Labs estimulam soluções para fortalecer a cultura cooperativista
Experiências colaborativas abordaram juventude, educação, comunicação e preservação da memória
Transformar conhecimento em ação marcou as experiências vivenciadas nos labs da Semana de Competitividade 2026, realizados como parte da programação do evento nesta quarta-feira (12), em Brasília. Em quatro espaços de atividades práticas e colaborativas, os participantes foram convidados a desvendar desafios presentes no cotidiano das cooperativas e construir caminhos que possam ser aplicados em suas organizações.
Os laboratórios integraram as trilhas de Governança Cooperativa, Educação Cooperativista, Comunicação e Experiência, e Legado e Sucessão. Com metodologias participativas, as atividades colocaram os participantes no centro da busca por soluções para a disseminação efetiva da CulturaCoop com foco em juventude, aprendizagem, relacionamento com cooperados, preservação da história e do legado do movimento.
Engajamento de jovens
Tai Barroso, palestrante da Awelle
Na trilha Governança Cooperativa, Tai Barroso e Matheus Cardoso, da Awelle, conduziram o lab Como construir um plano de ação para engajamento de jovens. A atividade partiu de um desafio que mobiliza o cooperativismo: como atrair as novas gerações e, principalmente, criar condições para que elas permaneçam envolvidas ativamente com as cooperativas.
Os participantes conheceram dados sobre o perfil da juventude brasileira e discutiram como mudanças nas expectativas profissionais e pessoais interferem na forma como os jovens se relacionam com as organizações. Estabilidade financeira, qualidade de vida, oportunidades de participação e novas perspectivas de desenvolvimento estão entre os elementos que, segundo os monitores, precisam ser considerados.
O lab também chamou atenção para a necessidade de conhecer melhor os jovens que já estão dentro das cooperativas. “Engajar e manter os jovens ativos é um dos principais desafios. Para construir uma estratégia que realmente funcione, além de criar comitês, núcleos ou programas específicos, precisamos entender quem é esse jovem, o que ele busca e quais oportunidades de participação estamos oferecendo dentro da cooperativa”, explicaram Tai Barroso e Matheus Cardoso.
Novas experiências de aprendizagem
Kasuo Yassaka e Willians Pressi, da Yassaka, conduziram o lab Design de experiência de aprendizagem na trilha Educação Cooperativista. A proposta buscou provocar os participantes a repensarem o conteúdo ensinado e, principalmente, a forma como o conhecimento é construído.
Willians Pressi, sócio da Yassaka
A atividade começou com uma reflexão sobre experiências educacionais que marcaram a trajetória dos próprios participantes e avançou para as diferenças entre o modelo tradicional de ensino e a abordagem andragógica, voltada à aprendizagem de adultos.
Nesse modelo, o educador assume o papel de facilitador, as experiências de cada pessoa passam a integrar o processo de aprendizagem e o erro deixa de ser encarado apenas como problema para também se transformar em oportunidade de desenvolvimento.
“Quando falamos em experiência de aprendizagem, o mais importante é como as pessoas vão participar desse processo. O conhecimento ganha força quando parte da experiência, promove troca e permite que o participante coloque aquilo em prática”, destacaram os monitores.
Durante o lab, a metodologia foi vivenciada com atividades para despertar a curiosidade, ouvir o grupo, conectar conteúdos à realidade dos participantes, promover interação, experimentar soluções e revisar os aprendizados.
Vanessa Regina Rocha, assessora de Pessoas e Cultura no Sicredi Integração Bahia, considerou que a experiência apresentou novas possibilidades para a educação dentro das cooperativas. “Colocamos a mão na massa realmente. O laboratório trouxe muitas experiências com relação a uma forma diferente de trabalhar a educação dentro da cooperativa, principalmente com o modelo andragógico. Consegui ter um novo olhar para trabalhar”, afirmou.
Estratégia para chegar aos cooperados
Bruno Peres, fundador da Arca.buzz
Na trilha Comunicação e Experiência, Bruno Peres, da Arca.buzz, conduziu o lab Como criar um plano de comunicação eficiente com os cooperados. A atividade mostrou que uma estratégia de comunicação começa antes da escolha dos canais ou da produção de conteúdo. Os participantes foram convidados a analisar a realidade de suas cooperativas e estruturar um planejamento a partir de quatro pontos: definição do público-alvo, posicionamento, objetivos e metas, além da escolha dos canais e conteúdo.
O exercício também provocou reflexões sobre a promessa que cada cooperativa entrega aos seus públicos, seus diferenciais, as histórias que podem ser contadas e o tom de voz mais adequado para expressar sua identidade. “Uma comunicação eficiente começa quando a cooperativa entende com quem quer falar, o que deseja comunicar e qual resultado pretende alcançar. Quando público, posicionamento, mensagem e canais estão alinhados, a comunicação ganha propósito, fortalece a identidade da cooperativa e cria uma relação mais próxima com os cooperados”, destacou Bruno.
A proposta reforçou a comunicação como instrumento estratégico para ampliar a conexão com os cooperados e traduzir princípios e valores do cooperativismo em mensagens capazes de gerar identificação.
Memória como patrimônio
Maria Rosa, pesquisadora da Raiz Projetos e Pesquisas de HistóriaO lab Como fazer um projeto de memória institucional, da trilha Legado e Sucessão, foi conduzido por Carolina Kuk, Maria Rosa Crespo e Thaís Pelligrinelli, da Raiz Projetos. Por meio da dinâmica Construindo a memória Coop, os participantes responderam a 12 perguntas orientadoras para identificar os primeiros passos necessários à construção de um projeto para suas cooperativas.
Documentos, fotografias, objetos, registros institucionais e relatos de pessoas foram trabalhados como elementos capazes de contar a trajetória das organizações e preservar experiências importantes para as próximas gerações.
“Construir um projeto de memória exige mais que apenas guardar documentos ou fotografias. É identificar as histórias que ajudam a explicar quem somos, organizar esse patrimônio e criar condições para que ele continue acessível e faça sentido para as próximas gerações”, explicaram Carolina, Maria Rosa e Thaís.
O exercício mostrou que preservar a memória exige planejamento, organização e continuidade. Ao recuperar histórias de fundadores, cooperados, dirigentes e colaboradores, as cooperativas também fortalecem sua identidade e criam referências para os processos de renovação e sucessão.


