Cooperativismo de seguros busca ampliar a proteção no Brasil
Em painel do CQCS Inovação 2026, avanços do modelo e oportunidades de expansão foram destaques
O cooperativismo de seguros esteve em pauta no CQCS Inovação 2026, realizado nesta quinta-feira (5), em São Paulo. A superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, participou do painel Cooperativismo no seguro: ampliando a proteção securitária no Brasil, que discutiu os avanços regulatórios e as oportunidades para o desenvolvimento do segmento no país. O evento, organizado pelo Centro de Qualificação do Corretor de Seguros (CQCS), chegou à 8ª edição com o tema Transformando o Seguro.
Durante o encontro, Fabíola apresentou a trajetória de construção do cooperativismo de seguros, marcada por mais de dez anos de diálogo com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), o Ministério da Fazenda e o Congresso Nacional. A participação também destacou o potencial das cooperativas para ampliar o acesso à proteção securitária, especialmente pela presença nos municípios e pela proximidade com os cooperados. 
A Lei Complementar 213/2025 e a Resolução CNSP 492/2026 compõem o marco que estabelece as condições para a atuação das cooperativas no mercado segurador. A apresentação de Fabíola partiu desse avanço para mostrar como o modelo cooperativista pode contribuir para o desenvolvimento do setor.
“O cooperativismo de seguros já tem uma presença expressiva em outros países. Segundo dados da ICMIF, referentes a 2024, cooperativas e mútuas respondem por 26,1% do mercado mundial de seguros e 10,2% na América Latina. Esses números mostram o potencial do modelo e as oportunidades que temos para desenvolver esse segmento no Brasil”, explicou Fabíola.
Ainda segundo ela, no Brasil, o segmento começa a se estruturar sob regras próprias, com a perspectiva de ampliar a participação das cooperativas na oferta de proteção securitária.
Proximidade como diferencial
Com 4,4 mil cooperativas, 29 milhões de cooperados e presença em 3.425 municípios, segundo o AnuárioCoop 2026, o cooperativismo reúne condições para aproximar a proteção securitária de diferentes comunidades.
A relação direta com os cooperados, que são donos e participam das decisões, favorece o desenvolvimento de soluções alinhadas às necessidades locais. Esse potencial ganha relevância diante de um mercado em que mais de 70% dos veículos brasileiros não possuem seguro, segundo dados da CNseg divulgados pelo Valor Econômico.
Para Fabíola, esses são fatores determinantes. “Além disso, a intercooperação e as parcerias em tecnologia, cosseguro e resseguro são caminhos para fortalecer a atuação das cooperativas no mercado segurador. Também podemos aproveitar experiências de outros ramos, como a estrutura do cooperativismo de crédito e a gestão de riscos do transporte, para desenvolver esse novo segmento”, finalizou a superintendente.
