Coop é destaque em missão do Banco Africano de Desenvolvimento
Encontro no Itamaraty discutiu ações que podem contribuir para inclusão produtiva em países africanos
O cooperativismo brasileiro integrou, nesta segunda-feira (14), a agenda de intercâmbio entre Brasil e África voltada à identificação de soluções para o desenvolvimento rural e a inclusão produtiva. O Sistema OCB participou, no Palácio Itamaraty, em Brasília, da programação da missão técnica do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) ao país, que reúne representantes da instituição e de países africanos para conhecer experiências brasileiras com potencial de adaptação às diferentes realidades do continente.
A missão aconteceu no contexto da cooperação entre o BAD e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores. Em junho deste ano, as duas instituições firmaram uma nova parceria estratégica para ampliar iniciativas conjuntas em áreas como sistemas alimentares, geração de empregos, resiliência climática e desenvolvimento do setor privado.
Durante o encontro, o gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Eduardo Queiroz, apresentou o modelo cooperativista brasileiro e destacou especialmente a atuação das cooperativas agropecuárias e de crédito. A experiência brasileira mostra como essas organizações podem atuar de forma articulada às políticas públicas para conectar produtores e empreendedores a mercados, financiamento, assistência e oportunidades de desenvolvimento.
“Há um espaço interessante para construirmos parcerias futuras e compartilharmos experiências brasileiras que possam ser adaptadas às diferentes realidades africanas. O cooperativismo pode contribuir tanto para ampliar a inclusão produtiva no campo quanto para fazer com que políticas de crédito e financiamento alcancem efetivamente os produtores e os territórios”, afirmou Eduardo.
Desenvolvimento a partir dos territórios
A apresentação mostrou como a organização coletiva pode fortalecer pequenos produtores, ampliar sua capacidade de produção e comercialização e gerar escala para acessar mercados. Também abordou experiências brasileiras de articulação entre cooperativas, poder público e instituições de desenvolvimento, especialmente junto a produtores, empreendedores e comunidades com menor acesso aos serviços financeiros.
Nesse contexto, as cooperativas de crédito cumprem papel relevante ao manter estruturas próximas das comunidades e conhecer as características econômicas de cada região. No Brasil, o segmento reúne mais de 21 milhões de cooperados e está presente em 59% dos municípios. Em 1.072 cidades, as cooperativas representam a única instituição financeira com atendimento presencial.
No agro, a organização em cooperativas permite reunir produtores em torno de estruturas compartilhadas de compra de insumos, assistência, armazenagem, processamento e comercialização. O modelo cria condições para agregar valor à produção e ampliar a inserção dos produtores nas cadeias produtivas, aspectos que dialogam com os objetivos da cooperação em discussão entre Brasil e África.
A agenda ganha ainda mais relevância diante das prioridades estabelecidas pelo BAD para o continente. Sua estratégia para 2024-2033 tem entre os objetivos acelerar o crescimento verde e inclusivo e promover economias mais prósperas e resilientes. Entre as prioridades operacionais da instituição está a transformação dos sistemas agrícolas e alimentares, além do fortalecimento da iniciativa privada e da ampliação do acesso a financiamento.
Cooperação Brasil-África
A aproximação entre Brasil e BAD tem uma trajetória consolidada. O país tornou-se membro do Banco em 1982 e, ao longo das últimas décadas, estabeleceu iniciativas de cooperação técnica voltadas à transferência e ao intercâmbio de conhecimentos, tecnologias e experiências de desenvolvimento.
O novo acordo firmado entre o BAD e a ABC, em junho, amplia essa relação. Na área agrícola, estão entre as frentes previstas agricultura adaptada às mudanças climáticas, irrigação, mecanização, processamento, desenvolvimento de empreendimentos agrícolas e pesquisa aplicada. A parceria também prevê ações relacionadas a micro, pequenas e médias empresas e ao fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e países africanos.
Para o Sistema OCB, a participação na missão abre caminho para inserir o cooperativismo entre as experiências brasileiras que podem contribuir para essas iniciativas. “Temos uma trajetória construída a partir de diferentes realidades territoriais e produtivas. O intercâmbio permite compartilhar aprendizados e conhecer soluções desenvolvidas em outros países. A perspectiva é construir uma cooperação em que essas experiências possam ser adaptadas às necessidades e características de cada território”, acrescentou Eduardo.
Ao longo da missão no Brasil, a comitiva também conhecerá experiências de instituições como ApexBrasil e Embrapa. A programação busca prospectar iniciativas de cooperação e referências de políticas públicas que possam apoiar projetos voltados ao desenvolvimento rural e à inclusão produtiva no continente africano.
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