Cooperativas de transporte operam frota com mais de 43 mil veículos
Ramo movimentou R$ 12 bilhões em 2025 e mantém frota de cargas mais jovem que a de autônomos
Do transporte de cargas ao deslocamento diário de passageiros, as cooperativas ajudam a conectar pessoas, regiões e atividades produtivas em todo o país. O modelo permite que transportadores organizem sua atuação de forma coletiva, compartilhem estruturas e serviços e ampliem sua capacidade de competir em um mercado marcado por custos elevados e constantes transformações.
Os dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, divulgado pelo Sistema OCB nesta sexta-feira (31), mostram a dimensão dessa atuação. O Ramo Transporte reúne 730 cooperativas, responsáveis por congregar 128.649 cooperados e gerar 5.377 empregos diretos. Em 2025, as cooperativas movimentaram aproximadamente R$ 12 bilhões em ingressos e somaram R$ 3,04 bilhões em ativos. O ramo também registrou R$ 320,1 milhões em despesas com pessoal, indicadores que demonstram sua contribuição para a atividade econômica e para a geração de trabalho e renda.
O número de cooperados aumentou 12% em relação a 2024, quando o ramo registrou 114.878 associados. O avanço demonstra a capacidade do cooperativismo de reunir profissionais do transporte em torno de soluções compartilhadas para geração de trabalho, renda e competitividade. “O cooperativismo permite que transportadores atuem com mais organização, escala e capacidade de negociação. Ao compartilhar estruturas e participar diretamente das decisões, esses profissionais fortalecem seus negócios e encontram melhores condições para gerar renda e prestar serviços com qualidade e segurança”, afirma a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella.
Frota mais jovem fortalece o transporte de cargas
As cooperativas que atuam no transporte de cargas mantêm uma frota superior a 43 mil veículos. Entre os principais tipos registrados estão cerca de 20,4 mil caminhõese 19,5 mil semirreboques , além de caminhonetes e outros veículos utilizados nas operações.
Um dos destaques é a idade média dessa frota. Os veículos das cooperativas têm, em média, 14,1 anos, resultado significativamente inferior aos 23,1 anos registrados entre os Transportadores Autônomos de Cargas. A diferença de nove anos sinaliza maior capacidade das cooperativas de apoiar a renovação dos veículos, melhorar as condições operacionais e acompanhar as exigências de segurança, eficiência e sustentabilidade do setor.
Segundo Tania, a organização coletiva cria condições mais favoráveis para esse processo. “Renovar uma frota exige planejamento, acesso a crédito e capacidade de investimento. A cooperativa ajuda o transportador a enfrentar esses desafios de forma conjunta, oferece suporte para modernizar a operação, reduzir custos e tornar o serviço mais eficiente, seguro e sustentável”.
Transporte de passageiros
Embora o transporte rodoviário de cargas represente uma parcela expressiva do ramo, as cooperativas atuam em diferentes modalidades, podendo atuar em mais de um segmento simultaneamente. O AnuárioCoop 2026 mostra que 364 cooperativas são ligadas ao transporte rodoviário de cargas, o equivalente a 49,9% do total. Outras 328 cooperativas atuam no transporte rodoviário coletivo de passageiros, enquanto 192 estão ligadas ao transporte individual. O ramo também reúne cooperativas dos segmentos aquaviário e aéreo.
Essa atuação ganha relevância especialmente em territórios onde a oferta de transporte é limitada. Ao reunir os próprios profissionais responsáveis pelo serviço, as cooperativas podem desenvolver soluções adaptadas às necessidades de cada localidade, conectar áreas rurais e urbanas e ampliar a mobilidade.
Intercooperação
A integração com outros ramos também contribui para a sustentabilidade das cooperativas de transporte. Em 2025, 390 organizações, ou 53,4% do total, mantiveram movimentação financeira com cooperativas de crédito. Também foram registradas relações com cooperativas de saúde, trabalho e agropecuárias, além da contratação de serviços de outras cooperativas de transporte.
Essa rede permite ampliar o acesso dos cooperados a crédito, assistência e soluções operacionais, fazendo com que os recursos circulem dentro do próprio movimento cooperativista. Nesse cenário, as cooperativas oferecem aos transportadores uma forma de atuação baseada em organização coletiva, autonomia e participação democrática.
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