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Crianças e jovens são protagonistas em cooperativas mirins

O secretário Pedro Lucas Santos participa de reuniões, discute ideias com a diretoria, se reúne com conselheiros e toma decisões para melhorar o atendimento aos cooperados. Tudo conforme o esperado para a rotina de um cooperativista, a não ser por um detalhe: ele tem 11 anos. O estudante de Mendes, no interior do Rio de Janeiro, é um dos 59 integrantes da Cooperativa União e Cooperação (Unicoop), primeira coop mirim do estado. 

A organização foi fundada há oito anos dentro da Escola Municipalizada Prefeito João Gurito, com o apoio do  Sicoob Fluminense, e reúne crianças de 8 a 12 anos, que participam de todos os processos de gestão e governança, aprendendo, na prática, o papel transformador da cooperação. “Nossa cooperativa não fica só dentro da escola, a gente faz coisas que incluem todo o  nosso bairro”, afirma Pedro Lucas. 

Heitor Gianini, de 8 anos, é um dos cooperados da Unicoop e diz que a participação na coop mirim já trouxe muitos aprendizados. “Eu acho muito legal, aqui aprendo a cuidar da natureza, do meio ambiente, da comunidade, eu aprendo a unicoop copyrespeitar, a ganhar e perder, e também gosto dos passeios e das brincadeiras”. 

Cinco professoras acompanham a cooperativa mirim, mas todas as funções são executadas pelos próprios estudantes. Para Laize Bernardo Monteiro, representante do Sicoob Fluminense na Unicoop, esse é o grande diferencial do projeto. “Na escola, o aluno aprende diferentes conteúdos e, na cooperativa, tem a oportunidade de colocar muitos desses conhecimentos em ação, assumindo responsabilidades e participando das decisões”, detalha.

Cooperação na prática 

Um dos eixos dessas atividades é a produção de biscoitos. Da receita à venda, os mini cooperados  planejam, executam, divulgam e avaliam resultados, aplicando conhecimentos de matemática, ciências e língua portuguesa em situações reais, em sintonia com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Durante o processo, também desenvolvem habilidades de comunicação, criatividade, pensamento crítico e autonomia, além de valores como solidariedade, democracia e respeito.

“Nosso objetivo é promover a educação cooperativista, desenvolver o protagonismo infantil, fortalecer a aprendizagem significativa e preparar os estudantes para a vida em sociedade. Queremos formar crianças capazes de trabalhar em equipe, tomar decisões, administrar responsabilidades, compreender a importância da participação democrática e reconhecer que a cooperação pode contribuir para transformar a escola, a família e a comunidade”, destaca Laize.

Além dos benefícios para os estudantes, os efeitos positivos da coop mirim ultrapassam os muros da escola. As crianças levam o que vivem na cooperativa para casa, e a Unicoop promove ações voltadas ao bairro, como o Varal Solidário, que arrecadou roupas de frio para doações.

“Quando uma criança aprende a cooperar, ouvir, respeitar opiniões diferentes, dividir responsabilidades e ajudar o próximo, esses comportamentos podem também ser reproduzidos em outros espaços. A longo prazo, estamos contribuindo para formar cidadãos mais conscientes”, ressalta a representante do Sicoob Fluminense. 

Para Laize, o exemplo das coops mirins mostra que a cooperação é o caminho para transformar a realidade e que acreditar nas crianças é olhar para o que vem pela frente. “Investir nas cooperativas mirins é investir no futuro, porque os estudantes de hoje serão os profissionais, líderes e integrantes da sociedade de amanhã. Quanto mais cedo aprendermos a cooperar, maiores serão as possibilidades de construirmos comunidades mais participativas, solidárias e conscientes”.

De olho no futuro

Em Ceilândia, no Distrito Federal, a cooperativa Alecrim Mirim atua numa região de vulnerabilidade social. Primeira coop mirim do DF, ela reúne crianças e adolescentes de 8 a 15 anos que, há dois anos, vivenciam o cooperativismo na prática, com o apoio do Sicoob Credibrasília. 

cooperativa alecrim mirimA estrutura reflete o modelo das cooperativas de adultos. Dos 84 integrantes, 12 ocupam cargos de direção e 72 são cooperados. Os dirigentes mirins se dividem entre o conselho de administração e as diretorias operacional, administrativa, de riscos, de negócios e de marketing, cada uma com um superintendente.

Maria de Jesus Pereira, presidente da Alecrim Social, instituição responsável pela cooperativa, destaca o efeito positivo dessa rotina de responsabilidades. “É muito expressiva a mudança e crescimento das crianças que assumem os cargos, eles desejam ocupar as posições de liderança e se comprometem no dia a dia a aprender e se desenvolver para conseguirem assumir esse lugar, além de se tornarem exemplos para os outros colegas”, resume.

A coop mirim reúne meninos e meninas em situação de risco e abre caminho para novas possibilidades de futuro. O compromisso com os estudos é parte da metodologia: para participar, eles precisam estar matriculados em uma escola e manter bom rendimento. O critério dá resultado, e entre os integrantes há estudantes de desempenho de excelência, com conquistas em olimpíadas escolares e competições de robótica.

Os efeitos se estendem às famílias, que também ganham novas perspectivas, como explica Maria de Jesus. “Nós nos preocupamos em manter um relacionamento muito próximo com as famílias das crianças e dos jovens, investimos na comunicação diária e transparente para que seja um trabalho conjunto. Agora nossa missão tem sido despertar essa consciência nas crianças, através da cooperativa, para que eles também atuem conosco e possam ajudar a comunidade ao mesmo tempo em que são beneficiados”.

Conheça também a história da Cooperativa Mirim Marajoara.

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