em seus negócios.
No Mato Grosso do Sul, produtores da Cooperativa Agropecuária São Gabriel do Oeste (Cooasgo) estão à frente de um projeto inovador na cadeia de suinocultura. Iniciado em 2025, o projeto de Suinocultura de Baixo Carbono une ciência, gestão ambiental, tecnologia e capacitação para transformar os dejetos da produção em biofertilizantes.
A iniciativa é uma parceria da cooperativa com a Cargill Nutrição e Saúde Animal, o Instituto BioSistêmico (IBS) e a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). A partir de parâmetros rigorosos de conformidade ambiental, as equipes estão estudando os melhores caminhos para o tratamento de resíduos, buscando também a redução de custos, reaproveitamento de nutrientes e potencial de geração de biogás e metano a partir dos dejetos dos animais.
Segundo o diretor da Cooasgo, Élcio Cação, é cada vez maior o interesse dos produtores e da indústria em projetos que reduzem o impacto da atividade agropecuária. “Esse tipo de iniciativa gera um ganho ambiental na cadeia produtiva como um todo”. A longo prazo, umas das metas é usar a produção de biogás na suinocultura para gerar créditos de carbono. A experiência poderá abrir um novo horizonte de oportunidades para os produtores e cooperativas do ramo.
Fundada em 1993, a COOASGO conta com mais de 1 mil cooperados e aproximadamente 460 colaboradores. Cerca de 60 propriedades já participam do projeto, que dá seus primeiros passos para transformar a realidade dos produtores e gerar impactos ambientais positivos para o meio ambiente no cerrado mato grossense.
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28/05/2026
Marca unificada fortalece voz global das cooperativas, afirma diretora da ACI
Seja em uma pequena comunidade rural na Índia, em uma cidade movimentada no Japão, em um mercado na Espanha ou em uma instituição financeira no Canadá, há um símbolo capaz de atravessar fronteiras e ser reconhecido instantaneamente: a palavra “coop”, marcada pelos dois “o” entrelaçados. Mais do que um logotipo, a marca representa conexão, pertencimento e a força do cooperativismo, um movimento que reúne 1 bilhão de pessoas em todo o mundo.
Desenvolvida pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI) em 2013 e adotada globalmente, a marca tem sido estratégica para ampliar a presença e a relevância do setor em um ambiente cada vez mais competitivo, especialmente no meio digital.
A avaliação é da diretora de Comunicação da ACI, Leire Luengo Eslava. Com mais de 15 anos de experiência em entidades europeias e globais, coordenando estratégias em mais de 100 países, ela avalia a comunicação como uma ferramenta de influência política e transformação institucional, não apenas de divulgação.
“A marca cooperativa visa fortalecer a unidade, a visibilidade e a reputação das cooperativas como uma força mundial para empreendimentos sustentáveis e democráticos”, afirmou, em entrevista exclusiva ao Sistema OCB.
Para Leire, o debate sobre branding (gestão estratégica de marca) não se limita a escolhas visuais e vai além: é uma declaração coletiva de propósito. Segundo ela, um sistema de identidade unificado contribui para ampliar o reconhecimento internacional do cooperativismo, além de posicioná-lo de forma mais clara diante de parceiros comerciais e formuladores de políticas públicas.
Leia a entrevista completa:
Sistema OCB: O que a marca coop representa para o público e para o próprio movimento?
Leire Luengo: A marca cooperativa, lançada em 2013, foi desenhada para ser o símbolo de uma identidade visual global. "coop" é quem somos e expressa nosso propósito. Os "os" entrelaçados no design simbolizam, justamente, o trabalho em conjunto. O objetivo é fortalecer a unidade e a reputação do modelo cooperativista como uma força mundial de negócios sustentáveis e democráticos. É uma marca que pertence a todos nós.
Como foi o processo de criação dessa identidade?
Colaborativo e global. A marca foi desenvolvida pela cooperativa de trabalho Calverts, com apoio da Guerrini Island Design, mas fundamentada no feedback de cooperados de todo o mundo. Realizamos a Pesquisa de Identidade Global Cooperativa, que reuniu mais de mil opiniões de 86 países. Perguntamos às pessoas sobre cores e o significado de ser uma cooperativa. O resultado alimentou o processo de design que produziu a marca final, a paleta de cores e o slogan com os quais todas as cooperativas podem se alinhar e que as diferenciam de outras formas de negócio.
Quem pode usar a marca?
A marca cooperativa é utilizada por cooperativas ao redor do mundo como um logotipo visual em apoio ao movimento cooperativo. É utilizada como um selo da comunidade cooperativa, juntamente com a identidade de marca própria de cada instituição. A marca pode ser usada em aplicativos móveis, sites, newsletters, assinaturas de e-mail, publicações, promoções, embalagens, mercadorias e sinalização.
Quais são os benefícios de um branding internacional unificado?
A unidade fortalece a influência coletiva e o reconhecimento público. Imagine o impacto de visibilidade se cada um dos 1 bilhão de cooperados globais usasse um e-mail com domínio .coop ou a marca em suas assinaturas. Branding não é sobre controle ou uniformidade, mas sobre credibilidade, reconhecimento e pertencimento emocional a uma comunidade compartilhada. Um branding fragmentado enfraquece nosso impacto; já o unificado permite um posicionamento mais claro no mercado e reduz a duplicação de esforços. O uso do .coop, por exemplo, é um ativo estratégico que reforça a confiança no ambiente digital sem restringir a diversidade de cada cooperativa.
Qual é o papel do domínio .coop nesse contexto?
A DotCooperation (.coop) é um ativo estratégico único da Aliança Cooperativa Internacional para esse esforço. É uma expressão digital global da identidade cooperativa, uma marca de confiança no mercado on-line e um sinal visível de pertencimento ao movimento cooperativo. A DotCooperation reforça a coerência da marca entre regiões e setores, o reconhecimento em ambientes digitais e o posicionamento das cooperativas como atores de mercado críveis e sérios. O uso do .coop fortalece a unidade sem restringir a diversidade.
Do coop ao SomosCoop
No Brasil, a marca coop ganhou novas cores e sentido. Em um processo iniciado em 2013, o objetivo do Sistema OCB era integrar a identidade global sem perder características nacionais e mostrar a força de um modelo que impacta 25,8 milhões de pessoas no país. Em 2018, após uma série de estudos de branding, o resultado foi a união da palavra Somos – que reforça o senso de pertencimento – ao coop da ACI e à bandeira do Brasil, formando um conjunto harmônico e representativo do movimento cooperativista no país.
Com a marca definida, a Casa do Cooperativismo lançou o carimbo SomosCoop, que identifica os produtos e serviços das cooperativas brasileiras em embalagens, materiais de comunicação, canais digitais, fachadas e outros espaços. “O carimbo SomosCoop é uma forma de ajudar o consumidor a
fazer escolhas conscientes. Onde tem o carimbo SomosCoop tem trabalho justo, geração de renda, impacto social e desenvolvimento sustentável”, explica a gerente de Comunicação e Marketing do Sistema OCB, Samara Araujo.
Além do carimbo, a identidade visual das soluções do Sistema OCB para as cooperativas – AvaliaCoop, CapacitaCoop, CulturaCoop, ESGCoop, InovaCoop, NegóciosCoop, RepresentaCoop e SouCoop – também trazem a marca da ACI integrada ao logo, garantido a identificação imediata com o movimento global.
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21/05/2026
Diagnósticos impulsionam resultados e fortalecem cultura cooperativista
Em um cenário global em que as decisões de negócios são cada vez mais orientadas por dados, as cooperativas brasileiras contam com uma solução estratégica de inteligência de mercado: o AvaliaCoop. Com diagnósticos, suporte técnico e planos de melhoria contínua, a iniciativa ajuda as cooperativas a identificar riscos e oportunidades, aperfeiçoar processos e fortalecer a cultura cooperativista.
Atualmente, o AvaliaCoop contempla os diagnósticos Identidade; Governança e Gestão; ESG; Desempenho; e Negócios. Em breve, o portfólio será ampliado com os diagnósticos de Inovação e de Saúde e Bem-Estar, que estão em fase de desenvolvimento.
“O AvaliaCoop é como uma bússola estratégica, ajudando o Sistema OCB e as cooperativas a tomarem decisões baseadas em evidências. Os diagnósticos permitem analisar o nível de maturidade das cooperativas, identificar o nível de aderência ao modelo cooperativista e os resultados alcançados e, assim, apoiar a evolução do setor de forma estruturada, orientativa e contínua”, explica Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB.
Foi o que aconteceu na Unimed Vale do São Francisco, de Pernambuco. Com 34 anos de atuação e mais de 500 cooperados, a cooperativa de saúde participa há 10 anos do Diagnóstico Governança e Gestão (antigo PDGC). Segundo a assessora na área de Gestão de Relacionamento com Cooperados, Luzivanda Ferraz, as decisões tomadas com base nos indicadores do programa, como a capacitação de gestores, têm dado resultados positivos.
“O AvaliaCoop trouxe benefícios estruturantes e sustentáveis, impactando diretamente cooperados, colaboradores e beneficiários. A capacitação elevou significativamente o desempenho da cooperativa em âmbito local, promovendo a profissionalização da gestão, visão sistêmica e foco em resultados sustentáveis, fortalecendo sua competitividade e posicionamento no mercado”, afirma.
O caminho de aperfeiçoamento foi longo, segundo Luzivanda, e começou na categoria “Primeiros Passos” em um processo contínuo que levou a coop à etapa “Caminhos para a Excelência”. Ao longo dessa aprendizagem, a cooperativa contou com o apoio especializado do Sistema OCB, que permitiu aprofundar a análise dos processos internos, identificar oportunidades de melhoria e estruturar planos de ação mais assertivos. “O suporte técnico proporcionou maior direcionamento estratégico, contribuindo diretamente para o fortalecimento da governança, dos processos internos e da performance organizacional”, analisa.
Para a assessora, a gestão baseada em dados na Unimed Vale do São Francisco fortalece a tomada de decisão, aumenta a eficiência operacional e assegura maior previsibilidade. Esse modelo, segundo ela, contribui diretamente para a transparência, permitindo que os cooperados tenham acesso claro aos resultados e participem de forma mais ativa.
“Buscamos promover o equilíbrio entre desempenho econômico, qualidade assistencial e responsabilidade social, garantindo um crescimento estruturado, consistente e sustentável. O AvaliaCoop nos ajudou a identificar pontos fortes e oportunidades de melhoria nas práticas de governança e gestão, promovendo a reflexão sobre as práticas adotadas por meio do processo de autoavaliação”.
Tendência no coop
Em 2025, o AvaliaCoop atingiu recordes de participação. Os diagnósticos Identidade e Governança e Gestão foram os mais procurados, com 898 e 1.527 cooperativas participantes, respectivamente. Outro destaque foi o diagnóstico Desempenho, que fechou o ano de 2025 com informações de 2.331 cooperativas.
O Diagnóstico de Governança e Gestão, por exemplo, é baseado no Modelo de Excelência da Gestão (MEG) e no Manual de Governança Cooperativa do Sistema OCB. Ele avalia as boas práticas de governança e gestão por meio da liderança, estratégias, processos, pessoas, resultados e instâncias de governança, incentivando a profissionalização e a melhoria contínua.
“Este é o diagnóstico mais antigo do AvaliaCoop, aplicado desde 2013, e amplamente reconhecido como uma ferramenta estratégica para o fortalecimento das práticas de governança, da gestão profissional e da tomada de decisão nas cooperativas”, destaca Débora Ingrisano.
Outro fator relevante para a alta adesão é o Prêmio SomosCoop Excelência em Gestão. Realizado também desde 2013, ele valoriza e reconhece as cooperativas que apresentam processos organizacionais estruturados, boas práticas de gestão e governança, transparência e foco em resultados, reforçando a cultura da excelência e da melhoria contínua. De acordo com a gerente, esse reconhecimento estimula as cooperativas a utilizarem o diagnóstico não apenas como instrumento de avaliação, mas como base para evolução e fortalecimento da confiança dos cooperados e da sociedade.
“A ampla maioria das cooperativas premiadas (89%) apresenta integração entre os diagnósticos de Governança e Gestão e Desempenho, reforçando a lógica de gestão sustentável, baseada em indicadores de processos e de resultados, e responsabilidade compartilhada”, ressalta.
Fortalecimento estratégico
A gerente do Sistema OCB destaca o papel do AvaliaCoop como uma ferramenta para garantir que o crescimento da cooperativa esteja alinhado aos valores, princípios e à identidade do coop, fortalecendo a cultura cooperativista.
A partir dos indicadores gerados nos diagnósticos, as cooperativas podem ampliar esse processo, investindo em educação cooperativista, promovendo a participação dos cooperados nas instâncias decisórias, aprimorando a comunicação e a transparência e integrando os princípios à estratégia e gestão do negócio.
“Além disso, garantir a sustentabilidade do negócio cooperativista também passa pela sucessão e formação de novas lideranças alinhadas aos valores do cooperativismo, garantindo continuidade e coerência”, afirma Débora Ingrisano.
Confira o passo a passo para participar do AvaliaCoop:
Adesão: a cooperativa é contactada ou entra em contato com a Organização Estadual (OCE). Juntas, definem a jornada Avaliacoop específica, identificando o diagnóstico mais adequado ao seu momento e necessidades.
Autoavaliação: após a adesão, a cooperativa preenche o questionário de autoavaliação correspondente ao diagnóstico escolhido, refletindo sobre suas práticas, processos e resultados.
Devolutiva estruturada: o sistema gera uma devolutiva automática, com indicadores, análises e identificação de pontos fortes e oportunidades de melhoria, respeitando o nível de maturidade da cooperativa.
Diagnóstico assistido: os diagnósticos Identidade e Governança e Gestão possuem uma modalidade de solução chamada “Diagnóstico Assistido”. Por meio dele, a cooperativa recebe uma consultoria especializada a fim de aprofundar as análises e compreensões acerca dos processos abordados em cada um dos diagnósticos.
Plano de melhoria: nessa fase, a OCE, em conjunto com a cooperativa, elabora um plano de melhoria com base nas lacunas e oportunidades de melhoria identificadas.
Acompanhamento: após a finalização do plano de melhoria, a cooperativa preenche novamente o diagnóstico de referência, com o objetivo de mapear os processos que avançaram e os que ainda precisam ser trabalhados em novos planos de melhoria.
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20/05/2026
Série Princípios do Coop: participação econômica gera ciclo virtuoso de desenvolvimento
“Sem o sentimento de dono por parte do cooperado, não existe cooperativa”. A afirmação do professor e pesquisador Gabriel Murad, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), resume a essência do terceiro princípio do cooperativismo: a participação econômica dos membros. Mais do que um conceito teórico, esse pilar garante que os cooperados contribuam para o desenvolvimento do negócio, acompanhem os resultados e participem das decisões sobre como os recursos serão utilizados.
A participação econômica começa na formação de capital, que permite ao associado ingressar na cooperativa e se tornar dono do empreendimento, assumindo direitos e deveres por meio da integralização. A outra vertente do terceiro princípio é direito às sobras, ou seja, à distribuição econômica dos resultados alcançados coletivamente.
Nesse ponto, segundo Murad, está outro grande diferencial das cooperativas: ao contrário das empresas tradicionais, esse retorno não é proporcional ao capital investido, mas à participação do cooperado nas operações. “Numa cooperativa, a forma de devolver o resultado para o associado acontece de forma justa. Como a coop não está trabalhando para acumular capital, mas para gerar resultado econômico para todos, uma parte dessas sobras vai para o fundo de reserva e a outra vai para o cooperado, que vai receber a sua participação nos resultados de acordo com o que ele trabalhou. Uma coop distribui o resultado pelo trabalho, não pelo capital”, explica o professor do curso de Gestão de Cooperativas da UFSM.
A origem do terceiro princípio está na Sociedade dos Pioneiros de Rochdale. Já naquela época, premissas como o juro limitado ao capital e a distribuição proporcional dos resultados orientavam o funcionamento da primeira cooperativa moderna. Essas diretrizes foram consolidadas na formulação atual do terceiro princípio – Participação econômica dos membros – durante a revisão realizada pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI) em 1995.
De acordo com o especialista, para que o terceiro princípio seja aplicado plenamente, a transparência é indispensável. O cooperado precisa acompanhar como os resultados são construídos, entender a destinação dos recursos – como os fundos de reserva e de ação social – e participar das decisões em assembleia. “O cooperado trabalha, gera resultado, acompanha todo o processo de como isso é feito, com clareza e apoio técnico, e depois decide-se de forma coletiva como esse recurso vai ser utilizado, seja devolvendo para o associado, seja reinvestindo na cooperativa ou apoiando a comunidade”, explica Murad.
Nesse contexto, a governança exerce um papel estratégico. Garantir regras claras, gestão profissional e uma relação próxima com o quadro social é essencial para que a distribuição dos resultados seja justa e gere impacto positivo para todos. “Quando falamos de gestão e governança, não se trata apenas do desempenho do negócio, mas da relação com o cooperado. Quanto mais satisfeito ele estiver, mais vai utilizar a cooperativa e ser fiel à ela, mais resultado é gerado e maior o retorno, em um ciclo positivo para todos”, analisa o pesquisador da UFSM.
Terceiro princípio na prática
Da Sicredi Região Centro RS/MG vem um exemplo prático de como a participação econômica fortalece o negócio e, ao mesmo tempo, gera benefícios diretos para os cooperados e para a comunidade. Em 2025, a instituição financeira cooperativa registrou resultado líquido de R$ 79 milhões e distribuiu mais de R$ 22 milhões entre seus 150 mil cooperados.
Segundo o presidente do Conselho de Administração da cooperativa, Pedro Ferreira, o terceiro princípio do cooperativismo promove um ciclo virtuoso. “Aqui o associado encontra investimentos e crédito com taxas justas e competitivas, além de mais de 300 soluções que geram renda e fazem o dinheiro circular na região, fortalecendo o negócio de cada cooperado. No aspecto social, quando o associado trabalha junto com a cooperativa, ajuda a gerar resultados que permitem desenvolver programas sociais locais que beneficiam diretamente a comunidade”, afirma.
Com sede em Santa Maria (RS) e atuação em mais 34 municípios do Rio Grande do Sul e Minas Gerais, a Sicredi Região Centro RS/MG foi fundada em 1914 e é considerada a quarta cooperativa de crédito mais antiga da América Latina. De acordo com Ferreira, a continuidade e solidez dos negócios está diretamente relacionada ao sentimento de pertencimento e de responsabilidade coletiva dos cooperados.
Na cooperativa gaúcha, o terceiro princípio se materializa por meio de diferentes formas de participação econômica, que vão além da integralização da cota-capital. “Todos os anos realizamos o pagamento de juros sobre o capital do associado e também a distribuição das sobras após as destinações legais e estatutárias. Diferentemente dos juros, essa distribuição é proporcional ao uso dos produtos e serviços que o associado utiliza na cooperativa”, explica o dirigente.
Esse modelo faz com que a Sicredi Região Centro RS/MG se torne também uma geradora de renda nas comunidades onde atua. Ao compartilhar resultados com os associados, os recursos permanecem na região, movimentam a economia local e criam novas oportunidades de trabalho e investimento. Com isso, o terceiro princípio também gera um efeito multiplicador: a participação do cooperado fortalece a cooperativa, que, por sua vez, gera mais resultados, distribui benefícios e amplia o desenvolvimento econômico e social.
“O aumento do patrimônio traz solidez e proporciona à cooperativa condições de atender as necessidades dos seus associados para desenvolverem suas atividades econômicas, assegurando que os benefícios financeiros voltem para as pessoas que utilizam a cooperativa, fortalecendo a economia local”, ressalta Ferreira.
Saiba mais sobre os princípios cooperativistas nos cursos disponíveis na plataforma CapacitaCoop e na websérie Bora Entender.
Leia as matérias da série especial Princípios do Cooperativismo, sobre Adesão livre e voluntária e Gestão democrática.
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19/05/2026
Cooperativas impulsionam trabalho, renda e oportunidades no Brasil
O taxista Alan Câmara não lembra exatamente o dia em que se apaixonou pelo trabalho, mas sabe bem onde isso aconteceu: dentro de uma cooperativa. Tudo começou em 1997, logo após tirar a carteira de motorista, quando o pai, com quem divide a mesma profissão, o levou para a cooperativa Táxi União, de São Luís (MA). Assim como outros milhões de brasileiros, ele encontrou no cooperativismo uma forma de trabalhar com dignidade, garantir renda justa e crescer ao lado de pessoas que compartilham os mesmos valores.
Ao longo de quase 30 anos, Câmara trabalhou em outras áreas, mas sempre voltava ao táxi. Formado em educação física, por um tempo se dividia entre as aulas e as viagens com passageiros, mas no momento em que o setor passou por seu maior desafio – com a chegada dos aplicativos de transporte – fez sua escolha definitiva. Nessa época, decidiu se dedicar à gestão cooperativista e fortalecer a Táxi União para apoiar outros motoristas como ele a se manter no mercado de trabalho.
“A chegada dos aplicativos não teve tanto impacto na nossa cooperativa e a explicação está na essência do modelo do cooperativismo. A categoria de motorista tem um piso salarial muito abaixo e aqui a gente tem liberdade de empreender. De certa forma, o cooperativismo promove uma justiça social”, avalia o hoje diretor da Táxi União.
A cooperativa, que antes atendia apenas passageiros avulsos, passou a fechar contratos com empresas, garantindo renda estável para os cooperados e gerando oportunidades para novos profissionais. “O coop abre portas para pessoas que, muitas vezes, não enxergavam possibilidade nenhuma de trabalho, mostra um novo caminho”.
O gestor também fala com orgulho das famílias que cresceram junto com a Táxi União, de pais que transmitiram o ofício aos filhos e de profissionais que encontraram ali estabilidade em meio às incertezas do setor. “O cooperativismo é um porto seguro. Mesmo quem tem outra formação ou já tentou outros caminhos acaba voltando, porque aqui encontra segurança e perspectiva”, afirma.
Valorização profissional
Essa sensação de segurança e pertencimento não é exclusiva da cooperativa maranhense de transporte. No Rio de Janeiro, a especialista em Gestão de Projetos em TI Daiane Alves, diretora-presidente da cooperativa LibreCode, viveu algo semelhante ao ver profissionais qualificados, antes invisibilizados pelo mercado tradicional, recuperarem a dignidade no trabalho cooperativo. Na cooperativa digital de tecnologia da informação, ela conta que a relação entre os cooperados é construída no dia a dia, com proximidade, transparência e corresponsabilidade.
“A gente não enxerga pessoas como recursos, mas como parte da construção da cooperativa. Os cooperados têm voz, participam das estratégias e compartilham não só os resultados, mas também as responsabilidades”, explica.
Para Daiane, estar e trabalhar no cooperativismo é assumir o protagonismo da própria trajetória. “É um modelo onde sua voz é ouvida, onde as decisões são construídas coletivamente e onde o resultado não pertence a uma estrutura distante, mas às pessoas que constroem o dia a dia da organização”, afirma.
Além do ambiente de trabalho colaborativo e da gestão democrática, a gestora também destaca outro diferencial das cooperativas: o cuidado com as pessoas, principalmente em momentos de adversidade. Daiane recorda quando a LibreCode se mobilizou para apoiar um cooperado que perdeu tudo durante as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024. A resposta não foi apenas operacional, mas uma mobilização coletiva para ajudar alguém a reconstruir a vida.
“O cooperativismo não se limita ao trabalho. Ele é uma rede de cuidado e responsabilidade compartilhada. Quando me lembro dessa experiência, fica claro que a transformação vem da forma como as pessoas se reerguem, se reconhecem e caminham juntas”.
Trabalho cooperativo
As histórias de Alan e Daiane fazem parte de um movimento bem maior. As cooperativas brasileiras reúnem 25,8 milhões de cooperados, com muitas histórias de motoristas, analistas de sistemas, produtores rurais, professores, médicos e outros profissionais que se juntaram para empreender coletivamente e trabalhar com mais segurança e perspectivas.
Além disso, o setor emprega 578.035 pessoas em todo o país, segundo dados do AnuárioCoop 2025, número que vem crescendo de forma sustentada ao longo dos anos. “O cooperativismo é um modelo de negócios que demonstra constante capacidade de geração de empregos no Brasil, contribuindo de forma expressiva para a economia e o desenvolvimento social. Em um cenário de constantes desafios econômicos e mudanças no mercado de trabalho, as cooperativas têm se destacado por sua resiliência e capacidade de criar oportunidades de trabalho nos seus diversos ramos”, avalia a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella.
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07/05/2026
Cooperativas de transporte avançam como alternativa à crise do setor
Mais de 60% de tudo que é transportado no Brasil passa por rodovias, um trabalho realizado, em grande parte, por pequenos operadores. Nesse cenário, as 752 cooperativas de transporte em atividade no país têm ampliado sua atuação ao oferecer organização, escala e melhores condições de trabalho para motoristas autônomos e microempreendedores.
Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) indicam a existência de quase 1 milhão de transportadores autônomos e mais de 270 mil pequenas empresas no setor – um mercado ainda fragmentado e com forte presença de intermediários. Para o coordenador nacional do Conselho Consultivo do Ramo Transporte do Sistema OCB e presidente da Confederação Nacional das Cooperativas de Transporte de Passageiros e Cargas (CNTCoop), Evaldo Moreira Matos, esse contexto abre espaço para o avanço do cooperativismo.
“As cooperativas de transporte têm muito potencial de crescimento. Ao fortalecer sua identidade, investir em profissionalização e fortalecer a gestão, o setor pode ganhar competitividade e atrair um mercado que hoje ainda é dominado por atravessadores”, destaca.
Cooperação e resultados
Seja no transporte de cargas ou passageiros, em moto, táxi, van, ônibus ou caminhão, o cooperativismo é um bom negócio para o transportador, ao oferecer melhores condições de trabalho e oportunidades. Elas reúnem 114.878 cooperados e geram 5.774 empregos. Um dos diferenciais, segundo Matos, é a qualidade da frota. Hoje, as cooperativas operam com veículos com média de 7 a 8 anos, bem abaixo do patamar nacional, que supera duas décadas – o que contribui para mais segurança e eficiência.
Ao mesmo tempo, o cooperativismo também tem respostas para desafios estruturais do setor. O crescimento acelerado do e-commerce nos últimos anos foi acompanhado de uma redução da mão de obra transportadora, com menos 20% de profissionais em uma década, segundo análise da consultoria Ilos com base em dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), o que levou a um descompasso no segmento. Diante desse cenário, as cooperativas de transporte se apresentam como alternativa para reduzir a precarização e manter profissionais no mercado. A organização coletiva facilita o acesso a crédito, melhora as condições de negociação e amplia a previsibilidade de trabalho – fatores que contribuem para a permanência dos transportadores na atividade.
“Esse é o momento para que o cooperativismo de transporte se sobressaia. Estamos em um cenário de crise, em que o transportador autônomo não tem acesso a crédito e não tem perspectivas de melhoria. O cooperativismo é a bandeira que temos que levantar agora para a organização desses profissionais”, analisa Matos.
Além da valorização dos cooperados, que são donos do negócios, as cooperativas de transporte também atuam de forma coordenada em iniciativas como compras coletivas de seguros, pneus e combustíveis, que têm gerado ganhos de escala e redução de custos operacionais. Este ano, segundo Matos, outro projeto com base na atuação conjunta do setor está em andamento: a criação de uma plataforma nacional de fretes para conectar cooperativas e reduzir o quilômetro vazio (quando os caminhões retornam sem carga).
“Com mais de duas décadas de atuação, o Ramo Transporte tem acompanhado as transformações e os desafios do setor no Brasil e atua, por meio da escuta da base e do diálogo institucional, para fortalecer os cooperados diante de mudanças regulatórias, tecnológicas e de mercado”, analisa a gerente-geral do Sistema OCB, Clara Maffia.
Atuação em rede
Segundo Evaldo Matos, uma das chaves para o crescimento do transporte cooperativo está no sexto princípio do movimento: a intercooperação. Atualmente, 51% das cooperativas de transporte fazem negócios com cooperativas financeiras; 17% utilizam serviços e planos de cooperativas de saúde e 6% adquirem produtos ou serviços de cooperativas de trabalho, segundo dados do AnuárioCoop 2025.
Esse potencial de articulação ainda pode avançar. Como exemplo, o coordenador cita um projeto desenvolvido entre a Coopmetro – da qual é diretor –, Aurora Coop e Sicoob. “Renovamos uma frota inteira para profissionais que não tinham acesso a crédito. O Sicoob ofereceu o recurso, a Aurora garantiu o serviço, e a Coopmetro viabilizou a compra dos veículos. Depois disso, vieram outras parcerias e já ultrapassamos 300 caminhões adquiridos nesse formato”, conta.
Sustentabilidade
A agenda ambiental também está entre as prioridades do ramo. Em diferentes frentes de atuação, as cooperativas de transporte têm investido na renovação de frota, no uso de combustíveis menos poluentes e em soluções de eficiência energética. Em alguns casos, já há iniciativas de geração própria de energia, como usinas fotovoltaicas, que reduzem custos e impactos ambientais.
“O Sistema OCB oferece soluções para apoiar as cooperativas na elaboração de inventários de emissões de gases de efeito estufa, preparando o setor para reduzir seu impacto climático e atender às novas exigências do mercado regulado de carbono, que devem entrar em vigor em 2028”, explica Clara Maffia.
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07/05/2026
Campanha Escolha o Coop mobiliza cooperativas com criatividade
A mensagem é simples e direta: Escolha Consciente, Escolha o Coop. Com esse mote, a campanha SomosCoop 2026 tem ganhado espaço na TV, nas redes sociais e já é realidade em supermercados em várias partes do Brasil, apresentando os produtos e serviços cooperativistas como a melhor opção para consumir de forma sustentável. Protagonistas da campanha, cooperativas de todos os ramos têm desenvolvido ações criativas e ampliado o impacto das ações desenvolvidas pelo Sistema OCB.
No digital, um dos destaques foi a divulgação da campanha no programa Mais Você, da TV Globo. Em uma conversa descontraída com o público, a apresentadora Ana Maria Braga mostrou diversas opções de produtos de cooperativas e destacou que compras do dia a dia podem gerar grandes impactos. “Cada escolha que a gente faz também é uma forma de dizer que tipo de Brasil a gente quer incentivar: um Brasil melhor, mais justo e construído com cooperação”, disse.
Este ano, além de TV, rádio e conteúdos na internet, a campanha está nos pontos de venda, apresentando os produtos cooperativistas e seus diferenciais aos consumidores no momento da compra. Em Pará de Minas (MG), a Cooperativa dos Granjeiros do Oeste de Minas (Cogran) foi uma das primeiras do país a aderir à campanha em seu espaço físico, ainda na primeira semana do lançamento, em março. A coop estampou o convite “Escolha Consciente, Escolha o Coop” em displays, vitrines e refrigeradores de sua loja modelo.
“O ponto de venda é decisivo na jornada de compra e tem grande potencial de influência. Quando o consumidor identifica claramente um produto cooperativo, ele passa a considerar não apenas preço, mas também origem e propósito”, destaca o gerente de Marketing e Trade da Cogran, Davidson Lisboa.
Além da ativação na loja, a cooperativa mineira incorporou as peças de comunicação da campanha de forma estratégica em suas redes sociais e pretende ampliar gradualmente a divulgação, tanto nos pontos de venda quanto em outros canais, fortalecendo a consistência da mensagem e aumentando o alcance junto ao consumidor. Segundo Lisboa, o pioneirismo na implementação da campanha Escolha o Coop já está trazendo resultados concretos. “Percebemos ganhos em visibilidade e diferenciação no ponto de venda, além de maior alinhamento entre marca, propósito e execução. Esse movimento contribui para fortalecer a construção de valor a longo prazo”, afirma.
O gerente acrescenta que o engajamento das cooperativas é fundamental para dar escala e consistência à mensagem do cooperativismo como um caminho para escolhas conscientes. “Quando diferentes coops atuam de forma integrada, conseguimos ampliar a visibilidade do modelo, fortalecer a percepção de valor junto ao consumidor e gerar impacto real na preferência de compra”.
Novas gerações engajadas
No Espírito Santo, a Cooperativa Educacional de São Gabriel da Palha (Coopesg) reuniu pequenos estudantes em um vídeo em que dizem bem alto: “Escolha o Coop!” A gravação encantou os seguidores e teve boa repercussão nas redes sociais da cooperativa capixaba.
A secretária escolar Daiane de Almeida ressalta que a ideia principal é destacar que a Escola Coopesg é uma cooperativa educacional, pois nem todos compreendem isso de forma clara. Por isso, além da divulgação da campanha SomosCoop 2026, a instituição destaca esse diferencial em outras postagens e utiliza o carimbo SomosCoop desde a sua criação. “É uma maneira bonita de deixar evidente que somos uma cooperativa e que temos orgulho disso”.
Entre os diferenciais da coop escolar estão aulas sobre cooperativismo e empreendedorismo e a participação dos estudantes em cooperativas mirins, iniciativas que mostram, desde cedo, que a cooperação é uma escolha consciente. Para destacar esses e outros benefícios da escola, a Coopesg vai seguir engajada na campanha, segundo Daiane Almeida, que convida outras cooperativas do país a fazerem o mesmo. “Precisamos, juntos, cooperar de verdade e usar a nossa voz, principalmente por meio das redes sociais, que hoje são uma das principais formas de comunicação. É fundamental falar cada vez mais sobre a importância do cooperativismo e conscientizar sobre esse movimento tão bonito”.
Gincana coop
Além da divulgação tradicional, com inserções publicitárias, conteúdos digitais com influenciadores e comunicação visual nos pontos de venda, a campanha Escolha o coop também tem inspirado ações inovadoras de valorização dos produtos e serviços das cooperativas.
Em Sarandi, no Rio Grande do Sul, uma atividade interativa realizada em um dos supermercados da Cotrisal reuniu estudantes do curso de Tecnólogo em Gestão de Cooperativas do Centro de Ensino Superior Riograndense (Cesurg) em uma caça ao carimbo SomosCoop. Em um desafio com oito etapas, eles precisavam identificar o maior número possível de produtos com o carimbo SomosCoop nas gôndolas.
Ao final, eles conseguiram encontrar mais de 100 produtos de diferentes segmentos, produzidos por 15 cooperativas brasileiras. “A ideia foi despertar o consumo consciente e o reconhecimento do valor social por trás de cada marca. A parceria une universidade e mercado, permitindo que os alunos visualizem a intercooperação na prática. É a educação servindo de ponte para que o futuro gestor compreenda a força do sistema no dia a dia do consumidor”, explica a professora Larissa Zambiasi, responsável pela atividade e docente da disciplina Mercado Cooperativo.
Segundo ela, o impacto da ação entre os estudantes foi imediato. “O comentário mais comum foi: 'Nunca mais entrarei em um mercado da mesma forma'. Na busca pelo carimbo SomosCoop, o olhar passa a ser de busca ativa pelo propósito e pela origem do que consomem. Quando a juventude abraça esse movimento, o cooperativismo deixa de ser apenas um modelo econômico e se consolida como um estilo de vida que transforma comunidades”, afirma a professora.
Para a Cotrisal, a gincana foi mais uma oportunidade de integração com a comunidade e de mostrar que os supermercados oferecem muitas opções de produtos que valorizam o consumo com propósito e geram impacto social. “Esse tipo de iniciativa cria identidade com o consumidor na medida em que ele percebe que o leite que ele consome, por exemplo, está sendo produzido por uma família de agricultores”, ressaltou a assessora de Comunicação Institucional da cooperativa, Silvana Lima.
A cooperativa gaúcha aderiu ao carimbo SomosCoop há seis anos e tem reforçado o uso da marca, principalmente em suas operações de varejo. Segundo Silvana, o objetivo é transformar o selo em um “ativo de identidade coletiva”, ampliando o reconhecimento do cooperativismo de forma estratégica.
“Nenhuma cooperativa, isoladamente, tem o alcance necessário para construir reconhecimento nacional. Quando centenas de organizações comunicam a mesma identidade, o efeito é exponencial. O selo só funciona se for massivo. Em um ambiente cada vez mais competitivo, o modelo cooperativo tem diferenciais reais – participação, democracia, retorno ao associado. O carimbo SomosCoop traduz esses valores em linguagem visual reconhecível, ajudando o consumidor a identificar e preferir cooperativas”, pondera.
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16/04/2026
Legado do Ano Internacional das Cooperativas
O legado de um ano histórico para o cooperativismo
Notícias saber cooperar
15/04/2026
Símbolos do coop reforçam identidade e cultura cooperativista
O cooperativismo é um movimento feito de histórias e identidades. Hoje, ele movimenta a economia global com mais de 3 milhões de cooperativas e 1 bilhão de cooperados ao redor do mundo, segundo a Aliança Cooperativa Internacional (ACI). No Brasil, de acordo com o Anuário do Cooperativismo Brasileiro, o setor não para de crescer e reúne cerca de 25,8 milhões de pessoas que acreditam em um modelo de negócio mais justo. Mas você já parou para pensar no significado das imagens que representam essa força? Do tradicional pinheiro à moderna marca “Coop”, cada símbolo do cooperativismo carrega um legado de união e transformação e ajuda a consolidar a cultura cooperativista.
Por trás da identidade atual, há uma trajetória construída a partir de raízes profundas, iniciada com o simples desenho de dois pinheiros e que evoluiu até representar, visualmente, o cooperativismo em escala global. Ao longo do tempo, diferentes ícones foram adotados para traduzir seus princípios e valores: alguns ganharam força em contextos locais, enquanto outros contribuíram para consolidar uma identidade compartilhada, funcionando como uma linguagem comum capaz de conectar cooperativas de diferentes regiões e reforçar o senso de pertencimento.
Força que vem da natureza
A imagem de dois pinheiros envoltos por um círculo é, possivelmente, o símbolo do cooperativismo mais reconhecido, especialmente na América Latina. No Brasil, foi adotado oficialmente em 1969 pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e se consolidou como a principal representação das cooperativas no país.
A escolha do pinheiro está ligada às características da árvore: sua perenidade e capacidade de crescer em diferentes solos simboliza a perseverança. Os dois juntos representam a união, enquanto o círculo reforça a ideia de continuidade e de um movimento sem início nem fim.
Para a gerente de Comunicação e Marketing do Sistema OCB, Samara Araujo, a marca foi fundamental para construir uma identidade cooperativista nacional que até hoje faz parte do imaginário sobre o setor.
“É um símbolo que, por muitos anos, foi sinônimo do cooperativismo no Brasil e tem um lugar afetivo na memória de milhões de pessoas. Faz parte da cultura cooperativista, ao traduzir, de forma simples e reconhecível, os valores de união, participação e coletividade que sustentam o coop ao longo de sua história”.
Da diversidade à unidade
Ao redor do mundo, o cooperativismo já foi representado de várias formas: de colmeias a pombas da paz. Mas foi a bandeira do arco-íris, adotada em 1924 pela ACI, que se tornou um marco global. A ideia veio do cooperativista francês Charles Gide, que enxergava nas sete cores a representação da união na diversidade.
Em 2001, essa identidade visual passou por uma atualização. O novo logotipo incorporou pombas que emergem do arco-íris, reforçando a mensagem de que a cooperação está diretamente associada à construção da paz e de relações mais equilibradas e justas na sociedade.
No entanto, identificar produtos de cooperativas em diferentes países estava se tornando um desafio diante da diversidade de símbolos regionais. Por isso, em 2013, a ACI lançou a marca global “Coop”, com duas letras “o” entrelaçadas como elos, representando os vínculos entre cooperados e a força das conexões do movimento.
Na época do lançamento, a então presidente da ACI, Dame Pauline Green, afirmou que a proposta era estabelecer uma identidade visual única, capaz de fortalecer a cultura cooperativista e viabilizar o reconhecimento do cooperativismo em qualquer lugar do mundo.
“Esta logomarca chegou em um momento em que o cooperativismo mundial clamava por uma identidade única. Acreditamos, realmente, que qualquer pessoa ao redor do mundo reconhecerá o cooperativismo quando vir este símbolo. Agora, teremos uma logomarca que, espero, nos represente ao redor do mundo pelos próximos anos”, explicou.
Coop verde e amarelo
No Brasil, essa inspiração internacional deu origem ao Movimento SomosCoop, desenvolvido pelo Sistema OCB. O processo começou a ganhar forma a partir de 2013, com análises para integrar essa identidade global sem perder características nacionais.
Em 2018, após uma série de estudos de branding, o resultado foi a união da palavra Somos – que reforça o senso de pertencimento – ao Coop da ACI e à bandeira do Brasil, formando um conjunto harmônico e representativo do movimento cooperativista no país.
Com a marca definida, o Sistema OCB lançou o carimbo SomosCoop, que identifica os produtos e serviços das cooperativas em embalagens, materiais de comunicação, canais digitais, fachadas e outros espaços.
“O carimbo SomosCoop tem se consolidado como uma ferramenta estratégica de cultura cooperativista e de informação. É uma forma de ajudar o consumidor a fazer escolhas conscientes, porque cada compra feita de uma cooperativa retorna em forma de emprego, renda e benefícios para a comunidade. Onde tem o carimbo SomosCoop tem trabalho coletivo, impacto social e desenvolvimento sustentável”, explica Samara Araujo.
Saiba mais sobre os símbolos do cooperativismo no vídeo da série "Por dentro do coop":
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07/04/2026
Dia Mundial da Saúde: cooperativas são protagonistas em atendimento e resultados
Um em cada quatro brasileiros com plano de saúde confia no cooperativismo na hora de escolher esse serviço essencial. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 88,4 milhões de pessoas em todo o país têm acesso à assistência privada, médica ou odontológica. Desse total, 24,3 milhões estão associadas a cooperativas de saúde. Os números evidenciam a relevância do cooperativismo para o sistema de saúde brasileiro, ampliando o acesso e promovendo um cuidado centrado nas pessoas. No Dia Mundial da Saúde (7/04), o segmento reforça seu papel na construção de um modelo mais acessível, humanizado e sustentável.
Presença nacional
O ramo saúde reúne 699 cooperativas, presentes em mais de 90% do território brasileiro. Elas são formadas por médicos, odontólogos, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais da área de atenção à saúde humana. O segmento reúne 270 mil cooperados, entre eles 20% dos médicos do país (116 mil), e gera 150 mil empregos, segundo dados do AnuárioCoop 2025. Em 2024, as cooperativas de saúde movimentaram R$123,7 bilhões e atingiram R$75,9 bilhões em ativos.
Referência global
Os maiores grupos cooperativistas de saúde do mundo são brasileiros: os Sistemas Unimed e Uniodonto. De acordo com o ranking Cooperative Monitor 2025, organizado pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI), a Unimed está entre as quatro maiores cooperativas do planeta, considerando a relação entre receitas e Produto Interno Bruto (PIB) per capita dos países. O resultado coloca o Brasil como referência para países que desejam avançar no segmento de saúde por meio do modelo de negócios cooperativo.
Diferenciais cooperativistas
Com enfoque no atendimento humanizado, na valorização dos profissionais e na prestação de serviços de qualidade para a sociedade, as cooperativas de saúde são reconhecidas por sua atuação. Das 18 operadoras médico-hospitalares com nota máxima no Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS) 2024, da ANS, 16 são cooperativas, totalizando 89% de participação e consolidando o cooperativismo como um modelo de qualidade e inovação no setor de saúde suplementar. Na atenção odontológica, 95% das operadoras mais bem avaliadas pela ANS pertencem ao Sistema Uniodonto.
História e desafios
Criado há 60 anos, o ramo saúde tem acompanhado a evolução do segmento e da sociedade brasileira. “As cooperativas de saúde surgiram como uma reação ao modelo de medicina/odontologia de grupo, buscando a valorização da relação profissional-paciente”, lembra o coordenador de Ramos do Sistema OCB, Hugo Andrade.
Hoje, segundo o presidente da Unimed do Brasil, Omar Abujamra Junior, o papel do cooperativismo de saúde é ainda mais relevante diante dos desafios do setor no Brasil. “Temos um alcance que nos permite levar assistência de qualidade a regiões onde outras operadoras não estão, além de fixar médicos no interior do país”, destaca. Entre janeiro e setembro de 2025, por exemplo, o Sistema Unimed realizou mais de 529 milhões de consultas, terapias, internações, exames e outros atendimentos ambulatoriais em todo o país.
Na assistência à saúde bucal, o cooperativismo brasileiro também é referência global com o Sistema Uniodonto, maior rede de atendimento odontológico do mundo. Fundado em 1972, o grupo reúne 22 mil cirurgiões-dentistas cooperados e atende a mais de 3,5 milhões de beneficiários em todo os estados brasileiros. “As cooperativas de saúde conseguem ofertar serviços de qualidade com maior eficiência, ampliando a cobertura assistencial e contribuindo tanto para a prevenção quanto para o tratamento das doenças bucais. Além disso, promovem a interiorização do atendimento, levando assistência a regiões onde a presença de serviços privados estruturados ainda é limitada”, destaca o presidente do Sistema Uniodonto, José Alves de Souza Neto, que também preside a ACI Américas.
Para os dentistas cooperados, a Uniodonto também apresenta diferenciais relevantes. O modelo garante autonomia profissional aliada à segurança de uma atuação organizada, com acesso a uma carteira de pacientes estruturada e a oportunidades de atendimento que dificilmente seriam alcançadas de forma individual. O resultado é uma remuneração 30% superior aos valores repassados pelos planos não cooperativos. “Além disso, o cooperado participa dos resultados do sistema, tem voz nos processos decisórios e conta com suporte técnico, operacional e institucional. Outro ponto de destaque é a intercooperação entre as cooperativas singulares, que possibilita o atendimento organizado e a troca de informações clínicas dos beneficiários no time, ampliando o campo de atuação dos profissionais e fortalecendo a rede como um todo”, acrescenta Souza Neto.
Além de oferecer assistência de qualidade e valorizar o trabalho dos profissionais cooperados, as cooperativas de saúde também geram impacto social positivo nas comunidades em que atuam, investem em inovação e promovem a sustentabilidade ambiental. “O modelo cooperativista se diferencia por equilibrar esses desafios com foco no paciente e no desenvolvimento local”, afirma Abujamra Junior.
Futuro do coop de saúde
Em um cenário de desafios de sustentabilidade econômico-financeira com o aumento dos custos assistenciais, o envelhecimento populacional e a incorporação acelerada de novas tecnologias, as cooperativas de saúde continuam avançando na coordenação do cuidado, na atenção primária e na integração de dados, garantindo eficiência e qualidade.
As demandas do setor e a busca por um ambiente regulatório favorável ao desenvolvimento das cooperativas da área são articuladas em conjunto no Conselho Consultivo do Ramo Saúde, que reúne 44 representantes de cooperativas, das Organizações Estaduais e da Unidade Nacional do Sistema OCB.
Nos últimos anos, o colegiado teve papel decisivo na construção de soluções institucionais relacionadas à assistência em saúde com impactos para o cooperativismo, como o Piso Nacional da Enfermagem, a Reforma Tributária, o Projeto de Lei 7.419/2006 (que propõe um novo marco legal para o mercado de planos e seguros de saúde), a judicialização no setor e os impactos das mudanças na saúde no período pós-pandemia.
Para 2026, a prioridade do Conselho é avançar em temas como a ampliação do acesso a linhas de financiamento público para cooperativas, participação efetiva do cooperativismo de saúde no Sistema Único de Saúde (SUS), contratações públicas de cooperativas e regulamentação da inteligência artificial no setor. “Também há espaço para ampliar parcerias público-privadas, fortalecer a intercooperação e expandir a atuação para novos segmentos da saúde, como psicologia, fisioterapia e enfermagem, onde já existem cooperativas, mas ainda com baixa escala”, afirma Andrade.
Notícias saber cooperar
25/03/2026
Conheça as prioridades da representação institucional do coop em 2026
No ano em que a Agenda Institucional do Cooperativismo completa duas décadas com um histórico de conquistas para o cooperativismo brasileiro, a representação institucional do movimento definiu novas prioridades e está em articulação para seguir avançando na consolidação de um ambiente político e regulatório favorável ao desenvolvimento das cooperativas.
Essa mobilização assume papel estratégico no ano eleitoral, período em que o Congresso Nacional reduz o ritmo de suas atividades e, ao mesmo tempo, se ampliam as oportunidades de inserir as demandas das cooperativas nas agendas e nos programas de governo de candidatos aos cargos do Executivo e do Legislativo.
“Este é um ano decisivo para o Brasil. A representação institucional do cooperativismo manterá diálogo aberto e respeitoso, apresentando propostas e reafirmando sua contribuição ao desenvolvimento do país. Temos muito orgulho de chegarmos até aqui com o que há de mais valioso nas nossas relações: a credibilidade de um trabalho sério e legítimo, que leva à frente a bandeira de milhões de brasileiros por todo o país”, destaca o presidente do Conselho de Administração da OCB, Márcio Lopes de Freitas.
O mapa de prioridades está definido na Agenda Institucional do Cooperativismo 2026, lançada no dia 17 de março em cerimônia que reuniu lideranças cooperativistas e autoridades. Nesta edição, o documento reúne 61 proposições legislativas em acompanhamento no Congresso Nacional, 38 propostas relacionadas a políticas públicas no âmbito do Poder Executivo e 9 temas de repercussão geral em análise nos Tribunais Superiores.
Entre os temas de atenção da representação institucional do cooperativismo ao longo do ano estão a regulamentação das cooperativas de seguros e de telecomunicações, o marco regulatório das cooperativas de trabalho e ampliação do acesso das cooperativas de crédito a Fundos Constitucionais de Desenvolvimento.
Para a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, a palavra-chave para a representação institucional do cooperativismo em 2026 é eficiência. “Precisamos concentrar nossos esforços em avanços regulatórios estratégicos, que resguardem um ambiente de negócios adequado ao desenvolvimento das cooperativas e que reforcem o papel do cooperativismo como instrumento de geração de trabalho e renda, inclusão produtiva e transformação da vida das pessoas”, afirma.
No Congresso Nacional, a articulação em defesa dessas pautas é feita pela OCB em conjunto com a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop). O presidente da Frente, deputado Arnaldo Jardim (SP), afirma que o trabalho coordenado entre o movimento cooperativista e o Parlamento tem sido fundamental para garantir avanços legislativos e regulatórios para o setor.
“Hoje contamos com uma das maiores frentes parlamentares do Congresso Nacional, reunindo deputados e senadores comprometidos com o fortalecimento do cooperativismo. Nosso trabalho envolve acompanhar a tramitação das propostas, promover debates técnicos, dialogar com lideranças partidárias e construir consensos que permitam avançar nas pautas prioritárias do setor. Nosso papel no Congresso Nacional é garantir que esse modelo tenha um ambiente regulatório adequado para continuar crescendo e gerando oportunidades para milhões de brasileiros”, destaca.
Confira as prioridades da representação institucional do cooperativismo em 2026:
Seguros
A Lei Complementar 213/2025, que amplia a participação das cooperativas no mercado de seguros, está em fase de regulamentação e o Sistema OCB está atuado de forma estratégica e propositiva junto à Superintendência de Seguros Privados (Susep), com o objetivo de contribuir para a construção de normas alinhadas aos princípios do cooperativismo e às regras do mercado de seguros. A expectativa é de que novas cooperativas de seguros comecem a ser registradas a partir do segundo semestre deste ano.
Telecomunicações e Energia
Também está em fase de regulamentação a Lei 15.324/2026, que autoriza as cooperativas a prestarem serviços de telecomunicações em igualdade de condições com as empresas do setor. Sancionada em janeiro deste ano, a lei tem como objetivo ampliar a conectividade em regiões de baixa cobertura no país, como as rurais, por meio das cooperativas. Além de prover acesso à internet, as coops poderão ofertar telefonia móvel e telefonia fixa tradicional.
Já o Projeto de Lei (PL) 367/2026, de autoria do presidente da Frencoop, Arnaldo Jardim, permite o reenquadramento de cooperativas autorizadas como permissionárias prestadoras de serviço público de distribuição de energia elétrica. A proposta busca atender uma lacuna existente entre as cooperativas autorizadas, que hoje enfrentam limitações regulatórias que comprometem sua sustentabilidade e sua capacidade de expansão.
Trabalho
A Lei 12.690/2012, que trata do marco regulatório das cooperativas de trabalho, também está em fase de regulamentação com o intuito de superar interpretações restritivas que ainda limitam sua atuação. O processo vem sendo acompanhado de perto pelo Sistema OCB, que pleiteia a regulamentação da lei por meio de decreto, com a inclusão de sugestões apresentadas ao Ministério do Trabalho e Emprego contendo as especificidades e posicionamentos do movimento cooperativista.
Crédito
Outra pauta relevante este ano é o PL 3.162/2024, que permite que as premiações em campanhas promocionais possam ser realizadas em forma de quota parte em sociedade cooperativa. A proposta fortalece as estratégias de educação financeira e o relacionamento com os cooperados, ampliando a competitividade das cooperativas no sistema financeiro.
Agropecuária
Publicada no final de 2024, a Lei 15.072/2024 reconhece a condição de segurado especial aos cooperados vinculados às atividades rurais, medida que fortalece a proteção social no campo e as cooperativas agropecuárias. A representação institucional do Sistema OCB acompanha de perto a implementação desta lei.
Desenvolvimento e Sustentabilidade
As proposições que ampliam e protegem os direitos das cooperativas estão recebendo atenção especial da OCB nacional nas áreas de desenvolvimento e sustentabilidade. Uma delas é o Projeto de Lei Complementar (PLP) 262/2019, que amplia o acesso das cooperativas a importantes instrumentos de financiamento de desenvolvimento regional, tais como o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), da Amazônia (FDA) e do Centro-Oeste (FDCO). Esses financiamentos são essenciais para viabilizar investimentos em infraestrutura e em projetos produtivos que impulsionam o desenvolvimento regional.
Nos Tribunais Superiores, um dos temas de destaque para a representação institucional do coop em 2026 é a discussão da constitucionalidade de dispositivos da nova Lei do Licenciamento Ambiental (Lei 15.190/2025). Com atuação direta na preservação do meio ambiente e no uso avançado de tecnologias verdes, as cooperativas estão particularmente interessadas na sistematização dos procedimentos de obtenção de licenças, com a garantia da proteção ambiental.
No Senado Federal, tramitam propostas prioritárias para o cooperativismo nessa área. Uma delas é o PL 5.082/2025, que dispõe sobre a incidência da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TCFA). O PL ajusta o regime de incidência da TCFA à realidade atual, além de equacionar o impacto de custo que a taxa atualmente representa para as atividades produtivas das cooperativas.
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23/03/2026
Agenda Institucional do Cooperativismo: 20 anos de conquistas
O cooperativismo brasileiro tem ampliado sua relevância no debate nacional e consolidado avanços no ambiente regulatório e na formulação de políticas públicas alinhadas aos diferenciais do setor por meio de uma ferramenta estratégica de representação: a Agenda Institucional do Cooperativismo. Em 2026, a publicação completa 20 anos em uma jornada marcada por conquistas fundamentais para o movimento, entre elas o histórico reconhecimento do ato cooperativo na Reforma Tributária.
Ao longo das últimas duas décadas, a construção de ambiente legal favorável e a garantia de segurança jurídica têm sido pilares do desenvolvimento do cooperativismo brasileiro, permitindo ao setor alcançar 25,8 milhões de cooperados e R$ 757,9 bilhões em ingressos
“Esses resultados são fruto de uma atuação institucional contínua e estratégica, alinhada ao crescimento e ao amadurecimento do cooperativismo no país”, afirma a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella.
Para a gestora, a principal conquista das últimas décadas foi o reconhecimento do ato cooperativo, assegurando segurança jurídica às operações das cooperativas. A atuação da OCB foi fundamental para incorporar, à Emenda Constitucional 132/2023 e à Lei Complementar 214/2025, avanços relevantes para a sustentabilidade do modelo cooperativista, com destaque para a possibilidade de adoção de um regime específico de tributação, que permite às cooperativas optar entre o regime especial ou a regra geral.
A lista de avanços e conquistas nesses 20 anos da Agenda Institucional do Cooperativismo é extensa e inclui a atualização da Lei do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (LC 196/2022), a regulamentação das cooperativas de trabalho, por meio da Lei 12.690/2012, o reconhecimento da participação de cooperativas na nova Lei de Licitações (Lei 14.133/2021) e a ampliação da participação das cooperativas no mercado de seguros (LC 213/2025) e de telecomunicações (Lei 15.324/2026).
Outros marcos como a criação do Fundo Garantidor das Cooperativas de Crédito (FGCoop), com a Lei 12.873/2013; e o novo Código Florestal (Lei 12.651/2012), que colocou o movimento cooperativista como um dos protagonistas para o desenvolvimento sustentável no campo, também tiveram participação fundamental da representação institucional do cooperativismo.
No campo das políticas públicas, os 20 anos da Agenda Institucional do Cooperativismo também abrangem avanços no reconhecimento das cooperativas como repassadoras dos Fundos Constitucionais de Financiamento (FCO, FNO e FNE) e como beneficiárias do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Além disso, o diálogo permanente e técnico com o governo tem assegurado a devida atenção aos diferenciais das cooperativas nos Planos Safra e nos Planos Safra da Agricultura Familiar, promovendo condições adequadas de crédito, seguro e apoio à comercialização aos produtores cooperativistas.
“Esses avanços refletem um processo consistente de diálogo institucional e contribuíram para consolidar o cooperativismo como um modelo econômico cada vez mais relevante para o desenvolvimento econômico e social do Brasil”, afirma Tania Zanella.
Atuação transversal
As conquistas em 20 anos da Agenda Institucional do Cooperativismo refletem o avanço consistente da representação do segmento junto aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, processo que ocorre de forma permanente e estruturada.
“A presença ativa nos três Poderes fortalece nossa capacidade de representação e permite que as demandas das cooperativas brasileiras sejam apresentadas de forma qualificada, contribuindo para a construção de um ambiente institucional mais favorável ao desenvolvimento do setor e à ampliação de sua contribuição para o crescimento econômico e social do país”, destaca a presidente executiva.
No Poder Executivo, esse diálogo institucional ocorre por meio da participação em conselhos, câmaras temáticas, grupos de trabalho e agendas com autoridades governamentais e dirigentes de órgãos da administração pública.
No Legislativo, a atuação envolve o acompanhamento sistemático das proposições em tramitação no Congresso Nacional que possam impactar direta ou indiretamente as cooperativas e a parceria estratégica com a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), uma das maiores e mais atuantes do Parlamento. Já no Poder Judiciário, a atuação institucional acompanha decisões judiciais e debates jurídicos que possam afetar o ambiente de atuação das cooperativas.
Presente e futuro
Em 2026, ano de eleições gerais, o trabalho estratégico de fortalecimento do movimento junto aos Três Poderes ganha ainda mais relevância. As prioridades institucionais da Agenda Institucional do Cooperativismo 2026 foram traçadas a partir de um processo de escuta e diálogo com diferentes ramos do cooperativismo, e um dos focos será o acompanhamento da regulamentação infralegal e da implementação da Reforma Tributária.
“Nosso objetivo é garantir que atos, normas infralegais e novas legislações preservem o reconhecimento do ato cooperativo e assegurem um tratamento tributário adequado às especificidades do modelo cooperativista, evitando distorções que possam comprometer sua competitividade ou descaracterizar sua natureza jurídica”, destaca Tania Zanella.
Outro tema relevante para este ano são as discussões sobre a modernização da organização das jornadas e escalas de trabalho. O cooperativismo acompanha esse debate com atenção, defendendo soluções que conciliam segurança jurídica, previsibilidade e equilíbrio nas relações de trabalho. A ampliação da presença das cooperativas em novos mercados também integra as prioridades da agenda.
“A atuação institucional busca avançar em marcos regulatórios que permitam maior participação do cooperativismo em áreas como seguros e telecomunicações, ampliando oportunidades de atuação e fortalecendo a contribuição das cooperativas para a oferta de serviços e para o desenvolvimento econômico em diversas regiões do país”, detalha a presidente executiva.
Outro eixo importante para a representação institucional do coop em 2026 é o aprimoramento do marco regulatório das cooperativas de trabalho, especialmente a regulamentação e o aperfeiçoamento da Lei 12.690/2012. Por fim, o Sistema OCB também acompanha políticas públicas e instrumentos de financiamento voltados ao desenvolvimento produtivo e proposições legislativas específicas de interesse do setor, incluindo iniciativas voltadas à ampliação do acesso das cooperativas a fundos regionais de desenvolvimento e ao aprimoramento das regras aplicáveis às cooperativas de crédito.
“Neste ano decisivo para o país, a Agenda Institucional do Cooperativismo concentra esforços em temas regulatórios e legislativos considerados estratégicos para assegurar um ambiente de negócios estável, moderno e compatível com a realidade das cooperativas brasileiras”, resume Tania Zanella.
Confira as principais conquistas regulatórias para o cooperativismo nos últimos anos:
Lei 12.651/2012
Novo Código Florestal no Brasil
Lei 12.690/2012
Regulamentação das cooperativas de trabalho
Lei 12.794/2013
Tributação das cooperativas de transporte de cargas
Lei 12.873/2013
Criação do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop)
Lei 12.999/2014
Estímulo a cooperativas culturais
Lei 13.097/2015
Cotas-partes de cooperados como patrimônio líquido das cooperativas
LC 161/2018
Captação de recursos de entes públicos municipais por cooperativas
Lei 13.682/2018
Repasse mínimo do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) a cooperativas de crédito
Lei 13.086/2019
Cooperativas como substitutas processuais de seus associados
Lei 13.999/2020
Inclusão das cooperativas no Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe)
Lei 14.030/2020
Autorização para a realização de assembleias digitais
Lei 14.119/2021
Cooperativas na Política de Pagamentos por Serviços Ambientais
Lei 14.133/2021
Participação de cooperativas na nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos
Lei 14.227/2021
Repasse mínimo do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) a cooperativas de crédito
LC 196/2022
Modernização do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo
Lei 14.300/2022
Cooperativas no Marco Legal da Geração Distribuída
Emenda Constitucional 132/2023
Adequado tratamento tributário ao ato cooperativo na Reforma Tributária
Lei 15.072/2024
Manutenção da condição de segurado especial aos associados de cooperativas
LC 213/2025
Cooperativas no mercado de seguros
LC 214/2025
Regulamentação do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo na Reforma Tributária
Lei 15.184/2025
Acesso das cooperativas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Lei 15.324/2026
Cooperativas no mercado de telecomunicações
Notícias saber cooperar
11/03/2026
Gestão democrática fortalece governança e pertencimento
No extremo norte do Brasil, na foz do Rio Amazonas, o açaí está na cultura e na base da economia das comunidades ribeirinhas. Em um mercado historicamente controlado por atravessadores – que compram o produto e distribuem para o mercado – um grupo de extrativistas se uniu para mudar essa realidade e criou a cooperativa Amazonbai. Em vez de entregar seu açaí para intermediários, passaram a ser donos do próprio negócio, com direito a voz e voto.
Uma das bases dessa transformação foi a possibilidade de decidir em conjunto sobre o destino do fruto de seu trabalho, uma garantia prevista em lei (nº 5.764) e traduzida no segundo princípio do cooperativismo: Gestão democrática. Segundo a Aliança Cooperativa Internacional (ACI), ele estabelece que as cooperativas sejam controladas por seus próprios membros, com participação ativa na definição das políticas internas e nas decisões que orientam o futuro do negócio.
Cooperados da Amazonbai“Na Amazonbai, a gestão democrática não é apenas um conceito no papel, ela acontece na prática. Aqui,cada pessoa vale um voto. Não importa o tamanho da sua produção, todos têm o mesmo direito de decidir. Isso garante justiça, equilíbrio e fortalece a união do grupo. As nossas assembleias são espaços de diálogo,onde discutimos prestação de contas, planejamentos, investimentos, novos produtos e novos mercados”, conta a vice-presidente da cooperativa, Gabrielle Santos Corrêa.
Na cooperativa macapaense e nas outras 4,3 mil em todo o Brasil, a gestão democrática garante que as organizações cooperativistas sejam, de fato, uma sociedade de pessoas, e não apenas uma empresa com estrutura jurídica diferenciada. “É a participação, a deliberação e a representação dos cooperados que define as diretrizes finais da organização e cumpre sua finalidade essencial: a satisfação das necessidades econômicas, sociais e culturais dos seus membros”, explica o professor adjunto na Universidade Federal do Acre (Ufac) Deivid Forgiarini, que se dedica há mais de uma década a pesquisas sobre identidade, democracia e gestão cooperativistas.
Segundo ele, a gestão democrática é construída a partir de três dimensões: participativa (envolvimento direto e ativo dos cooperados em todas as etapas do processo decisório); deliberativa (construção coletiva das decisões por meio do debate racional, inclusivo e orientado pelo consenso); e, por fim, a representativa (delegação de poder a representantes eleitos).
Professor Deivid Forgiarini“O princípio democrático é o mecanismo pelo qual os interesses individuais são transformados em decisões coletivas legítimas, garantindo que a organização sirva ao bem comum, e não a grupos específicos”, afirma o pesquisador.
Como tudo no cooperativismo, os princípios não existem isoladamente. No caso da gestão democrática, sua aplicação está relacionada à transparência, educação e autonomia, que também estão na base conceitual do movimento. Em suas pesquisas recentes, o especialista identificou, por exemplo, que a legitimidade das decisões democráticas nas cooperativas depende diretamente da qualidade da informação disponível aos cooperados.
“A habilidade de participar ativamente em processos democráticos precisa ser desenvolvida, cultivada e continuamente fortalecida. A educação cooperativista é o que transforma um associado formal em um cooperativista de verdade, alguém capaz de participar com qualidade, deliberar com responsabilidade e representar com legitimidade”, destaca Forgiarini.
Participação e resultados
Uma gestão efetivamente democrática traz avanços sólidos para a cooperativa e para os associados. A democracia traz legitimidade para as decisões, fortalece a consciência coletiva e a resiliência organizacional, além de consolidar inovação, aprendizado e maiores impactos sociais.
De acordo com o professor da UFAC, entre os reflexos positivos da gestão democrática estão governança mais legítima e fortalecimento da cultura cooperativista, além de benefícios externos, como maior protagonismo para os cooperados e contribuição para a democracia na sociedade.
Na Amazonbai esses impactos são observados na prática. Em nove anos desde a fundação da coop, a vice-presidente conta que a participação efetiva dos cooperados nas decisões tem trazido ganhos não só para o negócio, mas para todo o território ribeirinho. “A Amazonbai não é apenas uma cooperativa que comercializa açaí. Ela representa famílias, comunidades, tradição e desenvolvimento local. Quando a gestão é democrática e participativa, nós fortalecemos esse vínculo com o território e mostramos que o crescimento econômico pode caminhar junto com responsabilidade social”, afirma Gabrielle Corrêa.
Desafios democráticos
A vice-presidente da Amazonbai reconhece que a criação de consensos nem sempre é fácil, e demanda um exercício constante de escuta e respeito entre os cooperados e gestores. Outro desafio, segundo ela, é manter o engajamento e a participação nas assembleias, garantido representatividade efetiva e decisões que atendam aos interesses da coop.
“A gestão democrática não é o caminho mais fácil, mas é o mais sólido. Ela constrói uma cooperativa mais forte, mais transparente e mais preparada para enfrentar desafios. Quando todos participam, todos se sentem parte”, analisa.
O professor da Ufac afirma que é possível fortalecer o princípio da gestão democrática nas cooperativas com investimentos em educação e cultura cooperativistas – com programas sobre a história e os fundamentos do coop; com a criação de núcleos, comitês e grupos de trabalho abertos aos cooperados e fortalecimento da transparência na gestão.
“Também valorizem o diálogo intergeracional: o valor democrático atrai jovens. Iniciativas que integrem diferentes gerações fortalecem a renovação do movimento e garantem sua sustentabilidade a longo prazo”, sugere o especialista.
Saiba mais sobre os princípios cooperativistas nos cursos disponíveis na plataforma CapacitaCoop e na websérie Bora Entender.
Leia a primeira matéria da série especial Princípios do Cooperativismo, sobre Adesão livre e democrática.
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08/03/2026
Sucessão cooperativista: preparação de lideranças garante o futuro do movimento
Mais de 56% líderes das cooperativas brasileiras têm acima de 50 anos, e mais de 82% ultrapassam os 40.
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06/03/2026
Dia da Mulher: lideranças femininas fortalecem as cooperativas, diz pesquisadora
Ampliar a representatividade da mulher no cooperativismo é um passo estratégico para tornar o movimento mais diverso, legítimo e coerente com seus próprios princípios. A avaliação é da professora e pesquisadora Sandra Schmidt, que há mais de uma década se dedica ao estudo do modelo cooperativista e, no ano passado, concluiu doutorado sobre a diversidade de gênero nos conselhos de administração das cooperativas brasileiras.
“Essa inclusão melhora a qualidade da governança, amplia a renovação de lideranças e fortalece a sucessão e a continuidade da cooperativa. Mas a questão não é incluir mulheres apenas por resultado. É incluir porque isso é o certo e, como consequência, a cooperativa também fica mais forte e mais sustentável”, afirma.
Na véspera do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a especialista concedeu entrevista ao Sistema OCB sobre os desafios para aumentar a presença feminina nos espaços de liderança e como as cooperativas podem colocar esse compromisso em prática.
Sandra Schmidt, professora e pesquisadoraDoutora em Administração pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR) e em Psicologia da Comunicação e Mudança pela Universitat de Barcelona, Sandra Schmidt também vivenciou o cooperativismo na prática, como colaboradora do Sescoop/PR. No começo de 2026, um artigo de sua autoria sobre os fatores que favorecem ou dificultam a participação de mulheres nos conselhos de administração das cooperativas foi aceito para publicação na revista internacional Voluntas, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra.
Leia a entrevista completa:
Sistema OCB: As mulheres hoje representam 42% dos cooperados e 22% das lideranças do cooperativismo. Por que é importante ampliar essa participação?
Sandra Schmidt: Primeiro, por coerência com a identidade cooperativista. O cooperativismo se baseia em valores como democracia, igualdade e equidade, então ampliar a presença de mulheres na liderança é aproximar a prática desses princípios.
Segundo, porque essa é uma agenda alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável [ODS] da ONU [Organização das Nações Unidas]. Ou seja, não é apenas uma pauta interna do cooperativismo, mas uma agenda global de desenvolvimento. Além disso, essa consolidação exige mais do que presença numérica: exige criar condições reais para participação, influência e permanência das mulheres nos espaços de decisão.
Como a presença de mulheres na liderança das cooperativas influencia a gestão e os resultados?
Lideranças mais diversas tendem a ampliar perspectivas, reduzir vieses e qualificar a análise de riscos, prioridades e oportunidades. Isso impacta diretamente a forma como a cooperativa conduz temas como inovação, gestão de pessoas, relacionamento com cooperados e sustentabilidade do negócio. Na perspectiva de liderança estratégica, a presença feminina torna a liderança mais conectada com a realidade da própria cooperativa. No cooperativismo, isso é especialmente importante porque, na base de cooperados e na base de empregados, as mulheres já estão representadas. Ou seja, quando elas também estão nos espaços de decisão, há mais alinhamento entre a composição do quadro social e quem define seus rumos estratégicos.
Essa inclusão traz efeitos positivos: melhora a qualidade da governança, amplia a renovação de lideranças e fortalece a sucessão e a continuidade da cooperativa. Mas a questão não é incluir mulheres apenas por resultado, é incluir porque isso é o certo e, como consequência, a cooperativa também fica mais forte e mais sustentável.
Quais são os principais desafios para ampliar o número de mulheres na liderança no cooperativismo?
Com base na revisão da literatura científica que realizei com estudos sobre cooperativas de diferentes países, os principais desafios para ampliar a presença de mulheres na liderança aparecem em três níveis: pessoal, organizacional e legal. E esta não é uma realidade apenas do Brasil, mas um tema recorrente no cooperativismo global.
No nível pessoal, aparecem desafios como autoconfiança, percepção de capacidade para ocupar espaços de liderança e os estereótipos de gênero, que muitas vezes são socialmente reproduzidos e internalizados.
No nível organizacional, entram barreiras ligadas à cultura e às práticas da própria cooperativa, como regras internas, processos de escolha e sucessão, ausência de políticas de apoio e, em alguns casos, inclusão mais simbólica do que efetiva.
E no nível ambiental/legal, estão fatores mais amplos, como desigualdades estruturais de gênero, redes de apoio frágeis, dificuldades de conciliação entre trabalho, família e participação institucional, além de limitações de acesso a oportunidades de formação e desenvolvimento.
Como as cooperativas podem atuar para fortalecer a representatividade feminina no setor?
É importante tratar esse tema como uma estratégia institucional, e não como uma ação pontual. O processo exige diagnóstico, compromisso institucional e mudanças concretas nas oportunidades, nas regras e nas condições de progressão. Alguns passos práticos para começar são: fazer um diagnóstico interno, assumir um compromisso institucional claro, investir em desenvolvimento de lideranças femininas com foco em equidade, dar visibilidade a referências femininas dentro da cooperativa e revisar regras e práticas internas de gestão e governança.
Como desenvolver essas ações na prática?
A cooperativa precisa olhar para os seus dados e entender onde estão as mulheres hoje: no quadro social, nas equipes, na gestão e na governança. Esse diagnóstico ajuda a identificar onde estão os principais gargalos. Em seguida, é importante transformar essa pauta em diretriz de gestão, com objetivos e ações concretas. A literatura mostra que políticas explícitas de igualdade de oportunidades fazem diferença.
Capacitação, mentoria, networking e preparação para cargos de gestão são ações importantes, mas não na lógica de “corrigir” as mulheres. O objetivo é ampliar acesso a oportunidades estratégicas, fortalecer trajetórias de liderança e reduzir desigualdades históricas de acesso, sempre junto com mudanças institucionais. Sobre a visibilidade, quando a cooperativa valoriza e torna visíveis as mulheres que já ocupam espaços de liderança, ela cria referência para outras e fortalece o efeito multiplicador. Por fim, é importante revisar critérios de escolha, sucessão, funcionamento dos conselhos e processos internos para identificar barreiras formais e informais. Também é essencial garantir que a participação feminina seja efetiva, e não apenas simbólica
Para contribuir com essa pauta, o Sistema OCB atua fortemente desde 2019 no fomento à criação de Comitês de Mulheres junto às suas Organizações Estaduais e suas Cooperativas. Um espaço permanente de participação para promover liderança feminina de forma estruturada e duradoura. Para fazer parte deste movimento busque pela sua Organização Estadual e acesse os materiais disponíveis: https://somoscooperativismo.coop.br/publicacoes-representacao/manual-de-implementa-o-de-comit-s-de-mulheres-nas-cooperativas.
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03/03/2026
“Cooperativas irão democratizar o acesso ao seguro no Brasil”, afirma diretor da Susep
Após um ano de trabalho, a regulamentação da Lei Complementar 213/2025, que amplia a atuação das cooperativas no mercado de seguros, está em fase final de validação na Superintendência de Seguros Privados (Susep) e as primeiras representantes do novo ramo Seguros devem começar a constituídas até a metade do ano. O processo teve apoio técnico e institucional do Sistema OCB.
A previsão é do diretor de Regulação Prudencial e Estudos Econômicos da Susep, Carlos Queiroz, que considera a lei um marco na democratização do acesso a seguros no Brasil. Segundo ele, a ampliação da participação do cooperativismo no setor poderá garantir a inclusão de mais brasileiros no mercado securitário, com preços mais competitivos e soluções mais adequadas às diferentes realidades do país.
“O cooperativismo de seguros vai ser tão bom ou mais bem-sucedido do que o cooperativismo de crédito, porque existe muita sinergia nesses dois mercados e o cooperativismo já vai entrar no seguro com uma boa experiência”, comparou Queiroz em entrevista exclusiva ao Sistema OCB.
Para chegar a um texto final que contemple as particularidades do modelo cooperativista, o diretor da Susep afirma que o Sistema OCB teve papel fundamental e que as duas instituições trabalharam em colaboração para construir normas alinhadas aos interesses da sociedade brasileira.
Leia a entrevista completa:
Sistema OCB: Como está o processo de regulamentação da LC 213/2025?
Carlos Queiroz: Após o advento da lei, a Susep instaurou um grupo de trabalho interno, compreendeu a sua visão de como poderia ser o cooperativismo de seguros e chamou a OCB, como a grande entidade representativa deste segmento, para primeiro ouvir como é o cooperativismo na visão dos cooperados. E isso foi muito importante, porque uma coisa é a Susep em um segmento que não tem experiência, outra coisa é a visão daquele que opera aquele mercado. Desde o começo, eu tinha conversado com a OCB que a gente ia precisar muito da experiência deles e do conhecimento deles para entender, principalmente, aquilo que diferencia uma sociedade empresária de uma sociedade cooperativa. A ideia sempre foi que, aqui na Susep, a gente aportaria o conhecimento do seguro, o conhecimento da técnica, o conhecimento da prudência, o conhecimento da previsão, o conhecimento da conduta, aquilo que faz o mercado de seguros funcionar bem sob a supervisão da Susep, mas a gente esperava receber da OCB a visão daquilo que é um bom cooperativismo, um cooperativismo que funciona, um cooperativismo que dá resultado, um cooperativismo que atende aos princípios cooperativos.
Foi um jogo de ganha-ganha. A gente deu, recebeu e construímos, de fato, um texto final. Ele foi à consulta pública, recebemos uma série de sugestões. Agora, esse texto construído a muitas mãos está na etapa de avaliação do nosso jurídico. Em breve, deve ser submetido ao Conselho Diretor da Susep e, uma vez aprovado, seguirá para a aprovação do Conselho Nacional de Seguros Privados, que é o órgão regulador.
Qual a previsão de entrada das novas cooperativas de seguros no mercado?
Nossa previsão é que entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026 a Susep já possa receber pedidos de autorização para constituição das cooperativas de seguros. Temos uma expectativa muito positiva de que tenhamos cooperativas de seguros autorizadas ainda este ano.
Quais as expectativas do mercado de seguros com a chegada das cooperativas?
Temos uma confiança muito grande de que o cooperativismo de seguros vai ser tão bom ou mais bem-sucedido do que o cooperativismo de crédito, porque existe muita sinergia nesses dois mercados e o cooperativismo já vai entrar no seguro com uma boa experiência no cooperativismo de crédito. O cooperativismo financeiro hoje é um segmento consolidado e que tem um crescimento muito grande, então eu acho que o cooperativismo vai entrar no mercado de seguros já com uma série de lições aprendidas e com muito mais facilidade.
Quais são os impactos financeiros esperados com a chegada das coops no mercado de seguros?
Do ponto de vista financeiro, a gente espera que esse arranjo, na medida em que ele for amadurecendo, tenha condições de ofertar boas coberturas a bons preços, coberturas que atendam a necessidade do cooperado por um preço acessível. Estamos falando aqui de melhora nas condições de concorrência, o que pode se traduzir em melhores preços para todos. Do ponto de vista prudencial, a gente espera que o cooperativismo chegue como está no segmento de crédito, com capacidade financeira para atender às regras e requisitos de solvência e à constituição de provisões, que é o que dá o suporte para a sustentabilidade do negócio.
Como as cooperativas podem democratizar o acesso a seguros para os brasileiros?
A cooperativa, por estar mais próxima, por conhecer a realidade local, tem condição de desenhar soluções de seguro, cobertura e produtos mais adaptados às necessidades dos seus cooperados e segurados. Essa característica da cooperativa de conhecer bem o seu cooperado, de conhecer bem o seu cliente, tem tudo para fomentar desenhos de melhores produtos, mais adequados à necessidade e, quando isso acontece, também melhora o preço.
Naquela cidade pequena de 5 mil ou 10 mil habitantes, já existe uma agência de uma determinada cooperativa que já vende o produto seguro. Agora, a diferença é que essa cooperativa vai poder vender o da sua cooperativa de seguros. A aposta é que o aprofundamento desse regime ou dessa sistemática traga ali um benefício de democratização do acesso, com certeza.
As cooperativas de seguros poderão oferecer preços mais competitivos?
Sim, porque determinadas coberturas que são desnecessárias não vão ser oferecidas, mas aquelas coberturas que de fato são essenciais para aquele público, para aquele segmento, são as que vão ser oferecidas. Isso traz eficiência para o sistema, porque você concentra naquilo que é principal. Não tenho dúvida de que produtos mais adequados, melhores preços e também a proximidade característica do cooperativismo tendem a se traduzir num tratamento mais próximo, mais humanizado, talvez até mais justo do cooperado. Porque afinal aquela cooperativa também é dele. Existe também um sentimento de pertencimento e o tratamento que a cooperativa dá ao seu cooperado tende a ser diferenciado. Então, vejo melhorias no atendimento, no preço e no desenho do produto oferecido.
Quais os principais desafios do mercado de seguros hoje?
Com o uso intensivo das tecnologias, o risco cibernético se mostra como um desafio grande, assim como o armazenamento adequado dos dados dos clientes. Temos também os riscos de sustentabilidade, aqueles relacionados à própria transformação, além do desafio de sempre aprimorar a governança das instituições. Uma seguradora, seja ela empresária ou cooperativa, não pode atuar com uma governança frágil, com controles frágeis, com sistemas simples. Ela precisa dar conta desses diversos riscos que compõem o nosso segmento. O negócio do seguro é o tratamento do risco, a proteção do risco e a proteção do interesse das pessoas.
Como as cooperativas podem preencher essas lacunas?
Vejo cooperativas com uma posição de destaque na questão da sustentabilidade e da educação financeira, de utilizar a sua estrutura para fomentar esse tipo de conhecimento que as gerações passadas não tiveram formalmente na educação. As cooperativas também têm bastante preocupação com a questão tecnológica. As cooperativas de crédito, por exemplo, atendem requisitos do Banco Central que são muito exigentes para o funcionamento do mercado de crédito, então elas já têm uma boa estruturação. Existe também essa articulação de querer trazer para o Brasil aquilo que de melhor as cooperativas estão fazendo no resto do mundo e é importante destacar que as cooperativas têm uma participação muito importante na produção dos seguros a nível mundial. E esta importação de conhecimento e de experiência vai ocorrer de um bom modo. Desde o começo, vamos construir um mercado sustentável, que funciona bem, um mercado seguro.
Saiba mais sobre as cooperativas de seguros no Guia prático para entender o seguro cooperativo e mútuo, publicado pelo Sistema OCB.
Notícias saber cooperar
02/03/2026
Modelo de governança dual alinha OCB às melhores práticas de gestão
O cooperativismo brasileiro entrou em uma nova fase de gestão com a consolidação do modelo de governança dual da OCB, que separa as responsabilidades do Conselho de Administração das funções executivas da presidência. A inovação reforça a representatividade do coop, moderniza a estrutura organizacional e torna a atuação institucional ainda mais estratégica e eficiente. Assim, cada parte pode dar respostas mais rápidas às demandas de suas áreas.
No caso da OCB, o Conselho de Administração ficará focado na definição dos objetivos estratégicos da instituição e no acompanhamento dos resultados alcançados. De acordo com o novo estatuto aprovado, caberá a ele “aprovar políticas institucionais, zelar pela efetividade da atuação da Presidência Executiva, além de garantir que as ações estejam alinhadas à missão de representar, defender e promover o cooperativismo brasileiro”.
A presidência executiva, por sua vez, direcionará seus esforços à realização das metas propostas, definindo ações estratégicas para alavancar o desenvolvimento do cooperativismo, com planos concretos, metas e resultados.
“O modelo de gestão compartilhada tem tudo a ver com o cooperativismo, que tem como base a coletividade, democracia e transparência em todos os seus processos. A mudança é uma resposta aos desafios complexos enfrentados pelo nosso movimento, que exigem soluções ágeis e robustas para fortalecer a atuação das cooperativas na ponta”, destaca Márcio Lopes de Freitas, que permanece na presidência do Conselho de Administração. Por decisão unânime da diretoria, a presidência executiva da instituição foi confiada à Tania Zanella, primeira mulher a ocupar o cargo.
Decisão estratégica
A reforma estatutária que consolidou a governança dual na OCB começou a ser construída em 2024, com a participação de comitês técnicos, consultorias especializadas e representantes de todas as regiões, em um processo planejado, equilibrado e transparente. A decisão é um reflexo de como o cooperativismo amadureceu ao longo dos anos e precisa de um modelo mais eficiente e sustentável de governança.
“O modelo dual permite otimizar recursos, fortalecer a atuação institucional e ampliar o foco estratégico, além de reforçar a transparência e a profissionalização. Com isso, ao final do processo, os principais beneficiados são as cooperativas e os cooperados”, explica Tania.
Quem utiliza o modelo dual?
O modelo de governança dual tem se consolidado como uma prática recorrente nos diversos ramos do cooperativismo, refletindo o seu amadurecimento institucional e o compromisso com padrões elevados de gestão.No ramo agropecuário, a Coopercitrus é um exemplo de como essa modalidade têm trazido resultados positivos para os negócios cooperativistas. A coop separou as funções do Conselho de Administração e do corpo executivo: enquanto o colegiado é eleito em assembleia, seguindo diretrizes estatutárias; os executivos são profissionais contratados com base em competência técnica e parâmetros de mercado.
“Nesse ecossistema, o Conselho define a estratégia com foco total no associado, exercendo o papel de direcionar e monitorar a gestão. À diretoria executiva, cabe a implementação prática dessa visão. A força da nossa governança reside no equilíbrio: um Conselho ativo e próximo, que corrige rotas e monitora entregas, aliado a um corpo executivo preparado e com liberdade para atuar no dia a dia. A sinergia entre estratégia, política e execução entrega valor real à atividade do nosso associado”, explica o presidente do Conselho de Administração, Matheus Marino.
O trabalho do conselho é subsidiado por sete comitês especializados em áreas como auditoria, compliance, inovação, sustentabilidade e investimentos. Atualmente, 18 profissionais conduzem os comitês e asseguram que cada decisão seja devidamente registrada.
Segundo Marino, a governança dual garante que o corpo executivo tenha diretrizes claras e estratégias bem traduzidas em políticas que facilitam o direcionamento do dia a dia e tornam o propósito da cooperativa evidente para todos. Ao mesmo tempo, o conselho atua de forma mais presente, assegurando que a visão e as necessidades dos cooperados permaneçam no centro da construção estratégica.
“É um modelo que protege a cooperativa, facilita a gestão e, acima de tudo, garante que a Coopercitrus continue entregando resultados consistentes ao associado no longo prazo, independentemente de mudanças em seu quadro de liderança”, pondera o dirigente.
No cooperativismo de crédito, a governança dual é obrigatória desde 2022, e regulada por normas do Banco Central. O modelo tem garantido um ambiente de negócios com menos riscos, maior previsibilidade e processos decisórios mais robustos, contribuindo para os resultados consistentes do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) nos últimos anos.
De acordo com a diretora de Risco e Governança do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), Erika Kimura, a divisão entre responsabilidades estratégicas e executivas também reduz a sobreposição de funções e a concentração de poder decisório, promovendo a independência e a maior aplicabilidade de mecanismos de controle interno. “A governança dual contribui diretamente para reduzir riscos sistêmicos, fortalecer a confiança no sistema e proteger o patrimônio coletivo dos cooperados”.
Segundo ela, a gestão compartilhada e estratégica tem sido fundamental para que o ramo Crédito avance de forma sólida e alinhada às demandas legais e de mercado. “O cooperativismo financeiro vive um ambiente de crescimento, maior complexidade operacional e aumento das exigências regulatórias. Nesse cenário, estruturas mais robustas de governança deixam de ser opcionais e passam a ser um fator de sustentabilidade”.
Como adotar a governança dual
Para iniciar a transição para o modelo de responsabilidades compartilhadas, o primeiro passo é a capacitação de gestores cooperativistas. Segundo Erika Kimura, as lideranças devem ter formação sólida em governança, finanças, gestão de riscos e regulação. “Além do conhecimento técnico, são essenciais maturidade institucional, capacidade de atuação colegiada, independência de julgamento e visão de longo prazo”, sugere a especialista.
Outro desafio importante para a migração é a mudança cultural, pois a governança dual exige clareza de papéis, disciplina institucional e respeito às instâncias decisórias, evitando sobreposições e conflitos de atribuições. Por isso, o processo deve ser planejado, gradual e acompanhado de capacitação contínua.
“Antes de migrar, é fundamental avaliar fatores como maturidade da cooperativa, qualificação de conselheiros e executivos, existência de estruturas eficazes de controles internos e gestão de riscos, e ainda a qualidade do fluxo de informações”, acrescenta.
Saiba mais
A plataforma CapacitaCoop oferece o curso Governança Cooperativa: Princípios e Boas Práticas para compreender a finalidade, especificidades e princípios da gestão estratégica. A capacitação é gratuita e não tem pré-requisitos. Acesse aqui e inscreva-se.
Notícias saber cooperar
23/02/2026
Série Princípios do Cooperativismo: qual o significado de adesão voluntária e livre?
Em 2026, o coop brasileiro quer se aprofundar em um assunto que despontou como o principal desafio de gestão das cooperativas, de acordo com uma pesquisa de opinião realizada com lideranças do setor em 2023: o fortalecimento da cultura cooperativista. O estudo revelou que 56% dos dirigentes de cooperativas e Organizações Estaduais temem que suas instituições se afastem do que torna o nosso modelo de negócios único: os valores e princípios cooperativistas.
Como resultado desse diagnóstico, o 15º Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC) incluiu a temática de cultura entre suas diretrizes estratégicas, e definiu duas delas como prioritárias: difundir o cooperativismo na educação formal brasileira em todos os níveis, por meio de parcerias com a escolas, universidades e órgãos educacionais; e promover a formação das lideranças cooperativistas para fortalecer o seu papel como promotoras e multiplicadoras da cultura cooperativista dentro de suas organizações e no movimento.
Dando continuidade a esse processo, o Sistema OCB está realizando, neste momento, uma pesquisa nacional sobre o assunto, da qual você pode participar voluntariamente, online, preenchendo um formulário. E para ajudar a ampliar o entendimento da base sobre a importância de conhecer e divulgar a cultura cooperativista, a revista Saber Cooperar fará uma série especial sobre cada um dos 7 princípios do cooperativismo. Vamos começar destrinchando o primeiro deles: a Adesão Livre e Voluntária, instituída para garantir que toda cooperativa seja um espaço aberto à comunidade, democrático e independente.
De forma bem resumida, com base em informações da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), esse princípio prevê que todas as pessoas – independentemente de raça, religião, classe social ou gênero – podem se associar a uma cooperativa, desde que esta seja a sua vontade. Na prática, significa dizer que ninguém é obrigado a participar de uma coop, tampouco deve ser impedido de nela ingressar.
“O objetivo central deste princípio consiste em garantir que a cooperativa seja uma organização de pessoas e não um clube fechado ou um instrumento de apropriação privada”, explica o coordenador do Centro de Referência em Empreendedorismo e Cooperativismo para o Desenvolvimento Sustentável da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Alair Freitas.
Segundo o pesquisador, que há quase duas décadas se dedica ao estudo do cooperativismo, a adesão livre e voluntária funciona como um “filtro institucional”, que protege a cooperativa tanto do fechamento corporativo quanto da adesão oportunista de pessoas que só pensam em benefícios imediatos. Justamente por isso, antes de ingressar por livre e espontânea vontade na cooperativa, os interessados devem ser informados dos seus direitos, deveres e corresponsabilidades — que incluem contribuir ativamente para os resultados do grupo, participar das decisões do negócio e seguir os valores e princípios cooperativistas.
Contexto histórico
Os princípios do cooperativismo nasceram a partir da fundação da Sociedade Equitativa dos Pioneiros de Rochdale, na Inglaterra, em 1844, durante a Revolução Industrial, em um cenário de condições de trabalho exploratórias, mal remuneradas e com cargas horárias extenuantes.
“A livre admissão surgiu como ruptura explícita com as formas associativas vigentes à época, muitas delas fechadas, corporativas ou baseadas em privilégios de classe, profissão ou origem”, explica Freitas. “Ao afirmar que qualquer pessoa poderia aderir, desde que aceitasse as regras comuns e participasse de forma responsável, o movimento cooperativo se posicionou como alternativa democrática às estruturas econômicas excludentes do capitalismo industrial nascente.”
O pesquisador da UFV ressalta que a adesão livre e voluntária estabelece o perímetro social da cooperativa e delimita sua natureza enquanto associação de pessoas, e não de capitais. Este princípio mostra que se associar a uma coop é um ato de livre vontade que tem como base a união espontânea para o desenvolvimento econômico de cada cooperado.
Bem-comum
O princípio da adesão livre e voluntária é praticado por todas as cooperativas brasileiras. Entre elas, a C.Vale, do Paraná, têm bons exemplos de como essa diretriz é aplicada na prática. “Esse princípio é o pilar do nosso modelo de negócios, porque dele dependem todos os demais”, explica a gerente da Assessoria de Qualidade e Comunicação da cooperativa, Mirna Klein Furio. “Sem se associar, não é possível votar, receber treinamentos, participar de eventos e ter acesso a sobras, por exemplo”.
Mirna destaca que as portas da C.Vale estão sempre abertas para o produtor que deseja cooperar para crescer, independentemente de sua renda, do porte de sua propriedade ou de sua relevância para a comunidade. “Uma pessoa de renda mais baixa ou que exerça atividades mais simples tem o mesmo direito de se associar que uma figura ilustre ou de alta renda”, detalhou.
Como parte da estratégia de fortalecimento das bases cooperativistas, a cooperativa paranaense promove treinamentos e eventos de aperfeiçoamento sobre os sete princípios, além dos deveres e das responsabilidades dos cooperados. “Também realizamos dias de campo, seminários, cursos de formação pessoal e profissional, ações beneficentes, de conscientização ambiental e uso racional de recursos naturais. E tudo isso tem relação direta com a nossa forma diferente de pensar e de fazer negócios”, completa a gestora.
A C.Vale também atua fortemente na formação de futuras gerações, em programas como o Cooperjúnior e o Cooperjovem, nos quais estudantes e filhos de associados são orientados sobre os princípios e benefícios do cooperativismo. O objetivo é envolver a juventude em programas para estimular o desenvolvimento das noções de cooperativismo e da importância da sucessão familiar, iniciativas que perpetuam a vocação e o gosto pelo cooperativismo. E nesse contexto, é sempre importante destacar para eles que o cooperativismo é uma escolha, não uma obrigação — justamente o primeiro princípio da nossa série de reportagens especiais.
Mirna também destaca que os princípios do movimento ajudam a garantir que as cooperativas sigam padrões éticos e de conduta semelhantes não apenas no Brasil, mas no mundo. E assim como a cultura de um povo ajuda a moldar a maneira como uma população se comporta e enxerga a realidade, a cultura cooperativista serve como um norte para quem atua no nosso nosso modelo de negócios.
O professor Alair Ferreira concorda e acrescenta: para o cooperado, os sete princípios do cooperativismo funcionam como referência prática de pertencimento e participação. Por isso, devem ser instrumentos para fortalecer o protagonismo dos associados, reduzir assimetrias internas e contribuir para tornar as cooperativas mais transparentes, consistentes e sustentáveis ao longo do tempo.
“Cooperativas que desejam fortalecer a cultura cooperativista precisam tratar a educação como estratégia permanente, e não como ação episódica. Isso envolve investir em processos formativos continuados, articulados ao cotidiano da cooperativa, conectando princípios, gestão, mercado e realidade dos cooperados”, conclui.
Saiba mais sobre os princípios cooperativistas nos cursos disponíveis na plataforma CapacitaCoop e na websérie Bora Entender.
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