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19/08/2026
Tania Zanella destaca liderança e cooperação em encontro de mulheres
Presidente executiva participou de painel sobre alta performance em encontro do Sicoob Unicoob
A liderança construída com propósito, a força das redes de relacionamento e a capacidade de gerar resultados a partir do coletivo foram alguns dos temas abordados por Tania Zanella, presidente executiva do Sistema OCB, durante o 2º Encontro de Mulheres Sicoob Unicoob, realizado nesta terça-feira (18). Em participação online, Tania integrou o painel Alta Performance, ao lado de Cláudia Lopes, CEO da Sancor Seguros Brasil, e Júlia Nakagawa, triatleta.
Ao falar sobre sua trajetória, Tania destacou a construção profissional dentro do Sistema OCB, onde atua desde 2008, até chegar à presidência executiva, sendo a primeira mulher a ocupar a posição. Para ela, assumir a função em um novo modelo de governança foi um desafio que exigiu preparo, escuta e capacidade de construir legitimidade. “Decisões difíceis se sustentam quando estão baseadas em conhecimento, escuta e coerência com o propósito. Liderar também é ter clareza de onde queremos chegar e disposição para construir esse caminho com as pessoas”, descreveu.
O conceito de alta performance também foi conectado a realidade do cooperativismo. Segundo Tania, o resultado de uma cooperativa não depende apenas de uma liderança ou de uma área, mas da articulação entre pessoas, cooperativas, ramos e diferentes níveis de decisão. O movimento reúne atualmente 29 milhões de cooperados e 4,4 mil cooperativas, segundo o AnuárioCoop 2026.
Nesse contexto, ela apontou a confiança como um dos principais ativos para transformar relacionamento em resultado. A atuação institucional do cooperativismo junto aos Três Poderes, ao setor produtivo e à sociedade, explicou, depende de diálogo permanente e da construção de parcerias. “Relacionamento é importante, mas confiança é o que permite construir resultados de longo prazo. No cooperativismo, ninguém faz nada sozinho. Quando compartilhamos conhecimento, responsabilidades e objetivos, conseguimos ampliar nossa capacidade de entrega”, destacou.
Crescer sem deixar pessoas para trás
A participação também trouxe para o debate uma das características que diferenciam o cooperativismo: a busca por conciliar resultado econômico e desenvolvimento das comunidades. Tania citou como exemplo a presença das cooperativas de crédito em municípios brasileiros. Segundo o AnuárioCoop 2026, em 1.072 municípios elas são a única instituição financeira presente.
Estudo realizado pelo Sistema OCB em parceria com a Fipe também aponta impactos da atuação das cooperativas de crédito na economia. A cada R$ 1 de crédito concedido pelas cooperativas, são gerados R$ 2,56 na economia, além de efeitos positivos relacionados à inclusão social e ao acesso ao ensino superior. “Alta performance é entregar resultado com consistência e levar as pessoas junto. É crescer sem perder de vista o território, os cooperados e as comunidades que fazem parte desse negócio”, afirmou Tania.
Mulheres e renovação das lideranças
Para Tania, ampliar a participação das mulheres nos espaços de decisão passa por criar oportunidades concretas de desenvolvimento e liderança, além de estimular a participação. “Participar é o primeiro passo. Para ocupar espaços de decisão, é preciso preparo, oportunidade e um ambiente que favoreça essa presença. Precisamos formar pessoas e, ao mesmo tempo, abrir espaços reais para que elas possam liderar”, disse.
Os números do AnuárioCoop 2026 mostram que as mulheres já são maioria entre os empregados das cooperativas, representando 53% desse público. O desafio, segundo Tania, é transformar essa presença em maior participação também nos espaços de influência e decisão.
Ao encerrar o painel, a presidente executiva do Sistema OCB defendeu que o desenvolvimento de lideranças esteja conectado aos negócios e às comunidades. Entre os caminhos apontados estão a formação continuada, programas estruturados de liderança, participação efetiva nos processos decisórios e acompanhamento dos impactos gerados.
“Quando desenvolvemos pessoas, fortalecemos também os negócios e as comunidades. Liderança não é apenas sobre chegar a um lugar. É sobre criar condições para que outras pessoas também possam chegar e fazer a diferença”, concluiu.
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19/08/2026
Cooperativismo educacional debate desafios e caminhos para o futuro
Encontro de dirigentes no RS discutiu cenário do segmento, gestão e impactos da Reforma Tributária
Nesta terça-feira (18), o Encontro dos Dirigentes das Cooperativas Educacionais debateu os desafios para o fortalecimento e as perspectivas para o desenvolvimento do segmento. O evento foi realizado na sede da Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs), em Porto Alegre, e é promovido pela Federação das Cooperativas Educacionais do Rio Grande do Sul (Fecoeduc-RS).
O Sistema OCB participou da programação com uma apresentação sobre o panorama das cooperativas educacionais no Brasil. O conteúdo foi conduzido pela analista Priscilla Coelho, que apresentou dados e características do segmento e discutiu os principais desafios e oportunidades para seu fortalecimento.
Priscilla abordou ainda a atuação do Sistema OCB na defesa dos interesses das cooperativas educacionais, com destaque para temas relacionados ao ambiente regulatório, à segurança jurídica e às discussões tributárias que afetam o ramo. “As cooperativas educacionais têm um papel importante na construção de uma educação baseada na participação e na cooperação. Para que esse modelo continue se desenvolvendo, é fundamental garantir um ambiente regulatório adequado, segurança jurídica e condições tributárias que reconheçam as especificidades das cooperativas”, afirmou.
Para a analista, momentos de diálogo com as lideranças do segmento são importantes para aproximar a agenda nacional das realidades vividas pelas cooperativas nos estados. “Conhecer os desafios que estão no dia a dia das cooperativas e ouvir seus dirigentes é essencial para que a atuação de representação seja cada vez mais conectada às necessidades do setor. Esses encontros também ajudam a identificar oportunidades e a construir caminhos de forma conjunta”, acrescentou.
Cenário gaúcho
A programação também trouxe uma análise específica sobre o cooperativismo do Rio Grande do Sul. O panorama do movimento gaúcho foi apresentado por Cássio Triches, coordenador de Inteligência de Dados, que compartilhou informações sobre o desempenho e as características do cooperativismo no estado.
Outro momento foi dedicado aos indicadores de gestão e desempenho econômico-financeiro das cooperativas educacionais gaúchas. A apresentação permitiu aos dirigentes analisar dados do próprio segmento e refletir sobre aspectos relacionados à sustentabilidade, à gestão e às perspectivas de desenvolvimento das cooperativas.
A agenda contou ainda com a participação da presidente da Fetrabalho, Michele Fernandes.
Reforma Tributária
O encerramento do encontro foi dedicado a um dos temas que mais têm mobilizado as cooperativas: a Reforma Tributária. O assunto foi apresentado por Guilherme Paludo, que detalhou as mudanças em andamento e discutiu possíveis impactos para as cooperativas educacionais.
A discussão complementou a programação ao levar aos dirigentes informações sobre o novo cenário tributário e seus possíveis reflexos sobre a atividade das cooperativas. O tema também dialoga com a atuação do Sistema OCB, que acompanha a regulamentação da Reforma Tributária e trabalha pela preservação do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo.
“A Reforma Tributária traz mudanças que precisam ser acompanhadas de perto pelas cooperativas. Ter informação, compreender os impactos e participar desse processo de discussão é fundamental para que as lideranças possam tomar decisões com mais segurança e planejar os próximos passos de suas organizações”, completou Priscilla.
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18/08/2026
Sistema OCB recebe homenagem por compromisso com sustentabilidade
Reconhecimento destaca atuação na logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas
O compromisso das cooperativas com a sustentabilidade no campo foi reconhecido nesta segunda-feira (17), durante a solenidade oficial do Dia Nacional do Campo Limpo, em Brasília. O Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) homenageou o Sistema OCB pela atuação da entidade e das cooperativas brasileiras no fortalecimento das práticas de responsabilidade ambiental no meio rural. O presidente do Conselho de Administração, Márcio Lopes de Freitas, recebeu a homenagem em nome da instituição.
Ao agradecer o reconhecimento, ele destacou a dimensão do cooperativismo agropecuário e a relação direta das cooperativas com os produtores, que permite levar orientação e boas práticas para dentro das propriedades. “Recebemos essa homenagem com muita alegria e, principalmente, como um reconhecimento ao trabalho que milhares de cooperativas e produtores fazem todos os dias. O cooperativismo está presente em toda a cadeia agropecuária e tem uma responsabilidade enorme na construção de uma produção cada vez mais sustentável”, afirmou.
De acordo com o AnuárioCoop 2026, as cooperativas agropecuárias respondem por 53% da produção nacional de grãos e por 25% da capacidade de armazenagem do país. O ramo reúne 1.254 cooperativas, que somam R$ 487,3 bilhões em ingressos e 277,2 mil empregos diretos.
Para Márcio, essa presença amplia a capacidade do cooperativismo de contribuir para iniciativas que envolvem educação ambiental, orientação técnica e responsabilidade compartilhada entre os diferentes elos da cadeia produtiva. “A cooperativa está muito próxima do produtor, desde o planejamento da safra até a comercialização. Por isso, também tem um papel importante na orientação, na educação e na construção de uma cultura de responsabilidade ambiental. Sustentabilidade não é tarefa de um único elo: ela depende da participação de toda a cadeia”, acrescentou.
Parceria
Gerido pelo inpEV, o Sistema Campo Limpo é o programa brasileiro de logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas. Em funcionamento desde 2002, o sistema reúne fabricantes, distribuidores, cooperativas agricultores, poder público e outros agentes da cadeia em um modelo de responsabilidade compartilhada.
As cooperativas participam desse processo como canais de distribuição, com apoio e orientação aos produtores sobre a devolução das embalagens e, em alguns casos, na operação das unidades de recebimento. Atualmente, mais de 240 associações de revendas e cooperativas integram a rede, que conta com 424 unidades de recebimento em todo o país.
O sistema já destinou corretamente mais de 900 mil toneladas de embalagens desde sua criação. Somente em 2025, foram 75.996 toneladas, o maior volume anual registrado, com crescimento de 11%. Segundo o inpEV, 100% das embalagens devolvidas recebem destinação ambientalmente adequada. Desse total, 92% são recicladas e transformadas em 38 artefatos homologados.
O presidente Márcio também ressaltou a importância da parceria entre as instituições para ampliar a conscientização no campo. “O Sistema Campo Limpo é uma referência e mostra o que é possível fazer quando indústria, produtores, cooperativas e poder público trabalham juntos. Nosso compromisso é continuar fortalecendo essa parceria e ajudando a levar informação e educação ambiental para quem está na ponta”, complementou.
Dia Nacional do Campo Limpo
A solenidade em Brasília marcou a 22ª edição do Dia Nacional do Campo Limpo, celebrado oficialmente em 18 de agosto e integrado ao Calendário Nacional por meio da Lei Federal 11.657/2008.
A programação nacional também contou com o lançamento do tour virtual Devolução de Embalagens Vazias de Defensivos Agrícolas, desenvolvido no âmbito do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre o inpEV e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), vigente desde 2024. A iniciativa amplia as possibilidades de acesso a informações sobre o processo de devolução e destinação das embalagens.
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18/08/2026
Semana de Competitividade abre nova etapa para a CulturaCoop
Evento consolida aprendizados e mobiliza cooperativas para transformar reflexões em ações
Três dias de debates, experiências e encontros colocaram a cultura cooperativista no palco principal da Semana de Competitividade 2026. De 11 a 13 de agosto, cerca de 800 cooperativistas de todos os estados brasileiros participaram do evento que aconteceu em Brasília.
Com o tema Cultivando a Cultura Cooperativista, a programação percorreu diferentes dimensões do movimento. Teve espaço para discutir educação, governança, comunicação, juventude, legado e sucessão, mas também para olhar para aquilo que já foi construído pelo cooperativismo e pensar como esse legado pode ajudar a orientar os próximos passos.
A Semana também foi marcada por lançamentos. O documentário Pioneiros do Cooperativismo Brasileiro resgatou histórias de lideranças que ajudaram a construir o movimento em diferentes regiões e ramos do país. A publicação do livro Raízes e Fundamentos do Cooperativismo ampliou esse registro ao reunir conteúdos sobre a trajetória, os princípios e as bases que sustentam o modelo.
No segundo dia, os debates ganharam uma abordagem mais prática com quatro labs e salas temáticas nas trilhas de Governança Cooperativa, Educação Cooperativista, Comunicação e Experiência, e Legado e Sucessão. Os participantes foram convidados a discutir desafios presentes nas cooperativas e construir soluções relacionadas ao engajamento de jovens, novas formas de aprendizagem, comunicação com cooperados e preservação da memória institucional.
Para Júlia Miranda, analista de Desenvolvimento Humano do Sistema OCB/ES, a programação ajudou a mostrar que a cultura cooperativista precisa estar presente no cotidiano das organizações. “É algo que precisa ser trabalhado, principalmente com os dirigentes. É muito importante que eles estejam presentes porque são essenciais para a implementação da cultura cooperativista.”
Por que falar de cultura?
A escolha do tema que guiou a Semana foi resultado de um processo que começou antes do evento. Durante o 15º Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), o Sistema OCB recebeu 1,9 mil sugestões para orientar as diretrizes do movimento entre 2025 e 2030. A palavra ‘cultura’ apareceu mais de 400 vezes nas contribuições. O assunto também já havia chamado atenção na Pesquisa Nacional do Cooperativismo, realizada em 2023. O levantamento mostrou que a cultura cooperativista estava entre as preocupações de dirigentes, cooperados e empregados.
A presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, explica que os resultados ajudaram a tirar o tema da discussão e colocá-lo como uma frente estratégica de atuação. “Quando realizamos aquela pesquisa em 2023, percebemos o quanto a cultura cooperativista veio como uma preocupação dos dirigentes, dos cooperados e dos empregados. Isso nos fez colocar esse tema no congresso. A partir de então, começamos a construir o que entregamos em parte na semana”, afirmou.
Para o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, a discussão passa por uma questão central: crescer sem deixar que o negócio se distancie da identidade cooperativista. “A Semana de Competitividade mostrou que falar de cultura é mais que apenas olhar para o passado. É entender de onde viemos para fazer escolhas melhores sobre o futuro. Saímos com reflexões, experiências e, principalmente, com o compromisso de levar esse debate para dentro das cooperativas”, declarou.
Um retrato da cultura cooperativista
A discussão ganhou ainda mais força com o diagnóstico nacional sobre a cultura cooperativista apresentado pela superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, durante o evento. A pesquisa ouviu 9.761 pessoas em todo o país, incluindo cooperados, empregados, dirigentes e conselheiros. Na etapa qualitativa, foram realizadas 46 entrevistas em profundidade, em 37 cooperativas de 26 estados e do Distrito Federal.
Os resultados mostram uma relação de confiança entre cooperados e cooperativas, mas também apontam desafios de participação e conhecimento. Três em cada dez cooperados citaram alguma barreira relacionada à informação ou ao conhecimento, índice que chega a 43% entre os cooperados do ramo Crédito. Ao mesmo tempo, Educação, Formação e Informação foi o princípio mais citado como prioridade: 58% dos cooperados fizeram essa escolha, percentual que chegou a 71% entre empregados, 57% entre dirigentes e 62% entre jovens de 18 a 34 anos. “Quem conhece, gosta. A barreira é a comunicação e o caminho é a educação cooperativista”, resumiu Fabíola.
Memória para construir o futuro
A relação entre passado e futuro apareceu de diferentes formas durante os três dias. O documentário e o livro lançados na Semana fizeram parte desse movimento de preservação, enquanto o lab Legado e Sucessão levou os participantes a pensarem em como transformar documentos, relatos, fotografias e histórias em patrimônio acessível às próximas gerações.
Para Lílian Carvalho, analista de governança da Unimed Porto Velho, conhecer essa trajetória também fortalece o sentimento de pertencimento. “Quando o cooperado entende que aquela história também é sua, a relação com a cooperativa se fortalece e se reflete na forma como ele participa e contribui para o futuro da organização”, defendeu.
A gerente geral de Negócios do Sistema OCB, Clara Maffia, também destacou os princípios e valores como o elo que conecta diferentes momentos da história cooperativista. “Tem uma linha que conecta as cooperativas e suas histórias, que são os nossos princípios e valores. É esse olhar do cooperativismo para colocar o cooperado no centro, para desenvolver um negócio que tenha viabilidade, sustentabilidade e garanta prosperidade para o cooperado, para a comunidade e para o país inteiro.”
Educação e novas gerações
Se preservar o legado é importante, garantir sua continuidade também exige formar quem dará sequência ao movimento. Por isso, educação e juventude apareceram entre os temas centrais da programação.
Os participantes discutiram formas de tornar as experiências de aprendizagem mais conectadas à realidade dos cooperados e estratégias para aproximar os jovens das cooperativas. A ideia foi ir além da criação de espaços específicos para a juventude e pensar em oportunidades reais de participação e desenvolvimento.
Para Clara, esse é um dos caminhos para manter a cultura cooperativista viva. “Não podemos deixar de lembrar aquilo que nos trouxe até aqui enquanto legado e pensar o que vamos fazer agora, em termos de educação cooperativista, para garantir a permanência dessa cultura”, acrescentou.
Crescer sem perder a identidade
Ao longo da Semana, a discussão sobre cultura também encontrou outro desafio: como acompanhar as transformações do mercado sem abrir mão daquilo que diferencia o cooperativismo.
Na avaliação de Tania Zanella, inovação, profissionalização e crescimento precisam caminhar juntos com a identidade do movimento. “As respostas aos desafios do século 21 estão no cooperativismo. A pessoa no centro, a pauta ESG, a economia colaborativa e compartilhada, tudo isso a gente encontra no cooperativismo. Esse é o nosso diferencial e é isso que precisamos explorar”, completou.
A proposta agora é levar as discussões para dentro das cooperativas e manter a troca entre os participantes por meio da Comunidade CulturaCoop, rede anunciada durante o evento. Para Tania, esse é o início de uma nova etapa. “O nosso trabalho começa agora”, concluiu.
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18/08/2026
Ativações conectam cultura, aprendizado e cooperação
Experiências gamificadas aproximaram participantes dos princípios, soluções e iniciativas do Sistema OCB
Conhecer, experimentar, compartilhar e levar novos aprendizados para as cooperativas. Durante a Semana de Competitividade 2026, realizada de 11 a 13 de agosto, em Brasília, os participantes encontraram, para além das palestras, trilhas e laboratórios, uma série de ativações que transformaram os intervalos da programação em oportunidades para vivenciar, na prática, o tema Cultivando a Cultura Cooperativista.
A experiência gamificada convidou os participantes a percorrer diferentes espaços do evento e acumular selos em uma pulseira. Cada parada oferecia uma forma diferente de desbravar o cooperativismo, as soluções oferecidas pelo Sistema OCB e as possibilidades de levar novos conhecimentos para as cooperativas. Quanto maior a participação, maior a pontuação disponível para a troca por brindes, que tinham valores diferentes.
A proposta deu continuidade à estratégia adotada na edição anterior da Semana de Competitividade, quando a gamificação também estimulou os participantes a conhecerem iniciativas do Sistema OCB de forma leve e interativa. Em 2026, o circuito ganhou conexão direta com o tema central do evento, ao criar oportunidades para refletir sobre identidade, pertencimento, educação e princípios cooperativistas.
Para Cleide de Fatima, gestora administrativa da Coagril, de Minas Gerais, a diversidade das experiências ajudou a ampliar a experiência proporcionada pelo evento. “Durante esses três dias, tivemos a oportunidade de vivenciar o cooperativismo de diversas formas. Além de todo o conteúdo, pudemos conhecer empresas que trabalham com produtos cooperativistas, participar das atividades e fazer a carteirinha de cooperativista”, contou.
Conexão digital
A jornada pelas ativações começava já na retirada dos kits. Os participantes eram convidados a mostrar que acompanhavam os perfis @sistemaocb e @somoscoop no Instagram, uma forma de estimular a conexão com os canais que reúnem conteúdo, iniciativas e novidades do movimento cooperativista.
As redes sociais também serviram como porta de entrada para o MarketCoop, shopping virtual que reúne produtos de cooperativas de diferentes regiões do país. Em uma das ativações, o desafio era seguir o perfil @marketcoopbr no Instagram. Em outra, o participante experimentava a jornada oferecida pelo marketplace ao realizar uma compra simbólica do próprio selo, sem qualquer valor envolvido.
Outro espaço colocou os próprios participantes no centro da experiência. No Coop de Carteirinha, cada pessoa podia tirar uma foto e receber, na hora, o documento personalizado com seus dados e a indicação de desde quando faz parte do cooperativismo. A lembrança materializou de forma descontraída uma das mensagens presentes em toda a programação: o orgulho de pertencer ao movimento.
Soluções para as coops
Na Parede de Soluções, a proposta foi apresentar ferramentas que o Sistema OCB disponibiliza para apoiar as cooperativas em diferentes dimensões de sua atuação. A jornada passou pelo AnuárioCoop, AvaliaCoop, CapacitaCoop, CulturaCoop, GestãoCoop, NegóciosCoop, ESGCoop, InovaCoop, RepresentaCoop e SomosCoop, permitindo que os participantes conhecessem recursos que podem contribuir para desafios concretos de suas organizações.
No estande do SomosCoop, os participantes tiraram fotos com o carimbo SomosCoop e postaram em suas redes sociais. Ao mesmo tempo, conheceram melhor sua função na identificação de produtos e serviços de cooperativas. A experiência reforçou a importância de levar essa discussão para as bases e mostrar à sociedade o diferencial dos produtos e serviços oferecidos pelo cooperativismo.
Cultura vivenciada
A identidade cooperativista ganhou uma representação visual no Túnel CulturaCoop. Logo na entrada, a mensagem CulturaCoop: conectando passado e presente para cultivar o futuro antecipava a proposta do espaço. A experiência conduzia os participantes por uma sequência de estruturas que remetiam à conexão entre memória, cultura, legado e futuro.
Mensagens distribuídas ao longo do percurso, como A memória compartilhada fortalece a cultura e transmite o legado, ajudavam a traduzir visualmente o tema central da Semana de Competitividade. O túnel funcionou, assim, como uma passagem simbólica entre aquilo que o cooperativismo construiu ao longo de sua história e o que pretende cultivar para as próximas gerações.
Na Praça dos Princípios, os sete princípios cooperativistas ganharam cabines próprias, identificadas por cores diferentes. A dinâmica convidava cada participante a escolher um deles e gravar um vídeo com uma reflexão espontânea sobre sua importância e sobre como aquele princípio se manifesta no cotidiano da cooperativa. Depois, era só publicar o vídeo nos stories do Instagram e marcar o perfil do Sistema OCB.
Aprender jogando
Uma das ativações apresentou aos participantes a solução Jogar + Aprender, iniciativa gratuita do Sistema OCB que reúne jogos, guias metodológicos, trilhas de aprendizagem, recursos pedagógicos e conteúdo para apoiar o ensino do cooperativismo entre crianças e jovens.
O espaço mostrou, na prática, como história, memória, cultura e princípios cooperativistas podem ser trabalhados de maneira lúdica, interativa e multissensorial. Para conquistar o selo, bastava concluir uma das três experiências disponíveis.
A proposta reforçou uma das mensagens presentes ao longo da Semana: cultivar a cultura cooperativista também passa pela forma como seus valores são transmitidos às novas gerações.
Conhecimento que continua
A CapacitaCoop também ganhou uma experiência própria. Os participantes foram convidados a participar de um jogo de paciência e, em seguida, conhecer a trilha de aprendizagem História, Memória e Cultura Cooperativista. Para conquistar o selo, era preciso realizar a inscrição na formação por meio de um QR Code disponibilizado no espaço.
Para Wesley Faustino Martins Lopes, presidente da Corema, do Pará, a ativação dialogou diretamente com um dos desafios centrais do cooperativismo: preparar novas gerações para assumir o protagonismo do movimento. “É até difícil escolher entre todos os espaços, porque todos foram muito interessantes, mas o CapacitaCoop chamou muito a minha atenção. Precisamos estar preparados e capacitados para fortalecer o cooperativismo com essa nova geração que está chegando”, afirmou.
Segundo ele, formação, legado e sucessão caminham juntos. “Essa é a nossa missão: fortalecer a cultura cooperativista e, para isso, é necessário resgatar o que construímos no passado e capacitar os jovens para que possam dar continuidade a esse trabalho. É assim que conseguimos deixar um legado e preparar a sucessão dentro das cooperativas”, acrescentou.
Experiência sensorial
Entre as ativações que despertaram maior envolvimento esteve a Sala Sensorial, concebida para promover reflexões sobre inclusão, equidade e diversidade. Em um ambiente dinâmico e educativo, estímulos visuais e auditivos conduziram os participantes por situações voltadas à valorização das diferenças e à importância de criar espaços nos quais diferentes vozes sejam ouvidas e reconhecidas.
A experiência foi uma das que mais chamaram a atenção de Cleide. “Foi uma experiência muito diferente e que vale a pena manter como surpresa para quem ainda vai vivenciá-la”, afirmou.
A sala também marcou a participação de Vinícius Monte, coordenador pedagógico, professor e integrante do Conselho de Administração da Coopeduque, cooperativa de educadores de Santa Isabel do Pará. Para ele, as reflexões propostas pelo espaço podem repercutir diretamente nas cooperativas ao estimular ambientes mais inclusivos e ampliar oportunidades. “Trazer isso para a cooperativa faz com que outras pessoas possam saber que elas também podem estar nesses espaços”, avaliou.
Cases que inspiram
Além do circuito de ativações, a Semana de Competitividade contou com o EstúdioCoop, espaço dedicado ao registro e compartilhamento de experiências bem-sucedidas relacionadas à cultura cooperativista. Foram gravados 20 cases de sucesso, com iniciativas relacionadas a temas como educação, governança e sucessão. Os conteúdos serão disponibilizados no site do Sistema OCB para inspirar outras cooperativas, compartilhar práticas e ampliar o alcance das experiências desenvolvidas pelo movimento.
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18/08/2026
Jornal Valor Econômico destaca força e diversidade do cooperativismo
Edição especial reúne reportagens sobre o impacto econômico e social do movimento no Brasil
O cooperativismo ganhou espaço de destaque na edição desta terça-feira (18) do jornal Valor Econômico, a maior e mais respeitada publicação de negócios e economia do País. O veículo publicou um caderno especial dedicado ao movimento, com reportagens que apresentam diferentes faces do modelo de negócios: da força econômica e da geração de empregos aos desafios enfrentados no campo, passando por crédito, saúde, tecnologia, sustentabilidade, bioeconomia e novas oportunidades de negócios.
A publicação representa um reconhecimento importante da dimensão que o cooperativismo alcançou no Brasil. O especial, que conta com 10 matérias, mostra como o modelo está inserido no cotidiano de milhões de brasileiros e contribui para movimentar economias locais, gerar renda e ampliar o acesso a serviços.
Na reportagem de abertura, Força coletiva - Cooperativas avançam e movimentam bilhões pelo país, o Valor parte dos dados do AnuárioCoop 2026 para dimensionar esse cenário. Em 2025, as cooperativas vinculadas ao Sistema OCB reuniram 29 milhões de cooperados, movimentaram R$ 848,4 bilhões em ingressos e empregaram mais de 613 mil pessoas. O jornal também destaca a presença das cooperativas em 3.425 municípios brasileiros e o crescimento de 12,5% no número de cooperados em relação ao ano anterior.
“O cooperativismo já faz parte da vida de milhões de brasileiros, muitas vezes de uma forma que nem sempre é percebida. Quando uma cooperativa gera renda, cria empregos, amplia o acesso ao crédito, fortalece um produtor ou leva um serviço a uma comunidade, ela está ajudando a transformar aquela realidade. Esse reconhecimento do Valor mostra que o cooperativismo precisa estar cada vez mais presente nas discussões sobre o futuro da economia brasileira”, destaca a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella.
A edição também mostra que esse futuro passa por crescimento e competitividade. Na reportagem Busca por escala e competitividade deve acelerar as fusões e aquisições, o jornal aborda o movimento de consolidação do setor e as estratégias adotadas pelas cooperativas para ganhar escala, investir em tecnologia e ampliar sua atuação.
A agenda ESG aparece em outra frente do caderno. A reportagem Avanço da agenda ESG exige equidade e gestão de metas discute como as cooperativas estão incorporando questões ambientais, sociais e de governança às estratégias de negócio. O tema aparece associado à necessidade de transformar compromissos em metas, indicadores e práticas capazes de gerar resultados concretos.
Do campo à inovação
O agro ocupa espaço relevante no especial. A reportagem Juro ainda aperta margens e limita projetos estruturantes aborda os efeitos do crédito mais caro sobre produtores e cooperativas, além das dificuldades provocadas pelo endividamento. O tema ganha ainda mais peso diante da participação das cooperativas agropecuárias na produção e na economia brasileira.
O cenário vivido pelos produtores do Rio Grande do Sul também é retratado em uma reportagem específica sobre as dificuldades de acesso a linhas emergenciais de crédito. Já o conteúdo sobre o El Niño mostra a atuação das entidades na orientação e preparação dos produtores diante dos efeitos climáticos.
Em outra frente, o Valor apresenta a experiência das cooperativas chinesas e destaca como tecnologia, dados, capacitação e organização coletiva podem ampliar a renda e a autonomia dos produtores. A abordagem ajuda a colocar o cooperativismo brasileiro em uma perspectiva internacional e mostra que os desafios de escala, inovação e competitividade fazem parte da agenda do movimento em diferentes países.
O crédito cooperativo é outro conteúdo relevante. A reportagem Carteira de crédito nas cooperativas supera ritmo dos bancos mostra a expansão do segmento, que alcançou mais de R$ 1 trilhão em ativos em 2025. O especial também aborda a possibilidade de avanço das cooperativas no mercado de seguros, ampliando o debate sobre novos ramos e oportunidades de atuação.
A inovação aparece em diferentes páginas. O uso de inteligência artificial pelas cooperativas é apresentado como ferramenta para melhorar processos e apoiar a gestão em setores que vão do agro ao financeiro. O jornal também trata das cooptechs e das possibilidades de combinar tecnologia, empreendedorismo e gestão coletiva.
No campo da conectividade, a intercooperação surge como caminho para ampliar o acesso das cooperativas ao mercado de telecomunicações. É mais uma indicação de que o modelo pode acompanhar transformações tecnológicas sem abrir mão de sua característica essencial: a construção coletiva.
Diferentes realidades
A saúde também integra o caderno, com uma reportagem sobre a transformação do setor e a expansão das cooperativas. O conteúdo mostra a capacidade do modelo de combinar atendimento, gestão e presença territorial, inclusive em municípios onde a oferta de serviços é mais limitada.
Na outra ponta dessa diversidade está a bioeconomia amazônica. O levantamento apresentado pelo Valor revela dificuldades estruturais enfrentadas por cooperativas e associações da região pan-amazônica, mas também evidencia o potencial de atividades baseadas na sociobiodiversidade. A falta de infraestrutura, financiamento, capacitação e acesso a mercados aparece como um dos principais obstáculos para transformar esse potencial em desenvolvimento.
A reciclagem fecha o especial com um olhar para quem está na base de uma importante cadeia da economia circular. A reportagem sobre catadores mostra os desafios de remuneração e reconhecimento desses trabalhadores e coloca em discussão a necessidade de valorizar o serviço ambiental prestado por quem atua na coleta e na separação dos resíduos.
Para Tania, a amplitude dos temas tratados pelo jornal é justamente uma das mensagens mais importantes da publicação. “O cooperativismo não cabe em uma única história. Ele está no campo, nas cidades, no crédito, na saúde, na energia, na reciclagem, na tecnologia e em tantas outras atividades. Ver essa diversidade retratada por um veículo como o Valor Econômico é também reconhecer que estamos falando de um modelo econômico com capacidade de gerar desenvolvimento e, ao mesmo tempo, colocar as pessoas no centro das decisões”, finalizou.
O especial também contou com a participação de diferentes porta-vozes do Sistema OCB, que contribuíram para ampliar a visão sobre o cooperativismo e seus impactos no país. Fabíola Nader Motta, superintendente do Sistema OCB; Clara Maffia, gerente geral de Negócios; João José Prieto, gerente Técnico e Econômico; Rodolfo Jordão, coordenador do Ramo Agro; Hugo Andrade, coordenador de ramos; e Thayná Cortês, analista, compartilharam análises e informações que ajudaram a contextualizar os diferentes temas abordados pelo caderno.
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14/08/2026
Sistema OCB e DLG aproximam agendas de inovação e tecnologia no agro
Primeiro encontro institucional discutiu biogás, biometano e tecnologias para ampliar produtividade
O Sistema OCB e a Sociedade Agrícola Alemã (DLG, na sigla em alemão) deram os primeiros passos para uma aproximação institucional voltada à inovação, à tecnologia e à sustentabilidade no setor agropecuário. Em reunião realizada no Sistema OCB, na terça-feira (11), as instituições apresentaram suas estruturas e frentes de atuação, e discutiram desafios que estão no centro da agenda do agro brasileiro, como a produção de biogás e biometano e o uso de novas tecnologias para aumentar a eficiência no campo.
Com mais de 30 mil membros, a DLG atua como uma plataforma internacional de inovação e conhecimento nos setores agrícola e alimentício. Fundada em 1885, a entidade organiza feiras e eventos, realiza testes de alimentos, máquinas e equipamentos agrícolas e produz conteúdos técnicos voltados à disseminação de conhecimento. A atuação também envolve ciência, pesquisa, educação, proteção ao consumidor e cooperação internacional.
“Essa primeira aproximação institucional foi importante para entendermos melhor as agendas da DLG e, ao mesmo tempo, apresentarmos a força e a diversidade do cooperativismo brasileiro. Temos desafios comuns quando falamos de tecnologia, produtividade e sustentabilidade, e a troca de experiências pode abrir caminhos para novas soluções”, afirmou João Penna, coordenador de Relações Internacionais do Sistema OCB.
Entre os temas debatidos esteve o desenvolvimento do setor de biogás e biometano no Brasil. A conversa permitiu compartilhar percepções sobre os principais desafios enfrentados atualmente e discutir tecnologias e aplicações que podem contribuir para melhorar a produção agrícola, ampliar a eficiência das propriedades e agregar valor aos resíduos gerados nas atividades agropecuárias.
Eventos
A aproximação também envolveu o calendário de grandes eventos promovidos pela DLG. Um dos pontos tratados foi a realização, em novembro de 2026, em Hannover, na Alemanha, das feiras EnergyDecentral e EuroTier. Os eventos reúnem empresas, especialistas e representantes do setor para apresentar soluções, tecnologias e tendências relacionadas à energia descentralizada, produção animal e sistemas de produção.
Outro destaque da conversa foi a Agritechnica 2027, uma das principais feiras internacionais de tecnologia agrícola. A próxima edição terá o Brasil entre os países em foco, o que amplia as possibilidades de participação e conexão entre o setor cooperativista brasileiro e o ambiente internacional de inovação.
Segundo Rodolfo Jordão, coordenador do ramo Agropecuário, a presença do Brasil em uma agenda desse porte pode contribuir para aproximar as cooperativas das soluções que estão sendo desenvolvidas em outros mercados. “A Agritechnica é uma referência global em tecnologia agrícola e o fato de o Brasil estar entre os países foco da próxima edição cria uma oportunidade importante para mostrar a capacidade do nosso agro e, especialmente, das cooperativas. Também é uma chance de aproximar produtores e cooperativas brasileiras de tecnologias que podem fazer diferença na produção”, destacou.
A DLG mantém atuação na Alemanha, na Europa e em outros mercados, conectando conhecimento científico, pesquisa e aplicações práticas. Para o Sistema OCB, a aproximação pode contribuir para ampliar o intercâmbio com organizações internacionais e acompanhar de perto soluções que respondam a desafios concretos do campo.
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14/08/2026
Brasil e Tailândia ampliam diálogo sobre agricultura e cooperativismo
2ª reunião do GTAC debateu intercâmbio de tecnologias, associativismo rural e novas parcerias
A aproximação entre Brasil e Tailândia na agricultura ganhou novos capítulos nesta semana, com a realização da 2ª reunião do Grupo de Trabalho Agrícola Conjunto (GTAC), em Brasília. O encontro, realizado entre 11 e 13 de agosto, reuniu representantes dos dois países para discutir áreas de cooperação, intercâmbio de conhecimentos e transferência de tecnologias, incluindo uma frente específica dedicada ao cooperativismo e ao associativismo rural.
A participação do Sistema OCB ocorreu dentro da agenda de cooperação agrícola construída entre os dois países. Na programação oficial do GTAC, o coordenador de Relações Internacionais do Sistema OCB, João Penna, participou da apresentação brasileira sobre cooperativismo, associativismo rural e agregação de valor, ao lado de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
“O cooperativismo tem muito a contribuir para essa agenda de cooperação, especialmente quando falamos de organização dos produtores, agregação de valor e acesso a mercados. A troca de experiências com a Tailândia também nos permite conhecer outras soluções e identificar oportunidades de parceria que possam beneficiar os produtores dos dois países”, afirmou João Penna.
A agenda do GTAC está relacionada ao memorando de entendimento firmado entre o Brasil e a Tailândia para ampliar a cooperação no setor agrícola. O acordo contempla o intercâmbio de informações, técnicos e pesquisadores, além de treinamentos, cursos, seminários, projetos de assistência técnica e visitas de estudo.
Entre os temas previstos estão produção animal, aquática e vegetal; manejo e conservação do solo; gestão de recursos hídricos; desenvolvimento de cooperativas agrícolas e instituições de agricultores; biodiversidade; manejo integrado de pragas; e energia alternativa.
Troca de experiências
A programação da reunião combinou discussões institucionais e atividades práticas. Entre os temas apresentados pelo Brasil estiveram o Plano ABC+, a agenda de cooperativismo, associativismo rural e agregação de valor e a plataforma Agro Brasil + Sustentável. A delegação tailandesa também apresentou iniciativas relacionadas à conservação do solo, segurança alimentar, edição genética de culturas e produção de café.
Na quarta-feira (12), a delegação conheceu a Embrapa Cerrados, onde foram apresentados trabalhos sobre fertilidade e saúde do solo, e sistemas integrados de produção, como a integração lavoura-pecuária-floresta. Já na quinta-feira (13), a programação incluiu visitas a uma propriedade produtora de café, a uma vinícola e à Emater-DF.
Relações comerciais
A aproximação entre os dois países ocorre, ainda, em um contexto de relações comerciais relevantes no agronegócio. A Tailândia é um importante mercado para produtos brasileiros no Sudeste Asiático, com destaque para o complexo soja, além de produtos florestais, couro, carnes e outros itens agropecuários. O comércio também acontece no sentido inverso . O Brasil importa da Tailândia produtos como borracha natural, arroz, óleos e extratos vegetais, sementes e alimentos para animais.
Esse cenário amplia a importância da cooperação técnica entre os dois países. Além de facilitar o comércio, a troca de conhecimentos pode contribuir para o desenvolvimento de tecnologias, processos produtivos e modelos de organização capazes de responder aos desafios comuns do setor agrícola.
Próximos passos
Durante o encontro, os representantes discutiram as atividades que poderão fazer parte do Plano de Trabalho da cooperação. A proposta é manter uma agenda periódica de diálogo entre Brasil e Tailândia, aproximando órgãos públicos, instituições de pesquisa e organizações ligadas ao setor rural.
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14/08/2026
Semana de Competitividade é encerrada com chamado à ação
Após três dias de debates, Tania Zanella convoca participantes a levar aprendizados para a prática
A Semana de Competitividade 2026 terminou nesta quinta-feira (13), em Brasília, com um chamado para que os debates realizados ao longo dos três dias se transformem em ações dentro das cooperativas. No encerramento, a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, afirmou que fortalecer a cultura cooperativista será decisivo para sustentar o crescimento do movimento nos próximos anos.
Com o tema Cultivando a Cultura Cooperativista, o evento reuniu cerca de 800 participantes de todo o país no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB). A programação combinou palestras, trilhas e laboratórios voltados à identidade cooperativista, governança, educação, comunicação, sucessão, diversidade e relacionamento com os cooperados.
Ao fazer um balanço da semana, Tania afirmou que a discussão sobre cultura ganhou urgência diante das transformações vividas pelo próprio cooperativismo. Segundo ela, o desafio não está apenas em ampliar números, negócios ou participação de mercado, mas em garantir que esse crescimento preserve aquilo que diferencia as cooperativas de outros modelos econômicos. “O nosso modelo é a nossa diferença, é o que nos faz únicos”, afirmou.
A presidente executiva destacou que tendências hoje valorizadas pela sociedade, como economia colaborativa, compartilhamento, propósito e preocupação com as pessoas, estão diretamente relacionadas aos fundamentos do cooperativismo. Para ela, uma das forças do modelo está justamente na capacidade de compartilhar resultados. Essa característica, segundo ela, ajuda a explicar a resiliência das cooperativas em períodos de crise e a presença do movimento em comunidades nas quais outros agentes econômicos muitas vezes não chegam.
O crescimento, porém, aumenta a responsabilidade. Tania recuperou um dos dados apresentados durante a Semana de Competitividade: nos últimos sete anos, em média, cerca de 6 mil pessoas ingressaram por dia nas cooperativas brasileiras. Atualmente, o movimento reúne 29 milhões de cooperados. “Você imaginar que, nos últimos sete anos, a cada dia 6 mil pessoas ingressaram nas nossas cooperativas é um desafio. A gente talvez nunca tenha parado para pensar nisso”, disse.
O avanço quantitativo, de acordo com a presidente executiva, precisa ser acompanhado por uma conexão maior entre o cooperado, a cooperativa e os princípios do movimento. O desafio é fazer com que quem utiliza os serviços de uma cooperativa compreenda por que aquele modelo é diferente e qual é o seu papel dentro dele. “É isso que precisamos cultivar. Precisamos fazer com que o olho brilhe, se encha de orgulho e a pessoa diga: eu estou no modelo que transforma a minha vida, que transforma realidades. Eu estou no cooperativismo”.
De dentro para fora
Essa construção, segundo Tania, precisa começar dentro das próprias organizações. A estratégia é fortalecer primeiro o orgulho de ser cooperativista entre dirigentes, colaboradores e cooperados para, depois, ampliar a percepção da sociedade sobre o modelo. “Primeiro temos que trabalhar internamente, desdobrar o orgulho de ser cooperativista, para depois conversar e abrir as mentes e os corações dos brasileiros para o movimento”, defendeu.
A reflexão dialogou com diferentes momentos da programação. Durante os três dias, especialistas discutiram desde liderança e participação até educação cooperativista, comunicação, memória institucional, sucessão e engajamento de novas gerações. No último dia, o antropólogo Michel Alcoforado abordou as transformações no mundo do trabalho e as diferenças de expectativas entre as gerações.
Tania ressaltou que essa convivência entre diferentes gerações deve ser encarada como uma oportunidade para as cooperativas. “Tenho uma equipe também muito jovem e isso, para mim, é uma experiência formidável. Eu aprendo todo santo dia. Acho que essa diversidade é o que tem de mais bonito”, argumentou. Ela relacionou, ainda, o fortalecimento da cultura à representação institucional do. “Quanto maior a presença econômica e social das cooperativas, maior também será a necessidade de explicar suas diferenças e defender o modelo perante a sociedade e o poder público”, complementou.
Chamamento
O encerramento também marcou a passagem da discussão para uma nova etapa prática. Tania chamou ao palco os agentes de cultura das Organizações Estaduais do Sistema OCB, que terão a missão de levar aos estados e às cooperativas os conceitos, ferramentas e ações discutidos durante a semana. “Esse futuro não termina aqui. Quando vocês pegarem as malas, voltarem para suas famílias e iniciarem amanhã as atividades nas cooperativas, é que começará efetivamente o trabalho”, reforçou. “Isso precisa ser feito por todos nós. O grande chamamento é construir em conjunto essa cultura que se espera da gente”.
Como parte dessa estratégia, a presidente executiva anunciou o lançamento da Comunidade CulturaCoop, uma rede destinada a conectar os agentes de cultura e demais participantes do movimento em todo o país. A rede seguirá uma experiência semelhante à comunidade criada anteriormente para profissionais de comunicação do Sistema OCB. A proposta é concentrar materiais, comunicados, experiências e boas práticas, além de manter a troca entre os participantes depois do encerramento do evento.
“Vocês vão entrar nessa rede, nessa comunidade que vai conectar todos nós. A ideia é chamar todos para essa grande revolução da cultura cooperativista nas nossas cooperativas”, afirmou Tania durante o anúncio. Segundo ela, a comunidade será um dos instrumentos para garantir que a Semana de Competitividade não seja uma iniciativa isolada, mas o início de um processo permanente de mobilização. Tenho certeza de que o sucesso desse movimento passa por vocês, padrinhos, madrinhas e agentes que agora vão replicar todo esse nosso plano de trabalho para as cooperativas. O trabalho começa agora”, finalizou.
Samba e cooperação
Para exemplificar uma vez mais a força da cooperação, representantes do grupo Batucada S/A, mostraram como o funcionamento de uma bateria de samba exige colaboração para garantir ritmo e sonoridade perfeitas. Eles conectaram os participantes em um time único que se integrou à banda e tocou instrumentos cedidos pelo grupo em um verdadeiro show de colaboração. A metáfora da bateria reforçou a missão proposta ao final do evento: atuar em conjunto, de forma coordenada e com um propósito comum para cultivar e fortalecer a cultura cooperativista em todo o Brasil.
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14/08/2026
Márcio Lopes de Freitas recebe livro sobre o futuro dos conselhos
Obra reúne reflexões sobre governança e traz capítulo dedicado às cooperativas
O presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, recebeu um exemplar do livro Board: Conselhos com visão de Futuro, entregue pela coautora Lilian Pascoal Clemente Barbosa de Carvalho durante a Semana de Competitividade 2026, realizada de 11 a 13 de agosto, em Brasília. A publicação, lançada no dia 8 de agosto, reúne contribuições de 40 autores sobre o papel dos conselhos diante dos desafios e das transformações das organizações.
Conselheira fiscal do Sescoop Rondônia e profissional da área de governança da Unimed Porto Velho, Lilian é autora do capítulo Conselho em cooperativas: como profissionalizar sem perder a essência. Administradora e advogada, especialista em governança e direito cooperativo, ela decidiu entregar a publicação ao presidente Márcio após identificar uma conexão direta entre o conteúdo que escreveu e as reflexões apresentadas pelo presidente na abertura do evento.
“Fiz questão de trazer o livro para o presidente Márcio porque a fala dele na abertura trouxe justamente a importância de resgatarmos a cultura do cooperativismo. Para que as cooperativas sejam competitivas no mercado, elas precisam se profissionalizar, mas, ao mesmo tempo, precisam preservar o cooperativismo em sua essência. Temos um propósito enquanto cooperativa”, afirmou Lílian.
A reflexão dialoga com o tema central da Semana de Competitividade deste ano, Cultivando a Cultura Cooperativista. Ao longo dos três dias de programação, o evento colocou em debate a importância de fortalecer a identidade, preservar a memória e preparar as cooperativas para os desafios futuros.
Essência preservada
No capítulo, Lilian analisa especialmente o papel dos conselhos de administração, formados por cooperados, na preservação da identidade das cooperativas diante do avanço da profissionalização da gestão. Para ela, estruturas de gestão cada vez mais qualificadas fortalecem a capacidade das cooperativas de competir e crescer, enquanto cabe à governança assegurar que os princípios, o propósito e os interesses dos cooperados continuem orientando as decisões estratégicas.
“O conselho de administração é fundamental para que a cultura do cooperativismo permaneça na cooperativa, mesmo com a profissionalização. Ele precisa estar muito bem capacitado para conseguir conduzir essa mudança e manter o cooperado como foco e com as mãos na estratégia”, explicou.
Essa visão já encontra aplicação na experiência profissional de Lilian. Na Unimed Porto Velho, a cooperativa avançou neste ano em um novo modelo de governança, aprovado pelos cooperados, que combina um conselho de administração formado por representantes eleitos do quadro social com uma gestão executiva profissionalizada. A executiva passou a contar com profissionais contratados e com experiência de mercado, enquanto os cooperados permanecem responsáveis pelo direcionamento estratégico por meio do conselho de administração.
Memória que conecta
Outro aspecto ressaltado por Lilian durante a entrega foi a importância da memória institucional, tema que também ganhou espaço na programação da Semana de Competitividade. Para ela, preservar a trajetória das cooperativas contribui para transmitir sua cultura às novas gerações e fortalecer o sentimento de pertencimento.
Na Unimed Porto Velho, esse desafio já faz parte da realidade da organização, que conta com cooperados de segunda geração, filhos de profissionais que participaram de sua trajetória. O próprio atual presidente da cooperativa, segundo Lilian, é filho de cooperado. “Resgatar a memória é uma forma de fazer com que eles sintam que a cooperativa é deles. Isso faz toda a diferença no relacionamento com a cooperativa e na entrega do trabalho que realizam”, destacou.
Para Lilian, a conexão entre memória, governança e profissionalização ajuda a traduzir um dos principais desafios abordados em seu capítulo: preparar as cooperativas para o futuro mantendo os elementos que diferenciam o modelo cooperativista e dão sentido à participação dos cooperados.
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14/08/2026
Trilha de governança aponta caminhos para cooperativas mais perenes
Participação, formação de líderes e diversidade marcam debates da Semana de Competitividade
Princípios e valores dão identidade ao cooperativismo, mas é na forma como as pessoas participam das decisões, assumem responsabilidades e preparam novas lideranças que essa identidade se mantém viva ao longo do tempo. Na Semana de Competitividade 2026, os debates da trilha Governança Cooperativa mostraram como participação, formação e diversidade podem transformar a cultura do movimento em práticas de gestão e contribuir para a continuidade do modelo de negócios entre diferentes gerações.
Na primeira palestra do dia, ao abordar como a liderança pode promover a cultura cooperativista, Silvio Giusti, da Giacoo, defendeu que estratégia e cultura precisam caminhar juntas. Para ele, cabe às lideranças transformar princípios e valores em comportamentos cotidianos e garantir que cooperados, colaboradores, conselheiros e dirigentes compreendam o propósito da organização. “A estratégia dá a direção e a cultura faz essa estratégia acontecer”, afirmou.
Giusti chamou atenção para a necessidade de comunicar as ações realizadas pelas cooperativas, mas também as razões que estão por trás delas. “Precisamos dizer o porquê fazemos aquilo que fazemos. É aí que estão nosso diferencial e nosso legado”, acrescentou.
Fortalecimento
A discussão ganhou exemplos práticos no painel sobre fortalecimento da governança, mediado por Simone Montandon, coordenadora de Governança e Gestão do Sistema OCB. Ela relacionou o desafio da participação à dimensão atual do movimento, que reúne mais de 29 milhões de cooperados e registra um volume de ingressos superior a R$ 848 bilhões. “Cultura e governança têm uma relação muito próxima”, destacou.
Um dos cases foi apresentado por Ederson Madruga, presidente da Certaja, cooperativa de infraestrutura do Rio Grande do Sul que identificou um progressivo afastamento de seus mais de 30 mil cooperados. Em assembleias, a participação havia chegado a apenas 250 ou 300 pessoas. Para reverter esse cenário, ela reorganizou seu quadro social por meio da criação de núcleos regionais, o que ampliou os espaços de prestação de contas, formação, escuta e participação.
A iniciativa, segundo Ederson, levou o envolvimento nas atividades para perto de 4 mil pessoas, entre cooperados e familiares. “Os cooperados estavam nos enxergando como uma distribuidora comum. Nós não podíamos perder a nossa essência e a nossa identidade”, afirmou o dirigente. A experiência agora avança para uma nova etapa, com maior participação dos núcleos na governança, preparação de novas lideranças e iniciativas voltadas a mulheres e jovens.
O segundo case foi apresentado por Magno Braz, presidente da Coopersino e representante do Ramo Trabalho no Sistema OCB/MT, que mostrou os resultados do EduCoop, iniciativa voltada ao fortalecimento da governança, da gestão e da intercooperação entre as cooperativas educacionais de Mato Grosso. O programa surgiu a partir das dificuldades enfrentadas pelo segmento, especialmente após a pandemia, quando as cooperativas identificaram fragilidades na gestão e a necessidade de preparar melhor dirigentes e cooperados.
A iniciativa começou com diagnósticos individualizados e avançou para capacitações, planejamento e intercâmbio de experiências. Entre os resultados apresentados, 100% das cooperativas participantes passaram a contar com planejamento estratégico estruturado e documentação adequada, enquanto 90% realizaram projetos sociais e ampliaram seu portfólio de negócios.
Magno Braz chamou atenção principalmente para a necessidade de capacitar quem assume funções de liderança. No segmento educacional, ele explicou que profissionais com sólida formação pedagógica podem passar a ocupar cargos administrativos sem necessariamente terem sido preparados para gestão, planejamento ou tomada de decisões. “Se a governança não tem capacitação, você fica no escuro”, lembrou. Para ele, a formação também é fundamental para preparar novos dirigentes, fortalecer a participação dos cooperados e garantir a sucessão dentro das organizações.
Diversidade
A força da diversidade foi o próximo tema a entrar na discussão. Gisele Gomes, CEO da Parônima defendeu que iniciativas de inclusão não podem depender exclusivamente da disposição de um presidente ou dirigente, sob o risco de desaparecerem quando ocorre uma mudança de gestão. De acordo com ela, o desafio é institucionalizar a diversidade, incorporando o tema aos processos e à própria cultura das organizações. “Precisamos pensar nisso como uma ação em camadas: participação, visibilidade das trajetórias e mudança para quem chega e para quem permanece”, declarou.
Gisele também relacionou diversidade à estratégia das organizações e destacou a crescente participação feminina na economia. “A discussão sobre mulheres na liderança não deve partir de uma visão essencialista, como se características naturalmente femininas fossem responsáveis por melhores resultados, mas da contribuição proporcionada pela pluralidade de experiências e perspectivas nos espaços de decisão”, defendeu.
O debate sobre diversidade também contou com experiências práticas de dirigentes e representantes do cooperativismo. Tiago Schmidt, presidente do Conselho de Administração da Sicredi Pioneira (RS), apresentou os resultados de um trabalho voltado à ampliação da participação feminina. Na última renovação do Conselho, três dos quatro novos integrantes eleitos são mulheres. O resultado, segundo ele, gerou questionamentos sobre uma eventual adoção de cotas. “Não colocamos cota. O segredo foi dar o mesmo tempo para todo mundo, dar o mesmo espaço para as mulheres”, afirmou.
Jaqueline Azevedo Gomes, vice-presidente do Sicoob Central Bahia, por sua vez, chamou atenção para a importância de envolver também os homens nas discussões sobre diversidade e inclusão. Ela observou que a presença masculina havia sido maior nas atividades realizadas pela manhã e diminuiu justamente quando a programação passou a tratar do tema. “Quando começamos a falar de diversidade e inclusão, os homens não participam”, mas a presença deles é fundamental para que possam atuar como multiplicadores dessa discussão”, argumentou.
Jaqueline também citou a experiência desenvolvida na Bahia com ações de formação de mulheres e jovens, voltadas à preparação de novas lideranças e à ampliação da participação desses públicos nos espaços de representação. Para ela, o cooperativismo precisa avançar para uma compreensão mais ampla da diversidade, que não fique restrita apenas à discussão entre homens e mulheres. “Ainda estamos na disputa do gênero. Precisamos discutir para além disso”, completou.
A discussão sobre a participação feminina ganhou novos exemplos em painel mediado por Divani Ferreira, analista de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, com a participação de Iandra Vilela, coordenadora do Grupo Caffeína Cocatrel, e Solange Pinzon, vice-presidente da Central Sicoob Unicoob.
Iandra apresentou a trajetória do Grupo Caffeína, criado na Cocatrel para fortalecer e valorizar a atuação das mulheres cafeicultoras. A iniciativa reúne mais de 2 mil mulheres e combina conhecimento compartilhado, apoio mútuo e qualificação da produção com a construção de espaços de protagonismo.
“O Caffeína é um movimento construído sobre conhecimento compartilhado, apoio mútuo e a busca incansável pelo melhor. Aqui aprendemos, crescemos e evoluímos juntas”, afirmou Iandra.
O movimento também associa o protagonismo feminino à geração de valor. Os cafés produzidos pelas participantes recebem cuidados no pós-colheita, rastreabilidade e controle de qualidade e já chegaram a mais de 20 países. “Somos mais de duas mil mulheres que produzem, cultivam e transformam. E esse número cresce a cada safra. Mulheres que disseram sim ao protagonismo”, destacou.
Na sequência, Solange mostrou como a participação pode avançar até os espaços formais de decisão. A experiência apresentada por ela partiu da criação de comitês femininos com o objetivo de ampliar a presença de mulheres em cargos de liderança cooperativista.
“Nosso objetivo com o Comitê Feminino é possibilitar a inclusão de mais mulheres em cargos de liderança cooperativista”, explicou Solange.
O trabalho envolve a conscientização das altas e médias lideranças, a mobilização das cooperadas, a estruturação dos comitês e a criação de um plano de capacitação. “A proposta é definir um plano de capacitação que possa transformar participação em protagonismo”, ressaltou.
Futuro sustentável
A relação entre governança, cultura, perenidade e sustentabilidade ganhou uma perspectiva de futuro nas apresentações de Ricardo Voltolini e Rosilene Rosado. Voltolini destacou que preservar a essência cooperativista exige capacidade de atualizar crenças e práticas diante das transformações da sociedade e do mercado. Para ele, a governança exerce papel decisivo nesse processo ao transformar propósito em políticas e rotinas, criar condições para inovação e preparar a sucessão de lideranças. O especialista defendeu uma atuação capaz de conciliar legado e identidade, eficiência no presente e preparação para o futuro, com sustentabilidade, diversidade e inovação incorporadas às decisões e à avaliação das lideranças.
Já Rosilene Rosado aprofundou essa conexão ao relacionar os critérios ESG ao sétimo princípio cooperativista, o Interesse pela Comunidade. Ela ressaltou que a atuação das cooperativas está diretamente ligada aos territórios onde estão inseridas e que a geração de valor alcança cooperados, comunidades, economia e meio ambiente. “Nesse contexto, sustentabilidade passa pela identificação de impactos, riscos e oportunidades, pelo envolvimento das partes interessadas e pela definição de indicadores e metas capazes de orientar a gestão”, declarou. A perspectiva, segundo ela, é assegurar que as cooperativas atendam às necessidades atuais e, ao mesmo tempo, preservem as condições para que as próximas gerações continuem gerando valor.
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14/08/2026
Labs estimulam soluções para fortalecer a cultura cooperativista
Experiências colaborativas abordaram juventude, educação, comunicação e preservação da memória
Transformar conhecimento em ação marcou as experiências vivenciadas nos labs da Semana de Competitividade 2026, realizados como parte da programação do evento nesta quarta-feira (12), em Brasília. Em quatro espaços de atividades práticas e colaborativas, os participantes foram convidados a desvendar desafios presentes no cotidiano das cooperativas e construir caminhos que possam ser aplicados em suas organizações.
Os laboratórios integraram as trilhas de Governança Cooperativa, Educação Cooperativista, Comunicação e Experiência, e Legado e Sucessão. Com metodologias participativas, as atividades colocaram os participantes no centro da busca por soluções para a disseminação efetiva da CulturaCoop com foco em juventude, aprendizagem, relacionamento com cooperados, preservação da história e do legado do movimento.
Engajamento de jovens Tai Barroso, palestrante da Awelle
Na trilha Governança Cooperativa, Tai Barroso e Matheus Cardoso, da Awelle, conduziram o lab Como construir um plano de ação para engajamento de jovens. A atividade partiu de um desafio que mobiliza o cooperativismo: como atrair as novas gerações e, principalmente, criar condições para que elas permaneçam envolvidas ativamente com as cooperativas.
Os participantes conheceram dados sobre o perfil da juventude brasileira e discutiram como mudanças nas expectativas profissionais e pessoais interferem na forma como os jovens se relacionam com as organizações. Estabilidade financeira, qualidade de vida, oportunidades de participação e novas perspectivas de desenvolvimento estão entre os elementos que, segundo os monitores, precisam ser considerados.
O lab também chamou atenção para a necessidade de conhecer melhor os jovens que já estão dentro das cooperativas. “Engajar e manter os jovens ativos é um dos principais desafios. Para construir uma estratégia que realmente funcione, além de criar comitês, núcleos ou programas específicos, precisamos entender quem é esse jovem, o que ele busca e quais oportunidades de participação estamos oferecendo dentro da cooperativa”, explicaram Tai Barroso e Matheus Cardoso.
Novas experiências de aprendizagem
Kasuo Yassaka e Willians Pressi, da Yassaka, conduziram o lab Design de experiência de aprendizagem na trilha Educação Cooperativista. A proposta buscou provocar os participantes a repensarem o conteúdo ensinado e, principalmente, a forma como o conhecimento é construído. Willians Pressi, sócio da Yassaka
A atividade começou com uma reflexão sobre experiências educacionais que marcaram a trajetória dos próprios participantes e avançou para as diferenças entre o modelo tradicional de ensino e a abordagem andragógica, voltada à aprendizagem de adultos.
Nesse modelo, o educador assume o papel de facilitador, as experiências de cada pessoa passam a integrar o processo de aprendizagem e o erro deixa de ser encarado apenas como problema para também se transformar em oportunidade de desenvolvimento.
“Quando falamos em experiência de aprendizagem, o mais importante é como as pessoas vão participar desse processo. O conhecimento ganha força quando parte da experiência, promove troca e permite que o participante coloque aquilo em prática”, destacaram os monitores.
Durante o lab, a metodologia foi vivenciada com atividades para despertar a curiosidade, ouvir o grupo, conectar conteúdos à realidade dos participantes, promover interação, experimentar soluções e revisar os aprendizados.
Vanessa Regina Rocha, assessora de Pessoas e Cultura no Sicredi Integração Bahia, considerou que a experiência apresentou novas possibilidades para a educação dentro das cooperativas. “Colocamos a mão na massa realmente. O laboratório trouxe muitas experiências com relação a uma forma diferente de trabalhar a educação dentro da cooperativa, principalmente com o modelo andragógico. Consegui ter um novo olhar para trabalhar”, afirmou.
Estratégia para chegar aos cooperados Bruno Peres, fundador da Arca.buzz
Na trilha Comunicação e Experiência, Bruno Peres, da Arca.buzz, conduziu o lab Como criar um plano de comunicação eficiente com os cooperados. A atividade mostrou que uma estratégia de comunicação começa antes da escolha dos canais ou da produção de conteúdo. Os participantes foram convidados a analisar a realidade de suas cooperativas e estruturar um planejamento a partir de quatro pontos: definição do público-alvo, posicionamento, objetivos e metas, além da escolha dos canais e conteúdo.
O exercício também provocou reflexões sobre a promessa que cada cooperativa entrega aos seus públicos, seus diferenciais, as histórias que podem ser contadas e o tom de voz mais adequado para expressar sua identidade. “Uma comunicação eficiente começa quando a cooperativa entende com quem quer falar, o que deseja comunicar e qual resultado pretende alcançar. Quando público, posicionamento, mensagem e canais estão alinhados, a comunicação ganha propósito, fortalece a identidade da cooperativa e cria uma relação mais próxima com os cooperados”, destacou Bruno.
A proposta reforçou a comunicação como instrumento estratégico para ampliar a conexão com os cooperados e traduzir princípios e valores do cooperativismo em mensagens capazes de gerar identificação.
Memória como patrimônio
Maria Rosa, pesquisadora da Raiz Projetos e Pesquisas de HistóriaO lab Como fazer um projeto de memória institucional, da trilha Legado e Sucessão, foi conduzido por Carolina Kuk, Maria Rosa Crespo e Thaís Pelligrinelli, da Raiz Projetos. Por meio da dinâmica Construindo a memória Coop, os participantes responderam a 12 perguntas orientadoras para identificar os primeiros passos necessários à construção de um projeto para suas cooperativas.
Documentos, fotografias, objetos, registros institucionais e relatos de pessoas foram trabalhados como elementos capazes de contar a trajetória das organizações e preservar experiências importantes para as próximas gerações.
“Construir um projeto de memória exige mais que apenas guardar documentos ou fotografias. É identificar as histórias que ajudam a explicar quem somos, organizar esse patrimônio e criar condições para que ele continue acessível e faça sentido para as próximas gerações”, explicaram Carolina, Maria Rosa e Thaís.
O exercício mostrou que preservar a memória exige planejamento, organização e continuidade. Ao recuperar histórias de fundadores, cooperados, dirigentes e colaboradores, as cooperativas também fortalecem sua identidade e criam referências para os processos de renovação e sucessão.
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14/08/2026
Cooperativismo preserva legado e prepara as próximas gerações
Semana de Competitividade debate sucessão e estratégias para fortalecer a continuidade do modelo
A programação da Semana da Competitividade 2026, realizada de 11 a 13 de agosto, também abriu espaço para discussões mais profundas sobre o que sustenta as cooperativas ao longo do tempo. Na sala temática da trilha Legado e Sucessão, lideranças e especialistas compartilharam experiências sobre cultura e preparação de novas gerações, demonstrando que a perenidade do cooperativismo depende tanto de preservar sua identidade quanto de preparar o futuro. Dafna Blaschkauer, escritora e palestrante
A escritora e palestrante Dafna Blaschkauer abordou a relação entre cultura, liderança, desempenho e continuidade das organizações. Com 25 anos de experiência em posições de liderança e passagens por empresas como Nike e Apple, ela destacou que estratégias podem ser copiadas, mas a cultura é construída a partir das escolhas e comportamentos que se repetem no cotidiano.
Para Dafna, a cultura funciona como um “código-fonte invisível”, presente na maneira como as organizações lidam com erros, crises, decisões e relações. Por isso, a sucessão não deve ser tratada apenas como a escolha de quem ocupará uma posição de liderança, mas como um processo de preparação para garantir que aquilo que dá identidade à organização permaneça vivo. “A sucessão é um dos maiores testes da cultura. A liderança pode e deve mudar, mas o DNA da organização precisa continuar”, argumentou.
Memória que se transforma em futuro
A preservação da história cooperativista foi o tema do painel que contou com a participação de Heloisa Lopes, presidente da Casa Cooperativa, e Alberto Oppata, presidente da Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta).
Heloisa apresentou o trabalho da Casa Cooperativa na preservação do Sítio Histórico do Cooperativismo de Linha Imperial, em Nova Petrópolis (RS), onde nasceu, em 1902, o cooperativismo de crédito no Brasil e na América Latina. O espaço, que completa 15 anos, é o único local brasileiro entre os 31 reconhecidos como Patrimônio Cultural Mundial Cooperativo pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI).
A iniciativa transforma esse legado em experiências educativas para cooperativas, estudantes e visitantes e inspira o Legado Coop, evento previsto para maio de 2027, com expectativa de reunir mais de 1,5 mil participantes. “Legado não é o que deixamos parado no passado. É o que continua em movimento nas mãos de quem vem depois”, defendeu.
A trajetória da Camta, apresentada pelo presidente Alberto Oppata, mostrou como passado e futuro podem se conectar na prática. Criada a partir da imigração japonesa em Tomé-Açu (PA), a cooperativa enfrentou diferentes ciclos econômicos e encontrou na crise provocada pela fusariose da pimenta-do-reino o impulso para desenvolver o Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu (Safta). Para Oppata, preservar o legado significa aprender com a história e, ao mesmo tempo, abrir espaço para novas ideias, tecnologias e gerações. A agrofloresta, segundo ele, traduz essa visão. “Assim como ela não depende de uma única espécie, a cooperativa não pode depender de uma única geração”, afirmou.
Preparar quem vem depois
A formação de novas lideranças foi o foco da apresentação Como planejar a sucessão nas cooperativas?, conduzida por Larissa Zambiasi, da CooperConcórdia. Produtora de leite, sucessora familiar e cooperativista, Larissa partiu da própria experiência para discutir um desafio presente em muitas organizações: garantir a renovação do quadro social e dos espaços de liderança.
Um dos dados apresentados reforçou a importância do tema: apenas 13% dos cooperados possuem menos de 30 anos, segundo o AnuárioCoop 2025. Para Larissa, o cenário mostra que a sucessão precisa fazer parte da estratégia de desenvolvimento da cooperativa, em vez de ser tratada como um momento isolado.
Nesse processo, ela contrapôs dois caminhos: de um lado, cooperativas que acompanham o envelhecimento do quadro social e esperam que os jovens estejam “prontos” para assumir responsabilidades; de outro, organizações que criam oportunidades de desenvolvimento, pertencimento e participação e, assim, formam lideranças ao longo do tempo.
Essa jornada, segundo Larissa, pode começar ainda na infância e avançar por diferentes etapas: filho ou neto de cooperado, associado, integrante de comitês de jovens, líder de núcleo, delegado, conselheiro e, posteriormente, presidente ou vice-presidente. “A ideia é que a cooperativa acompanhe o cooperado em diferentes fases da vida e ofereça espaços reais de participação”, completou.
Sucessão na prática
A discussão ganhou uma dimensão prática com a participação de Bruno Rangel, diretor da Coplana, e Tiago Schmidt, presidente do Conselho de Administração da Sicredi Pioneira. Bruno contou que a Coplana estruturou seu processo de sucessão a partir da necessidade de fortalecer a governança e renovar suas lideranças. A cooperativa passou a investir na formação de produtores e na aproximação de jovens das famílias cooperadas com interesse pela atividade e pelo cooperativismo.
O próprio Bruno participou desse processo desde 2012, quando ainda cursava Engenharia Agronômica, até chegar à presidência em 2020. Para ele, a sucessão exige preparação contínua e oportunidades para que os jovens conheçam a organização, seus valores e responsabilidades. “Quando damos confiança e mostramos que ele é importante para a cooperativa e para a sociedade, começamos a formar uma liderança baseada em princípios”, afirmou.
Tiago Schmidt ampliou essa perspectiva ao defender que a sucessão deve alcançar diferentes instâncias da governança. “Não é só o presidente que precisa ser sucedido em uma cooperativa. Temos que pensar na sucessão do conselho e nas diferentes estruturas de liderança e representação. Na cooperativa, parte desse trabalho ocorre por meio dos coordenadores de núcleo, associados que aproximam a base da gestão e participam de processos de formação, projetos e discussões estratégicas”, destacou.
A partir de 2018, a Sicredi Pioneira também passou a considerar características comportamentais e o envolvimento com a comunidade na identificação desses representantes. Segundo Tiago, a mudança contribuiu para ampliar a presença de jovens, mulheres, diferentes gerações e segmentos econômicos entre os coordenadores. A participação contínua na vida da cooperativa também ajuda a preparar potenciais conselheiros e novas lideranças. “Uma das coisas em que mais acredito como papel do presidente de uma cooperativa é identificar e formar novas lideranças estratégicas”, concluiu.
Sucessão familiar
A discussão avançou para a dimensão familiar e produtiva com Gabriela Olinda de Paiva, produtora rural da Coopexvale, Cooperativa de Produtores e Exportadores do Vale do São Francisco. Na palestra Sucessão com Propósito: cultivando lideranças para as próximas gerações, ela destacou que a continuidade das propriedades rurais exige preparar os jovens tanto para a gestão dos negócios quanto para uma participação efetiva no cooperativismo. A Coopexvale reúne 20 empresas familiares ligadas à produção e comercialização de uvas no Vale do São Francisco.
Gabriela apresentou um estudo sobre sucessão familiar em empresas produtoras de uva de Petrolina (PE), que apontou as diferenças de opinião entre gerações e as dificuldades na tomada de decisão entre os principais obstáculos do processo. Para ela, reconhecer esses desafios permite antecipar conflitos e incorporar a sucessão ao planejamento das famílias. “Não esperar a necessidade aparecer para buscar um sucessor, mas formar hoje as pessoas que poderão dar continuidade ao cooperativismo amanhã”, resumiu.
Com esse propósito, a Coopexvale estruturou ações para ampliar a participação das novas gerações, profissionalizar a gestão, formar lideranças e promover maior integração entre as famílias. Entre as iniciativas estão a inclusão de jovens na diretoria, a criação do Comitê de Organização do Quadro Social (OQS) e o Legado Coop, voltado aos filhos dos associados e potenciais sucessores. As ações já envolveram mais de 70 cooperados e familiares e contribuíram para a chegada de cinco jovens aos Conselhos Administrativo e Fiscal da cooperativa.
Perenidade
A sucessão ganhou uma perspectiva ainda mais ampla na palestra de Marcus Nakagawa, professor e especialista em sustentabilidade. Ele relacionou a continuidade das cooperativas à capacidade de incorporar governança e visão de longo prazo à gestão. Para Marcus, pensar em sustentabilidade significa também discutir perenidade, preparar quem conduzirá a organização no futuro e definir o legado que será transmitido às próximas gerações.
Nesse processo, aspectos ambientais, sociais e de governança precisam estar integrados às decisões e aos processos da cooperativa. Marcus associou essa visão aos próprios princípios cooperativistas, como gestão democrática, participação econômica, educação, formação e interesse pela comunidade. “O ESG não é um departamento e também não pode ser tratado como uma moda. Ele é transversal, faz parte da gestão e da gestão de riscos”, salientou.
Segundo ele, essa abordagem permite conectar os resultados do presente à capacidade de enfrentar transformações, reduzir riscos e assegurar a continuidade da organização. “Não basta pensar apenas nos resultados de hoje. É preciso ter governança, controles e políticas, mas também promover conversas maduras sobre quem vai conduzir a organização no futuro e qual legado queremos deixar”, concluiu.
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13/08/2026
Comunicação que aproxima: confiança e pertencimento fortalecem coops
Escuta, reputação, experiência e identidade ampliam vínculos com cooperados e sociedade
Em um mundo de atenção disputada, relações cada vez mais digitais e públicos que esperam ser ouvidos, a comunicação ganha uma missão decisiva para as cooperativas: transformar valores em experiências capazes de gerar confiança, participação e pertencimento. Foi esse o fio condutor da trilha Comunicação e Experiência, da Semana de Competitividade 2026. Ao longo da programação, especialistas e representantes de cooperativas mostraram que fortalecer vínculos exige conhecer profundamente as pessoas, antecipar expectativas, abrir espaços reais de participação e fazer com que a identidade cooperativista seja percebida em cada ponto de contato.
Da gestão da reputação à fidelização, passando pela experiência do cooperado, construção de marca e novas formas de influência, as discussões convergiram para uma mesma direção: comunicação e relacionamento precisam ocupar espaço estratégico nas decisões. Para além de transmitir mensagens, o desafio é construir relações que façam sentido para as pessoas e contribuam para a sustentabilidade dos negócios. Patrícia Marins, da Oficina Consultoria
Antes da mensagem
A importância de colocar a comunicação no centro da estratégia foi destacada por Patrícia Marins, jornalista e fundadora da Oficina Consultoria. Especialista em gestão de reputação, ela defendeu que a área participe das decisões, antecipe riscos e contribua para a construção da confiança. “Não existe nada mais importante para uma marca do que a sua reputação. Todo o resto vem depois”, afirmou. Para ela, a comunicação precisa superar uma atuação reativa, acionada somente quando uma decisão já foi tomada ou quando surge uma crise. “Comunicação não pode ser bombeiro”, resumiu.
A mudança exige escuta, diagnóstico e planejamento. Entre as perguntas propostas pela especialista para antecipar vulnerabilidades estão: quem pode se sentir ignorado por determinada comunicação, qual promessa da organização pode ser questionada e quais sinais podem indicar perda de confiança. “Quanto mais você entender a vulnerabilidade, quanto mais entender a necessidade e aprofundar o diagnóstico, mais vai conseguir desenhar um planejamento e sair da roupa de bombeiro. A gente tem que ter a roupa do planejador”, descreveu.
Essa atuação também passa por compreender a diversidade do cooperativismo. Produtores rurais, profissionais de saúde, trabalhadores, transportadores e cooperados de instituições financeiras, entre tantos outros públicos, têm necessidades e expectativas diferentes. Para Patrícia, comunicar a força da identidade coletiva depende de reconhecer essas particularidades e entender que um novo canal ou formato, sozinho, dificilmente resolverá um problema de relacionamento. “Não é canal que vai mudar a realidade. É muito mais o lugar na tomada de decisão”, ressaltou.
Identidade que conecta
Se reputação começa nas decisões, a identidade cooperativista pode se transformar em um importante ativo de comunicação e de negócio. Essa perspectiva foi apontada no painel SomosCoop – o movimento que conecta e transforma, que reuniu experiências relatadas por Gualter Lisboa Ramalho, diretor de Mercado e Marketing da Unimed do Brasil, e Júlio César Pollária, gestor de Marca e Comunicação da Aurora Coop.
Na Unimed, o desafio está em conectar cooperativas independentes em torno de crenças, valores e propósitos compartilhados. O cuidado com a vida ocupa posição central nessa identidade, associado à governança, sustentabilidade e compromisso com as comunidades. A presença territorial também reforça a conexão. “A gente pertence à comunidade, a gente se relaciona com a comunidade”, destacou Gualter.
Na Aurora Coop, esse movimento passou pela profissionalização da comunicação e pelo investimento em branding. Para Júlio, comunicar o cooperativismo também significa gerar valor para o negócio. “É importante olhar a comunicação como um ativo do negócio”, afirmou.
A cooperativa passou a trabalhar o próprio modelo como diferencial competitivo e a levar essa identidade às campanhas, embalagens e demais pontos de contato com o consumidor. Nesse processo, o SomosCoop tornou-se um elo entre a marca própria e a identidade coletiva do movimento. “Existe um movimento de fortalecimento do conjunto. Acho que isso é o que legitima o cooperativismo e o torna muito bonito”, disse.
As experiências reforçaram que uma identidade comum não exige renunciar às características de cada organização. Ao contrário: é justamente a combinação entre essência própria e valores compartilhados que permite transformar o cooperativismo em elemento de diferenciação e conexão com a sociedade.
Do benefício ao vínculo
A identidade, porém, precisa ser vivenciada pelo cooperado. Esse foi um dos principais pontos apresentados por Thais Jerônimo, na palestra Fidelização de cooperados e centralidade. Segundo ela, condições comerciais, crédito, distribuição de resultados e vantagens em produtos e serviços continuam relevantes, mas não são suficientes para construir uma relação duradoura. “Quando a relação é baseada exclusivamente em entregas comerciais, ela pode ser substituída a qualquer momento. Para fidelizar, precisamos trabalhar lealdade, confiança, convicção e compromisso”, relatou.
Thais propôs uma evolução na própria ideia de centralidade. Em vez de uma relação unilateral, na qual todas as entregas são direcionadas à satisfação do cooperado, a cooperativa deve buscar uma relação de reciprocidade. O cooperado precisa perceber o valor que recebe, mas também compreender seu papel como parte do empreendimento.
Nesse caminho, educação cooperativista, formação e participação assumem importância especial. Assembleias, núcleos, comitês e outros espaços de escuta precisam proporcionar voz efetiva, enquanto programas de desenvolvimento ajudam o cooperado a compreender seu papel e sua capacidade de contribuir. “Cooperativismo nasce da relação, e não da transação. Se for só uma relação comercial, ela é facilmente substituível”, destacou. O objetivo, segundo Thais, é avançar de uma lógica de “negócio com a cooperativa porque é vantajoso” para “escolho a cooperativa porque acredito, participo e me reconheço nela”.
Escutar e transformar
Na prática, construir esse vínculo exige transformar escuta em ação. As experiências da Cocamar e da Arteza, apresentadas no painel Construção de relacionamento e pertencimento dos cooperados, mostraram caminhos diferentes para chegar a esse resultado. Na Cocamar, a estratégia foi estruturar uma Jornada do Cooperado, capaz de identificar pontos de satisfação e atrito e converter percepções em melhorias.
A metodologia acompanha momentos essenciais do relacionamento e utiliza indicadores de satisfação, recomendação e comentários dos produtores. “Eu não estou olhando para o negócio e perguntando o que está bom e o que precisa melhorar. Eu estou perguntando para o meu cooperado o que está bom e o que precisa melhorar”, explicou João Sadao, gerente de Cooperativismo e Experiência do Cliente da cooperativa.
A escuta, entretanto, precisa gerar consequências. Segundo ele, quando alguém aponta um problema, cria também a expectativa de que algo será feito. Por isso, a cooperativa estruturou uma governança para acompanhar os temas prioritários e implementar planos de melhoria. Outro aprendizado foi a conexão entre as experiências de cooperados e colaboradores. “A experiência do cooperado, no fim das contas, é conduzida pela experiência do colaborador”, acrescentou.
Na Arteza, o pertencimento nasceu da transformação de uma comunidade. Criada em 1998 por 28 curtidores e artesãos em Cabaceiras, no Cariri paraibano, a cooperativa ajudou a transformar uma atividade tradicional em fonte de renda, oportunidades e reconhecimento para o território. Atualmente, reúne cerca de 80 associados e está relacionada à geração de mais de 500 empregos diretos e indiretos em um distrito com aproximadamente 1,8 mil habitantes.
“Agora eu não preciso sair mais da minha cidade. Temos a cooperativa, temos renda”, relatou Ângelo Mácio, presidente da Arteza. Para ele, o resultado dessa trajetória aparece também no orgulho dos moradores em relação à própria origem. “O individualismo pode levar você longe. Mas, quando você se une, se torna mais forte e consegue ir ainda mais longe”.
Experiência que gera resultados
A relação entre experiência e desempenho dos negócios ganhou outra perspectiva na palestra de Gisele Paula, CEO e fundadora do Instituto Cliente Feliz. Para ela, cada interação ajuda a construir a percepção que o cooperado terá da organização. “A experiência é como um baldinho. O cooperado vai colocando ali tudo o que ele vive, as coisas boas e as ruins. No final, ele olha para essa soma e avalia se valeu a pena”, explicou.
Gisele chamou atenção para dois motores de crescimento: a conquista de novos públicos e o desenvolvimento da base existente. É no segundo que as cooperativas encontram uma oportunidade relevante. Depois da adesão, o cooperado precisa perceber valor, utilizar soluções, ampliar sua participação e construir confiança até se tornar também um promotor da organização. “A resposta para a competitividade está na nossa base de cooperados”, disse. Nesse processo, pertencer precisa deixar de ser apenas um conceito. “Não basta dizer ao cooperado que ele é dono. Ele precisa sentir que é dono”.
A especialista também abordou a inteligência artificial e a digitalização do atendimento. A tecnologia pode aumentar a eficiência, mas sem criar barreiras. “O futuro é digital, mas nunca foi tão humano”, resumiu. Para ela, atendimento de excelência deve combinar humanização, capacidade de resolução e baixo esforço. E, antes de buscar grandes gestos de encantamento.
Da atenção à confiança
Para encerrar esse conjunto de reflexões, Marcelo Minutti, professor de inovação e transformação organizacional do Insper, Ibmec e FGV, levou o debate para um dos maiores desafios da comunicação contemporânea: conquistar atenção e confiança em um ambiente hiperconectado. Minutti definiu comunicação estratégica como a “gestão intencional de significados que sustentam confiança, participação e tomada de decisão”. Para ele, mensagens, valores, experiências e narrativas acumuladas ao longo do tempo constroem reputação e, consequentemente, ampliam a capacidade de influência da cooperativa.
Nesse cenário, comunicar não pode ser confundido com simplesmente publicar. O cooperado está exposto a inúmeros estímulos e inserido em redes próprias de confiança. Minutti destacou que 84% das pessoas confiam em recomendações pessoais e resumiu uma mudança relevante para as estratégias das organizações. “A voz institucional perde espaço para a voz pessoal”, argumentou.
Para as cooperativas, segundo ele, isso significa reconhecer os próprios associados, lideranças comunitárias, especialistas e outros atores como integrantes de um ecossistema de influência. “Influência não é a mesma coisa que alcance”, acrescentou. A estratégia deve identificar pessoas e grupos que já possuem legitimidade junto aos públicos e construir pontes entre a coerência da voz institucional e a credibilidade das relações pessoais.
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13/08/2026
Encontro de gerações abre caminhos para renovação
Michel Alcoforado defende intercâmbio de ideias para combinar experiência, propósito e inovação
A convivência de diferentes gerações no ambiente de trabalho deixou de ser uma escolha e passou a fazer parte da rotina das organizações. Para o antropólogo Michel Alcoforado, o desafio agora é transformar as diferenças de comportamento, comunicação e expectativas profissionais em uma oportunidade de renovação para as cooperativas.
O tema abriu a programação desta quinta-feira (13), terceiro e último dia da Semana de Competitividade 2026, promovida pelo Sistema OCB, em Brasília. Na palestra Tendências de comunicação e os conflitos geracionais, Alcoforado analisou como transformações sociais, tecnológicas e demográficas alteraram as relações de trabalho e a forma como diferentes gerações enxergam carreira, liderança e propósito. Alcoforado: "Tudo que é novo é desafiador"
Segundo o antropólogo, as organizações vivem uma situação inédita, com três, quatro e, em alguns casos, até cinco gerações dividindo o mesmo ambiente profissional. Essa convivência tende a se tornar ainda mais frequente com o envelhecimento da população e a permanência dos profissionais por mais tempo no mercado. “Você vai ter que lidar com gente que pensa diferente de você. E isso não é uma escolha”, afirmou.
Para Alcoforado, um dos principais erros é analisar as novas gerações a partir da ideia de que os comportamentos do passado eram necessariamente melhores. O discurso de que “no meu tempo era melhor”, segundo ele, dificulta a compreensão das mudanças e amplia os conflitos. “O mesmo fenômeno já ocorreu com outras gerações. Os millennials também foram recebidos com desconfiança quando começaram a ocupar espaço nas empresas, especialmente por questionarem estruturas hierárquicas e demonstrarem expectativas diferentes sobre carreira. Tudo que é novo é desafiador”, disse.
Conflito pode estimular inovação
Alcoforado defendeu que as divergências não sejam tratadas apenas como problemas. Quando administrado de forma adequada, o conflito pode evitar a acomodação das equipes e estimular novas soluções. Ele chamou esse processo de fricção produtiva: o encontro entre pessoas com experiências, referências e visões distintas que obriga uma organização a questionar práticas consolidadas. “Toda vez que temos divergência de opinião, que alguém sabe uma coisa que o outro não sabe, temos também a possibilidade de abrir caminho para inovações e novas possibilidades”, defendeu.
Para as cooperativas, segundo o antropólogo, esse processo ganha relevância porque a renovação precisa ocorrer sem que o conhecimento acumulado ao longo dos anos seja perdido. Em sua avaliação, equipes formadas apenas por pessoas com referências semelhantes correm maior risco de reproduzir as mesmas respostas para problemas que estão mudando rapidamente. “A alternativa está justamente no intercâmbio geracional: criar espaços nos quais profissionais mais experientes compartilhem conhecimento e memória institucional, enquanto os mais jovens contribuam com novas linguagens, tecnologias e formas de enxergar o trabalho”, complementou.
Experiência e memória
Ao abordar profissionais mais experientes, Alcoforado chamou atenção para uma mudança importante no mercado. Pessoas que antes estariam próximas da aposentadoria permanecem profissionalmente ativas e consideram estar justamente no período de maior capacidade de contribuição. Isso traz, de acordo com ele, mais um desafio para os processos de sucessão e renovação das lideranças. Ao mesmo tempo, representa uma oportunidade para preservar conhecimentos construídos durante décadas.
Nas cooperativas, afirmou, a memória tem valor ainda maior porque as organizações são construídas a partir de relações de longo prazo com cooperados, comunidades e setores produtivos. “A mentoria dos mais velhos é fundamental para a vida da nossa cooperativa. Com avanço da inteligência artificial, por exemplo, os jovens podem dominar rapidamente as ferramentas, mas o repertório acumulado é necessário para avaliar criticamente as respostas produzidas”.
Na análise dos millennials, Alcoforado destacou o peso atribuído ao propósito. Essa geração passou a questionar com maior intensidade não apenas o que faz profissionalmente, mas porque realiza determinado trabalho. Nesse aspecto, ele considerou que o cooperativismo parte de uma posição privilegiada em comparação com organizações que precisam construir artificialmente uma narrativa de propósito. “É mais fácil fazer isso com cooperativas, uma vez que elas têm um senso de porquê, de impacto na vida das pessoas, dos colaboradores, dos cooperados e da comunidade”, defendeu.
Para ele, a meta é transformar esse diferencial em uma experiência percebida no cotidiano. “Não basta comunicar o propósito institucional, é necessário mostrar aos profissionais como o trabalho individual contribui para os resultados coletivos”.
Autonomia para os mais jovens
Com a geração Z, a lógica muda novamente. Alcoforado apontou que os jovens valorizam autonomia, responsabilidades concretas, reconhecimento e a possibilidade de construir uma trajetória própria. Isso não significa, segundo ele, que a resposta pode estar em oferecer responsabilidades progressivas e oportunidades para que esses profissionais experimentem, proponham e percebam sua contribuição individual.
Outra característica é a construção da identidade profissional. O antropólogo destacou que parte dos jovens não pretende permanecer na mesma carreira durante toda a vida e espera que a organização também contribua para seu desenvolvimento individual. “Para as lideranças, isso exige uma relação mais próxima, com orientação, feedback e espaço para experimentação”, disse.
Comunicação entre gerações
As diferenças aparecem até nas situações mais simples de comunicação. Durante a palestra, Alcoforado usou exemplos bem-humorados sobre a maneira como pessoas de idades distintas utilizam WhatsApp, emojis, áudios, abreviações e outras ferramentas digitais. Embora estejam nas mesmas plataformas, as gerações atribuem significados diferentes às mensagens e adotam códigos próprios. No ambiente profissional, ignorar essas diferenças pode gerar ruídos, interpretações equivocadas e conflitos. Por isso, ele lembrou que as cooperativas precisam criar canais capazes de aproximar os diferentes grupos.
Ao concluir, Alcoforado relacionou o debate diretamente à capacidade de continuidade das cooperativas. Na avaliação dele, nenhuma geração, isoladamente, possui repertório suficiente para responder à velocidade das transformações atuais. “Profissionais mais experientes podem oferecer memória, conhecimento do setor e capacidade de avaliar novidades. Os millennials ajudam a reforçar propósito e conexão com a comunidade. Já os mais jovens trazem novas formas de trabalhar, maior demanda por autonomia e disposição para testar modelos diferentes”, relacionou.
A combinação dessas características, completou, deve substituir a disputa sobre qual geração trabalha melhor. “O mundo ficou complexo demais para só quem tem cabelo branco resolver, ou só para quem está cheio de cabelo na cabeça resolver. A gente precisa unir a experiência de alguém que já viu muito com a novidade de quem chegou agora”, finalizou.
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13/08/2026
CulturaCoop ganha novas soluções para fortalecer identidade e futuro
Débora Ingrisano destaca importância de transformar valores e princípios em práticas e apresentou iniciativas para memória, educação e liderança
Ser cooperativista vai além de estar associado a uma cooperativa. Envolve compreender e colocar em prática os valores e princípios do movimento nas decisões do dia a dia, fortalecer vínculos, identidade e participação. E foi justamente isso que Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, apresentou durante a palestra Cultura Coop – Precisamos ser cooperativistas, mais do que nunca!, durante a Semana da Competitividade 2026, nesta quinta-feira (13). Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB
Ao diferenciar cooperado de cooperativista, Débora reforçou que o segundo é aquele que internaliza os valores do movimento, participa ativamente, é leal mesmo em tempos de dificuldades e cobra da cooperativa a aplicação dos princípios. A apresentação destacou que a cultura só se mantém viva quando é praticada, transmitida e renovada pelas próprias pessoas que fazem parte do processo. “A memória vai além de celebrar o passado. Ela também nos ajuda a organizar o presente e projetar o futuro. Quando preservamos nossa história, fortalecemos os vínculos entre as gerações e mantemos viva a cultura cooperativista, que é construída e renovada por quem faz parte dela”, destacou Débora.
Três soluções para fortalecer a cultura
Foi a partir dessa visão que Débora apresentou três soluções que passam a integrar o portfólio sistêmico de soluções do Sistema OCB: Legado, Educação Cooperativista e Futuras Lideranças. As iniciativas estão em construção e serão finalizadas por meio de uma construção coletiva, envolvendo coops de todos os estados brasileiros, ao longo do próximo ano e meio com
A solução Legado apoiará na identificação, preservação, organização e divulgação dos acervos de memória. A proposta é que cada cooperativa encontre sua própria forma de preservar a trajetória, seja por meio de um centro de memória, museu, espaço histórico ou outras iniciativas. Entre os materiais já disponíveis estão o livro Raízes e Fundamentos do Cooperativismo – Volume 1: Legado, o documentário Pioneiros do Cooperativismo, um guia prático e o baralho Cartas para lembrar.
A segunda frente é a Educação Cooperativista, voltada à formação de profissionais capazes de atuar como educadores, utilizando metodologias e ferramentas para aproximar cooperados, colaboradores e comunidades dos valores do movimento. A iniciativa prevê capacitações, publicações, cadastro nacional de instrutores e certificação, com previsão de disponibilização no primeiro semestre de 2027. A importância dessa agenda também aparece nos resultados da pesquisa apresentada durante a Semana da Competitividade. Entre cooperados, empregados e dirigentes, Educação, Formação e Informação foi o princípio mais citado entre os três considerados mais importantes. Entre os jovens de 18 a 34 anos, o índice chegou a 62%.
Já Futuras Lideranças foi apresentada como uma jornada de formação para preparar novos líderes e ampliar a visão daqueles que já ocupam essas posições. A solução combina assessment, cursos, oficinas e mentoria, com atenção especial aos desafios de sucessão, diversidade e inclusão nas estruturas das cooperativas. A jornada prevê 98 horas de formação para futuras lideranças e 89 horas para líderes inclusivos, além de materiais de apoio, como guia metodológico, modelo de edital para seleção e orientações para assessment e mentoria.
Cultura que chega às novas gerações
A apresentação também destacou a Jogar+Aprender, estratégia digital, gratuita e acessível criada para aproximar crianças e jovens do cooperativismo de maneira lúdica. A iniciativa reúne mais de 290 ferramentas, entre vídeos, jogos, materiais para impressão, cursos e guias pedagógicos. A proposta é que os recursos possam ser utilizados em escolas, cooperativas mirins e escolares, projetos com jovens, eventos comunitários e outras iniciativas educacionais. A solução também conta com jogos como o Roblox, além de trilhas para docentes e materiais pedagógicos.
Ao apresentar as iniciativas, Débora reforçou que elas não substituem o que as cooperativas já fazem. A intenção é somar esforços, incorporar boas práticas e construir soluções que possam ser utilizadas em diferentes realidades. “Temos que ser agentes de transmissão e renovação da cultura se queremos ter cooperativistas que conheçam nossos valores, cobrem nossos princípios e sejam reais dentro das cooperativas. Ser cooperativista também é um serviço que precisamos prestar. É fazer com que essa cultura continue viva e que a gente consiga olhar para o passado, organizar o presente e projetar o futuro”, finalizou.
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13/08/2026
Educação cultiva pertencimento e futuro no cooperativismo
Conhecimento, confiança, participação e cultura ajudam a preservar a essência do movimento
Manter viva a essência do cooperativismo em organizações que crescem, recebem novas gerações e acompanham as transformações da sociedade exige intenção, aprendizado e participação. Na trilha Educação Cooperativista, da Semana de Competitividade 2026, especialistas e representantes do movimento mostraram como a educação fortalece o pertencimento, aproxima cooperados, forma novas lideranças e ajuda a transformar os valores cooperativistas em práticas capazes de atravessar gerações e preparar as cooperativas para o futuro. José Máximo Daronco, diretor geral da Escoop
A programação contou com José Máximo Daronco, diretor geral da Escoop; Hugo Andrade, coordenador de Ramos do Sistema OCB; Rogério Machado, superintendente da Fundação Sicredi; Fernanda Paiva, analista do Instituto Sicoob; Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB; Helena Soares, pesquisadora da TM20; Tania Savaget, CSO da Zaic; Cláudia Moreno, coordenadora Educacional do Sistema OCB; Itamar Vodzicki, gerente da Cresol Instituto; Thaís Cristina, coordenadora de Organização do Quadro Social na Rede Cooper; Ricardo Leite, palestrante da Resultte Educação Corporativa; e Ricardo Cappra, fundador do Cappra Institute.
Na abertura das apresentações, José Máximo destacou que a educação é fundamental para preservar a identidade cooperativista à medida que as organizações crescem. “Quanto maior a cooperativa, mais intencional precisa ser a construção de sua cultura”.
Entre os cases apresentados, Rogério Machado trouxe o Programa Crescer. Ele começou contextualizando o tamanho do Sicredi hoje, com mais de 10 milhões de associados, 99 cooperativas e 3 mil agências, para mostrar que quanto maior a cooperativa fica, maior a responsabilidade de manter os cooperados entendendo o modelo de negócio. A lógica apresentada foi direta: crescimento gera escala, escala aumenta complexidade, complexidade pode afastar o associado, e é a educação que reconecta e reengaja.
O programa Crescer, segundo ele, se estrutura numa trilha de 4 passos: sentir que pertence, conhecer o modelo, participar de fato e gerar valor coletivo, com conteúdo básico, avançado e complementar que cada cooperativa pode adaptar à sua realidade. O impacto da iniciativa é comprovado pelos números alcançados. Rogério relatou que associados formados pelo programa aumentam indicadores como ISA e principalidade em até 50% depois de 18 meses, com mais de 1 milhão de associados já formados.
"A educação cooperativista é fundamental para acompanhar o crescimento, aproximar os associados e fortalecer o sentimento de pertencimento. O crescimento constrói escala, a educação constrói pertencimento, e o pertencimento sustenta uma cooperativa”, concluiu.
Novas gerações
A formação de crianças e jovens para os valores e princípios do cooperativismo foi o foco da apresentação de Fernanda Paiva, que compartilhou a experiência do Programa Cooperativa Mirim. Ao destacar os desafios da educação diante das transformações da sociedade, ela defendeu novas formas de aprendizagem capazes de dialogar com as habilidades exigidas pelo futuro. “Temos uma escola do século XIX, um professor do século XX e um aluno do século XXI”, provocou.
O programa leva a vivência cooperativista a crianças e adolescentes de 8 a 17 anos em escolas e instituições sociais, com aprendizado prático sobre cooperação, participação e organização coletiva. Atualmente, são 170 cooperativas mirins e mais de 5,5 mil associados, distribuídos por 13 estados e presentes também em comunidades quilombolas, ribeirinhas e indígenas, além de uma Apae.
Os resultados refletem o alcance da iniciativa. Segundo Fernanda, 86% dos participantes afirmam ter aprendido como funciona uma cooperativa e 77% se sentem mais motivados a enfrentar desafios. A apresentação foi encerrada com uma reflexão de Paulo Freire sobre o papel da educação: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria construção.”
A relação entre educação e cultura foi discutida por Helena Soares e Tania Savaget. Elas apresentaram os resultados da Pesquisa Nacional de Cultura Cooperativista, que contou com 46 entrevistas em profundidade realizadas com representantes de 37 cooperativas de todas as unidades federativas do país, além de 9.761 respondentes na etapa quantitativa. O estudo identificou uma cultura marcada por confiança, lealdade e propósito, mas também desafios para ampliar sua presença. “O desafio agora é transformar essa força em participação, renovação e pertencimento”, destacou Helena.
Vivência
Ao debater o 5º princípio cooperativista, Itamar Vodzicki apresentou iniciativas educacionais da Cresol, enquanto Thaís Cristina mostrou a experiência dos Núcleos Cooper, voltados à participação e à formação de lideranças. “Numa cooperativa com milhares de cooperados, a participação não sobrevive por inércia, ela precisa de espaço, de escuta e de gente disposta a cultivá-la todos os dias”, afirmou Thaís.
Ricardo Leite abordou o papel do educador cooperativista e a importância de transformar conhecimento em vivência. “Ensinar o cooperativismo é essencial. O nosso desafio é fazer com que ele seja experimentado efetivamente cada vez mais”.
Ricardo Cappra encerrou a trilha com uma apresentação sobre os impactos do uso de dados e da inteligência artificial na cultura das organizações. Para ele, a adaptação tecnológica exige também mudanças de comportamento, ambiente e formas de decisão, sem perder de vista os valores que orientam as cooperativas. “Cultura não se implementa. Comportamento, ambiente e recursos precisam ser reconfigurados e os valores precisam orientar a transformação. Assim, a cultura se adapta”, defendeu.
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12/08/2026
Pesquisa revela desafios e avanços da cultura cooperativista no Brasil
Estudo apresentado por Fabíola Nader Motta ouviu 9.761 pessoas e mapeou a relação dos cooperados com o movimento
Como está a cultura cooperativista no Brasil hoje? Foi essa pergunta que a superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Cooperados escolhem educação, formação e informação como princípio prioritárioMotta, levou ao palco da Semana de Competitividade 2026, nesta quarta-feira (12). Pela primeira vez, o movimento conta com um diagnóstico nacional sobre a maturidade dessa cultura, construído a partir da percepção de cooperados, empregados, dirigentes e conselheiros.
A pesquisa ouviu 9.761 pessoas em todo o país. Na etapa qualitativa, foram realizadas 46 entrevistas em profundidade, em 37 cooperativas de 26 Unidades da Federação e do Distrito Federal, ampliando a compreensão sobre as percepções, experiências e desafios vividos no dia a dia do cooperativismo.
O estudo chega em um momento de forte crescimento da base. O cooperativismo passou de 15,5 milhões de cooperados em 2019 para 29 milhões em 2025, uma média de 6,1 mil novos cooperados por dia no período. Para Fabíola, o número também traz uma responsabilidade: garantir que quem chega conheça o modelo e saiba qual é seu papel. “Esses 6 mil novos cooperados todos os dias sabem que são cooperados? Eles sabem seus deveres, responsabilidades, direitos, o seu papel?”, questionou.
Quem conhece, cria vínculo
Um dos principais achados da pesquisa foi a força da relação entre cooperados e cooperativas. Entre os entrevistados, 93% afirmaram sentir o dever de honrar os compromissos assumidos com a cooperativa; 89% pretendem manter uma relação de longo prazo e o mesmo percentual recomendaria sua cooperativa a amigos ou familiares. Outros 87% mantêm a fidelidade mesmo em períodos de crise. Fabíola Nader Motta, superintendente do Sistema OCB
Por outro lado, a participação ainda é um ponto de atenção. Participar ativamente das assembleias foi o item com menor índice entre os cooperados. A falta de tempo apareceu como principal barreira, citada por 36%, seguida pela falta de informação sobre como participar, com 22%. No conjunto, três em cada dez cooperados citaram alguma barreira relacionada à informação ou ao conhecimento, índice que chega a 43% entre os cooperados do ramo Crédito.
“Quem conhece, gosta. A barreira é a comunicação e o caminho é a educação cooperativista”, resumiu Fabíola.
Educação e integração são prioridades
Os resultados também mostram que educação, formação e informação foi o princípio mais citado pelos participantes como prioridade. Entre os cooperados, 58% escolheram esse princípio como prioritário, percentual que sobe para 71% entre os empregados e chega a 57% entre os dirigentes. Entre os jovens de 18 a 34 anos, a prioridade foi apontada por 62%.
A chegada de novos integrantes foi apontada como um ponto de alerta. Na consulta realizada com os participantes durante a Semana de Competitividade, apenas 18% das cooperativas disseram ter um programa estruturado e contínuo de integração de novos cooperados. Além disso, 17% afirmaram utilizar história e memória para fortalecer a identidade cooperativa. Para Fabíola, os dados mostram que o desafio não é apenas crescer, mas fazer com que cada novo cooperado compreenda o movimento do qual passou a fazer parte.
A preocupação com a cultura cooperativista, no entanto, não é recente. Em 2023, dirigentes de todo o país responderam à Pesquisa Nacional do Cooperativismo e 65% elegeram o reforço da cultura cooperativista como uma prioridade para o futuro do movimento.
O diagnóstico apresentado agora amplia essa agenda e ajuda a indicar caminhos para transformar a prioridade em ações mais concretas de educação, comunicação, participação e preparação de novas lideranças.
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12/08/2026
O cooperativismo que transforma e amplia desenvolvimento local
Painel da Semana de Competitividade mostrou exemplos de geração de renda, inclusão e qualidade de vida
O impacto de uma cooperativa vai muito além dos resultados do próprio negócio. Quando chega a uma comunidade, o modelo pode movimentar a economia, ampliar o acesso a serviços, gerar oportunidades e estimular iniciativas que permanecem no território. O painel O impacto do coop nas comunidades, realizado nesta terça-feira (11), durante a Semana de Competitividade 2026, reforçou essa realidade.
A discussão reuniu Clara Pedroso Maffia, gerente geral de Negócios do Sistema OCB; Alison Pablo de Oliveira, pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe); Ivan Capra, presidente do Sicoob Credisul; Claudia Maria Morais, diretora financeira da Central Centro-Oeste (CCO); e Marina Stoetzer Echeverria, coordenadora da Cooperativa Agrária. Alison Oliveira, Ivan Capra, Claudia Morais, Marina Echeverria e Clara Maffia
Na abertura, Clara explicou que a proposta era mostrar como a cultura cooperativista se traduz em resultados concretos. “A ideia é falarmos um pouquinho sobre o impacto, porque essa cultura, essa forma de agir, relacionar e atuar junto com as pessoas, a partir de princípios e valores, certamente tem impacto nos municípios onde as cooperativas estão inseridas”, destacou.
O impacto que aparece nos dados
Alison apresentou os resultados de estudo desenvolvido pela Fipe em parceria com o Sistema OCB. A pesquisa mediu os efeitos da expansão do cooperativismo sobre as economias locais, ao comparar municípios que passaram a contar com novas cooperativas com aqueles sem registro dessa presença. Entre 1995 e 2025, o número de municípios atendidos por cooperativas cresceu 65%. “A expansão permitiu observar mudanças em indicadores como emprego e renda”, relatou.
A pesquisa também dimensionou a participação do cooperativismo na economia brasileira. Em 2021, os empreendimentos cooperativos estiveram associados a R$ 866 bilhões em produção de bens e serviços, R$ 164 bilhões em valor adicionado — equivalente a 6,9% do total produzido no país — e cerca de 10% dos empregos formais e informais. Segundo Alison, esse impacto está relacionado às características do próprio modelo, no qual os cooperados são donos do empreendimento, participam das decisões e compartilham os resultados gerados.
Crédito que movimenta as cidades
A experiência do Sicoob Credisul mostrou como os efeitos econômicos e sociais podem caminhar juntos. Ivan Capra apresentou exemplos de municípios onde a cooperativa participa da dinâmica econômica local e direciona parte de sua atuação para projetos definidos pela própria comunidade. “Em todas as localidades em que a comunidade nos abraça, criamos ou encampamos projetos que essa própria comunidade julga importantes e damos sequência. É um DNA, um jeito de fazer que tem dado muito certo e nos tem levado a lugares fantásticos”, pontuou. Entre os exemplos apresentados estão iniciativas nas áreas de educação, inovação, esporte, meio ambiente e saúde.
Em Vilhena (RO), a cooperativa apoiou a criação de uma estrutura educacional de 60 mil metros quadrados, com atendimento do maternal ao ensino superior. Também foi apresentado o Hospital Cooperar, construído a partir de uma mobilização entre cooperados e comunidade, posteriormente estruturado em parceria com a Unimed. “Tínhamos uma deficiência na área da saúde e resolvemos. Criamos uma associação dentro da cooperativa para construir o hospital com doações dos cooperados”, contou.
A unidade tem 12 mil metros quadrados, com área de expansão já preparada, e atende diferentes especialidades. A parceria com a Unimed permitiu a operação e o aporte de equipamentos. O dirigente também citou ações ambientais e esportivas, além da participação de jovens da região em um hackathon internacional promovido pela Nasa.
Protagonismo aos catadores
Na reciclagem, o impacto do cooperativismo aparece na organização do trabalho e na busca por melhores condições para quem vive da atividade. Claudia Marins apresentou a trajetória da Central Centro-Oeste (CCO), formada por cinco cooperativas e cerca de 279 cooperados. Criada há três anos, a iniciativa nasceu do desejo de fortalecer a atuação dos catadores e ampliar sua capacidade de negociação. “Formamos essa central para o catador se tornar protagonista de sua própria história. O catador tem que aparecer. Se ele não aparece, não tem importância para a reciclagem. Nós, catadores, sempre fomos mais esquecidos, mais excluídos. E hoje nós temos mais força graças ao cooperativismo”, relatou emocionada.
A atuação em rede também abriu espaço para novas iniciativas de capacitação e comercialização. Uma parceria com o Sescoop e a Universidade Católica de Brasília possibilitou a formação de cooperados e filhos de catadores em um curso superior de tecnologia em cooperativismo. Dos 25 participantes, 23 concluíram a formação. A central também começou a comercializar materiais de forma conjunta. Nos três meses anteriores ao painel, as cooperativas haviam vendido mais de 600 toneladas de materiais em conjunto.
O próximo passo, segundo Claudia, é ampliar a autonomia econômica das cooperativas, com participação em editais e contratos de grandes geradores e investimentos em equipamentos. A central já conta com caminhão, prensa e estrutura para ampliar a operação. “Juntos, somos mais fortes”, completou.
Uma história que começou há 75 anos
Na Cooperativa Agrária, apresentada por Marina, o compromisso com a comunidade está ligado à própria origem da organização. Fundada há 75 anos por imigrantes suábios do Danúbio, que chegaram ao Paraná após a Segunda Guerra Mundial, a cooperativa surgiu da necessidade de reconstruir a vida de centenas de famílias e garantir acesso à saúde, educação e preservação cultural.
Ao longo das décadas, esse esforço deu origem a uma estrutura que inclui hospital, escola, museu e outras iniciativas comunitárias. O hospital tornou-se referência regional e hoje realiza cerca de 70% dos atendimentos pelo SUS, com importância reforçada pela distância de aproximadamente 45 minutos até a cidade mais próxima. “Quando alguém que está com uma necessidade muito urgente, ter um hospital no local é muito importante. Salva vidas”, enfatizou Marina.
Na educação, a escola apoiada pela cooperativa atende estudantes dos dois anos de idade ao ensino médio e oferece ensino bilíngue em alemão. A atuação social inclui ainda o Programa Paz, que há mais de duas décadas mobiliza colaboradores em ações voluntárias. “Para a Agrária isso é tão importante que essa parte social hoje está dentro do planejamento estratégico da cooperativa”, finalizou.
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11/08/2026
Como está a cultura na sua coop? Palestra provoca reflexão
Jessyca Bolzan e Thais Jerônimo discutiram como valores do movimento podem ser mensurados na prática
Jessyca Bolzan e Thais Jerônimo: cultura é viva, está em movimento e se manifesta nas relações e atitudesO que faz uma cooperativa ser reconhecida como cooperativa? A resposta pode estar em pontos que, à primeira vista, parecem pequenas: na forma como um novo cooperado é recebido, na maneira como a história da organização é contada, em como as assembleias são realizadas, na relação com a comunidade ou até nos símbolos espalhados pelos espaços da cooperativa. Foi por esse caminho que Jessyca Bolzan, coordenadora de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, e Thais Jerônimo, historiadora e palestrante, conduziram, nesta terça-feira (11), a apresentação Como está a cultura na sua coop?, durante a Semana de Competitividade 2026.
A conversa partiu de características que tornam o tema desafiador: cultura é viva, está em movimento e se manifesta nas relações e atitudes. Ainda assim, segundo Thais, é possível identificar sinais concretos dessa cultura. Uniformes, símbolos, formas de comunicação, rituais, comportamentos e práticas recorrentes são alguns dos elementos que ajudam a revelar como os valores e princípios cooperativistas são vivenciados. “Nosso desafio é tornar visíveis esses sinais para entender como os valores e princípios do movimento estão presentes na vida das cooperativas”, explicou.
A pesquisadora apresentou a proposta de um mapeamento de artefatos da cultura cooperativista, que ainda será desenvolvido. A ideia é começar pelo que pode ser observado para, posteriormente, ampliar a compreensão sobre outros aspectos da cultura. “O trabalho não pretende dizer quais cooperativas tem uma cultura melhor ou pior, mas identificar práticas, padrões e iniciativas que ajudam a manter a identidade cooperativista viva”, acrescentou.
Cotidiano
Experiências compartilhadas durante a palestra ajudaram a mostrar como esses sinais podem surgir de maneiras inesperadas. Thaís citou, como exemplo, a camiseta usada pelos participantes de Santa Catarina que trazem nas costas a frase Em Santa Catarina, cooperar é cultural. Para ela, a iniciativa revelou uma manifestação da cultura cooperativista.
Outro exemplo veio de uma experiência com cooperados do Sicredi Vale do Piquiri. Durante uma celebração dos dez anos dos comitês de mulheres e jovens, uma cooperada definiu sua relação com a organização de uma forma inusitada: disse que a cooperativa tinha um “cheiro” próprio. A frase, segundo a palestrante, traduziu uma percepção que dificilmente apareceria em um indicador tradicional, mas que faz parte da experiência de quem vive aquela cooperativa.
A partir dessas manifestações, a proposta apresentada por Jéssyca e Thais, considerou cinco dimensões para observar a presença cultura nas cooperativas: comunicação e expressão; legado e memória; educação e formação; liderança e participação; e relações e vivências. “Na prática, isso significa olhar para a maneira como a cooperativa declara sua identidade, preserva e transmite sua história, educa seus públicos, prepara novas lideranças e estabelece relações com cooperados, colaboradores e comunidade. São diferentes caminhos para entender se os valores do movimento estão presentes apenas no discurso ou também nas experiências cotidianas”, descreveu Jessyca.
De cooperado a cooperativista
A discussão também levou a uma reflexão sobre o próprio significado de ser cooperado. A associação formal é o ponto de partida, mas a experiência cooperativista envolve engajamento, conhecimento e pertencimento. Participar das assembleias, compreender os valores e princípios, acompanhar as decisões e escolher a própria cooperativa como espaço de negócios são atitudes que aproximam o cooperado do movimento. Por isso, uma das perguntas deixadas para o público foi direta: se uma pessoa se tornasse cooperada hoje, quanto tempo levaria para descobrir que faz parte de um movimento diferente das demais empresas?
A resposta, segundo Jéssyca, passa pela forma como as cooperativas recebem seus novos membros. “Não basta realizar uma atividade de integração; é preciso avaliar se ela consegue transmitir o que diferencia aquela organização e qual é o papel do cooperado dentro dela. É importante entender se as ações estão, de fato, contribuindo para fortalecer a cultura cooperativista. Precisamos olhar para a forma como contamos nossa história, como promovemos a educação cooperativista e como estimulamos a participação. A cultura se constrói no cotidiano e precisa ser intencionalmente cuidada”, complementou.
Outro ponto levantado foi o papel das lideranças. Para que a cultura se mantenha viva, é necessário que o comportamento de quem lidera esteja alinhado aos valores que a cooperativa pretende transmitir. A palestra terminou com um convite. “Antes de medir ou comparar, é preciso observar o que já acontece dentro de cada organização. Como as pessoas se relacionam, quais histórias são preservadas, que práticas se repetem e de que maneira a cooperativa é percebida por quem faz parte dela”, concluiu Thais.
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