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Comitiva da Asean debate liderança feminina no cooperativismo

Sistema OCB apresentou iniciativas brasileiras de inclusão e empoderamento de mulheres 

O Sistema OCB recebeu nesta segunda-feira (19) uma comitiva de representantes de países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) para compartilhar experiências sobre igualdade de gênero e empoderamento feminino por meio do cooperativismo. A programação incluiu apresentação institucional e discussões sobre a participação das mulheres no movimento cooperativista brasileiro, com destaque para iniciativas de formação, liderança e autonomia econômica. whatsapp image 2026 10 19 at 16.44.56 copy

A visita faz parte de uma missão técnica conduzida pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), em parceria com o Sistema OCB e a Asean. A iniciativa dá continuidade a webinários realizados no primeiro semestre e busca aproximar a delegação de experiências brasileiras de cooperativas em áreas como governança, produção sustentável, agregação de valor e liderança feminina. 

Durante a manhã, a gerente geral de Negócios do Sistema OCB, Clara Maffia, apresentou a estrutura de representação e apoio ao cooperativismo brasileiro. Ela explicou como a atuação integrada das entidades nacionais e estaduais contribui tanto para o desenvolvimento das cooperativas quanto para a construção de um ambiente mais favorável ao setor. 

Um dos diferenciais, segundo Clara, é a existência de uma organização nacional que representa os diferentes ramos do cooperativismo. “Essa estrutura fortalece a articulação política e permite defender pautas comuns a segmentos com realidades e necessidades distintas. A atuação também é complementada pelas organizações estaduais, que acompanham de perto as cooperativas e conhecem as particularidades econômicas, sociais e culturais de cada região”, destacou. 

A gerente geral também explicou o papel das entidades que compõem o Sistema OCB. Enquanto a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) atua na representação institucional e política, o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) trabalha no desenvolvimento das cooperativas, com iniciativas de formação, capacitação e aprimoramento da gestão e da governança. Já a Confederação Nacional das Cooperativas (CNCoop) representa os interesses sindicais patronais do setor. 

 

 Presença feminina e acesso à liderança 

A participação das mulheres no cooperativismo brasileiro já é expressiva, mas ainda há espaço para avançar nos cargos de liderança. Segundo dados do AnuárioCoop 2026, elas somam mais de 11,5 milhões de cooperadas, o equivalente a 39,56% do total de associados, e representam 53,3% dos empregados das cooperativas. Nos cargos de presidência e nos conselhos, porém, ocupam 22,18% das posições. 

Na apresentação, Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas, discutiu os desafios para transformar essa presença em maior participação nas decisões. Entre os obstáculos estão barreiras culturais e estereótipos de gênero, dificuldades de acesso a informações sobre o funcionamento dos negócios cooperativos, necessidade de formação de lideranças e reconhecimento da capacidade das mulheres para assumir posições estratégicas. A preparação de sucessoras também foi apontada como um caminho importante para garantir continuidade e ampliar a presença feminina na governança. 

Para enfrentar esses desafios, Débora apresentou três frentes de atuação do Sistema OCB. A primeira é mobilizar e representar, com iniciativas como os Comitês de Mulheres Elas pelo Coop, que fortalecem a articulação e a participação feminina no movimento cooperativista. A segunda é desenvolver lideranças, por meio de ações de formação, como a solução programa Futuras Lideranças. A terceira é transformar a cultura cooperativista, com iniciativas de inclusão, diversidade e equidade (IDE), que apoiam a construção de políticas, metas e indicadores dentro das cooperativas. 

A apresentação também abordou as diretrizes aprovadas no 15º Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC). Das 25 prioridades definidas para o movimento, cinco estão relacionadas à participação das mulheres, incluindo formação e capacitação, ampliação da presença feminina na governança e enfrentamento ao assédio e à violência. As medidas reforçam a importância de criar ambientes mais inclusivos e condições concretas para que as mulheres avancem em suas trajetórias no cooperativismo. 

 

Conhecer experiências na prática 

A programação da tarde incluiu uma visita à Recicle a Vida, cooperativa de reciclagem que trabalha com inclusão produtiva e geração de oportunidades. A experiência permitiu à delegação conhecer de perto uma iniciativa que alia atividade econômica, participação coletiva e impacto social. 

A troca de experiências entre Brasil e países da Asean busca ampliar o diálogo sobre caminhos para fortalecer o cooperativismo, compartilhar práticas de desenvolvimento sustentável e avançar na criação de oportunidades para mulheres no setor. 

 

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