Sistema OCB defende financiamento acessível para energia renovável
Em painel no Fórum Planeta Campo 2026, papel das cooperativas no setor foi um dos destaques
Durante o Fórum Planeta Campo 2026, promovido pelo Canal Rural e realizado nesta sexta-feira (6), o Sistema OCB participou do painel Como financiar a transição energética. A entidade foi representada pelo coordenador de Meio Ambiente, Alex Macedo, que destacou o fato de o Brasil reunir condições favoráveis para avançar na transição energética, a partir da combinação entre produção agropecuária, geração de energia renovável, inovação e desenvolvimento regional.
O desafio, segundo ele, está em transformar essas vantagens em projetos estruturados, com financiamento adequado e retorno econômico para produtores e comunidades. “O cooperativismo tem um papel importante para facilitar o acesso a investimentos. A organização coletiva permite reunir demandas, compartilhar infraestrutura, reduzir custos e viabilizar projetos que, individualmente, seriam mais difíceis de tirar do papel”, afirmou. 
A geração de energia já demonstra esse potencial. Dados do cooperativismo mostram que 1.017 cooperativas contam com geração própria, o que soma 710,8 megawatts (MW) de potência instalada. No acesso ao crédito, os sistemas Sicoob, Sicredi e Cresol registraram, juntos, R$ 136,5 bilhões em carteira de crédito sustentável em 2025.
Crédito e eficiência energética
Alex também chamou atenção para a necessidade de instrumentos financeiros compatíveis com as características dos projetos de transição energética. Além da oferta de crédito, são importantes garantias, prazos adequados ao retorno dos investimentos, segurança regulatória e mecanismos de financiamento combinado, que permitam reunir recursos públicos e privados.
O aproveitamento de resíduos agroindustriais e da biomassa para produzir biogás e biometano também foi apontado como uma oportunidade para o setor. Essas alternativas podem diversificar as fontes de receita das cooperativas, fortalecer a economia circular e ampliar a eficiência das atividades produtivas. Para isso, os projetos precisam considerar escala, planejamento e viabilidade econômica.
O Sistema OCB já desenvolve iniciativas para apoiar as cooperativas nessa agenda. O programa Eficiência Energética atendeu 22 cooperativas nos ciclos de 2025 e 2026, com diagnósticos e identificação de oportunidades de redução de custos.
Outra frente é o Neutralidade de Carbono, que já apoiou mais de 33 cooperativas na mensuração de emissões, na gestão climática e na identificação de oportunidades de descarbonização. A entidade também trabalha na avaliação da viabilidade de projetos e na orientação das cooperativas interessadas em participar do mercado de carbono.
Cooperativismo na agenda climática
A participação no Fórum Planeta Campo também dialoga com as propostas do Manifesto do Cooperativismo Brasileiro para a COP31, que começa no dia 9 de novembro, na Turquia. O documento defende que a sustentabilidade seja tratada como oportunidade de desenvolvimento econômico e social, com financiamento acessível e políticas adequadas às diferentes realidades produtivas do país.
Para o Sistema OCB, a transição energética precisa ir além dos compromissos ambientais e gerar resultados para quem produz. A articulação entre cooperativas, produtores, instituições financeiras e fornecedores de tecnologia pode ajudar a transformar recursos e soluções em projetos concretos, a ampliar a competitividade do agro e a promover o desenvolvimento nos territórios.
Saiba Mais:
- Confira a programação do cooperativismo brasileiro na COP31
- Manifesto apresenta propostas do cooperativismo brasileiro para a COP31
- Sistema OCB participa de conferência mundial de seguros cooperativos
