Cooperativas reforçam defesa de proteção ao produtor rural
Crises climáticas ampliam debate sobre soluções estruturantes para garantir proteção e competitividade
Nos últimos meses, as mudanças radicais dos eventos climáticos reforçaram um debate urgente para o setor produtivo: a necessidade de políticas estruturantes de crédito e seguro rural capazes de garantir previsibilidade, proteção e continuidade da produção no campo.
O cooperativismo agropecuário defende soluções permanentes que fortaleçam a capacidade produtiva dos agricultores, assegurem acesso ao financiamento e ampliem os mecanismos de gestão de risco rural. Em um cenário de perdas sucessivas, cooperativas e produtores rurais têm enfrentado dificuldades para manter investimentos, honrar compromissos financeiros e recuperar suas atividades.
Nesse contexto, o fortalecimento do seguro rural, a criação de outros instrumentos de securitização e a reestruturação de
Bruno Spada / Câmara dos Deputados dívidas passaram a ocupar posição central nas discussões sobre política agrícola no país. As cooperativas agropecuárias, presentes em todos os elos da cadeia produtiva, têm atuado diretamente no apoio aos produtores, oferecendo assistência técnica, orientação financeira e suporte para manutenção da atividade econômica nas regiões afetadas.
O deputado Pedro Westphalen (RS), coordenador na Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), defende que os impactos recentes das crises climáticas demonstram a necessidade de o Brasil revisar seu modelo de financiamento agrícola. Segundo ele, o país precisa avançar em políticas permanentes de proteção ao produtor rural e evitar que cada novo desastre dependa exclusivamente de medidas emergenciais. “Esses desastres climáticos no Sul do país e em outras regiões mostram que precisamos de um outro tipo de política de financiamento agrícola. Não podemos, a cada evento climático, chegar pedindo socorro. O produtor quer pagar suas contas, mas precisa de prazo, juros equalizados e segurança para continuar produzindo”, afirmou.
Westphalen também destacou que o seguro rural precisa ser tratado como uma política estratégica de Estado. Para ele, a criação de mecanismos permanentes de proteção financeira permitiria respostas mais rápidas aos prejuízos provocados por eventos extremos. “O seguro agrícola é o que resolve essa questão. O produtor precisa ter segurança para plantar, sabendo que terá respaldo em caso de perdas severas. Também precisamos avançar na securitização, com um fundo estruturado que permita socorro imediato ao setor produtivo diante das catástrofes”, acrescentou.
Competitividade
As cooperativas agropecuárias têm papel decisivo nesse cenário. Além de concentrarem grande parte da produção nacional de alimentos, fibras e energia, elas funcionam como agentes de desenvolvimento regional e inclusão econômica, especialmente para pequenos e médios produtores rurais. Por meio da organização coletiva, os cooperados conseguem acessar crédito, tecnologia, assistência técnica e melhores condições de comercialização.
Para o gerente Técnico e Econômico do Sistema OCB, João Prieto, fortalecer os instrumentos de crédito e seguro rural é fundamental para garantir a continuidade da produção e preservar a competitividade do agro brasileiro. “As cooperativas agropecuárias estão ao lado do produtor nos momentos mais difíceis e têm sido essenciais para manter a atividade econômica nas regiões afetadas pelas crises climáticas. Mas é preciso avançar em políticas estruturantes que deem previsibilidade ao setor, fortaleçam o seguro rural e ampliem o acesso ao crédito com condições adequadas para recuperação da capacidade produtiva”, destacou.
Prieto também ressalta que a gestão de riscos rurais se tornou um dos pilares da competitividade do agronegócio. Segundo ele, as cooperativas ajudam a reduzir impactos econômicos e sociais ao garantir suporte técnico e financeiro aos cooperados, mas ainda existem desafios regulatórios e de financiamento que precisam ser superados.
Uma das propostas em debate no Congresso Nacional busca justamente modernizar a política nacional de seguro rural. O Projeto de Lei (PL) 2.951/2024, de autoria da senadora Tereza Cristina (MS), vice-presidente da Frencoop, altera legislações relacionadas à Política Agrícola, à Subvenção Econômica ao Prêmio do Seguro Rural e ao Fundo de Catástrofe, com o objetivo de ampliar o acesso aos mecanismos de proteção e atualizar os instrumentos existentes à realidade atual do agronegócio brasileiro.
A proposta também prevê avanços na regulamentação e operacionalização do Fundo de Catástrofe, considerado estratégico para ampliar a participação do mercado de seguros rurais e reduzir a percepção de risco das operações no campo.
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