Semana de Competitividade é encerrada com chamado à ação
Após três dias de debates, Tania Zanella convoca participantes a levar aprendizados para a prática
A Semana de Competitividade 2026 terminou nesta quinta-feira (13), em Brasília, com um chamado para que os debates realizados ao longo dos três dias se transformem em ações dentro das cooperativas. No encerramento, a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, afirmou que fortalecer a cultura cooperativista será decisivo para sustentar o crescimento do movimento nos próximos anos. 
Com o tema Cultivando a Cultura Cooperativista, o evento reuniu cerca de 800 participantes de todo o país no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB). A programação combinou palestras, trilhas e laboratórios voltados à identidade cooperativista, governança, educação, comunicação, sucessão, diversidade e relacionamento com os cooperados.
Ao fazer um balanço da semana, Tania afirmou que a discussão sobre cultura ganhou urgência diante das transformações vividas pelo próprio cooperativismo. Segundo ela, o desafio não está apenas em ampliar números, negócios ou participação de mercado, mas em garantir que esse crescimento preserve aquilo que diferencia as cooperativas de outros modelos econômicos. “O nosso modelo é a nossa diferença, é o que nos faz únicos”, afirmou.
A presidente executiva destacou que tendências hoje valorizadas pela sociedade, como economia colaborativa, compartilhamento, propósito e preocupação com as pessoas, estão diretamente relacionadas aos fundamentos do cooperativismo. Para ela, uma das forças do modelo está justamente na capacidade de compartilhar resultados. Essa característica, segundo ela, ajuda a explicar a resiliência das cooperativas em períodos de crise e a presença do movimento em comunidades nas quais outros agentes econômicos muitas vezes não chegam.
O crescimento, porém, aumenta a responsabilidade. Tania recuperou um dos dados apresentados durante a Semana de Competitividade: nos últimos sete anos, em média, cerca de 6 mil pessoas ingressaram por dia nas cooperativas brasileiras. Atualmente, o movimento reúne 29 milhões de cooperados. “Você imaginar que, nos últimos sete anos, a cada dia 6 mil pessoas ingressaram nas nossas cooperativas é um desafio. A gente talvez nunca tenha parado para pensar nisso”, disse.
O avanço quantitativo, de acordo com a presidente executiva, precisa ser acompanhado por uma conexão maior entre o cooperado, a cooperativa e os princípios do movimento. O desafio é fazer com que quem utiliza os serviços de uma cooperativa compreenda por que aquele modelo é diferente e qual é o seu papel dentro dele. “É isso que precisamos cultivar. Precisamos fazer com que o olho brilhe, se encha de orgulho e a pessoa diga: eu estou no modelo que transforma a minha vida, que transforma realidades. Eu estou no cooperativismo”.
De dentro para fora ![55461887075 19f06b4503 k 82116cfd8270d6e3]()
Essa construção, segundo Tania, precisa começar dentro das próprias organizações. A estratégia é fortalecer primeiro o orgulho de ser cooperativista entre dirigentes, colaboradores e cooperados para, depois, ampliar a percepção da sociedade sobre o modelo. “Primeiro temos que trabalhar internamente, desdobrar o orgulho de ser cooperativista, para depois conversar e abrir as mentes e os corações dos brasileiros para o movimento”, defendeu.
A reflexão dialogou com diferentes momentos da programação. Durante os três dias, especialistas discutiram desde liderança e participação até educação cooperativista, comunicação, memória institucional, sucessão e engajamento de novas gerações. No último dia, o antropólogo Michel Alcoforado abordou as transformações no mundo do trabalho e as diferenças de expectativas entre as gerações.
Tania ressaltou que essa convivência entre diferentes gerações deve ser encarada como uma oportunidade para as cooperativas. “Tenho uma equipe também muito jovem e isso, para mim, é uma experiência formidável. Eu aprendo todo santo dia. Acho que essa diversidade é o que tem de mais bonito”, argumentou. Ela relacionou, ainda, o fortalecimento da cultura à representação institucional do. “Quanto maior a presença econômica e social das cooperativas, maior também será a necessidade de explicar suas diferenças e defender o modelo perante a sociedade e o poder público”, complementou.
Chamamento
O encerramento também marcou a passagem da discussão para uma nova etapa prática. Tania chamou ao palco os agentes de cultura das Organizações Estaduais do Sistema OCB, que terão a missão de levar aos estados e às cooperativas os conceitos, ferramentas e ações discutidos durante a semana. “Esse futuro não termina aqui. Quando vocês pegarem as malas, voltarem para suas famílias e iniciarem amanhã as atividades nas cooperativas, é que começará efetivamente o trabalho”, reforçou. “Isso precisa ser feito por todos nós. O grande chamamento é construir em conjunto essa cultura que se espera da gente”.
Como parte dessa estratégia, a presidente executiva anunciou o lançamento da Comunidade CulturaCoop, uma rede destinada a conectar os agentes de cultura e demais participantes do movimento em todo o país. A rede seguirá uma experiência semelhante à comunidade criada anteriormente para profissionais de comunicação do Sistema OCB. A proposta é concentrar materiais, comunicados, experiências e boas práticas, além de manter a troca entre os participantes depois do encerramento do evento.
“Vocês vão entrar nessa rede, nessa comunidade que vai conectar todos nós. A ideia é chamar todos para essa grande revolução da cultura cooperativista nas nossas cooperativas”, afirmou Tania durante o anúncio. Segundo ela, a comunidade será um dos instrumentos para garantir que a Semana de Competitividade não seja uma iniciativa isolada, mas o início de um processo permanente de mobilização. Tenho certeza de que o sucesso desse movimento passa por vocês, padrinhos,
madrinhas e agentes que agora vão replicar todo esse nosso plano de trabalho para as cooperativas. O trabalho começa agora”, finalizou.
Samba e cooperação
Para exemplificar uma vez mais a força da cooperação, representantes do grupo Batucada S/A, mostraram como o funcionamento de uma bateria de samba exige colaboração para garantir ritmo e sonoridade perfeitas. Eles conectaram os participantes em um time único que se integrou à banda e tocou instrumentos cedidos pelo grupo em um verdadeiro show de colaboração. A metáfora da bateria reforçou a missão proposta ao final do evento: atuar em conjunto, de forma coordenada e com um propósito comum para cultivar e fortalecer a cultura cooperativista em todo o Brasil.

