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Agenda debateu desafios, oportunidades e futuro do Ramo Infraestrutura na região
Representantes do Sistema OCB e do Sistema Ocesc percorreram, entre os dias 9 e 12 de fevereiro, um conjunto de
cooperativas permissionárias de infraestrutura no estado de Santa Catarina. O objetivo principal da agenda foi aprofundar o diálogo com dirigentes locais, conhecer de perto as realidades das cooperativas que atuam com eletrificação, distribuição e geração de energia e, em alguns casos, também com serviços de telecomunicações por meio de cooperativas limitadas controladas.
O roteiro contemplou cerca de 15 das 22 cooperativas filiadas à Federação das Cooperativas de Eletrificação Rural de Santa Catarina (Fecoerusc), entidade que representa as permissionárias de energia elétrica no estado e atua há mais de 60 anos promovendo desenvolvimento e qualidade no atendimento aos cooperados e às comunidades rurais e urbanas.
O diálogo com as cooperativas ocorreu em diferentes regiões catarinenses, do centro ao norte e ao sul do estado, em encontros considerados ricos e intensos pelos participantes. Os dirigentes puderam expor suas “dores” cotidianas, discutir perspectivas de investimentos, e compartilhar práticas de gestão que têm fortalecido a atuação no setor de infraestrutura.
“Essa agenda nos permitiu ouvir de perto as demandas dos dirigentes, compreender os desafios regulatórios e operacionais
e, sobretudo, fortalecer a integração com o Sistema OCB para construir soluções conjuntas. Nosso papel é apoiar essas cooperativas na modernização da gestão, na qualificação técnica e na ampliação de investimentos, garantindo que continuem sendo protagonistas no desenvolvimento regional e na transição para uma matriz energética cada vez mais sustentável”, afirmou Hugo Andrade, coordenador de Ramos do Sistema OCB.
Fundadas majoritariamente na década de 1960, muitas dessas cooperativas desempenham papel essencial na vida de moradores e produtores rurais. A Federação reúne cooperativas que, juntas, atendem mais de 1 milhão de pessoas em 82 municípios e operam mais de 22 mil quilômetros de redes elétricas, além de engajar iniciativas de geração distribuída e uso de fontes renováveis.
Estratégias
Durante as conversas, também foram debatidas pautas estratégicas que impactam o setor, como os efeitos de políticas públicas recentes; benefícios fiscais que incentivam investimentos em redes e subestações; e a crescente necessidade de qualificação técnica e gestão moderna. Em Santa Catarina, a atualização da Política Estadual de Apoio às Cooperativas de Energia Elétrica permitiu a liberação de recursos estaduais, fruto da articulação conjunta entre cooperativas e governo, para fortalecer a infraestrutura energética e ampliar a capacidade de atendimento das comunidades.
Os cooperativistas destacaram que a aproximação com o Sistema OCB é uma oportunidade para ampliar a troca de experiências com outros ramos e sistemas cooperativos, além de captar soluções que podem ser adaptadas às necessidades locais.
A agenda integrou uma série de visitas presenciais que a área de Gestão Técnica do Sistema OCB vem realizando pelo país para ouvir as demandas dos cooperativistas, mapear desafios operacionais, identificar oportunidades de negócios e apresentar soluções que o cooperativismo nacional tem desenvolvido em conjunto com seus pares regionais. Antes de chegar a Santa Catarina, a equipe esteve, em anos anteriores, em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.
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Entidade acompanha discussões e reforça necessidade de atuação conjunta do setor produtivo
O Sistema OCB participou, nesta quarta-feira (11), de reunião promovida pela Comissão Trabalhista do Instituto Pensar Agro (IPA) para discutir a modernização da jornada de trabalho. O encontro reuniu representantes de diferentes segmentos do setor produtivo, além de confederações patronais e entidades setoriais, em um esforço multissetorial para avaliar cenários e alinhar estratégias.
A discussão ocorreu em meio à tramitação de propostas que tratam do fim da escala 6x1 e da redução da carga horária semanal. Para o Sistema OCB, o debate exige cautela e responsabilidade institucional, sobretudo no que se refere às particularidades de cada segmento econômico.
“A modernização das relações de trabalho é um tema legítimo e necessário, mas precisa ser conduzida com equilíbrio, diálogo e base técnica. O cooperativismo, por exemplo, atua em diferentes realidades econômicas e sociais, e qualquer mudança deve considerar essa diversidade”, afirmou a presidente executiva do Sistema OCB e presidente do IPA, Tania Zanella.
Segundo ela, a construção de soluções passa pelo diálogoentre os setores e pelo fortalecimento da negociação coletiva como instrumento capaz de conciliar proteção ao trabalhador e viabilidade econômica. “Defendemos uma atuação conjunta e estratégica do setor produtivo. O caminho mais seguro é aquele que respeita as especificidades de cada atividade e garante relações de trabalho harmoniosas”, acrescentou.
O sociólogo e professor José Pastore participou do debate e alertou que a redução da jornada por imposição legal pode desencadear uma série de ajustes econômicos nos empreendimentos, especialmente onde não houver capacidade de absorver o aumento do custo do trabalho. Entre os possíveis efeitos, ele citou o repasse de despesas aos preços; a substituição de trabalhadores e o aumento da rotatividade; a aceleração da automação como alternativa para conter custos e até a redução da escala produtiva, com impactos sobre crescimento e emprego.
Pastore também chamou atenção para ocupações remuneradas por comissão ou produtividade, nas quais a diminuição da jornada, sem reequilíbrio do modelo, pode resultar em queda de renda. Em contraponto, defendeu que a tendência internacional aponta para a redução da jornada por meio da negociação coletiva, e não por imposição legal. Para ele, o Brasil já dispõe de instrumentos de flexibilização e compensação.
Ao final, as entidades destacaram a importância de consolidar dados técnicos e estimativas de impacto que ajudem a dimensionar os efeitos das propostas para o setor produtivo e para a sociedade. Também ressaltaram a necessidade de qualificar o debate público com informações consistentes, evitando simplificações e leituras polarizadas.
O Sistema OCB segue acompanhando a pauta com prioridade e participando das articulações institucionais, com o objetivo de mitigar riscos ao modelo cooperativista e contribuir para uma agenda trabalhista que promova segurança jurídica e desenvolvimento sustentável.
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Estudo apresentado no 8º EBPC mostra impacto em municípios de pequeno porte entre 2016 e 2022
O artigo Impacto das cooperativas de crédito na inclusão financeira dos municípios do Norte e Nordeste do Brasil, apresentado no 8º Encontro Brasileiro de Pesquisadores em Cooperativismo (EBPC), mostra que a presença dessas instituições tem ampliado de forma consistente o acesso a serviços financeiros em municípios das duas regiões, especialmente os de pequeno porte, onde a bancarização ainda é limitada.
O estudo analisou cidades com até 50 mil habitantes entre 2016 e 2022 para responder a uma questão central: municípios com cooperativas apresentam níveis mais altos de inclusão financeira do que aqueles sem instituições financeiras? Segundo os autores Valéria Gama Fully Bressan, Gustavo Henrique Dias Souza e Marcelo Henrique Shinkoda, a resposta é positiva.
Os pesquisadores aplicaram o método de Pareamento por Escores de Propensão (PSM), comparando municípios com características socioeconômicas semelhantes. O impacto foi medido pelo Índice de Inclusão Financeira (IIF), que avalia acesso e uso de serviços financeiros.
Os resultados apontam efeitos positivos e estatisticamente significativos na região Norte entre 2017 e 2022. O avanço chegou a 8,14 pontos percentuais em 2018, desempenho superior ao de municípios atendidos exclusivamente por bancos. No Nordeste, os impactos também foram relevantes entre 2017 e 2021, com destaque também para 2018, quando o aumento aproximado foi de 3,91 pontos percentuais.
O estudo também identificou mudanças no mapa institucional dessas regiões. O número de municípios atendidos apenas por cooperativas dobrou no Norte, passando de 16 para 32, e cresceu de 28 para 45 no Nordeste. Já as localidades com presença exclusiva de bancos diminuíram, indicando expansão territorial do cooperativismo financeiro.
Apesar da persistência de áreas com baixos níveis de inclusão em partes do Amazonas, do Pará e em municípios nordestinos, houve melhorias localizadas, como em trechos do Amazonas e da Bahia. Em alguns casos, a coexistência de cooperativas e bancos gerou impactos ainda maiores, embora com menor intensidade após 2020.
O estudo evidencia que o cooperativismo financeiro se consolida como instrumento relevante para políticas públicas de inclusão, planejamento territorial e cidadania financeira. Dados do Banco Central reforçam esse movimento: a presença das cooperativas passou de 23,3% para 30,2% nos municípios do Norte e de 10% para 12,5% no Nordeste entre 2017 e 2021. No mesmo período, os Postos de Atendimento Cooperativo cresceram 41,23%.
Os autores ressaltam, contudo, limitações como o recorte em municípios de pequeno porte e a menor disponibilidade de dados sobre digitalização. Ainda assim, defendem o monitoramento contínuo da atuação cooperativista e o fortalecimento de estratégias de educação financeira para ampliar os avanços observados.
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Edição registrou crescimento em iniciativas, voluntários e alcance territorial
A edição 2025 do Dia de Cooperar (Dia C) obteve recorde em ações de voluntariado no cooperativismo brasileiro. Com crescimento expressivo em todos os indicadores, a campanha beneficiou quase 4 milhões de pessoas em todas as regiões do país, por meio de ações realizadas por mais de mil cooperativas, com apoio das Organizações Estaduais do Sistema OCB.
O Dia C é um movimento nacional de voluntariado que mobiliza cooperativas de todo o país na realização de ações sociais
voltadas às comunidades onde estão inseridas, colocando em prática o sétimo princípio do cooperativismo: o Interesse pela Comunidade. Ao longo de 2025, as iniciativas desenvolvidas no âmbito do Dia C e de outras frentes do cooperativismo brasileiro alcançaram os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, com maior concentração em ações ligadas à saúde e bem-estar, educação de qualidade e parcerias para o desenvolvimento.
Em comparação com 2024, houve aumento de 37% no número de iniciativas, que passou de 6.017 para 8.215 ações sociais ao longo do ano. O engajamento voluntário também ganhou força, com crescimento de 33% no número de participantes, saltou de 131 mil para 174 mil voluntários mobilizados.
Outro destaque da edição de 2025 foi a ampliação do alcance territorial. As ações do Dia C chegaram a 2.211 municípios, 15% a mais do que no ano anterior, o que representa aproximadamente 40% das cidades brasileiras. A participação das cooperativas acompanhou esse movimento subindo de 1.020 para 1.091, um incremento de 7%.
Para o presidente do Conselho de Administração da Unidade Nacional do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, os números refletem o papel do cooperativismo no atendimento as comunidades. “Os resultados do Dia C 2025 mostram a força do cooperativismo como agente de transformação social”.
O ciclo da campanha para o Dia de Cooperar 2026, com o tema Quando a escolha é cooperar, o mundo gira melhor, é de 09 de fevereiro a 15 de janeiro de 2027. A celebração nacional do Dia C ocorre sempre no último sábado de agosto em alusão do Dia do Voluntário, este ano, marcada para 29 de agosto.
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Sistema OCB participa de debates sobre inclusão, justiça social e acesso a financiamentos
O cooperativismo brasileiro participou das discussões internacionais sobre desenvolvimento social esta semana. A superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, participou de dois momentos estratégicos da 64ª sessão da Comissão para o Desenvolvimento Social das Nações Unidas, realizada na sede da ONU, em Nova York. O primeiro foi no Fórum Multistakeholder da Comissão, nesta quinta-feira (5), e o segundo, um evento paralelo promovido pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI), nesta sexta-feira (6).
O primeiro encontro reuniu lideranças globais para debater caminhos capazes de reduzir a pobreza, gerar empregos e
construir sociedades mais inclusivas, com atenção especial ao papel de modelos econômicos baseados na cooperação. Durante painel dedicado a parcerias e modelos de financiamento, Fabíola destacou que ampliar soluções locais exige instrumentos financeiros conectados às realidades das comunidades.
Segundo ela, nesse contexto, as cooperativas devem ser vistas como parceiras estratégicas na arquitetura de financiamento dos países. “Elas são parceiras com raízes profundas nas comunidades e capacidade comprovada de gerar empregos, inclusão e resiliência onde isso mais importa”, afirmou.
Experiência nacional
A superintendente também ressaltou que a experiência brasileira demonstra como o reconhecimento institucional e marcos regulatórios adequados permitem que o crédito alcance pequenos negócios, produtores rurais e territórios historicamente menos atendidos pelo sistema financeiro tradicional. “Hoje, as cooperativas de crédito brasileiras atendem mais de 20 milhões de pessoas, somam cerca de R$ 885 bilhões em ativos e estão presentes como única instituição financeira em 469 municípios”, declarou.
Fabíola chamou atenção para a importância da parceria entre cooperativas e poder público. De acordo com ela, políticas consistentes e representação institucional fortalecem o ambiente de negócios e permitem que o modelo cooperativo cresça com estabilidade. “No Brasil, aprendemos algo simples: quando governos tratam o financiamento cooperativo como parte de sua estratégia nacional, mais recursos chegam ao nível local e o impacto social se amplia”.
Outro exemplo citado foi a atuação conjunta com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Fabíola lembrou que, entre 2023 e junho de 2025, o banco aprovou R$ 96 bilhões em financiamento verde, sendo 73% das operações realizadas por meio de bancos cooperativos e cooperativas de crédito.
Justiça social
No segundo compromisso da agenda, o evento organizado pelo Comitê para a Promoção e o Avanço das Cooperativas
(Copac) debateu como cooperativas e organizações da economia social e solidária podem transformar compromissos globais em políticas concretas para reduzir desigualdades e fortalecer o desenvolvimento sustentável.
Fabíola destacou que o cooperativismo tem papel essencial para aproximar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da realidade. “Quando falamos dos desafios globais, é fácil permanecer no nível dos grandes conceitos. Mas é nas cooperativas que esses objetivos se tornam reais, pessoas se unem para superar barreiras de acesso a mercados, financiamento e serviços essenciais”, afirmou.
Segundo ela, baseadas na governança democrática e na solidariedade, as cooperativas promovem inclusão, ampliam o acesso ao crédito, geram trabalho decente e ajudam a manter a riqueza nas comunidades. Também contribuem para o empoderamento feminino, tema que ganha ainda mais relevância com o Ano Internacional da Mulher Agricultora, em 2026.
A superintendente ressaltou ainda que o impacto do modelo depende de um ambiente regulatório favorável. “Essa escala não é apenas resultado de boas intenções. Ela depende de políticas públicas que criem condições para que as cooperativas invistam, inovem e ampliem seus serviços”, explicou.
Ao encerrar, Fabíola convocou os Estados-membros da ONU a reconhecerem o cooperativismo como parceiro estratégico do desenvolvimento. “Precisamos tratar as cooperativas não como exceções, mas como aliadas da inclusão social, da sustentabilidade e do crescimento econômico”, concluiu.
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Encontro tratou de acesso ao financiamento, capacitação e aperfeiçoamento do crédito rural
Nesta quarta-feira (4), o Sistema OCB se reuniu com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Banco do Brasil (BB) para debater temas relacionados ao crédito, com foco no fortalecimento do acesso das cooperativas da agricultura familiar às linhas de financiamento. O encontro faz parte da agenda de diálogo institucional voltada à construção de soluções que ampliem a inclusão produtiva e a segurança alimentar no país.
A reunião contou com a presença da secretária de Abastecimento, Cooperativismo e Soberania Alimentar do MDA, Ana Terra Reis, e do vice-presidente de Agronegócio e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt. Pelo Sistema OCB, participaram a presidente executiva, Tania Zanella, a gerente geral, Clara Maffia, e o gerente Técnico e Econômico, João Prieto.
Durante a agenda, foram discutidas as condições de acesso ao crédito por parte das cooperativas da agricultura familiar, bem como a importância da capacitação desse público, considerado estratégico para a produção de alimentos no Brasil. Atualmente, a agricultura familiar representa 71,2% do quadro social das cooperativas agropecuárias brasileiras.
Para Tania, o fortalecimento do crédito é um passo essencial para ampliar a capacidade produtiva da agricultura familiar e garantir maior estabilidade aos produtores. “As cooperativas têm papel estratégico na eficiência da uttilização e capilaridade de recursos ao setor rural , principalmente por oferecerem assistência técnica e promoverem organização produtiva. Quando fortalecemos essas estruturas, contribuímos diretamente para a segurança alimentar do país e para o desenvolvimento sustentável das comunidades rurais”, afirmou.
O Sistema OCB também destacou o papel das cooperativas como aliadas das políticas públicas voltadas ao setor, com destaque na orientação aos produtores e na promoção da gestão eficiente das atividades produtivas. “O cooperativismo transforma a realidade da agricultura familiar ao gerar escala, competitividade e melhores condições de comercialização para todos os perfis de agricultores. Nosso compromisso é seguir atuando em diálogo com o poder público e as instituições financeiras para aprimorar instrumentos que atendam às necessidades do campo”, acrescentou Tania.
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Primeira edição do ano reuniu Aneel e MME para alinhar pautas e ampliar diálogo com coops de energia
Nesta quarta-feira (04), o Sistema OCB realizou a primeira edição de 2026 do Programa Portas Abertas. A iniciativa recebeu representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Ministério de Minas e Energia (MME), incluindo o
Foto: Divulgação MMESecretário Nacional de Energia Elétrica do MME, João Daniel, e o Superintendente de Mediação Administrativa da Aneel, André Ruelli, para uma agenda voltada ao desenvolvimento do Ramo Infraestrutura e ao avanço do cooperativismo de energia no país.
Na abertura, a gerente geral de Negócios do Sistema OCB, Clara Maffia, deu as boas-vindas aos participantes e ressaltou a
importância do Portas Abertas como espaço de aproximação institucional e construção conjunta de soluções. “Criar espaços de escuta e cooperação é essencial para que possamos antecipar desafios, aproveitar oportunidades e garantir um ambiente cada vez mais favorável ao desenvolvimento das cooperativas”, afirmou em sua fala.
A apresentação institucional foi conduzida pelo coordenador de Ramos, Hugo Andrade. “O Sistema OCB trabalha para garantir que as cooperativas tenham um ambiente regulatório adequado para crescer com segurança, competitividade e reconhecimento do seu papel no desenvolvimento do país”, destacou.
Energia cooperativa em crescimento
Na sequência, a analista Thayná Côrtes trouxe um panorama do Ramo Infraestrutura com dados atualizados, funcionamento do segmento de energia e as principais demandas acompanhadas pelas câmaras temáticas de Distribuição e Geração Distribuída (GD). “As cooperativas de energia tem papel estratégico na expansão do acesso, na modicidade tarifária e na construção de um sistema elétrico mais equilibrado. Nosso desafio é garantir segurança regulatória para sustentar esse avanço”, relatou.
Durante a apresentação, também foram abordados estudos sobre cooperativas permissionárias e autorizadas, o mapeamento dos principais desafios do segmento, materiais de orientação e as perspectivas para o Fórum Latino-Americano de Energia Cooperativa 2026.
Convênios para projetos de impacto nacional
A coordenadora Maria do Carmo apresentou o processo convênios do Sescoop Nacional como uma ferramenta estratégica
para viabilizar projetos estruturantes e de alcance nacional. Com recursos previstos para 2026, a iniciativa apoia ações nas áreas de educação, capacitação e consultoria especializada. “Os convênios são um instrumento para transformar prioridades estratégicas em projetos concretos, com potencial de gerar impacto sistêmico e fortalecer todo o cooperativismo”, explicou.
Como exemplo prático dessa atuação, as cooperativas de distribuição de energia do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina concluíram, no fim do ano passado, um projeto de convênio executado entre 2023 e 2025 voltado ao estudo da abertura do mercado livre de energia, tema inserido no contexto do sandbox regulatório da Aneel. A iniciativa contribuiu para ampliar o conhecimento técnico do segmento e apoiar a preparação das cooperativas diante das mudanças no setor elétrico.
Agora, o grupo se mobiliza para submeter uma nova proposta, também direcionada à pauta regulatória da Agência. O movimento reforça o compromisso das cooperativas com o aprimoramento do ambiente regulatório e com uma atuação cada vez mais qualificada frente às transformações do mercado de energia.
Sustentabilidade como vetor de competitividade
Encerrando a agenda, a analista de sustentabilidade Laís Nara apresentou as iniciativas do Programa ESGCoop, com destaque para o piloto de energias renováveis, a Solução de Eficiência Energética, o Programa de Negócios e os indicadores ESG do Ramo Infraestrutura. Ações que buscam apoiar as cooperativas na estruturação da governança, no planejamento estratégico e financeiro e na identificação de novas oportunidades de receita, ao mesmo tempo em que fortalecem o compromisso ambiental do setor. “Quando a cooperativa investe em eficiência energética e gestão sustentável, ela reduz custos, aumenta sua competitividade e se posiciona melhor em um mercado cada vez mais atento às práticas ESG”, ressaltou.
O Programa
O Portas Abertas é uma iniciativa do Sistema OCB que aproxima o coop de autoridades e instituições estratégicas ao criar um espaço de diálogo sobre temas prioritários para o setor. A proposta é apresentar a atuação das cooperativas, compartilhar demandas e construir caminhos conjuntos para impulsionar o desenvolvimento do país.
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Presidente executiva do Sistema OCB participou da Convenção dos Delegados do MaxiCrédito
A presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, participou da Convenção dos Delegados do Sicoob MaxiCrédito, realizada na Serra Gaúcha, no último sábado (31). O evento reuniu lideranças, dirigentes e representantes da cooperativa financeira para debater resultados, desafios e perspectivas para o futuro do cooperativismo de crédito.
Durante sua palestra, Tania destacou o papel estratégico das cooperativas financeiras no fortalecimento da economia regional, na ampliação do acesso ao crédito e na promoção do desenvolvimento sustentável das comunidades onde atuam.
Segundo ela, o cooperativismo de crédito tem se consolidado como um dos principais instrumentos de inclusão financeira no país, especialmente em municípios de pequeno e médio porte. “O cooperativismo financeiro gera oportunidades, estimula o empreendedorismo local e mantém os recursos circulando nas próprias comunidades, fortalecendo a economia regional”, afirmou.
Tania também ressaltou a importância da governança cooperativista e da participação ativa dos cooperados nas decisões estratégicas. Para ela, esse modelo é um diferencial competitivo que garante solidez às cooperativas, mesmo em cenários econômicos desafiadores. “A governança democrática é um dos pilares que sustentam o sucesso das cooperativas. Quando os cooperados participam, acompanham e decidem, a cooperativa se fortalece, ganha legitimidade e amplia sua capacidade de gerar impacto positivo”.
Ela ainda enfatizou que o bom desempenho das cooperativas financeiras nos últimos anos é resultado de uma atuação responsável, alinhada às necessidades reais dos cooperados e às demandas dos territórios. Nesse contexto, ela reforçou a importância da integração entre cooperativas, sistemas e entidades representativas para o avanço do movimento no país. “O crescimento consistente do cooperativismo de crédito mostra que é possível conciliar solidez financeira, inclusão e desenvolvimento. Esse é um modelo que responde aos desafios do presente e aponta caminhos sustentáveis para o futuro”, concluiu.
Com atuação em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, o Sicoob MaxiCrédito é uma das maiores cooperativas financeiras do Sistema Sicoob. A instituição reúne mais de 250 mil cooperados, está presente em mais de 60 municípios e construiu uma trajetória marcada pelo crescimento sustentável, pela proximidade com os cooperados e pelo compromisso com soluções financeiras justas e humanas.
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Iniciativa permite acompanhar implementação do novo sistema tributário e antecipar desafios
Foi lançado, nesta terça-feira (03), o Monitor da Reforma Tributária sobre o Consumo. A iniciativa reúne frentes parlamentares e representantes do setor produtivo para identificar desafios, esclarecer dúvidas e contribuir com a regulamentação do novo modelo.
O Presidente da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), deputado federal Arnaldo Jardim (SP), destacou que o
espaço nasce com a missão de fortalecer o diálogo institucional e trazer mais segurança para o ambiente de negócios durante a transição. “Nós queremos diálogo com o Executivo. A função é antecipar problemas e dirimir dúvidas para que a implementação ocorra com mais clareza e menos riscos para quem produz”.
Segundo o parlamentar, o monitor retoma uma experiência já utilizada durante a tramitação da reforma e deve funcionar como um ambiente técnico de apoio às entidades e aos especialistas que acompanham o tema. “A ideia é que seja um espaço de elucidação, com participação de especialistas e entidades, para garantir regras claras, especialmente em temas como definição de insumos, créditos para assegurar a não cumulatividade e obrigações acessórias necessárias à operacionalização do sistema”.
Durante o lançamento, Arnaldo também apontou temas que já despertam atenção entre os setores produtivos, como possíveis atrasos em ressarcimentos e compensações, riscos de glosas por formalidades e a necessidade de regulamentações específicas, a exemplo do Imposto Seletivo. “A demora nesses encaminhamentos tem causado apreensão. São normas que precisam ser estabelecidas porque impactam diretamente o planejamento das empresas”, explicou.
A proposta é que o grupo realize reuniões quinzenais para consolidar informações e acompanhar a evolução das medidas, permitindo ajustes ao longo do processo de implementação.
Ainda de acordo com Arnaldo Jardim, o monitor reforça a cooperação entre Parlamento, governo e economia real em um dos momentos mais relevantes para o sistema tributário brasileiro. “Estamos reeditando uma experiência bem-sucedida para acompanhar, passo a passo, a implementação da reforma. O objetivo é garantir que eventuais entraves sejam identificados com antecedência e tratados de forma coordenada”.
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Sessão solene marcou início do ano legislativo. Expectativas para o cooperativismo são positivas
Foi realizada, nesta segunda-feira (2), a sessão solene de abertura oficial dos trabalhos legislativos do Congresso Nacional. A cerimônia, que ocorreu no plenário da Câmara dos Deputados, marcou o início da 4ª sessão legislativa da 57ª legislatura, conforme previsto na Constituição Federal. O ato simboliza a retomada das atividades parlamentares e dá início a um novo ciclo de debates e deliberações que irão orientar o país ao longo de 2026.
A cerimônia foi conduzida pelo presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, e contou com pronunciamentos do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin.
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em seu discurso, Alcolumbre ressaltou o papel do Parlamento na aprovação de medidas estruturantes e destacou que o objetivo do Congresso é “melhorar de forma concreta a vida da população brasileira”. Segundo ele, em 2025 foram tomadas decisões fundamentais para o país, com avanço de agendas consideradas prioritárias. “Aprovamos leis que impactam positivamente a vida de milhões de brasileiros. Demos passos decisivos na regulamentação da reforma tributária, tornando o sistema mais simples, previsível e eficiente”, afirmou. O senador também destacou a criação de um ambiente mais favorável ao empreendedorismo e à geração de empregos, além da aprovação de medidas de justiça fiscal, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais.
Já Hugo Motta manifestou expectativa de que o Parlamento mantenha o ritmo de entregas à sociedade. “Que 2026 continue sendo um ano de entregas ao país, atendendo sempre às expectativas da população em sintonia com as ruas. E que nós, parlamentares, sigamos transformando a esperança das pessoas em realidade”, declarou. Motta acrescentou que cabe ao Congresso, “soberano e independente”, perseguir esse caminho com a votação de propostas de interesse nacional e com a destinação de emendas parlamentares a regiões que, muitas vezes, estão fora do alcance imediato das políticas públicas.
Para o Sistema OCB, o início do ano legislativo traz boas expectativas para o cooperativismo, especialmente diante do ambiente de diálogo construído ao longo de 2025 e das conquistas alcançadas no Congresso Nacional no último ano. Entre os avanços, destacam-se a defesa da segurança jurídica das cooperativas, o fortalecimento do reconhecimento do modelo cooperativista em políticas públicas e o avanço de pautas relacionadas ao crédito, ao desenvolvimento sustentável e à competitividade do setor.
Segundo o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, a abertura dos trabalhos legislativos representa um momento estratégico para o país e para o cooperativismo. “É o início de um novo ciclo de oportunidades. O cooperativismo chega a este ano legislativo fortalecido pelas conquistas de 2025 e confiante na construção de soluções que promovam desenvolvimento, segurança jurídica e inclusão econômica”, afirmou.
Ao longo de 2025, o Sistema OCB manteve presença ativa no Parlamento, com acompanhamento técnico da tramitação de projetos de interesse do cooperativismo, articulação com frentes parlamentares e diálogo permanente com lideranças políticas, o que contribuiu para consolidar o cooperativismo como um ator relevante nas discussões sobre desenvolvimento econômico e social.
Na avaliação da presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, o cenário para 2026 é de continuidade do diálogo institucional e avanço nas pautas estratégicas. “Entramos em 2026 com boas expectativas. O diálogo construído no último ano com o Parlamento trouxe avanços importantes para o cooperativismo, e nossa atuação seguirá focada em contribuir tecnicamente para uma agenda legislativa alinhada ao desenvolvimento sustentável e à realidade das cooperativas brasileiras”, destacou.
A sessão também foi marcada pela apresentação da Mensagem Presidencial ao Congresso Nacional. O documento traz um balanço das ações do governo federal em 2025 e aponta 2026 como um ano decisivo para a consolidação de reformas econômicas, a implementação da reforma tributária e o avanço de agendas ligadas à transição ecológica, ao fortalecimento do crédito, à ampliação dos investimentos produtivos e às políticas de educação, inclusão social e inovação. O texto ainda reforça a importância do diálogo entre os Poderes para garantir estabilidade democrática e segurança jurídica, além de destacar prioridades como a ampliação do acesso a mercados internacionais, o aprimoramento do ambiente de negócios, o enfrentamento ao crime organizado, a regulação do trabalho mediado por plataformas digitais e iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável.
Ao longo da mensagem, as cooperativas são mencionadas como parceiras na execução de políticas públicas, especialmente em ações de desenvolvimento social, produção agropecuária e sustentabilidade territorial.
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Pesquisa do 8º EBPC mostra que coops mais rentáveis tendem a ter mais mulheres na governança
O artigo Desempenho Financeiro e a Participação das Mulheres no Conselho de Administração de Cooperativas Agropecuárias Brasileiras, apresentado e premiado na oitava edição do Encontro Brasileiro de Pesquisadores em Cooperativismo (8º EBPC), evidenciou que o resultado econômico das cooperativas agropecuárias pode ser um fator decisivo para ampliar a participação feminina nos conselhos de administração.
O estudo assinado por Luis Felipe Orsatto e Clea Beatriz Macagnan parte de uma inversão da lógica mais comum na literatura acadêmica. Em vez de investigar se a diversidade melhora o desempenho, os autores analisam se cooperativas com melhores resultados econômicos tendem a incorporar mais mulheres em seus conselhos, como resposta a expectativas sociais, pressões institucionais e busca por legitimidade. A análise foi baseada em dados de 213 cooperativas agropecuárias brasileiras, totalizando 426 observações referentes aos anos de 2021 e 2022.
Os resultados revelaram um cenário de baixa representatividade feminina na governança: a proporção média de mulheres nos conselhos de administração foi de apenas 4,87%. Em 319 observações, não havia nenhuma mulher ocupando assento no conselho, e apenas um caso registrou paridade de gênero. Ainda assim, a análise econométrica identificou uma associação positiva e estatisticamente significativa entre o desempenho financeiro, medido pelo Retorno sobre Ativos (ROA), e a maior participação feminina nos conselhos.
De acordo com o modelo de regressão utilizado, cooperativas com melhor desempenho financeiro apresentam maior propensão a incluir mulheres em seus órgãos de decisão. Para os autores, o resultado sugere que organizações mais rentáveis ganham visibilidade e passam a sofrer maior pressão para adotar práticas alinhadas às expectativas contemporâneas de inclusão e diversidade. “O desempenho atua como um sinal de capacidade e abertura institucional”, apontam os pesquisadores.
O estudo também indicou que organizações mais antigas tendem a apresentar menor participação feminina nos conselhos, possivelmente em função da manutenção de normas históricas e padrões de governança consolidados ao longo do tempo. As demais variáveis analisadas, como tamanho do conselho, número de associados, ativo total e nível de endividamento, não apresentaram significância estatística na amostra.
Embora o modelo tenha capacidade explicativa limitada, os autores destacaram que os resultados contribuem para o debate sobre diversidade e governança no cooperativismo agropecuário brasileiro.
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Sistema OCB participou de evento no Ministério dos Transportes para alinhar soluções ao setor
O Sistema OCB participou, nesta segunda-feira (27), da 4ª Reunião do Fórum Permanente para o Transporte Rodoviário de Cargas (Fórum TRC), realizada no Ministério dos Transportes. O encontro reuniu representantes dos diversos elos da cadeia logística. O Fórum contou com a participação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e de outros órgãos estratégicos, além de transportadores autônomos, empresas de transporte, embarcadores e entidades representativas.
Para o analista do Sistema OCB, Tiago Barros, a reunião representou um avanço importante na consolidação de um ambiente
de diálogo permanente e estruturado. “O Fórum TRC é um espaço estratégico para o alinhamento entre poder público e setor produtivo. A participação do Sistema OCB permitiu levar ao centro do debate a realidade das cooperativas de transporte. O fortalecimento desse diálogo é essencial para a construção de soluções regulatórias equilibradas e sustentáveis para o setor”, avaliou.
Ao longo da programação, os participantes debateram temas que impactam diretamente a rotina de quem atua nas estradas. Um dos destaques foi a apresentação do superintendente de Fiscalização da ANTT (Sufis), Hugo Leonardo Cunha Rodrigues, que compartilhou dados atualizados sobre a fiscalização do piso mínimo de frete e os desafios relacionados ao cumprimento da política.
Na sequência, a superintendente substituta de Cargas e Multimodal da ANTT, Gizelle Coelho Netto, apresentou os principais pontos levantados durante a consulta pública sobre a metodologia de cálculo do frete. A exposição evidenciou a importância da escuta qualificada do mercado e da participação dos agentes do setor no aperfeiçoamento das normas regulatórias.
Questões ligadas à infraestrutura e às condições de permanência dos motoristas nas rodovias também estiveram na pauta. Maria Campos Porto, do Ministério dos Transportes, detalhou a metodologia de implantação dos Pontos de Parada e Descanso (PPDs) do DNIT, iniciativa fundamental para garantir melhores condições de trabalho, segurança viária e cumprimento da legislação trabalhista.
Durante o Fórum os participantes ainda contaram com a apresentação do programa MOVER pelo Coordenador Geral de Regulamentos Técnicos e Mobilidade Sustentável do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O Programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER), instituído pela Lei nº 14.902, de 27 de junho de 2024, sucedeu o Rota 2030 e tem a finalidade de apoiar o desenvolvimento tecnológico, a competitividade global, a integração nas cadeias globais de valor, a descarbonização e o alinhamento a uma economia de baixo carbono no ecossistema produtivo e inovador de automóveis, de caminhões, de ônibus, de chassis com motor, de máquinas autopropulsadas e de autopeças. Criado em 2014, o Fórum Permanente para o Transporte Rodoviário de Cargas nasceu com a missão de ser um canal oficial de interlocução entre governo e setor produtivo, contribuindo para a prevenção de crises e para a formulação de políticas públicas mais eficientes.
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Estudo reuniu dados inéditos e apontou desafios para políticas públicas no território
Um diagnóstico inédito sobre a presença, o perfil e os desafios das cooperativas da agricultura familiar na Amazônia brasileira é o foco do artigo Cooperativas da Agricultura Familiar na Amazônia Brasileira: diagnóstico e perspectivas para a ação pública, apresentado e premiado no 8º Encontro Brasileiro de Pesquisadores em Cooperativismo (EBPC), realizado em 2025. O estudo amplia a compreensão sobre o cooperativismo rural na região ao reunir e sistematizar bases de dados nacionais ainda pouco exploradas de forma integrada.
Assinado por Graziela Reis do Carmo, Isabela Renó Jorge Moreira, Alair Ferreira de Freitas, Marcos Vinicius Andrade Gomes e Almiro Alves Junior, o trabalho parte da constatação de uma lacuna informacional histórica. Até então, grande parte das pesquisas acadêmicas sobre cooperativismo na Amazônia se concentrava em estudos de caso pontuais, com baixa abrangência territorial, o que dificultava análises mais consistentes e a formulação de políticas públicas alinhadas à realidade regional.
Retrato regional a partir de bases nacionais
Para superar essa limitação, os autores adotaram uma abordagem quantitativa e descritiva, combinando dados do Censo Agropecuário do IBGE (2017) com informações do Extrato da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) de 2023. O recorte territorial abrangeu os oito estados da Amazônia Legal, além de todo o estado do Maranhão.
A partir do Censo Agropecuário, o estudo identificou que, em 2017, a Amazônia Legal possuía 749.328 estabelecimentos agropecuários, dos quais 24.740 estavam vinculados a cooperativas, o equivalente a 3,3% dos estabelecimentos da agricultura familiar na região. Mato Grosso, Rondônia e Pará concentravam os maiores números absolutos de estabelecimentos cooperativos, enquanto Amapá e Roraima apresentavam as menores participações.
Os dados mostram diferenças relevantes entre estabelecimentos cooperativos e não cooperativos. Entre os associados a cooperativas, 83,27% tinham a comercialização como finalidade principal da produção, percentual superior aos 61,24% registrados entre os não cooperativos. Também foi maior o acesso à assistência técnica (27,83% contra 16,75%) e a proporção de famílias cuja renda principal provinha da própria atividade agrícola.
Práticas produtivas e organização social
O estudo também apontou diferenças nas práticas produtivas. Cerca de 56% dos estabelecimentos cooperativos declararam não utilizar agrotóxicos, e 4,14% informaram praticar agricultura ou pecuária orgânica. A titularidade da terra também se mostrou mais presente entre cooperados, com 84,96% declarando condição de proprietários.
A composição societária revelou diversidade entre os cooperados, com predominância da categoria “demais agricultores familiares”, além de assentados da reforma agrária e extrativistas. Um dado que chama atenção é o percentual de cooperados sem DAP física registrada, o que dificulta classificações mais precisas e a identificação de povos e comunidades tradicionais nas bases oficiais.
Desafios para políticas públicas
Um dos principais achados do artigo é a elevada proporção de DAPs jurídicas em situação irregular. Segundo os autores, cerca de 60% das cooperativas identificadas enfrentavam restrições documentais, o que limita o acesso a políticas públicas como o Pronaf, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Nesse sentido, o estudo apontou que a fragilidade das bases públicas e a transição da DAP para o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), ainda sem consolidação plena no período analisado, reduzem a visibilidade do cooperativismo da agricultura familiar na Amazônia e dificultam ações governamentais mais efetivas.
Evidências e caminhos futuros
Apesar dos entraves, os resultados indicam que as cooperativas atuam como importantes vetores de inserção produtiva, acesso a serviços e fortalecimento da renda das famílias rurais na região. Para os autores, políticas públicas voltadas à regularização institucional das cooperativas, à ampliação da assistência técnica territorializada e ao fortalecimento do acesso a mercados institucionais podem potencializar esses impactos.
O artigo integra os anais do 8º EBPC e contribui para qualificar o debate sobre o cooperativismo na Amazônia, oferecendo subsídios técnicos para pesquisadores, gestores públicos e organizações do setor. O material completo está disponível para consulta em in.coop.br/ebpc.
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Parceria cria base estruturada para orientar cooperativas no uso de recursos do FNDCT
Nesta quinta-feira (22), o Sistema OCB e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) assinaram um Acordo de Cooperação
crédito: Filipe AlcântaraTécnica (ACT) voltado à ampliação e organização do acesso das cooperativas brasileiras aos instrumentos de financiamento de pesquisa e inovação, como o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). A iniciativa marca um avanço concreto na agenda de inovação do cooperativismo.
O acordo estabelece uma agenda permanente de cooperação entre as instituições, com foco na divulgação de linhas de financiamento, capacitação técnica, orientação sobre requisitos operacionais e uso das plataformas digitais da Finep. A proposta é reduzir barreiras históricas de informação e criar um ambiente mais acessível para que cooperativas de todos os ramos possam estruturar e viabilizar projetos de pesquisa, desenvolvimento e tecnologia.
Para a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, o ACT representa a consolidação de um trabalho institucional construído ao longo dos últimos anos. “Esse acordo cria as condições práticas para que as cooperativas entendam os instrumentos disponíveis, se preparem tecnicamente e consigam transformar boas ideias em projetos estruturados, com impacto econômico, social e ambiental”, destacou.
Eixo central
O eixo central da parceria é a promoção ativa e organizada do acesso das cooperativas regulares ao Sistema OCB às linhas de financiamento e aos mecanismos de apoio operados pela Finep. Entre as ações previstas estão a realização de seminários e eventos técnicos, capacitação de pontos focais dentro do Sistema OCB, produção de conteúdos orientativos e o desenvolvimento conjunto de projetos e plataformas que ampliem o alcance do fomento à inovação no cooperativismo.
Segundo o presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, a aproximação institucional reconhece o papel estratégico das cooperativas no desenvolvimento do país. “O cooperativismo tem forte aderência às prioridades nacionais de ciência, tecnologia e inovação, especialmente em áreas como agro, energia, sustentabilidade e inclusão produtiva. O acordo com o Sistema OCB fortalece nossa capacidade de alcançar esse público de forma mais estruturada, ampliando o impacto do FNDCT e garantindo que os recursos cheguem a projetos com potencial transformador”, afirmou.
crédito: Filipe Alcântara
Reconhecimento
A assinatura do ACT ocorreu em um momento especialmente favorável. Com a sanção da Lei 15.184/2025, fruto de representação do Sistema OCB junto ao Congresso Nacional e Poder Executivo, as cooperativas passaram a ser formalmente reconhecidas como beneficiárias diretas do FNDCT. Este avanço também incluias modalidades reembolsáveis, além da autorização para utilização do superávit financeiro do fundo, estimado em mais de R$ 22 bilhões. Esses recursos são considerados estratégicos para destravar projetos que estavam represados por falta de financiamento, sobretudo em inovação aplicada.
A expectativa é que a parceria resulte, nos próximos anos, em mais projetos financiados, maior capilaridade do FNDCT e fortalecimento da competitividade das cooperativas brasileiras em diferentes setores da economia.
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Estudo analisou dados de 2000 a 2022 e comparou desempenho com bancos públicos e privados
As cooperativas de crédito demonstram desempenho eficiente e resiliente na intermediação financeira no Brasil, com resultados comparáveis e, em alguns períodos, superiores aos dos bancos públicos e privados. Essa é a principal conclusão do artigo Cooperativas de crédito são mais eficientes que bancos? Evidências para o Brasil, um dos trabalhos de destaque apresentados no 8º Encontro Brasileiro de Pesquisadores em Cooperativismo (EBPC) premiado melhor trabalho no eixo Contabilidade, Finanças e Desempenho da edição.
Assinado por Loredany Consule Rodrigues, Marcelo Dias Paes Ferreira, Yuri Clements Daglia Calil, Mateus de Carvalho Reis Neves e Raquel Pereira Pontes, o estudo analisou dados do Banco Central do Brasil entre 2000 e 2022 e abrangeu 24.075 observações, das quais 88,5% corresponderam a cooperativas singulares.
Eficiência sob diferentes ângulos
O estudo parte de uma pergunta simples: as cooperativas de crédito funcionam de forma mais eficiente do que os bancos na concessão de crédito? Para responder, os autores analisaram mais de 20 anos de dados do sistema financeiro, separando o que é estrutural - próprio do modelo de funcionamento das instituições - do que é conjuntural, resultado de períodos de crise ou instabilidade econômica.
Os resultados mostram que há espaço para ganhos de eficiência no sistema como um todo, mas indicam também que cooperativas, bancos públicos e bancos privados se comportam de forma diferente ao longo do tempo. Em média, os níveis de eficiência associados a fatores permanentes e a fatores temporários foram semelhantes.
Cooperativas em posição competitiva
Na comparação entre os tipos de instituições, as cooperativas de crédito apresentaram desempenho consistente e competitivo. O estudo aponta que elas operam com níveis de eficiência estrutural próximos aos dos bancos públicos e superiores aos dos bancos privados.
O período após a crise financeira de 2008 reforça esse resultado. Enquanto cooperativas e bancos públicos conseguiram reduzir perdas de eficiência relacionadas a fatores conjunturais, os bancos privados, em média, passaram a enfrentar mais dificuldades nesse aspecto. Para os autores, esse movimento reflete a capacidade das cooperativas de manter operações estáveis e próximas de seus cooperados, mesmo em cenários econômicos mais adversos.
Inclusão financeira e crédito mais acessível
O trabalho também destaca características operacionais das cooperativas de crédito que ajudam a explicar esses resultados. Em geral, o estudo aponta que elas dependem menos de grandes estruturas de capital e mais do trabalho e da proximidade com seus associados. Além disso, segunda a pesquisa, as cooperativas praticam, em média, taxas de juros mais baixas em diversas operações, o que contribui para ampliar o acesso ao crédito, especialmente em localidades e segmentos menos atendidos pelos bancos tradicionais.
Implicações para políticas públicas
Ao final, os autores concluem que as cooperativas de crédito exercem um papel relevante para a eficiência e a estabilidade do sistema financeiro brasileiro. Ao longo do tempo, elas mostram capacidade de manter desempenho sólido e de ampliar a oferta de crédito em momentos em que bancos privados reduziram sua atuação.
Nesse contexto, o estudo indica que políticas públicas voltadas ao fortalecimento da governança, da capacitação e da expansão responsável das cooperativas podem ampliar ainda mais os impactos positivos do cooperativismo financeiro, especialmente para o desenvolvimento econômico local e a inclusão financeira.
O artigo integra os anais do 8º EBPC e está disponível para consulta em in.coop.br/ebpc.
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Evento também marcou a sanção, com vetos, da lei que cria o Comitê Gestor do IBS
O Sistema OCB participou, nesta terça-feira (13), da cerimônia de lançamento do Portal da Reforma Tributária, plataforma criada para apoiar empresas, contadores e entidades na transição para o novo modelo tributário brasileiro.
A ferramenta possibilita a realização de testes e simulações dos tributos IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS
Foto: Ricardo Stuckert / PR (Contribuição sobre Bens e Serviços), permitindo que contribuintes e organizações avaliem cenários, identifiquem impactos e se preparem de forma mais estruturada para o novo ambiente tributário.
Durante o evento, também foi sancionado, com vetos, a Lei Complementar Nº 227/2026, que institui o Comitê Gestor do IBS. O órgão será responsável pela administração, arrecadação e distribuição do imposto entre estados, Distrito Federal e municípios, desempenhando papel central na operacionalização do novo tributo. A sanção presidencial foi formalizada por meio de despacho publicado no Diário Oficial da União, com vetos parciais a dispositivos do texto aprovado pelo Congresso Nacional.
Alguns trechos do projeto original,Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 108/2024, foram vetados pelo governo sob o entendimento de que poderiam gerar dúvidas na aplicação prática do novo tributo ou provocar desequilíbrios na divisão de responsabilidades entre os entes federativos. A avaliação considerou a necessidade de assegurar maior clareza nas regras de funcionamento do Comitê Gestor e evitar sobreposições de competências que possam comprometer a implementação do IBS. Os vetos ainda serão apreciados pelo Congresso Nacional, que poderá mantê-los ou derrubá-los, conforme o rito legislativo.
O Sistema OCB acompanhará de perto a tramitação dos vetos no Parlamento e realizará uma análise técnica detalhada do texto final da lei. A entidade também seguirá atenta a todas as etapas de regulamentação e implementação do novo sistema tributário, considerando os impactos diretos e indiretos para as cooperativas de todos os ramos.
Como apoio às cooperativas, também está disponível um curso específico sobre a aplicação das mudanças da Reforma Tributária do consumo no setor cooperativista, com conteúdo voltado à compreensão prática das novas regras e seus impactos. A capacitação está disponível na plataforma CapacitaCoop
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Cooperativismo participou de reunião técnica que discutiu ajustes na metodologia do PNPM-TRC
O Sistema OCB participou, nesta segunda-feira (12), da reunião participativa promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para discutir a atualização da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC). O encontro integrou o ciclo de contribuições técnicas da Reunião Participativa nº 13/2025, instaurada pela agência para colher subsídios sobre possíveis alterações da Resolução ANTT 5.867/2020.
A norma em vigor disciplina a metodologia, os coeficientes e os parâmetros utilizados para o cálculo do piso mínimo de frete
no país, fixando valores por quilômetro rodado e por eixo carregado, e é de um dos principais instrumentos de operacionalização da política pública instituída pela Lei 13.703/2018, que busca assegurar remuneração mínima ao transportador, equilíbrio econômico-financeiro da atividade e maior previsibilidade ao mercado de transporte de cargas.
A reunião foi conduzida pela Superintendência de Serviços de Transporte Rodoviário e Multimodal de Cargas (Suroc), sob a liderança do superintendente José Aires Amaral Filho, e reuniu equipes técnicas das áreas de regulação, governança, inteligência de mercado, logística integrada e gestão de dados da ANTT.
O cooperativismo esteve representado pelos analistas, Tiago de Barros Freitas e José Fernando Resende Silva e representantes do Sistema Ocepar, como o coordenador de Monitoramento e Consultoria, Jessé Rodrigues e o coordenador nacional do Conselho Consultivo do Ramo Transporte, Evaldo Moreira Matos.
Ao longo do debate, foram apresentados os avanços do processo de audiência pública e discutidos desafios observados na aplicação prática da tabela de pisos mínimos. Os participantes também analisaram caminhos para o aprimoramento da metodologia vigente, com foco em maior aderência à realidade operacional do setor, às variações regionais, aos diferentes perfis de operação e às estruturas de custos efetivamente enfrentadas pelos transportadores.
Próximos passos
A ANTT informou que o processo seguirá com a consolidação das contribuições recebidas nas audiências públicas e reuniões participativas, com vistas ao aperfeiçoamento da Resolução 5.867/2020. O Sistema OCB seguirá acompanhando o processo regulatório de forma técnica e propositiva.
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Ação incentiva consumidores e cooperativas a fortalecerem a escolha por produtos com o carimbo SomosCoop
O cooperativismo brasileiro inicia 2026 com uma das maiores mobilizações de comunicação já feitas pelo Sistema OCB. No dia 23 de março, será lançada oficialmente a campanha Escolha o Coop, nova etapa do movimento SomosCoop, que traz uma proposta inédita: transformar o ato de consumir em uma escolha consciente, capaz de gerar impacto social, econômico e comunitário.
Construída a partir de pesquisas e da evolução das campanhas anteriores, a iniciativa tem uma mensagem simples, direta e
orientada ao público, mas também estratégica para o fortalecimento das cooperativas. Ao estimular consumidores a buscar, reconhecer e escolher produtos e serviços cooperativos, a campanha amplia a presença do carimbo SomosCoop no mercado e engaja as cooperativas a aplicarem essa identificação em seus produtos e serviços. O objetivo é reforçar o pertencimento ao movimento e a visibilidade do modelo cooperativista no dia a dia das pessoas.
Para dar força à campanha, o Sistema OCB escolheu um dos rostos mais confiáveis e reconhecidos do país: Ana Maria Braga. A apresentadora será protagonista dos conteúdos digitais, para levar o Escolha o Coop de forma clara e acolhedora, características que consolidaram sua credibilidade ao longo de mais de duas décadas.
A campanha também contará com influenciadores digitais. Nath Finanças, especialista em educação financeira, será responsável por orientar o público sobre como tomar decisões financeiras mais conscientes utilizando os produtos das cooperativas de crédito. Já o humorista Ed Gama dará vida a um personagem lúdico e simpático: o carimbo SomosCoop. Por meio de conteúdos divertidos e interativos, Ed ajudará a aproximar o público da identidade visual do movimento.
“Com a campanha Escolha o Coop, queremos reforçar que consumir de cooperativas é uma decisão que transforma realidades. Quando o público reconhece o carimbo SomosCoop, ele entende que por trás daquele produto existe uma rede de trabalho, confiança e impacto positivo”, afirma Samara Araujo, gerente de Comunicação e Marketing do Sistema OCB.
A campanha Escolha o Coop chega para abrir espaço para uma nova conversa com a sociedade. Em 2026, o cooperativismo quer estar onde as decisões acontecem: no carrinho de compras, no planejamento financeiro, na mesa da família e no consumo diário do brasileiro. Uma convocação para que cada pessoa faça uma escolha que transforma realidades: escolher o coop.
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PL 3162/2024 foi aprovado na CFT e amplia formatos de prêmios, incluindo cotas em cooperativas
A Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3.162/2024, que permite a premiação em forma de quota parte em sociedade cooperativa. A proposta altera a Lei 5.768, de 1971, que trata da
distribuição gratuita de prêmios e adequa o texto à realidade do sistema financeiro atual. O projeto é de autoria do deputado Sérgio Souza (PR), membro da diretoria da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), que liderou as negociações para aprovação da proposta na Comissão. O PL foi relatado pelo deputado Josenildo (AP) e recebeu parecer favorável na CFT, com emendas construídas juntamente com o Sistema OCB e os sistemas cooperativos de crédito. A modernização da lei busca acompanhar a evolução do mercado e dar mais liberdade para que instituições financeiras inovem na relação com seus clientes e associados.
“A legislação de promoções comerciais ficou parada no tempo. Esse projeto atualiza as regras, amplia as opções de premiação e valoriza modelos como o cooperativismo, que estimulam a participação, a educação financeira e o desenvolvimento econômico”, destacou Sérgio Souza.
Para o cooperativismo de crédito, o avanço do PL 3.162/2024 representa um reconhecimento importante. A possibilidade de oferecer cotas partes como premiação reforça a natureza associativa das cooperativas, estimula a educação financeira e aproxima ainda mais os cooperados do modelo de negócio, baseado na participação e no fortalecimento coletivo.
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PLP 262/2019 avança na Câmara e inclui cooperativas entre beneficiárias do FDNE, FDA e FDCO
A Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (17), o Projeto de Lei Complementar (PLP) 262/2019, que amplia o acesso das cooperativas a importantes instrumentos de financiamento do
desenvolvimento regional. O texto permite que cooperativas passem a ser beneficiárias dos recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), da Amazônia (FDA) e do Centro-Oeste (FDCO).
De autoria do senador Flávio Arns (PR), membro da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), o projeto altera dispositivos de medidas provisórias editadas em 2001 e da Lei Complementar 129/2009, que trata da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco). Na prática, a proposta corrige uma lacuna histórica ao citar de forma expressa as cooperativas como agentes aptos a acessar políticas públicas de fomento voltadas à redução das desigualdades regionais.
Relatora da matéria na comissão, a deputada , Marussa Boldrin (GO), integrante da diretoria da Frencoop, destacou que a inclusão das cooperativas fortalece o alcance dos fundos e amplia o impacto social e econômico dos investimentos. O parecer foi aprovado sem alterações. “As cooperativas estão presentes onde muitas vezes o Estado e o mercado tradicional não chegam. Ao permitir o acesso aos fundos, estamos fortalecendo um modelo econômico que gera oportunidades, fixa pessoas no território e promove desenvolvimento com inclusão”, afirmou.
Com a aprovação do PLP 262, cooperativas de diferentes ramos — como agropecuário e infraestrutura — poderão apresentar projetos e acessar financiamentos em condições mais adequadas à sua natureza econômica e social. Isso significa mais investimentos, geração de renda local, fortalecimento da produção regional e estímulo à economia dos territórios onde as cooperativas atuam.
Para o Sistema OCB, a medida representa um avanço importante no reconhecimento do cooperativismo como instrumento de desenvolvimento econômico. “Ao permitir o acesso direto aos fundos, o projeto contribui para dar escala a iniciativas coletivas que já demonstram capacidade de promover desenvolvimento com inclusão, governança e compromisso com as comunidades locais”, destaca o presidente do Conselho de Administração da entidade, Márcio Lopes de Freitas.
Eficiência sob diferentes ângulos 