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SomosCoop vira case brasileiro em conferência global da ACI no Panamá

Superintendente do Sistema OCB apresenta iniciativa que reúne mais de 1,7 mil cooperativas 

Painel FabíolaO cooperativismo brasileiro levou à Conferência Global da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), nesta quarta-feira (16), na Cidade do Panamá, uma experiência construída para enfrentar um desafio que acompanha o setor há anos: tornar as cooperativas mais conhecidas pela sociedade e criar uma identidade comum para organizações de diferentes portes, regiões e ramos.  

A superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, apresentou o case do movimento SomosCoop durante a sessão Building Bridges Through Communication: Speak Up, Scale Up! (Construindo pontes por meio da comunicação: expresse-se, amplie seu alcance!), dedicada ao papel da comunicação no fortalecimento do cooperativismo mundial.  

Sua participação se deu no segmento Inspiration in Action: Success Stories (Inspiração em ação: histórias de sucesso), que reuniu experiências de diferentes regiões. O convite para detalhar o caso brasileiro ocorreu dentro do pilar Core Narrative & Branding (Narrativa central & branding), um dos cinco eixos da Estratégia de Comunicação da ACI para 2026–2030. 

“O SomosCoop nasceu de um desafio muito claro: tínhamos cooperativas fortes, com marcas reconhecidas e histórias relevantes, mas precisávamos mostrar para a sociedade que todas elas fazem parte de um mesmo movimento. A construção de uma narrativa comum foi o caminho que encontramos para dar unidade a essa diversidade”, explicou Fabíola.  


De 29% para 55% 

A criação do SomosCoop partiu de um diagnóstico sobre o conhecimento da população a respeito do cooperativismo. Em 2018, apenas 29% dos brasileiros entrevistados sabiam citar uma cooperativa. Em 2023, esse percentual chegou a 55%. “Os números mostravam que tínhamos um problema de reconhecimento. O cooperativismo já estava presente na vida de milhões de brasileiros, mas muitas vezes as pessoas consumiam um produto ou utilizavam um serviço de uma cooperativa sem perceber que aquilo fazia parte de um modelo de negócios com características próprias”, disse a superintendente. 

Outro desafio era a fragmentação da comunicação. Cada cooperativa trabalhava sua própria estratégia, normalmente concentrada em produtos, serviços e marcas individuais. Por isso, Fabíola detalhou que o Sistema OCB passou a trabalhar na construção de uma identidade que pudesse conectar essas organizações sem substituir as marcas já existentes. “O objetivo sempre foi preservar a força de cada marca e, ao mesmo tempo, criar um elemento capaz de dizer ao consumidor que todas elas pertencem a um movimento maior”, afirmou. 

Mais de 1,7 mil cooperativas 

A estratégia, contou a superintendente, resultou na criação do SomosCoop, com dois objetivos centrais: ampliar o diálogo do cooperativismo com a sociedade e reforçar entre cooperativas e cooperados o sentimento de pertencimento ao movimento. “A marca foi estruturada para ser modular e adaptável. Assim, cooperativas de diferentes portes e setores poderiam incorporar o carimbo SomosCoop a produtos, campanhas e materiais institucionais. Hoje, mais de 1,7 mil cooperativas utilizam a marca”.  

Segundo Fabíola, esse foi um dos principais aprendizados do processo. “Uma marca coletiva precisa fazer sentido para quem vai utilizá-la. Quando as cooperativas começaram a incorporar o SomosCoop às próprias estratégias, a marca deixou de ser apenas uma iniciativa institucional e passou efetivamente a pertencer ao movimento”. Ela acrescentou que o reconhecimento também avançou entre os consumidores. “Pesquisa divulgada pelo Sistema OCB mostrou que um em cada quatro entrevistados afirmou ter tido contato com a marca SomosCoop, na pesquisa de 2023”.  

Do reconhecimento à escolha 

Fabíola destacou que a estratégia de comunicação passou por diferentes etapas desde a primeira campanha nacional, lançada em 2020. Depois de trabalhar o conhecimento sobre o modelo e a identificação do cooperativismo, o movimento entrou em 2026 em uma nova fase. O mote Escolha consciente, escolha do coop, tem como objetivo levar o consumidor a comprar com propósito, a partir do reconhecimento de produtos e serviços cooperativo e da escolha considerando essa origem.  

“Primeiro, precisávamos ser conhecidos. Depois, reconhecidos. Agora, queremos transformar esse reconhecimento em uma relação mais próxima com o consumidor. A ideia é fazer com que ele encontre o carimbo SomosCoop, saiba o que existe por trás daquela marca e possa fazer sua escolha de forma consciente”, relatou.  

A superintendente também lembrou que uma das ambições da estratégia é fortalecer a percepção das cooperativas, no Brasil e no mundo, como atores relevantes dos sistemas econômicos e sociais, ultrapassando o conceito de ser apenas uma alternativa a outros modelos empresariais. “Não estamos apresentando uma receita pronta. Cada país tem uma realidade, uma cultura e um movimento cooperativista diferente. O que podemos compartilhar é o processo: entender o problema, identificar aquilo que une as cooperativas, construir uma narrativa simples e criar ferramentas para que ela possa ganhar escala”.  

Fabíola concluiu sua participação destacando a importância da participação na conferência. “O SomosCoop foi construído ao longo de anos, com pesquisa, aprendizado e participação das cooperativas. Poder compartilhar essa trajetória mostra que temos experiências relevantes para oferecer, mas também nos permite ouvir, aprender e voltar ao Brasil com novas referências. Essa troca é parte fundamental do cooperativismo”, concluiu. 

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