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Notícias saber cooperar
31/07/2026
Por que as cooperativas devem tomar decisões baseadas em dados?
Em um cenário de alta competitividade e mudanças cada vez mais rápidas no mercado, tomar decisões apenas com base na experiência já não basta. Saber onde investir, quando expandir uma operação, como atender melhor aos cooperados ou identificar riscos antes que eles se tornem problemas depende, cada vez mais, da capacidade das cooperativas de transformar dados em informação útil para a gestão.
É justamente esse o propósito do Anuário do Cooperativismo Brasileiro, do Sistema OCB, que teve sua edição 2026 lançada no dia 31 de julho. Principal levantamento sobre o setor no país, a publicação mostra que as 4,4 mil cooperativas brasileiras reúnem 29 milhões de cooperados, geram 613,4 mil empregos e movimentam R$ 848,4 bilhões na economia. Mais do que reunir números, o AnuárioCoop oferece base sólida para que dirigentes planejem o futuro de suas cooperativas.
“O Anuário é a principal radiografia do cooperativismo brasileiro. Ele reúne informações sobre o desempenho das cooperativas em todo o país e mostra, de forma concreta, qual é o impacto do setor na economia e na sociedade. Para além de apresentar números, o objetivo é oferecer conhecimento para apoiar decisões e mostrar a força do modelo cooperativista”, afirma o coordenador do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB, Igor Seixas Miranda Vianna.
Segundo ele, o AnuárioCoop deve ser visto como uma ferramenta de gestão. “O dirigente pode usar os dados para comparar o desempenho da sua cooperativa com o setor, identificar tendências, avaliar oportunidades de crescimento e embasar decisões estratégicas. É uma forma de olhar para além da realidade da própria organização e entender o contexto em que ela está inserida”.
Vianna destaca que praticamente todas as grandes decisões de uma cooperativa podem ser fortalecidas por dados. “Desde a abertura de uma nova unidade, lançamento de produtos e serviços, definição de investimentos, até ações voltadas à fidelização dos cooperados ou à melhoria da eficiência operacional. Ao permitir comparações entre ramos, regiões e indicadores econômicos, o Anuário ajuda os dirigentes a transformar informações em planejamento e a tomar decisões com menor grau de incerteza”, destaca.
Dos dados à estratégia
Para o auditor federal de Finanças e Controle da Controladoria-Geral da União (CGU) e professor de Tecnologia da Informação do Gran Faculdades, Vitor Kessler, mais do que reunir informações relevantes para o negócio, o verdadeiro diferencial de usar dados nos negócios está em saber interpretá-los e transformá-los em estratégias.
“Uma gestão orientada por dados é aquela em que as decisões são fundamentadas em evidências, e não apenas em opiniões, impressões pessoais ou práticas históricas”, argumenta. “Quando a decisão é baseada apenas na percepção, problemas relevantes podem ser subestimados, recursos podem ser direcionados para áreas de menor impacto e ações aparentemente bem-sucedidas podem ser mantidas sem que exista comprovação de seus resultados”, exemplifica.
Segundo Kessler, muitas organizações ainda decidem sem recorrer à análise de dados porque parece a via mais rápida e, muitas vezes, mais confortável. “O gestor já possui experiência no setor, conhece a organização e acredita que consegue reconhecer os problemas sem precisar de uma análise mais estruturada. Além disso, muitas organizações ainda possuem dados dispersos, desatualizados ou armazenados em sistemas que não se comunicam, além de enxergarem indicadores como mecanismos de controle ou fiscalização, e não como instrumentos de aprendizagem e melhoria”, afirma.
Outro fator, aponta Kessler, é a falsa impressão de que trabalhar com dados exige tecnologias complexas, equipes numerosas e grandes investimentos. “Na prática, é possível começar com estruturas simples, desde que existam objetivos claros e disciplina na coleta e análise das informações”, explica. “À medida que a maturidade aumenta, a organização pode investir em integração de sistemas, armazenamento de dados, plataformas de BI [Business Intelligence], automação e inteligência artificial”.
Para as cooperativas que desejam fortalecer a tomada de decisão com base em dados, Kessler recomenda começar pelo problema que precisa ser resolvido, e não pela tecnologia. “Antes de escolher ferramentas, a organização deve definir qual problema precisa resolver e quais dados são necessários para isso. Essas informações precisam ser confiáveis, analisadas em contexto e comparadas com metas ou referências. Mais do que gerar gráficos, a análise deve orientar ações, com responsáveis, prazos e acompanhamento dos resultados”, orienta.
Indicadores na rotina
Esse movimento de tomada de decisões com base em dados já faz parte da realidade das cooperativas brasileiras. Uma delas é Aurora Coop, de Santa Catarina, que reúne mais de 150 mil famílias cooperadas e atua nas cadeias de carnes suína e de aves, lácteos, pescados e alimentos industrializados, com operações em diversas regiões do país. Na Aurora, dashboards, BI e indicadores fazem parte da rotina dos gestores.
“A Aurora vem evoluindo de uma cultura baseada predominantemente na experiência e no conhecimento dos gestores para um modelo em que os dados complementam e qualificam as decisões. Isso ocorre por meio da ampliação das plataformas de Business Intelligence, da democratização do acesso às informações, da governança de dados e da incorporação de indicadores aos fóruns de gestão e acompanhamento estratégico”, afirma a diretora administrativa Marinei Aparecida Zuffo Antunes da Rocha.
Segundo Marinei, a principal mudança foi compreender que dados não são apenas um elemento tecnológico, mas um ativo estratégico do negócio. A cooperativa passou a valorizar decisões sustentadas por evidências, estimulando questionamentos, análises e validações antes da tomada de decisão.
Atualmente, todos os principais processos da Aurora estão mapeados em ferramentas de BI, e a organização já avança na integração dessas informações com soluções de Inteligência Artificial. Um dos exemplos está na área agropecuária, onde, segundo Marinei, o uso de geoprocessamento, cruzamento de informações sanitárias e análise espacial contribuiu para o planejamento preventivo, gestão de riscos e definição de ações operacionais na cadeia produtiva.
Apesar dos avanços tecnológicos, Marinei acredita que o principal fator para uma gestão baseada em dados continua sendo outro. “Se fosse necessário escolher apenas um fator, eu responderia: cultura. A tecnologia tornou-se cada vez mais acessível. Processos podem ser desenhados e redesenhados. Pessoas podem ser treinadas. Porém, sem uma cultura que valorize evidências, transparência, aprendizado contínuo e decisões fundamentadas, os dados não geram valor real”, avalia.
“Na Aurora, a transformação ocorre quando liderança, equipes e tecnologia trabalham de forma integrada, mas é a cultura que efetivamente converte informação em ação e ação em resultado. Essa é a base para uma organização verdadeiramente orientada por dados”, finaliza Marinei.
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31/07/2026
Cooperativismo deve aproveitar eleições para ser mais reconhecido, afirma Fabíola Nader Motta
O ano eleitoral também é um período estratégico para as cooperativas. Em meio ao processo que definirá os rumos do país pelos próximos anos, o cooperativismo tem a oportunidade de organizar suas pautas institucionais, dialogar com os candidatos e ampliar sua presença no debate público. Segundo a superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, o principal desafio é consolidar o reconhecimento do coop como um movimento permanente, organizado e comprometido com o interesse coletivo.
“O cooperativismo promove desenvolvimento local, gera oportunidades, fortalece cadeias produtivas, amplia o acesso a serviços e contribui para a redução das desigualdades. Quanto mais a sociedade compreender esse papel, maior será a capacidade do movimento de influenciar positivamente as decisões públicas”, afirma.
A consolidação desse reconhecimento, segundo a gestora, requer uma atuação institucional consistente, baseada no diálogo, na informação qualificada e participação cidadã, sem abrir mão da neutralidade partidária.
Leia a entrevista completa:
Sistema OCB: Como as cooperativas devem se preparar para as eleições gerais de 2026? É possível participar do processo sem comprometer a neutralidade partidária?
Fabíola Nader Motta: As eleições representam uma oportunidade para que as cooperativas ampliem sua participação no debate público e fortaleçam sua presença em temas que impactam diretamente seus cooperados e as comunidades onde atuam. A preparação começa muito antes da campanha eleitoral. É fundamental que as cooperativas conheçam os principais desafios de seus territórios, organizem suas pautas prioritárias e estejam preparadas para dialogar com candidatos, partidos e lideranças de diferentes espectros políticos. A força política do cooperativismo está vinculada à sua capacidade de mobilização, de apresentar propostas consistentes e de demonstrar os resultados concretos que gera para a sociedade. Nosso movimento está presente em milhares de municípios, reúne milhões de brasileiros e contribui para a geração de emprego, renda, inclusão financeira, produção de alimentos, acesso à saúde e desenvolvimento regional. Esse capital social e econômico confere legitimidade ao movimento para participar das discussões sobre o futuro do país. Manter a neutralidade partidária significa justamente concentrar a atuação institucional nas pautas de interesse do movimento. A cooperativa pode promover encontros, apresentar agendas de interesse, estimular o voto consciente e dialogar com todos os candidatos de forma transparente e equilibrada. O foco deve ser sempre a defesa de políticas públicas que contribuam para o desenvolvimento das cooperativas e das comunidades, independentemente de quem esteja disputando ou ocupando os cargos eletivos.
Como o Sistema OCB orienta a participação cooperativista no processo eleitoral?
Para apoiar essa preparação, o Sistema OCB desenvolveu uma série de ferramentas reunidas no site Eleições 2026, criado especialmente para fortalecer a participação cidadã e a representação institucional do cooperativismo. Entre os materiais disponíveis está o documento Propostas para um Brasil Mais Cooperativo, que apresenta aos candidatos e tomadores de decisão uma agenda de contribuições do cooperativismo para o desenvolvimento econômico e social do país. As cooperativas também têm acesso à cartilha Cooperativismo e as Eleições 2026, que traz orientações de boas práticas na participação política, atuação institucional e engajamento responsável de cooperativas, cooperados e Organizações Estaduais no processo eleitoral. O objetivo é apoiar a promoção da educação política e do voto consciente, contribuindo para uma participação mais ativa, informada e alinhada aos valores do cooperativismo. Esse conjunto de ferramentas contribui para a formação de lideranças mais conscientes, capazes de participar de forma qualificada e permanente dos debates que impactam o futuro do setor e das comunidades onde atuam.
Como o cooperativismo consegue organizar suas pautas e levá-las aos candidatos?
No caso do documento Propostas para um Brasil Mais Cooperativo, essa construção ocorre de forma estruturada e participativa, com a escuta de lideranças cooperativistas de todos os ramos do cooperativismo e regiões do país. As propostas também são orientadas pelo Planejamento Estratégico do Sistema OCB e pelas diretrizes do nosso Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), que em sua última edição, reuniu cerca de 3 mil lideranças cooperativistas. A partir dessa escuta, os principais desafios, tendências e oportunidades são transformados em propostas objetivas, fundamentadas em dados e conectadas às diferentes realidades regionais. O resultado é a organização de uma pauta de prioridades que representa o cooperativismo brasileiro de forma ampla e demonstra aos candidatos, de forma concreta, como o setor pode contribuir para a inclusão produtiva, a redução das desigualdades, o fortalecimento da economia e o desenvolvimento sustentável do país.
Qual o erro mais comum das cooperativas no período eleitoral?
Talvez o erro mais comum seja tratar a participação política como uma ação pontual, restrita ao período eleitoral. Quando isso acontece, perde-se a oportunidade de construir relacionamentos institucionais duradouros e de acompanhar de forma efetiva as decisões que afetam o ambiente de negócios das cooperativas. Outro equívoco recorrente é concentrar esforços em pessoas específicas em vez de fortalecer pautas e propostas. O cooperativismo precisa ser reconhecido como um movimento permanente, organizado e comprometido com o interesse coletivo. Isso exige uma atuação institucional consistente, baseada em diálogo, informação qualificada e participação cidadã. Também é importante evitar a confusão entre participação política e partidarização. O cooperativismo tem o direito e o dever de defender suas pautas, mas sempre respeitando sua natureza plural e democrática, que reúne pessoas com diferentes visões políticas em torno de objetivos comuns.
Qual a ferramenta para apoiar essa atuação contínua?
O Programa de Educação Política. A iniciativa busca fortalecer uma cultura permanente de participação cidadã e representação institucional, oferecendo conhecimento, ferramentas e espaços de diálogo para que cooperados e dirigentes compreendam melhor o ambiente político e possam atuar de forma mais estratégica. Quanto mais preparadas estiverem as cooperativas para acompanhar os debates públicos, organizar suas pautas e se relacionar com os tomadores de decisão, maior será sua capacidade de contribuir para a construção de políticas públicas alinhadas às necessidades das comunidades e ao desenvolvimento do cooperativismo.
Como a educação política na base ajuda a eleger representantes alinhados com o coop?
A educação política é uma das ferramentas mais importantes para fortalecer a representatividade do cooperativismo. Quando cooperados, colaboradores e dirigentes compreendem como funcionam os Poderes da República, quais são as atribuições dos cargos eletivos e como as políticas públicas impactam seu cotidiano, eles passam a participar de forma mais consciente do processo democrático. Essa conscientização contribui para que o voto seja orientado por propostas, histórico de atuação e compromisso com temas relevantes para o desenvolvimento das comunidades. Ao entender melhor o papel da representação política, os cooperados conseguem identificar candidatos que valorizam o empreendedorismo coletivo, a inclusão produtiva, a geração de oportunidades e o desenvolvimento sustentável. O resultado é um ambiente que contribui para o fortalecimento de espaços de representação como a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), que tem desempenhado papel fundamental na defesa de pautas estratégicas para o setor. A educação política fortalece, portanto, a cidadania e amplia a capacidade da sociedade de acompanhar, cobrar e participar das decisões públicas.
Quais cuidados a cooperativa deve ter com sua comunicação institucional durante o período eleitoral?
A comunicação institucional exige atenção redobrada durante o período eleitoral. As cooperativas devem assegurar que seus canais sejam utilizados para informar, educar e promover o diálogo democrático, sem qualquer favorecimento ou prejuízo a candidaturas específicas. É fundamental observar as regras da legislação eleitoral e estabelecer critérios claros para participação de candidatos em eventos, entrevistas, debates ou conteúdos institucionais. Caso haja abertura para participação de agentes políticos, o tratamento deve ser isonômico e transparente. Nas redes sociais, é importante diferenciar claramente posicionamentos institucionais de manifestações individuais de dirigentes, colaboradores ou cooperados. A comunicação da cooperativa deve permanecer focada em suas pautas, em seus resultados e em seu compromisso com o desenvolvimento da comunidade. Além de evitar riscos jurídicos, essa postura fortalece a credibilidade e a confiança na instituição.
Como se informar sobre essas orientações específicas?
O Sistema OCB disponibiliza a cartilha de boas práticas Cooperativismo e as Eleições 2026, que oferece referências seguras para que as cooperativas possam se comunicar de forma transparente, com respeito à legislação e à sua neutralidade partidária, sem abrir mão de seu papel legítimo de apresentar propostas, promover o diálogo e contribuir para o debate sobre temas relevantes para o desenvolvimento local e nacional. Dessa forma, buscamos dar às cooperativas mais segurança para participarem de maneira responsável, alinhada aos valores e princípios do cooperativismo.
Qual o principal desafio do cooperativismo brasileiro nestas eleições?
O principal desafio continua sendo ampliar o conhecimento da sociedade e dos tomadores de decisão sobre o verdadeiro alcance do cooperativismo. Apesar da sua presença em praticamente todos os setores da economia e em milhares de municípios brasileiros, muitas pessoas ainda desconhecem a dimensão do impacto que as cooperativas geram na vida das comunidades. Essa falta de conhecimento pode limitar a inclusão de pautas estratégicas do cooperativismo nos programas de governo e nas agendas legislativas. Por isso, o desafio é político, mas também comunicacional e educativo. Precisamos mostrar cada vez mais que o cooperativismo oferece benefícios que ultrapassam o seu número de cooperados. Ele promove desenvolvimento local, gera oportunidades, fortalece cadeias produtivas, amplia o acesso a serviços e contribui para a redução das desigualdades. Quanto mais a sociedade compreender esse papel, maior será a capacidade do movimento de influenciar positivamente as decisões públicas.
Como alcançar esse objetivo estratégico?
Superar esse desafio passa por ampliar o acesso à informação qualificada. Por isso, em 2026, o Sistema OCB dá um novo impulso ao Programa de Educação Política com um chamado claro: na hora de votar, #PensenoCoop. A nossa campanha convida o movimento cooperativista a fortalecer sua participação cidadã e a levar para o debate público seus valores e contribuições. Temos convicção de que a presença ativa do cooperativismo como parte da discussão e instrumento de políticas públicas, ajuda a gerar mais oportunidades, inclusão e prosperidade para milhões de brasileiros.
Que conselho você deixa para os dirigentes cooperativistas no período eleitoral?
Meu principal conselho é que assumam o protagonismo na construção do ambiente institucional em que suas cooperativas estão inseridas. As decisões tomadas nos parlamentos, nos governos e nos órgãos reguladores impactam diretamente a capacidade das cooperativas de crescer, inovar e gerar benefícios para seus cooperados. Por isso, é fundamental investir na formação política, estimular o engajamento cidadão e promover o diálogo permanente com lideranças públicas. Participar da vida democrática significa compreender os desafios do país, apresentar propostas, defender interesses legítimos e contribuir para a construção de soluções coletivas. O cooperativismo nasceu da participação, da organização e do compromisso com o bem comum. Esses mesmos valores devem orientar sua atuação no debate público. Quando cooperativas e cooperados entendem a importância da representação política e se mobilizam em torno de pautas comuns, todo o movimento ganha força para construir um Brasil mais próspero, inclusivo e cooperativo. Também recomendo que os dirigentes engajem com nossos materiais de apoio e de comunicação, disponíveis no site Eleições 2026, que podem ajudar as cooperativas a transformarem sua relevância econômica e social em maior capacidade de participação nos debates que definirão o futuro do país. Quanto mais preparadas estiverem as lideranças cooperativistas, maior será a contribuição do movimento para a construção de políticas públicas alinhadas às necessidades das pessoas e das comunidades.
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22/07/2026
Educação Política fortalece cultura de representação institucional no coop
A política está mais presente no cotidiano das cooperativas do que muita gente imagina. É nos espaços de decisão que são definidas leis, regulamentações e políticas públicas capazes de impulsionar – ou limitar – o desenvolvimento do cooperativismo. Por isso, acompanhar o ambiente político-institucional e participar do diálogo com os tomadores de decisão é uma estratégia essencial para fortalecer o setor e garantir que as especificidades do modelo cooperativo sejam consideradas.
Para aprimorar essa atuação, o Sistema OCB criou o Programa de Educação Política, que prepara lideranças cooperativistas para compreender o funcionamento das instituições, qualificar a representação institucional e ampliar a participação do cooperativismo nos debates de interesse do setor. Mais do que incentivar o acompanhamento da agenda pública, o programa busca consolidar uma cultura de atuação apartidária, técnica e permanente, voltada à defesa legítima das pautas cooperativistas.
“Nossa intenção é formar cidadãos mais conscientes, lideranças mais preparadas e cooperativas mais capazes de dialogar com os tomadores de decisão. Queremos que o cooperativismo seja reconhecido não apenas por sua relevância econômica e social, mas também por sua capacidade de contribuir para a construção de soluções para os desafios do país”, explica o gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Eduardo Queiroz.
Esse fortalecimento da representação institucional se traduz em ações concretas. Ao acompanhar a agenda legislativa, dialogar com representantes dos Poderes e construir relacionamentos institucionais, o cooperativismo amplia sua capacidade de atuar de forma estratégica na defesa de seus interesses. Com isso, consegue apresentar propostas fundamentadas, contribuir tecnicamente para a formulação de políticas públicas e levar aos espaços de decisão a experiência de organizações que promovem inclusão produtiva, desenvolvimento regional, geração de renda e o fortalecimento das comunidades.
“Quando um dirigente entende como tramita um projeto de lei, quando um cooperado compreende o impacto de uma política pública sobre sua atividade ou quando uma cooperativa consegue apresentar propostas estruturadas para candidatos e gestores públicos, estamos fortalecendo a capacidade de incidência do movimento”, destaca o gerente.
Como participar
O Programa de Educação Política oferece diferentes ferramentas para as cooperativas aperfeiçoarem sua participação em processos decisórios importantes para as regiões onde estão inseridas. Em todo o país, 25 Organizações Estaduais (OCEs) já aderiram à plataforma. Segundo Queiroz, quanto maior o envolvimento das cooperativas, maior a capacidade do movimento de apresentar suas contribuições para o desenvolvimento do país e defender um ambiente institucional favorável ao seu crescimento.
“Cooperativas que investem em educação política fortalecem sua capacidade de relacionamento institucional, desenvolvem lideranças mais preparadas, ampliam sua influência nos debates públicos e conseguem antecipar tendências regulatórias e legislativas que podem impactar seus negócios. Além disso, tornam-se organizações mais conectadas com seus territórios e mais capazes de atuar como agentes de desenvolvimento local”, ressalta.
O programa é colocado em prática nos estados com oficinas, seminários, encontros de lideranças, cursos de formação, campanhas de conscientização e atividades voltadas para jovens, mulheres e dirigentes cooperativistas. São ações que destacam a importância da participação cidadã e da representação institucional dentro do coop e vem gerando uma mudança cultural ao longo dos anos.
“Percebemos um avanço significativo na capacidade das próprias cooperativas de organizarem suas pautas, construírem agendas regionais e participarem de discussões sobre desenvolvimento local, o que amplia a legitimidade e a influência institucional do movimento”, avalia o gerente.
Atuação estratégica
O Programa de Educação Política funciona com base em eixos estratégicos. No primeiro, Formação Política e Cidadã, o foco é promover a capacitação sobre democracia, funcionamento das instituições, processo eleitoral, Poder Legislativo, Poder Executivo e participação social. É a base que permite que o sistema cooperativista tenha multiplicadores do programa por todo o país.
No eixo Mobilização e Engajamento, o Sistema OCB busca transformar conhecimento em participação. O objetivo é incentivar cooperados, dirigentes e colaboradores a acompanharem os temas de interesse do cooperativismo e a se envolverem nos debates que impactam suas comunidades e seus negócios.
O terceiro eixo – Representação Institucional – inclui o cooperativismo no centro da agenda de decisões, por meio do documento Propostas para um Brasil Mais Cooperativo, entregue aos presidenciáveis e demais candidatos em nível federal, estadual e municipal. Por fim, o eixo Comunicação e Conscientização amplia o alcance dessas discussões por meio de campanhas, materiais educativos e plataformas digitais. É nesse contexto que iniciativas como a campanha “Na hora de votar, #PensenoCoop” ganham relevância, aproximando cooperativas e representantes públicos.
“É uma formação completa, que vai permitir à cooperativa entender como funciona todo o processo de participação política e como usá-la a seu favor. Em 2026, ano de eleições gerais, essa decisão é ainda mais importante no sentido de qualificar o relacionamento institucional das cooperativas com candidatos, parlamentares e gestores públicos”, destaca Eduardo Queiroz.
Educação política na prática
No Sistema OCB/ES, 100% dos parlamentares eleitos em âmbito estadual já firmaram um compromisso com o cooperativismo. A adesão é resultado de um trabalho consistente de representação institucional do coop capixaba.
O assessor de Relações Institucionais do Sistema OCB/ES, David Duarte Ribeiro, explica que, com a ajuda do Programa de Educação Política, os atores políticos compreenderam que o cooperativismo possui uma atuação apartidária, com foco em fortalecer as cooperativas e ampliar a contribuição delas para o desenvolvimento do estado.
Participante do programa desde 2023, a OCE já vem colhendo resultados significativos, como a aprovação de leis de reconhecimento e incentivo ao cooperativismo em 22 municípios capixabas. Os avanços refletem um esforço que também mobiliza quem atua na ponta. Cooperativas como a Coopram, de agricultura familiar, e a Coopersules, de transporte, passaram a dedicar painéis exclusivos ao Programa de Educação Política em seus eventos internos. “Nesses espaços, os multiplicadores apresentam a iniciativa, debatem a importância do envolvimento institucional e mostram como as decisões políticas impactam diretamente o dia a dia da cooperativa”, conta Ribeiro.
Para ampliar esse alcance, o Sistema OCB/ES aposta em duas frentes complementares. A primeira é a capacitação dos multiplicadores, por meio da trilha de aprendizagem Cooperativismo e Relações Governamentais, na plataforma CapacitaCoop, garantindo que eles tenham domínio dos temas abordados.
A segunda consiste em comunicar o tema de forma simples e próxima do público. “Encaminhamos materiais dinâmicos, como cartilhas digitais e pílulas de informação via WhatsApp, além de promovermos reuniões de comitês educativos. O foco é desmistificar a política, mostrando que a educação política não é sinônimo de partidarismo, mas sim um mecanismo para atuarmos em defesa do modelo de negócios cooperativo”, afirma o assessor.
Construção permanente
O Paraná foi o estado pioneiro na implementação do Programa de Educação Política do Sistema OCB, ainda na fase piloto, em 2018. Adaptada à realidade local, a iniciativa alcançou mais de 1 milhão de pessoas. Agora, a meta é ampliar esse alcance para 3 milhões, mobilizando as 255 cooperativas registradas na Ocepar.
De acordo com a coordenadora de Relações Institucionais da entidade, Danielly Andressa da Silva, esse avanço é resultado de um trabalho contínuo de formação de coordenadores locais – lideranças indicadas pelas cooperativas para atuar como pontos focais do programa em cada organização.
Os coordenadores participam regularmente de capacitações, recebem orientações técnicas e integram reuniões e fóruns promovidos pela Ocepar, garantindo alinhamento e uniformidade na condução das ações em todo o estado. “Cada vez mais lideranças compreendem que acompanhar o ambiente político-institucional não significa fazer política partidária, mas exercer uma representação institucional responsável, organizada e alinhada aos interesses do cooperativismo”, afirma.
O pioneirismo também tem impacto na representatividade do coop paranaense. Hoje, 26 deputados federais e senadores do estado integram a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) no Congresso Nacional. “Observamos recentemente uma evolução importante na qualidade do relacionamento institucional com os Poderes Executivo e Legislativo, permitindo que as contribuições do cooperativismo sejam apresentadas de forma técnica, propositiva e permanente”, destaca Danielly.
Para a coordenadora, esse trabalho ultrapassa os períodos eleitorais e busca consolidar uma cultura permanente de representação institucional. A proposta é preparar cooperativas e lideranças para acompanhar os processos de decisão e atuar de forma organizada na defesa de pautas estratégicas para o setor.
A consolidação do programa também passa por uma agenda estruturada de formação e mobilização. A Ocepar investe na capacitação contínua de lideranças, na produção de materiais de comunicação, em parcerias institucionais e em ações de sensibilização junto às cooperativas. Entre as iniciativas desenvolvidas estão o documento Propostas por um Paraná mais Cooperativo, que complementa o material elaborado pelo Sistema OCB com indicadores e prioridades para o estado, o MBA em Inteligência Política e Governos, realizado com o apoio do Sescoop/PR, além de imersões institucionais na Assembleia Legislativa do Paraná e diálogo permanente com representantes dos Executivo.
Segundo Danielly, a experiência tem mostrado que o maior desafio não é executar o programa, mas consolidar uma cultura de representação institucional capaz de ampliar, de forma legítima e contínua, a influência do cooperativismo nos espaços de decisão. “Nosso objetivo hoje é fortalecer uma atuação orientada por inteligência política, preparando lideranças para compreender o ambiente institucional, antecipar tendências e qualificar o diálogo com os tomadores de decisão”, conclui.
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16/07/2026
Marketing de influência fortalece comunicação cooperativista
Quase metade da população brasileira já realizou uma compra por recomendação de influenciadores digitais, colocando o país na liderança do ranking global sobre o poder dos criadores de conteúdo nas decisões de consumo, segundo pesquisa da Statista e Hootsuite. O cooperativismo vem ocupando esse espaço de forma estratégica, utilizando o marketing de influência para ampliar o alcance de mensagens que engajam, informam e ajudam a promover escolhas conscientes.
Com o uso cada vez mais massivo das redes sociais, os influenciadores se destacam por criar conexões genuínas com seus seguidores, um ativo valioso para marcas e instituições que desejam conquistar o público digital. É aí que entra o marketing de influência, uma estratégia de comunicação que utiliza personalidades influentes para divulgar produtos ou serviços.
De acordo com a professora e pesquisadora do Instituto Federal de Brasília (IFB) Carla Simone Castro, embora o termo tenha ganhado notoriedade com as redes sociais, o conceito é antigo, porque as marcas sempre recorreram a figuras públicas, especialistas, artistas e lideranças sociais para transferir credibilidade em suas divulgações. “O que mudou foi a dinâmica da comunicação digital. Com o surgimento das plataformas sociais, especialmente Instagram, TikTok, YouTube e LinkedIn, surgiram novos formadores de opinião que passaram a construir comunidades próprias, estabelecendo relações mais próximas, frequentes e autênticas com seus seguidores”, explica.
Em tempos de super conectividade, o diferencial do marketing de influência é gerar confiança em um contexto onde os consumidores buscam referências, opiniões e experiências compartilhadas por outros usuários. “Enquanto a publicidade tradicional comunica a partir da instituição, o influenciador comunica a partir da experiência, da vivência e da relação de confiança construída com sua audiência. Isso gera uma percepção de autenticidade que muitas vezes amplia a eficácia da mensagem”, destaca a especialista.
O marketing de influência também permite uma segmentação altamente qualificada. Segundo Carla, é possível trabalhar com criadores de conteúdo especializados, alcançando públicos específicos com muito mais precisão do que em campanhas massificadas, o que gera melhores resultados. “Produtos, serviços ou políticas públicas que exigem explicação podem ser comunicados de forma mais acessível por especialistas e criadores de conteúdo que já possuem legitimidade perante seus públicos”, ressalta.
Marketing de influência no coop
Esse potencial de traduzir conceitos para o público de forma autêntica e confiável levou o cooperativismo a investir no marketing de influência como estratégia de comunicação. Este ano, os criadores de conteúdo ganharam espaço relevante na campanha SomosCoop 2026 para ajudar a espalhar a mensagem-tema: Escolha consciente, escolha o coop.
O time é formado pela apresentadora Ana Maria Braga, a educadora financeira Nath Finanças, a divulgadora científica Mari Kruger, o humorista Ed Gama e a influenciadora de investimentos Dani Colombo. A escolha dos nomes foi baseada na autenticidade, credibilidade e afinidade entre o perfil de cada um e a mensagem que o movimento coop deseja transmitir, segundo Samara Araujo, gerente de Comunicação e Marketing do Sistema OCB.
“Os influenciadores traduzem mensagens complexas para uma linguagem acessível, geram identificação e ajudam a inserir o cooperativismo em contextos nos quais ele normalmente não estaria presente. Isso amplia o reconhecimento da marca SomosCoop, desperta curiosidade e fortalece a conexão emocional com os consumidores”, destaca.
Ana Maria Braga, por exemplo, tem uma relação de confiança com o público construída ao longo de décadas com temas ligados à alimentação, qualidade e escolhas de consumo, além de exercer grande influência nas decisões de compra de milhões de brasileiros. Em uma das ações da campanha, ela levou o SomosCoop para a bancada do Mais Você.
Nath Finanças contribui para conectar a campanha ao conceito de consumo consciente e educação financeira, enquanto o Ed Gama utiliza o humor para aproximar o cooperativismo de novos públicos de forma leve e acessível. Mari Krüger e Dani Colombo reforçam a comunicação da campanha SomosCoop com uma linguagem simples e didática, ampliando o entendimento sobre o cooperativismo e incentivando escolhas mais conscientes.
Segundo Samara, quando existe coerência entre o influenciador e a mensagem, o conteúdo tende a gerar maior confiança e engajamento, o que tem sido comprovado pelos resultados. “Nos primeiros meses da campanha, já ultrapassamos 320 milhões de impactos, enquanto os conteúdos protagonizados por Ana Maria Braga, Nath Finanças, Ed Gama, Mari Kruger e Dani Colombo somaram mais de 20 milhões de visualizações nas redes sociais”, detalha a gerente.
A campanha SomosCoop 2026 representa uma evolução da estratégia de comunicação do cooperativismo brasileiro. A divulgação integrada reúne publicidade, assessoria de imprensa, produção de conteúdo institucional, marketing de influência, ações em pontos de venda, ações em grandes programas de entretenimento, presença digital e forte mobilização das cooperativas em todo o país. “Também disponibilizamos um amplo enxoval de comunicação, materiais de trade marketing, treinamentos e orientações para que o movimento fale de forma coordenada, fortaleça uma identidade única e potencialize os resultados”, explica Samara Araujo.
Conteúdos mais coop
Escolher um influenciador digital para comunicar o cooperativismo vai muito além do número de seguidores e envolve reputação, credibilidade e aderência aos objetivos estratégicos do movimento. Para garantir que a ferramenta seja eficaz, é preciso identificar criadores de conteúdos alinhados às mensagens e valores que serão apresentados.
De acordo com a pesquisadora Carla Simone Castro, do IFB, uma tendência crescente nesse mercado é a co-criação de conteúdo. Em vez de apenas divulgar uma mensagem pronta, as organizações passam a desenvolver soluções, experiências e narrativas conjuntamente com os influenciadores, aumentando a autenticidade da comunicação.
“É importante estabelecer objetivos claros, definir indicadores de desempenho, orientar corretamente sobre a campanha e garantir transparência na relação comercial. Além disso, é fundamental avaliar a afinidade genuína com o tema que será comunicado, pois a autenticidade faz toda a diferença para que a mensagem seja percebida como verdadeira”, pondera a especialista.
“O influenciador precisa atuar como um parceiro estratégico, capaz de compreender e traduzir os valores da cooperação, e não apenas como um veículo para divulgação de uma mensagem”, complementa Samara Araujo.
Para o futuro, a pesquisadora prevê um mercado de marketing de influência cada vez mais profissionalizado, orientado por dados e com maiores níveis de transparência. “O setor caminha para modelos que relacionam influência não apenas a métricas de vaidade, como curtidas e visualizações, mas a indicadores concretos de negócio, reputação, geração de valor e comportamento do consumidor”.
A experiência do Sistema OCB mostra que é necessário investir não somente em marketing de influência, mas também em branding, produção de conteúdo, campanhas publicitárias, inteligência de dados, experiências presenciais, entre outros. “Dentro dessa lógica de se assumir coop, podemos nos apoiar nas narrativas. As cooperativas possuem um patrimônio extremamente valioso: histórias reais, cooperados, comunidades transformadas e impactos concretos. Muitas vezes, esses ativos ainda são pouco explorados. Por isso, é fundamental desenvolver uma comunicação que conte essas histórias de forma simples, próxima e conectada com a realidade das pessoas”, finaliza a gerente.
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10/07/2026
Cooperativa é protagonista de pesquisa com jaborandi na Amazônia
Na Floresta Nacional de Carajás, no Pará, a mata densa e úmida guarda tesouros escondidos. É neste cenário que um projeto científico realizado com a participação de um cooperativa trabalha para preservar uma planta fundamental para a medicina moderna: o jaborandi, ou Pilocarpus microphyllus. A espécie amazônica é a única fonte natural conhecida da pilocarpina, composto usado no tratamento de doenças como glaucoma e a Síndrome de Sjögren.
Os pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV) contam com um ativo especial para essa missão: a força do cooperativismo, representada pela Coex Carajás. A cooperativa reúne extrativistas da unidade de conservação desde 1990 e é reconhecida pelo manejo sustentável da floresta.
O jaborandi é uma planta classificada como vulnerável na Lista Vermelha da Flora Brasileira, ou seja, com alto risco de extinção na natureza em médio prazo. A preservação é urgente, em especial porque não há alternativa sintética à pilocarpina extraída da planta. Para resolver essa equação, os pesquisadores do ITV, com apoio da comunidade local e do envolvimento da Coex Carajás, criaram uma coleção inter situ, ou um “banco vivo de conservação” do jaborandi. Isso porque a planta não pode ser preservada por métodos tradicionais, como na forma de sementes.
“Existem bancos de sementes espalhados por vários locais no mundo. Se, por exemplo, algum dia ocorrer uma catástrofe mundial, você consegue recuperar as espécies usando esses acervos. Há várias espécies que a gente chama de sementes ortodoxas, que conseguem ser armazenadas por longos períodos. Mas outras perdem a viabilidade muito rápido, como o jaborandi”, explica o pesquisador Cecilio Caldeira Frois.
O estudo, comandado por ele e pela equipe do ITV, foi publicado na renomada revista científica PLOS One. Há várias formas de manter uma coleção de plantas e, no caso do jaborandi, a aposta foi pela forma inter situ, ou seja, no próprio local em que a espécie se desenvolve, a partir da recuperação das áreas degradadas.
“A grande vantagem da coleção inter situ é que, além de estudos, ela serve para uso. As plantas crescem como se estivessem em um ambiente natural”, explica o cientista. Antes do plantio, é feito um estudo genético das mudas em viveiro, um traçado das áreas e o desenvolvimento das técnicas para que elas brotem. Depois, vem a fase de manejo, em que os pesquisadores acompanham as espécies para avaliar a sobrevivência e o crescimento.
“Isso tudo é feito durante vários anos até que a coleção se estabeleça. Aquelas plantas que nós levamos começam a ter ‘novos filhos’ ali e conseguem ter autonomia da população”, resume. O trabalho da pesquisa começou em 2020, com a coleta das sementes que indicaram quatro populações geneticamente distintas do jaborandi - três delas apresentaram resultados expressivos, com mais de 500 plantas estabelecidas.
Protagonismo coop
Com experiência de muitos anos no manejo sustentável do jaborandi na região, a Coex Carajás tem papel fundamental na pesquisa. Os cooperados participaram de diversas etapas do estudo, desde o planejamento até o trabalho em campo, que é remunerado pelo instituto. “Boa parte das ações que a gente executa, a cooperativa participa. Por exemplo, para mapear as áreas de ocorrência do jaborandi na Floresta Nacional de Carajás. Quem vai a campo e coleta os dados são os cooperados. A gente faz o treinamento e os contrata”, explica Frois.
O resultado da cooperação beneficia os extrativistas, a ciência e toda a sociedade, uma vez que a preservação do jaborandi garante o tratamento de quem precisa do ativo. “Esse mapeamento vai retornar para os cooperados da Coex Carajás, porque essas novas áreas serão os locais onde eles poderão explorar folhas e sementes de jaborandi no futuro”, pondera o pesquisador. Além disso, a equipe do ITV pretende elaborar um guia sobre como implantar coleções de espécies excepcionais, como o jaborandi, auxiliando outras frentes de trabalho científico.
Cooperativismo e desenvolvimento na Amazônia
O superintendente do Sistema OCB/PA, Júnior Serra, destaca que as cooperativas paraenses, pela própria inserção no bioma amazônico, praticam a bioeconomia desde sua essência. “Elas estão auxiliando nesse modal da integração entre homem e natureza. Muitas cooperativas como a Coex Carajás precisam estar com o ecossistema equilibrado para produzir”, ressalta.
O pesquisador Cecílio Frois destaca que a presença de uma comunidade local dedicada ao manejo sustentável foi o ambiente perfeito para que o estudo se desenvolvesse da melhor forma possível. “A gente encontra na espécie uma demanda comercial, uma demanda de conservação e uma comunidade local que quer e precisa fazer a conservação e o manejo da espécie. Essa sinergia com a cooperativa. Para mim, que trabalho com pesquisa, ver isso sendo aplicado é extraordinário”, afirma.
Serra destaca que, com a participação das cooperativas em projetos de sustentabilidade ambiental, o ganho deixa de ser individual para se tornar coletivo. “O cooperativismo é uma importante ferramenta de desenvolvimento social e econômico, capaz de impulsionar a preservação ambiental, a permanência das pessoas no campo e promover o desenvolvimento tão necessário para essas comunidades”.
Notícias saber cooperar
10/07/2026
Semana de Competitividade 2026 impulsiona a cultura cooperativista
Como crescer sem perder a identidade? Desde o 15º Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), essa reflexão tem orientado a construção de uma visão estratégica para o futuro do movimento, fundamentada nos princípios e valores que o definem. Em agosto, essa mobilização terá um marco importante, com a Semana de Competitividade 2026, que este ano terá como tema “Cultivando a Cultura Cooperativista”, um chamado à ação para fortalecer os diferenciais do coop e impulsionar o crescimento sustentável.
O evento será realizado de 11 a 13 de agosto, em Brasília, e integra as atividades do Ano da Cultura Coop, promovido pelo Sistema OCB para oferecer às cooperativas soluções que visam fortalecer a cultura cooperativista por meio da educação orientada para continuidade e renovação, com foco na formação de educadores cooperativistas.
“A cultura cooperativista é um movimento vivo, em transformação. No momento em que o modelo de negócios cooperativista está em plena expansão no Brasil, reforçar o que nos torna únicos é fundamental. Para que os valores e princípios do coop se mantenham sólidos, precisamos investir em educação e informação sobre nossa identidade, e a Semana de Competitividade trará importantes ferramentas para isso”, afirma a gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, Débora Ingrisano.
Durante o evento, serão apresentados os resultados da Pesquisa de Cultura Cooperativista 2026, estudos sobre identidade e memória cooperativista, além de novas soluções do Eixo CulturaCoop nas áreas de legado, educação e sucessão.
Formação e engajamento
A programação vai reunir cooperativistas de todo o país, especialistas e lideranças em trilhas sobre
governança cooperativa, educação cooperativista, comunicação e experiência, legado e sucessão. Os participantes poderão compartilhar experiências, tendências e boas práticas de cultura cooperativista em palestras, labs, salas temáticas e momentos de troca sobre temas fundamentais para o futuro do cooperativismo brasileiro.
“Esta edição foi pensada para valorizar aquilo que diferencia o coop: sua essência, seus valores, sua identidade e sua capacidade de gerar desenvolvimento de forma coletiva. É uma oportunidade para refletirmos, na prática, sobre como a cultura coop pode fortalecer nossas organizações e ampliar nosso diferencial competitivo”, destaca o gerente do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB, Guilherme Costa.
Ao longo dos três dias, a Semana de Competitividade vai propor discussões sobre a cultura cooperativista como um diferencial estratégico das cooperativas, abordando identidade, valores, práticas organizacionais, educação cooperativista e formas de fortalecer o jeito cooperativo de atuar. Reconhecido pelas ativações inovadoras e interatividade, o evento deste ano oferecerá uma experiência ainda mais dinâmica e conectada com os desafios atuais das cooperativas.
“A proposta é que os participantes encontrem uma programação diversa, com conteúdos que combinam reflexão estratégica, cases reais e atividades mais aplicadas, sempre com foco em mostrar como a cultura cooperativista pode ser cultivada no dia a dia e transformada em diferencial competitivo.”, ressalta Costa.
Reflexões e prática
Os destaques da programação da Semana de Competitividade 2026 estão disponíveis no site oficial do evento. As palestras irão debater temas como juventude cooperativista, tendências de comunicação e oportunidades geracionais, futuro do coop e legado cooperativista. Nas salas temáticas, os programas incluem diversidade e inclusão, protagonismo feminino, educação e Inteligência Artificial (IA), além de sucessão, fidelização de cooperados e governança. Os labs – com atividades práticas – foram definidos a partir de questões norteadoras para o futuro do coop, como engajamento de jovens, design de experiência, plano de comunicação e memória institucional.
Confira a programação no site da Semana de Competitividade 2026.
Notícias saber cooperar
22/06/2026
Mulheres na história do coop: de Rochdale à ACI
Neste infográfico você vai conhecer a trajetória inspiradora de mulheres que participaram ativamente da construção do movimento cooperativista no Brasil e no mundo e suas importantes contribuições para moldar o cooperativismo como conhecemos hoje.
Notícias saber cooperar
18/06/2026
“Cooperativas que valorizam a memória fortalecem a confiança e geram mais valor”, afirma pesquisadora
Conhecer as origens é também compreender quem somos e para onde queremos ir. No Ano da Cultura Coop, pesquisas realizadas pela historiadora Carolina Kuk, a pedido do Sistema OCB, conectam memória, cultura, educação, filosofia e identidade cooperativista, mostrando que olhar para a trajetória do movimento e das cooperativas brasileiras vai muito além de preservar o passado: é uma forma de fortalecer valores, orientar decisões e contribuir para o futuro sustentável do cooperativismo.
“Cuidar da memória cooperativista é cuidar da continuidade do próprio movimento. Porque aquilo que não é registrado, compartilhado e transmitido corre o risco de se perder com o tempo”, afirmou a pesquisadora em entrevista ao Sistema OCB. “Cooperativas com memória fortalecida tendem a gerar mais engajamento, mais alinhamento interno e relações de maior confiança. Além disso, a história também gera valor para as marcas”, complementa.
Historiadora pós-graduada em Sócio-Psicologia, Carolina atua há 20 anos com projetos de memória institucional, pesquisa sócio-histórica e organização de acervos. Em sua imersão no cooperativismo, também analisou as raízes da cooperação e a formação histórica dos princípios e valores cooperativistas, resgatando elementos que ajudam a compreender a identidade do movimento e a construir definições mais conectadas à realidade atual das cooperativas.
Os resultados da pesquisa serviram de base para o alinhamento conceitual de novas soluções do Eixo CulturaCoop e outros materiais que serão lançados na Semana de Competitividade 2026, de 11 a 13 de agosto, em Brasília.
Leia a entrevista completa com a pesquisadora:
Sistema OCB: Quando você começou a trabalhar com o cooperativismo e qual o foco das pesquisas aplicadas esse ano?
Carolina Kuk: Comecei a trabalhar com o cooperativismo em 2025, quando desenvolvi uma pesquisa sobre as origens do movimento no Brasil. O estudo foi realizado para apoiar o posicionamento da OCB no contexto do Ano Internacional das Cooperativas, instituído pela ONU [Organização das Nações Unidas]. Foi um tema que me interessou muito porque conecta história, organização social e impacto coletivo.
Em 2026, desenvolvemos duas pesquisas diferentes para o Sescoop, com enfoque no Ano da Cultura Cooperativista: a primeira teve como foco a história do cooperativismo no Brasil e no mundo e investigou suas origens, principais marcos legais e o processo de institucionalização do movimento cooperativista. O objetivo foi compreender como o cooperativismo se estruturou ao longo do tempo e revisar algumas narrativas já consolidadas sobre esse tema.
A segunda pesquisa teve um caráter mais conceitual e buscou aprofundar temas como identidade, cultura, educação, filosofia e memória cooperativista. Nesse estudo, procuramos entender como os próprios autores da tradição cooperativista definiam esses conceitos, evitando interpretações simplificadas ou muito genéricas.
Qual foi a metodologia utilizada e em que consiste a pesquisa sócio-histórica?
Nossa metodologia combinou pesquisa bibliográfica, análise documental, levantamento iconográfico e investigação em arquivos e lugares de memória. O objetivo foi cruzar diferentes tipos de fontes para construir uma visão mais ampla, crítica e plural sobre o tema.
A pesquisa sócio-histórica busca compreender como os processos históricos ajudam a explicar o presente. Quando estudamos as origens, os valores e as trajetórias de uma organização ou de um movimento social, conseguimos entender melhor sua identidade, seus desafios atuais e também construir decisões mais conscientes para o futuro. É um trabalho que ajuda a dar continuidade sustentável às instituições, sem perder de vista seus valores e sua direção estratégica.
No caso do cooperativismo, esse olhar ajuda a mostrar que ele não surgiu de forma isolada ou repentina. Existe uma longa trajetória de práticas coletivas, ajuda mútua e organização comunitária que antecede os marcos oficialmente reconhecidos. De certa forma, a própria sobrevivência da humanidade sempre dependeu de algum nível de cooperação.
Como a pesquisa sócio-histórica sobre o coop foi desenvolvida?
Partimos da ideia de que conceitos não são apenas palavras: eles carregam valores, disputas, experiências históricas e diferentes interpretações ao longo do tempo. Por isso, buscamos entender como autores ligados à tradição cooperativista definiam esses temas em seus próprios textos. A metodologia envolveu levantamento bibliográfico, leitura crítica das obras e comparação entre diferentes interpretações sobre identidade, cultura, educação e filosofia cooperativista.
Em vez de trabalhar apenas com definições prontas, procuramos entender como esses conceitos foram sendo construídos historicamente e como ajudam a moldar a visão de mundo do cooperativismo até hoje. Esse processo permitiu elaborar definições mais consistentes e conectadas com a trajetória histórica do movimento cooperativista.
Quais os principais achados desse projeto até agora?
Um dos principais achados foi compreender que não existe uma única origem possível para o cooperativismo. O modelo que conhecemos hoje é resultado de um longo processo histórico, formado por diferentes experiências sociais, culturais, religiosas, comunitárias e econômicas. Isso ajuda a explicar a pluralidade do movimento cooperativista até hoje.
Outro aprendizado importante foi o papel central da memória dentro do cooperativismo. A pesquisa mostrou que memória não é apenas preservação do passado: ela organiza a cultura, fortalece a identidade, sustenta processos educativos e ajuda a orientar decisões estratégicas no presente e no futuro. Símbolos, datas comemorativas, documentos, objetos, imagens e relatos têm um papel fundamental na construção do sentimento de pertencimento e continuidade dentro do movimento cooperativista. Sem memória, é muito difícil consolidar cultura, identidade e filosofia cooperativista.
Por isso, um dos grandes alertas da pesquisa é que projetos de memória não devem ser vistos como algo acessório, mas como estruturas estratégicas para o futuro do cooperativismo. Preservar e organizar essa trajetória ajuda o movimento a inovar sem perder seus fundamentos, além de fortalecer vínculos entre diferentes gerações e ampliar o reconhecimento social do cooperativismo no Brasil.
De que maneira os resultados desses estudos se refletem nas cooperativas e cooperados?
Muitas vezes, o que sustenta uma cooperativa não está apenas em documentos formais, mas nas práticas do dia a dia, nas histórias compartilhadas e nos conhecimentos construídos coletivamente. Quando essa memória não é cuidada, parte desse patrimônio se perde. Quando é valorizada, transforma-se em um ativo estratégico.
E isso tem reflexos concretos lá na ponta. Cooperativas com memória fortalecida tendem a gerar mais engajamento, mais alinhamento interno e relações de maior confiança. Além disso, história também gera valor para as marcas. Quando uma cooperativa comunica sua trajetória e sua cultura de forma consistente, ela fortalece sua reputação, diferencia sua marca e amplia o valor percebido dos seus produtos e serviços.
No fim, cuidar da memória cooperativista é cuidar da continuidade do próprio cooperativismo. Porque aquilo que não é registrado, compartilhado e transmitido corre o risco de se perder com o tempo.
Qual a importância de conhecer e preservar a história do cooperativismo?
Na pesquisa, percebemos que a história do cooperativismo é muito mais diversa e profunda do que normalmente aparece nos livros e nas narrativas tradicionais. No Brasil, por exemplo, encontramos registros de experiências cooperativas ainda no período imperial, além de práticas coletivas desenvolvidas por populações indígenas, grupos de matriz africana e trabalhadores urbanos.
Isso amplia a compreensão sobre o cooperativismo e reforça a importância de preservar sua memória. Conhecer a própria trajetória fortalece a identidade do movimento, ajuda na construção de estratégias mais conectadas com a realidade brasileira e contribui para que o cooperativismo continue se reinventando sem perder seus valores fundamentais.
Por que estudar o coop é importante para o futuro do movimento?
Esse tipo de pesquisa é importante porque fortalece o cooperativismo de dentro para fora. Quando uma cooperativa conhece sua própria trajetória e organiza sua memória, ela compreende melhor sua identidade, sua forma de atuação e sua intenção de caminhos para o futuro. Mas a pesquisa também mostrou algo muito importante sobre os conceitos.
Muitas vezes, as cooperativas vivem determinadas práticas no cotidiano, mas não necessariamente conseguem nomeá-las ou percebê-las de forma clara. E nomear as coisas é importante porque torna elas mais visíveis, mais compreensíveis e mais palpáveis. Dar nome a uma prática, a uma cultura ou a uma forma de organização ajuda a enxergar melhor aquilo que já existe e, consequentemente, fortalece sua continuidade. A memória fortalece um movimento porque cria pertencimento, conecta gerações e transforma experiências acumuladas em conhecimento compartilhado. No cooperativismo, isso é ainda mais relevante, já que estamos falando de um modelo construído a partir das relações humanas e da experiência coletiva.
Notícias saber cooperar
17/06/2026
Representação institucional: a voz do coop junto aos Poderes
Todos os dias, cerca de 15 mil pessoas circulam pelos corredores, salões e gabinetes do Congresso Nacional. Entre reuniões, audiências, votações e conversas de bastidores, são construídas decisões que impactam diretamente a vida de milhões de brasileiros. Em meio a esse intenso fluxo de interesses e articulações, o cooperativismo atua por meio de sua equipe de representação institucional para garantir que as demandas do setor sejam consideradas por quem formula, implementa e acompanha as políticas públicas do país.
“A representação do cooperativismo brasileiro é um trabalho permanente, técnico e estratégico”, afirma a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella. Além do Legislativo, também alcança os poderes Executivo e Judiciário para garantir um ambiente regulatório adequado ao desenvolvimento das cooperativas.
De forma estruturada, com cientistas políticos, especialistas técnicos e um time jurídico, o Sistema OCB monitora proposições legislativas, atos normativos, políticas públicas e decisões judiciais; elabora estudos, notas técnicas e propostas; dialoga com parlamentares, ministérios, agências reguladoras, órgãos de controle e tribunais; e articula as demandas do setor com as Organizações Estaduais (OCEs) e com as cooperativas.
Para orientar essa atuação, a principal ferramenta é a Agenda Institucional do Cooperativismo, que há 20 anos organiza anualmente as prioridades do movimento e direciona uma articulação transparente e qualificada junto aos Três Poderes. No Congresso, esse trabalho é feito em conjunto com a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), terceira maior frente do Brasil, que reúne 302 parlamentares, sendo 262 deputados e 40 senadores.
“Esse número mostra como a nossa pauta é plural e presente em todas as regiões do país. Queremos cada vez mais representantes que conheçam o modelo cooperativo, compreendam sua diferença em relação às empresas mercantis e estejam dispostos a construir soluções legislativas que fortaleçam a segurança jurídica, a competitividade e a capacidade das cooperativas de gerar desenvolvimento”, destaca o gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Eduardo Queiroz.
Entre os resultados da atuação coordenada do Sistema OCB e da Frencoop estão algumas das mais importantes conquistas do cooperativismo brasileiro, como o histórico reconhecimento ao ato cooperativo na Reforma Tributária; a aprovação da Lei Complementar 213/2025, que estabeleceu o marco regulatório das cooperativas de seguros; e da Lei 15.324/2026, que amplia a participação do cooperativismo no mercado de telecomunicações.
Segundo Queiroz, o impacto dessas medidas vai muito além da instância política e beneficia diretamente as 4.384 coops brasileiras. “Quando há regras claras, segurança jurídica e acesso a instrumentos de financiamento, as cooperativas conseguem investir, inovar, ampliar sua capacidade de atendimento, gerar oportunidades e prestar serviços cada vez melhores. Esses avanços se refletem diretamente nos cooperados, que são os verdadeiros donos do negócio.”
Engajamento e educação política
Mas a representação institucional do coop não se faz apenas em Brasília. Desde 2018, com o Programa de Educação Política do Cooperativismo Brasileiro, esse processo começa na base, com a formação de cooperados, dirigentes, colaboradores e lideranças conscientes do papel que exercem na democracia e nas decisões públicas que afetam o setor.
A estratégia busca fortalecer a cultura da participação política nas cooperativas e a representatividade do cooperativismo nos espaços de poder. Para isso, o programa reúne conteúdos, capacitações, cartilhas e ações de mobilização, preparando o movimento cooperativista para participar do debate público de forma qualificada, ética e alinhada aos princípios do cooperativismo.
“O Programa de Educação Política ajuda a transformar a participação em consciência, a consciência em mobilização e a mobilização em maior representatividade. Quanto mais o cooperado entende que decisões sobre crédito, tributação, infraestrutura, meio ambiente, trabalho, saúde, seguros e conectividade passam pelo campo político, maior é a capacidade do movimento de se organizar, dialogar e cobrar propostas concretas”, explica Queiroz.
Coop nas urnas
Em anos eleitorais, a participação do cooperativismo é ainda mais relevante. Em 2026, a mobilização faz um chamado direto: na hora de votar, #PensenoCoop. A campanha convida o movimento cooperativista a fortalecer sua participação cidadã e a levar para o debate público seus valores e contribuições.
“A participação política é legítima e necessária, mas deve ser feita com responsabilidade, segurança jurídica e respeito à neutralidade político-partidária. Neutralidade não significa inércia. Significa atuar de forma institucional, sem vinculação indevida a partidos ou candidaturas específicas, mas com disposição para apresentar propostas, dialogar com candidatos, qualificar o debate público e estimular o voto consciente”, destaca o gerente de Relações Institucionais.
Como participar
Para apoiar o engajamento das cooperativas no processo eleitoral com base no diálogo qualificado, apresentação de propostas e defesa institucional do movimento, o Sistema OCB desenvolveu materiais específicos para as eleições 2026:
Propostas para um Brasil mais Cooperativo
Reúne as principais contribuições do cooperativismo brasileiro para o desenvolvimento do país, com propostas voltadas ao fortalecimento de políticas públicas e das cooperativas.
Cartilha Cooperativismo e as Eleições 2026
Traz informações práticas sobre participação política, atuação institucional e engajamento responsável de cooperativas, cooperados e Organizações Estaduais no processo eleitoral.
Guia Aspectos Jurídicos Eleitorais do Programa de Educação Política do Cooperativismo - Eleições 2026
Voltado à segurança jurídica das ações desenvolvidas no âmbito do Programa de Educação Política, com esclarecimentos sobre limites legais, condutas permitidas e boas práticas durante o processo eleitoral.
Conheça todas as estratégias do cooperativismo brasileiro para influenciar o debate eleitoral no no site eleicoes2026.coop.br.
Notícias saber cooperar
04/06/2026
Dia Mundial do Meio Ambiente: como as cooperativas ajudam a proteger os biomas brasileiros
Cuidar do meio ambiente também é cuidar das pessoas. A urgência planetária em preservar os recursos naturais, que hoje mobiliza governos, empresas e a sociedade, faz parte da essência do cooperativismo há gerações. O tamanho, a diversidade e a capilaridade do movimento – que reúne 25,8 milhões de cooperados em todo o Brasil – ampliam sua capacidade de impulsionar práticas sustentáveis em diferentes territórios, por meio de modelos baseados na cooperação, no desenvolvimento local e na responsabilidade compartilhada.
Além da presença em municípios de todos os biomas brasileiros – Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica, Cerrado, Pampa e Caatinga – o cooperativismo conta com uma vantagem estrutural para apoiar a preservação, segundo o coordenador de Meio Ambiente do Sistema OCB, Alex Macedo. “Diferentemente de modelos empresariais voltados prioritariamente ao curto prazo, as cooperativas operam com uma lógica de permanência no território, o que favorece decisões alinhadas à sustentabilidade ambiental e à resiliência econômica local”.
Ele destaca que o cooperativismo avança em diferentes agendas ambientais, como sistemas produtivos de baixo carbono, recuperação de áreas degradadas, proteção de nascentes, rastreabilidade e certificações socioambientais. As oportunidades de contribuição, porém, não estão restritas às coops “da terra”, ou seja, do ramo agropecuário. O potencial é transversal a todos os segmentos, especialmente quando as cooperativas têm uma agenda ESG bem estruturada.
Neste Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), conheça exemplos de como o cooperativismo preserva o meio ambiente nas cinco regiões do país:
Floresta em pé
A Região Norte do Brasil é o berço do bioma Amazônia, que abriga a maior biodiversidade do mundo e exerce papel fundamental no equilíbrio ambiental do planeta. Na Floresta Nacional do Tapajós, no Pará, o coop tem ajudado a combater o desmatamento ilegal e a manter a floresta em pé, gerando renda e oportunidade para as populações locais.
Em 2005, a partir da mobilização de comunidades indígenas e ribeirinhas, nasceu a Cooperativa Mista da Flona do Tapajós (Coomflona), com foco no manejo florestal comunitário. Cerca de 300 cooperados produzem madeira nativa de forma responsável, respeitando os ciclos das árvores, sem o uso de tratores e maquinários pesados. As toras de espécies nobres são comercializadas com a certificação internacional FSC, que comprova boas práticas ambientais e garantem remuneração justa aos extrativistas.
Em 2017, a Coomflona criou a movelaria Anambé, onde os cooperados aproveitam os resíduos madeireiros para produzir mesas, cadeiras, armários, portas e outros objetos artesanais, gerando oportunidades de trabalho e renda para mais famílias.
Florescer da Caatinga
Além da riqueza de culturas, a Região Nordeste também reúne uma grande diversidade de paisagens e geografias. São quatro os biomas presentes: Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e pequenas áreas da Amazônia. O predominante entre eles, a Caatinga, é o único bioma exclusivamente brasileiro. Nesse contexto, também nascem soluções únicas, pelas mãos do cooperativismo, para responder aos desafios ambientais do presente e do futuro.
Em meio à vegetação adaptada à seca, floresceu em 2008, em Pintadas (BA), a Cooperativa de Agricultura Familiar Ser do Sertão, que promove o fortalecimento de práticas agroecológicas entre os produtores locais. Entre as principais preocupações está a busca por soluções de adaptação da produção, diante das mudanças climáticas que já alteram as chuvas, a vegetação e o solo.
“A questão ambiental é algo emergente no nosso trabalho porque a mudança climática tem um impacto grande nas propriedades dos nossos agricultores. Temos que pensar em metodologias que nos ajudem a passar por esse momento, porque a gente não vai resolver a questão da seca. A gente tem que aprender a produzir, entendendo que a seca é algo que a gente pode construir junto com ela. A gente tem que se adaptar a isso, porque não vai mudar”, afirma a presidente da Ser do Sertão, Valdirene Santos.
Os 300 cooperados produzem geleias e polpas de frutas típicas da região, como cajá, umbu e acerola. Os frutos nativos são cultivados com práticas de baixo carbono e manejo do solo. Com essas técnicas, a cooperativa já recuperou 500 hectares de áreas degradadas, contribuindo diretamente para a conservação do meio ambiente na Caatinga.
Para além dos Pampas
Famosa pelos Pampas, bioma com laços fortes com a cultura e a pecuária gaúcha, a Região Sul também abriga a Mata Atlântica, predominante no Paraná, Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul. Com uma diversidade de formações vegetais, como florestas densas, matas de araucária, manguezais e restingas, o bioma predomina na serra do Rio Grande do Sul, onde nasceu a Cooperativa Vinícola Aurora. Com mais de 1 mil famílias associadas, a Aurora mantém a viticultura como principal fonte de renda local e produz rótulos reconhecidos dentro e fora do país.
Há 10 anos, a cooperativa começou a enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas, além de problemas como erosão do solo e diminuição da reserva de água. A solução cooperativista foi buscar práticas que garantissem a preservação do meio ambiente e assim, a própria sustentabilidade do negócio. Com esse objetivo, em 2015, a Aurora implementou um sistema de gestão ambiental para melhorar a saúde do solo e aumentar a resiliência dos vinhedos.
As metas incluíam a redução dos riscos de erosão, a conservação da umidade e a melhoria da fertilidade e estrutura do solo. Em parceria com instituições de ensino e pesquisa, os cooperados receberam capacitação para aplicar as novas técnicas.
Nas áreas onde o manejo sustentável foi adotado, houve redução significativa do uso de herbicidas, melhoria da estrutura do solo e aumento da resiliência das videiras a eventos climáticos extremos. Mesmo durante as chuvas recordes registradas no Rio Grande do Sul em 2024, propriedades com cobertura vegetal apresentaram menor erosão e melhor retenção de água. O sucesso do projeto da Aurora também levou outros viticultores da região a adotar as práticas, ampliando o alcance das iniciativas sustentáveis.
Cooperação pela Mata Atlântica
No Sudeste do país, a diversidade também marca a paisagem: manguezais e restingas no litoral; áreas montanhosas e campos de altitude, além de importantes bacias hidrográficas. Mata Atlântica e Cerrado predominam na região, que também abriga áreas de Caatinga no norte mineiro. Todos eles têm o cooperativismo como um aliado no seu desenvolvimento econômico e ambiental.
A Mata Atlântica em Minas Gerais vivenciou diferentes ciclos produtivos: café, pecuária e indústria. Essa exploração levou o estado a conservar apenas 10% da cobertura vegetal original. Em Juiz de Fora, o Sicoob Coopemata está fazendo a sua parte para preservar o que sobrou do bioma e conseguiu recompor quase 9 mil metros quadrados de Mata Atlântica com a mobilização de seus cooperados.
Por meio de uma parceria entre a cooperativa e a associação responsável pela Reserva Santuário, área de 920 mil metros quadrados utilizados para pesquisa, ensino e recepção de animais silvestres resgatados, surgiu a ideia da campanha Adote uma Árvore.
O projeto nasceu de um conceito essencial do coop: juntos, somos mais fortes. Cada cooperado contribuiu com R$ 195, aportados em suas contas capitais, para financiar o projeto. Com os valores arrecadados, a cooperativa investiu R$ 133,6 mil no plantio e manutenção das árvores. O esforço resultou em 2,2 mil novas árvores, que contribuíram para a recuperação do solo e da vegetação de 8,9 mil m2 de áreas degradadas inseridas na Reserva Santuário. Com a ação, também foram neutralizados o equivalente a 43 toneladas de gases do efeito estufa, que agravam as mudanças do clima.
Ciência para transformar o Cerrado
Cerrado e Pantanal, biomas com paisagens exuberantes e enorme diversidade de fauna e flora, são os dois principais no Centro-Oeste do país. A região também é conhecida por uma atividade agropecuária pujante e que cada vez mais busca alinhar-se com práticas sustentáveis em seus negócios.
No Mato Grosso do Sul, produtores da Cooperativa Agropecuária São Gabriel do Oeste (Cooasgo) estão à frente de um projeto inovador na cadeia de suinocultura. Iniciado em 2025, o projeto de Suinocultura de Baixo Carbono une ciência, gestão ambiental, tecnologia e capacitação para transformar os dejetos da produção em biofertilizantes.
A iniciativa é uma parceria da cooperativa com a Cargill Nutrição e Saúde Animal, o Instituto BioSistêmico (IBS) e a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). A partir de parâmetros rigorosos de conformidade ambiental, as equipes estão estudando os melhores caminhos para o tratamento de resíduos, buscando também a redução de custos, reaproveitamento de nutrientes e potencial de geração de biogás e metano a partir dos dejetos dos animais.
Segundo o diretor da Cooasgo, Élcio Cação, é cada vez maior o interesse dos produtores e da indústria em projetos que reduzem o impacto da atividade agropecuária. “Esse tipo de iniciativa gera um ganho ambiental na cadeia produtiva como um todo”. A longo prazo, umas das metas é usar a produção de biogás na suinocultura para gerar créditos de carbono. A experiência poderá abrir um novo horizonte de oportunidades para os produtores e cooperativas do ramo.
Fundada em 1993, a COOASGO conta com mais de 1 mil cooperados e aproximadamente 460 colaboradores. Cerca de 60 propriedades já participam do projeto, que dá seus primeiros passos para transformar a realidade dos produtores e gerar impactos ambientais positivos para o meio ambiente no cerrado mato grossense.
Notícias saber cooperar
28/05/2026
Marca unificada fortalece voz global das cooperativas, afirma diretora da ACI
Seja em uma pequena comunidade rural na Índia, em uma cidade movimentada no Japão, em um mercado na Espanha ou em uma instituição financeira no Canadá, há um símbolo capaz de atravessar fronteiras e ser reconhecido instantaneamente: a palavra “coop”, marcada pelos dois “o” entrelaçados. Mais do que um logotipo, a marca representa conexão, pertencimento e a força do cooperativismo, um movimento que reúne 1 bilhão de pessoas em todo o mundo.
Desenvolvida pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI) em 2013 e adotada globalmente, a marca tem sido estratégica para ampliar a presença e a relevância do setor em um ambiente cada vez mais competitivo, especialmente no meio digital.
A avaliação é da diretora de Comunicação da ACI, Leire Luengo Eslava. Com mais de 15 anos de experiência em entidades europeias e globais, coordenando estratégias em mais de 100 países, ela avalia a comunicação como uma ferramenta de influência política e transformação institucional, não apenas de divulgação.
“A marca cooperativa visa fortalecer a unidade, a visibilidade e a reputação das cooperativas como uma força mundial para empreendimentos sustentáveis e democráticos”, afirmou, em entrevista exclusiva ao Sistema OCB.
Para Leire, o debate sobre branding (gestão estratégica de marca) não se limita a escolhas visuais e vai além: é uma declaração coletiva de propósito. Segundo ela, um sistema de identidade unificado contribui para ampliar o reconhecimento internacional do cooperativismo, além de posicioná-lo de forma mais clara diante de parceiros comerciais e formuladores de políticas públicas.
Leia a entrevista completa:
Sistema OCB: O que a marca coop representa para o público e para o próprio movimento?
Leire Luengo: A marca cooperativa, lançada em 2013, foi desenhada para ser o símbolo de uma identidade visual global. "coop" é quem somos e expressa nosso propósito. Os "os" entrelaçados no design simbolizam, justamente, o trabalho em conjunto. O objetivo é fortalecer a unidade e a reputação do modelo cooperativista como uma força mundial de negócios sustentáveis e democráticos. É uma marca que pertence a todos nós.
Como foi o processo de criação dessa identidade?
Colaborativo e global. A marca foi desenvolvida pela cooperativa de trabalho Calverts, com apoio da Guerrini Island Design, mas fundamentada no feedback de cooperados de todo o mundo. Realizamos a Pesquisa de Identidade Global Cooperativa, que reuniu mais de mil opiniões de 86 países. Perguntamos às pessoas sobre cores e o significado de ser uma cooperativa. O resultado alimentou o processo de design que produziu a marca final, a paleta de cores e o slogan com os quais todas as cooperativas podem se alinhar e que as diferenciam de outras formas de negócio.
Quem pode usar a marca?
A marca cooperativa é utilizada por cooperativas ao redor do mundo como um logotipo visual em apoio ao movimento cooperativo. É utilizada como um selo da comunidade cooperativa, juntamente com a identidade de marca própria de cada instituição. A marca pode ser usada em aplicativos móveis, sites, newsletters, assinaturas de e-mail, publicações, promoções, embalagens, mercadorias e sinalização.
Quais são os benefícios de um branding internacional unificado?
A unidade fortalece a influência coletiva e o reconhecimento público. Imagine o impacto de visibilidade se cada um dos 1 bilhão de cooperados globais usasse um e-mail com domínio .coop ou a marca em suas assinaturas. Branding não é sobre controle ou uniformidade, mas sobre credibilidade, reconhecimento e pertencimento emocional a uma comunidade compartilhada. Um branding fragmentado enfraquece nosso impacto; já o unificado permite um posicionamento mais claro no mercado e reduz a duplicação de esforços. O uso do .coop, por exemplo, é um ativo estratégico que reforça a confiança no ambiente digital sem restringir a diversidade de cada cooperativa.
Qual é o papel do domínio .coop nesse contexto?
A DotCooperation (.coop) é um ativo estratégico único da Aliança Cooperativa Internacional para esse esforço. É uma expressão digital global da identidade cooperativa, uma marca de confiança no mercado on-line e um sinal visível de pertencimento ao movimento cooperativo. A DotCooperation reforça a coerência da marca entre regiões e setores, o reconhecimento em ambientes digitais e o posicionamento das cooperativas como atores de mercado críveis e sérios. O uso do .coop fortalece a unidade sem restringir a diversidade.
Do coop ao SomosCoop
No Brasil, a marca coop ganhou novas cores e sentido. Em um processo iniciado em 2013, o objetivo do Sistema OCB era integrar a identidade global sem perder características nacionais e mostrar a força de um modelo que impacta 25,8 milhões de pessoas no país. Em 2018, após uma série de estudos de branding, o resultado foi a união da palavra Somos – que reforça o senso de pertencimento – ao coop da ACI e à bandeira do Brasil, formando um conjunto harmônico e representativo do movimento cooperativista no país.
Com a marca definida, a Casa do Cooperativismo lançou o carimbo SomosCoop, que identifica os produtos e serviços das cooperativas brasileiras em embalagens, materiais de comunicação, canais digitais, fachadas e outros espaços. “O carimbo SomosCoop é uma forma de ajudar o consumidor a
fazer escolhas conscientes. Onde tem o carimbo SomosCoop tem trabalho justo, geração de renda, impacto social e desenvolvimento sustentável”, explica a gerente de Comunicação e Marketing do Sistema OCB, Samara Araujo.
Além do carimbo, a identidade visual das soluções do Sistema OCB para as cooperativas – AvaliaCoop, CapacitaCoop, CulturaCoop, ESGCoop, InovaCoop, NegóciosCoop, RepresentaCoop e SouCoop – também trazem a marca da ACI integrada ao logo, garantido a identificação imediata com o movimento global.
Notícias saber cooperar
21/05/2026
Diagnósticos impulsionam resultados e fortalecem cultura cooperativista
Em um cenário global em que as decisões de negócios são cada vez mais orientadas por dados, as cooperativas brasileiras contam com uma solução estratégica de inteligência de mercado: o AvaliaCoop. Com diagnósticos, suporte técnico e planos de melhoria contínua, a iniciativa ajuda as cooperativas a identificar riscos e oportunidades, aperfeiçoar processos e fortalecer a cultura cooperativista.
Atualmente, o AvaliaCoop contempla os diagnósticos Identidade; Governança e Gestão; ESG; Desempenho; e Negócios. Em breve, o portfólio será ampliado com os diagnósticos de Inovação e de Saúde e Bem-Estar, que estão em fase de desenvolvimento.
“O AvaliaCoop é como uma bússola estratégica, ajudando o Sistema OCB e as cooperativas a tomarem decisões baseadas em evidências. Os diagnósticos permitem analisar o nível de maturidade das cooperativas, identificar o nível de aderência ao modelo cooperativista e os resultados alcançados e, assim, apoiar a evolução do setor de forma estruturada, orientativa e contínua”, explica Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB.
Foi o que aconteceu na Unimed Vale do São Francisco, de Pernambuco. Com 34 anos de atuação e mais de 500 cooperados, a cooperativa de saúde participa há 10 anos do Diagnóstico Governança e Gestão (antigo PDGC). Segundo a assessora na área de Gestão de Relacionamento com Cooperados, Luzivanda Ferraz, as decisões tomadas com base nos indicadores do programa, como a capacitação de gestores, têm dado resultados positivos.
“O AvaliaCoop trouxe benefícios estruturantes e sustentáveis, impactando diretamente cooperados, colaboradores e beneficiários. A capacitação elevou significativamente o desempenho da cooperativa em âmbito local, promovendo a profissionalização da gestão, visão sistêmica e foco em resultados sustentáveis, fortalecendo sua competitividade e posicionamento no mercado”, afirma.
O caminho de aperfeiçoamento foi longo, segundo Luzivanda, e começou na categoria “Primeiros Passos” em um processo contínuo que levou a coop à etapa “Caminhos para a Excelência”. Ao longo dessa aprendizagem, a cooperativa contou com o apoio especializado do Sistema OCB, que permitiu aprofundar a análise dos processos internos, identificar oportunidades de melhoria e estruturar planos de ação mais assertivos. “O suporte técnico proporcionou maior direcionamento estratégico, contribuindo diretamente para o fortalecimento da governança, dos processos internos e da performance organizacional”, analisa.
Para a assessora, a gestão baseada em dados na Unimed Vale do São Francisco fortalece a tomada de decisão, aumenta a eficiência operacional e assegura maior previsibilidade. Esse modelo, segundo ela, contribui diretamente para a transparência, permitindo que os cooperados tenham acesso claro aos resultados e participem de forma mais ativa.
“Buscamos promover o equilíbrio entre desempenho econômico, qualidade assistencial e responsabilidade social, garantindo um crescimento estruturado, consistente e sustentável. O AvaliaCoop nos ajudou a identificar pontos fortes e oportunidades de melhoria nas práticas de governança e gestão, promovendo a reflexão sobre as práticas adotadas por meio do processo de autoavaliação”.
Tendência no coop
Em 2025, o AvaliaCoop atingiu recordes de participação. Os diagnósticos Identidade e Governança e Gestão foram os mais procurados, com 898 e 1.527 cooperativas participantes, respectivamente. Outro destaque foi o diagnóstico Desempenho, que fechou o ano de 2025 com informações de 2.331 cooperativas.
O Diagnóstico de Governança e Gestão, por exemplo, é baseado no Modelo de Excelência da Gestão (MEG) e no Manual de Governança Cooperativa do Sistema OCB. Ele avalia as boas práticas de governança e gestão por meio da liderança, estratégias, processos, pessoas, resultados e instâncias de governança, incentivando a profissionalização e a melhoria contínua.
“Este é o diagnóstico mais antigo do AvaliaCoop, aplicado desde 2013, e amplamente reconhecido como uma ferramenta estratégica para o fortalecimento das práticas de governança, da gestão profissional e da tomada de decisão nas cooperativas”, destaca Débora Ingrisano.
Outro fator relevante para a alta adesão é o Prêmio SomosCoop Excelência em Gestão. Realizado também desde 2013, ele valoriza e reconhece as cooperativas que apresentam processos organizacionais estruturados, boas práticas de gestão e governança, transparência e foco em resultados, reforçando a cultura da excelência e da melhoria contínua. De acordo com a gerente, esse reconhecimento estimula as cooperativas a utilizarem o diagnóstico não apenas como instrumento de avaliação, mas como base para evolução e fortalecimento da confiança dos cooperados e da sociedade.
“A ampla maioria das cooperativas premiadas (89%) apresenta integração entre os diagnósticos de Governança e Gestão e Desempenho, reforçando a lógica de gestão sustentável, baseada em indicadores de processos e de resultados, e responsabilidade compartilhada”, ressalta.
Fortalecimento estratégico
A gerente do Sistema OCB destaca o papel do AvaliaCoop como uma ferramenta para garantir que o crescimento da cooperativa esteja alinhado aos valores, princípios e à identidade do coop, fortalecendo a cultura cooperativista.
A partir dos indicadores gerados nos diagnósticos, as cooperativas podem ampliar esse processo, investindo em educação cooperativista, promovendo a participação dos cooperados nas instâncias decisórias, aprimorando a comunicação e a transparência e integrando os princípios à estratégia e gestão do negócio.
“Além disso, garantir a sustentabilidade do negócio cooperativista também passa pela sucessão e formação de novas lideranças alinhadas aos valores do cooperativismo, garantindo continuidade e coerência”, afirma Débora Ingrisano.
Confira o passo a passo para participar do AvaliaCoop:
Adesão: a cooperativa é contactada ou entra em contato com a Organização Estadual (OCE). Juntas, definem a jornada Avaliacoop específica, identificando o diagnóstico mais adequado ao seu momento e necessidades.
Autoavaliação: após a adesão, a cooperativa preenche o questionário de autoavaliação correspondente ao diagnóstico escolhido, refletindo sobre suas práticas, processos e resultados.
Devolutiva estruturada: o sistema gera uma devolutiva automática, com indicadores, análises e identificação de pontos fortes e oportunidades de melhoria, respeitando o nível de maturidade da cooperativa.
Diagnóstico assistido: os diagnósticos Identidade e Governança e Gestão possuem uma modalidade de solução chamada “Diagnóstico Assistido”. Por meio dele, a cooperativa recebe uma consultoria especializada a fim de aprofundar as análises e compreensões acerca dos processos abordados em cada um dos diagnósticos.
Plano de melhoria: nessa fase, a OCE, em conjunto com a cooperativa, elabora um plano de melhoria com base nas lacunas e oportunidades de melhoria identificadas.
Acompanhamento: após a finalização do plano de melhoria, a cooperativa preenche novamente o diagnóstico de referência, com o objetivo de mapear os processos que avançaram e os que ainda precisam ser trabalhados em novos planos de melhoria.
Notícias saber cooperar
20/05/2026
Série Princípios do Coop: participação econômica gera ciclo virtuoso de desenvolvimento
“Sem o sentimento de dono por parte do cooperado, não existe cooperativa”. A afirmação do professor e pesquisador Gabriel Murad, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), resume a essência do terceiro princípio do cooperativismo: a participação econômica dos membros. Mais do que um conceito teórico, esse pilar garante que os cooperados contribuam para o desenvolvimento do negócio, acompanhem os resultados e participem das decisões sobre como os recursos serão utilizados.
A participação econômica começa na formação de capital, que permite ao associado ingressar na cooperativa e se tornar dono do empreendimento, assumindo direitos e deveres por meio da integralização. A outra vertente do terceiro princípio é direito às sobras, ou seja, à distribuição econômica dos resultados alcançados coletivamente.
Nesse ponto, segundo Murad, está outro grande diferencial das cooperativas: ao contrário das empresas tradicionais, esse retorno não é proporcional ao capital investido, mas à participação do cooperado nas operações. “Numa cooperativa, a forma de devolver o resultado para o associado acontece de forma justa. Como a coop não está trabalhando para acumular capital, mas para gerar resultado econômico para todos, uma parte dessas sobras vai para o fundo de reserva e a outra vai para o cooperado, que vai receber a sua participação nos resultados de acordo com o que ele trabalhou. Uma coop distribui o resultado pelo trabalho, não pelo capital”, explica o professor do curso de Gestão de Cooperativas da UFSM.
A origem do terceiro princípio está na Sociedade dos Pioneiros de Rochdale. Já naquela época, premissas como o juro limitado ao capital e a distribuição proporcional dos resultados orientavam o funcionamento da primeira cooperativa moderna. Essas diretrizes foram consolidadas na formulação atual do terceiro princípio – Participação econômica dos membros – durante a revisão realizada pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI) em 1995.
De acordo com o especialista, para que o terceiro princípio seja aplicado plenamente, a transparência é indispensável. O cooperado precisa acompanhar como os resultados são construídos, entender a destinação dos recursos – como os fundos de reserva e de ação social – e participar das decisões em assembleia. “O cooperado trabalha, gera resultado, acompanha todo o processo de como isso é feito, com clareza e apoio técnico, e depois decide-se de forma coletiva como esse recurso vai ser utilizado, seja devolvendo para o associado, seja reinvestindo na cooperativa ou apoiando a comunidade”, explica Murad.
Nesse contexto, a governança exerce um papel estratégico. Garantir regras claras, gestão profissional e uma relação próxima com o quadro social é essencial para que a distribuição dos resultados seja justa e gere impacto positivo para todos. “Quando falamos de gestão e governança, não se trata apenas do desempenho do negócio, mas da relação com o cooperado. Quanto mais satisfeito ele estiver, mais vai utilizar a cooperativa e ser fiel à ela, mais resultado é gerado e maior o retorno, em um ciclo positivo para todos”, analisa o pesquisador da UFSM.
Terceiro princípio na prática
Da Sicredi Região Centro RS/MG vem um exemplo prático de como a participação econômica fortalece o negócio e, ao mesmo tempo, gera benefícios diretos para os cooperados e para a comunidade. Em 2025, a instituição financeira cooperativa registrou resultado líquido de R$ 79 milhões e distribuiu mais de R$ 22 milhões entre seus 150 mil cooperados.
Segundo o presidente do Conselho de Administração da cooperativa, Pedro Ferreira, o terceiro princípio do cooperativismo promove um ciclo virtuoso. “Aqui o associado encontra investimentos e crédito com taxas justas e competitivas, além de mais de 300 soluções que geram renda e fazem o dinheiro circular na região, fortalecendo o negócio de cada cooperado. No aspecto social, quando o associado trabalha junto com a cooperativa, ajuda a gerar resultados que permitem desenvolver programas sociais locais que beneficiam diretamente a comunidade”, afirma.
Com sede em Santa Maria (RS) e atuação em mais 34 municípios do Rio Grande do Sul e Minas Gerais, a Sicredi Região Centro RS/MG foi fundada em 1914 e é considerada a quarta cooperativa de crédito mais antiga da América Latina. De acordo com Ferreira, a continuidade e solidez dos negócios está diretamente relacionada ao sentimento de pertencimento e de responsabilidade coletiva dos cooperados.
Na cooperativa gaúcha, o terceiro princípio se materializa por meio de diferentes formas de participação econômica, que vão além da integralização da cota-capital. “Todos os anos realizamos o pagamento de juros sobre o capital do associado e também a distribuição das sobras após as destinações legais e estatutárias. Diferentemente dos juros, essa distribuição é proporcional ao uso dos produtos e serviços que o associado utiliza na cooperativa”, explica o dirigente.
Esse modelo faz com que a Sicredi Região Centro RS/MG se torne também uma geradora de renda nas comunidades onde atua. Ao compartilhar resultados com os associados, os recursos permanecem na região, movimentam a economia local e criam novas oportunidades de trabalho e investimento. Com isso, o terceiro princípio também gera um efeito multiplicador: a participação do cooperado fortalece a cooperativa, que, por sua vez, gera mais resultados, distribui benefícios e amplia o desenvolvimento econômico e social.
“O aumento do patrimônio traz solidez e proporciona à cooperativa condições de atender as necessidades dos seus associados para desenvolverem suas atividades econômicas, assegurando que os benefícios financeiros voltem para as pessoas que utilizam a cooperativa, fortalecendo a economia local”, ressalta Ferreira.
Saiba mais sobre os princípios cooperativistas nos cursos disponíveis na plataforma CapacitaCoop e na websérie Bora Entender.
Leia as matérias da série especial Princípios do Cooperativismo, sobre Adesão livre e voluntária e Gestão democrática.
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19/05/2026
Cooperativas impulsionam trabalho, renda e oportunidades no Brasil
O taxista Alan Câmara não lembra exatamente o dia em que se apaixonou pelo trabalho, mas sabe bem onde isso aconteceu: dentro de uma cooperativa. Tudo começou em 1997, logo após tirar a carteira de motorista, quando o pai, com quem divide a mesma profissão, o levou para a cooperativa Táxi União, de São Luís (MA). Assim como outros milhões de brasileiros, ele encontrou no cooperativismo uma forma de trabalhar com dignidade, garantir renda justa e crescer ao lado de pessoas que compartilham os mesmos valores.
Ao longo de quase 30 anos, Câmara trabalhou em outras áreas, mas sempre voltava ao táxi. Formado em educação física, por um tempo se dividia entre as aulas e as viagens com passageiros, mas no momento em que o setor passou por seu maior desafio – com a chegada dos aplicativos de transporte – fez sua escolha definitiva. Nessa época, decidiu se dedicar à gestão cooperativista e fortalecer a Táxi União para apoiar outros motoristas como ele a se manter no mercado de trabalho.
“A chegada dos aplicativos não teve tanto impacto na nossa cooperativa e a explicação está na essência do modelo do cooperativismo. A categoria de motorista tem um piso salarial muito abaixo e aqui a gente tem liberdade de empreender. De certa forma, o cooperativismo promove uma justiça social”, avalia o hoje diretor da Táxi União.
A cooperativa, que antes atendia apenas passageiros avulsos, passou a fechar contratos com empresas, garantindo renda estável para os cooperados e gerando oportunidades para novos profissionais. “O coop abre portas para pessoas que, muitas vezes, não enxergavam possibilidade nenhuma de trabalho, mostra um novo caminho”.
O gestor também fala com orgulho das famílias que cresceram junto com a Táxi União, de pais que transmitiram o ofício aos filhos e de profissionais que encontraram ali estabilidade em meio às incertezas do setor. “O cooperativismo é um porto seguro. Mesmo quem tem outra formação ou já tentou outros caminhos acaba voltando, porque aqui encontra segurança e perspectiva”, afirma.
Valorização profissional
Essa sensação de segurança e pertencimento não é exclusiva da cooperativa maranhense de transporte. No Rio de Janeiro, a especialista em Gestão de Projetos em TI Daiane Alves, diretora-presidente da cooperativa LibreCode, viveu algo semelhante ao ver profissionais qualificados, antes invisibilizados pelo mercado tradicional, recuperarem a dignidade no trabalho cooperativo. Na cooperativa digital de tecnologia da informação, ela conta que a relação entre os cooperados é construída no dia a dia, com proximidade, transparência e corresponsabilidade.
“A gente não enxerga pessoas como recursos, mas como parte da construção da cooperativa. Os cooperados têm voz, participam das estratégias e compartilham não só os resultados, mas também as responsabilidades”, explica.
Para Daiane, estar e trabalhar no cooperativismo é assumir o protagonismo da própria trajetória. “É um modelo onde sua voz é ouvida, onde as decisões são construídas coletivamente e onde o resultado não pertence a uma estrutura distante, mas às pessoas que constroem o dia a dia da organização”, afirma.
Além do ambiente de trabalho colaborativo e da gestão democrática, a gestora também destaca outro diferencial das cooperativas: o cuidado com as pessoas, principalmente em momentos de adversidade. Daiane recorda quando a LibreCode se mobilizou para apoiar um cooperado que perdeu tudo durante as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024. A resposta não foi apenas operacional, mas uma mobilização coletiva para ajudar alguém a reconstruir a vida.
“O cooperativismo não se limita ao trabalho. Ele é uma rede de cuidado e responsabilidade compartilhada. Quando me lembro dessa experiência, fica claro que a transformação vem da forma como as pessoas se reerguem, se reconhecem e caminham juntas”.
Trabalho cooperativo
As histórias de Alan e Daiane fazem parte de um movimento bem maior. As cooperativas brasileiras reúnem 25,8 milhões de cooperados, com muitas histórias de motoristas, analistas de sistemas, produtores rurais, professores, médicos e outros profissionais que se juntaram para empreender coletivamente e trabalhar com mais segurança e perspectivas.
Além disso, o setor emprega 578.035 pessoas em todo o país, segundo dados do AnuárioCoop 2025, número que vem crescendo de forma sustentada ao longo dos anos. “O cooperativismo é um modelo de negócios que demonstra constante capacidade de geração de empregos no Brasil, contribuindo de forma expressiva para a economia e o desenvolvimento social. Em um cenário de constantes desafios econômicos e mudanças no mercado de trabalho, as cooperativas têm se destacado por sua resiliência e capacidade de criar oportunidades de trabalho nos seus diversos ramos”, avalia a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella.
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07/05/2026
Cooperativas de transporte avançam como alternativa à crise do setor
Mais de 60% de tudo que é transportado no Brasil passa por rodovias, um trabalho realizado, em grande parte, por pequenos operadores. Nesse cenário, as 752 cooperativas de transporte em atividade no país têm ampliado sua atuação ao oferecer organização, escala e melhores condições de trabalho para motoristas autônomos e microempreendedores.
Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) indicam a existência de quase 1 milhão de transportadores autônomos e mais de 270 mil pequenas empresas no setor – um mercado ainda fragmentado e com forte presença de intermediários. Para o coordenador nacional do Conselho Consultivo do Ramo Transporte do Sistema OCB e presidente da Confederação Nacional das Cooperativas de Transporte de Passageiros e Cargas (CNTCoop), Evaldo Moreira Matos, esse contexto abre espaço para o avanço do cooperativismo.
“As cooperativas de transporte têm muito potencial de crescimento. Ao fortalecer sua identidade, investir em profissionalização e fortalecer a gestão, o setor pode ganhar competitividade e atrair um mercado que hoje ainda é dominado por atravessadores”, destaca.
Cooperação e resultados
Seja no transporte de cargas ou passageiros, em moto, táxi, van, ônibus ou caminhão, o cooperativismo é um bom negócio para o transportador, ao oferecer melhores condições de trabalho e oportunidades. Elas reúnem 114.878 cooperados e geram 5.774 empregos. Um dos diferenciais, segundo Matos, é a qualidade da frota. Hoje, as cooperativas operam com veículos com média de 7 a 8 anos, bem abaixo do patamar nacional, que supera duas décadas – o que contribui para mais segurança e eficiência.
Ao mesmo tempo, o cooperativismo também tem respostas para desafios estruturais do setor. O crescimento acelerado do e-commerce nos últimos anos foi acompanhado de uma redução da mão de obra transportadora, com menos 20% de profissionais em uma década, segundo análise da consultoria Ilos com base em dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), o que levou a um descompasso no segmento. Diante desse cenário, as cooperativas de transporte se apresentam como alternativa para reduzir a precarização e manter profissionais no mercado. A organização coletiva facilita o acesso a crédito, melhora as condições de negociação e amplia a previsibilidade de trabalho – fatores que contribuem para a permanência dos transportadores na atividade.
“Esse é o momento para que o cooperativismo de transporte se sobressaia. Estamos em um cenário de crise, em que o transportador autônomo não tem acesso a crédito e não tem perspectivas de melhoria. O cooperativismo é a bandeira que temos que levantar agora para a organização desses profissionais”, analisa Matos.
Além da valorização dos cooperados, que são donos do negócios, as cooperativas de transporte também atuam de forma coordenada em iniciativas como compras coletivas de seguros, pneus e combustíveis, que têm gerado ganhos de escala e redução de custos operacionais. Este ano, segundo Matos, outro projeto com base na atuação conjunta do setor está em andamento: a criação de uma plataforma nacional de fretes para conectar cooperativas e reduzir o quilômetro vazio (quando os caminhões retornam sem carga).
“Com mais de duas décadas de atuação, o Ramo Transporte tem acompanhado as transformações e os desafios do setor no Brasil e atua, por meio da escuta da base e do diálogo institucional, para fortalecer os cooperados diante de mudanças regulatórias, tecnológicas e de mercado”, analisa a gerente-geral do Sistema OCB, Clara Maffia.
Atuação em rede
Segundo Evaldo Matos, uma das chaves para o crescimento do transporte cooperativo está no sexto princípio do movimento: a intercooperação. Atualmente, 51% das cooperativas de transporte fazem negócios com cooperativas financeiras; 17% utilizam serviços e planos de cooperativas de saúde e 6% adquirem produtos ou serviços de cooperativas de trabalho, segundo dados do AnuárioCoop 2025.
Esse potencial de articulação ainda pode avançar. Como exemplo, o coordenador cita um projeto desenvolvido entre a Coopmetro – da qual é diretor –, Aurora Coop e Sicoob. “Renovamos uma frota inteira para profissionais que não tinham acesso a crédito. O Sicoob ofereceu o recurso, a Aurora garantiu o serviço, e a Coopmetro viabilizou a compra dos veículos. Depois disso, vieram outras parcerias e já ultrapassamos 300 caminhões adquiridos nesse formato”, conta.
Sustentabilidade
A agenda ambiental também está entre as prioridades do ramo. Em diferentes frentes de atuação, as cooperativas de transporte têm investido na renovação de frota, no uso de combustíveis menos poluentes e em soluções de eficiência energética. Em alguns casos, já há iniciativas de geração própria de energia, como usinas fotovoltaicas, que reduzem custos e impactos ambientais.
“O Sistema OCB oferece soluções para apoiar as cooperativas na elaboração de inventários de emissões de gases de efeito estufa, preparando o setor para reduzir seu impacto climático e atender às novas exigências do mercado regulado de carbono, que devem entrar em vigor em 2028”, explica Clara Maffia.
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07/05/2026
Campanha Escolha o Coop mobiliza cooperativas com criatividade
A mensagem é simples e direta: Escolha Consciente, Escolha o Coop. Com esse mote, a campanha SomosCoop 2026 tem ganhado espaço na TV, nas redes sociais e já é realidade em supermercados em várias partes do Brasil, apresentando os produtos e serviços cooperativistas como a melhor opção para consumir de forma sustentável. Protagonistas da campanha, cooperativas de todos os ramos têm desenvolvido ações criativas e ampliado o impacto das ações desenvolvidas pelo Sistema OCB.
No digital, um dos destaques foi a divulgação da campanha no programa Mais Você, da TV Globo. Em uma conversa descontraída com o público, a apresentadora Ana Maria Braga mostrou diversas opções de produtos de cooperativas e destacou que compras do dia a dia podem gerar grandes impactos. “Cada escolha que a gente faz também é uma forma de dizer que tipo de Brasil a gente quer incentivar: um Brasil melhor, mais justo e construído com cooperação”, disse.
Este ano, além de TV, rádio e conteúdos na internet, a campanha está nos pontos de venda, apresentando os produtos cooperativistas e seus diferenciais aos consumidores no momento da compra. Em Pará de Minas (MG), a Cooperativa dos Granjeiros do Oeste de Minas (Cogran) foi uma das primeiras do país a aderir à campanha em seu espaço físico, ainda na primeira semana do lançamento, em março. A coop estampou o convite “Escolha Consciente, Escolha o Coop” em displays, vitrines e refrigeradores de sua loja modelo.
“O ponto de venda é decisivo na jornada de compra e tem grande potencial de influência. Quando o consumidor identifica claramente um produto cooperativo, ele passa a considerar não apenas preço, mas também origem e propósito”, destaca o gerente de Marketing e Trade da Cogran, Davidson Lisboa.
Além da ativação na loja, a cooperativa mineira incorporou as peças de comunicação da campanha de forma estratégica em suas redes sociais e pretende ampliar gradualmente a divulgação, tanto nos pontos de venda quanto em outros canais, fortalecendo a consistência da mensagem e aumentando o alcance junto ao consumidor. Segundo Lisboa, o pioneirismo na implementação da campanha Escolha o Coop já está trazendo resultados concretos. “Percebemos ganhos em visibilidade e diferenciação no ponto de venda, além de maior alinhamento entre marca, propósito e execução. Esse movimento contribui para fortalecer a construção de valor a longo prazo”, afirma.
O gerente acrescenta que o engajamento das cooperativas é fundamental para dar escala e consistência à mensagem do cooperativismo como um caminho para escolhas conscientes. “Quando diferentes coops atuam de forma integrada, conseguimos ampliar a visibilidade do modelo, fortalecer a percepção de valor junto ao consumidor e gerar impacto real na preferência de compra”.
Novas gerações engajadas
No Espírito Santo, a Cooperativa Educacional de São Gabriel da Palha (Coopesg) reuniu pequenos estudantes em um vídeo em que dizem bem alto: “Escolha o Coop!” A gravação encantou os seguidores e teve boa repercussão nas redes sociais da cooperativa capixaba.
A secretária escolar Daiane de Almeida ressalta que a ideia principal é destacar que a Escola Coopesg é uma cooperativa educacional, pois nem todos compreendem isso de forma clara. Por isso, além da divulgação da campanha SomosCoop 2026, a instituição destaca esse diferencial em outras postagens e utiliza o carimbo SomosCoop desde a sua criação. “É uma maneira bonita de deixar evidente que somos uma cooperativa e que temos orgulho disso”.
Entre os diferenciais da coop escolar estão aulas sobre cooperativismo e empreendedorismo e a participação dos estudantes em cooperativas mirins, iniciativas que mostram, desde cedo, que a cooperação é uma escolha consciente. Para destacar esses e outros benefícios da escola, a Coopesg vai seguir engajada na campanha, segundo Daiane Almeida, que convida outras cooperativas do país a fazerem o mesmo. “Precisamos, juntos, cooperar de verdade e usar a nossa voz, principalmente por meio das redes sociais, que hoje são uma das principais formas de comunicação. É fundamental falar cada vez mais sobre a importância do cooperativismo e conscientizar sobre esse movimento tão bonito”.
Gincana coop
Além da divulgação tradicional, com inserções publicitárias, conteúdos digitais com influenciadores e comunicação visual nos pontos de venda, a campanha Escolha o coop também tem inspirado ações inovadoras de valorização dos produtos e serviços das cooperativas.
Em Sarandi, no Rio Grande do Sul, uma atividade interativa realizada em um dos supermercados da Cotrisal reuniu estudantes do curso de Tecnólogo em Gestão de Cooperativas do Centro de Ensino Superior Riograndense (Cesurg) em uma caça ao carimbo SomosCoop. Em um desafio com oito etapas, eles precisavam identificar o maior número possível de produtos com o carimbo SomosCoop nas gôndolas.
Ao final, eles conseguiram encontrar mais de 100 produtos de diferentes segmentos, produzidos por 15 cooperativas brasileiras. “A ideia foi despertar o consumo consciente e o reconhecimento do valor social por trás de cada marca. A parceria une universidade e mercado, permitindo que os alunos visualizem a intercooperação na prática. É a educação servindo de ponte para que o futuro gestor compreenda a força do sistema no dia a dia do consumidor”, explica a professora Larissa Zambiasi, responsável pela atividade e docente da disciplina Mercado Cooperativo.
Segundo ela, o impacto da ação entre os estudantes foi imediato. “O comentário mais comum foi: 'Nunca mais entrarei em um mercado da mesma forma'. Na busca pelo carimbo SomosCoop, o olhar passa a ser de busca ativa pelo propósito e pela origem do que consomem. Quando a juventude abraça esse movimento, o cooperativismo deixa de ser apenas um modelo econômico e se consolida como um estilo de vida que transforma comunidades”, afirma a professora.
Para a Cotrisal, a gincana foi mais uma oportunidade de integração com a comunidade e de mostrar que os supermercados oferecem muitas opções de produtos que valorizam o consumo com propósito e geram impacto social. “Esse tipo de iniciativa cria identidade com o consumidor na medida em que ele percebe que o leite que ele consome, por exemplo, está sendo produzido por uma família de agricultores”, ressaltou a assessora de Comunicação Institucional da cooperativa, Silvana Lima.
A cooperativa gaúcha aderiu ao carimbo SomosCoop há seis anos e tem reforçado o uso da marca, principalmente em suas operações de varejo. Segundo Silvana, o objetivo é transformar o selo em um “ativo de identidade coletiva”, ampliando o reconhecimento do cooperativismo de forma estratégica.
“Nenhuma cooperativa, isoladamente, tem o alcance necessário para construir reconhecimento nacional. Quando centenas de organizações comunicam a mesma identidade, o efeito é exponencial. O selo só funciona se for massivo. Em um ambiente cada vez mais competitivo, o modelo cooperativo tem diferenciais reais – participação, democracia, retorno ao associado. O carimbo SomosCoop traduz esses valores em linguagem visual reconhecível, ajudando o consumidor a identificar e preferir cooperativas”, pondera.
Notícias saber cooperar
16/04/2026
Legado do Ano Internacional das Cooperativas
O legado de um ano histórico para o cooperativismo
Notícias saber cooperar
15/04/2026
Símbolos do coop reforçam identidade e cultura cooperativista
O cooperativismo é um movimento feito de histórias e identidades. Hoje, ele movimenta a economia global com mais de 3 milhões de cooperativas e 1 bilhão de cooperados ao redor do mundo, segundo a Aliança Cooperativa Internacional (ACI). No Brasil, de acordo com o Anuário do Cooperativismo Brasileiro, o setor não para de crescer e reúne cerca de 25,8 milhões de pessoas que acreditam em um modelo de negócio mais justo. Mas você já parou para pensar no significado das imagens que representam essa força? Do tradicional pinheiro à moderna marca “Coop”, cada símbolo do cooperativismo carrega um legado de união e transformação e ajuda a consolidar a cultura cooperativista.
Por trás da identidade atual, há uma trajetória construída a partir de raízes profundas, iniciada com o simples desenho de dois pinheiros e que evoluiu até representar, visualmente, o cooperativismo em escala global. Ao longo do tempo, diferentes ícones foram adotados para traduzir seus princípios e valores: alguns ganharam força em contextos locais, enquanto outros contribuíram para consolidar uma identidade compartilhada, funcionando como uma linguagem comum capaz de conectar cooperativas de diferentes regiões e reforçar o senso de pertencimento.
Força que vem da natureza
A imagem de dois pinheiros envoltos por um círculo é, possivelmente, o símbolo do cooperativismo mais reconhecido, especialmente na América Latina. No Brasil, foi adotado oficialmente em 1969 pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e se consolidou como a principal representação das cooperativas no país.
A escolha do pinheiro está ligada às características da árvore: sua perenidade e capacidade de crescer em diferentes solos simboliza a perseverança. Os dois juntos representam a união, enquanto o círculo reforça a ideia de continuidade e de um movimento sem início nem fim.
Para a gerente de Comunicação e Marketing do Sistema OCB, Samara Araujo, a marca foi fundamental para construir uma identidade cooperativista nacional que até hoje faz parte do imaginário sobre o setor.
“É um símbolo que, por muitos anos, foi sinônimo do cooperativismo no Brasil e tem um lugar afetivo na memória de milhões de pessoas. Faz parte da cultura cooperativista, ao traduzir, de forma simples e reconhecível, os valores de união, participação e coletividade que sustentam o coop ao longo de sua história”.
Da diversidade à unidade
Ao redor do mundo, o cooperativismo já foi representado de várias formas: de colmeias a pombas da paz. Mas foi a bandeira do arco-íris, adotada em 1924 pela ACI, que se tornou um marco global. A ideia veio do cooperativista francês Charles Gide, que enxergava nas sete cores a representação da união na diversidade.
Em 2001, essa identidade visual passou por uma atualização. O novo logotipo incorporou pombas que emergem do arco-íris, reforçando a mensagem de que a cooperação está diretamente associada à construção da paz e de relações mais equilibradas e justas na sociedade.
No entanto, identificar produtos de cooperativas em diferentes países estava se tornando um desafio diante da diversidade de símbolos regionais. Por isso, em 2013, a ACI lançou a marca global “Coop”, com duas letras “o” entrelaçadas como elos, representando os vínculos entre cooperados e a força das conexões do movimento.
Na época do lançamento, a então presidente da ACI, Dame Pauline Green, afirmou que a proposta era estabelecer uma identidade visual única, capaz de fortalecer a cultura cooperativista e viabilizar o reconhecimento do cooperativismo em qualquer lugar do mundo.
“Esta logomarca chegou em um momento em que o cooperativismo mundial clamava por uma identidade única. Acreditamos, realmente, que qualquer pessoa ao redor do mundo reconhecerá o cooperativismo quando vir este símbolo. Agora, teremos uma logomarca que, espero, nos represente ao redor do mundo pelos próximos anos”, explicou.
Coop verde e amarelo
No Brasil, essa inspiração internacional deu origem ao Movimento SomosCoop, desenvolvido pelo Sistema OCB. O processo começou a ganhar forma a partir de 2013, com análises para integrar essa identidade global sem perder características nacionais.
Em 2018, após uma série de estudos de branding, o resultado foi a união da palavra Somos – que reforça o senso de pertencimento – ao Coop da ACI e à bandeira do Brasil, formando um conjunto harmônico e representativo do movimento cooperativista no país.
Com a marca definida, o Sistema OCB lançou o carimbo SomosCoop, que identifica os produtos e serviços das cooperativas em embalagens, materiais de comunicação, canais digitais, fachadas e outros espaços.
“O carimbo SomosCoop tem se consolidado como uma ferramenta estratégica de cultura cooperativista e de informação. É uma forma de ajudar o consumidor a fazer escolhas conscientes, porque cada compra feita de uma cooperativa retorna em forma de emprego, renda e benefícios para a comunidade. Onde tem o carimbo SomosCoop tem trabalho coletivo, impacto social e desenvolvimento sustentável”, explica Samara Araujo.
Saiba mais sobre os símbolos do cooperativismo no vídeo da série "Por dentro do coop":
Notícias saber cooperar
07/04/2026
Dia Mundial da Saúde: cooperativas são protagonistas em atendimento e resultados
Um em cada quatro brasileiros com plano de saúde confia no cooperativismo na hora de escolher esse serviço essencial. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 88,4 milhões de pessoas em todo o país têm acesso à assistência privada, médica ou odontológica. Desse total, 24,3 milhões estão associadas a cooperativas de saúde. Os números evidenciam a relevância do cooperativismo para o sistema de saúde brasileiro, ampliando o acesso e promovendo um cuidado centrado nas pessoas. No Dia Mundial da Saúde (7/04), o segmento reforça seu papel na construção de um modelo mais acessível, humanizado e sustentável.
Presença nacional
O ramo saúde reúne 699 cooperativas, presentes em mais de 90% do território brasileiro. Elas são formadas por médicos, odontólogos, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais da área de atenção à saúde humana. O segmento reúne 270 mil cooperados, entre eles 20% dos médicos do país (116 mil), e gera 150 mil empregos, segundo dados do AnuárioCoop 2025. Em 2024, as cooperativas de saúde movimentaram R$123,7 bilhões e atingiram R$75,9 bilhões em ativos.
Referência global
Os maiores grupos cooperativistas de saúde do mundo são brasileiros: os Sistemas Unimed e Uniodonto. De acordo com o ranking Cooperative Monitor 2025, organizado pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI), a Unimed está entre as quatro maiores cooperativas do planeta, considerando a relação entre receitas e Produto Interno Bruto (PIB) per capita dos países. O resultado coloca o Brasil como referência para países que desejam avançar no segmento de saúde por meio do modelo de negócios cooperativo.
Diferenciais cooperativistas
Com enfoque no atendimento humanizado, na valorização dos profissionais e na prestação de serviços de qualidade para a sociedade, as cooperativas de saúde são reconhecidas por sua atuação. Das 18 operadoras médico-hospitalares com nota máxima no Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS) 2024, da ANS, 16 são cooperativas, totalizando 89% de participação e consolidando o cooperativismo como um modelo de qualidade e inovação no setor de saúde suplementar. Na atenção odontológica, 95% das operadoras mais bem avaliadas pela ANS pertencem ao Sistema Uniodonto.
História e desafios
Criado há 60 anos, o ramo saúde tem acompanhado a evolução do segmento e da sociedade brasileira. “As cooperativas de saúde surgiram como uma reação ao modelo de medicina/odontologia de grupo, buscando a valorização da relação profissional-paciente”, lembra o coordenador de Ramos do Sistema OCB, Hugo Andrade.
Hoje, segundo o presidente da Unimed do Brasil, Omar Abujamra Junior, o papel do cooperativismo de saúde é ainda mais relevante diante dos desafios do setor no Brasil. “Temos um alcance que nos permite levar assistência de qualidade a regiões onde outras operadoras não estão, além de fixar médicos no interior do país”, destaca. Entre janeiro e setembro de 2025, por exemplo, o Sistema Unimed realizou mais de 529 milhões de consultas, terapias, internações, exames e outros atendimentos ambulatoriais em todo o país.
Na assistência à saúde bucal, o cooperativismo brasileiro também é referência global com o Sistema Uniodonto, maior rede de atendimento odontológico do mundo. Fundado em 1972, o grupo reúne 22 mil cirurgiões-dentistas cooperados e atende a mais de 3,5 milhões de beneficiários em todo os estados brasileiros. “As cooperativas de saúde conseguem ofertar serviços de qualidade com maior eficiência, ampliando a cobertura assistencial e contribuindo tanto para a prevenção quanto para o tratamento das doenças bucais. Além disso, promovem a interiorização do atendimento, levando assistência a regiões onde a presença de serviços privados estruturados ainda é limitada”, destaca o presidente do Sistema Uniodonto, José Alves de Souza Neto, que também preside a ACI Américas.
Para os dentistas cooperados, a Uniodonto também apresenta diferenciais relevantes. O modelo garante autonomia profissional aliada à segurança de uma atuação organizada, com acesso a uma carteira de pacientes estruturada e a oportunidades de atendimento que dificilmente seriam alcançadas de forma individual. O resultado é uma remuneração 30% superior aos valores repassados pelos planos não cooperativos. “Além disso, o cooperado participa dos resultados do sistema, tem voz nos processos decisórios e conta com suporte técnico, operacional e institucional. Outro ponto de destaque é a intercooperação entre as cooperativas singulares, que possibilita o atendimento organizado e a troca de informações clínicas dos beneficiários no time, ampliando o campo de atuação dos profissionais e fortalecendo a rede como um todo”, acrescenta Souza Neto.
Além de oferecer assistência de qualidade e valorizar o trabalho dos profissionais cooperados, as cooperativas de saúde também geram impacto social positivo nas comunidades em que atuam, investem em inovação e promovem a sustentabilidade ambiental. “O modelo cooperativista se diferencia por equilibrar esses desafios com foco no paciente e no desenvolvimento local”, afirma Abujamra Junior.
Futuro do coop de saúde
Em um cenário de desafios de sustentabilidade econômico-financeira com o aumento dos custos assistenciais, o envelhecimento populacional e a incorporação acelerada de novas tecnologias, as cooperativas de saúde continuam avançando na coordenação do cuidado, na atenção primária e na integração de dados, garantindo eficiência e qualidade.
As demandas do setor e a busca por um ambiente regulatório favorável ao desenvolvimento das cooperativas da área são articuladas em conjunto no Conselho Consultivo do Ramo Saúde, que reúne 44 representantes de cooperativas, das Organizações Estaduais e da Unidade Nacional do Sistema OCB.
Nos últimos anos, o colegiado teve papel decisivo na construção de soluções institucionais relacionadas à assistência em saúde com impactos para o cooperativismo, como o Piso Nacional da Enfermagem, a Reforma Tributária, o Projeto de Lei 7.419/2006 (que propõe um novo marco legal para o mercado de planos e seguros de saúde), a judicialização no setor e os impactos das mudanças na saúde no período pós-pandemia.
Para 2026, a prioridade do Conselho é avançar em temas como a ampliação do acesso a linhas de financiamento público para cooperativas, participação efetiva do cooperativismo de saúde no Sistema Único de Saúde (SUS), contratações públicas de cooperativas e regulamentação da inteligência artificial no setor. “Também há espaço para ampliar parcerias público-privadas, fortalecer a intercooperação e expandir a atuação para novos segmentos da saúde, como psicologia, fisioterapia e enfermagem, onde já existem cooperativas, mas ainda com baixa escala”, afirma Andrade.
Notícias saber cooperar
25/03/2026
Conheça as prioridades da representação institucional do coop em 2026
No ano em que a Agenda Institucional do Cooperativismo completa duas décadas com um histórico de conquistas para o cooperativismo brasileiro, a representação institucional do movimento definiu novas prioridades e está em articulação para seguir avançando na consolidação de um ambiente político e regulatório favorável ao desenvolvimento das cooperativas.
Essa mobilização assume papel estratégico no ano eleitoral, período em que o Congresso Nacional reduz o ritmo de suas atividades e, ao mesmo tempo, se ampliam as oportunidades de inserir as demandas das cooperativas nas agendas e nos programas de governo de candidatos aos cargos do Executivo e do Legislativo.
“Este é um ano decisivo para o Brasil. A representação institucional do cooperativismo manterá diálogo aberto e respeitoso, apresentando propostas e reafirmando sua contribuição ao desenvolvimento do país. Temos muito orgulho de chegarmos até aqui com o que há de mais valioso nas nossas relações: a credibilidade de um trabalho sério e legítimo, que leva à frente a bandeira de milhões de brasileiros por todo o país”, destaca o presidente do Conselho de Administração da OCB, Márcio Lopes de Freitas.
O mapa de prioridades está definido na Agenda Institucional do Cooperativismo 2026, lançada no dia 17 de março em cerimônia que reuniu lideranças cooperativistas e autoridades. Nesta edição, o documento reúne 61 proposições legislativas em acompanhamento no Congresso Nacional, 38 propostas relacionadas a políticas públicas no âmbito do Poder Executivo e 9 temas de repercussão geral em análise nos Tribunais Superiores.
Entre os temas de atenção da representação institucional do cooperativismo ao longo do ano estão a regulamentação das cooperativas de seguros e de telecomunicações, o marco regulatório das cooperativas de trabalho e ampliação do acesso das cooperativas de crédito a Fundos Constitucionais de Desenvolvimento.
Para a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, a palavra-chave para a representação institucional do cooperativismo em 2026 é eficiência. “Precisamos concentrar nossos esforços em avanços regulatórios estratégicos, que resguardem um ambiente de negócios adequado ao desenvolvimento das cooperativas e que reforcem o papel do cooperativismo como instrumento de geração de trabalho e renda, inclusão produtiva e transformação da vida das pessoas”, afirma.
No Congresso Nacional, a articulação em defesa dessas pautas é feita pela OCB em conjunto com a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop). O presidente da Frente, deputado Arnaldo Jardim (SP), afirma que o trabalho coordenado entre o movimento cooperativista e o Parlamento tem sido fundamental para garantir avanços legislativos e regulatórios para o setor.
“Hoje contamos com uma das maiores frentes parlamentares do Congresso Nacional, reunindo deputados e senadores comprometidos com o fortalecimento do cooperativismo. Nosso trabalho envolve acompanhar a tramitação das propostas, promover debates técnicos, dialogar com lideranças partidárias e construir consensos que permitam avançar nas pautas prioritárias do setor. Nosso papel no Congresso Nacional é garantir que esse modelo tenha um ambiente regulatório adequado para continuar crescendo e gerando oportunidades para milhões de brasileiros”, destaca.
Confira as prioridades da representação institucional do cooperativismo em 2026:
Seguros
A Lei Complementar 213/2025, que amplia a participação das cooperativas no mercado de seguros, está em fase de regulamentação e o Sistema OCB está atuado de forma estratégica e propositiva junto à Superintendência de Seguros Privados (Susep), com o objetivo de contribuir para a construção de normas alinhadas aos princípios do cooperativismo e às regras do mercado de seguros. A expectativa é de que novas cooperativas de seguros comecem a ser registradas a partir do segundo semestre deste ano.
Telecomunicações e Energia
Também está em fase de regulamentação a Lei 15.324/2026, que autoriza as cooperativas a prestarem serviços de telecomunicações em igualdade de condições com as empresas do setor. Sancionada em janeiro deste ano, a lei tem como objetivo ampliar a conectividade em regiões de baixa cobertura no país, como as rurais, por meio das cooperativas. Além de prover acesso à internet, as coops poderão ofertar telefonia móvel e telefonia fixa tradicional.
Já o Projeto de Lei (PL) 367/2026, de autoria do presidente da Frencoop, Arnaldo Jardim, permite o reenquadramento de cooperativas autorizadas como permissionárias prestadoras de serviço público de distribuição de energia elétrica. A proposta busca atender uma lacuna existente entre as cooperativas autorizadas, que hoje enfrentam limitações regulatórias que comprometem sua sustentabilidade e sua capacidade de expansão.
Trabalho
A Lei 12.690/2012, que trata do marco regulatório das cooperativas de trabalho, também está em fase de regulamentação com o intuito de superar interpretações restritivas que ainda limitam sua atuação. O processo vem sendo acompanhado de perto pelo Sistema OCB, que pleiteia a regulamentação da lei por meio de decreto, com a inclusão de sugestões apresentadas ao Ministério do Trabalho e Emprego contendo as especificidades e posicionamentos do movimento cooperativista.
Crédito
Outra pauta relevante este ano é o PL 3.162/2024, que permite que as premiações em campanhas promocionais possam ser realizadas em forma de quota parte em sociedade cooperativa. A proposta fortalece as estratégias de educação financeira e o relacionamento com os cooperados, ampliando a competitividade das cooperativas no sistema financeiro.
Agropecuária
Publicada no final de 2024, a Lei 15.072/2024 reconhece a condição de segurado especial aos cooperados vinculados às atividades rurais, medida que fortalece a proteção social no campo e as cooperativas agropecuárias. A representação institucional do Sistema OCB acompanha de perto a implementação desta lei.
Desenvolvimento e Sustentabilidade
As proposições que ampliam e protegem os direitos das cooperativas estão recebendo atenção especial da OCB nacional nas áreas de desenvolvimento e sustentabilidade. Uma delas é o Projeto de Lei Complementar (PLP) 262/2019, que amplia o acesso das cooperativas a importantes instrumentos de financiamento de desenvolvimento regional, tais como o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), da Amazônia (FDA) e do Centro-Oeste (FDCO). Esses financiamentos são essenciais para viabilizar investimentos em infraestrutura e em projetos produtivos que impulsionam o desenvolvimento regional.
Nos Tribunais Superiores, um dos temas de destaque para a representação institucional do coop em 2026 é a discussão da constitucionalidade de dispositivos da nova Lei do Licenciamento Ambiental (Lei 15.190/2025). Com atuação direta na preservação do meio ambiente e no uso avançado de tecnologias verdes, as cooperativas estão particularmente interessadas na sistematização dos procedimentos de obtenção de licenças, com a garantia da proteção ambiental.
No Senado Federal, tramitam propostas prioritárias para o cooperativismo nessa área. Uma delas é o PL 5.082/2025, que dispõe sobre a incidência da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TCFA). O PL ajusta o regime de incidência da TCFA à realidade atual, além de equacionar o impacto de custo que a taxa atualmente representa para as atividades produtivas das cooperativas.
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