Estudo reúne 66 propostas para modernizar crédito e seguro rural
Trabalho será entregue à FPA e colocado à disposição das equipes dos candidatos à Presidência
Um estudo com 66 propostas para modernizar a política agrícola brasileira, com foco em crédito, seguro rural, ambiente regulatório e orçamento público, entrou na fase final de elaboração e deverá subsidiar discussões sobre o setor a partir de 2027. O trabalho foi apresentado nesta sexta-feira (18), em São Paulo, durante o Summit Agroconsult 2026.
A iniciativa partiu de uma demanda da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e é conduzida pelo Instituto Pensar Agropecuária (IPA), que contratou a Fundação Getulio Vargas (FGV) e a Agroconsult para coordenar tecnicamente o estudo.
Presidente do IPA e presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella afirmou que a construção das propostas buscou reunir diferentes segmentos do agronegócio para produzir um diagnóstico que não ficasse restrito à visão de uma única entidade.
“Desde o início, nossa preocupação foi construir um trabalho coletivo, técnico e que representasse as diferentes realidades do setor. O IPA reúne diversas entidades e entendemos que uma proposta dessa dimensão precisava nascer do diálogo, com diagnóstico, dados e participação de toda a cadeia”, afirmou Tania.
Para acompanhar a elaboração do estudo, o IPA criou um Núcleo Técnico com representantes das entidades envolvidas. Participaram da construção organizações como CNA, Sistema OCB, Aprosoja, CropLife, Abimaq e Abiove, entre outras.
Segundo Tania, o núcleo permitiu que as entidades acompanhassem o trabalho dos consultores e apresentassem contribuições durante todo o processo. “Não queríamos receber um relatório pronto ao final. Criamos um núcleo para acompanhar cada etapa, discutir os diagnósticos e contribuir com a experiência de quem está diariamente lidando com crédito, seguro e produção no campo. Isso deu consistência e legitimidade ao trabalho”, disse.
Diagnóstico e experiências internacionais
A elaboração das propostas passou por diagnóstico da política agrícola brasileira, análise de experiências internacionais e centenas de contatos e entrevistas com representantes da cadeia do agronegócio. O trabalho foi dividido em quatro grandes eixos: crédito rural; ambiente regulatório, com ênfase no mercado de capitais; seguro rural; e orçamento público.
Ao todo, foram consolidadas 66 propostas. O projeto está agora na fase final de elaboração do chamado Position Paper, documento que reunirá o diagnóstico e as recomendações desenvolvidas ao longo do estudo.
“Chegamos a 66 propostas depois de um processo amplo de escuta e comparação com experiências de outros países. Para além de apontar problemas, buscamos construir alternativas que possam efetivamente contribuir para uma política agrícola mais moderna, previsível e adequada aos desafios que o produtor enfrenta”, acrescentou Tania.
Propostas serão entregues à FPA
O estudo deverá ser colocado à disposição da FPA e das equipes dos candidatos à Presidência da República. A intenção, segundo a presidente do IPA, é fornecer uma base técnica para a discussão das políticas agrícolas do próximo governo, independentemente do resultado das eleições.
“Esse não é um projeto de governo nem de candidatura. É uma contribuição técnica do setor. O material estará à disposição da FPA e das assessorias dos candidatos à Presidência para que possa ser analisado e aproveitado pelo próximo governo, seja ele qual for”, enfatizou.
Tania lembrou ainda que a conclusão do estudo representa uma etapa do processo e que a implementação das propostas dependerá da articulação entre setor produtivo, Congresso Nacional e Executivo. “O estudo entrega uma base técnica. A partir daí, teremos uma agenda que dependerá da FPA, do próximo governo e, principalmente, da capacidade de o setor continuar unido em torno das mudanças que considera necessárias. O importante é que teremos propostas concretas sobre a mesa para fazer esse debate”.
Summit Agroconsult
Tania participou do painel Reforma da política agrícola e do seguro rural, ao lado da senadora Tereza Cristina (MS), de Carlos Ortiz, da consultoria Centrec, e de Guilherme Bastos, da FGV.
No debate, Ortiz abordou propostas relacionadas a crédito e ambiente regulatório, com foco no mercado de capitais, enquanto Bastos tratou de seguro rural e orçamento público. Tania apresentou a origem do projeto, o modelo de governança adotado pelo IPA e o processo de construção das propostas.
O Summit Agroconsult 2026, realizado na sede do Itaú BBA, em São Paulo, reuniu mais de 100 lideranças empresariais e produtores para discutir conjuntura e perspectivas para o agronegócio brasileiro.
