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06/10/2026
Sistema OCB alinha acesso das cooperativas ao Crédito do Trabalhador
Reunião com MTE e Dataprev detalhou próximos passos para a participação direta das coops de crédito
O Sistema OCB participou, nesta terça-feira (6), de reunião com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e a Dataprev para tratar da implementação do modelo simplificado do Programa Crédito do Trabalhador para as cooperativas de crédito. O encontro detalhou a solução tecnológica, alinhou os procedimentos necessários e avançou na preparação das instituições para o início das operações nesse modelo.
A implantação da solução em produção está prevista para a noite de 24 de novembro, com acesso aos serviços pelas cooperativas a partir do dia 25 de novembro. O cronograma foi definido pelo MTE em articulação com a Dataprev e comunicado pelo Sistema OCB às cooperativas no fim de setembro.
A solução permitirá que as cooperativas consultem a margem disponível dos trabalhadores e façam a declaração da margem consumida em operações realizadas em seus próprios canais. Para acessar os serviços, as instituições serão cadastradas na Plataforma Crédito do Trabalhador com um código de oito caracteres e utilizarão certificado digital. A integração será feita diretamente com a Dataprev, sem a necessidade de outros atores.
“A definição do cronograma traz mais segurança para as cooperativas planejarem sua preparação e seus processos internos. Agora, com as datas e as condições de acesso estabelecidas, temos um caminho mais claro para que as instituições interessadas possam se preparar para iniciar as operações”, afirmou Clara Maffia, gerente geral de Negócios do Sistema OCB.
Integração
A participação direta das cooperativas é uma demanda que vem sendo acompanhada pelo Sistema OCB desde a regulamentação do modelo. Em agosto, a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) também havia solicitado ao Ministério do Trabalho e à Dataprev a adoção das medidas necessárias para garantir a integração direta das cooperativas interessadas à infraestrutura do programa.
A integração direta foi defendida pelo setor como forma de garantir maior segurança jurídica e operacional, além de ampliar a concorrência e as opções de crédito disponíveis aos trabalhadores. O documento também destaca a presença das cooperativas de crédito em milhares de municípios e seu papel na inclusão financeira.
Durante a reunião, representantes do MTE, da Dataprev, do Sistema OCB, da Federação Nacional das Cooperativas de Crédito (FNCC) e da Frencoop puderam alinhar os próximos passos para a implementação. A expectativa agora é que as cooperativas utilizem o período até a entrada em produção para realizar os procedimentos necessários à habilitação e adequação de seus processos.
“A partir desse avanço, nosso foco é garantir que as cooperativas tenham todas as informações necessárias para chegar ao início da operação preparadas. O diálogo com o MTE e a Dataprev continua sendo fundamental para esclarecer os procedimentos e dar previsibilidade ao setor”, destacou Clara.
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01/10/2026
Impactos da Reforma Tributária no crédito são temas de debate
Clara Maffia destacou desafios da transição e importância da preparação para as novas regras
O Sistema OCB participou, nesta quinta-feira (1º), do 2º Summit Sicredi de Riscos, Operações e TI, em São Paulo, com uma discussão sobre os impactos da Reforma Tributária para o cooperativismo de crédito. No painel, a gerente geral de Negócios, Clara Maffia, destacou que a adaptação às novas regras vai além das mudanças fiscais e envolve negócios, operações, sistemas e, principalmente, a relação com os associados.
“É um tema que precisa estar na pauta da diretoria como um todo. A reforma chega ao associado e muda a forma como ele se relaciona com fornecedores, clientes e com a própria cooperativa”, destacou durante o debate.
A Lei Complementar 214/2025 estabeleceu um regime específico e facultativo para as sociedades cooperativas. Nas operações previstas no artigo 271, a opção pelo regime reduz a zero as alíquotas do IBS e da CBS. Para produzir efeitos em 2027, a adesão deve ser formalizada entre 1º de setembro e 31 de outubro de 2026.
No caso do cooperativismo de crédito, porém, ainda há pontos que dependem de regulamentação e de definições sobre a aplicação prática das novas regras. Um dos principais temas em discussão é o tratamento das operações realizadas com associados que não estão sujeitos ao regime regular do IBS e da CBS. O Sistema OCB acompanha o assunto e atua institucionalmente junto aos órgãos responsáveis pela regulamentação e ao Congresso Nacional.
A entidade também defende a desburocratização da opção pelo regime específico, a aplicação da alíquota zero nas operações com associados não contribuintes e o tratamento das aplicações financeiras dos recursos captados dos associados.
Proximidade com o associado
Durante o painel, Clara ressaltou que a presença das cooperativas nos municípios pode ser um diferencial durante a transição. A orientação aos associados passa por decisões que envolvem preços, contratos, escolha de regimes tributários e planejamento do capital de giro.
De acordo com o AnuárioCoop 2026, o cooperativismo de crédito reúne 682 cooperativas e mais de 22 milhões de cooperados. Os ativos do ramo ultrapassam R$ 1 trilhão e suas cooperativas estão presentes de forma exclusiva em 1.072 municípios, onde é a única instituição financeira.
Para o Sistema OCB, a preparação para a Reforma Tributária também representa uma oportunidade para fortalecer a relação das cooperativas com seus associados. Com a implantação gradual do novo sistema, que começa a produzir mudanças já em 2027 e segue até 2033, as organizações terão de adaptar processos e sistemas, mas também poderão ampliar o papel de orientação junto às pessoas e negócios que atendem.
A participação de Clara ocorreu ao lado de Leandro Souza, sócio de serviços de Business Tax da Deloitte, responsável pela abordagem geral da reforma e do mercado financeiro. O painel foi mediado por Alexandre Englert, diretor executivo de Administração, Finanças e Sustentabilidade (CFO) do Sicredi e Gustavo Freitas, diretor executivo de Crédito e Segmento.
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30/09/2026
Agenda propõe ampliar acesso a crédito, saúde e energia
Propostas do Sistema OCB apostam na inclusão financeira e na ampliação do acesso à serviços essenciais
O cooperativismo pode assumir papel mais estratégico na redução das desigualdades regionais e na ampliação do acesso da população a serviços essenciais, como crédito, saúde, energia, educação e habitação. Essa é a avaliação do Sistema OCB, que incluiu o tema no terceiro eixo do documento Propostas para um Brasil Mais Cooperativo 2027-2030. A agenda foi apresentada às equipes de campanha dos principais candidatos à Presidência da República como contribuição à formulação dos planos de governo e eventuais políticas públicas.
A proposta parte do entendimento de que as cooperativas podem atuar como parceiras estratégicas do Estado na promoção do desenvolvimento econômico e social, sobretudo em municípios do interior e regiões onde o acesso ao crédito, à saúde, à educação, à energia e à infraestrutura ainda representa um desafio. Segundo o documento, fortalecer esse modelo significa ampliar oportunidades, estimular a economia local e reduzir desigualdades entre as diferentes regiões do país.
Para a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, o cooperativismo já demonstra, na prática, que é capaz de levar desenvolvimento para localidades onde muitas vezes a presença de serviços é limitada. "As cooperativas nascem das necessidades das próprias comunidades e permanecem nelas, promovendo desenvolvimento de forma contínua. Elas levam crédito, assistência técnica, saúde, educação, energia e oportunidades de geração de renda. Fortalecer esse modelo é fortalecer as pessoas e criar condições para que o desenvolvimento aconteça onde ele é mais necessário”, afirma.
Crédito para impulsionar economias locais
Entre as prioridades da agenda está o fortalecimento do cooperativismo de crédito como instrumento de inclusão financeira. O documento propõe ampliar a participação das cooperativas em programas voltados a micro e pequenos empreendedores; estimular a gestão de recursos públicos municipais por cooperativas de crédito; e garantir maior previsibilidade no acesso aos Fundos Constitucionais de Financiamento (FCO, FNE e FNO).
Segundo Tania, fortalecer o cooperativismo de crédito significa ampliar o acesso ao sistema financeiro. "O diferencial da cooperativa de crédito é que os recursos permanecem circulando na própria comunidade. Quando financiamos um pequeno empreendedor, um produtor rural ou uma cooperativa, geramos emprego, movimentamos o comércio local e criamos um ciclo sustentável de desenvolvimento econômico," explica.
A proposta também prevê o aprimoramento da participação das cooperativas agropecuárias como beneficiárias dos Fundos de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Nordeste (FDNE) e do Centro-Oeste (FDCO), com o objetivo de estimular investimentos em infraestrutura, logística e empreendimentos produtivos nessas regiões.
Norte e Nordeste ganham atenção especial
O documento dedica um capítulo específico ao fortalecimento das cooperativas nas regiões Norte e Nordeste. Entre as propostas estão o incentivo à organização das cadeias produtivas no semiárido, a ampliação da assistência técnica, do acesso ao crédito e da industrialização da produção, além do fortalecimento da competitividade das cooperativas amazônicas por meio de parcerias institucionais.
Tania explica que o cooperativismo é um importante instrumento para acelerar o desenvolvimento dessas regiões respeitando suas vocações econômicas. "O Norte e o Nordeste possuem enorme potencial produtivo. O cooperativismo ajuda a organizar produtores, agregar valor à produção, ampliar o acesso à tecnologia e abrir novos mercados. É uma forma de promover desenvolvimento econômico sem perder de vista as características e as necessidades de cada território”.
Oferta de serviços essenciais
Além da inclusão financeira, a agenda propõe ampliar a participação das cooperativas na oferta de serviços considerados essenciais. Na área da Saúde, o Sistema OCB defende fortalecer as parcerias entre cooperativas e o poder público para ampliar o atendimento à população, valorizar a atenção primária e aperfeiçoar o ambiente regulatório da saúde suplementar.
A estrutura e a experiência do setor são vistas como características que por si só já devem ser consideradas para ampliar sua contribuição ao sistema de atendimento brasileiro. "As cooperativas de saúde estão presentes em praticamente todo o país e acumulam décadas de experiência na prestação de serviços. Fortalecer esse modelo significa ampliar o acesso da população a um atendimento de qualidade e contribuir para um sistema de saúde cada vez mais eficiente”, defende Tania.
Na área de energia, a entidade propõe o desenvolvimento de políticas públicas que incentivem o fortalecimento das cooperativas de geração e distribuição de energia, para fortalecer, principalmente, o atendimento às comunidades rurais e municípios mais distantes dos grandes centros. O modelo cooperativista é defendido ainda como um ator importante na aceleração da transição energética brasileira.
O documento também defende políticas públicas voltadas ao fortalecimento das cooperativas educacionais, de transporte, turismo e habitação. A proposta é permitir uma maior participação dessas organizações na oferta de serviços e contribuir para melhorar a qualidade de vida da população e impulsionar o desenvolvimento das cidades.
Na avaliação de Tania Zanella, a diversidade de atuação é um dos principais diferenciais do cooperativismo. "O cooperativismo tem capacidade de integrar diferentes soluções para atender às necessidades das comunidades. Quando fortalecemos as cooperativas, ampliamos o acesso ao crédito, à educação, à saúde, à energia, ao transporte e à habitação. É um modelo que gera desenvolvimento econômico com inclusão social e fortalece as cidades brasileiras”, conclui.
A agenda foi construída a partir da experiência de milhares de cooperativas espalhadas pelo país e busca demonstrar que o cooperativismo pode contribuir para tornar as políticas públicas mais eficientes e próximas da realidade dos municípios. O documento continuará sendo detalhado aos membros do novo governo a partir de 2027.
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28/09/2026
Sistema OCB recebe comitiva da Ascoop para intercâmbio cooperativista
Delegação colombiana participa de agenda diversificada, com visitas e reuniões em diferentes estados
O Sistema OCB recebe, a partir desta segunda-feira (28), uma comitiva da Associação Colombiana de Cooperativas (Ascoop) para uma agenda de intercâmbio sobre o cooperativismo brasileiro. A programação segue até sexta-feira (02/10) e inclui apresentações institucionais, reuniões com organizações do setor e visitas a cooperativas e instituições ligadas ao ramo Crédito.
A delegação é liderada por Maria Eugenia Pérez Zea, que também representa a Colômbia no board da Aliança Cooperativa Internacional (ACI). As visitas tiveram início na sede do Sistema OCB, em Brasília, com uma apresentação de boas-vindas realizada pela superintendente Fabíola Nader Motta. O grupo também conheceu mais sobre a atuação política nacional e internacional da organização, além das características do ramo Crédito.
Intercâmbio passa por São Paulo e Rio Grande do Sul
Depois da passagem por Brasília, a comitiva segue para São Paulo, com recepção na Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp), apresentações sobre o panorama das cooperativas paulistas e, especialmente, do crédito cooperativo no estado. O encontro conta, também, com a participação do Sicoob.
Na quarta-feira (30), estão previstas visitas à Central Unicred do Brasil e à sede da Unidonto Nacional. Na quinta-feira (1º), a delegação viaja para Porto Alegre, onde participa de uma reunião no Sistema Ocergs. O encerramento da agenda ocorre na sexta-feira (2), no Centro Administrativo Sicredi (CAS), com apresentações e atividades ao longo do dia.
Conexão internacional fortalece a troca de experiências
A agenda também aproxima representantes do Brasil e da Colômbia que atuam na ACI. Maria Eugenia representa a Colômbia no conselho da entidade, enquanto Márcio Lopes de Freitas, presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, integra o board da ACI como representante do Brasil.
“Receber a ASCOOP é uma oportunidade de fortalecer os laços entre o cooperativismo brasileiro e colombiano. Quando compartilhamos nossas experiências, desafios e soluções, ampliamos a capacidade de construir um movimento cooperativista cada vez mais conectado, representativo e preparado para o futuro” destaca o presidente Márcio.
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28/09/2026
Cooperativismo propõe agenda para gerar mais renda e desenvolvimento
Setor defenda segurança tributária, crédito ampliado e maior participação em políticas públicas
Ao organizar suas demandas para os próximos anos no documento Propostas para um Brasil Mais Cooperativo 2027–2030, o cooperativismo brasileiro ressaltou logo de início sua prioridade mais estrutural: construir um ambiente de negócios que reconheça a natureza singular das cooperativas, e pare de tratá-las como empresas comuns quando, na verdade, são diferenciadas. O Eixo 1, Cooperativas como vetores de prosperidade e inclusão produtiva, se organiza em quatro frentes: tributação, legislação de fomento, representatividade institucional e regulamentações prioritárias.
A principal argumentação do eixo é o tratamento justo do modelo, ao considerar que cooperativas não distribuem lucros para acionistas, não têm investidores externos e não buscam rentabilidade. “O que elas buscam é viabilidade econômica para quem trabalha e produz junto. Essa lógica já está na Constituição. O que o cooperativismo pede é que ela também esteja nas normas, nos editais e nas mesas onde o Brasil decide seu futuro”, afirma Tania Zanella, presidente executiva do Sistema OCB.
Tributação
A Emenda Constitucional 132/2023 e a Lei Complementar 214/2025 abriram caminho para um regime tributário específico para as cooperativas dentro da Reforma Tributária, incluindo tratamento adequado ao ato cooperativo (transação entre a cooperativa e seus próprios membros) que, por natureza, não se configura como uma operação de mercado e, portanto, também não pode ser tributada como tal.
O avanço dessa conquista está na fase seguinte: a regulamentação. Enquanto normas são editadas e interpretações consolidadas, há risco real de que os progressos sejam esvaziados na prática. Nesse sentido, a demanda é objetiva: a regulamentação precisa respeitar as especificidades do ato cooperativo, garantindo segurança jurídica e competitividade ao setor.
“Não é questão menor. Se uma cooperativa agropecuária for tributada igual a uma empresa comercial, o modelo perde competitividade, e com ele, perdem os pequenos produtores, cooperados e empreendedores que dependem da escala coletiva para acessar mercados”, explica Tania.
Crédito, licitações e acesso a mercados
No financiamento, a proposta é reforçar as linhas de crédito oficiais para todos os segmentos cooperativos e criar instrumentos, como o Certificado de Crédito Cooperativo e de Contratos de Parceria, para ampliar o acesso a fontes alternativas de investimento.
Nas contratações públicas, a questão supera a especificação de direitos — as Leis 14.133/2021 e 12.690/2012 já garantem a participação de cooperativas em licitações. O que falta é que essa participação deixe de encontrar resistência na prática, seja por desconhecimento dos agentes públicos ou por interpretações restritivas sem amparo legal.
O eixo também propõe que cooperativas de pequeno porte tenham acesso aos mesmos benefícios não-tributários disponíveis para microempresas, em áreas como crédito, mercados e inovação. “Nosso formato societário não deve ser obstáculo para políticas de apoio ao empreendedorismo. Pelo contrário, essas políticas precisam ser inclusivas e considerar a relevância do modelo cooperativista para o desenvolvimento econômico e social do país”, acrescenta Tania.
Presença onde as decisões são tomadas
Outro ponto estratégico defendido pelo cooperativismo é ter assento permanente nos espaços onde políticas relevantes para o setor são formuladas. O Sistema OCB busca consolidar seu papel como órgão técnico-consultivo do governo, conforme já prevê a Lei 5.764/1971, e garantir que o registro na entidade seja reconhecido como condição de acesso às políticas públicas.
A CNCoop, por sua vez, reivindica participação nos fóruns governamentais de temas trabalhistas e sindicais. E há ainda uma demanda prática: ampliar a presença de representantes do cooperativismo nas juntas comerciais, para que os procedimentos de registro se adequem à realidade de um modelo com lógica distinta das sociedades empresariais comuns.
Novos mercados, velhas pendências
O quarto bloco lista regulamentações prioritárias. A entrada no mercado de seguros privados, viabilizada pela Lei Complementar 213/2025, é tratada como uma grande conquista — o modelo cooperativista de seguros é bem-sucedido internacionalmente, com cooperados participando diretamente das decisões sobre coberturas e proteções.
Nas telecomunicações, a Lei 15.324/2026 removeu os entraves que impediam cooperativas de ofertar conectividade. Agora, a prioridade é definição de ambiente regulatório que permita explorar esse potencial — especialmente no meio rural, onde as cooperativas podem ampliar o acesso à internet com mais capilaridade e custo menor do que as soluções convencionais ofertadas.
Por fim, há a regulamentação da Lei das Cooperativas de Trabalho (Lei 12.690/2012), que desde sua sanção opera sem a clareza necessária. O objetivo é dar segurança jurídica a esse modelo de organização — reconhecendo os direitos dos trabalhadores cooperados e eliminando as ambiguidades que hoje geram insegurança para cooperativas e fiscalizadores.
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17/09/2026
Potencial das coops para ampliar acesso a seguros ganha destaque
Seminário na USP debateu regulação, concorrência e oportunidades para expansão do setor
O potencial das cooperativas para ampliar o acesso da população brasileira a seguros foi um dos temas debatidos nesta quinta-feira (17), durante o II Seminário Jurídico de Seguros, realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
O coordenador de Ramos do Sistema OCB, Hugo Andrade, participou do painel Regulação e Concorrência, ao lado de representantes do Ministério da Fazenda e da Superintendência de Seguros Privados (Susep). O debate abordou o novo ambiente regulatório do setor, a entrada de novos participantes e os caminhos para ampliar a concorrência e a inclusão securitária no país.
Para Hugo, a atuação das cooperativas pode ajudar a levar proteção a pessoas e atividades econômicas que ainda têm pouco acesso ao mercado segurador. “O cooperativismo pode contribuir para levar proteção a quem hoje ainda está descoberto. Temos presença nas comunidades, proximidade com os cooperados e conhecimento das diferentes realidades econômicas. Esse conjunto de características abre espaço para ampliar a inclusão securitária no Brasil”, afirmou.
Novo cenário para o cooperativismo
O debate ocorreu em meio às mudanças promovidas pela Lei Complementar 213/2025, que ampliou as possibilidades de atuação das cooperativas no mercado de seguros, e pela regulamentação posterior do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP).
Na avaliação de Hugo, o avanço do setor depende de um ambiente regulatório que combine segurança com o reconhecimento das particularidades do modelo cooperativista. “Precisamos de um ambiente regulatório seguro, mas que também reconheça a identidade e a forma de organização das cooperativas. O desafio é permitir que esses modelos sejam viáveis e sustentáveis e, ao mesmo tempo, tenham condições de ampliar a oferta de proteção para a sociedade”, explicou.
Outro ponto destacado foi a possibilidade de integração entre diferentes ramos do cooperativismo. Nesse cenário, as cooperativas de crédito podem desempenhar papel importante por sua capilaridade e presença em diferentes regiões do país. “As cooperativas de crédito têm uma capilaridade muito relevante e podem contribuir para impulsionar o cooperativismo de seguros. A intercooperação é uma das oportunidades que esse novo ambiente nos oferece”, acrescentou.
Concorrência e inclusão
A entrada de novos participantes e os possíveis efeitos sobre a concorrência também estiveram entre os temas discutidos. Hugo ressaltou que a expansão das cooperativas pode contribuir para aumentar a oferta de produtos, mas também para alcançar públicos que ainda possuem baixa cobertura securitária. “Não se trata apenas de dividir um mercado que já existe. Existe a possibilidade de ampliar esse mercado, alcançar novos públicos e fortalecer a cultura de proteção no país. É aí que o cooperativismo pode dar uma contribuição importante”, completou.
Além de Hugo, participaram do painel Vinicius Brandi, do Ministério da Fazenda e membro do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), e Carlos Queiroz, diretor da Susep. A moderação foi conduzida por Adriana Toledo, presidente do Conselho de Recursos do Sistema Nacional de Seguros Privados (CRSNSP).
Realizado no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP, em São Paulo, o II Seminário Jurídico de Seguros reuniu especialistas e representantes do setor ao longo do dia. Além de regulação e concorrência, o evento promoveu debates sobre saúde suplementar; seguro de vida e integridade física; seguro de danos e responsabilidade civil; grandes riscos; e resseguro.
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15/09/2026
Sistema OCB destaca expansão e desafios do ramo Crédito
Em encontro da Sicredi União no ES, Tania Zanella defende crescimento sem perda de identidade
O crescimento acelerado do cooperativismo brasileiro aumenta o desafio de fazer com que os novos associados compreendam as diferenças do modelo e participem das decisões das cooperativas. A avaliação foi apresentada pela presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, durante encontro da Sicredi União (RS/ES), nesta segunda-feira (14), em Cachoeiro de Itapemirim (ES).
A participação integrou a celebração dos 113 anos da Sicredi União e dos cinco anos de atuação da cooperativa no Espírito Santo. Em palestra sobre a força do cooperativismo brasileiro, Tania defendeu que a expansão do movimento seja acompanhada pelo fortalecimento da identidade cooperativista. “Crescer é importante, mas o nosso desafio é fazer com que os novos cooperados saibam o que isso representa e reconheçam que estão em um modelo no qual participa das decisões e dos resultados”, afirmou.
O Brasil chegou a 29,03 milhões de cooperados em 2025, ante 15,53 milhões em 2019, de acordo com dados do AnuárioCoop 2026. São 4.400 cooperativas presentes em 3.425 municípios, com R$ 1,6 trilhão em ativos e 613,4 mil empregos diretos. Juntas, registraram R$ 848,4 bilhões em ingressos no ano.
A expansão é ainda mais expressiva no cooperativismo de crédito. O número de cooperados do ramo passou de 10,7 milhões em 2019 para 23 milhões em 2025, alta superior a 115%. Para a presidente executiva, esse avanço exige atenção para que o associado entenda a diferença entre ser apenas cliente de uma instituição financeira e fazer parte de uma cooperativa.
A Sicredi União, por exemplo, reúne mais de 317 mil associados e 1,2 mil colaboradores, com 73 agências e presença em 61 municípios do Rio Grande do Sul e do Espírito Santo. A cooperativa soma mais de R$ 10,5 bilhões em ativos e R$ 8,3 bilhões em operações de crédito.
Pertencimento
A apresentação levantou justamente o questionamento sobre quanto esse novo público conhece a cultura cooperativista. “Não queremos apenas ampliar uma base de usuários de serviços financeiros. Queremos formar cooperados que entendam seu papel, participem da cooperativa e percebam que fazem parte de um empreendimento que pertence às próprias pessoas”, disse.
Entre os diferenciais do modelo, a dirigente destacou o interesse pela comunidade, o vínculo de confiança, a participação dos associados nas decisões, a inclusão produtiva e a distribuição de sobras. Ela também relacionou o modelo às mudanças no comportamento do consumidor, que busca cada vez mais propósito, participação, valores humanos e soluções ligadas à economia consciente e colaborativa.
“O consumidor quer saber quais valores estão por trás de uma organização e qual impacto ela produz na sociedade. No cooperativismo, colocar as pessoas no centro e gerar desenvolvimento para a comunidade não são tendências novas. Fazem parte da nossa essência”, declarou.
Desenvolvimento local
A capacidade das cooperativas de impulsionar as economias locais também esteve entre os destaques da palestra. Segundo os dados apresentados por Tania, municípios com presença cooperativista registraram, em média, R$ 5,1 mil a mais de PIB por habitante, resultado 18,6% superior à média considerada no estudo.
Esses municípios também apresentaram incremento médio de 28,4 empregos formais por 10 mil habitantes e acréscimo de US$ 96,2 por habitante no saldo comercial. “Quando uma cooperativa cresce, o resultado circula na região, fortalece negócios, gera oportunidades e ajuda a desenvolver a comunidade. Essa capacidade de combinar eficiência econômica com desenvolvimento local é uma das maiores forças do cooperativismo”, ressaltou.
Fraudes, regulação e juros
A presidente executiva do Sistema OCB também abordou os desafios enfrentados pelo sistema financeiro. Na área operacional, estão o avanço das fraudes por Pix e engenharia social; o uso de inteligência artificial generativa e deepfakes em golpes; e o crescimento dos ataques cibernéticos. Já na regulatória, foram destacados o custo de adaptação às novas regras; a evolução do Open Finance e do Drex; e as exigências socioambientais. No ambiente econômico, por sua vez, juros elevados, endividamento e inadimplência pressionam famílias, empresas e instituições financeiras.
Entre as prioridades do Sistema OCB para o segmento estão a interlocução com o Banco Central para o fortalecimento patrimonial das cooperativas, a ampliação do acesso aos Fundos Constitucionais de Financiamento e a adaptação às novas regras de capital mínimo.
Ao final, Tania defendeu que a preservação da identidade cooperativista seja tratada como uma questão imediata diante do ritmo de expansão do setor. “Não estamos falando do cooperativismo para daqui a três gerações. Estamos falando do cooperativismo de agora. Os desafios já estão colocados e é agora que precisamos preparar nossas cooperativas e nossos cooperados para enfrentá-los”, concluiu.
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09/09/2026
Cooperativas reduzem custos com eficiência energética
Cases mostram economia milionária com uso de IA, energia solar, biomassa e ganhos de eficiência Reduzir a conta de energia deixou de ser uma iniciativa restrita à agenda ambiental e passou a fazer parte das estratégias de produtividade e competitividade das cooperativas brasileiras. Experiências nos setores de crédito e agro mostram que automação, inteligência artificial, energia solar, biomassa e mudanças na operação já são utilizadas para cortar despesas, reduzir desperdícios e aumentar a eficiência.
Os resultados foram apresentados nesta quarta (9) e quinta-feira (10), durante dois Workshops de Eficiência Energética promovidos pelo Sistema OCB em formato online. No primeiro dia, a programação foi dedicada às cooperativas de crédito, com experiências dos sistemas Sicredi, Sicoob e Cresol. Nesta quinta-feira, o foco passou para as cooperativas agropecuárias, com cases de Aurora Coop, C.Vale e Coasa.
No Sicredi, por exemplo, a combinação entre automação, análise de dados e gestão das contas de energia já proporcionou aproximadamente R$ 6,1 milhões em economia. No Sicoob, o uso de inteligência artificial e machine learning na climatização de um data center aumentou a eficiência energética em 16,27% nos primeiros 120 dias de operação. Já a Cresol Horizonte conseguiu reduzir o consumo em 12,67% em um ano, mesmo com a abertura de duas novas agências e a ampliação do número de colaboradores.
No agro, as discussões reforçaram a relação direta entre eficiência energética, produtividade, custos de produção e margem. A programação mostrou que uma gestão estruturada começa pela medição do consumo e pela criação de indicadores capazes de revelar desperdícios incorporados à rotina das operações. Além da geração própria de energia, os ganhos podem vir de ajustes em equipamentos, manutenção, automação e processos produtivos, especialmente em atividades de alto consumo, como refrigeração, secagem de grãos, aeração e produção de vapor.
As apresentações fazem parte da estratégia do Sistema OCB para estimular as cooperativas a tratarem a energia também como uma variável econômica do negócio. A Solução Eficiência Energética integra o Programa ESGCoop e combina diagnóstico, capacitação, consultoria e acompanhamento para identificar desperdícios, reduzir custos e melhorar o desempenho energético.
Para Clara Maffia, gerente geral de Negócios do Sistema OCB, eficiência energética precisa ser observada também pela perspectiva econômica. “Quando falamos de eficiência energética, estamos falando, na prática, de competitividade das cooperativas. Quando pensamos em reduzir desperdícios, otimizar processos, aumentar a eficiência operacional e melhorar as margens, temos um resultado ainda mais positivo para a cooperativa e para os cooperados”, afirmou.
Eficiência começa pelo diagnóstico e pela gestão do consumo
Alexandre Matter, sócio da Stride, consultoria parceira do Sistema OCB, participou do primeiro dia e ressaltou, em sua apresentação, que eficiência energética envolve uma gestão contínua do consumo, a partir do diagnóstico das instalações, definição de indicadores, identificação de desperdícios, padronização de processos e acompanhamento dos resultados.Segundo ele, fatores como clima, tamanho das unidades, horários de funcionamento, climatização, iluminação e equipamentos influenciam o desempenho energético. “A proposta é transformar as oportunidades identificadas em melhorias permanentes na operação e incorporar a eficiência energética à gestão das cooperativas”, declarou.
Já no segundo dia, voltado às cooperativas agropecuárias, Marcos Gilberto Beuren, também sócio da Stride, ressaltou a importância de identificar desperdícios incorporados à rotina e transformar o consumo de energia em indicador de desempenho. “No agro, processos como refrigeração, aeração, moagem, secagem e produção de vapor concentram oportunidades relevantes de economia, que podem ser ampliadas com automação, inversores de frequência, melhorias nos sistemas produtivos e aproveitamento de resíduos para geração de energia”, considerou.Beuren também chamou atenção para a análise do custo dos equipamentos ao longo de sua vida útil, uma vez que o consumo de energia representa uma parcela significativa do custo total de operação.
Sicredi registra R$ 6,1 milhões em economia
No Sicredi, as ações de eficiência energética envolvem mais de 260 unidades consumidoras e 45 cooperativas. Entre as medidas estão otimização da demanda contratada, recuperação de cobranças indevidas das concessionárias, gestão do desempenho e rateio de usinas solares, Mercado Livre de Energia, consórcio de energia e migração tarifária.
Desde 2022, mais de 148 mil faturas de energia foram automatizadas. Em 2026, o acompanhamento já reúne mais de 3,7 mil unidades consumidoras, com aproximadamente 21 mil faturas capturadas e cerca de 85% dos dados de energia obtidos automaticamente. “A automação dos dados de energia contribui para as ações de eficiência operacional do Sicredi e também para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Hoje, conseguimos trabalhar esses dados para identificar oportunidades de economia e tornar a gestão cada vez mais eficiente”, afirmou Raissa Cabral, analista administrativo financeiro do sistema.
O avanço também aparece na origem da energia consumida. A participação das fontes renováveis passou de 23,1%, em 2022, para 51,3%, em 2025. No ano passado, foram 63.835 MWh provenientes de fontes renováveis, diante de um consumo total de 124.375 MWh.
Inteligência artificial aumenta eficiência de data center do Sicoob
No Sicoob, a eficiência energética chegou à infraestrutura tecnológica. O Data Center SIG passou a utilizar inteligência artificial e machine learning para controlar a climatização. Nos primeiros 120 dias de operação, a tecnologia proporcionou ganho de eficiência energética de 16,27%. Segundo os dados apresentados, o Sicoob tornou-se o segundo data center do Brasil a operar a climatização integralmente por uma plataforma de inteligência artificial e machine learning.
Outra frente está no Mercado Livre de Energia. O Sicoob contabiliza R$ 2,3 milhões em economia desde a migração. Desde outubro de 2024, 100% da energia consumida pelo Data Center SIG e pelo Centro Cooperativo Sicoob (CCS) é proveniente de fontes renováveis. “Eficiência energética é sustentabilidade, competitividade e resiliência. A tecnologia e a gestão mostram que é possível transformar compromissos ambientais em resultados concretos para o negócio”, afirmou Alex Santiago, coordenador de Tecnologia da Informação.
Na estrutura predial, as iniciativas incluem automação da iluminação, modernização da climatização e substituição de equipamentos por modelos mais eficientes. Entre as ações previstas está a troca de 3 mil notebooks em 2026, com redução estimada de aproximadamente 30% no consumo de energia desses equipamentos.
Cresol combina energia solar, tecnologia e gestão
Na Cresol, a estratégia de eficiência energética combina geração solar, monitoramento do consumo e gestão da operação. Na sede da instituição, que reúne 674 colaboradores em 26 mil metros quadrados de área edificada, 373 placas solares produziram 10.220 kWh em junho de 2026, o equivalente a 13,4% do consumo do mês. A economia foi estimada em R$ 9,5 mil mensais, com projeção superior a R$ 114 mil por ano. Sensores, acompanhamento das faturas e gestão dos horários de maior demanda complementam a estratégia, que concentra 89,4% do consumo fora do horário de ponta.
Os ganhos também aparecem nas cooperativas singulares. Na Cresol Horizonte, o consumo de energia caiu 12,67% entre julho de 2025 e julho de 2026, mesmo com a expansão de 20 para 22 agências e o aumento de 226 para 262 colaboradores. “Conseguimos reduzir o consumo em 12,67%, mesmo com o aumento de 36 colaboradores e a abertura de duas novas agências. Isso mostra que, quando existe acompanhamento e envolvimento das equipes, é possível crescer e, ao mesmo tempo, consumir energia de forma mais eficiente”, afirmou a analista de Relacionamento Kely de Oliveira Ramos.
Aurora Coop projeta economia de R$ 180 mil por ano
Na Aurora Coop, Luciano Braz Acosta, do Departamento de Manutenção, e Diego Cadaval Machado, encarregado de Utilidades, apresentaram uma experiência desenvolvida no sistema de refrigeração de uma unidade industrial em Chapecó (SC). A partir de diagnóstico, a equipe identificou que, nos fins de semana, quando a carga térmica da unidade era menor, era possível reorganizar o funcionamento do sistema e operar com um compressor a menos. A mudança permitiu uma redução de aproximadamente 12,36 MWh por fim de semana, com economia projetada em cerca de R$ 180 mil por ano.
O principal diferencial é que a medida não exigiu a aquisição de novos equipamentos. A economia veio da reorganização da operação e da adequação do sistema de refrigeração à demanda efetiva da unidade. “Não há necessidade de ficar com dois compressores ligados consumindo energia sem necessidade”, explicou Diego.
C.Vale encontra oportunidades em matrizeiro de 48 milhões de ovos por ano
Pela C.Vale, o engenheiro eletricista André Luiz Ribeiro Barbieri apresentou a experiência realizada em um matrizeiro de aves da cooperativa em Palotina (PR), responsável pela produção de cerca de 48 milhões de ovos por ano. A escolha do local foi proposital. Em vez de concentrar o diagnóstico em uma grande planta industrial ou casa de máquinas, a cooperativa decidiu procurar oportunidades em uma estrutura que normalmente receberia menos atenção quando o assunto é eficiência energética.
O diagnóstico identificou oportunidades de redução de consumo na iluminação, nos motores, na climatização, no isolamento dos aviários, na manutenção das placas evaporativas e até na forma como os colaboradores se deslocam dentro da unidade. “Quando pensamos em eficiência energética, olhamos além da questão elétrica, da energia. Verificamos também a questão do processo”, afirmou.
Essa visão levou a cooperativa a revisar rotinas de manutenção e limpeza dos equipamentos utilizados na climatização dos galpões. As primeiras medidas implementadas representaram economia estimada em cerca de R$ 53 mil por ano. O diagnóstico também passou a fornecer referências para futuros projetos da cooperativa, permitindo que soluções identificadas no matrizeiro sejam consideradas desde a concepção de novas estruturas.
Coasa aposta em biomassa e busca resíduo zero
Na Coasa, a diretora administrativa Aline Bacega apresentou uma experiência ainda em fase de implementação. A cooperativa começou a estruturar indicadores para mensurar os resultados das mudanças realizadas principalmente no processo de secagem de grãos. Uma das principais frentes é a substituição gradual de sistemas alimentados com lenha por equipamentos que utilizam cavaco de madeira como biomassa. “Ainda não tem indicadores, mas percebemos que a qualidade do produto seco fica muito melhor porque tem uma uniformidade de trabalho”, relatou.
A mudança também traz reflexos sobre a mão de obra e a segurança. Como a secagem de grãos pode funcionar 24 horas por dia, a maior uniformidade do processo reduz a necessidade de intervenções e melhora as condições operacionais. A estratégia da Coasa, porém, vai além da substituição do combustível. A cooperativa pretende aproveitar resíduos gerados na armazenagem, secagem e processamento de grãos como fonte de energia para a própria operação. “O sonho da cooperativa e ter resíduo zero”, acrescentou Aline.
Fórum Latino-Americano amplia debate sobre transição energética
Após os dois dias de workshops, a agenda de eficiência energética no cooperativismo terá continuidade nos dias 24 e 25 de novembro, em Brasília (DF), com o II Fórum Latino-Americano de Energia Cooperativa. O encontro será realizado pelo Sistema OCB em parceria com a Confederação Alemã das Cooperativas (DGRV) e reunirá especialistas de diferentes nacionalidades para debater temas estratégicos relacionados ao avanço da transição energética.
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01/09/2026
Sistema OCB leva ao MIDR proposta para ampliar acesso ao FNE
Agenda inclui medidas para ampliar a participação das cooperativas e projeto-piloto para levar recursos do FNE a municípios sem agência do BNB
O Sistema OCB apresentou ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e ao Banco do Nordeste (BNB), nesta terça-feira (1º), as Propostas do Cooperativismo de Crédito aos Fundos Constitucionais. O documento reúne medidas legislativas, regulatórias e operacionais para o Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO), o Fundo Constitucional do Norte (FNO) e o Fundo Constitucional do Nordeste (FNE) e inclui, como uma das iniciativas prioritárias, o Projeto-piloto para viabilizar o acesso do cooperativismo de crédito aos recursos do FNE.
A reunião foi conduzida pela superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, e contou com a participação do secretário nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros, Eduardo Corrêa Tavares, representantes técnicos da Secretaria e do BNB, banco administrador do FNE.
Construído em conjunto com os sistemas cooperativistas de crédito, as Organizações Estaduais do Sistema OCB (OCEs) e o Conselho Consultivo Nacional do Ramo Crédito, o documento “Propostas do Cooperativismo de Crédito aos Fundos Constitucionais 2027” contribui para as discussões das Programações Anuais de 2027 do FCO, FNO e FNE.
A agenda está organizada em três frentes. No campo legislativo, propõe alterações na Lei 7.827/1989 para ampliar ao FNE condições já aplicadas ao cooperativismo no FCO e no FNO. Na frente regulatória, estão ajustes para ampliar a participação das cooperativas na política dos Fundos. Já no eixo operacional, as propostas contemplam a expansão das linhas de financiamento e dos perfis de tomadores que podem ser atendidos pelas instituições cooperativas.
“A participação das cooperativas de crédito nos Fundos Constitucionais é uma agenda que combina desenvolvimento regional, inclusão financeira e maior capilaridade na aplicação dos recursos. Estamos apresentando propostas construídas com o setor e que podem contribuir para tornar essas políticas públicas ainda mais acessíveis nos territórios”, destacou Fabíola.
Projeto-piloto para o FNE
Entre as propostas apresentadas ao MIDR está o projeto-piloto que prevê a participação dos bancos cooperativos Sicoob e Sicredi como instituições repassadoras de recursos do FNE, sendo o Banco do Nordeste o administrador do Fundo.
O modelo foi desenhado para alcançar 315 municípios da área de atuação da Sudene que possuem postos de atendimento cooperativo, mas não contam com agência física do BNB. Ao todo, são 371 postos já instalados nesses municípios.
A iniciativa utiliza uma possibilidade prevista na regulamentação do FNE. A Programação Anual do Fundo permite que entre 1% e 3% dos recursos sejam repassados a outras instituições financeiras. Para o piloto, a proposta estabelece limite de até R$ 300 milhões por exercício, conforme a demanda e os parâmetros definidos para o Fundo.
O desenho também mantém a distribuição de responsabilidades entre as instituições: o risco de crédito permanece integralmente com o agente repassador, enquanto a remuneração do banco administrador não sofre alteração. A vigência prevista é de 24 meses, sendo seis meses para estruturação e integração dos sistemas e 18 meses para execução monitorada.
“A expectativa é avançar na articulação com a Secretaria, a Sudene e o Banco do Nordeste para que o projeto seja formalmente apresentado ao banco administrador e os instrumentos possam ser assinados ainda em 2026. Queremos preparar a operação para o ciclo da Programação Anual do FNE de 2027”, destacou Fabíola.
Mais capilaridade para os recursos
A proposta considera a complementaridade entre as redes de atendimento. Dados do Banco Central, com posição em dezembro de 2025, mostram que as cooperativas de crédito possuem mais de 10,5 mil pontos de atendimento no país, estão presentes em 59% dos municípios brasileiros e são a única instituição financeira em 1.072 cidades.
Na área de abrangência do FNE, 503 municípios contam atualmente com postos de atendimento cooperativo. A inserção do modelo na política pública dedicada ao nordeste pode ampliar a presença física da política de financiamento em municípios que hoje têm cobertura mais limitada.
Dos 315 municípios previstos no piloto, 234 estão localizados no semiárido. Minas Gerais concentra a maior parte deles, com 160 municípios e 177 postos cooperativos, seguido pela Bahia, com 78 municípios e 87 postos.
A proposta para o FNE também considera a experiência acumulada pelo cooperativismo de crédito na operação dos outros Fundos Constitucionais. No FCO e no FNO, os sistemas cooperativos já participam da aplicação de recursos e, desde 2015, realizaram mais de R$ 7,7 bilhões em mais de 26,8 mil operações. Em 2025, foram R$ 2,2 bilhões em aproximadamente 8 mil operações, maior volume anual da série.
A apresentação ao MIDR abre agora uma etapa de articulação com os órgãos envolvidos na gestão dos Fundos Constitucionais. A expectativa do Sistema OCB é avançar nas discussões das propostas e preparar as condições para que as medidas possam contribuir para a programação dos recursos de 2027.
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28/08/2026
Cartilha do Sistema OCB aproxima cooperativas de crédito e municípios
Publicação lançada durante o 16º Concred reúne orientações sobre movimentação de recursos públicos
A relação entre cooperativas de crédito e prefeituras ganhou novos caminhos para contribuir com o desenvolvimento local. Durante o 16º Concred, realizado nesta sexta-feira (28), o Sistema OCB participou do lançamento da 3ª edição da cartilha Retenção de Riqueza nos Municípios — Relação entre Cooperativas de Crédito e Entes Públicos Municipais.
O lançamento contou com a participação de Cledir Magri, presidente da Cresol Confederação e coordenador do Conselho Consultivo Nacional do Ramo Crédito (Ceco/OCB), e Eduardo Queiroz, gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB.
Produzida pelo Sistema OCB em parceria com o Sebrae e o Banco Central do Brasil, a publicação reúne orientações para gestores municipais sobre a movimentação de recursos públicos em cooperativas de crédito. A proposta busca aproximar as administrações municipais de instituições que conhecem a realidade local e fazem os recursos circularem no próprio território.
A nova edição também incorpora as mudanças trazidas pela Resolução CMN 5.273/2025, que ampliou a possibilidade de captação de recursos municipais pelas cooperativas de crédito. Com a atualização, o material apresenta as novas regras e os caminhos para que prefeitos e equipes técnicas conheçam melhor as possibilidades dessa relação.
Relacionamento
Atualmente, as cooperativas de crédito mantêm relacionamento com mais de 5,5 mil entes municipais, em cerca de 2,9 mil municípios. Em dezembro de 2025, os depósitos no segmento chegaram a R$ 4,33 bilhões, segundo dados do Banco Central.
A atuação das cooperativas também tem um papel importante em localidades onde o acesso a serviços financeiros é mais limitado. Em 1.072 municípios brasileiros, elas são a única instituição financeira presente, o que amplia sua contribuição para produtores, empreendedores e demais atividades que movimentam a economia dessas cidades.
Durante o lançamento, Eduardo destacou a importância de transformar as possibilidades previstas na legislação em relações concretas entre cooperativas e gestores públicos. A nova cartilha chega, segundo ele, justamente, para facilitar esse diálogo e apoiar quem busca alternativas para manter os recursos circulando mais perto de onde são gerados.
“A cartilha busca servir como um ponto de partida para novas parcerias. A expectativa é que prefeitos, equipes municipais e lideranças cooperativistas encontrem no material informações para transformar uma possibilidade institucional em ações capazes de movimentar a economia de cada município”, destacou o gerente.
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27/08/2026
Crescimento com propósito marca debate do Sistema OCB no Concred
Tania Zanella destacou a cultura cooperativista como base para o crescimento sustentável do Ramo Crédito
A presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, foi uma das palestrantes da plenária principal do primeiro dia do 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred), realizado em Goiânia (GO), nesta quinta-feira (27). Com o tema Cooperativismo: crescimento com propósito, ela abordou os desafios que acompanham a expansão do setor e defendeu o fortalecimento da cultura cooperativista como parte desse processo.
Durante a palestra, realizada no bloco Da Cooperação à Escala: fortalecendo o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC), Tania chamou atenção para o ritmo de crescimento do cooperativismo. Em 2025, o movimento brasileiro alcançou 29 milhões de cooperados, ante 15,5 milhões em 2019. O Ramo Crédito responde por cerca de 23 milhões desse total.
Para a presidente executiva, os números mostram a força do setor, mas também trazem uma questão importante: como garantir que esse crescimento seja acompanhado pela compreensão do que significa fazer parte de uma cooperativa? “Estamos crescendo e levando o cooperativismo para cada vez mais pessoas. Mas precisamos olhar para esse crescimento e entender se quem chega conhece, de fato, o modelo do qual está fazendo parte”, afirmou.
A reflexão conduziu a discussão sobre cultura cooperativista, tema que tem sido trabalhado pelo Sistema OCB a partir da Pesquisa Nacional do Cooperativismo e de uma investigação específica sobre o assunto. Tania destacou desafios relacionados ao conhecimento sobre o modelo, à participação dos cooperados e à preparação de novas lideranças.
Segundo ela, a expansão das cooperativas exige atenção para que sua identidade seja preservada. “Nosso desafio é crescer sem perder aquilo que nos diferencia. A cultura cooperativista precisa estar presente na relação com o cooperado, na formação das lideranças e nas decisões que tomamos para o futuro”, acrescentou.
Evolução
A apresentação também abordou transformações que já impactam o setor, como o avanço da inteligência artificial, a agenda ESG e as mudanças no perfil das novas gerações. Para Tania, a tecnologia amplia possibilidades, mas torna ainda mais importante investir em capacidades humanas, como criatividade, diálogo e construção coletiva.
Nesse cenário, ela apresentou a atuação do Sistema OCB no apoio às cooperativas e os caminhos desenvolvidos pela entidade para responder a desafios relacionados à governança, à educação cooperativista, à formação de lideranças e ao fortalecimento da cultura do movimento.
A participação de Tania na plenária principal levou ao centro do Concred uma discussão que dialoga diretamente com o momento vivido pelo cooperativismo financeiro: ampliar escala, competitividade e presença no mercado sem perder a conexão com os princípios que deram origem ao modelo.
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27/08/2026
Coordenação do Ceco debate pautas estratégicas em reunião em Goiânia
Encontro alinhou posições sobre temas que impactam atuação do cooperativismo de crédito
A Coordenação do Conselho Consultivo Nacional do Ramo Crédito (Ceco) realizou, nesta quarta-feira (26), uma reunião presencial em Goiânia (GO). O encontro ocorreu durante o 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred) e reuniu lideranças do setor para discutir pautas estratégicas que estão no radar do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC).
Na agenda, os participantes acompanharam atualizações e discutiram temas com impacto direto na atuação das cooperativas de crédito, como a Reforma Tributária, a renegociação de dívidas rurais, o Seguro Rural, os fundos constitucionais e questões relacionadas à Lei 14.967/2024, que institui o Estatuto da Segurança Privada e da Segurança das Instituições Financeiras.
Também foram apresentados os desdobramentos de propostas em tramitação, entre elas o Projeto de Lei (PL) 5.122/2023 e a Medida Provisória (MP) 1.376/2026, que tratam da renegociação de dívidas rurais, além do PL 2.951/2024 (novas regras para o Seguro Rural). A reunião permitiu alinhar o acompanhamento dessas pautas e discutir os possíveis reflexos para o cooperativismo de crédito.
Para a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, o encontro presencial foi uma oportunidade para aproximar as lideranças e organizar uma atuação conjunta diante dos assuntos que movimentam o setor. “São temas que exigem acompanhamento constante e diálogo entre as cooperativas e suas representações. Reunir a coordenação do Ceco em um momento como o Concred nos permite atualizar a agenda, compartilhar diferentes visões e alinhar os próximos passos em relação às pautas que podem impactar o cooperativismo de crédito”, afirmou.
A escolha de Goiânia para o encontro também aproveitou a presença de representantes de cooperativas de crédito de diferentes regiões do país no Concred. Realizado de 26 a 28 de agosto, o congresso reúne dirigentes, executivos e especialistas para debater os desafios e as perspectivas do cooperativismo financeiro.
Segundo Tania, a atuação coordenada é fundamental para que o setor acompanhe as mudanças em curso e participe das discussões que afetam o ambiente de negócios das cooperativas. “O cooperativismo de crédito tem crescido e ampliado sua presença no sistema financeiro. Esse movimento traz novas oportunidades, mas também exige atenção às mudanças regulatórias e institucionais. O papel do Ceco é justamente contribuir para esse acompanhamento e manter o setor mobilizado em torno de uma agenda comum”, completou.
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26/08/2026
Sistema OCB reforça parceria com BNDES em agenda no Paraná
Encontro com Aloizio Mercadante tratou de financiamento, crédito e oportunidades para o cooperativismo
A relação construída entre o cooperativismo e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ganhou destaque em uma agenda institucional realizada nesta terça-feira (25), no Paraná. Representando o Sistema OCB, a gerente geral de Negócios, Clara Maffia, participou do encontro com o presidente do banco, Aloizio Mercadante, e reforçou a importância da parceria para ampliar o acesso das cooperativas a recursos e fortalecer o desenvolvimento nos municípios brasileiros.
Realizado na sede da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), o encontro foi aberto pelo presidente do Conselho da entidade, José Roberto Baggio. Em seguida, o presidente executivo da Ocepar, José Roberto Ricken, apresentou um panorama do cooperativismo paranaense, com os principais números do setor, projetos apoiados pelo BNDES e demandas relacionadas ao financiamento das cooperativas.
Entre os pontos apresentados por Ricken estiveram ajustes no Plano Safra, fortalecimento do seguro rural e a necessidade de buscar novas fontes de financiamento para o cooperativismo. Também foi discutida a possibilidade de mecanismos vinculados ao dólar ou a outras moedas. Outro pedido foi o apoio do BNDES nas discussões sobre a Reforma Tributária, especialmente na regulamentação relacionada às cooperativas de crédito. Foto: Reinaldo Reginato/BNDES
Parceria que chega à ponta
Em sua participação, Clara Maffia ressaltou que a relação entre o Sistema OCB e o BNDES vem sendo construída há anos e já resultou em dois acordos de cooperação. O mais recente foi formalizado no ano passado, com vigência de cinco anos. “O BNDES é um parceiro importante para o cooperativismo. Ao longo dos anos, esse apoio ajudou a financiar as atividades de cooperativas de diferentes ramos e também fortaleceu a atuação das cooperativas de crédito, que são fundamentais para fazer os recursos chegarem aos municípios e às pessoas”, afirmou.
Clara destacou ainda a capilaridade das cooperativas de crédito no país. Segundo ela, há cerca de mil municípios brasileiros em que uma cooperativa de crédito é a única instituição financeira presente. Para ela, essa presença ajuda a explicar a importância do modelo na democratização do acesso a recursos e na movimentação das economias locais. “O cooperativismo de crédito tem uma capilaridade que faz diferença. Em muitos municípios, é a cooperativa que está presente quando outras instituições financeiras não estão. Isso mostra o potencial que temos para fazer o recurso chegar onde ele é necessário e gerar desenvolvimento”, explicou.
A gerente geral também mencionou estudos que relacionam a presença de cooperativas a melhores indicadores de prosperidade nos municípios. A avaliação reforça, segundo ela, o papel do cooperativismo como parceiro estratégico de políticas de desenvolvimento.
Agenda de financiamento
A reunião também serviu para aproximar as demandas do setor das possibilidades de atuação do BNDES. A diversificação das fontes de financiamento aparece como uma frente importante diante dos investimentos necessários para ampliar a capacidade das cooperativas e fortalecer suas atividades.
Para Clara, a continuidade do diálogo é fundamental para transformar as necessidades apresentadas pelo setor em novas oportunidades de parceria. “Saímos desse encontro reforçando uma parceria que já tem uma história muito positiva. O Sistema OCB está à disposição para continuar esse diálogo e buscar, junto ao BNDES, novas alternativas que contribuam para o crescimento das cooperativas e para o desenvolvimento do país”, concluiu.
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10/08/2026
Sistema OCB recebe maior cooperativa de crédito do México
Caja Popular Mexicana visitou iniciativas de educação, crédito e regulação em Brasília e Porto Alegre
O coop brasileiro recebeu, entre os dias 3 e 6 de agosto, uma comitiva de 31 representantes da Caja Popular Mexicana, maior cooperativa do México e também a maior cooperativa de crédito do país. Formado por dirigentes e integrantes da alta direção da instituição, o grupo veio ao Brasil para conhecer experiências do cooperativismo de crédito e iniciativas de educação cooperativista.
A programação começou na segunda-feira (3), no Sistema OCB, onde a delegação foi recebida pelo presidente do Conselho de Administração, Márcio Lopes de Freitas. Na ocasião, ele apresentou um panorama do cooperativismo brasileiro e destacou a importância de aproximar experiências de diferentes países. “O cooperativismo tem essa capacidade de conectar pessoas e organizações que, mesmo em realidades diferentes, enfrentam desafios muito parecidos. Receber uma comitiva como essa é uma oportunidade de mostrar um pouco do que construímos no Brasil e também de conhecer o que eles têm feito no México”, afirmou.
O grupo ainda conheceu o CapacitaCoop e suas contribuições para o desenvolvimento do cooperativismo brasileiro. Ainda em Brasília, o grupo visitou a sede do Sicoob e conheceu mais de perto a estrutura e o funcionamento do sistema cooperativista de crédito, além de sua cobertura nacional e sua miríade de produtos financeiros.
Na terça-feira (4), a agenda foi dedicada ao ambiente regulatório. Os representantes da Caja Popular Mexicana estiveram no Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop) e no Banco Central para conhecer as estruturas de proteção, supervisão e regulação que fazem parte do cooperativismo de crédito brasileiro.
Um dos temas de maior interesse da delegação foi a educação cooperativista. Na quarta-feira (5), já em Porto Alegre, o grupo conheceu a Escola Superior do Cooperativismo (Escoop) e teve contato com iniciativas de formação desenvolvidas no setor.
A programação terminou na quinta-feira (6), com uma agenda no Centro Administrativo do Sicredi (CAS), também em Porto Alegre. A comitiva contou com a participação da presidente do Conselho de Administração da Caja Popular Mexicana, Nadia Romero Gaytán, que acompanhou a agenda no país. Para os representantes mexicanos, a visita permitiu conhecer soluções adotadas pelas cooperativas brasileiras e observar como o modelo está organizado em diferentes frentes.
A aproximação também contribuiu para ampliar o diálogo entre os movimentos cooperativistas dos dois países. A Caja Popular Mexicana tem atuação voltada à oferta de serviços financeiros aos seus cooperados e mantém uma trajetória de mais de 70 anos no cooperativismo mexicano.
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04/08/2026
Cooperativas de crédito ultrapassam R$ 1,16 trilhão em ativos
AnuárioCoop 2026 mostra crescimento da base de cooperados e fortalecimento da inclusão financeira
O cooperativismo de crédito brasileiro alcançou um novo patamar em 2025. As cooperativas do ramo ultrapassaram, pela primeira vez, a marca de R$ 1,15 trilhão em ativos, resultado que representa um crescimento de 17,1% em relação ao ano anterior. Os dados fazem parte do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, divulgado nesta sexta-feira (31) pelo Sistema OCB, e confirmam a consolidação do segmento como um dos principais agentes da inclusão financeira e de desenvolvimento regional no país.
O ramo reúne atualmente 22,95 milhões de cooperados, crescimento de 14,1% em apenas um ano, e mantém presença física em 59% dos municípios brasileiros. Na prática, 8 em cada 10 cooperados no Brasil estão em uma cooperativa de crédito. Além disso, em 1.072 cidades, as cooperativas de crédito são a única instituição financeira em funcionamento, o que permite a ampliação do acesso ao crédito, aos serviços financeiros e às oportunidades de desenvolvimento para milhões de brasileiros.
Para a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, esses resultados demonstram que o crescimento do cooperativismo de crédito acompanha uma demanda crescente da sociedade por instituições financeiras mais próximas das pessoas. "Cada novo cooperado representa alguém que escolhe participar de uma instituição da qual também é dono. Esse modelo fortalece a confiança e faz com que os recursos circulem nas próprias comunidades, financiem famílias, produtores rurais, empreendedores e pequenos negócios", afirma.
Os resultados econômicos reforçam essa trajetória. Em 2025, os ingressos alcançaram R$ 198,3 bilhões, alta de 19,9% sobre o ano anterior. O capital social chegou a R$ 84,7 bilhões, crescimento de 18,3%, enquanto as sobras do exercício somaram R$ 24 bilhões, avanço de 54,3%. O cooperativismo de crédito reúne atualmente 682 cooperativas e gera 134.395 empregos diretos, número 10,3% superior ao registrado em 2024.
O cooperativismo de crédito também exerce papel estratégico para o conjunto do movimento cooperativista. As cooperativas do ramo financiam investimentos, capital de giro e projetos desenvolvidos por cooperativas agropecuárias, de transporte, saúde, infraestrutura, consumo e outros segmentos, o que fortalece o ambiente de intercooperação, amplia a competitividade de todo o setor e impulsiona o desenvolvimento das economias locais.
Os resultados do AnuárioCoop2026 mostram que o cooperativismo de crédito mantém uma trajetória consistente de crescimento econômico e de ampliação de seu impacto social. A ampliação de sua participação no Sistema Financeiro Nacional (SFN) avançou para 8,0% e os depósitos atingiram 9,8% de acordo com dados do Banco Central. O Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) permaneceu entre os segmentos com maior crescimento da carteira de crédito no SFN (13,1%), e chegou a R$ 516 bilhões em operações de crédito líquidas de provisão.
Para Tania, essa evolução confirma que o cooperativismo de crédito desempenha um papel cada vez mais relevante para o país. "O ramo demonstra que é possível conciliar eficiência econômica, inclusão financeira e desenvolvimento regional. Quanto mais as cooperativas crescem, maior é sua capacidade de ampliar oportunidades, apoiar a atividade produtiva e contribuir para uma economia mais forte e mais inclusiva”, complementa.
Valor compartilhado
Além de serviços financeiros, as cooperativas de crédito promovem um modelo de negócios baseado na participação dos cooperados, na gestão democrática e no compromisso com o desenvolvimento das comunidades. Como os cooperados são, ao mesmo tempo, clientes e donos da instituição, os resultados permanecem no próprio sistema, fortalecem o patrimônio das cooperativas, ampliam sua capacidade de investimento e retornam aos associados na forma de melhores soluções financeiras, distribuição de sobras e iniciativas voltadas ao desenvolvimento local.
Essa dinâmica contribui para ampliar a inclusão financeira, estimular o empreendedorismo, apoiar a atividade produtiva e reduzir desigualdades regionais, especialmente em municípios onde o acesso a serviços financeiros ainda é limitado. Ao combinar eficiência econômica com compromisso social, o cooperativismo de crédito fortalece economias, gera oportunidades e reafirma seu papel como um dos principais instrumentos de desenvolvimento sustentável do país.
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31/07/2026
Sistema OCB reforça apoio às coops de crédito independentes
Fórum reúne lideranças, Banco Central e FGCoop para debater desafios do novo cenário regulatório
O fortalecimento da governança, da gestão de riscos e da conformidade ganhou destaque na agenda das cooperativas de crédito independentes durante o I Fórum Conjunto das Cooperativas Independentes, realizado nesta quinta-feira (30), em Brasília. O encontro debateu os impactos do novo ambiente regulatório e os caminhos para preparar o segmento diante das crescentes exigências do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Na abertura do evento, a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, ressaltou que o momento vivido pelo cooperativismo de crédito deve ser encarado como uma oportunidade de fortalecimento institucional. Segundo ela, o crescimento do segmento vem acompanhado de novas responsabilidades e exige que as cooperativas estejam preparadas para responder a um ambiente regulatório cada vez mais complexo.
"O cooperativismo de crédito é um dos ramos que mais crescem no país e esse avanço traz novos desafios. O fortalecimento da governança, da conformidade e da gestão de riscos é um passo natural para garantir a sustentabilidade das cooperativas e ampliar ainda mais a confiança da sociedade nesse modelo de negócio. O Sistema OCB está ao lado das cooperativas para apoiá-las nessa jornada", afirmou a presidente executiva.
Troca de experiências
Promovido pelo FGCoop em parceria com o Banco Central o fórum foi concebido como um espaço de diálogo e troca de experiências entre as cooperativas independentes e as instituições que acompanham o desenvolvimento do setor. Ao longo da programação, especialistas abordaram temas como desempenho institucional, cibersegurança, conformidade, sustentabilidade e perspectivas para o cooperativismo de crédito diante das transformações regulatórias.
Na sequência da abertura, a gerente geral de Negócios do Sistema OCB, Clara Maffia, apresentou o portfólio de soluções desenvolvido pela entidade para apoiar as cooperativas em diferentes áreas da gestão. A apresentação reuniu iniciativas voltadas ao fortalecimento da governança, ao desenvolvimento de lideranças, à inovação, à qualificação profissional e ao aumento da competitividade.
"Nosso compromisso é oferecer soluções que acompanhem a realidade das cooperativas e contribuam para seu desenvolvimento. Temos um portfólio construído para fortalecer a gestão, apoiar a adequação às exigências regulatórias e preparar as cooperativas para enfrentar um ambiente cada vez mais dinâmico, sem perder de vista os princípios que caracterizam o cooperativismo", destacou Clara.
O encontro aconteceu em um momento de expansão do cooperativismo de crédito brasileiro. De acordo com dados do Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC), divulgado pelo Banco Central, o ramo encerrou 2025 com 21,2 milhões de cooperados e ativos próximos de R$ 1 trilhão, consolidando-se como um dos segmentos mais dinâmicos do cooperativismo nacional.
Ao mesmo tempo em que amplia sua presença no mercado financeiro, o setor também passa a conviver com um ambiente de supervisão mais rigoroso, especialmente em temas relacionados à governança, controles internos e gestão de riscos. PNesse contexto, o Sistema OCB ampliou sua atuação junto às cooperativas por meio de programas de capacitação, diagnósticos, consultorias, ferramentas de gestão e soluções voltadas ao fortalecimento da competitividade e da sustentabilidade dos negócios.
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30/07/2026
AnuárioCoop 2026: cooperativismo chega a 29 milhões de cooperados
Levantamento registra crescimento do quadro social e movimentação de R$ 848,4 bilhões em ingressos
O cooperativismo brasileiro manteve sua trajetória de expansão em 2025 e alcançou resultados que reforçam sua relevância para a economia e para o desenvolvimento das comunidades. O Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026 (AnuárioCoop), divulgado pelo Sistema OCB nesta sexta-feira (31), mostra que o país chegou à marca de 29 milhões de cooperados, crescimento de 12,5% em relação ao ano anterior, o equivalente a 13,6% da população brasileira.
Além da expansão do quadro social, o desempenho econômico do setor confirma sua capacidade de gerar riqueza e desenvolvimento. As cooperativas brasileiras movimentaram R$ 848,4 bilhões em ingressos, crescimento de 12% em relação ao ano anterior. O patrimônio do setor alcançou R$ 1,6 trilhão em ativos, alta de 14,9%, enquanto as sobras distribuídas aos cooperados chegaram a R$ 61,3 bilhões, crescimento de 14,2%. O capital social integralizado atingiu R$ 122,7 bilhões, e o setor recolheu R$ 20,4 bilhões em tributos.
Os dados também apontam a retomada do crescimento no registros de novas cooperativas. O resultado foi impulsionado pela criação de 302 novas cooperativas, um avanço de 37,3% em comparação ao ano anterior. O ramo Agropecuário liderou esse movimento, com o maior número de novos registros, enquanto a Região Nordeste concentrou a maior quantidade de cooperativas abertas.
A presença do cooperativismo também segue capilarizada pelo território nacional. Em 2025, cooperativas mantiveram atuação em 3.425 municípios brasileiros e fortaleceram o acesso da população a serviços financeiros, assistência à saúde, produção agropecuária, transporte, infraestrutura e outros segmentos essenciais.
"Os números do Anuário mostram que o cooperativismo continua crescendo de forma consistente porque entrega resultados concretos para as pessoas. Cada novo cooperado representa alguém que escolheu participar de um modelo baseado na cooperação, na geração compartilhada de riqueza e no desenvolvimento das comunidades. O crescimento econômico das cooperativas demonstra que é possível conciliar competitividade, inclusão e prosperidade”, destaca a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella.
Momentos antes da divulgação oficial, o Sistema OCB reuniu jornalistas de diferentes veículos de comunicação para apresentar os principais resultados do levantamento. Os dados foram detalhados por Tania e pela gerente geral de Negócios, Clara Maffia, que contextualizaram o desempenho do cooperativismo brasileiro em 2025 e destacaram os indicadores de crescimento, geração de riqueza, expansão do quadro social e impacto econômico do setor.
Mais empregos e fortalecimento da economia
O levantamento também mostra que o cooperativismo continua a ampliar sua contribuição para o mercado de trabalho. Em 2025, as cooperativas registraram 613.373 empregos diretos, crescimento de 6,1% em relação ao ano anterior. O desempenho supera, com ampla margem, o ritmo de expansão observado na força de trabalho brasileira no mesmo período.
As mulheres permanecem como maioria entre os empregados das cooperativas e representam 53% do total de trabalhadores do setor. O ramo Agropecuário, por sua vez, segue como o maior empregador do cooperativismo brasileiro, concentrando 277 mil postos de trabalho, o equivalente a 45,2% dos empregos do setor. Em seguida aparecem os ramos Saúde, com 162 mil empregados, e Crédito, com 134 mil.
Crédito impulsiona expansão do quadro social
O Anuário evidencia que as cooperativas de crédito continuam a desempenhar papel decisivo na ampliação do cooperativismo brasileiro. Atualmente, quase oito em cada dez cooperados pertencem ao ramo Crédito, que reúne 22,96 milhões de pessoas, crescimento de 14,1% em um ano.
A expansão acompanha o fortalecimento da presença das cooperativas financeiras no país, conforme os dados divulgados pelo Banco Central sobre o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC). Em 2025, aumentou o número de municípios onde a cooperativa de crédito é a única instituição com atendimento presencial. São 1.072 municípios em que essas organizações ampliam o acesso da população a serviços bancários e ao crédito, especialmente em localidades de menor porte.
Além disso, o SNCC ampliou sua participação no mercado financeiro e alcançou 8% da carteira de crédito e 9,8% dos depósitos do Sistema Financeiro Nacional (SFN), consolidando sua posição entre os segmentos que mais crescem no país.
Agro lidera receitas
O ramo Agropecuário manteve a liderança entre os segmentos do cooperativismo em geração de riqueza. Em 2025, respondeu por 57,4% dos ingressos de todo o setor, com movimentação financeira de R$ 487,3 bilhões. Também registrou o maior número de novas cooperativas abertas no período.
Além de permanecer como o maior empregador, as cooperativas agropecuárias se destacam pela disponibilização de mais de 10,7 mil profissionais de assistência técnica e extensão rural para seus cooperados.
Crescimento espalhado pelo país
Embora o Sudeste continue concentrando o maior número de cooperativas, o Anuário registra mudanças na distribuição regional. O Nordeste passou a ocupar a segunda posição nacional em quantidade de cooperativas, ultrapassando a Região Sul. Entre unidades da Federação, Minas Gerais permanece com o maior número absoluto de cooperativas em atividade (755).
A mudanças na distribuição tem como principal indutor o aumento de novas cooperativas no Nordeste, com total de 81 novos registros, destacando principalmente os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. A região Norte aparece na sequência com 69 novos registros, destaque para os estados do Pará e Amapá.
"O Anuário confirma uma tendência que observamos há alguns anos: o cooperativismo cresce em escala, amplia sua participação na economia e fortalece seu impacto nas comunidades. São resultados que demonstram a capacidade das cooperativas de gerar renda, emprego, crédito, produção e desenvolvimento em todas as regiões do Brasil", complementa Tania.
Destaques do AnuárioCoop 2026
29 milhões de cooperados (+12,5%);
4.400 cooperativas em atividade;
302 novas cooperativas registradas em 2025;
Presença em 3.425 municípios;
613.373 empregos diretos (+6,1%);
R$ 848,4 bilhões em ingressos (+12%);
R$ 1,6 trilhão em ativos (+14,9%);
R$ 61,3 bilhões em sobras distribuídas aos cooperados;
R$ 122,7 bilhões em capital social integralizado;
R$ 20,4 bilhões em tributos recolhidos. Confira o infográfico com os principais dados do Anuário.
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Notícias ESG
29/07/2026
Solução Eficiência Energética beneficia cooperativas de saúde e crédito
Iniciativa do Sistema OCB fortalece gestão, reduz custos e impulsiona práticas de sustentabilidade
A busca por operações mais eficientes e sustentáveis tem levado cooperativas de diferentes ramos a investir em uma gestão mais estratégica do consumo de energia. Desenvolvida pelo Sistema OCB, a Solução Eficiência Energética, integrante do Programa ESGCoop, já começa a transformar essa realidade em diferentes regiões do país. Após ser implantada na Unimed Caruaru (PE), primeira cooperativa do Sistema Unimed a aderir à iniciativa, a solução também chegou ao Sicoob Norte Sul (BA), primeira cooperativa baiana a integrar a segunda turma do projeto.
A iniciativa busca reduzir custos com energia elétrica, otimizar processos e fortalecer uma cultura permanente de gestão energética, alinhando eficiência operacional, sustentabilidade e competitividade. A metodologia proposta contempla, inicialmente, a capacitação das equipes, seguida da realização de um diagnóstico detalhado do consumo energético. Com base nos resultados obtidos, são identificadas oportunidades de melhoria, estruturado um plano de ação e promovido o suporte à implementação das medidas recomendadas. O processo é complementado por um monitoramento contínuo dos resultados, garantindo a sustentabilidade dos ganhos e a melhoria contínua do desempenho energético.
Entre as ações avaliadas estão a modernização dos sistemas de iluminação, otimização dos equipamentos de climatização, automação de processos e revisão de hábitos relacionados ao consumo de energia. "A eficiência energética permite que a cooperativa conheça melhor seu consumo, identifique oportunidades de melhoria e tome decisões baseadas em dados. Investir em gestão energética é investir na sustentabilidade do negócio, na competitividade e na qualidade dos serviços prestados aos cooperados e clientes”, explica Alex Macedo, coordenador de Meio Ambiente do Sistema OCB.
Referência no Ramo Saúde
Uma das primeiras experiências da solução ocorreu na Unimed Caruaru. Com 478 médicos cooperados, cerca de 68 mil clientes e uma estrutura que reúne hospitais, clínicas e unidades administrativas, a cooperativa possui uma operação intensiva em consumo de energia elétrica. Com o diagnóstico, foi possível identificar oportunidades para tornar a operação mais eficiente sem comprometer a qualidade dos serviços prestados.
Para o presidente do Conselho de Administração da cooperativa, Pedro Melo, o olhar técnico especializado faz diferença mesmo em organizações que já possuem processos consolidados. "Mesmo quando a cooperativa acredita que está fazendo um bom trabalho, não pode abrir mão do olhar especializado. Em estruturas de grande porte, pequenos ajustes podem representar uma economia significativa. A eficiência energética exige acompanhamento constante, atualização e busca permanente por conhecimento para aperfeiçoar processos que muitas vezes já consideramos eficientes", declarou.
O vice-presidente do Conselho de Administração, André Muniz, destacou que a iniciativa estimula uma mudança de cultura dentro da cooperativa. "Os resultados do diagnóstico nos mostraram que, muitas vezes, um novo olhar é suficiente para transformar processos que pareciam consolidados. A solução desperta a curiosidade, provoca reflexão e mostra que sempre há espaço para inovar. Esse aprendizado vai além da gestão da energia e passa a influenciar a forma como planejamos nossos projetos e conduzimos a cooperativa", relatou.
Já o superintendente Jean Charles disse considerar que o diagnóstico servirá como referência para futuras ampliações na estrutura da cooperativa. "O levantamento mostrou que temos uma boa infraestrutura, mas também revelou oportunidades importantes de evolução. O maior ganho é incorporar esse conhecimento desde a concepção dos novos projetos. Pensar em eficiência energética ainda na fase de planejamento evita retrabalhos, reduz custos futuros e garante empreendimentos mais sustentáveis desde o início”, afirmou.
Crédito também avança
A solução também passou a ser aplicada no Sicoob Norte Sul, tornando a cooperativa a primeira da Bahia e uma das primeiras do país a participar da segunda turma da Solução de Eficiência Energética. Entre os dias 21 e 23 de julho, um especialista da consultoria Stride juntamente com equipe do Sistema OCB e do Sistema OCEB realizaram visitas técnicas e levantamentos na matriz, em Santo Antônio de Jesus, e na unidade de Cruz das Almas para identificar oportunidades de melhoria na gestão do consumo de energia.
Assim como na Unimed Caruaru, a etapa atual consistiu em um diagnóstico detalhado da operação. A partir desse levantamento, será elaborado um plano de ação com prioridades, metas, cronograma e responsáveis pela implementação das melhorias, seguido de acompanhamento técnico e monitoramento dos resultados.
"A etapa de diagnóstico é um trabalho técnico que analisa as atividades da cooperativa e identifica pontos de melhoria a partir de uma metodologia que explica, de forma clara, como cada equipamento e até mesmo os hábitos das equipes impactam o consumo de energia. Muitas vezes, a mudança de comportamento é a principal virada de chave para uma gestão energética mais eficiente”, salientou Mayara Araujo dos Reis, analista de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB.
Para o diretor de Negócios do Sicoob Norte Sul, Gabriel Chagas, a iniciativa está alinhada aos princípios do movimento e contribuirá para o fortalecimento da gestão da cooperativa. "Acreditamos que esse projeto representa um importante passo para gerar benefícios para a cooperativa, mas também para os cooperados e para a comunidade. Essa parceria vai trazer melhorias nos processos, na gestão da eficiência energética e orientar decisões sobre futuras instalações e reformas".
O gerente de Suporte Organizacional da cooperativa, Robert dos Santos, considerou que o diagnóstico permitiu enxergar oportunidades que servirão de base para os próximos investimentos. "As visitas técnicas nos permitiram identificar oportunidades de melhoria tanto nas unidades atuais quanto nos projetos que ainda serão desenvolvidos. Esse conhecimento será importante para planejarmos estruturas cada vez mais eficientes", declarou.
Sustentabilidade como estratégia
A implementação da solução também é acompanhada pelos sistemas estaduais de cooperativismo. Na Bahia, o trabalho é realizado em parceria com o Sistema Oceb e na Unimed Caruaru, com o Sistema OCB/PE. "O Programa ESGCoop demonstra que é possível crescer economicamente sem abrir mão da boa governança, do cuidado com as pessoas e da responsabilidade ambiental. A eficiência energética é uma ferramenta importante para tornar as cooperativas ainda mais competitivas”, acrescentou o presidente do Sistema Oceb, Cergio Tecchio.
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29/07/2026
Coopercitrus Expo reúne lideranças para debater crédito e futuro do agro
Evento destacou papel do cooperativismo como estratégia para fortalecer o desenvolvimento do campo
Nesta terça-feira (28), representantes do cooperativismo, do mercado financeiro, parlamentares e especialistas se reuniram para discutir os desafios do financiamento ao agronegócio durante o 2º Encontro do Cooperativismo Agropecuário e Mercado de Capitais, realizado como parte da programação da Coopercitrus Expo 2026.
Representando o Sistema OCB, a presidente executiva Tania Zanella participou de dois momentos da programação. Pela manhã, abriu o encontro com a palestra Importância do financiamento para o agronegócio e cooperativismo. À tarde, integrou um painel sobre os desafios da política agrícola.
Na abertura, Tania destacou que as cooperativas têm uma estrutura sólida, gestão de longo prazo, e compromisso com os produtores e com as comunidades onde atuam. “Quanto mais o mercado compreender esse modelo, maiores serão as oportunidades para desenvolver instrumentos financeiros compatíveis com a realidade do cooperativismo e ampliar os investimentos no setor", Ela também lembrou a presença das cooperativas agro em toda a cadeia produtiva, do fornecimento de insumos à armazenagem, industrialização e comercialização.
Política Agrícola
No período da tarde, o gerente Técnico e Econômico do Sistema OCB, João Prieto, apresentou um panorama sobre o Plano Safra 2026/2027 e o cenário do crédito rural. Ele destacou que o Sistema OCB participa há 26 anos da construção de propostas para a política agrícola e reforçou a necessidade de ampliar as fontes de financiamento para acompanhar o crescimento do agronegócio brasileiro. Também defendeu o fortalecimento do seguro rural como instrumento para reduzir riscos e garantir maior previsibilidade aos produtores.
Ele destacou que o Plano Safra 2026/2027 destinou R$ 610,3 bilhões ao financiamento da produção agropecuária, dos quais R$ 525,1 bilhões são voltados à agricultura empresarial. Apesar do volume de recursos, Prieto observou que as taxas de juros ainda representam um desafio para o setor e defendeu a ampliação de instrumentos privados de financiamento, além do fortalecimento de uma política permanente de seguro rural para dar mais previsibilidade aos produtores.
O gerente também ressaltou os avanços obtidos com a Medida Provisória 1.376/2026, fruto da atuação técnica do Sistema OCB, como a inclusão das cooperativas agropecuárias entre os beneficiários da renegociação de dívidas, o reconhecimento das perdas de renda como critério de acesso ao programa e a ampliação das alternativas para reestruturação do crédito rural.
Em seguida, Tania participou de painel ao lado do presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion (RS), e do presidente da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), Arnaldo Jardim (SP). O debate abordou temas como o Plano Safra, a renegociação das dívidas rurais, o seguro rural e o aperfeiçoamento das políticas públicas voltadas ao setor.
Para a presidente executiva, “o Plano Safra continua sendo uma política essencial para o setor, mas ele já não acompanha o ritmo de crescimento do agronegócio brasileiro. Precisamos ampliar as fontes de financiamento, fortalecer a participação do mercado de capitais e construir uma política agrícola preparada para os desafios que o campo enfrenta”.
Ela também abordou a atuação do Sistema OCB nas negociações da MP 1.376/2026, que trata da renegociação das dívidas rurais. Segundo Tania, a entidade defendeu que as medidas contemplassem além dos produtores afetados por eventos climáticos, aqueles que enfrentaram perdas de renda provocadas pelo aumento dos custos de produção e pelas oscilações do mercado.
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de consolidar uma política permanente de seguro rural. "O seguro rural precisa deixar de ser uma política sujeita às incertezas orçamentárias e passar a oferecer previsibilidade ao produtor. É uma ferramenta fundamental para reduzir riscos, ampliar o acesso ao crédito e dar mais segurança aos investimentos no campo", complementou.
Atuação conjunta
O deputado Pedro Lupion defendeu que o fortalecimento do crédito rural e do seguro agrícola depende da atuação conjunta entre o setor produtivo e o Congresso Nacional. Segundo ele, a aprovação do novo marco legal do seguro rural e as discussões para modernizar o sistema de crédito representam avanços importantes para ampliar a segurança do produtor e tornar o financiamento mais acessível. O parlamentar também destacou o trabalho realizado para viabilizar a MP 1.376/2026.
Já Arnaldo Jardim reforçou que o agronegócio brasileiro mobiliza um volume de recursos muito superior ao orçamento destinado ao Plano Safra, o que evidencia a necessidade de ampliar os mecanismos de financiamento ao setor. Para ele, o campo precisa de instrumentos que garantam crédito, segurança jurídica e previsibilidade, para que produtores e cooperativas possam continuar a investir e ampliar sua competitividade.
Cooperativismo fortalece a resiliência no campo
Ao encerrar sua participação no evento, Tania falou sobre o papel do cooperativismo diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, pela necessidade de ampliar a produção de alimentos e pela busca por maior competitividade no meio rural.
Ela ressaltou que o modelo cooperativista reúne assistência técnica, inovação, gestão, acesso a mercados e planejamento de longo prazo. "O cooperativismo transforma desafios individuais em soluções coletivas. É um modelo que fortalece o produtor, impulsiona o desenvolvimento das comunidades e prepara o agro brasileiro para responder aos desafios do futuro", concluiu.
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27/07/2026
Cooperativismo apresenta propostas para ampliar alcance do FNO à Sudam
Sistema OCB defende aprimoramentos na programação Anual do fundo para fortalecer desenvolvimento regional
Ampliar o acesso ao crédito para produtores rurais, empreendedores e comunidades da Região Norte foi o principal tema da reunião realizada nesta segunda-feira (27) entre o Sistema OCB e a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), em Brasília. A presidente executiva, Tania Zanella, se reuniu com o superintendente da Sudam, Paulo Rocha, para discutir propostas de aprimoramento da programação anual do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) para 2027.
Durante o encontro, Tania destacou que ampliar as condições de atuação das cooperativas significa ampliar também o alcance do próprio FNO, e o acesso ao crédito a um número cada vez maior de municípios e beneficiários. "Nosso compromisso é contribuir para o aperfeiçoamento do FNO, com o fortalecimento de um modelo que amplia a capilaridade do crédito, respeita as especificidades do cooperativismo e gera mais oportunidades para o desenvolvimento regional", afirmou.
Presença na Região Norte
Entre 2019 e 2025, a cobertura das cooperativas na Região Norte passou de 25,6% para 42,2% dos municípios, enquanto o percentual da população cooperada cresceu de 1,4% para 5,6%.
Em âmbito nacional, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central no Panorama do Sistema Financeiro de Crédito Cooperativo 2025 (SNCC), o segmento reúne 742 cooperativas e 21,2 milhões de cooperados. Atualmente, o setor está presente em 59% dos municípios brasileiros, o equivalente a 3.287 cidades, e é a única instituição financeira em 1.072 municípios.
Segundo Tania, esses números demonstram a capacidade das cooperativas de ampliar o acesso ao crédito, especialmente para pequenos empreendedores, produtores rurais e comunidades que muitas vezes não contam com alternativas de atendimento financeiro. “Os dados também evidenciam que o FNO é um instrumento estratégico para apoiar a expansão do cooperativismo de crédito e ampliar o alcance das políticas de desenvolvimento na Amazônia”, acrescentou a presidente.
Propostas
Durante a reunião, o Sistema OCB apresentou um conjunto de contribuições voltadas ao aperfeiçoamento da Programação Anual do FNO para 2027. Um dos principais pontos defendidos foi o fortalecimento da capilaridade das operações realizadas pelas cooperativas de crédito, ampliando as condições para que os recursos do Fundo cheguem a mais municípios e atendam um número maior de produtores rurais e pequenos empreendedores.
A entidade também propôs medidas para promover maior equidade entre os operadores do fundo. Atualmente, cooperativas e demais instituições financeiras que operam recursos do FNO estão sujeitas a condições diferentes, mesmo financiando projetos semelhantes. O objetivo é tornar essas regras mais equilibradas.
Outro ponto apresentado foi a necessidade de conferir maior previsibilidade às normas que orientam a execução do fundo. Entre as sugestões está a avaliação anual do ticket médio das operações do FNO Rural, em substituição ao acompanhamento semestral. A medida leva em consideração as características da produção agrícola na Região Norte, marcada pela sazonalidade das safras e pelo regime de cheias dos rios.
Potencial
Os números da atuação das cooperativas de crédito com recursos do FNO demonstram a capacidade do setor de transformar recursos públicos em desenvolvimento regional. Somente em 2025, foram realizadas 3.992 operações, que movimentaram mais de R$ 753 milhões e alcançaram 53,3% dos municípios da Região Norte.
No acumulado entre 2021 e 2025, as cooperativas de crédito contrataram mais de R$ 2,23 bilhões em financiamentos, distribuídos em 11.106 operações que levaram recursos a 67,6% dos municípios da região.
A agenda com a Sudam integra mais um ciclo de atuação coordenada do cooperativismo de crédito em defesa do fortalecimento dos Fundos Constitucionais de Financiamento. Ao longo de 2026, o Sistema OCB, em conjunto com as organizações estaduais, os sistemas de cooperativas de crédito e entidades parceiras, vem apresentando contribuições às instituições responsáveis pela elaboração das Programações Anuais dos Fundos.
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