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Notícias saber cooperar

O coop é pop

Nos últimos anos ele vestiu atrizes para o tapete vermelho de prêmios do cinema internacional. Esteve no Vaticano, onde foi elogiado pelo próprio papa Francisco. Participou do Prêmio Nobel da Paz. Fez até uma ponta em novela do horário nobre e firmou parceria com grandes nomes do design brasileiro. Poderíamos estar falando de algum artista, mas estamos falando de um velho conhecido: o cooperativismo. No início de 2018, o Papa Francisco fez uma declaração que emocionou quem é coop de coração.
As cooperativas são inovadoras e criativas e promovem uma matemática em que 1+1 é igual a 3", disse o pontífice.
Na ocasião, ele ainda destacou como o cooperativismo transforma realidades sociais e combate práticas de mercado injustas. Mas esta não foi a primeira vez que Francisco mencionou o cooperativismo. Em 2015, ele associou o princípio da solidariedade – parte da doutrina social da Igreja Católica – com o trabalho das cooperativas e elogiou sua busca “pela relação entre a economia e justiça social” observando “sempre a pessoa e não o dinheiro”. Mais cedo, no mesmo ano, ele já havia afirmado que cooperativas “têm enfrentado as dificuldades da crise econômica com os seus meios, unindo forças, e não às custas de outros.” No Brasil, em 2016, a mensagem cooperativista chegou às casas de milhões de telespectadores que acompanharam a novela “Velho Chico”. Na trama, o protagonista Santo (interpretado pelo saudoso Domingos Montagner) foi eleito presidente de uma cooperativa de pequenos produtores agrícolas que enfrentava os desmandos de um coronel. Quando Santo desapareceu, seu filho Miguel (Gabriel Leone) passou a liderar a cooperativa, enfatizando o desenvolvimento sustentável. "Você concorda em continuar produzindo do jeito convencional? Jogando veneno na terra? No rio? Extraindo o resto de vida do solo?", questionava em cena. Além de estar na pauta do dia, o cooperativismo tem mostrado sua popularidade com o interesse crescente de personalidades, empresas e entidades do terceiro setor, que cada vez mais buscam se associar ao que as cooperativas defendem: comércio justo, desenvolvimento econômico com responsabilidade social e sustentabilidade. A atriz Emma Watson, embaixadora da boa vontade das Organizações das Nações Unidas (ONU) costuma ir a eventos de gala com vestidos feitos por marcas “eticamente responsáveis”. Ou seja, marcas que evitam promover sofrimento e desgaste no processo de fabricação de seus produtos, levando em consideração tanto recursos naturais quanto humanos. Uma de suas parceiras é a Zady , marca parceira de cooperativas que produzem tecidos na Índia e em fazendas de orgânicos nos Estados Unidos. A Fundação  Nobel — responsável pelos Prêmio Nobel da Paz, de Química, Física, Medicina e Literatura — também contrata, desde 2015, duas cooperativas mineradoras colombianas para fazer suas medalhas: a Codmilla Cooperativa  e a Cooperativa Agromineradora de Iquira. “É um reconhecimento do trabalho árduo, porém decente, que estamos fazendo em uma comunidade tradicional mineradora para garantir o sustento de nossas famílias e o desenvolvimento de nossas comunidades. Todos os dias arriscamos nossas vidas nas profundezas das montanhas e, além disso, é um desafio viver em paz em um país com tantos conflitos”, disse Harbi Guerrero, membro da Codmilla, por ocasião do segundo ano de fabricação das medalhas do Nobel. Com a repercussão gerada pelo prêmio, ambas as mineradoras passaram a ser contratadas por marcas de joias eticamente responsáveis de todo o mundo.   DESIGN COOPERATIVO [caption id="attachment_76428" align="alignnone" width="1920"] Crédito: Getty Imagens[/caption]   No Brasil, no coração da Amazônia, uma cooperativa vinculada ao Sistema OCB chamou atenção de alguns dos maiores designers de móveis brasileiros da atualidade. Desde o início de 2017, a Cooperativa Mista da Floresta Nacional dos Tapajós (Coomflona) <abre hiperlink>  tem recebido designers brasileiros de renome internacional para sessões de capacitação e eventuais parcerias comerciais. Pelo menos dez designers como Leo Lattavo (Lattoog), Zanini de Zanine (Studio Zanini), Carlos Motta e Paulo Alves fizeram imersão de troca de conhecimentos com os cooperados. Os cursos foram ministrados em parceria com o Instituto BVRio, uma ONG do setor ambiental, Todos os 203 cooperados da Coomflona são moradores tradicionais da floresta ou indígenas. Eles fazem manejo florestal comunitário, com foco principal no manejo madeireiro, e tiveram a ideia da parceria ao observar que, em grandes centros brasileiros, há interesse e demanda por produtos sustentáveis, tanto do ponto de vista ambiental quanto social. Uma descoberta feita quase que por acaso, quando os cooperados buscavam maneiras de aproveitar 100% da madeira extraída de forma sustentável da floresta. De acordo com o analista ambiental da Coomflona, Angelo Ricardo Chaves, a primeira tentativa nesse sentido ocorreu com a  abertura de uma loja de móveis produzidos com pedaços de madeira em formato natural. O estabelecimento foi aberto em Santarém (PA) com recursos de um programa do governo federal para a geração de renda às populações de unidades de conservação federal. As vendas, no entanto, não foram tão bem quanto o esperado. "Vimos que em Santarém não havia vantagem em vender, pois o pessoal aqui não valorizava tanto o aspecto sustentável. A região tem muitos móveis feitos a partir de madeira ilegal ou com madeira não certificada, que são mais baratos justamente por não respeitarem a natureza”. A Coomflona, ao contrário, tem certificação FSC —sistema de garantia internacionalmente reconhecido, que identifica produtos madeireiros e não madeireiros originados do bom manejo florestal. Ao perceberem que não tinham demanda local, os cooperados começaram a procurar parceiros na região Sudeste, onde acreditavam que os produtos com certificação ambiental seriam mais valorizados.
Fomos buscar parcerias para desenvolver um projeto de promoção comercial. Não queríamos apenas compradores, mas pessoas que entendessem que a nossa madeira vem de uma comunidade tradicional, que é certificada, e cujo manejo preserva a floresta, zela por suas populações e gera benefícios socioambientais. Queríamos pessoas que entendessem todo o valor por trás desse trabalho”, explica Angelo.
Ao longo desta busca, alguns cooperados participaram de uma oficina da BVRio. Lá, surgiu a ideia de levar designers para a cooperativa. O projeto Design & Madeira Sustentável foi formatado, então, com o objetivo de levar esses profissionais para transmitirem seus conhecimentos sobre a criação de móveis para a região. Em muitos casos, desses encontros surgiram novas e produtivas parcerias comerciais.   UM OUTRO OLHAR [caption id="attachment_76429" align="alignnone" width="5760"] Crédito: Paulo Alves[/caption]   O designer paulista Paulo Alves esteve na Coomflona em junho de 2018 e desenvolveu peças como mesa de jantar, mesinhas e bancos utilizando galhos e pranchas costaneiras — primeiras pranchas a serem retiradas quando se fatia uma tora. Esses materiais são geralmente descartados por serem irregulares e de difícil aproveitamento em produções convencionais.
A ideia era provocá-los e mostrar possibilidades. Queria que olhassem para a madeira e imaginassem como seria possível criar uma cama, uma cadeira. Ao final da minha estadia, um dos madeireiros me falou: ‘Nunca mais vou conseguir olhar para um galho sem pensar em tudo que dá pra fazer a partir dele’. Isso para mim é o mais interessante”, recorda o designer.
Ainda segundo Paulo Alves, mais do que simplesmente criar uma dinâmica em que a cooperativa forneça mão de obra, o projeto busca capacitá-la a produzir suas próprias peças de design. Ângelo, o analista ambiental da Coomflona, confirma que o principal objetivo é promover “o empoderamento da comunidade por meio da sua história de lutas, de decisão e de território”. Animado, ele conta como foram os primeiros resultados da parceria com Paulo Alves: “Ele acabou desenhando um projeto sofisticado para a gente desenvolver, fizemos um protótipo e fomos a São Paulo visitá-lo e acompanhá-lo numa feira de design. Ele nos disse que estamos preparados para competir no mercado nacional, para estar com grandes designers. Foi legal ver que o nosso trabalho não tem sido em vão e que estamos oferecendo o que pessoas que têm consciência ambiental estão buscando.”   MARKETING SOCIAL [caption id="attachment_76430" align="alignnone" width="1024"] Crédito: Shutterstock[/caption]   O pesquisador de marketing e cooperativismo Rumeninng Abrantes, professor da Universidade Federal do Tocantins, considera que ao divulgar ações que naturalmente já adotam, as  cooperativas acabam por melhorar sua imagem perante à sociedade. Em paralelo, conseguem agregar valor aos seus produtos.
O sétimo princípio do cooperativismo, que é o interesse pela comunidade, é um tipo de marketing social. Então algo que as cooperativas já fazem como obrigação, como princípio, pode fazer com que elas sejam vistas com outros olhos”, explica.
  Esta é a aposta da Coomflona: focar no consumo consciente como tendência que os consumidores mais atentos já têm buscado. Além das sessões de capacitação, o projeto Design & Madeira Sustentável prevê participação em feiras de negócios, a realização de uma exposição em 2019 e a produção comercial de algumas peças. Carlos Motta, o primeiro designer a visitar a Coomflona já colocou no mercado uma linha de 12 bowls e 3 modelos de bancos produzidos na Coomflona. A cooperativa trabalha, agora, na implementação de uma serraria para poder dar melhor tratamento e finalização às peças e para aumentar a escala de produção. Atualmente, desenvolvem apenas peças sob encomenda e têm em designers, hotéis e construtoras seus principais clientes. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- A Coomflona desenvolve móveis apenas sob encomenda. Para saber mais, procure por Comflona na internet, ou mande um e-mail para Este endereço de e-mail está sendo protegido de spambots. Você precisa habilitar o JavaScript para visualizá-lo.  consumo consciente ou sustentável envolve a busca por produtos ou serviços social e ecologicamente corretos. Ele é caracterizado por quatro dimensões: consciência ecológica, economia de recursos, reciclagem e planejamento do consumo para evitar quaisquer tipo de desperdício -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------    
Esta matéria foi escrita por Naiara Leão e está publicada na Edição 24 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação 
 

Aliada do Campo

Tereza Cristina foi a primeira mulher confirmada pelo presidente Jair Bolsonaro para os seus Ministérios. Para ela, foi reservada uma das pastas mais estratégicas: a da Agricultura, Pecuária e Abastecimento — um justo reconhecimento à trajetória de uma liderança que começou a vida profissional muito jovem. A família de Tereza já tinha um histórico no agronegócio em sua terra natal, Campo Grande (Mato Grosso do Sul). Visionária, ela quis continuar essa história e optou por cursar a faculdade de engenharia agrônoma na Universidade Federal de Viçosa (Minas Gerais). Logo que se formou, mudou para São Paulo e já começou a colecionar um extenso currículo dedicado à área agrícola e ao setor de alimentos. Determinada ao cuidar dos negócios da família, decidiu voltar a Mato Grosso do Sul. Assumiu a administração, profissionalizou a gestão e segmentou os negócios. Para o secretário executivo do ministério, Marcos Montes, a determinação é um dos traços característicos de Tereza.
A conheço profissionalmente e pessoalmente. É uma mulher dura, mas serena. Uma mulher meiga, amiga e determinada”, conta.
O dinamismo e comprometimento da hoje ministra foram sendo reconhecidos e ela então começou a ser convidada a participar da diretoria de várias federações e associações que representam o setor agropecuário brasileiro. “A dedicação à área pública sempre esteve presente em minha família”, conta Tereza. Ela é bisneta de Pedro Celestino Corrêa da Costa e neta de Fernando Corrêa da Costa, ex-governadores de Mato Grosso (quando o estado ainda não havia sido separado). Entre 2007 e 2014, Tereza Cristina assumiu a Secretaria Estado de Desenvolvimento Agrário, Produção, Indústria, Comércio e Turismo do Mato Grosso do Sul (Seprotur). Em sua gestão, conseguiu importantes conquistas para o estado. Uma delas foi tornar o MS livre da febre aftosa. A conquista foi reconhecida internacionalmente por meio da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Nesse período como secretária, a agricultura do Mato Grosso do Sul cresceu 12% ao ano. Em sete anos, o PIB do estado aumentou 152,42%. Os empregos na área industrial também dispararam: o aumento foi de 40,7%. Após essa experiência, foi eleita deputada federal para o seu primeiro mandato pelo estado de Mato Grosso do Sul, entre os anos de 2015 a 2018. “Meu foco sempre foi o desenvolvimento do país”, afirma. Nesse período, continuou buscando melhorias para o setor agropecuário e para o seu estado. A busca, ela faz questão de enfatizar, sempre foi por legislações mais eficientes e justas.
Buscamos melhorias em questões fundamentais para o setor produtivo nacional, como o crédito rural, investimentos em política agrícola, renegociação de dívidas, fortalecimento das relações comerciais, abertura de mercado para o Brasil, direito de propriedade, dentre outras pautas”, explica.
Em 2018, foi reeleita para a legislatura que se encerra em 2022, mas encontra-se afastada do mandato para se dedicar ao Mapa.   UNÂNIMIDADE [caption id="attachment_76353" align="alignnone" width="853"] Crédito: Guilherme Martimon[/caption]   O nome de Tereza Cristina foi indicado ao presidente Jair Bolsonaro pela Frente Parlamentar da Agricultura.
Nós tínhamos vários perfis. Temos excepcionais parlamentares lá dentro. Mas no pente fino que fizemos, ela preenchia todos esses requisitos. Não havia pessoa mais adequada para assumir essa responsabilidade”, recorda Marcos Montes (MG), então deputado da Frente.
Ainda segundo o secretário, todos ficaram animados com a escolha. “Podemos ver a receptividade com que ela foi recebida em todos os meios. No meio parlamentar, não apenas na nossa Frente, mas em todas as bancadas. Ele também foi muito bem recebida pelos produtores rurais e pelo meio empresarial”, conclui. Naquela época, o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, João Martins, também comemorou a escolha. “A deputada sempre atuou na defesa dos produtores rurais brasileiros e agora terá condições de trabalhar ainda mais em benefício do setor”, destacou.   MADRINHA [caption id="attachment_76344" align="alignnone" width="1280"] Crédito: Guilherme Martimon[/caption]   Teresa Cristina sempre teve certeza de que o cooperativismo tem um papel fundamental para o avanço do Brasil. “Hoje as cooperativas têm um papel pujante no crescimento econômico e social do País com enorme representatividade no Congresso Nacional. Para o campo, elas também são o motor do progresso. Promovem oportunidade, geram renda e desenvolvimento sustentável”, argumenta. Justamente por isso, este ano ela foi convidada para ser madrinha do Dia de Cooperar (Dia C) — projeto de responsabilidade social das cooperativas brasileiras que tem por objetivo colocar em prática os valores e os princípios do cooperativismo através de programas para o desenvolvimento social da comunidade onde essas cooperativas estão inseridas. Confira a mensagem que ela enviou para nossas cooperativasno evento:   [embed]https://www.youtube.com/watch?v=s-Cxc2FN1Fc[/embed]
Esta matéria foi escrita por Tchérena Guimarães e está publicada na Edição 24 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação 
   

Existe espaço para o cooperativismo de plataforma no Brasil?

Sim, mas ainda pouco explorado. Temos um longo caminho a percorrer, cheio de desafios, até a consolidação de um mercado de economia digital cooperativista. “Quanto mais precária é a relação de trabalho de um país, maior o interesse pela implantação das cooperativas de plataformas  ”, analisa Trebor Scholz, idealizador do conceito. Segundo ele, aqui no Brasil, existem muitas oportunidades na área da educação, da saúde, dos transportes.
O que percebo, tanto aqui quanto em outros países, é que o principal obstáculo à constituição dessas cooperativas ainda são as pessoas. É difícil reunir um grupo, sentar todos em uma sala e fazê-los fechar um acordo. Elas ainda não sabem abrir mão das suas vontades pessoais em prol de um bem maior. Esse é o principal desafio do cooperativismo de plataforma em todo o mundo”, lamenta.
Já o professor-doutor e diretor geral da Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo (Escoop), Mário de Conto acredita que faltam instrumentos na legislação brasileira para apoiar o desenvolvimento de iniciativas como essas. “Analisando as características da Lei Geral das Cooperativas, evidentemente, há desafios que concernem à novidade do modelo, como formas de efetivar a participação democrática e o processo de tomada de decisões em um contexto digital”, pondera.   BENCHMARKING INTERNACIONAL [caption id="attachment_76307" align="alignnone" width="1170"]  Crédito: Depositphotos[/caption]   Usando o exemplo de experiências nos Estados Unidos, Espanha e França, uma ideia capaz de adubar o terreno para cooperativas de plataforma é a criação de incubadoras dessas empresas nas universidades, organizações não governamentais e dentro das próprias cooperativas. A proposta da incubação é apoiar novos empreendimentos com suporte técnico, jurídico e contábil, muitas vezes oferecendo consultorias e mentorias especializadas na potencialização de um negócio. E foi justamente esse modelo que resultou na criação da Up and Go — cooperativa de plataforma criada para oferecer emprego e renda às mulheres de uma comunidade de imigrantes, em Nova Iorque. A Up and Go possui, hoje, cerca de 40 cooperadas. Graças à plataforma, pela primeira vez desde que chegaram à América, essas mulheres conseguiram uma remuneração justa por seu trabalho. Quem nos conta essa história é Sylvia Morse, gerente de projeto do Center for Family Life (CFL) — organização sem fins lucrativos que realiza a incubação de cooperativas de plataforma na cidade de Nova Iorque. 
 Antes de fazerem parte da cooperativa, essas mulheres ganhavam muito mal e não tinham garantia de serem pagas pelo serviço que prestavam. Às vezes limpavam a residência e o dono dizia estar sem dinheiro para pagá-las na hora. Outras vezes, pagavam as passagens para ir até a casa do cliente e, ao chegar, eram avisadas que ele tinha desistido. Com isso, tinham um prejuízo grande porque não eram ressarcidas pelo deslocamento”
Desde 2006, o CFL capta fundos e oferece suporte técnico e financeiro à criação de cooperativas de plataforma nas áreas de serviços de limpeza e cuidado de crianças pequenas. “Nossa equipe trabalha para ajudar esses trabalhadores a constituírem sua cooperativa, ajudando a definir como deve ser o site, o aplicativo, o atendimento aos clientes, a política de preços e as assembleias de cooperados”, resume Sylvia, que também participou como palestrante do 14º CBC. No caso da Up and Go, por exemplo, cada cooperada recebe 95% do valor pago pelos clientes. Os outros 5% são revertidos para o fortalecimento da plataforma.
Antes, quando trabalhavam como empregadas de outros sites que oferecem serviços de limpeza, elas recebiam bem menos por hora trabalhada. E isso, apesar de o cliente pagar mais caro que na pelo serviço”, constata a gerente do CFL.
Além de ganharem mais como cooperadas e de serem as donas do próprio negócio, as mulheres da Up and Go utilizam os 5% destinados para a plataforma para fortalecerem o próprio negócio e para garantirem alguns benefícios importantes para elas, como cursos de inglês e capacitação profissional. “A cooperativa empodera essas mulheres e muda as vidas delas e a de suas famílias”, comemora Sylvia. De acordo com a norte-americana, as cooperativas têm impactado tão positivamente Nova Iorque que a cidade foi a primeira dos Estados Unidos a criar um fundo exclusivo para o financiamento desse tipo de empreendimento. “As cooperativas de plataforma têm ajudado a incluir públicos que nem sempre encontram boas oportunidades de trabalho no mercado formal, como as mulheres, os negros e os imigrantes. Por isso, elas têm recebido suporte de entidades públicas e privadas para se desenvolverem no meu país”, constata. Sylvia acredita que essas incubadoras de cooperativas de plataforma poderiam funcionar também no Brasil. “Vocês têm uma organização que cuida especificamente do cooperativismo”, diz, referindo-se ao Sistema OCB. “Esse é um primeiro passo importante, porque já existe um centro de referência para os trabalhadores que desejem montar uma cooperativa no país. O próximo passo é buscar apoio de outras organizações públicas e privadas para criar um ecossistema favorável à criação de cooperativas de plataforma no Brasil”, conclui.  
Esta matéria foi escrita por Karine Rodrigues e Guaira Flor e está publicada na Edição 26 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação
 

Plataforma para o desenvolvimento

O motorista desliza as mãos pelo volante. Os olhos dividem a atenção entre as ruas de Brasília e a tela do celular, posicionado na saída de ar. A notificação avisa: alguém solicita os serviços do rapaz e o carro de lataria vermelha e reluzente transforma-se em instrumento de trabalho. Desde janeiro de 2018, Ezequiel Avelino, de 25 anos, estudante de Gestão Pública, é motorista de aplicativo de transporte de passageiros. Uma forma alternativo de trabalho cada vez mais procurada por quem foge da estatísticas do desemprego, que hoje aflige 13,1 milhões de brasileiros em todo o Brasil, segundo o IBGE. Antes de completar a primeira semana no trabalho, dirigindo de seis a oito horas por dia, Ezequiel tinha transportado cerca de 200 passageiros e os rendimentos ficaram em torno de R$1mil — valor bem próximo ao que ele demorava um mês para embolsar em um ofício formal.
Dirigindo para os aplicativos, posso alternar os meus horários. Se eu não conseguir trabalhar de manhã, vou à noite. Se eu não lucrar bem na semana, posso ir no sábado e no domingo”, explica.
Só existe um problema: ele e tantos outros motoristas de aplicativo estão dividindo o resultado de seu trabalho com os donos da plataforma, perpetuando um modelo de trabalho que explora a mão de obra do trabalhador em busca do maior lucro possível, sem lhe dar nenhuma garantia ou segurança jurídica. Ao perceber essa realidade, pesquisadores dos Estados Unidos e Europa começaram a se perguntar: não seria mais justo que os motoristas fossem os verdadeiros donos do negócio, já que possuem o carro e fornecem a mão de obra? E se os princípios cooperativistas, consolidados na busca por relações mais dignas, justas e solidárias fossem aliados à veia democrática da internet, nascida da noção pública de propriedade coletiva? E se, no contexto de economia compartilhada, pudéssemos desenvolver alternativas de negócios conduzidas por ideais comunitários? E foi para responder a essas perguntas que surgiu um novo conceito: o cooperativismo de plataforma — proposta de empreendimento que combina os princípios e os valores do cooperativismo com o imenso potencial disruptivo das novas tecnologias da informação.   O COMEÇO DE TUDO [caption id="attachment_76300" align="alignnone" width="800"] Crédito: Shutterstock[/caption]   O conceito “cooperativismo de plataforma” foi utilizado pela primeira vez por Trebor Scholz, professor de cultura e mídia associado à The New School  autor do livro Cooperativismo de Plataforma. Ele esteve no Brasil em maio especialmente para o 14º CBC. Em palestra que lotou um dos auditórios do evento, afirmou: o cooperativismo é o modelo de negócios capaz de tornar mais justas as novas relações de trabalho impostas pelo “ubercapitalismo” — nova onda capitalista caracterizada pela supressão do Estado como mediador entre o capital e o trabalho, um modelo que transforma todos em trabalhadores individuais, apartados entre si, cada qual, lutando por sua sobrevivência. Scholz alerta que por trás de todo o conceito “descolado” e engajado da economia compartilhada — que vende aos cidadãos a ideia de que é possível ganhar mais, tendo liberdade de escolher quando e por quanto tempo se quer trabalhar, com a vantagem de não estar subordinado a um chefe direto — existe a crise econômica, o desemprego e a necessidade de complementação de renda. Uma realidade bem conhecida dos brasileiros nos últimos anos. Ainda segundo o autor, essa nova forma de trabalho ofertada por alguns aplicativos de serviço pode ser, na verdade, uma armadilha para a precarização dos direitos do trabalhos.
Eu estudo as mudanças trazidas pela internet no mercado de trabalho desde 2008 e fui percebendo que as relações estabelecidas entre algumas plataformas de serviço e as pessoas são uma nova forma de exploração da mão de obra do trabalhador ainda mais perversa que a anterior, pois lhes tira todos os direitos e benefícios, maximizando ao extremo o enriquecimento dos donos dessas plataformas”, critica.
De fato, de acordo com o IBGE, o rendimento de um trabalhador informal é, em média, 40% menor do que quem atua com carteira assinada. Também é importante lembrar da falta de garantias para os funcionários nessas plataformas de compartilhamento. O que mais preocupa Ezequiel Avelino, motorista de aplicativos, é a segurança. Em uma situação de sequestro ou roubo, enquanto estiver dirigindo, o prejuízo é 100% do dono do automóvel. Por isso, ele pondera ao aceitar corridas em determinados horários e lugares, o que pode colocar em risco sua pontuação nos apps. Em poucos cliques — medido em estrelinhas que variam de uma a cinco — está na mão do consumidor o poder de classificar um motorista da plataforma. Quem ficar abaixo de uma média de corte, que controla a qualidade dos funcionários, pode ter o cadastro suspenso ou cancelado.   POR UMA RELAÇÃO MAIS JUSTA [caption id="attachment_76305" align="alignnone" width="5760"] Crédito: Pexels[/caption]   Outro papa do cooperativismo de plataforma é o professor de estudos de mídia da Universidade do Colorado, Nathan Schneider, coautor do livro Nosso para hackear e possuir: a ascensão do cooperativismo de plataforma, uma nova visão para o futuro do trabalho e uma internet mais justa. Em entrevista exclusiva à Saber Cooperar, ele definiu o cooperativismo de plataforma como “uma comunidade transnacional de usuários-trabalhadores. Uma nova geração de pessoas que entram no movimento cooperativo e tentam usá-lo para criar uma economia on-line mais justa, responsável e democrática”. Scheider defende que a natureza do compartilhamento de informações, software de código aberto, colaboração distribuída e comunicação rápida da internet é não apenas propícia às práticas cooperativistas, como trata-se de uma oportunidade de renovar o espírito transformador da economia cooperativa, fundada há quase dois séculos. Também entusiasta do potencial transformador da internet para o cooperativista, o advogado, professor-doutor e diretor geral da Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo (Escoop), Mário de Conto, tem pesquisado sobre o conceito no Brasil, com o incentivo do Sistema OCB. Para ele, a modalidade poderia melhorar o desenvolvimento local, sob a forma de trabalho democrático e colaborativo. Tratam-se de iniciativas em que os trabalhadores são proprietários das plataformas, tomam as decisões de maneira democrática através de mecanismos digitais e a distância, de forma muito diferente da experimentada nas cooperativas tradicionais”, explica o pesquisador. Na visão de de Conto, as “CoopTechs” (cooperativas de base tecnológica) podem não apenas incluir quem está de fora da digitalização na troca de serviços, como ajudar a reduzir as desigualdades e a concentração do poder que está nas mãos dos agentes que detêm o capital (o software hoje em dia). “Nesse contexto, o cooperativismo de plataforma tem como principal impacto no eixo social viabilizar a inserção de trabalhadores em plataformas digitais nas quais eles tenham maior possibilidade de definir suas margens de retorno e fazer sua autogestão”, avalia. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- NÚMEROS Existem pelo menos 350 Cooperativas de plataforma ao redor do mundo  26 Países já colocaram a ideia em prática, incluindo o Brasil USS 1 milhão Valor aportado pelo Google para o financiamento de cooperativas em 2019 --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------  
Esta matéria foi escrita por Karine Rodrigues e Guaira Flor e está publicada na Edição 26 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação
 

Quantidade Com Qualidade

Além de gerar novos postos de trabalho, as cooperativas financeiras mantêm a preocupação constante de aperfeiçoar seu quadro de pessoal. Em 27 anos atuando no setor, o diretor executivo do Sicredi União (PR/SP), Rogério Machado, perdeu as contas de quantos cursos fez com o apoio do sistema cooperativista. Só pós-graduações, foram três — a mais recente, um MBA Executivo na Fundação Dom Cabral, na qual ele atualmente é mestrando em Gestão Empresarial. As visitas para conhecer boas práticas de cooperativas nos Estados Unidos, na Inglaterra e em Singapura também foram muitas.
Minha evolução enquanto profissional se confunde muito com o próprio desenvolvimento do Sicredi e a necessidade de busca por novos conhecimentos e metodologias que pudesse aplicar aqui. Sempre tive aqui muito apoio, tanto de me darem força e incentivo quanto financeiro”, conta.
O acesso aos estudos fomentados pela cooperativa foram, além de uma ferramenta profissional, uma conquista pessoal. Rogério, que veio de família humilde, começou a trabalhar como auxiliar de oficina mecânica aos 14 anos e sempre quis crescer por meio dos estudos, pois essa era a orientação dos seus pais. “Eles diziam que a gente precisava buscar crescer, enquanto pessoa, por meio dos estudos”, conta. Hoje, homem feito, tenta cultivar no Sicredi União a cultura de aperfeiçoamento que um dia lhe foi passada. Atualmente, a cooperativa tem um curso de MBA somente para os colaboradores, chamado Academia Cooperativa. A primeira turma forma-se em outubro deste ano. E há também uma Escola de Talentos, que funciona com pequenos módulos de formação ao longo de 12 meses, e todos os funcionários participam. Além disso, Rogério destaca que, antes de colocarem a mão na massa, todos os novos funcionários passam quinze dias de trabalho em um projeto de integração:
Eles têm esse tempo para conhecer a cultura cooperativa e enxergarem que, no cooperativismo, as pessoas são valorizadas pelo que são, e não pelo que têm. Isso ressignifica a forma como se veem como profissionais. Por isso, nossos profissionais atuam com paixão e engajamento em tudo o que fazem”.
Na avaliação do executivo, essa é uma forma de manter coesão na cooperativa — que tem 1.300 funcionários (300 contratados somente em 2019 para 25 novas agências) e é uma das quatro maiores do Brasil. “Construímos isso com respeito aos colaboradores, humildade nas nossas ações e coerência naquilo no que somos. Passamos para o time nosso posicionamento no mercado, de maneira clara. Aqui, buscamos não só o desenvolvimento técnico das pessoas, mas o interpessoal”  
Esta matéria foi escrita por Naiara Leão e está publicada na Edição 27 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação 
 

Oásis Na Crise

Existe uma ilha de oportunidades de trabalho em meio à crise econômica que atinge o Brasil. Enquanto o setor privado demite e o Brasil convive com um índice de desemprego de 12,5% — segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) —, as cooperativas financeiras abriram 20,5 mil novos postos de trabalho entre 2014 e 2018. Um crescimento de 19,7%, bem acima da média nacional para o período (5%), superando até mesmo a média geral do cooperativismo (17%), segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2018. Hoje, o setor emprega 67,3 mil pessoas. Na contramão do desemprego, está contratando em vez de demitir. Para a gerente técnica do Sistema OCB, Clara Máfia, o aumento do emprego nas cooperativas financeiras deve-se à expansão do setor e à abertura de novos postos de atendimento.
É um movimento interessante, pois, enquanto os bancos tradicionais estão caminhando no sentido da completa digitalização do relacionamento com o cliente, o cooperativismo financeiro — mesmo adotando a tecnologia —, faz questão de manter uma relação de proximidade,  de olho no olho com o cooperado”, observa.
Tal proximidade “gera um laço mais firme de confiança entre o cooperado e sua cooperativa financeira”, diz Clara.  Além disso, alinha-se aos princípios cooperativistas ao promover o desenvolvimento sustentável com a criação de postos de trabalhos para aquecer a economia local, gerando trabalho e renda para profissionais com perfis variados, como Jonathan Villalba, assistente financeiro do Sicoob Norte em Porto Velho (RO). Contratado em maio deste ano, Jonathan sentiu na pele os efeitos da crise econômica ao ficar desempregado por seis meses. A empresa em que ele trabalhava como gerente administrativo, no Paraná, decretou falência, e ele se viu sem trabalho pela primeira vez, aos 34 anos. Incomodado, avaliou que a situação do estado não era boa e decidiu buscar novas oportunidades em Rondônia, onde viveu por alguns anos, anteriormente. Lá, não encontrou uma situação muito diferente. Muitas empresas recusavam-se a contratá-lo porque tinham um teto salarial incompatível com sua experiência. “Foi difícil, encontrei muita dificuldade em recolocação no mercado de trabalho”, lembra. Desgastado pela busca, Jonathan optou por mudar a rota profissional e investir em um antigo sonho: trabalhar no mercado financeiro. Tirou uma certificação e partiu em busca de oportunidades na nova área. “No entanto, desta vez me deparei com outro obstáculo — a idade —, pois as grandes instituições financeiras no país costumam contratar assistentes de até 25 anos”, diz. A oportunidade que ele buscava surgiu no Sicoob Norte. “Encontrei uma oportunidade de recolocação e a realização de um sonho de menino, de trabalhar de roupa social em uma instituição financeira. Foi uma oportunidade importante, pois o Sicoob não faz distinção de idade”, diz. Hoje ele credita sua oportunidade ao mesmo fator apontado pela gerente do Sistema OCB: a capilaridade de um sistema que investe em contato presencial para se expandir. “Nosso sistema tem tudo para continuar crescendo, devido ao excelente atendimento, que é diferenciado justamente por ser personalizado”, afirma Jonathan.   GESTÃO PROFISSIONAL [caption id="attachment_76226" align="alignnone" width="512"] Crédito: Pixabay[/caption] Crescendo em contratações, o sistema cooperativista tem atraído profissionais cada vez mais qualificados, como a gerente regional de investimentos do Sicredi Vale do Piquiri (SP/PR), Márcia Guerra. Trabalhando na área de investimentos há 16 anos e com várias certificações, Márcia tornou-se alvo de recrutamento de diversas instituições quando decidiu sair do banco no qual trabalhava, em 2017, por conta de mudanças internas de gestão. Ela já tinha fechado uma proposta com uma grande instituição financeira quando foi contatada pelo Sicredi, que identificou seu currículo em uma plataforma on-line de empregos e vagas.
Eles me convidaram para que eu viesse conhecer a cooperativa e, até então, eu não conhecia bem o cooperativismo. Comecei a estudar a história e o modelo de negócios pelo mundo. Me encantei”, relembra Márcia.
Além disso, ela achou que a proposta de trabalho era mais desafiadora do que o que ela encontraria em uma instituição tradicional. “O Sicredi me oferecia um desafio maior, por atuar com uma marca nova em São Paulo, que é uma praça forte e consolidada. Inserir uma marca aqui é difícil e requer muito conhecimento técnico. E eu quis muito esse desafio.” Em dois anos no cargo, Márcia e sua equipe conseguiram implantar uma assessoria de investimentos e entregar as metas inicialmente propostas. Ela também fez uma formação internacional em cooperativismo, na Alemanha. As propostas de trabalho continuam chegando (“o mercado assedia bastante, viu?”), mas o ambiente de trabalho saudável é, para ela, algo valioso. “O Sicredi me abraçou. A diretoria e a presidência entenderam as ideias que eu trouxe, a mudança de cultura na forma de ver investimentos que propus. Eles abraçaram a causa e me veem não como gestora, mas como pessoa. Sabe aquela coisa de assistir à televisão no domingo à noite com preguiça de vir trabalhar no dia seguinte? Comigo não tem isso: eu amo trabalhar aqui”, conta. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Estados que mais empregam ESTADO           NÚMERO DE EMPREGADOS     CRESCIMENTO ENTRE 2017 E 2018 Paraná                               12.055                                           21,1% Minas Gerais                     11.439                                          14,5% Rio Grande do Sul            10.719                                           11,4% Santa Catarina                  9.519                                              15,3% São Paulo                         6.860                                              7.7% *Números absolutos de 2018. Variação percentual entre 2017 e 2018. Dados Anuário OCB 2010. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Estados em que a empregabilidade mais cresce* ESTADO           NÚMERO DE EMPREGADOS     CRESCIMENTO ENTRE 2017 E 2018 Amazonas                                   80                                196,3% Tocantins                                    395                              59,9% Sergipe                                        54                                38,5% Ceará                                           273                              25,2% Piauí                                             42                                23,5 * Números absolutos de 2018.Variação percentual entre 2017 e 2018. Dados Anuário OCB 2018. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------  
AGENDA BC# Reconhecendo o potencial de crescimento, empregabilidade e inclusão financeira do cooperativismo financeiro, o Banco Central destacou a importância do setor no lançamento da Agenda BC#, em junho deste ano. “Mesmo durante as crises na década anterior, o cooperativismo manteve-se firme na trajetória de crescimento. A gente precisa agora consolidar essa atuação”, afirmou o presidente do Banco Central, Roberto Campos, no evento. A Agenda BC# lista medidas para melhorar a saúde financeira do brasileiro e, por consequência, a economia do país, com foco em quatro pilares: Inclusão — o foco dessa dimensão é facilitar o acesso ao mercado financeiro para todos: pequenos e grandes, investidores e tomadores, nacionais e estrangeiros. Entre as medidas para alcançar esse objetivo, estão plataformas digitais, menos burocracia e simplificação de procedimentos. É intenção do BC atuar para que fontes privadas de financiamento ocupem mais espaço no mercado, de forma que se permita a redução da participação do governo nesse segmento. Competitividade — busca a adequada precificação por meio de instrumentos de acesso competitivo aos mercados. Há diversas inovações, impulsionadas por tecnologia, que incentivam a competição. Paralelamente, há desafios para reduzir barreiras, agilizar procedimentos e gerenciar riscos. Transparência — nessa dimensão, trabalha-se para aprimorar o processo de formação de preço e as informações de mercado e do BC. Ela investe no incremento da comunicação, na avaliação de resultados e na simetria de informação. Para tanto, é fundamental o relacionamento com parlamentares, investidores e o grande público. O BC trabalha para que a informação flua transparentemente em todos os aspectos, como no direcionamento de crédito e nos serviços financeiros. Educação — a dimensão Educação almeja conscientizar o cidadão para que todos participem do mercado e cultivem o hábito de poupar. Nesse sentido, é chave a participação de agentes de mercado, como cooperativas e distribuidores de microcrédito. Para atingir alta capilaridade, a dimensão prossegue também no esforço de plena implementação da Base Nacional Comum Curricular, de que consta a educação financeira como conteúdo programático elegível para escolas.
 
Esta matéria foi escrita por Naiara Leão e está publicada na Edição 27 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação 
 

Ocemg fala sobre Cooperativismo em ambiente virtual

Belo Horizonte (5/10/20) – Na próxima quarta-feira, dia 7 de outubro, o Sistema Ocemg realiza mais uma edição da palestra gratuita Orientações Básicas sobre Cooperativismo, em ambiente digital. A atividade é gratuita e aberta ao público. São oferecidas 25 vagas. Os interessados podem se inscrever clicando na aba de Cursos e Treinamentos do Portal do Sistema Ocemg, no endereço: www.sistemaocemg.coop.br.

Após confirmada a inscrição, os participantes receberão um link por e-mail para acessar a palestra, que será disponibilizada utilizando a metodologia do Microsoft Teams. Na aula on-line, o participante poderá interagir ao vivo.

A palestra Orientações Básicas sobre Cooperativismo busca informar os participantes a respeito dos fundamentos básicos e da organização de uma cooperativa. O conteúdo programático contempla informações sobre o cooperativismo e os aspectos jurídicos e contábeis relativos a essa forma de empreendimento. (Fonte: Sistema Ocemg)

Lives No Universo Coop

Caetano Veloso e Teresa Cristina não dominam sozinhos o universo das lives. Todo mundo entrou na onda de se conectar ao vivo por meio das redes sociais. Inclusive nós, do cooperativismo. Grandes eventos cooperativistas como o Dia C  e o World Coop Management  estão sendo realizados 100% online. Afinal, mesmo após a flexibilização da quarentena, recomenda-se evitar espaços fechados e aglomeração de pessoas. Das coops que aderiram aos eventos virtuais com sucesso destaca-se a Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Coapa)
“Antes da pandemia, nossas capacitações eram feitas no modo presencial, reunindo um grande número de cooperados. Agora elas são feitas via web”, constata Ricardo Khouri, presidente da cooperativa.
Como isso está acontecendo? Por meio de um aplicativo, no qual o quadro técnico recebe orientações via comunicados e até videoconferências. Além disso, o planejamento da safra 2020/2021 também não foi feito nos moldes tradicionais, porque os cooperados — habituados a uma relação de proximidade com os técnicos — passaram a recorrer mais a computadores ou aplicativos de celular para essa comunicação. “Desde fevereiro, o departamento comercial também tem feito uso mais frequente de plataformas digitais para a aquisição de insumos”, explica o presidente. Segundo Khouri, as atividades do processo produtivo de grãos não sofreram grandes mudanças, tendo em vista as exigências naturais da agricultura: determinadas épocas de plantio, manejo de pragas e doenças, colheita, transporte e armazenamento. A execução dessas atividades, entretanto, precisou incorporar ações de garantia da segurança dos cooperados, como o reforço nos cuidados sanitários, implementação de distanciamento social, uso de máscaras e higienização frequente das mãos e das superfícies de contato.   VITRINE VIRTUAL Outra mudança importante foi o aumento da visibilidade da Coapa. Em maio deste ano, por exemplo, Khouri participou de um painel virtual da Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins (Agrotins) — maior evento de negócios da Região Norte, que teve sua 20ª edição realizada 100% pela internet.
“Essa experiência foi inédita para mim. Eu falo muito para produtores rurais, para 50 ou até 200 pessoas, mas nessa live eu falei para 1.600 pessoas! Você atinge um público maior e não precisa do aparato de ter de viajar ou promover o deslocamento de produtores. É algo que veio para ficar. É uma revolução no jeito de levar informação para o produtor rural”, analisa o executivo.
Para acompanhar o calendário de lives do cooperativismo, acesse a aba de notícias do site somoscooperativismo.coop.br.    

Bê-A-Bá Da Transformação Digital

Para auxiliar cooperativas e cooperados a lidar com as mudanças necessárias nas estratégias de negócios durante a pandemia, o Sistema OCB lançou recentemente uma série de e-books orientando a trabalhar nas áreas de Marketing Digital, Delivery, Home Office, Aulas On-line, Vendas pela Internet, entre outros temas voltados para a inovação. Os guias podem ser acessados na página: somoscooperativismo.coop.br e também na recém-lançada plataforma InovaCoop     Com linguagem fácil, didática e vários hiperlinks para quem quiser se aprofundar no assunto, as cartilhas provam ser possível inovar agora para não perder o bonde da história — já que pesquisas indicam que as pessoas vão manter os hábitos de consumo adquiridos agora, durante a pandemia. Além disso, o material orienta cooperados a lidar com a maior concorrência no e-commerce, tendo em vista o exponencial aumento de empresas presentes no mundo digital. “Se você não divulgar bem o seu produto ou serviço, não terá visibilidade. E se você não atender às novas demandas do seu cliente, pode acabar perdendo mercado agora e também no cenário pós-pandemia”, alerta Samara Araujo, coordenadora do Núcleo de Informações e Mercados do Sistema OCB. Samara chama a atenção para o fato de que — neste momento de redução de gastos —, os consumidores tornam-se mais seletivos nas compras e menos fiéis a marcas, o que tende a ser propício para inserção de novas empresas no mercado. Nesse contexto, o marketing digital é ferramenta importante para a divulgação e o fortalecimento de uma marca.  
“Muitas pessoas estão com o recurso mensal comprometido, tendo de fazer escolhas de consumo. Nesse momento, marcas que antes não estavam no universo digital, mas conseguem se inserir, têm a oportunidade de falar com essas pessoas, que estão mais flexíveis para mudar de fornecedor.”
Ainda de acordo com a coordenadora de inovação, as cooperativas devem avaliar a possibilidade de fazer parcerias para inovar em curto prazo, seja para criar uma plataforma de comércio eletrônico, incluir serviços de delivery ou contratar uma agência de marketing digital. “Nesse primeiro momento, é difícil montar uma equipe dedicada a isso, especialmente para as cooperativas de pequeno porte. Então, faz mais sentido fazer parcerias para inovar de forma ágil, barata e eficaz”, orienta.  
Esta matéria foi escrita por Mariana Fabre e está publicada na Edição 30 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação 
 

Delivery de agricultura familiar

Toda crise é também um campo fértil de oportunidades. Basta ter coragem para mudar. E foi isso que a Cooperativa de Empreendedores Rurais de Domingos Martins (Coopram), localizada no Espírito Santo, fez. Antes da pandemia, seus quase 200 cooperados vivam quase que exclusivamente da venda de produtos da agricultura familiar para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Com o fechamento das escolas, em 17 de março, eles tiveram de se reinventar. Para não perderem a produção, criaram um site para a venda de seus produtos. E mesmo antes de a plataforma ficar pronta, começaram a negociar os produtos via WhatsApp — trabalho que envolveu a divulgação dos produtos nas redes sociais do Sistema OCB e do Sebrae local. O site foi lançado no fim de maio e já reúne 80% da demanda por produtos da cooperativa. A iniciativa integra a estatística da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), que aponta um aumento médio mensal de 400% no número de lojas que aderiram ao comércio eletrônico durante a quarentena. A média de abertura de lojas on-line era de 10 mil por mês até o meio de março, mas passou para 50 mil após as medidas de isolamento social serem adotadas em todo o país.  
A loja on-line é um projeto novo, que surgiu em decorrência da pandemia. Estamos aprendendo a trabalhar com esse novo mercado, pois ainda não temos muita experiência no meio digital. Contratamos uma empresa que criou o site e nos deu total suporte”, relata o presidente da Coopram, Darli José Schaefer.
Após ver uma postagem em rede social feita por uma amiga que havia adquirido uma cesta de alimentos da Coopram, a advogada e estudante de gastronomia Jéssica Oliveira resolveu também comprar alguns produtos. “Confesso que sou muito criteriosa com essa coisa de comprar alimento pela internet. Mas eu gostei de lá porque realmente vem tudo muito fresco e de ótima qualidade”, comenta. CLIENTE Há quase dois meses, Jéssica mantém a rotina de fazer uma encomenda por semana e diz gostar da praticidade de poder escolher cada produto que irá compor sua cesta. “Tem ainda a questão de valorizar os pequenos produtores; sempre procuro isso e tenho indicado para muita gente”, afirma. A advogada lembra que não tinha o hábito de fazer esse tipo de compra via internet, mas precisou se adaptar em função da pandemia e acredita que essa tendência será mantida no futuro próximo. Hoje, a Coopram entrega cerca de 30 cestas de produtos por semana na região de Vitória, Vila Velha e Domingos Martins. Nada mal para um cooperativa que sequer possuía serviços de entregas em domicílio.  
Foi uma reinvenção necessária para a sobrevivência da cooperativa”, admite  Schaefer.  “Remanejamos as equipes que estavam paradas, como o caso da área responsável pelo atendimento ao PNAE, para atender a essa nova demanda de delivery. A qualidade dos serviços prestados tem feito a procura pelo nosso site crescer.”
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Vale destacar: o setor de Alimentos e Bebidas foi o que mais cresceu dentro do comércio eletrônico brasileiro no mês de abril, com um aumento de 294,8% no volume de compras em relação a abril de 2019. Os dados são do Compre & Confie, que ainda contabilizou um faturamento do varejo digital brasileiro de R$ 9,4 bilhões em abril, valor 81% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Somente em abril foram realizadas 24,5 milhões de compras via internet no Brasil, 98% a mais do que em abril de 2019. Para saber mais, veja o case da Coopram em Inova.coop.br/radar. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------   INFORMAÇÃO IMPORTANTE!   No último dia 7 de abril, foi publicada a Lei nº 13.987, que altera o marco legal do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) para autorizar, durante o período de suspensão das aulas, a distribuição de gêneros alimentícios adquiridos com recursos do programa diretamente aos pais ou responsáveis dos estudantes das escolas públicas de educação básica. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação disponibilizou um manual com orientações para os agentes do setor.
Esta matéria foi escrita por Mariana Fabre e está publicada na Edição 30 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação 
 

Qual a relação entre Aldir Blanc e as cooperativas?

  Muito antes de dar nome uma lei, Aldir Blanc já cantarolava em uma de suas músicas mais famosas: “o show de todo artista tem de continuar”. E é isso que a lei que leva seu nome (14.017/2020)  está fazendo pelo pequenos produtores culturais do Brasil. Sancionada em 29 de junho, a Lei Aldir Blanc — que homenageia o compositor, falecido em maio, vítima da Covid-19 — prevê a destinação de R$3 bilhões para garantir renda de R$600 a trabalhadores da cultura, ou subsídios de R$3 a R$10 mil para manutenção de espaços artísticos e culturais, micro e pequenas empresas culturais, instituições e organizações culturais comunitárias e ... cooperativas. Sim, graças a um intenso trabalho de representação política, conseguimos garantir a menção expressa às cooperativas nessa lei. Com isso, garantimos legalmente nosso direito a pleitear os benefícios previsto para o setor. A produtora cultural Marília de Lima, que trabalhou por seis anos na Cooperativa Cultural Brasileira (e chegou a presidi-la), comemorou a aprovação da Lei.  
Infelizmente a área cultural, criativa e do entretenimento é a primeira que para e, provavelmente, vai ser a última a voltar. Por isso, essa lei é de extrema importância para o setor", explica.
  [caption id="attachment_76045" align="alignnone" width="6000"] Crédito: Shutterstock[/caption]   A Lei Aldir Blanc atende  artistas, contadores de histórias, produtores, técnicos, curadores, trabalhadores de oficinas culturais e professores de escolas de arte e capoeira que estejam sem emprego formal, com comprovada atuação na área nos últimos dois anos e renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa da família. No caso das instituições — dentre as quais, as cooperativas — há uma relação direta entre a execução do fazer artístico e o funcionamento administrativo delas. Daí, a importância do auxílio para a manutenção destes espaços.  
Muitas cooperativas, associações e empresas desenvolvem projetos e têm uma estrutura que precisa ser mantida. E como não está sendo possível se apresentar, elas estão financeiramente descobertas. Então, é interessante saber que poderão contar com uma verba  para tentar se manter nesse período. É mais um pontinho que a cultura, que a arte, acaba ganhando", defende Marília.
Cabe, é claro, lembrar do importante papel que o setor cultural está desenvolvendo no decorrer da pandemia. Basta se perguntar: quantas lives, filmes e programas de televisão você já assistiu? Quantos livros leu? "Um dos grandes salvadores para que as pessoas ficassem em casa e fizessem isolamento social foi poder acessar a cultura das mais variadas formas. Agora tem até empresa se especializando em lives, uma parte do mercado que a arte ainda era um pouco reticente", conclui a produtora. Quer saber mais sobre a Lei Aldir Blanc? Dá uma olhadinha na matéria que selecionamos para você! E para conhecer melhor o compositor que deu nome à lei, assista esse vídeo:   [embed]https://www.youtube.com/watch?v=uZ1lDbYRQFE[/embed]  
Esta matéria foi escrita por Farol Conteúdo e está publicada na Edição 30 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação 
 

Coonexão Digital

De uma hora para a outra, o mundo mudou! O coronavírus tirou as pessoas das ruas, transformou as rotinas de trabalho e fez muitos empreendedores reinventarem seus negócios. Quem estava fora da internet correu para se atualizar. Não dava mais para ficar de fora da rede. Afinal, como bem disse Bill Gates, só existem dois tipos de empresa: as que fazem negócios pela internet e as que deixarão de existir. “A pandemia acelerou um processo de mudança que ainda estava germinando em muitos setores da economia. Pessoas que viam a transformação digital, a inovação, como uma coisa para investir nos próximos anos se viram no seguinte dilema: ‘ou eu invisto nisso, ou meu negócio morre’”, avalia Samara Araujo, coordenadora de Inovação do Sistema OCB. Dentro do cooperativismo, 64,6% das cooperativas aceleraram processos internos de inovação, implementando novas formas de relacionamento com os cooperados e/ou clientes. É o que revela a pesquisa O novo normal e as cooperativas, realizada entre 9 de abril e 6 de maio, pela Coonecta. Essa tendência vivenciada pelo cooperativismo é perceptível também nos outros setores da economia, como revela o relatório Neotrust, realizado pelo movimento Compre&Confie em parceria com o E-commerce Brasil. O estudo revela que:
  • no primeiro trimestre de 2020 houve um crescimento de 32,6% nos pedidos on-line realizados no Brasil em comparação ao mesmo período do ano passado, atingindo um total de quase 50 milhões de transações;
  • com o aumento do número de vendas, o faturamento das plataformas de e-commerce teve um incremento de 26,7% em relação ao primeiro trimestre de 2019, totalizando mais de R$ 20 bilhões;
  • quase 16 milhões de brasileiros adquiriam algum produto ou serviço pela internet nos três primeiros meses do ano. Alta de 22,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Confira, a seguir, a história de uma cooperativa que soube se reinventar nesta pandemia e está surfando na onda dos negócios on-line:   METAMOFORSE EM 15 DIAS
[caption id="attachment_76036" align="alignnone" width="865"] Crédito: Cooplem[/caption]   --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Nome: Cooperativa de Ensino de Língua Estrangeira Moderna (Cooplem) Ramo: Trabalho, Produção de Bens e Serviços Estado: DF Mudança implementada: Migração das aulas presenciais para uma plataforma digital de ensino. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------   Um dos setores mais impactados pela pandemia do coronavírus foi o educacional. Em todo o país, as aulas de escolas, cursos de idiomas e universidades estão suspensas desde o começo de março. Diante desse cenário, a primeira cooperativa de idiomas do Brasil — a Cooperativa de Ensino de Língua Estrangeira Moderna (Cooplem) — soube inovar rapidamente seu modelo de operação.
Conseguimos colocar toda a equipe do presencial para trabalhar on-line em 15 dias, o que acho um tempo recorde”, comemora Débora Lima, presidente da Cooplem. Ela explica que, desde o ano passado, havia um projeto de desenvolvimento de uma plataforma de ensino virtual. “A pandemia nos obrigou a acelerar esse processo. Foi desafiador, mas valeu a pena”, comemora.
Hoje, todas as aulas, os plantões, as atividades e avaliações da cooperativa funcionam digitalmente em uma plataforma que reúne mais de 7.500 alunos e 140 professores. As aulas são transmitidas ao vivo, nos mesmos horários das antigas turmas presenciais. De casa, os alunos acessam a plataforma da escola (https://online.cooplem.com/) usando login e senha, e participam das aulas por meio do Google Meet — serviço de videochamada que permite reunir até 250 participantes. Antes de colocar a plataforma no ar, a direção da Cooplem teve o cuidado de realizar capacitações  virtuais com os professores. Objetivo? Ensiná-los a lidar da melhor forma possível com as novas ferramentas do ensino a distância (EaD). Também foram desenvolvidas atividades de adaptação para alunos ao novo formato de ensino. “Criamos tutoriais, vídeos e posts explicando o passo a passo do ED. Uma equipe foi disponibilizada para dar suporte aos alunos que enfrentassem alguma dificuldade, com colaboradores ajudando a criar os logins e a fazer as configurações necessárias para acessar a plataforma e entender o seu funcionamento. Tem sido uma adaptação para eles, e para nós também”, conta Débora. O novo formato das aulas tem agradado os estudantes. “Particularmente, gosto muito das aulas on-line, porque a gente tem recursos muito bons, como filmes ou músicas, que às vezes não temos condição de usar na aula presencial”, avalia Giovanna Nolasco, aluna da Cooplem desde os 10 anos de idade. Para ela, a única dificuldade do formato digital foi encontrar maneiras de se manter concentrada na telinha do computador.  
Fazer as coisas em casa não é fácil, porque tem muito mais distração do que dentro de uma sala de aula. Então você realmente precisa estabelecer um horário fixo, fechar a porta e falar ‘agora não dá pra ter contato com ninguém’”, orienta a estudante.
Quando toda essa crise passar, a Cooplem não pensa em retroceder em relação às aulas digitais. “Nosso objetivo, agora, é ampliar nossa atuação on-line, levando nossos cursos para todo o Brasil”, vislumbra Débora. O primeiro passo nesse sentido já foi dado. Em 16 de junho, foi lançado na internet o Cooplem em Casa — nova modalidade de curso 100% digital. Segundo ela, a projeção é alcançar no mínimo 13 mil novos alunos pela rede mundial dos computadores. Dessa forma, a cooperativa atuará nas duas frentes, tanto on-line quanto presencial, nas 12 unidades no Distrito Federal.  
Esta matéria foi escrita por Farol Conteúdo e está publicada na Edição 30 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação 
 

Coops de SC promovem ações de combate à covid-19

Florianópolis (8/9/20) – O cooperativismo catarinense é reconhecido por exercer com excelência o sétimo princípio: interesse pela comunidade. E neste período de pandemia, não poderia ser diferente. Um levantamento realizado pela Ocesc (Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina) junto às cooperativas registradas revelou que, desde o início das recomendações de isolamento social, elas desenvolvem cerca de 220 ações para ajudar na prevenção e no combate do novo coronavírus nas comunidades em que atuam.

Além de instituírem medidas de segurança interna para empregados, as 44 cooperativas que reportaram ações à Ocesc ainda fizeram doações a hospitais e a famílias carentes. Ao todo, 11 cooperativas doaram dinheiro a instituições que atuam na linha de frente do combate à pandemia. Juntas, essas doações somaram mais de R$ 660 mil. Além disso, quatro cooperativas catarinenses participaram de mobilizações para arrecadação de fundos e alimentos e seis distribuíram cestas básicas e outros alimentos para comunidades em situação de risco.

O relatório mostra, ainda, que três cooperativas doaram EPIs (equipamento de proteção individual), materiais de higiene e respiradores para hospitais. Quatro doaram e financiaram a produção de máscaras e duas distribuíram álcool em gel, para ajudar na prevenção da doença. Duas cooperativas instalaram unidades de atendimento móvel para apoiar a realização de testes e uma doou testes rápidos.

Para o presidente da Ocesc, Luiz Vicente Suzin, os números destacam a preocupação do cooperativismo com a sociedade.“No momento de crise da saúde pública que estamos vivendo, as cooperativas catarinenses demonstram a importância de cooperar em prol de um bem maior. Com doações de respiradores, equipamentos de proteção, alimentos e muitos outros, elas atuam no combate e na prevenção da doença, honrando com os nossos princípios mais fundamentais”, enfatiza Suzin.

O relatório mostrou também que as cooperativas estão divulgando as maneiras corretas de se prevenir, promovendo palestras e treinamentos para empregados e veiculando informativos nas mídias sociais.

Como a área econômica também foi afetada pela pandemia, algumas cooperativas do ramo crédito, por exemplo, liberaram operações especiais de crédito para os cooperados. O levantamento mostrou também que, nesse período de isolamento social, os canais digitais de atendimento foram fortalecidos e tornaram-se aliados das cooperativas, garantindo atendimento de qualidade. (Fonte: Ocesc)

Coops contra o coravírus

Segundo país no epicentro do novo coronavírus, a Itália registrou, em poucas semanas, um grande número de contaminados e mortes. Nesse momento de extrema dificuldade, muitas cooperativas colocaram suas estruturas à disposição para a fabricação de equipamentos de proteção hospitalar que ficaram em falta no país e no mundo durante o pico da Covid-19. As cooperativas italianas fizeram doações aos hospitais e ofereceram transporte gratuito para médicos, enfermeiros e pacientes. Também disponibilizaram refeições e bens essenciais para pessoas necessitadas. O bloqueio no país exigiu novas formas de trabalhar nas cooperativas. Paolo Scaramuccia, coordenador de produção da Liga Nacional de Cooperativas (Legacoop), explica que, desde março, todas as atividades passaram a ser realizadas no ambiente on-line, como reuniões e treinamentos. Como no caso da China, essa medida estimulou as cooperativas a investirem em inovação e treinamento com foco nas tecnologias digitais.
Nestes meses temos aprendido que estar presente faz diferença. As necessidades do mercado mudaram, surgiram novos regulamentos e novas necessidades, mas nós aprendemos que mudar é possível em um período curto de tempo. Fizemos muito mais coisas do que antes fazíamos, e na metade do tempo. Estamos todos trabalhando de maneira muito mais inteligente, poluindo menos e construindo o futuro”, afirma.
Além disso, para ajudar as cooperativas com problemas de liquidez financeira, a Liga ofereceu empréstimos com taxas de juro zero. ÁFRICA [caption id="attachment_75989" align="alignnone" width="1920"] Crédito: Banco de imagens[/caption]   O continente africano — composto por muitas economias subdesenvolvidas — também tem sofrido com bastante intensidade os efeitos da pandemia. A diretora regional da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) África, Chiyoge B. Sifa, salienta que as cooperativas estão trabalhando em parceria com os governos dos países mais afetados, colaborando tanto com a promoção de políticas públicas quanto promovendo iniciativas próprias de auxílio à população.  
“As cooperativas têm tentado se organizar rapidamente para auxiliar os seus membros. Os cooperados também têm colaborado conosco, com a doação de dinheiro, alimentos e produtos de higiene, para podermos implementar as medidas do governo”, acrescenta.
Como o comércio foi fortemente atingido pelo lockdown, as cooperativas precisaram fazer empréstimos com a Ásia e Europa, além de países africanos, para a compra de equipamentos de saúde. “A infraestrutura de saúde e a infraestrutura de transporte têm recebido poucos investimentos. Então, isso tem sido um fator negativo para o desenvolvimento da nossa resposta à Covid. As nossas cooperativas têm feito o possível para ajudar os nossos governos e as nossas economias”, avalia Chiyoge. O Banco Cooperativo do Quênia, por exemplo, doou 1 milhão de dólares para o enfrentamento do vírus e a aquisição de equipamentos médicos. Outra contribuição das cooperativas tem sido o compartilhamento de informações sobre a prevenção à doença. O pico da Covid-19 no país é esperado para este mês de setembro. Até lá, a insegurança alimentar deve ser fator de constante atenção. Para enfrentar essa dificuldade de acesso a alimentos básicos, as cooperativas contam com o apoio de outros continentes no estímulo à agricultura. Ao avaliar o momento, a diretora da ACI na África afirma que a pandemia tem ensinado a importância da sustentabilidade financeira e de recursos.  
“A pandemia nos ensinou que é preciso ter alguma reserva para poder oferecer. Temos visto como o mundo tem se esforçado para superar o problema, e que muitos países fecharam suas fronteiras. A sustentabilidade nacional em cada país e a das nossas próprias organizações se tornaram fundamentais e terão repercussão na forma que cooperaremos. Qualquer momento uma nova crise pode vir, e não podemos estar vulneráveis”, avalia.
Chiyoge acrescenta que não podemos alcançar essa sustentabilidade sem cooperação. “Nossos amigos de outros países nos precederam nessa experiência. Logo, não precisamos reinventar a roda”, prevê a diretora, citando o caso da China, que conseguiu uma boa resposta à pandemia e tem colaborado com o intercâmbio de informações.   BRASIL [caption id="attachment_75990" align="alignnone" width="1200"] Crédito: Banco de imagens[/caption]   O representante do Brasil no Conselho de Administração da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), Onofre Cezário Filho, ressalta a importância da cooperação entre países no combate à Covid-19.  
“A partir das experiências vividas no Brasil e observadas em outros países, fica claro que o caminho natural e necessário para a saída dessa crise global é a cooperação. As organizações com maior capacidade de atender às novas demandas sociais de forma mais justa e solidária, sem dúvidas, são as cooperativas”, afirma.Para a OIT, as cooperativas precisam ser reconhecidas não apenas pelas suas colaborações nos momentos emergenciais, mas também pelos seus potenciais na recuperação e transformação de sociedades e economias a médio e longo prazos.
“É importante que as cooperativas mostrem ao mundo como esse modelo de negócios pode criar empregos e novas fontes de renda, já que haverá muitas falências e demissões em empresas tradicionais”, enfatiza a diretora de Cooperativismo da OIT Simel Esim. “Temos toda a confiança de que os valores e princípios do cooperativismo podem orientar a transição não apenas para um novo normal, mas para um melhor normal”, conclui.  
Esta matéria foi escrita por Tchérena Guimarães e está publicada na Edição 30 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação 
   

Todos contra um

De repente, todo o mundo se viu diante de um inimigo invisível. Ele chegou mudando tudo e exigindo novas formas de viver, produzir e trabalhar. Minúsculo, mas com efeito devastador, o novo coronavírus se alastrou até tornar-se uma pandemia. Seus efeitos foram sentidos mundialmente, não apenas na saúde, mas também na economia. Mais do que nunca, cooperar virou uma necessidade entre pessoas, nações, cientistas e políticos. Somente juntos conseguiremos vencer a Covid-19. Dentro desse contexto, o movimento cooperativista — que sempre defendeu esse ideal — está trabalhando para a superação dessa crise. “Valores de solidariedade e cooperação são mais necessários hoje do que nunca. Alguns pensadores preveem uma nova ordem global. Eles apontam para uma redescoberta do valor do estado social, especialmente no que diz respeito à saúde, educação e assistência social”, afirma a diretora de Cooperativismo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) Simel Esim.  “Este também é um momento em que muitas pessoas estão percebendo a necessidade de práticas de negócios transformadoras que não se importam apenas com a questão econômica”, acrescenta. De acordo com a OIT, mais de cinco bilhões de pessoas foram afetadas em todo o mundo pelos bloqueios que determinaram medidas de isolamento social contra a disseminação do novo coronavírus. A interrupção total ou parcial das atividades empresariais causada pelos bloqueios colocou 436 milhões de empresas em risco. Em decorrência das medidas, outros milhões de trabalhadores estão sem empregos e sem renda para o próprio sustento e o dos seus familiares. As cooperativas, como todos os outros setores da economia global, também estão sentindo o impacto desta crise sem precedentes. Desde o princípio, no entanto, elas têm trabalhado interna e externamente para enfrentar a pandemia, auxiliando os seus membros, as comunidades onde estão inseridas e a sociedade como um todo. São contribuições e experiências que têm gerado resultados impactantes ao redor do mundo. Confira: ÍNDIA [caption id="attachment_75979" align="alignnone" width="740"] Crédito: banco de imagens[/caption]   Muitas cooperativas mudaram suas produções para atender melhor à população. Em vez de manipular medicamentos ayuvérdicos , elas agora fabricam máscaras faciais e desinfetantes para as mãos. Os materiais foram distribuídos para pessoas com alto risco de contágio pela Covid-19, incluindo trabalhadores da linha de frente, como profissionais de saúde. Cooperativas de crédito atuaram para reduzir os impactos econômicos gerados pela crise e reduziram taxas com o objetivo de assegurar que pessoas físicas e jurídicas conseguissem honrar seus compromissos. O cooperativismo também tem sido um dos principais responsáveis por manter a cadeia de suprimentos de alimentos e mercadorias essenciais em movimento. Vale destacar: a Índia é o país com o maior número de cooperados do mundo. medicamentos naturais desenvolvidos dentro de uma antiga filosofia indiana, com mais de dois mil anos de existência. A palavra Ayurveda é proveniente do sânscrito e possui duas partes: Veda, que é traduzido como conhecimento, ciência ou sabedoria; e Ayus, que significa vida. Nesse contexto, Ayurveda é o conhecimento, a ciência ou sabedoria que propõe uma vida saudável em harmonia com as leis da natureza. CHINA [caption id="attachment_75980" align="alignnone" width="626"] Crédito: banco de imagens[/caption]   As cooperativas conseguiram importantes resultados na estruturação de respostas à Covid-19 relacionada à produção no campo. Como o país foi o primeiro a sentir os efeitos sanitários e econômicos da pandemia, as cooperativas precisaram desenvolver estratégias rápidas e inovadoras para garantir a produção de alimentos, inclusive na província de Hubei — o primeiro epicentro da Covid-19. “Muitas cooperativas instituíram equipes de trabalho imediatamente para ajudar a distribuir suprimentos, além de reunirem esforços para garantir que os insumos — como fertilizantes, inseticidas e sementes — estivessem disponíveis para a produção no campo”, explica Zhang Wangshu, diretor-geral do Departamento de Cooperação Internacional da Federação Chinesa de Cooperativas (ACFSMC) — entidade de representação  que conta com 17 milhões de cooperados, sendo a sua maioria produtores rurais. Uma das formas encontradas para amenizar os impactos do bloqueio — que durou cerca de dois meses no país — foi o desenvolvimento de plataformas digitais para comercialização de produtos e o aperfeiçoamento da plataforma 832, voltadas para o estímulo do comércio nas 832 comarcas chinesas consideradas de extrema pobreza.  Os recursos on-line, como transmissões ao vivo, foram amplamente utilizados para a promoção do produtos do campo. Em paralelo, as cooperativas se empenharam na melhoria da rede logística de circulação dos produtos e na conexão entre as áreas urbanas e rurais. No âmbito das cooperativas, a resposta à Covid 19 se dividiu em quatro linhas principais:
  1. Empenho de esforços para a retomada de trabalho e produção;
  2. Proteção à produção agrícola;
  3. Assistência ao comércio de produtos; e
  4. Recuperação contínua com a melhoria da rede de circulação.
A intercooperação foi fundamental para o sucesso dessas ações. “Um dos princípios fundadores das cooperativas é o de assistência mútua. Convocamos todas as cooperativas a apoiar a província de Hubei e comprar produtos de lá, e recebemos um feedback muito positivo”, comemora Wangshu. O resultado foi surpreendente: mais de US$ 90 milhões vendidos em produtos como chás e lagostim somente na província. Essa cooperação mútua também ajudou a fomentar a rede de supermercados e lojas de conveniência, além de estar colaborando para o desenvolvimento de ações pós-pandemia.    
Esta matéria foi escrita por Tchérena Guimarães e está publicada na Edição 30 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação 
 

Sem medo de ousar

Tudo que envolve mudança assusta, mas quando o risco se transforma em resultados mais que satisfatórios, o caminho se torna bem mais simples. Esse foi o caso do agricultor e zootecnista Ricardo Bueno, 53 anos. Há sete anos, ele apostou em um projeto ousado da Cooperativa Agroindustrial (Coplana), de Guariba, interior paulista. Em vez de garantir a colheita replicando técnicas de  plantio que usava há décadas em seu canavial, Bueno acreditou em uma nova tecnologia desenvolvida experimentalmente pela cooperativa em laboratório, juntamente com pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas (IAC): mudas pré-brotadas. Os cultivares tinham sido geneticamente modificados para adaptar-se às características das lavouras canavieiras da região, mas ainda estavam em fase de testes. Seguindo o ditado popular, o cooperado arriscou e não se arrependeu. Com um sorriso no rosto, Bueno conta que as novas mudas não só tinham mais qualidade, como ajudaram-no a aumentar a colheita.
“Em média, colhíamos em torno de 130 toneladas de cana-de-açúcar por alqueire no primeiro corte. Já no primeiro ano em que plantei com as mudas da Coplana, extraí 175 toneladas por alqueire”, relata.
O projeto da cooperativa — batizado de +Cana — tem trazido esses e outros benefícios para os cooperados. Desde que começaram a utilizar mudas pré-brotadas em laboratório, o custo de plantio dos canaviais foi reduzido pela metade, caindo de R$ 1,4 mil para R$ 720. Quer mais? No modelo antigo, cada cooperado precisava adquirir um hectare de mudas para montar um canavial com cinco hectares de extensão. Utilizando as mudas produzidas pela própria cooperativa, conseguem plantar um canavial de 50 hectares com a mesma quantidade de mudas. Uma melhora de 900%. Para completar, as mudas desenvolvidas em laboratório chegam ao solo 100% livres de pragas e doenças, dando origem a outras mudas sadias. “Outro problema que tínhamos constatado na região é que havia produtores com variedades defasadas de cana”, analisa Pablo Humberto Silva, então gestor do departamento de tecnologia e inovação da Coplana. “Agora temos variedades mais modernas de cultivares, uma nova metodologia de plantio e um custo de produção significativamente menor”, completa. Por tudo isso, o projeto +Cana revolucionou o plantio da cana-de-açúcar em São Paulo. A iniciativa gerou resultados tão positivos para os cooperados que garantiu à Coplana o troféu de campeã do Prêmio SomosCoop 2016, na categoria Inovação e Tecnologia. Motivada pelo reconhecimento dos cooperados e do Sistema OCB, a cooperativa desde então trabalha em novos projetos inovadores.  
Esta matéria foi escrita por Kelly Ikuma e está publicada na Edição 23 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação 
 

Liderando Pelo Exemplo

Um líder natural, bom ouvinte, agregador e justo. É assim que Edis Ken Matsumoto é reconhecido por cooperados, funcionários e parceiros da Cooperativa Agrícola Nova Aliança (Coana), em Petrolina, Pernambuco. Presidente da entidade desde 2012, o engenheiro mecânico de 49 anos, natural de Cruzeiro do Oeste, no Paraná, abriu mão de um emprego seguro e uma vida estável em São Paulo para se arriscar na produção de uvas finas em áreas irrigadas do Vale do São Francisco. Um homem que se destaca por sua capacidade administrativa, de diálogo e visão de futuro. “O Edis sabe gerenciar conflitos, é muito focado em resultados e também em pessoas. Sempre ouve as diferentes opiniões e procura ser justo em suas decisões”, afirma Talita dos Santos Silva, gerente da Coana. O irmão e sócio Newton Shun Matsumoto concorda e acrescenta: “Ele sempre foi uma pessoa de diálogo, de entendimento. Lidera pelo argumento e não pelo poder. Pessoas assim são cada vez mais difíceis de encontrar.” Para Edis, o preço da liderança é alto, mas recompensador.
 É preciso saber ouvir, não perder a paciência com os diferentes pontos de vista, agregar e alinhar pessoas e pensamentos. Nada disso é fácil, mas, quando conseguimos alcançar os resultados almejados, é também extremamente gratificante; uma conquista coletiva e que se potencializa justamente por isso.”
Apaixonado pelo que faz, ele explica o que o motiva a se levantar todos os dias: sentir que pode fazer a diferença. Esse é o estímulo que o faz se dedicar diariamente à busca de alternativas que permitam aprimorar cada vez mais os processos que envolvem as necessidades da cooperativa. Uma característica claramente percebida pelos sócios e cooperados da Coana. “Em geral, a principal característica dos nossos cooperados é o conhecimento técnico com a produção propriamente dita. O Edis conhece a parte de gestão, de administração mesmo. E isso permitiu uma maior profissionalização da cooperativa, tanto em termos de estrutura quanto funcionalmente. Ele trouxe empresas parceiras, consultoria especializada”, destaca Newton.   Jerry Ito, também cooperado desde a fundação da Coana, concorda:
Com o Edis experimentamos uma nova era de governança, gestão e valorização dos profissionais envolvidos. Ele investiu em capacitação e em processos de avaliação vertical e horizontal de alto nível que trazem resultados inquestionáveis e valorizam o nosso produto. Apesar de também ser cooperado, age mais como um CEO e deixa aflorar um trabalho de excelência como gestor e coordenador”.
De fato, foi por iniciativa de Edis que a Coana desenvolveu seu primeiro planejamento estratégico, pensado para o quinquênio 2017-2021. As metas, no entanto, podem ser alcançadas  já em 2020. “Projetamos um faturamento de R$ 100 milhões e a comercialização de 11 mil toneladas de uva para o fim de 2021, e nossas projeções apontam que vamos alcançar esses números ainda este ano. Além disso, avançamos na criação de um departamento de marketing e outro de tecnologia da informação, que também faziam parte do planejamento”, explica o gestor.   TRAJETÓRIA [caption id="attachment_75923" align="alignnone" width="1914"] Arquivo Pessoal[/caption]   Fundada em abril de 2005, a história da Coana está entrelaçada com a trajetória de Edis em Petrolina. Tudo começou com Newton, que se mudou para a região ainda na década de 1980, quando era funcionário da Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC). Engenheiro agrônomo, ele sempre quis atuar em áreas de fronteira agrícola e decidiu deixar Cotia para trabalhar com consultoria e assistência técnica no Vale do São Francisco. Quando surgiu uma oportunidade, adquiriu terras em sociedade com Edis (que até então entrou apenas com capital) e investiu no plantio de uvas sem semente. Deu tão certo que ele chamou o irmão para assumir a sociedade de fato e o ajudar na fazenda. Era o ano de 2002, e Edis atuava como engenheiro mecânico em uma grande empresa em São Paulo. Estava casado há cerca de um ano e não se via como produtor agrícola, apesar de ser filho de um pequeno agricultor que plantava café e uvas, tinha uma granja de galinhas poedeiras e chegou a criar bicho da seda.
Quando o Newton me chamou, conversei com minha esposa, Priscilla, e resolvemos arriscar. Já tínhamos em mente que não queríamos criar nossos futuros filhos na correria de uma cidade como São Paulo e vimos o convite como uma oportunidade”, relembra Edis.
A mudança foi acomodada em uma caminhonete e o casal partiu sem pressa, rumo a Petrolina. Também levavam na bagagem mais incertezas que certezas. “Não sabíamos como seria, mas confiava muito no trabalho do meu irmão”, afirma Edis. No caminho, descobriram que Priscilla estava grávida. Assim, a chegada foi cercada de uma forte carga de emoção e dúvidas. “Foi tudo muito radical. Saímos de uma cidade em que tínhamos tudo e chegamos em um local com um índice de pobreza muito alto, no meio do semiárido e com uma dinâmica completamente diferente”, acrescenta. A adaptação não foi fácil, principalmente para Priscilla. “O Edis tinha o irmão e os pais, que também vieram para Petrolina. Eu não tinha ninguém da família por perto; além disso, tudo era longe e difícil, ainda mais com um filho recém-nascido”, relata. Edis lembra que se estressava muito no início, por conta do ritmo mais lento da cidade e das dificuldades para resolver pequenas coisas. “Como família, acredito que levamos cerca de cinco anos para nos adaptar por completo. Isso só aconteceu quando nasceu nossa filha e conseguimos consolidar algumas amizades.” Quando chegaram, Newton e o pai de Edis já eram associados a uma outra cooperativa em Juazeiro, na Bahia, cidade vizinha a Petrolina, separada apenas pelo Rio São Francisco. Ele também se associou e passou a compor o conselho fiscal da entidade. Em 2005, no entanto, divergências sobre os rumos que deveriam seguir levaram a uma ruptura e à fundação da Coana. “Queríamos focar na qualidade e na exportação da nossa produção. Para isso, precisávamos investir em certificações internacionais. A Coana nasceu voltada para essas características”, explica Edis.   UM LÍDER NATO Apaixonado por gestão, Edis fez uma pós-graduação na área quando ainda morava em São Paulo e sempre participou da diretoria da Coana, atuando nas áreas contábil e financeira. “A produção é o ponto crucial para os associados, que se voltam muito para essa parte e acabam tendo menos tempo para as questões administrativas. Como gosto e tenho facilidade com essa parte, liderar a cooperativa acabou sendo um processo natural”, afirma. Prestes a completar 15 anos de existência, a Coana, segundo Edis, ainda tem muito para avançar, mas já começa a dar mostras de amadurecimento. “Tivemos um período muito difícil entre o quinto e o décimo ano, principalmente no que diz respeito a questões de relacionamento. Agora, no entanto, estamos mais próximos de uma grande família. Já conseguimos falar e escutar sem nos machucar, e esse é um sinal evidente de maturidade. Levamos 12 anos para fazer nosso primeiro planejamento estratégico, mas temos trabalhado muito essa questão da gestão e profissionalização de nossas ações para que o futuro seja cada vez mais promissor”. Edis acredita que a Coana estará totalmente desenvolvida quando alcançar uma estrutura capaz de  medir a eficiência de todos os seus setores e ter uma visão voltada para a sucessão, a partir da troca de geração.
Precisamos nos preocupar com quem virá depois de nós. Nossos sucessores precisam entender o que a cooperativa significa e sua importância no contexto do nosso negócio. Precisamos ter gestão, liderança, história e estrutura. Mas também precisamos ter como passar o bastão”, ressalta.
Pessoalmente, Edis considera que seu trabalho à frente da cooperativa é uma realização pessoal e profissional. “Consegui crescer junto e sobreviver a várias crises nestes 15 anos. As conquistas são sempre muito motivadoras e busco melhorar sempre. Estudo, aprimoro meus conhecimentos, procuro aconselhamento, quando necessário. Assim como a Coana, sinto que estou no meio do caminho e ainda há muito a fazer.” Seu mandato como presidente termina em dezembro deste ano, mas ele nem se imagina longe das decisões da cooperativa. “Certamente vou continuar atuando como diretor, ou de alguma outra forma”. Priscilla concorda: “É realmente o que ele nasceu para fazer”. Totalmente adaptados, nem cogitam a ideia de deixar Petrolina. “É aqui que vamos ficar”, concluem. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------  Amor pelo Cooperativismo Edis é um defensor apaixonado do cooperativismo. Acredita no trabalho colaborativo e vende a ideia para todo mundo que pode. “Representa uma solução importante para muitos problemas que sozinhos não conseguimos resolver. Permite, por exemplo, ganho de escala tanto para a produção quanto para a comercialização, acesso à tecnologia de ponta e assistência técnica especializada, além de suporte financeiro e administrativo. São inúmeros os pontos positivos”, ressalta. Ele acredita, inclusive, na intercooperação (cooperação entre cooperativas) e, por isso, está engajado a várias que se completam para o desenvolvimento da Coana como sindicatos de produtores de uva, o sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) e o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). “Só no perímetro irrigado em que atuamos são cerca de 2.200 pequenos produtores de frutas. Por outro lado, são pouquíssimas cooperativas. Gostaria de ver esse quadro mudar, mas um dos pontos que impedem essa mudança a meu ver é a falta de lideranças fortes e confiáveis. Por isso, precisamos investir também na formação de pessoas voltadas para a gestão”, afirma. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Conheça a Coana A Coana é formada por 20 sócios proprietários de nove fazendas produtoras de uvas finas de mesa em Petrolina. São os mesmos sócios que participaram da fundação da cooperativa em 2005. Mudaram o número e o tamanho das fazendas que inicialmente totalizavam sete e tinham entre 35 e 50 hectares. Atualmente são nove fazendas, de 45 a 120 hectares. Nelas, são produzidas 15 diferentes variedades de uvas verdes, vermelhas e negras, principalmente as sem sementes. Quando foi criada, a Coana tinha foco exclusivo para a exportação, mas, com a crise de 2008, passou a investir também no mercado interno. “Chegamos a exportar 95% da nossa produção. Tivemos, no entanto, um período muito difícil em 2008, quando a crise nos atingiu em cheio e tivemos ajuda do governo para evitar prejuízos maiores e passamos a inserir nosso produto também no mercado interno”, explica Edis. Atualmente, 55% da produção — ou 6 mil toneladas de uva — são comercializadas no país e 45% (5 mil toneladas) são exportadas para países do norte da Europa (90%), como Inglaterra, Holanda, Bélgica, Alemanha, Suécia e Finlândia. Os outros 10% são comercializados no Estados Unidos. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------  
Esta matéria foi escrita por Raquel Sacheto e está publicada na Edição 30 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação 
 

31 DE AGOSTO - DIA DO NUTRICIONISTA

Qualidade de vida, saúde e bem-estar: o nutricionista alimenta o corpo e nutre a alma. 🍎

A ausência de saúde é sinônima de infelicidade. Então, sejamos gratos por quem exerce cuidado através de sua profissão. 


Feliz dia, nutricionista!

Qual será o legado desta pandemia?

Tudo aconteceu muito rápido. Começamos 2020 ouvindo falar de um novo vírus que estava matando pessoas lá na China. Aparentemente, algo muito distante da nossa realidade. Em março, esse mesmo vírus tinha atravessado todas as fronteiras, se espalhou pelo mundo e mudou a rotina e as relações de trabalho de todo o planeta. Preparados ou não, em questão de dias, todos fomos impulsionados para a Era Digital. Empresas, governos, pessoas físicas e, claro, as cooperativas, tiveram que se adaptar ao mundo virtual e se relacionar via internet. Segundo os especialistas, as chances de voltarmos a ver o mundo como era antes da pandemia são pequenas. A maior parte das mudanças que se impuseram vieram para ficar. Mas, como será esse futuro? Em especial, o futuro das cooperativas? Convidamos dois líderes cooperativistas de áreas fortemente afetadas pela pandemia — Saúde e Crédito — para conversar sobre o “novo normal”: Orestes Pullin, presidente da Unimed do Brasil; e Eledir Pedro Techio, presidente da Sicredi Ouro Verde MT. Confira! Revista Saber Cooperar: Sua cooperativa estava preparada para enfrentar uma pandemia ou teve de correr para se adaptar às demandas de uma quarentena? Oreste Pullin: O Sistema Unimed possui a inovação em seu DNA; então, já vínhamos investindo em novas tecnologias e modelos de atendimento. Obviamente, um contexto de pandemia, com esta escala global, exigiu adaptações e novos investimentos para aperfeiçoar a capacidade de atender às mais diferentes necessidades das comunidades onde estamos presentes. No entanto, as Unimeds têm demonstrado grande competência em fazer a leitura correta dessa demanda, e temos conseguido resultados satisfatórios neste momento desafiador. Eledir Pedro Techio: Creio que ninguém estava preparado, por ser algo que nenhum de nós tinha vivido até aqui. Tivemos que nos adaptar e ir descobrindo as respostas às angústias dia após dia. A comunicação precisou ser constante e próxima; tivemos que nos reorganizar para nos comunicarmos de forma ainda mais clara e mantermos todos os públicos alinhados. Acredito que o maior aprendizado que tivemos é de que é possível estar próximo sem estar perto. E, quando percebemos isso, ganhamos muito em objetividade e em eficiência. Descobrimos que nem tudo precisava ser realizado de forma presencial, como normalmente fazíamos. Entendemos que o trabalho em home office pode ser produtivo e que dá sim para equilibrar melhor as questões “pessoais e profissionais”. Aliás, na minha avaliação, isso hoje é algo integrado, sem mais separação. Quais são os principais impactos da pandemia na sua cooperativa? OP: O Sistema Unimed possui abrangência nacional, atendendo pacientes inclusive em localidades em que, muitas vezes, a rede pública de saúde não está presente. Temos, portanto, uma grande responsabilidade para com a sociedade brasileira neste momento desafiador que estamos vivendo. Nesse sentido, desde que a pandemia eclodiu, buscamos aumentar nossa capacidade de assistir às populações em suas mais diferentes necessidades, reforçando nosso princípio fundamental, que é cuidar das pessoas. Passados quatro meses, temos demonstrado grande capacidade de resposta à pandemia da Covid-19. Nossas cooperativas em todo o Brasil têm investido não só na expansão de suas infraestruturas, como também no aumento de suas equipes médicas, em ações de prevenção, responsabilidade social e educação nas comunidades nas quais estão inseridas. EPT: Nosso ramo de negócio, por integrar o segmento financeiro, foi bastante afetado pela pandemia. Como o Sicredi é composto por associados de diferentes setores da economia, pudemos sentir as diferentes realidades vividas neste período da pandemia. O ramo mais afetado, sem dúvida, foi o das micro e pequenas empresas — especialmente aqueles relacionados a vertentes do comércio, como turismo, hotelaria, restaurantes, bares, salões de beleza, academia, entre outros. Também foram bastante afetados profissionais liberais e microempreendedores que atuam com serviços que foram — ou ainda estão sendo — limitados durante a pandemia. Por outro lado, percebemos setores que cresceram nesse período, como supermercados, deliveries, farmácias e, em nossa região, o agronegócio, que registrou uma safra recorde, com preços que garantiram uma boa rentabilidade. Em função do histórico da cooperativa, que construiu uma relação de confiança com seus associados ao longo dos seus 30 anos, nós percebemos também que muitos associados preferiram deixar seus recursos investidos na instituição neste momento de pandemia. Isso também se somou ao fato de que muitas pessoas e empresas estão segurando alguns investimentos em expansão ou em novos negócios, optando por manter os recursos investidos, o que fez com que a cooperativa alcançasse um recorde no volume de depósitos neste período. Como sua cooperativa tem apoiado seus colaboradores e cooperados neste momento de crise? OP: Todas as Unimeds estão amplamente engajadas no combate à pandemia em ações das mais variadas. Entre elas, estão: a distribuição de máscaras e EPIs gerais para os colaboradores envolvidos no combate direto e indireto à pandemia; o apoio psicológico para os profissionais da linha de frente do atendimento a pacientes; a preparação de materiais orientativos à população, médicos cooperados, funcionários e clientes; criação de e-books, FAQs e políticas ativas de home office para os colaboradores que estiverem em condições de executarem suas atividades remotamente. Especificamente na Unimed do Brasil, com sede em São Paulo, estruturamos o regime de home office em tempo recorde e todos os colaboradores estão trabalhando seguros, de suas casas. Esse plano de contingenciamento foi compartilhado com todo o Sistema Unimed, de modo a auxiliar localmente nossas cooperativas nessa demanda.  EPT: Uma das primeiras ações que tomamos foi criar um Comitê de Contingência, e a partir de então começamos a realizar reuniões diárias com nossos líderes e reuniões quinzenais com todos os colaboradores. Definimos como prioridade o “cuidar das pessoas”, tendo sido necessário, em certo momento, até mesmo suspender o atendimento presencial, como forma de proteção aos colaboradores e aos associados. Este processo de comunicação mais próxima com as lideranças foi essencial, até porque, no início, não se sabia ao certo a melhor decisão a ser tomada, pois o cenário era totalmente novo e exigia decisões rápidas. Adotamos todas as práticas recomendadas pelas autoridades de saúde, como higienização dos ambientes, disponibilização de máscaras e outros equipamentos de proteção individual, exames para quem apresentasse sintomas. Também organizamos escalas de home office como forma de promover o distanciamento social e como segurança para suportar a operação. SC: De todas as iniciativas tomadas nesta quarentena, quais foram as mais marcantes dentro do seu sistema? OP: Um grande exemplo a ser citado é o trabalho feito em Fortaleza, onde a Unimed inaugurou um hospital de campanha com 44 leitos adicionais às unidades próprias da cidade para aumentar a capacidade de atendimento em um momento em que os casos de contágio aumentavam consideravelmente no Ceará. No fim de junho, no entanto, graças aos esforços não só da Unimed, como também do poder público, foi possível manter a demanda sob controle e, com isso, esta unidade de campanha começou a ser desmontada. Em Porto Alegre, a cooperativa local é cofinanciadora de um estudo pioneiro da Universidade Federal de Pelotas (RS), que realiza um trabalho de testagem da população gaúcha, visando estimar o percentual de infectados pelo novo coronavírus no estado. O levantamento, ainda em andamento, visa entender a evolução do vírus para oferecer direcionamentos para seu combate. Ainda, para ajudar os profissionais de saúde a entenderem melhor as metodologias de atendimento para telemedicina — que foi reconhecida durante o distanciamento social por conta da pandemia da Covid-19 —, a Unimed do Brasil, em parceria com a Associação Paulista de Medicina (APM) e a Federação das Unimeds do Estado de São Paulo (FESP), elaborou o curso online de Capacitação Básica em Telemedicina. Trata-se de uma excelente oportunidade para divulgarmos os preceitos que acreditamos para a prática da telemedicina de maneira ética e segura. As aulas estão de acordo com o princípio cooperativista que defende a educação, formação e informação de todos nossos profissionais, proporcionando o entendimento de como se relacionar com o paciente a distância e gerar confiança. EPT: Entre as experiências positivas que tivemos estão as formações a distância — como as do Programa A União Faz a Vida, que é o nosso programa de educação cooperativa para a comunidade: já foram realizadas 134 lives de formação, envolvendo 2.400 participantes. Agora estamos iniciando também as formações de Educação Financeira e do nosso programa de formação de associados (o Crescer), também em formato on-line. Destaco ainda que as reuniões a distância nos aproximaram de toda a equipe e permitiram encontros com entidades sociais que apoiamos, com sindicatos e entidades representativas que são parceiras em outros programas. Realizamos também nossa Assembleia Geral Ordinária em formato on-line, o que foi uma quebra de paradigma. A Covid-19 fez muitas empresas aderirem ao home office e à “informatização do trabalho”. Você acha que essa mudança é positiva ou negativa? Ela veio para ficar? OP: Na Unimed do Brasil, temos verificado resultados preliminares satisfatórios. Uma pesquisa interna observou que as práticas de home office têm obtido aprovação de 94% dos colaboradores, o que mostra que as soluções para este fim foram desenvolvidas de maneira acertada. Ainda é cedo para fazermos uma previsão mais assertiva de escala, mas, com certeza, o trabalho remoto tem sido positivo e, provavelmente, é um recurso que deve ganhar espaço nos próximos anos. De qualquer maneira, estamos confiantes de que — quaisquer que sejam as circunstâncias que se desdobrarão nos próximos anos — as empresas e cooperativas se adaptarão de maneira satisfatória, e as relações de trabalho tendem a se aperfeiçoar em todos os níveis hierárquicos, com uma grande preocupação, também, com a qualidade de vida das pessoas. EPT: Penso que essas mudanças são extremamente positivas e vieram para ficar: nossa vida profissional e pessoal a partir de agora serão únicas, integradas, uma fazendo parte da outra. É como discutirmos os pilares econômico e social nas cooperativas: o que vem primeiro? Qual é mais importante? Nenhum e, ao mesmo tempo, os dois. Um depende do outro. Um não existe sem o outro. Seremos seres únicos, onde trabalharemos, curtiremos, conviveremos, tudo ao mesmo tempo. Nós nos permitiremos ir à apresentação da escola do filho ao meio da tarde, sem problemas, passando a importar mais o quanto eu contribuo para minha família, para a cooperativa e para a sociedade. O horário e de onde estou contribuindo não importarão tanto. Acredito que novas competências já foram criadas. É uma nova dinâmica, que nos demanda sermos produtivos, mesmo com as equipes não estando lado a lado. Novas posições já foram criadas; algumas rotinas operacionais já estão sendo substituídas por automatização, muitas outras funções deixarão de existir. É uma grande mudança de mindset, e os que não permitirem estas mudanças no modelo mental possivelmente ficarão pelo caminho. Porém, precisaremos evoluir muito nosso modelo de leis trabalhistas para que isso aconteça de forma mais efetiva, já que algumas têm quase um século e não preveem esta nova realidade.    E as relações de consumo, como ficam? OP: As restrições na circulação humana e o isolamento social inauguraram uma tendência de as pessoas se voltarem mais para a comunidade, consumindo produtos e serviços locais. Creio ser este um aspecto que pode influenciar o comportamento dos consumidores. Ainda, este processo deve ocorrer bastante por via remota, cujo desenvolvimento é evidente durante esta pandemia. Na saúde, por exemplo, a telemedicina teve um enorme salto de desenvolvimento e, com aperfeiçoamentos técnicos e legais, tende a se consolidar como um recurso complementar ao atendimento presencial que, na medicina, não pode, evidentemente, ser negligenciado. EPT: Nós percebemos que a pandemia fez com que muitas empresas tivessem que se reinventar; muitos empresários estão tendo que posicionar seu negócio de forma diferente. As vendas on-line, por exemplo, vieram contribuir com a economia nesse sentido e as plataformas digitais se firmam como um carro-chefe no consumo. No Sicredi, nós também buscamos apoiar a viabilização dessas novas relações econômicas, por meio de uma plataforma de marketplace disponibilizada de forma gratuita para os associados: o Sicredi Conecta. Esse novo cenário provocou um movimento de olhar mais para o local. Muitas pessoas passaram a perceber a importância de valorizar o comércio local para manter a economia girando. E, paralelamente a isso, a sociedade passa a exigir maior compromisso das organizações sobre o que elas fazem pelas comunidades. Diante desse cenário, nós, como instituição financeira cooperativa, que já temos esta atuação local como parte do nosso dia, buscamos desenvolver um movimento nacional chamado Eu Coopero com a Economia Local, que veio justamente com o objetivo de promover essa maior consciência na população sobre como podemos contribuir com a economia da nossa região e como isso beneficia a toda a sociedade. A pandemia fortalece ou enfraquece o modelo cooperativista? Por quê? OP: O elo das cooperativas com a sociedade é muito forte. Seu modelo econômico é baseado na união das pessoas com um mesmo objetivo. Destacam-se principalmente por atuar em favor da sustentabilidade e do desenvolvimento econômico e social da comunidade. Todas as cooperativas, independentemente de seus ramos, devem investir, por meio de políticas aprovadas por seus membros, no desenvolvimento sustentável das cidades e regiões nas quais estão inseridas. Preza-se essencialmente por aportes em projetos economicamente viáveis, ambientalmente corretos e socialmente justos. No contexto da saúde, isso significa zelar pela integridade das populações locais ao mesmo tempo em que se contemplam projetos para aumentar o acesso às principais inovações da assistência médica, entendendo e levando em consideração as necessidades específicas de cada localidade. E isso, no cenário atual de pandemia, nunca foi tão vital. EPT: Nós acreditamos que fortaleceu muito. Nunca o modelo cooperativo fez tanto sentido. Em todos os lugares, fala-se em trabalhar junto para gerar um impacto positivo nas comunidades. A cooperativa, por ser local, tem essa relação de proximidade maior, e também de credibilidade. Um exemplo vivido pela nossa cooperativa foi que, logo no início da pandemia, identificamos a necessidade de apoiarmos as instituições de saúde da nossa região, e assim nos organizamos. Destinamos recursos do nosso Fundo Social para a compra de respiradores, desfibriladores, monitores cardíacos e outros equipamentos hospitalares em diferentes municípios, além de testes rápidos, máscaras, luvas, álcool gel e EPIs para profissionais da saúde e policiais militares. Também tivemos um olhar para as entidades sociais, que estavam passando por dificuldades na medida em que sobreviviam, em grande parte, de recursos arrecadados com eventos, que não puderam mais ser realizados. Com essas duas ações, destinamos R$ 950 mil para apoiar 105 projetos na nossa área de atuação. Esse sentimento de fazer juntos, de estar próximo, de contribuir para que a sociedade possa superar seus desafios, aproxima ainda mais as cooperativas e o cooperativismo dos seus valores e das comunidades. Qual será o legado desta pandemia para o Brasil e para o mundo? OP: Uma lição que o país deve levar da pandemia é como definir novas políticas públicas no pós-crise. Para que outra crise como esta seja evitada, é preciso planejamento. E prever e prevenir uma pandemia passa por um grande investimento em saúde pública, condições sanitárias básicas e educação em saúde para a população. Acreditamos que este debate se intensificará, e é muito importante que os diversos atores sociais — como governos, empresas, organizações não governamentais e sociedade civil — cooperem entre si para que possamos formular essas políticas que sirvam aos maiores interesses dos países e das pessoas. EPT: Acreditamos em uma sociedade menos individualista, e com um pensar mais coletivo, com menos política partidária e com mais política solidária. Teremos um sentimento de dor; já estamos tendo, com a perda de muitas pessoas, mas o aprendizado será semelhante a atravessarmos uma guerra: em todas as guerras, aprendemos; foram acelerados processos de tecnologia, deixamos o passado para trás e aprendemos com o novo. E é isso que eu acredito que vai ficar: uma preocupação maior com as pessoas.
Esta matéria foi escrita por Paula Andrade e publicada na edição 30 da revista Saber Cooperar. Confira! <
 

Trabalhar é um direito

Ao caminhar pelas ruas de Porto Alegre para admirar suas praças ou passear às margens do Rio Guaíba, turistas e moradores irão se deparar com a seriedade do trabalho do cooperativismo, mesmo sem saber. Toda a limpeza e conservação da capital gaúcha é garantida por uma cooperativa local, a Cootravipa — Cooperativa de Trabalho, Produção e Comercialização dos Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre. Responsável pela gestão de toda a limpeza urbana da capital gaúcha, a cooperativa faz o monitoramento remoto de todo esse trabalho por meio de ferramentas de georreferenciamento. Qualidade e tecnologia andam juntas em um serviço que beneficia toda a população gaúcha e os cerca de dois mil cooperados da Cootravipa. Destes, 98% trabalham em serviços contratados por meio de licitação junto ao governo municipal — algo que só foi possível graças ao apoio do Sistema OCB, que tem ajudado as cooperativas de trabalho a garantir o direito de participar de editais públicos de contratação para prestação de serviços.
“Os contratos com o Poder Público têm muita importância para nossa cooperativa, já que 90% dos nossos trabalhos são firmados com a prefeitura de Porto Alegre”, explica a diretora-presidente da Cootravipa, Imanjara Alexsandra de Paula.
Uma das principais vantagens de fechar contrato com o Poder Público é a segurança. Afinal, por lei, eles podem ser renovados por até cinco anos, se estiverem sendo executados com qualidade, eficiência e economicidade.  “Em toda a nossa história, não temos nenhum caso de contrato rescindido antes do tempo máximo previsto no edital”, comemora Imanjara. Essa é uma prova incontestável da qualidade dos serviços prestados pela cooperativa. “Para nós, são de fundamental importância tanto a boa execução dos serviços como a manutenção desses contratos, já que eles garantem renda ao nosso associado por todo esse período.”   PROPÓSITO Diariamente, a equipe da Cootravipa garante a limpeza e a conservação das ruas, dos banheiros, dos edifícios públicos e das mais de 600 praças da capital gaúcha. Também ficam a cargo da cooperativa a capina da vegetação e um trabalho muito sensível e fundamental para a cidade: o monitoramento das casas de bomba de Porto Alegre. Em época de chuva, os motores desses equipamentos — que ficam distribuídos pela cidade — precisam ser ligados para puxar a água das ruas e impedir que o município alague. Operadora de máquinas na Casa de Bombas da Azenha há 12 anos, Elenice Cristina da Silveira, 37 anos, considera o seu trabalho muito importante para a comunidade. “Para não inundar as ruas, não entrar água na casa dos outros, não estragar o bem que as pessoas adquirem com tanto suor”, afirma. Ela conta que, na última grande chuva na cidade, recebeu a ligação de uma senhora perguntando se as bombas estavam funcionando direito. A pergunta vinha de uma história triste: há alguns anos, essa mesma senhora tinha perdido todos os móveis da casa, após uma grande enchente. Por isso, ela quis saber se poderia ligar de vez em quando para saber se os equipamentos estavam em dia. “Eu disse a ela que poderia me ligar, que passaria as informações. E também para não se preocupar, porque eu ia ficar a noite toda cuidando do nível da água e operando as bombas para que não acontecesse nada de ruim na casa dela nem das outras pessoas. É bom ter esse reconhecimento. Mostra que o meu serviço é importante”, afirma a cooperada. Elenice lembra que, ao começar na função, havia poucas mulheres e ela foi desencorajada por muitos a permanecer no local.
“Quando comecei aqui, só chovia, e o trabalho foi dobrado. Já fiquei ilhada, apaguei incêndio, passei por muitas coisas e superei tudo. Nunca tive uma reclamação do meu trabalho. Dizem que passarinho bom canta em qualquer gaiola. Então, acho que eu sou um passarinho bom”, recorda.
Cooperada há 21 anos — por indicação da mãe, também cooperada —, Elenice garante: o trabalho na Cootravipa ajudou-a a conquistar vários sonhos, do carro à casa própria. A renda obtida ao longo dos anos também assegurou a educação e o bem-estar dos quatro filhos — o mais velho hoje tem 22 anos e a mais nova, 9.
Esta matéria foi escrita por Lílian Beraldo e publicada na edição 30 da revista Saber Cooperar. Confira! <
 

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