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Cooperativismo deve aproveitar eleições para ser mais reconhecido, afirma Fabíola Nader Motta

O ano eleitoral também é um período estratégico para as cooperativas. Em meio ao processo que definirá os rumos do país pelos próximos anos, o cooperativismo tem a oportunidade de organizar suas pautas institucionais, dialogar com os candidatos e ampliar sua presença no debate público. Segundo a superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, o principal desafio é consolidar o reconhecimento do coop como um  movimento permanente, organizado e comprometido com o interesse coletivo. 

“O cooperativismo promove desenvolvimento local, gera oportunidades, fortalece cadeias produtivas, amplia o acesso a serviços e contribui para a redução das desigualdades. Quanto mais a sociedade compreender esse papel, maior será a capacidade do movimento de influenciar positivamente as decisões públicas”, afirma. 

A consolidação desse reconhecimento, segundo a gestora, requer uma atuação institucional consistente, baseada no diálogo, na informação qualificada e participação cidadã, sem abrir mão da neutralidade partidária.  

Leia a entrevista completa:

fabiola nader motta superintendente da ocb 0af828d5d88b5638Sistema OCB: Como as cooperativas devem se preparar para as eleições gerais de 2026? É possível participar do processo sem comprometer a neutralidade partidária? 

Fabíola Nader Motta: As eleições representam uma oportunidade para que as cooperativas ampliem sua participação no debate público e fortaleçam sua presença em temas que impactam diretamente seus cooperados e as comunidades onde atuam. A preparação começa muito antes da campanha eleitoral. É fundamental que as cooperativas conheçam os principais desafios de seus territórios, organizem suas pautas prioritárias e estejam preparadas para dialogar com candidatos, partidos e lideranças de diferentes espectros políticos. A força política do cooperativismo está vinculada à sua capacidade de mobilização, de apresentar propostas consistentes e de demonstrar os resultados concretos que gera para a sociedade. Nosso movimento está presente em milhares de municípios, reúne milhões de brasileiros e contribui para a geração de emprego, renda, inclusão financeira, produção de alimentos, acesso à saúde e desenvolvimento regional. Esse capital social e econômico confere legitimidade ao movimento para participar das discussões sobre o futuro do país. Manter a neutralidade partidária significa justamente concentrar a atuação institucional nas pautas de interesse do movimento. A cooperativa pode promover encontros, apresentar agendas de interesse, estimular o voto consciente e dialogar com todos os candidatos de forma transparente e equilibrada. O foco deve ser sempre a defesa de políticas públicas que contribuam para o desenvolvimento das cooperativas e das comunidades, independentemente de quem esteja disputando ou ocupando os cargos eletivos.

 

Como o Sistema OCB orienta a participação cooperativista no processo eleitoral?

Para apoiar essa preparação, o Sistema OCB desenvolveu uma série de ferramentas reunidas no site Eleições 2026, criado especialmente para fortalecer a participação cidadã e a representação institucional do cooperativismo. Entre os materiais disponíveis está o documento Propostas para um Brasil Mais Cooperativo, que apresenta aos candidatos e tomadores de decisão uma agenda de contribuições do cooperativismo para o desenvolvimento econômico e social do país. As cooperativas também têm acesso à cartilha Cooperativismo e as Eleições 2026, que traz orientações de boas práticas na participação política, atuação institucional e engajamento responsável de cooperativas, cooperados e Organizações Estaduais no processo eleitoral. O objetivo é apoiar a promoção da educação política e do voto consciente, contribuindo para uma participação mais ativa, informada e alinhada aos valores do cooperativismo. Esse conjunto de ferramentas contribui para a formação de lideranças mais conscientes, capazes de participar de forma qualificada e permanente dos debates que impactam o futuro do setor e das comunidades onde atuam.

 

Como o cooperativismo consegue organizar suas pautas e levá-las aos candidatos? 

No caso do documento Propostas para um Brasil Mais Cooperativo, essa construção ocorre de forma estruturada e participativa, com a escuta de lideranças cooperativistas de todos os ramos do cooperativismo e regiões do país. As propostas também são orientadas pelo Planejamento Estratégico do Sistema OCB e pelas diretrizes do nosso Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), que em sua última edição, reuniu cerca de 3 mil lideranças cooperativistas. A partir dessa escuta, os principais desafios, tendências e oportunidades são transformados em propostas objetivas, fundamentadas em dados e conectadas às diferentes realidades regionais. O resultado é a organização de uma pauta de prioridades que representa o cooperativismo brasileiro de forma ampla e demonstra aos candidatos, de forma concreta, como o setor pode contribuir para a inclusão produtiva, a redução das desigualdades, o fortalecimento da economia e o desenvolvimento sustentável do país.

 

Qual o erro mais comum das cooperativas no período eleitoral? 

Talvez o erro mais comum seja tratar a participação política como uma ação pontual, restrita ao período eleitoral. Quando isso acontece, perde-se a oportunidade de construir relacionamentos institucionais duradouros e de acompanhar de forma efetiva as decisões que afetam o ambiente de negócios das cooperativas. Outro equívoco recorrente é concentrar esforços em pessoas específicas em vez de fortalecer pautas e propostas. O cooperativismo precisa ser reconhecido como um movimento permanente, organizado e comprometido com o interesse coletivo. Isso exige uma atuação institucional consistente, baseada em diálogo, informação qualificada e participação cidadã. Também é importante evitar a confusão entre participação política e partidarização. O cooperativismo tem o direito e o dever de defender suas pautas, mas sempre respeitando sua natureza plural e democrática, que reúne pessoas com diferentes visões políticas em torno de objetivos comuns.

 

Qual a ferramenta para apoiar essa atuação contínua?

O Programa de Educação Política. A iniciativa busca fortalecer uma cultura permanente de participação cidadã e representação institucional, oferecendo conhecimento, ferramentas e espaços de diálogo para que cooperados e dirigentes compreendam melhor o ambiente político e possam atuar de forma mais estratégica. Quanto mais preparadas estiverem as cooperativas para acompanhar os debates públicos, organizar suas pautas e se relacionar com os tomadores de decisão, maior será sua capacidade de contribuir para a construção de políticas públicas alinhadas às necessidades das comunidades e ao desenvolvimento do cooperativismo.

 

Como a educação política na base ajuda a eleger representantes alinhados com o coop?

A educação política é uma das ferramentas mais importantes para fortalecer a representatividade do cooperativismo. Quando cooperados, colaboradores e dirigentes compreendem como funcionam os Poderes da República, quais são as atribuições dos cargos eletivos e como as políticas públicas impactam seu cotidiano, eles passam a participar de forma mais consciente do processo democrático. Essa conscientização contribui para que o voto seja orientado por propostas, histórico de atuação e compromisso com temas relevantes para o desenvolvimento das comunidades. Ao entender melhor o papel da representação política, os cooperados conseguem identificar candidatos que valorizam o empreendedorismo coletivo, a inclusão produtiva, a geração de oportunidades e o desenvolvimento sustentável. O resultado é um ambiente que contribui para o fortalecimento de espaços de representação como a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), que tem desempenhado papel fundamental na defesa de pautas estratégicas para o setor. A educação política fortalece, portanto, a cidadania e amplia a capacidade da sociedade de acompanhar, cobrar e participar das decisões públicas.

 

Quais cuidados a cooperativa deve ter com sua comunicação institucional durante o período eleitoral?

A comunicação institucional exige atenção redobrada durante o período eleitoral. As cooperativas devem assegurar que seus canais sejam utilizados para informar, educar e promover o diálogo democrático, sem qualquer favorecimento ou prejuízo a candidaturas específicas. É fundamental observar as regras da legislação eleitoral e estabelecer critérios claros para participação de candidatos em eventos, entrevistas, debates ou conteúdos institucionais. Caso haja abertura para participação de agentes políticos, o tratamento deve ser isonômico e transparente. Nas redes sociais, é importante diferenciar claramente posicionamentos institucionais de manifestações individuais de dirigentes, colaboradores ou cooperados. A comunicação da cooperativa deve permanecer focada em suas pautas, em seus resultados e em seu compromisso com o desenvolvimento da comunidade. Além de evitar riscos jurídicos, essa postura fortalece a credibilidade e a confiança na instituição.

 

Como se informar sobre essas orientações específicas? 

O Sistema OCB disponibiliza a cartilha de boas práticas Cooperativismo e as Eleições 2026, que  oferece referências seguras para que as cooperativas possam se comunicar de forma transparente, com respeito à legislação e à sua neutralidade partidária, sem abrir mão de seu papel legítimo de apresentar propostas, promover o diálogo e contribuir para o debate sobre temas relevantes para o desenvolvimento local e nacional. Dessa forma, buscamos dar às cooperativas mais segurança para participarem de maneira responsável, alinhada aos valores e princípios do cooperativismo.

 

Qual o principal desafio do cooperativismo brasileiro nestas eleições?

O principal desafio continua sendo ampliar o conhecimento da sociedade e dos tomadores de decisão sobre o verdadeiro alcance do cooperativismo. Apesar da sua presença em praticamente todos os setores da economia e em milhares de municípios brasileiros, muitas pessoas ainda desconhecem a dimensão do impacto que as cooperativas geram na vida das comunidades. Essa falta de conhecimento pode limitar a inclusão de pautas estratégicas do cooperativismo nos programas de governo e nas agendas legislativas. Por isso, o desafio é político, mas também comunicacional e educativo. Precisamos mostrar cada vez mais que o cooperativismo oferece benefícios que ultrapassam o seu número de cooperados. Ele promove desenvolvimento local, gera oportunidades, fortalece cadeias produtivas, amplia o acesso a serviços e contribui para a redução das desigualdades. Quanto mais a sociedade compreender esse papel, maior será a capacidade do movimento de influenciar positivamente as decisões públicas.

 

Como alcançar esse objetivo estratégico?

Superar esse desafio passa por ampliar o acesso à informação qualificada. Por isso, em 2026, o Sistema OCB dá um novo impulso ao Programa de Educação Política com um chamado claro: na hora de votar, #PensenoCoop. A nossa campanha convida o movimento cooperativista a fortalecer sua participação cidadã e a levar para o debate público seus valores e contribuições. Temos convicção de que a presença ativa do cooperativismo como parte da discussão e instrumento de políticas públicas, ajuda a gerar mais oportunidades, inclusão e prosperidade para milhões de brasileiros.

 

Que conselho você deixa para os dirigentes cooperativistas no período eleitoral?

Meu principal conselho é que assumam o protagonismo na construção do ambiente institucional em que suas cooperativas estão inseridas. As decisões tomadas nos parlamentos, nos governos e nos órgãos reguladores impactam diretamente a capacidade das cooperativas de crescer, inovar e gerar benefícios para seus cooperados. Por isso, é fundamental investir na formação política, estimular o engajamento cidadão e promover o diálogo permanente com lideranças públicas. Participar da vida democrática significa compreender os desafios do país, apresentar propostas, defender interesses legítimos e contribuir para a construção de soluções coletivas. O cooperativismo nasceu da participação, da organização e do compromisso com o bem comum. Esses mesmos valores devem orientar sua atuação no debate público. Quando cooperativas e cooperados entendem a importância da representação política e se mobilizam em torno de pautas comuns, todo o movimento ganha força para construir um Brasil mais próspero, inclusivo e cooperativo. Também recomendo que os dirigentes engajem com nossos materiais de apoio e de comunicação, disponíveis no site Eleições 2026, que podem ajudar as cooperativas a transformarem sua relevância econômica e social em maior capacidade de participação nos debates que definirão o futuro do país. Quanto mais preparadas estiverem as lideranças cooperativistas, maior será a contribuição do movimento para a construção de políticas públicas alinhadas às necessidades das pessoas e das comunidades.

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