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Educação Política fortalece cultura de representação institucional no coop

A política está mais presente no cotidiano das cooperativas do que muita gente imagina. É nos espaços de decisão que são definidas leis, regulamentações e políticas públicas capazes de impulsionar –  ou limitar – o desenvolvimento do cooperativismo. Por isso, acompanhar o ambiente político-institucional e participar do diálogo com os tomadores de decisão é uma estratégia essencial para fortalecer o setor e garantir que as especificidades do modelo cooperativo sejam consideradas. 

Para aprimorar essa atuação, o Sistema OCB criou o Programa de Educação Política, que prepara lideranças cooperativistas para compreender o funcionamento das instituições, qualificar a representação institucional e ampliar a participação do cooperativismo nos debates de interesse do setor. Mais do que incentivar o acompanhamento da agenda pública, o programa busca consolidar uma cultura de atuação apartidária, técnica e permanente, voltada à defesa legítima das pautas cooperativistas.

eduardo queiroz 1 c0cfe“Nossa intenção é formar cidadãos mais conscientes, lideranças mais preparadas e cooperativas mais capazes de dialogar com os tomadores de decisão. Queremos que o cooperativismo seja reconhecido não apenas por sua relevância econômica e social, mas também por sua capacidade de contribuir para a construção de soluções para os desafios do país”, explica o gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Eduardo Queiroz. 

Esse fortalecimento da representação institucional se traduz em ações concretas. Ao acompanhar a agenda legislativa, dialogar com representantes dos Poderes e construir relacionamentos institucionais, o cooperativismo amplia sua capacidade de atuar de forma estratégica na defesa de seus interesses. Com isso, consegue apresentar propostas fundamentadas, contribuir tecnicamente para a formulação de políticas públicas e levar aos espaços de decisão a experiência de organizações que promovem inclusão produtiva, desenvolvimento regional, geração de renda e o fortalecimento das comunidades. 

“Quando um dirigente entende como tramita um projeto de lei, quando um cooperado compreende o impacto de uma política pública sobre sua atividade ou quando uma cooperativa consegue apresentar propostas estruturadas para candidatos e gestores públicos, estamos fortalecendo a capacidade de incidência do movimento”, destaca o gerente.

Como participar

O Programa de Educação Política oferece diferentes ferramentas para as cooperativas aperfeiçoarem sua participação em processos decisórios importantes para as regiões onde estão inseridas. Em todo o país, 25 Organizações Estaduais (OCEs) já aderiram à plataforma. Segundo Queiroz, quanto maior o envolvimento das cooperativas, maior a capacidade do movimento de apresentar suas contribuições para o desenvolvimento do país e defender um ambiente institucional favorável ao seu crescimento. 

“Cooperativas que investem em educação política fortalecem sua capacidade de relacionamento institucional, desenvolvem lideranças mais preparadas, ampliam sua influência nos debates públicos e conseguem antecipar tendências regulatórias e legislativas que podem impactar seus negócios. Além disso, tornam-se organizações mais conectadas com seus territórios e mais capazes de atuar como agentes de desenvolvimento local”, ressalta.

O programa é colocado em prática nos estados com oficinas, seminários, encontros de lideranças, cursos de formação, campanhas de conscientização e atividades voltadas para jovens, mulheres e dirigentes cooperativistas. São ações que destacam a importância da participação cidadã e da representação institucional dentro do coop e vem gerando uma mudança cultural ao longo dos anos.

“Percebemos um avanço significativo na capacidade das próprias cooperativas de organizarem suas pautas, construírem agendas regionais e participarem de discussões sobre desenvolvimento local, o que amplia a legitimidade e a influência institucional do movimento”, avalia o gerente. 

Atuação estratégica 

O Programa de Educação Política funciona com base em eixos estratégicos. No primeiro, Formação Política e Cidadã, o foco é promover a capacitação sobre democracia, funcionamento das instituições, processo eleitoral, Poder Legislativo, Poder Executivo e participação social. É a base que permite que o sistema cooperativista tenha multiplicadores do programa por todo o país.

No eixo Mobilização e Engajamento, o Sistema OCB busca transformar conhecimento em participação. O objetivo é incentivar cooperados, dirigentes e colaboradores a acompanharem os temas de interesse do cooperativismo e a se envolverem nos debates que impactam suas comunidades e seus negócios.

O terceiro eixo –  Representação Institucional – inclui o cooperativismo no centro da agenda de decisões, por meio do documento Propostas para um Brasil Mais Cooperativo, entregue aos presidenciáveis e demais candidatos em nível federal, estadual e municipal. Por fim, o eixo Comunicação e Conscientização amplia o alcance dessas discussões por meio de campanhas, materiais educativos e plataformas digitais. É nesse contexto que iniciativas como a campanha “Na hora de votar, #PensenoCoop” ganham relevância, aproximando cooperativas e representantes públicos.

“É uma formação completa, que vai permitir à cooperativa entender como funciona todo o processo de participação política e como usá-la a seu favor. Em 2026, ano de eleições gerais, essa decisão é ainda mais importante no sentido de qualificar o relacionamento institucional das cooperativas com candidatos, parlamentares e gestores públicos”, destaca Eduardo Queiroz. 

Educação política na prática 

No Sistema OCB/ES, 100% dos parlamentares eleitos em âmbito estadual já firmaram um compromisso com o cooperativismo. A adesão é resultado de um trabalho consistente de representação institucional do coop capixaba. 

david duarte ribeiro sistema ocb es e130eO assessor de Relações Institucionais do Sistema OCB/ES, David Duarte Ribeiro, explica que, com a ajuda do Programa de Educação Política, os atores políticos compreenderam que o cooperativismo possui uma atuação apartidária, com foco em fortalecer as cooperativas e ampliar a contribuição delas para o desenvolvimento do estado. 

Participante do programa desde 2023, a OCE já vem colhendo resultados significativos, como a aprovação de leis de reconhecimento e incentivo ao cooperativismo em 22 municípios capixabas. Os avanços refletem um esforço que também mobiliza quem atua na ponta. Cooperativas como a Coopram, de agricultura familiar, e a Coopersules, de transporte,  passaram a dedicar painéis exclusivos ao Programa de Educação Política em seus eventos internos. “Nesses espaços, os multiplicadores apresentam a iniciativa, debatem a importância do envolvimento institucional e mostram como as decisões políticas impactam diretamente o dia a dia da cooperativa”, conta Ribeiro. 

Para ampliar esse alcance, o Sistema OCB/ES aposta em duas frentes complementares. A primeira é a capacitação dos multiplicadores, por meio da trilha de aprendizagem Cooperativismo e Relações Governamentais, na plataforma CapacitaCoop, garantindo que eles tenham domínio dos temas abordados.

A segunda consiste em comunicar o tema de forma simples e próxima do público. “Encaminhamos materiais dinâmicos, como cartilhas digitais e pílulas de informação via WhatsApp, além de promovermos reuniões de comitês educativos. O foco é desmistificar a política, mostrando que a educação política não é sinônimo de partidarismo, mas sim um mecanismo para atuarmos em defesa do modelo de negócios cooperativo”, afirma o assessor.

Construção permanente 

O Paraná foi o estado pioneiro na implementação do Programa de Educação Política do Sistema OCB, ainda na fase piloto, em 2018. Adaptada à realidade local, a iniciativa alcançou mais de 1 milhão de pessoas. Agora, a meta é ampliar esse alcance para 3 milhões, mobilizando as 255 cooperativas registradas na Ocepar

danielly andressa da silva ocepar 764cfDe acordo com a coordenadora de Relações Institucionais da entidade, Danielly Andressa da Silva, esse avanço é resultado de um trabalho contínuo de formação de coordenadores locais – lideranças indicadas pelas cooperativas para atuar como pontos focais do programa em cada organização. 

Os coordenadores participam regularmente de capacitações, recebem orientações técnicas e integram reuniões e fóruns promovidos pela Ocepar, garantindo alinhamento e uniformidade na condução das ações em todo o estado. “Cada vez mais lideranças compreendem que acompanhar o ambiente político-institucional não significa fazer política partidária, mas exercer uma representação institucional responsável, organizada e alinhada aos interesses do cooperativismo”, afirma.

O pioneirismo também tem impacto na representatividade do coop paranaense. Hoje, 26 deputados federais e senadores do estado integram a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) no Congresso Nacional. “Observamos recentemente uma evolução importante na qualidade do relacionamento institucional com os Poderes Executivo e Legislativo, permitindo que as contribuições do cooperativismo sejam apresentadas de forma técnica, propositiva e permanente”, destaca Danielly. 

Para a coordenadora, esse trabalho ultrapassa os períodos eleitorais e busca consolidar uma cultura permanente de representação institucional. A proposta é preparar cooperativas e lideranças para acompanhar os processos de decisão e atuar de forma organizada na defesa de pautas estratégicas para o setor. 

A consolidação do programa também passa por uma agenda estruturada de formação e mobilização. A Ocepar investe na capacitação contínua de lideranças, na produção de materiais de comunicação, em parcerias institucionais e em ações de sensibilização junto às cooperativas. Entre as iniciativas desenvolvidas estão o documento Propostas por um Paraná mais Cooperativo, que complementa o material elaborado pelo Sistema OCB com indicadores e prioridades para o estado, o MBA em Inteligência Política e Governos, realizado com o apoio do Sescoop/PR, além de imersões institucionais na Assembleia Legislativa do Paraná e diálogo permanente com representantes dos Executivo.

Segundo Danielly, a experiência tem mostrado que o maior desafio não é executar o programa, mas consolidar uma cultura de representação institucional capaz de ampliar, de forma legítima e contínua, a influência do cooperativismo nos espaços de decisão. “Nosso objetivo hoje é fortalecer uma atuação orientada por inteligência política, preparando lideranças para compreender o ambiente institucional, antecipar tendências e qualificar o diálogo com os tomadores de decisão”, conclui.

 

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