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Cooperativas de crédito ganham espaço no financiamento rural

Modelo ajuda a levar recursos a regiões com pouca presença das institucionais tradicionais 

Em meio ao debate sobre crédito e seguro rural, as cooperativas de crédito têm se consolidado como uma das principais alternativas para ampliar o acesso de produtores, pequenos empreendedores e agricultores familiares ao financiamento. O avanço do setor ocorre em um momento em que o campo enfrenta juros elevados, endividamento crescente e maior exposição a riscos climáticos. 

O crescimento das cooperativas acontece justamente enquanto o governo federal discute o Plano Safra 2026/2027 e busca mecanismos para ampliar a oferta de crédito ao setor produtivo. A preocupação com o aumento do endividamento rural e com a necessidade de fortalecer instrumentos de gestão de risco, como o seguro rural, tem colocado o acesso ao financiamento no centro das discussões entre produtores, cooperativas e parlamentares. 

Dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025 mostram que o ramo crédito reúne 689 cooperativas, mais de 20,1 milhões de cooperados, R$ 514,7 bilhões em depósitos e R$ 454,6 bilhões em operações de crédito. O Banco Central também aponta que os ativos do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) alcançaram R$ 885 bilhões em dezembro de 2024. 

img20241023122647109med 9f5e0                                            Mario Agra / Câmara dos DeputadosAs cooperativas constituem a maior rede de atendimento físico do país. Em 469 desses municípios, as cooperativas representam a única instituição financeira com atendimento presencial disponível para produtores rurais e pequenos empreendedores. A presença dessas organizações tem contribuído para ampliar o acesso ao crédito, financiar investimentos, apoiar a modernização das propriedades e fomentar o desenvolvimento econômico local. 

Para a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, o diferencial das cooperativas está justamente na proximidade com os cooperados e no compromisso com o desenvolvimento das comunidades onde atuam. “As cooperativas de crédito são importantes agentes de inclusão financeira. Elas também promovem o balizamento das taxas de juros e tarifas nas praças onde concorrem com outros modelos de instituições financeiras”, afirma.  

O fortalecimento do cooperativismo de crédito acompanha a expansão do próprio setor cooperativista brasileiro. Segundo dados do Sistema OCB, as cooperativas agropecuárias reúnem mais de um milhão de produtores rurais e desempenham papel estratégico na produção de alimentos, exportações e geração de renda no campo. 

A avaliação dialoga com a agenda defendida pela Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), que tem atuado junto ao Sistema OCB para ampliar a participação das cooperativas na execução de políticas públicas de crédito. Uma das principais discussões envolve os fundos constitucionais de financiamento — FNO, FNE e FCO —, criados para reduzir desigualdades regionais e estimular atividades produtivas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. 

No Congresso Nacional, a ampliação da participação das cooperativas nesses instrumentos também tem recebido apoio de parlamentares. Um exemplo é o PL 5.187/2019. Relatora da proposta durante a sua apreciação na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado Federal, a então senadora Margareth Buzetti (MT)  defende que a ampliação dos agentes financeiros pode aumentar o alcance dos recursos públicos e beneficiar mais produtores. “Entendemos que quanto mais instituições financeiras puderem trabalhar com os recursos, mais pessoas serão beneficiadas. Por isso, apoiamos o pleito das cooperativas”, declara. 

Além do financiamento, o debate sobre crédito rural tem sido associado à regularização ambiental e ao fortalecimento de políticas de desenvolvimento sustentável. Em discurso no Senado, Margareth Buzetti destacou que pequenos produtores encontram dificuldades para acessar políticas públicas por questões relacionadas à regularização fundiária e ambiental. “Sem o CAR, não há crédito, não há acesso a políticas públicas, não há apoio técnico”, afirmou. Para Buzetti, permitir que o produtor se regularize significa ampliar o acesso ao Pronaf, ao Plano ABC+ e a linhas de crédito voltadas à produção sustentável.  

Na avaliação de Tania Zanella, o cooperativismo é hoje um dos principais instrumentos de inclusão produtiva no meio rural por reunir assistência técnica, acesso a mercados, inovação e financiamento em uma mesma estrutura. “É por meio dele que pequenos e médios produtores têm acesso a insumos, tecnologias de ponta, mercados internos e externos, assistência técnica e crédito rural em condições competitivas”, conclui. 

 

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