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Notícias ESG

Estudo analisa nova métrica sobre emissão de gases de efeito estufa

O Observatório de Bioeconomia, do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgou em seu boletim análise (4/22) sobre nova métrica para emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) sugerida pelo Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O estudo da fundação também leva em consideração o Acordo de Paris, que definiu uma meta limite de aumento da temperatura global até 1,5º C acima dos níveis pré-industriais, ao invés do volume de emissões dos GEE, até 2050. O coordenador de Meio Ambiente do Sistema OCB, Marco Morato, declarou que organização apoiou o estudo e que as cooperativas já atuam para diminuir os impactos ambientais nas atividades agropecuárias. “Este estudo sobre métricas de medição de metano na pecuária e seus distintos impactos orientam melhor a agropecuária brasileira sobre os reais desafios para a descarbonização do setor”. Segundo Morato, as cooperativas agro já possuem inúmeras atividades que promovem a sustentabilidade na agropecuária brasileira, como: atividades práticas de recuperação de pastagens, sistemas de integração lavoura-pecuária-florestas, a produção de bioinsumos e a realização de manejo de resíduos da produção animal”, avalia Morato. Segundo o boletim da FGV, o gás metano (CH4) é o segundo gás de efeito estufa presente na atmosfera, sendo responsável por 17,6% das emissões globais. Já o dióxido de carbono (CO2) representa 74,4%. O esforço global está na neutralidade do metano, pois o ciclo de vida do gás na atmosfera tem duração média de 12 anos, enquanto o CO2 permanece por 100 anos. Então, a redução de metano na atmosfera simboliza um método mais rápido de frear o aumento da temperatura do planeta. A nova métrica de conversão do metano é denominada de Global Warming Potential Star (GWP*) ou Potencial de Aquecimento Global em português. Ela é baseada na variação das emissões ao longo do tempo (ao invés da emissão anual) e considera os impactos em diferentes momentos da permanência do gás na atmosfera, afetando diretamente a atividade pecuária. Representa ainda um menor potencial para o aquecimento global se comparado com outras métricas oficiais como a GWP100, onde são considerados os gases que permanecerão 100 anos na atmosfera. O arroto do boi A atribuição da métrica com a pecuária está atrelada à fermentação entérica, mais conhecida como arroto do boi, que representa 19% das emissões de GEE, no mundo, e 2% no Brasil. O estudo da FGV considera, de acordo com a nova métrica, que até 2030 a emissão de metano pelos rebanhos retornariam aos níveis da década de 1980 e permaneceriam neste patamar até 2050. Com a métrica GWP100, o potencial de aquecimento seria 1,95 vezes superior. Outro ponto tratado no documento é o aumento da produtividade pecuária com a redução de rebanho. Isto se daria em um cenário em que os animais ganhariam mais peso, em menos tempo. Então, o volume produzido de carne animal demandaria menor rebanho e, por consequência, menos emissão de metano por parte deles. Com isso, de acordo com o estudo, a pecuária brasileira não teria implicações na temperatura do planeta, uma vez que a redução de gado já atingiria a neutralidade climática em 2040. Como destacado por Morato, o estudo também versa sobre as boas práticas para a mitigação das emissões de metano. Os especialistas da FGV, Talita Priscila Pinto, Cicero Zanetti de Lima, Camila Genaro Estevam, Eduardo de Morais Pavão e Eduardo Delgado Assad sinalizam que a adoção de manejo de dejetos e biodigestores, bem como a qualidade da dieta animal para ganho de peso vivo e redução do tempo de abate atrelados ao uso de tecnologias “podem reverter o papel da pecuária nas mudanças climáticas”.

Energia Distribuída: fórum debate desafios e oportunidades

O Sistema OCB participou do Fórum de Energia Cooperativa, evento realizado nos dias 8 e 9 de junho pela Confederação Alemã das Cooperativas (DGRV). O objetivo foi debater os desafios e as alternativas para o crescimento do setor no Brasil, em especial, no que tange a cobrança de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Produtos (ICMS) sobre a energia produzida e consumida pelas cooperativas. O encontro reuniu representantes de cooperativas e instituições de apoio no país.

O coordenador de Meio Ambiente do Sistema OCB, Marco Morato, fez a moderação do painel Inovação social em energia e oportunidades nos resíduos agropecuários, além de comandar palestra como tema Apresentação de projetos e ações com as cooperativas de energia renovável. Segundo Morato, esse diálogo do movimento cooperativista é essencial para o avanço de políticas públicas que reconheçam o potencial do movimento na geração e distribuição de energia limpa.

 “O Fórum promoveu o debate dos principais desafios das cooperativas, que vão desde a organização do setor, adoção de ações de compliance e necessidade de um trabalho efetivo para a desoneração da atividade, principalmente na esfera tributária. O Sistema OCB tem muito a contribuir tanto na capacitação destas cooperativas, como em questões institucionais para avançar na desoneração da atividade", reforçou Morato.

A abertura do evento foi realizada pela diretora da DGRV-Brasil, Camila Japp e o primeiro painel abordou O movimento internacional da energia cooperativa. O debate destacou pessoas que atuam no centro da transição energética, com relato de experiências no mundo. Já o painel Ecossistemas de negócios das cooperativas de energia na Alemanha trouxe casos típicos das experiências alemãs no setor e potenciais lições para as cooperativas de energia brasileiras.

Outro tema de destaque no fórum foi o compartilhamento de produtos e serviços entre as cooperativas para o alcance de economia de escala, incluindo as tecnologias dos softwares de gestão. O aprimoramento da Resolução Normativa da ANEEL 482/12, que, entre outras medidas, permite ao consumidor brasileiro gerar sua própria energia elétrica a partir de fontes renováveis também foi explorado, assim como as oportunidades de negócios entre União Europeia e Brasil para a economia de baixo carbono; e a geração compartilhada no planejamento energético nacional.

O fórum salientou, ainda, discussões sobre o impulsionamento na diversidade de geração de energia compartilhada, a defesa dos interesses do movimento cooperativista; as oportunidades no hidrogênio verde para as cooperativas de energia renovável; a sustentabilidade do modelo de negócios cooperativista; os desafios e oportunidades; e o conhecimento e disseminação da plataforma Energia.Coop.

Em reuniões temáticas foram debatidos, além da questão do ICMS, os modelos inclusivos mais comunicação, mais crédito; e a intercooperação e centralização. Ao final do evento, o grupo tomou a decisão de se constituir uma federação representativa para atuar em defesa dos interesses destas cooperativas, bem como compartilhar soluções com elas.

Sistema OCB participa de webinar sobre cooperativismo e sustentabilidade

O Sistema OCB participou, na quinta-feira (2), de evento promovido pelo Observatório de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FVG) que debateu as estratégias do cooperativismo para o desenvolvimento sustentável. No evento, moderado pelo pesquisador Daniel Vargas, o coordenador de Meio Ambiente do Sistema OCB, Marco Olívio Morato, destacou que o modelo de negócios cooperativista está um passo à frente em termos de sustentabilidade, pois atende as premissas de ser ecologicamente correto, socialmente justo e economicamente viável.

“O cooperativismo tem sido um dos indutores de tecnologias e soluções sustentáveis há anos. Somos referência em programas de sucesso como adoção de tecnologias de sequestro e baixa emissão de carbono, na recuperação de nascentes e matas ciliares, em ações que transformam passivos ambientais em energia renovável e biofertilizantes”, afirmou Morato. Ainda segundo ele, “essas ações corresponderem aos anseios do movimento, das comunidades e principalmente do mercado”, acrescentou.

Três cooperativas foram convidadas a apresentar projetos de sucesso em sustentabilidade durante o evento: a Cooperativa Lar Agroindustrial, do Paraná; a Cooperativa de Produtores Rurais (Coopercitrus), que abrange São Paulo, Minas Gerais e Goiás, e a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta), do Pará.

Exemplos

A apresentação da Lar detalhou como são realizados os trabalhos de assistência técnica e capacitação desenvolvidos e, ainda, sobre o protagonismo da cooperativa quando se trata de biodigestores e aproveitamento de dejetos. O presidente Irineo Rodrigues reforçou que o biogás é o vetor de descarbonização do agronegócio e que a Lar já recebeu prêmios por seu projeto sustentável que prevê a emissão zero de carbono até 2060.

“Nossas práticas buscam e alcançam melhor qualidade da água, do ar, de energias renováveis e gestão de resíduos. São mais de 150 nascentes recuperadas em propriedades de associados, procedimentos de logística reversa, de reciclagem de embalagens, de aproveitamento de dejetos para a geração de energia. Essa integração de atividades gera muita matéria-prima que, com o devido tratamento, como é o caso dos biodigestores, permite uma destinação correta e a produção de energia limpa”, explicou.

Irineu destacou ainda que o inventário elaborado pela Lar para definir metas e prazos para redução de emissão de carbono é o principal método utilizado por seus associados. “Temos o Programa de Inovação e o Lar e Associados, mas nessa temática, o Prêmio Lar Sustentabilidade é o que reconhece as melhores práticas sustentáveis. Neste caminho, o próximo passo a conquistarmos seria o pagamento por serviços ambientais”.

A Coopercitrus foi representada pelo presidente do Conselho de Administração, Matheus Marinho, que pontuou que a sustentabilidade é um pilar estratégico dentro da cooperativa. Ele atribui o sucesso à criação da Fundação Coopercitrus Credicitrus, que recebe investimentos ocasionando mudanças significativas para os cooperados.

“Na Fundação, temos três pilares base: educação para o agro, onde ofertamos graduação em big data e outro curso técnico em agronegócio – aberto para a sociedade. O segundo é o meio ambiente, com equipe técnica que vai ao campo trabalhar com recuperação de matas ciliares, nascentes, projetos de fixação de carbono no solo e mais uma gama ampla de ações desenvolvidas pelo do time da fundação. O terceiro pilar é utilizar a tecnologia de máquinas e implementos a céu aberto, para que o produtor possa caminhar e ver as soluções desenvolvidas para cada situação, bem como o que está alinhado com sua necessidade, com seu nível tecnológico”, afirmou.

A Camta é referência no que diz respeito à sustentabilidade econômica e ambiental a partir do Sistema Agroflorestal de Tomé-Açú (Safta). O Safta contribui para o fim do uso de fogo na escala produtiva, permeando a cultura de baixo carbono; para a geração de emprego, renda e qualificação por conta da necessidade de mão de obra para o manejo das variadas culturas. Segundo o coordenador do Núcleo Agroflorestal de Pesquisa Aplicada da cooperativa, Raul Monteiro, o Safta é um piloto de larga escala.

“Nosso triturador como opção para queima já ganhou premiação da ONU como tecnologia de grande impulso para sustentabilidade. Temos 500 hectares de terra para expansão da produção agroflorestal, estruturação da patrulha mecanizada, agricultura sem queima e fábrica de fertilizantes para otimizar o uso do resíduo da agroindústria. Nossa tecnologia reduz em cinco vezes os gases de efeito estufa. Nosso projeto junto à Embrapa para mecanização e expansão do Sistema da Camta, que vai até 2026, vai nos ajudar a superar limitações e dar continuidade na pesquisa aplicada em agricultura sem queima. Isso agrega valor ao desenvolvimento sustentável e também gera mais rentabilidade aos cooperados, além de replicar tecnologias da agricultura biológica, diminuindo a dependência de insumos externos”, ressaltou.

Agenda

O evento contou também com as considerações do coordenador da FGV Agro e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Ele se mostrou satisfeito com as apresentações e destacou a agenda da sustentabilidade tem estimulado as inovações no campo. “Diversas e importantes ações de inovação e sustentabilidade são lideradas por cooperativas de várias regiões Brasil. São experiência diversificadas e exitosas. Então, esse tipo de encontro traz luz sobre como a sustentabilidade pode se tornar fonte de renda e riqueza para o produtor brasileiro”.

O ex-ministro também agradeceu o apoio do Sistema OCB, ao Observatório da FGV e sugeriu a promoção de um congresso brasileiro de cooperativas e sustentabilidade para divulgar amplamente os modelos expostos durante o webinar.

Manual detalha criação de comitê de mulheres nas cooperativas

O Comitê Nacional de Mulheres do Sistema OCB Elas pelo Coop quer aumentar a participação feminina no movimento cooperativista. Reunindo pautas estratégicas e prioritárias, o Manual de implantação de Comitês de Mulheres nas Cooperativas traz os sete princípios de empoderamento da ONU Mulheres.

Manual do Comitê Nacional de Mulheres do Sistema OCB Elas pelo Coop

O documento constrói o passo a passo para implementar o comitê de mulheres dentro de uma cooperativa, detalhando desde o planejamento até a formação continuada. O manual relata sobre os espaços ocupados por elas no âmbito da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) e também dentro do Sistema OCB, que reúne a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a Confederação Nacional das Cooperativas (CNCoop) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop).

O presidente Márcio Lopes de Freitas, destaca que a iniciativa é fundamental para colaborar com o crescimento e fortalecimento do movimento no país. “Nossa obrigação é construir alicerces sólidos para um processo permanente e natural de ocupação de espaços pelas mulheres. Para que isso aconteça, precisamos viabilizar o acesso às ações de desenvolvimento pessoal e profissional. Só assim elas poderão, cada vez mais, colaborar com o crescimento sustentável das coops. Este manual é mais um passo para fomentarmos a participação feminina em cargos de decisão”.

A Coordenadora do Comitê Nacional de Mulheres, Jamile Guimarães, instiga as cooperadas a participarem do projeto. “Marcamos presença no movimento cooperativista como a força que move o mundo e que gera sustentabilidade. Representamos quase metade dos cooperados do Brasil e temos ocupado a cada dia novas posições, em especial, de lideranças. Nossa base sólida é o que nos dá segurança de uma colheita certa. Precisamos nos capacitar para conquistarmos mais espaços. Topam o desafio?”, indagou.

A superintendente Tânia Zanella, destacou que a instituição está alinhada às demandas da sociedade com estratégicas de igualdade de gênero. Segundo ela, o manual é mais uma solução para que a inclusão aconteça na prática. “Vamos em busca de mais espaço e oportunidade para continuarmos contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico e impactando positivamente comunidades onde atuamos. Já está mais que provado que, com isso, todo mundo ganha. É na diversidade que o coop mostra sua força”, frisa Tânia.

Cooperativa Camta, referência em sustentabilidade, recebe visita da Apex

O Sistema OCB e a Apex-Brasil realizaram, nesta semana, visita à Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta), no Pará. A agenda é mais uma ação da parceria entre a OCB e a Apex que, desde 2020, têm por objetivo promover negócios comerciais e qualificação das coops do agro para exportação. Com 93 anos de atuação, a Camta é referência no que diz respeito à sustentabilidade econômica e ambiental a partir do Sistema de Agroflorestal de Tomé-Açú (Safta), no qual as culturas semeadas convivem em harmonia, dividindo terreno umas com os outras e também com a floresta nativa. 

Os resultados da visita técnica apontam que a renda da Camta é contínua se observados o curto, médio e longo prazo, a garantia de venda dos produtos, a ausência de desmatamento, e o cultivo em áreas desmatadas que, por consequência, auxilia na recuperação da biodiversidade na região. Isso porque o sistema agroflorestal mantém o solo úmido e fértil, respeita o clima, não empobrece o solo e aumenta a produtividade. As entidades avaliaram ainda que sistema agroflorestal adotado pela Camta tem sido fundamental para que a cooperativa alcance patamares cada vez maiores.  

Cássio Akahoshi, da Apex, visita plantações da Camta

Os analistas observaram ainda que o Safta contribui ainda para o fim do uso de fogo na escala produtiva; gera emprego, renda e qualificação por conta da necessidade de mão de obra para o manejo das variadas culturas; adota tecnologia adequada ao Custo Amazônia; fortalece a economia local; e reaproveita os resíduos sólidos e líquidos para produzir fertilizantes organominerais. 

Em resumo, o Safta, não apenas possibilitou a diversificação da produção como também reduziu consideravelmente a incidência de pragas e doenças, além de recuperar a biodiversidade, com sustentabilidade e ampliação de mercados.  

Sobre a Cooperativa - A Camta foi fundada em 1929 por imigrantes japoneses e, hoje, conta com 172 cooperados, somados a mais de 1,8 mil produtores familiares. O Safta é um modelo exclusivo de agricultura sustentável, baseado na vivencia dos povos ribeirinhos e seu policultivo. Em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) - após ser selecionada em edital – a Camta pretende expandir a tecnologia já utilizada, que evita em mais de cinco vezes a emissão de gases poluentes. 

A cooperativa comercializa dentro e fora do país polpas pasteurizadas (sem uso de conservantes) de abacaxi, pitaya, açaí, caju, acerola, cupuaçu, goiaba, graviola, manga, maracujá, morango, murici e taperebá. Além de geleias, óleos vegetais, pimenta-do-reino e amêndoas de cacau. Atualmente, a cooperativa fornece seus produtos para a Argentina, Japão, Estados Unidos, Alemanha, França e Israel. 

As certificações como Orgânico Brasil, USDA, Agricultura Orgânica, Kosher e JAS, validam sua credibilidade no ramo das exportações.  Em 2019, obteve o selo de Indicação Geográfica (IG) para o cacau, que comprova que o produto é genuíno e possui qualidades particulares, ligadas à sua origem. O desafio atual é a obtenção da certificação ISO 22000 - Gestão de Segurança de Alimentos para atender alguns países com restrições pela ausência do selo. 

O Selo IG rendeu, em números, à Camta, em 2019, 145 toneladas de cacau dentro do país e 376 toneladas do cacau especial (meijii) para o mercado internacional. Estas vendas representaram um faturamento de quase R$ 5 milhões, só com o cacau. No mesmo ano, o açaí em polpa também representou uma das maiores demandas da cooperativa, que exportou 182 toneladas para o Japão e outras 32 toneladas para a Alemanha. 

 

Cooperativas de MT atendem mais de 300 mil famílias no Dia C

Trabalho social é realizado ao longo de todo o ano e culmina em uma grande ação simultânea que acontece em todo o país


Ações sociais realizadas simultaneamente por 148 cooperativas em Mato Grosso resultaram no atendimento de 372.965 pessoas no ano passado. A estatística é referente ao Dia de Cooperar, também conhecido como Dia C, data reservada para dar visibilidade a uma ação antes silenciosa e que marca a relação direta entre as instituições e o desenvolvimento não só econômico, como humano dos locais onde estão instaladas.
O superintende do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo em Mato Grosso (Sescoop/MT), Adair Mazzotti, explica que as cooperativas são criadas geralmente em prol de uma demanda econômica local, porém a sua sustentabilidade está diretamente ligada ao ambiente e a empatia com a região onde estão instaladas, já que o objetivo principal é o desenvolvimento da comunidade como um todo.
Desde que Mato Grosso aderiu ao Dia C, que é uma campanha nacional, o número de pessoas diretamente atendidas teve um acréscimo de mais de 2 mil % em 8 anos. Conforme os dados, em 2013, eram 12.549 pessoas e, em 2021, chegaram a mais de 300 mil.
O número de pessoas dispostas a ajudar – entre cooperados, funcionários das cooperativas e comunidade em geral - também cresceu 1.400% em todo o Estado, passando de 1.844, em 2013, para 29.318, em 2021.
 Mazzotti explica que já faz parte da atuação das instituições as campanhas, cuja meta é o retorno social e que, com a pandemia, foi necessário focar ainda mais nos trabalhos.
Todos os anos, há uma grande diversidade de projetos nas áreas de assistência, sustentabilidade e qualificação durante o Dia C, que acontece no 1º sábado de julho. Porém, em 2021, a maior parte dos trabalhos foi direcionado ao combate à fome por conta do empobrecimento da população em decorrência da pandemia do covid-19.
Apenas a Sicredi Grandes Rios, com sede em Colíder (650 km de Cuiabá), conseguiu arrecadar mais de 70 toneladas de alimentos, que foram distribuídas para famílias carentes com o apoio do governo do Estado e instituições de caráter assistencial.
O gerente de Desenvolvimento do Cooperativismo do Sicredi Grandes Rios, Valter Souza, conta que foi um trabalho emocionante que tomou conta de todas as cidades de abrangência da cooperativa em Mato Grosso e no Pará. Uma verdadeira rede de compaixão ao próximo.
Em Mato Grosso, a meta do Sicredi Grandes Rios era arrecadar 10 toneladas e houve uma superação em 600%. Um volume que atendeu todas famílias cadastradas pelas instituições de caridade parceiras e ainda houve um percentual sobressalente que gerou uma redistribuição.
Devido à pandemia, foram estabelecidos pontos de coleta pela cidade e alguns mutirões nos bairros. Depois, os materiais eram separados, ensacados e levados para as entidades que entregavam no sistema drive thru.
“Era uma verdadeira corrente humana formada pelos voluntários na hora de carregar os caminhões. A cesta ia passando de mão em mão até chegar na carroceria”, afirmou Valter.
O gerente explica que a região foi altamente impactada porque muitos moradores eram profissionais liberais, tinham pequenos negócios ou trabalhavam em estabelecimentos comerciais que não sobreviveram aos impactos da covid-19. Desta forma, muitas famílias que estavam em ascensão ou organizadas ficaram empobrecidas.
“Nós sabemos que a doação não vai resolver de imediato a situação, mas queremos que todos saibam da existência da solidariedade e empatia por parte de toda a comunidade”, avalia Valter.

Ensinando valores


Os integrantes da Cooperativa dos Profissionais de Educação de Sinop (Coopersino) também atuaram na ação e, na avaliação de Daucia Marcone, conseguiram demonstrar à sociedade os valores do cooperativismo.
Ela conta que a ação solidária foi impressionante, principalmente por conta dos voluntários. “Foi encantador ver as pessoas entregando seu tempo, no sábado, para contribuir com a separação de alimentos e formação das cestas. Nossa estimativa era atender 20 famílias e conseguimos chegar a 60”, relatou Marconi.
Agora, para este ano, a cooperativa pretende se manter na atividade, que já faz parte das discussões da semana pedagógica da escola e conta com a colaboração de todos na construção.

imagem site coop

Encontro com SomosCoop

O movimento SomosCoop ganhou destaque nesta sexta-feira (17) no programa Encontro com Fátima Bernardes, da Rede Globo de Televisão. A jornalista e apresentadora afirmou que o cooperativismo traz impactos positivos para toda a sociedade e descreveu alguns dos benefícios que o modelo de negócios oferece. 

 

“O cooperativismo tem um grande potencial econômico. Ele gera emprego e renda para o país. Para se ter uma ideia, só no Brasil, as cooperativas geram mais de 450 mil empregos e contribuem com a renda e finanças de 17 milhões de cooperados. No campo, as cooperativas contribuem com metade da produção agro brasileira. Além disso, durante a pandemia, as cooperativas de saúde fizeram a diferença, atendendo 18 milhões de brasileiros espalhados por todo país”, afirmou. 

Fátima também apresentou o vídeo da campanha SomosCoop que tem como embaixador o tenista Gustavo Kuerten, ídolo do esporte brasileiro e ressaltou ainda o potencial social do cooperativismo. 

“Guiadas por princípios, como o do interesse pela comunidade, as cooperativas trazem muitos impactos positivos nos locais onde estão inseridas. Há várias iniciativas, como programas de educação financeira, movimentos de solidariedade e ações que promovem a sustentabilidade. Isso só para citar alguns exemplos. Além disso, o dinheiro permanece na comunidade gerando um ciclo virtuoso de crescimento local”. 

Fátima concluiu sua fala afirmando que escolher o cooperativismo é uma escolha consciente, seja como cooperado ou como consumidor e que os produtos e serviços de cooperativas estão no nosso dia a dia. Ela ainda convidou todos a conhecerem mais sobre o cooperativismo e o movimento SomosCoop pelo site https://www.somos.coop.br/.

Para conferir o destaque do Encontro na íntegra acesse: https://in.coop.br/somoscoopgshow

BNDES divulga linha Finame Baixo Carbono

Brasília (01/12/21) – O BNDES divulgou nesta semana, a linha Finame Baixo Carbono para aquisição de equipamentos com maiores índices de eficiência energética ou que contribuam para redução da emissão de gases de efeito estufa.  

A divulgação da linha faz parte de uma estratégia do BNDES para colaborar com a adoção de tecnologias que possibilitem o alcance da neutralidade de carbono nos diversos setores da economia brasileira.  

São itens financiáveis, por exemplo: sistemas de geração de energia renovável, aquecedores solares, ônibus e caminhões elétricos, híbridos e movidos exclusivamente a biocombustível e demais máquinas e equipamentos ambientalmente mais eficientes. Todos os produtos devem ser novos, de fabricação nacional e credenciados no Credenciamento Finame (CFI) do Sistema BNDES.  

Assista ao vídeo no canal do Youtube do BNDES, e saiba tudo sobre a nova linha de financiamento: https://youtu.be/rt52e7ecidc.  

 

INICIATIVAS COOP DE BAIXO CARBONO 

No início de novembro o movimento cooperativista foi destaque no Espaço Brasil na COP26, em Glasgow, onde foram apresentados cases de cooperativas brasileiras que colaboram para o alcance da neutralidade de carbono. O cooperativismo está um passo à frente em ações e soluções nesse sentido. Para conhecer os principais cases e o manifesto em relação aos desafios apresentados COP26, acesse: www.cooperacaoambiental.coop.br

Cooperativismo: produção sustentável não é utopia

  • Nenhum
Brasília (12/11/2021) - “O cooperativismo brasileiro é referência em sustentabilidade e um exemplo que deve ser reconhecido, valorizado e replicado”. Essa foi uma das afirmações de destaque feitas pela gerente-geral da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Fabíola Nader Motta, durante apresentação de painel sobre o tema Brasil Verde no estande Glasgow da COP 26 na manhã desta sexta-feira (12). Em sua fala, Fabíola ressaltou uma vez mais que o Brasil pode ser protagonista na construção de uma economia de baixo carbono e que, unindo esforços com outros países, é possível deter o avanço do aquecimento global.
 
Para mostrar a força do cooperativismo na produção sustentável, a gerente-geral utilizou como principal exemplo o caso da Cooperativa Agrícola Mista Camta, localizada em Tomé-Açu no Pará, e a história de Hajime Yamada, imigrante japonês hoje com 94 anos que chegou ao local em 1929. A história de vida de Yamada se confunde com a da cooperativa fundada em 1931 e que, desde meados da década de 1970, viu a região crescer e se desenvolver cada vez mais com a implantação do Sistema Agroflorestal de Tomé-Açú (Safta).
 
“O senhor Yamada aprendeu com os povos ribeirinhos, os nativos que vivem nas margens dos rios da Amazônia, que as árvores não sobrevivem sozinhas na floresta. Elas precisam uma das outras e de outros tipos de plantas e vegetais para crescerem e se fortalecerem. E esse aprendizado foi fundamental para o desenvolvimento desse sistema depois que os agricultores da região viram sua principal cultura, a pimenta do reino, ser completamente devastada por uma praga”, explicou Fabíola.
 
Com o Safta, atualmente, continuou ela, o açaí, o cacau, a mandioca e a pimenta do reino, entre outras culturas, convivem em harmonia, dividindo terreno umas com os outras e também com a floresta nativa. “São cinco mil hectares nos quais as plantas de uma cultura servem de adubo para o crescimento e fortalecimento das outras. O sistema agroflorestal mantém o solo úmido e fértil, respeita o clima e a biodiversidade local, não empobrece o solo e aumenta a produtividade”.
 
Entre os resultados alcançados pela Comta, Fabíola citou a recuperação total da área degradada com o tempo e a redução da emissão dos gases de efeito estufa em até cinco vezes quando comparada com outros sistemas da região. “A Camta transformou a região e gera impactos positivos para mais de 10 mil pessoas, além de seus 800 associados. Sua produção é exportada para vários países e, além disso, a cooperativa conta com uma agroindústria que produz polpas de frutas, geleias, sorvetes e óleos vegetais. O cacau, inclusive, recebeu o selo de produto das Olimpíadas em Tóquio 2020”.
 
Foto: Daniela Luquini / Mapa

 

Energia limpa

Outro exemplo de sucesso apresentado por Fabíola é o da energia limpa e renovável gerada por meio de pequenas centrais hidrelétricas, usinas fotovoltaicas e biomassa. “Já conseguimos produzir mais de 316 megawatts de energia renovável nas mais de 540 iniciativas de cooperativas distribuídas por todo o país”, destacou.
 
A gerente-geral também citou um projeto da unidade estadual da OCB em Minas Gerais, a Omceg, que inaugurou neste mês 30 usinas fotovoltaicas e pretende chegar a 100 em 2022 com o programa Minas Coop. “Um ponto importante a ressaltar é que parte dessa energia limpa é doada para entidades filantrópicas da região, atendendo, inclusive, um dos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) propostos pela ONU. Além disso, o projeto trabalha ao mesmo tempo três pilares: o econômico, o social e o ambiental”.
 
Fabíola destacou ainda a importância do Código Florestal Brasileiro, reconhecido como uma das legislações mais modernas e eficazes para a preservação ambiental da atualidade, o Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono) e a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais como iniciativas que precisam ser reconhecidas e incentivadas não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.
 
“Para que as metas propostas sejam atingidas é fundamental que tenhamos recursos financeiros, capacitação, equipamentos e assistência técnica. O Brasil ainda tem muito a avançar, mas não podemos deixar de reconhecer as iniciativas de sucesso já implantadas pelo governo e essas três são exemplos extremamente positivos e para os quais o cooperativismo contribui efetivamente”, concluiu.
 
O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, destacou a força do cooperativismo na busca de soluções coletivas e que trabalham a união de forças para fazer a diferença. “É o que o Brasil e outros países estão fazendo aqui na COP 26. Nosso país é uma potência capaz de transmitir tecnologias importantes e o cooperativismo é um deles. Levar esse conceito e exemplos do que o cooperativismo vem desenvolvendo para outros países, com certeza, tornará o mundo mais forte e unido”.
 
Para conferir a apresentação completa da OCB na COP 26, acesse o link: https://youtu.be/owVhXaBERmY?t=298.
 
E, para saber mais sobre os projetos de sustentabilidade das cooperativas com resultados sólidos e positivos, bem como o posicionamento do setor sobre a importância da preservação ambiental, acesse o site da OCB dedicado ao tema em www.cooperacaoambiental.coop.br.

Mercosul une forças contra o aquecimento global

Essa é a primeira vez que os quatro países integrantes do bloco unem esforços em favor da busca de soluções comuns e efetivas para o problema da mudança do clima Um dos legados da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26) é a rearticulação dos países do Mercosul em torno da agenda ambiental. Esse movimento sinaliza para o mercado que as boas práticas em sustentabilidade vão contar muito para o sucesso dos negócios. As cooperativas interessadas em exportação devem estar bem atentas a esse novo momento, já que o Mercosul segue na expectativa de fechar um acordo de livre-comércio com a União Europeia e os compromissos ambientais são peça-chave nessa negociação. Além do Brasil, são membros efetivos do bloco Argentina, Paraguai e Uruguai. Até a COP26, o Paraguai se articulava em torno do debate sobre meio ambiente por meio da Associação Independente da América Latina e Caribe (Ailac). A partir de agora, também fará parte dos esforços liderados pelo Mercosul para discutir a questão no âmbito internacional. O anúncio do novo grupo negociador sobre mudança climática do Mercosul foi realizado dia 11 de novembro, durante a reunião dos ministros do Meio Ambiente em Glasgow, na Escócia. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil destacou que “essa é a primeira vez que os quatro integrantes do Mercosul unem esforços em favor da busca de soluções comuns e efetivas para o problema da mudança do clima”. Os países que integram o bloco terão como um dos principais desafios acompanhar, de forma conjunta, os repasses prometidos pelos países desenvolvidos para combater os efeitos das mudanças climáticas nos países mais pobres ou em desenvolvimento. A ativação do mercado de crédito de carbono está no topo das prioridades da agenda. O Brasil liderou as negociações que resultaram na aprovação da proposta de criação do mercado global de carbono. O país pode se tornar um grande exportador de créditos. Para isso, é fundamental a preservação da floresta nativa e a mudança da matriz energética. Pesquisas indicam que, em 2030, as transações em torno do crédito de carbono podem movimentar US$ 167 bilhões ao ano. ECONOMIA VERDE O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, acredita que o Mercosul deu um enorme e importante passo na direção da economia verde. “Isso é fantástico para o Brasil, para a América Latina, para quem tem floresta nativa. Um imenso desafio, principalmente pela resistência dos maiores poluidores em relação aos recursos para o fundo de adaptação, o que quase bloqueou as negociações. Mas o Brasil será um gigante exportador nessa nova economia verde, é uma oportunidade única”, destacou Leite. As organizações da sociedade civil que participaram da COP26 também estabeleceram uma articulação com países da América Latina. Durante os debates, foi criado o Fórum Afro-Interamericano de Mudanças Climáticas, uma articulação de organizações negras de mais de 10 países latino-americanos e caribenhos. Elas defendem que sejam desenvolvidas ações e políticas públicas capazes de promover a justiça climática e a justiça racial. “Cuidar do planeta passa, inevitavelmente, por erradicar o racismo, valorizar culturas e promover vida com dignidade”, defende a ativista Sylvia Siqueira, diretora da organização Nuestra America Verde. Cooperativismo do Mercosul Há exatos vinte anos, em 17 de outubro de 2001, foi criada a Reunião Especializada de Cooperativas do Mercosul, a RECM. O organismo, que integra a estrutura formal do Mercosul, tem o objetivo de integrar e promover a intercooperação entre as cooperativas dos quatro países do Cone Sul. Fazem parte desta estrutura regional os órgãos governamentais de fomento ao cooperativismo em cada um dos países, e as organizações representativas das cooperativas. A OCB foi membro fundador da RECM e tem apoiado o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na interlocução com os demais membros da RECM. Em comemoração aos seus 20 anos de fundação, os membros da RECM, sob a presidência rotatória do Brasil, estão debatendo um novo planejamento estratégico. Apoiado pelo Departamento de Relações Econômicas e Sociais da ONU, o planejamento estratégico está baseado nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. As metas estabelecidas são audaciosas: incentivar a participação feminina nos espaços de decisão das cooperativas do Mercosul, fomentar os negócios e a intercooperação, e, apoiar as cooperativas no desenvolvimento de negócios sustentáveis e na redução de suas emissões de gases poulentes.
imagem site coop

OCB lança manifesto e site em defesa da sustentabilidade

A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) acredita que o Brasil tem vocação para ser protagonista na construção de uma economia de baixo carbono e que, unindo esforços com outros países, é possível deter o avanço do aquecimento global. Em manifesto divulgado nesta segunda-feira (8), a entidade compartilhou a visão e o posicionamento do cooperativismo brasileiro a respeito da sustentabilidade e preservação ambiental do planeta. A posição da OCB será reforçada em um painel na COP26, na sexta-feira (12), apresentado pela gerente-geral Fabíola Nader Motta.

O documento faz parte do conteúdo do site Cooperação Ambiental, também lançado nesta segunda, que traz ainda exemplos de casos de sucesso protagonizados por cooperativas na área da sustentabilidade, além de depoimentos de cooperativistas sobre as experiências compartilhadas. Um dos objetivos é mostrar que toda cooperativa já nasce com o compromisso de cuidar da comunidade onde atua, aliando produtividade e desenvolvimento com sustentabilidade e responsabilidade social.

Cooperação Ambiental

Carbono

O manifesto publicado pela OCB apresenta cinco princípios norteadores voltados para os debates da COP 26 e enaltece a cooperação ambiental como estratégia para deter o avanço do aquecimento global.

No documento, as cooperativas defendem a regulamentação do mercado de carbono; o combate inflexível e abrangente ao desmatamento ilegal da Amazônia e dos demais biomas brasileiros; a regulamentação de leis que estimulem a adoção de medidas de proteção e preservação do meio ambiente; a produção brasileira de alimentos para o combate à fome e à segurança alimentar no mundo; e a adoção de políticas públicas de fomento ao cooperativismo como arranjo produtivo sustentável.

Para o cooperativismo brasileiro, reduzir as emissões de gases do efeito estufa na atmosfera é fundamental e uma das maneiras mais inteligentes de se fazer isso é regulamentando o mercado internacional de carbono e valorizando modelos produtivos de baixa emissão e captura de poluentes, além de viabilizar o acesso facilitado a recursos para projetos em prol da preservação, conservação e recuperação do meio ambiente.

Preservação

O desmatamento ilegal na Amazônia e em outros biomas brasileiros requer, de acordo com o manifesto, a plena e imediata aplicação da legislação ambiental e fundiária vigentes, com destaque para as normas do Código Florestal (Lei 12.651/2012), marco fundamental para a preservação ambiental do Brasil e que deve ser visto como exemplo para todas as nações.

A Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais, sancionada em janeiro de 2021 é citada pela OCB como um bom exemplo de leis que estimulam a adoção de medidas de preservação e proteção ambiental. A norma institui incentivo — monetário ou não — a produtores rurais que adotem medidas efetivas de proteção e promoção da qualidade do meio ambiente. Essa remuneração depende da verificação e comprovação das ações implementadas.

A emissão de títulos verdes (green bonds) e o incentivo à produção de energia renovável também são ações defendidas pelo cooperativismo para aumentar o interesse de pessoas e instituições por projetos sustentáveis. “Consideramos de suma importância o reconhecimento global da necessidade de diversificação e da sustentabilidade da matriz energética, com a construção de políticas públicas e incentivos econômicos nacionais e internacionais de fomento ao setor”.

Políticas Públicas

Acabar com a fome, proporcionar acesso a alimentos seguros e nutritivos, além da garantia e disponibilidade de alimentos, são pilares direcionadores do cooperativismo. Para atingir esses objetivos, o manifesto da OCB defende o fomento de políticas públicas para o comércio internacional livre e um fundo global voltado para promover a fome zero, que ultrapasse as barreiras geográficas e políticas em zonas de conflito, especialmente para as populações mais vulneráveis.

Políticas públicas de fomento ao cooperativismo também são pleiteadas para fortalecer o modelo de negócios do movimento que busca proporcionar inclusão produtiva, economia de escala, geração de renda e desenvolvimento regional e local. Nesse sentido, o cooperativismo é considerado uma importante alternativa para o acesso a serviços de interesse público em diversas cidades e comunidades ao redor do mundo e precisa de incentivo para continuar a crescer.

Leia o manifesto na íntegra: https://www.cooperacaoambiental.coop.br/

Leite com sustentabilidade

Representantes do setor lácteo brasileiro foram à COP26 apresentar propostas para zerar a emissão de gases do efeito estufa até 2030 A cadeia produtiva do leite brasileira quer ser um exemplo para outros setores produtivos nacionais e internacionais no que diz respeito às políticas de sustentabilidade. Para isso, ela investe em tecnologia e práticas que reduzem o impacto ambiental. Parte dos resultados desses esforços foram apresentados para participantes da 26ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP26) via transmissão ao vivo de um painel realizado em Brasília nessa quinta-feira (11). Uma das principais novidades apresentadas foi a calculadora de emissões de gases do efeito estufa (GEE) para propriedades produtoras de leite, desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a Nestlé — uma das grandes compradoras de leite das nossas cooperativas. A ferramenta permite aos produtores compreender onde estão concentradas suas emissões, contribuindo para uma tomada de decisão mais assertiva para reduzi-las. Ela foi desenvolvida com base em bancos de dados que cruzam diretrizes e protocolos de produção sustentável e levam em conta, inclusive, as especificidades de cada região produtora. Por ser fruto de uma Parceria Público Privada (PPP), essa calculadora ficará disponível gratuitamente a todos os produtores rurais, cooperativas e empresas do setor. Entre as boas práticas de produção de leite capazes de reduzir a emissão de carbono na atmosfera destacam-se: o reaproveitamento da água e do solo, o uso de energias renováveis, a melhoria da cobertura vegetal, a recuperação e preservação de nascentes e mananciais, além da utilização de materiais recicláveis e reciclados. RECOMPENSA MERECIDA A calculadora desenvolvida pela Embrapa e Nestlé está sendo utilizada, atualmente, para permitir a remuneração de produtores rurais que demonstrem estar fornecendo um leite de baixo carbono para a empresa. Uma iniciativa que pode servir de inspiração para as cooperativas brasileiras, que hoje são responsáveis por pelo menos 40% da produção brasileira de leite. O produtor rural Jorge Schmidt, de Silvânia (GO), também participou do painel de debates organizado pelo governo brasileiro e contou que deu prioridade à melhoria da cobertura vegetal como estratégia para a agricultura regenerativa e de baixo carbono. A fazenda Marinho fornece leite para a Nestlé e produz cerca de 32 litros por dia. “Além do plantio direto, estamos com uma frente em relação às matas e florestas. Nossos mananciais hídricos são preservados, as nascentes não têm acesso de animais, e eu quero que isso evolua, que a gente melhore o volume de água da propriedade”, ressaltou Schmidt. “Temos a preocupação de ser mais ecologicamente viáveis e que esse problema que o mundo sofre hoje a gente tenha uma pequena parcela de contribuição. De nada adianta a gente produzir sem sustentabilidade.”

Cooperativas dão lição de sustentabilidade na COP26

Brasília (12/11/2021) - O cooperativismo mostrou sua força e capacidade de inovar em Glasgow, na Escócia. Durante o painel sobre Negócios Sustentáveis na Amazônia — realizado hoje no pavilhão brasileiro da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP26) —, a gerente-geral da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Fabíola Nader Motta, apresentou ao mundo um pouco do que as cooperativas brasileiras têm feito para aliar produtividade com preservação ambiental.
 
O painel contou com a participação do ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, que não estava prevista na programação oficial. “Fiz questão de vir aqui porque o cooperativismo é um caminho para a preservação de regiões como a Amazônia. Esse modelo de negócios traz uma nova oportunidade para quem vive lá, através de todo o suporte que a cooperativa dá aos produtores locais. Suporte tecnológico, de inovação, suporte de educação, suporte, financeiro. Vocês têm uma estrutura fantástica. Parabéns e obrigada”, disse Leite.
 
Em sua fala, a gerente-geral da OCB lembrou que os olhos do mundo estão voltados para o Brasil. Ela ressaltou o papel protagonista que o cooperativismo pode ter para ajudar o país a cumprir as metas de diminuição do desmatamento ilegal e da emissão de gases do efeito estufa. Como exemplo disso, citou o trabalho desenvolvido por cooperativas como a Camta — Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu —, localizada no Pará.
 
Criada em 1931 por imigrantes japoneses, a Camta desenvolveu um sistema de produção agroflorestal que reúne, em um mesmo espaço, culturas como açaí, mandioca e pimenta do reino, além do extrativismo de óleos como a andiroba. “Os cooperados da Camta aprenderam com os ribeirinhos, que vivem às margens do Rio Amazonas, que, na floresta, as plantas não sobrevivem sozinhas, por isso, o ideal era diversificar a produção”, conta Fabíola.
 
O novo sistema de produção agroflorestal começou a ser implantado na década de 70, depois que uma praga arruinou a monocultura de pimenta-do-reino — até então a principal fonte de renda dos cooperados, que exportavam o produto para outros países.
 
"Seguindo os ensinamentos dos ribeirinhos, os cooperados da Camta colocaram o açaí, o cacau, a mandioca e a pimenta-do-reino para conviverem juntos, em harmonia, com a floresta Amazônica.  São 5 mil hectares de terra, onde as plantas de uma cultura servem de adubo para o crescimento e fortalecimento das outras. Isso mantém o solo úmido e fértil, respeitando o clima e a biodiversidade local. Imitando o ciclo natural da floresta, a produção da Camta não empobrece o solo, aumenta a produtividade e ainda ajuda a recuperar áreas da floresta que tinham sido degradadas", explicou a gerente-geral da OCB.
 

MÃOS DADAS

Desde que adotou um sistema agroflorestal de produção, a Camta só melhorou seus resultados. Hoje, ela produz 800 toneladas de cacau e 6 mil toneladas de polpa de fruta por ano. Parte desses produtos é exportada para países como Estados Unidos, Alemanha, Argentina e Japão.
 
Além disso, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) comprovou que o modelo de produção da Camta reduz em 5 vezes a emissão de gases do efeito estufa na floresta. "É a prova de que produtividade e sustentabilidade podem andar de mãos dadas", elogiou Fabíola, acrescentando que a cooperativa tem recebido prêmios nacionais e internacionais de preservação ambiental. “É um exemplo que precisa ser reconhecido, valorizado e replicado, beneficiando diretamente mais de 10 mil pessoas na comunidade de Tomé Açu. Uma gente simples, que vive e precisa da Amazônia em pé".
 

COOPERANDO COM O FUTURO

A gerente-geral da OCB também mostrou na COP26 o trabalho do cooperativismo brasileiro na produção de energia renovável: já são mais de 540 empreendimentos cooperativos com esse foco. E o fomento ao setor conta com a intercooperação com o cooperativismo alemão. Dentre os cases apresentados, Fabíola citou a geração de energia limpa por biomassa de cinco cooperativas brasileiras (Vale, Castrolanda, Lar, Copacol e Frisia) que evitam a emissão de 40 milhões de metros cúbicos de gás metano por ano.
 
Fabíola Nader Motta ainda elencou o trabalho de diálogo com o Congresso Nacional feito pela OCB para garantir a evolução, segurança jurídica e modernização da legislação ambiental. “Um dos nossos maiores desafios é colocar em pratica o pagamento por serviços ambientais e o mercado de carbono que podem potencializar ainda mais as ações de conservação do meio ambiente.”
 

COOP EM NÚMEROS

O Brasil possui 4.868 cooperativas, que reúnem mais de 17,3 milhões de associados.

➢ As cooperativas empregam diretamente 455 mil trabalhadores em todo o Brasil.

➢ No campo, as cooperativas auxiliam pequenos e médios produtores rurais na transferência de tecnologia e no acesso a mercados internos e externos. Mercados aos quais eles não teriam acesso se estivessem trabalhando sozinhos.

➢ Cerca de 5% do rendimento das cooperativas brasileiras é revertido para as comunidades próximas, inclusive para ações ambientais.

➢ Mais da metade da safra brasileira conta com a participação direta das cooperativas brasileira. Com inovação e tecnologia, elas buscam equilibrar geração de renda e preservação ambiental.

 
COOP NA COP 26

O Sistema OCB lançou uma página com informações sobre o que está acontecendo na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2021. Nela estão disponíveis cases inspiradores e o manifesto da instituição com a visão e o posicionamento do cooperativismo brasileiro a respeito da sustentabilidade e preservação ambiental do planeta. Acesse agora mesmo e confira: https://www.cooperacaoambiental.coop.br.

Bancos e investidores internacionais buscam projetos cada vez mais sustentáveis

Essa é uma bela oportunidade para as cooperativas que aliam produção com sustentabilidade O mapa do caminho para alavancar os negócios das cooperativas brasileiras aponta para a urgência de priorizar a sustentabilidade em todos os projetos e atividades. O recado vem da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP26), que termina essa semana, em Glasgow, na Escócia. Representantes de bancos e de grandes grupos de investimento participaram de painéis de debates da conferência e foram enfáticos em dizer que isso não é apenas uma tendência. As linhas de financiamento para a chamada economia verde só tendem a aumentar nos próximos anos, especialmente nos países de economia emergente, como o Brasil. O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o banco dos Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), foi criado há seis anos e já possui um portfólio de projetos de R$ 180 bilhões, sendo 25% dos investimentos relacionados a empreendimentos que atendem aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Entre as iniciativas financiadas pelo NBD estão um grande complexo de energia solar no Brasil, pequenas usinas hidrelétricas na Rússia e parques de energia eólica na China. Outros bilhões de dólares a juro zero ou negativo em títulos de renda fixa estão disponíveis para quem apresentar projetos sustentáveis e ambientalmente responsáveis. De acordo com o presidente do NBD, Marcos Troyjo, os empreendimentos que atualmente geram interesse nos investidores aliam infraestrutura e tecnologia. Isso traz para o primeiro plano as iniciativas no âmbito da economia verde e digital. “A aproximação entre o verde e o digital é importante e precisamos nos preparar para ela”, alertou Troyjo durante painel no pavilhão brasileiro na COP26. Para ele, também é necessário pensar em uma educação verde digital. “Conforme você faz uma transição para uma economia mais verde, você vai precisar de mais capacitação para as pessoas operarem esses setores inovadores, como robótica e bioeconomia.” JANELA DE OPORTUNIDADES Integrante da delegação brasileira, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, aproveitou a COP26 para estimular investidores e empreendedores a aproveitar a “janela de oportunidades” aberta pela conferência. Parte dos investimentos do NBD no Brasil são feitos em parceria com o BNDES e, portanto, estão alinhados com a priorização de projetos sustentáveis. Ou seja, iniciativas que utilizam, por exemplo, energias alternativas e fazem a compensação da degradação ambiental. Os representantes dos bancos públicos brasileiros já planejam, inclusive, a criação de incentivos e mecanismos de reconhecimento para o produtor rural que contribui com a preservação florestal. “Nos próximos cinco anos daremos R$ 120 bilhões para financiar investimentos verdes e criaremos créditos de carbono para tirar 19 anos de poluição por uso de carro em São Paulo”, afirmou o presidente do BNDES na COP26. O presidente do Banco do Brasil, Fausto de Andrade, esteve no pavilhão brasileiro da conferência e defendeu a criação de um mecanismo que ajude os agricultores a preservar as áreas verdes, que muitas vezes geram grandes custos para proteção. O Banco do Brasil concentra a maior parte do crédito rural do país e nos próximos anos também pretende incentivar a implementação da política de créditos de carbono no Brasil.

Futuro verde na meta do Brasil

Ministro do Meio Ambiente lidera delegação brasileira na COP26 e defende financiamento internacional para economia de baixo carbono. Por Juliana Nunes A principal voz do governo brasileiro na 26ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP26), em Glasgow, na Escócia, é a do ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite. Ele foi o único a discursar na plenária da conferência e ainda esteve à frente de painéis de debate no pavilhão brasileiro. O foco de Leite foi a defesa do Brasil como país essencial para o futuro verde, ator chave das mudanças necessárias para a sustentabilidade. Na contramão das críticas sobre as políticas governamentais e sobre os altos índices de desmatamento, o ministro pediu compromisso dos países mais ricos do mundo no financiamento da transição global para uma economia de baixo carbono. De acordo com ele, os mais diversos setores produtivos nacionais estão dispostos a adotar novas tecnologias e a seguir as melhores práticas de produção, sem abrir mão de gerar emprego e riqueza. Joaquim Leite criticou os países desenvolvidos por não terem cumprido a meta anterior de financiamento, estabelecida em US$ 100 bilhões anuais. Agora, a transformação exigiria volumes mais ambiciosos. “Os países que histórica e atualmente são os responsáveis pelos maiores volumes de poluição da atmosfera devem demonstrar suas efetivas ambições de financiamento nesta conferência, sem postergar ainda mais um compromisso assumido em 2015 e até o momento não realizado em sua plenitude”, convocou o ministro brasileiro. “Todas as partes devem assumir suas responsabilidades comuns, porém diferenciadas, na direção de uma economia verde neutra em emissões. O desafio global a ser superado é reverter a lógica negativa da punição, da sanção e da proibição, para a lógica positiva do incentivo, da inovação, da priorização.” BIOCOMBUSTÍVEL De olho nos investidores internacionais, Joaquim Leite e a delegação brasileira fizeram um balanço das ações de governo para a preservação ambiental e recuperação de áreas degradadas. Pesquisas realizadas por órgãos governamentais indicam que a agricultura nacional de baixo carbono restaurou quase 28 milhões de hectares de pastagens. O programa de biocombustíveis, por sua vez, teria garantido energia renovável para 84% da matriz elétrica, com ampliação de empregos nas áreas de energia solar e eólica. O setor de gestão de resíduos sólidos, que aguarda mais parcerias com a iniciativa privada, já reduziu em 20% o número de lixões a céu aberto. O novo marco legal do saneamento básico e os investimentos em transporte ferroviário e hidroviário também fizeram parte do portfólio de ações apresentadas na COP26 para atrair investimentos e, ao mesmo tempo, inserir o Brasil na lista de nações interessadas em salvar o planeta.

COP26: Painel da OCB destaca força do coop em defesa da sustentabilidade

Brasília (11/11/2021) A OCB apresenta nesta sexta-feira (12), durante a COP 26 em Glasgow, na Escócia, o painel Cooperativismo como ferramenta para a economia de baixo carbono. A apresentação será feita dentro do tema Brasil Verde e mostrará cases, dados e histórias que comprovam que é possível aliar produtividade e desenvolvimento com responsabilidade social, equilíbrio ambiental e viabilidade econômica.

O painel será transmitido ao vivo às 7h (horário de Brasília) no Youtube do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

O convite para a participação da OCB foi feito pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, em função do importante papel que as cooperativas desempenham em prol da sustentabilidade e preservação ambiental.

Entre os cases de sucesso, um dos destaques é o da Cooperativa Agrícola Mista Camta, localizada em Tomé-Açu no Pará. Fundada em 1931 por imigrantes japoneses e colhe, atualmente, os frutos do desenvolvimento do Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu (Safta) inspirado na vivência dos povos ribeirinhos, habitantes das margens dos rios da Amazônia, que plantavam em seus quintais árvores frutíferas e florestais, imitando a Floresta.

O local reúne um mosaico de plantações e é considerado um verdadeiro laboratório agroflorestal, gerando impactos positivos para mais de 10 mil pessoas. O sistema de produção gera redução dos gases de efeito estufa em cinco vezes e é referência no desenvolvimento, inovação e disseminação da tecnologia Safta no Brasil, Bolívia e Ghana (África).

Outro exemplo de sucesso é protagonizado pela Cooperativa de São Gabriel do Oeste (Cooasgo), uma das primeiras do país a negociar créditos de carbono com parceiros internacionais, a partir do manejo sustentável de dejetos nas granjas de suínos, garantindo também o aumento da produtividade.

A iniciativa já garantiu a redução da emissão de 194,9 milhões de m3 de gás metano; a produção de 2,45 milhões de toneladas de biofertilizantes; a geração de 27,8 milhões de KW em energia elétrica sustentável; e a comercialização de R$ 3,5 milhões em créditos de carbono.

Para saber mais sobre os projetos de sustentabilidade das cooperativas com resultados sólidos e positivos, bem como o posicionamento do setor sobre a importância da preservação ambiental, acesse o site da OCB dedicado ao tema em www.cooperacaoambiental.coop.br.

Com aposta em crescimento verde, Brasil se torna palco de investimento

Uma economia de baixa emissão de carbono, aliada a menos impactos ambiental e social. A transição para o chamado “crescimento verde” está na pauta global, em especial em encontros como a Cúpula do Clima, que ocorre desde o último dia 1º, em Glasgow, na Escócia. O evento conta com representantes brasileiros das esferas pública e privada, que mostram ao mundo iniciativas pelo desenvolvimento sustentável e oportunidades de investimento. Nesta quarta-feira (3), o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, protagonizou a fala da mesa “Crescimento Verde”, na 26ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26). Em transmissão ocorrida de Brasília, o ministro apresentou ações e demonstrou interesse em integrar soluções para a melhoria dos indicadores verdes no Brasil. “Nós produzimos muito conhecimento. Mas como o transportamos para novas empresas, novos produtos, novos empregos? No setor do meio ambiente, temos muito a contribuir”, apontou o ministro. Marcos Pontes citou o setor energético, indicando estudos conduzidos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) na área de energias renováveis. Segundo Pontes, a pasta desenvolve pesquisas voltadas à melhoria da eficiência de células fotoelétricas, utilizadas na matriz solar; e de geradores utilizados no âmbito da matriz eólica. O desenvolvimento de tecnologias para uso do hidrogênio verde também é alvo de estudos do Ministério. “Temos que fazer a transição do combustível fóssil para as fontes renováveis de forma inteligente, suportada pela tecnologia”, defendeu o ministro. O Brasil conta com uma vantagem competitiva em termos de energia limpa, já que 82,76% da matriz energética brasileira é renovável – sendo 60,71% de fonte hídrica, de acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). CRESCIMENTO. VERDE Presente na mesa de debate da COP26, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, lembrou a criação do Programa Nacional de Crescimento Verde (PNCV), lançado no último dia 25, em parceria com o Ministério da Economia. “É importante ver a ciência como aliada do desenvolvimento, no âmbito do novo programa. Que a gente crie essa economia verde, livre de emissões, juntos”, afirmou Leite. Os objetivos do PNCV são aliar redução das emissões de carbono, conservação de florestas e uso racional de recursos naturais com geração de emprego verde e crescimento econômico. De acordo com Joaquim Leite, o programa vai apoiar e priorizar os projetos verdes para que promovam empreendedorismo e inovação sustentável, aliando preservação ambiental e melhora da condição de vida da população. O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, frisou que já conta com iniciativas alinhadas às metas do novo programa. “Nós temos centenas de projetos relacionados ao meio ambiente e voltados para o desenvolvimento. Nosso foco é transformar o conhecimento do pesquisador em prática. Por meio da ciência, conseguimos utilizar recursos naturais de forma sustentável e eficiente, transformando isso em desenvolvimento econômico e social para o País”, reforçou Pontes. Entre os programas citados pelo ministro está o Sistema Amazônico de Laboratórios Satélites (Salas), que prevê a instalação de laboratórios espalhados pela Amazônia, com foco no desenvolvimento de cadeias produtivas baseadas na biodiversidade e na descoberta de novos materiais e princípios ativos. Três laboratórios já foram entregues pela pasta: Laboratório Flutuante Vitória Régia, Laboratório de Selva Peixe Boi, Estação Científica Ferreira Penna. Cadeias produtivas de bioeconomia também são acompanhadas pelo MCTI, com foco na agregação de valor a produções locais. O Ministério ainda conta com um Simulador Nacional de Políticas Setoriais e Emissões, a ferramenta oficial do governo brasileiro para projeção de cenários de implementação de políticas públicas para redução de emissões de gases de efeito estufa. “Tenho orgulho de chamar meu Ministério de uma caixa de ferramentas, com habilidade para ajudar a todos os demais”, completou Pontes.

Matriz energética brasileira vira case mundial na COP26

Representantes do Governo Federal apresentaram dados sobre energia renovável. Indicadores precisam avançar ainda mais para o País alcançar metas de zero carbono Com um território continental, vastas riquezas naturais e condições climáticas e de fertilidade de solo favoráveis, o Brasil supera a demanda de energia total estimada para os próximos 30 anos. No entanto, há desafios em curso para se alcançar a neutralidade de carbono em 2050 — meta acordada no Acordo de Paris e reforçada em debates que ocorrem na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26), que ocorre na cidade de escocesa de Glasgow. A ideia é manter o aumento da temperatura planetária a no máximo 1,5 Grau Celsius em relação aos níveis pré-industriais. As políticas do governo brasileiro no tocante à política energética foram apresentadas nesta quinta-feira (4) por representantes do Ministério de Minas e Energia (MME). O ministro Bento Albuquerque protagonizou a mesa “Crescimento Verde”, apontando ações em andamento e perspectivas futuras das políticas públicas. Entre as medidas apresentadas pelo ministro, estão os programas “Combustível do Futuro” e do “Hidrogênio”. O primeiro deles visa ampliar o uso de combustíveis sustentáveis e de baixa intensidade de carbono. Entre os objetivos específicos do programa estão: redução da intensidade média de carbono da matriz de combustíveis redução das emissões em todos os modos de transporte e incremento da eficiência energética. Já o Programa Nacional do Hidrogênio apresenta a construção da estratégia brasileira de desenvolvimento do hidrogênio, considerado um vetor que possibilita o armazenamento de energia e favorece especialmente setores como indústria e transporte que, juntos, consomem dois terços da energia do Brasil. “O futuro desse setor está pautado pelas políticas públicas que vamos implementar. O Brasil já é considerado uma referência mundial e seremos protagonistas, fruto das energias renováveis em nossa matriz energética. De qualquer forma, a transição energética do mundo tem que passar por um esforço coletivo, baseada fundamentalmente em cooperação”, afirmou Bento Albuquerque. SUPERANDO A ESCASSEZ De acordo com o Plano Nacional de Energia (PNE 2050) do MME, as expansões da oferta e de consumo de energia se farão de forma sustentável no futuro próximo, com a manutenção dos indicadores de renováveis: entre 45 e 50% na matriz energética, e entre 80 e 85% na matriz de geração elétrica. O ministro de Minas e Energia ainda citou a diversidade dessa matriz renovável brasileira, que superou “a maior escassez hídrica que o País já teve”, iniciada em outubro de 2020. “Conseguimos superar essa fase de escassez mantendo a segurança energética do nosso país. E as fontes de energia eólica e solar foram fundamentais nesse processo”, exemplificou. Atualmente, as duas fontes representam 13,43% do total de matriz energética do País. Segundo Bento Albuquerque, a estimativa é que elas cheguem a 25% dessa participação já em 2030. Vinculada ao MME, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) subsidia o Governo Federal no planejamento do setor, por meio de estudos e pesquisas. Segundo o presidente da instituição, Thiago Barral, o Brasil tem uma posição de destaque global quando se fala em energias renováveis. No entanto, as metas de desenvolvimento sustentável, que incluem a neutralidade do carbono, exigem uma força-tarefa para serem conquistadas. “Não podemos ficar acomodados com esse patamar. O acesso a serviços energéticos vai crescer no Brasil, para sustentar o desenvolvimento. E não é possível atingir neutralidade apenas com energia renovável e biocombustível. Outras tecnologias são necessárias e elas serão alcançadas, também, por meio da implementação de políticas nesse sentido”. O técnico expôs dados trabalhados pela EPE na mesa “Brasil: País da energia limpa!”, também nesta quinta-feira (4), na COP26. BRASIL MAIS SUSTENTÁVEL Um dos parâmetros utilizados pela EPE para medir a vantagem competitiva do Brasil é a emissão de CO2 por habitante. A emissão de um brasileiro, segundo Barral, equivale a 1/7 daquela gerada por um norte-americano e 1/3 da emissão de um europeu. “Por qualquer que seja a perspectiva do perfil de emissões relacionada ao setor de energia no Brasil, o patamar se mostra abaixo de outras economias com as quais a gente pode se comparar. É uma condição excepcional de fontes renováveis”, afirmou. Ainda assim, o país continua no processo de transição energética, reforçou o presidente da EPE. Para isso, o Brasil vem consolidando um portfolio de oferta de energia, com o objetivo vai trazer segurança energética com renovabilidade. “Veremos um papel crescente das energias eólica e solar, por exemplo. Assim, vamos investir em sistemas de transmissão para entregar esses recursos distribuídos em um cenário continental. É preciso tirar proveito desses recursos e da complementaridade deles”, destacou. De acordo com o ministro Bento Albuquerque, apenas o potencial da energia eólica offshore, ou seja, obtida em alto-mar, chega a 700 gigawatts na costa brasileira, o que representa quatro vezes a capacidade total de energia já instalada no País. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA No painel “Brasil: o país em que a eficiência energética já é realidade no setor elétrico”, ocorrido durante a COP26, representantes do Governo Federal ainda reforçaram a importância dessa eficiência para o desenvolvimento sustentável. O diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do MME, Carlos Alexandre Príncipe Pires, abordou a necessidade de se considerar uma questão cultural do Brasil, ao elaborar políticas de eficiência. “Existe uma questão cultural que se vislumbra que os ganhos de eficiência não são tão importantes, o que importa é o aumento do tamanho do negócio”, explicou. Para enfrentar essa questão considerada estrutural, o gestor desenvolve projetos que ingressam na seara da pequena e média empresa, levando informação e possibilidades de financiamento. A eficiência energética de prédios públicos também é alvo das políticas de eficiência energética do MME. O diretor do Departamento de Estudo Econômicos do MME, Giovani Vitória Machado, também reforçou que a eficiência energética cumpre relevante papel não apenas em ganhos econômicos, mas também na descarbonização. “São menos recursos energéticos e materiais, trazendo ganhos financeiros e econômicos para empresas e famílias, para quem tiver implementando eficiência energética. Quanto maior a competição, mais importante será a eficiência energética para se ter um padrão competitivo como diferencial de mercado. E conhecer a sua curva de carga não apenas gera valor para o negócio, mas também impacta favoravelmente os indicadores mais macros de eficiência energética.”, finalizou.

Investimento na Amazônia tem impacto global

Estratégias de preservação do bioma foram debatidos durante a Cúpula do Clima, que ocorre desde o dia 1º na Escócia, reunindo as principais lideranças mundiais Um dos maiores e mais diversificados biomas do planeta, a Amazônia, foi alvo de debate entre especialistas e representantes do governo e da sociedade civil durante a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), que ocorre em Glasgow, na Escócia. Um justo reconhecimento à maior floresta tropical do mundo, que avança por nove estados brasileiros, reunindo um terço das árvores do mundo e 20% das águas doces do planeta. Em fala diretamente de Brasília para Glasgow, o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, participou de painel sobre a região como presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal. Mourão defendeu o investimento em hidrovias e portos na Amazônia como um caminho para a expansão do crescimento socioambiental do local. Segundo ele, tais linhas de financiamento beneficiariam as cadeias de valor da região, permitindo aos seus habitantes “melhores condições de entregar seus produtos”. Sobre a fauna e flora locais, o vice-presidente indicou a necessidade de “casar” projetos que exploram a biodiversidade da floresta e pessoas com capacidade de investir. “É importante que [os investidores] entendam que há, ali, retorno a seus investimentos. A Amazônia abre um leque de oportunidades enorme. O potencial do ecoturismo é fantástico. O que precisa é melhorar a infraestrutura para receber esses turistas. Precisa haver mais divulgação. A vocação é total para o turismo, mas precisamos de mais estrutura hoteleira”. De acordo com Mourão, o Conselho Nacional da Amazônia Legal fez um diagnóstico das vulnerabilidades da região para implementar ações de proteção da floresta nativa e desenvolvimento das comunidades. Entre os objetivos deste conselho, estão: melhorar o combate a ilegalidades; melhorar o sistema de monitoramento; buscar financiamento para projetos de desenvolvimento e para a bioeconomia; além de recuperar a capacidade operacional de órgãos de fiscalização. ECONOMIA CIRCULAR Durante a COP26, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) anunciou uma recuperação de 163 mil quilômetros quadrados da Amazônia Legal, em 2020. O levantamento foi informado pela secretária da Amazônia e Serviços Ambientais do Ministério do Meio Ambiente, Marta Giannichi. “Esse dado é importante porque significa que áreas que anteriormente foram desmatadas, agora, estão se tornando florestas novamente”, afirmou. O estudo foi produzido por técnicos da Embrapa, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipan). A expectativa do levantamento inédito é que, até 2030, a área de floresta recuperada seja de 180 mil km². Outro anúncio realizado pela pasta durante a COP26 foi a instalação de um sistema de logística reversa para lixo eletroeletrônico em todas as Capitais da Amazônia Legal, ou seja, em Manaus (AM), Rio Branco (AC), Macapá (AP), Belém (PA), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Palmas (TO), Cuiabá (MT) e São Luís (MA). A ideia é que, até abril de 2022, todas as cidades já contem com o sistema, que será responsável por acabar com o descarte irregular de lixo eletrônico na região. A ação vai contribuir para acabar com o descarte de aparelhos inutilizáveis, como fogão, TV, celular e ventilador, em rios e lixões, oferecendo espaços específicos para recebimento e destinação dos materiais. Além de preservar o meio ambiente, a medida incentiva a chamada economia circular. “[O produto] volta para o setor produtivo, gerando emprego e renda com sustentabilidade, ao mesmo tempo que isso preserva os recursos naturais, evita a poluição ambiental, reduz o consumo de energia e emissão de gases de efeito estufa. É a economia circular avançando no Brasil”, destacou o secretário de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, André França. FLORESTA + AMAZÔNIA Os presentes da Cúpula do Clima ainda destacaram a relevância do programa Floresta + Amazônia, implementado pelo MMA, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Com recursos do Fundo Verde para o Clima (GCF, na sigla em inglês), serão investidos, até 2026, mais de 500 milhões de reais (USD 96 milhões) na Amazônia Legal, em atividades de pagamentos por serviços ambientais, monitoramento e avaliação, gestão e inovação, além do fortalecimento da Estratégia Nacional de Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Ambiental (ENREDD+). Uma ótima notícia para centenas de cooperativas que já realizam programas de recuperação da floresta ou se destacam pela produção de baixo carbono na região, caso da Camta . Na prática, o Floresta+Amazônia recompensa quem protege e recupera a floresta e contribui para a redução de emissões de gases de efeito estufa. Os beneficiários do projeto são pequenos produtores rurais, comunidades tradicionais e indígenas que prestam atividades de proteção e recuperação da floresta nativa. Vale esclarece: criado como um piloto em fevereiro de 2020, essa iniciativa integra o Projeto Floresta+ — ação do Ministério do Meio Ambiente que cria, fomenta e consolida o mercado de serviços ambientais, reconhecendo e valorizando as atividades ambientais realizadas e incentivando a sua retribuição monetária e não monetária em todos os biomas brasileiros.

Ciência e tecnologia no caminho da agricultura sustentável

Painel brasileiro da COP 26 destaca avanços em práticas agrícolas que preservam o meio ambiente sem abrir mão da produtividade. Pesquisadores e gestores públicos brasileiros levaram para a Escócia a experiência de projetos que otimizaram o uso da terra, ao mesmo tempo em que potencializaram a atividade agropecuária. O objetivo é aproveitar a 26ª edição da Conferência das Partes, em Glasgow, para mostrar que o Brasil é uma potência agroambiental. Sem as inovações, o país precisaria de três vezes mais áreas para a agricultura e pecuária do que utiliza atualmente. “A ciência e a tecnologia nos ajudaram a poupar muita terra nos últimos anos. Só na cadeia agrícola da soja, poupamos o equivalente aos territórios de Irlanda e Itália juntos”, destacou o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Celso Moretti, durante o painel “Agricultura Sustentável como Caminho para a Preservação Ambiental: o efeito poupa terra”, transmitido de forma simultânea de estandes na Escócia e no Brasil. No contexto mundial, os gestores lembraram que até a década de 70 a agricultura brasileira estava focada na produção de café e cana, concentrada nas regiões Sul e Sudeste, com dificuldades para produzir fertilizantes e enfrentar a pobreza rural. Nos anos 90 e 2000, a pesquisa, a ciência e as políticas públicas possibilitaram avanços em termos de competitividade e sustentabilidade, preparando os produtores para os horizontes da multifuncionalidade e da bioeconomia, tendências em todo o planeta. O diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Guy Capdeville, conta que um dos grandes desafios enfrentados pelos produtores brasileiros foi o climático. Assim como outros países em desenvolvimento, o país está no cinturão dos trópicos e possui grandes áreas com solos ácidos, como o Cerrado. No entanto, em cinco décadas, os investimentos em tecnologia ajudaram o agronegócio a expandir suas atividades pelo país. “As pesquisas científicas nos possibilitaram um agro agressivo, poderoso e empreendedor, capaz de transformar solos ácidos e pobres em solos férteis. Tropicalizamos o cultivo de milho e trigo. Desenvolvemos tecnologias que podem ser exportadas para vários países, principalmente para países africanos”, ressaltou Capdeville, que chamou a atenção para o papel da Embrapa nesses avanços. A empresa pública possui 43 centros de pesquisa e 8 mil funcionários, sendo cerca de 2 mil deles pesquisadores. POUPA TERRA Entre as chamadas tecnologias “poupa terra” desenvolvidas pela Embrapa estão a integração da lavoura, pecuária e floresta, o plantio direto na palha e a produção de bactérias liberadoras de fósforo (fertilizante natural). Os agropecuaristas também foram orientados pelos técnicos da empresa a adotar práticas para implementar a pecuária de carne carbono neutro, baseada no plantio para compensar as emissões de carbono geradas pela criação de bovinos. Programas de zoneamento de risco climático e melhoramento de solos contribuíram para reduzir a extensão de áreas agrícolas utilizadas, assim como o melhoramento genético, a recuperação de pastagens e o controle de doenças. De acordo com a Embrapa, de 2004 a 2019, a área ocupada pela pecuária de corte subiu de 204 milhões para 213 milhões de hectares. Sem tecnologia, esse número seria quase três vezes maior. No caso da soja, a ciência e tecnologia poupou cerca de 71 milhões de hectares. O setor produz 250 milhões de toneladas em 65 milhões de hectares, uma produtividade média de 3,2 mil quilos por hectare. No setor de cultivo de frutos, a produtividade entre a década de 90 e 2018 aumentou 64%, com um efeito poupa terra de 1 milhão de hectares. Entre as tecnologias aplicadas estão o aumento do manejo integrado, o adensamento do plantio, o manejo da água e o combate às pragas. Elas possibilitaram, por exemplo, que 30% de todo o algodão certificado no mundo seja brasileiro, ainda que a produção do país corresponda a apenas 10% da produção mundial. CERRADO VIVO “O produtor rural alimenta o futuro. E o Brasil tem um papel importante para apoiar o desenvolvimento sustentável no mundo”, defende o assessor técnico da Diretoria de Assistência Técnica e Gerencial do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), Rafael Diego Costa. Ele apresentou, na COP26, o projeto ABC Cerrado, que apoiou agricultores que vivem no bioma a agregar novas tecnologias aos métodos tradicionais. Cerca de 7,8 mil produtores rurais participaram das atividades de formação. Em três anos, o projeto conseguiu ampliar a oferta de alimentos, diversificar a geração de renda e promover a conservação do bioma da região. O Cerrado também foi o foco do Programa Rural Sustentável do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS), realizado em parceria com o governo federal, o Banco Mundial e o fundo do governo britânico. Cerca de 40 mil produtores e 42 organizações socioprodutivas foram beneficiados com a assistência técnica e extensão rural. O estímulo ao associativismo foi um dos pilares do programa. As ações resultaram em um aumento de sete vezes na produtividade e na reconversão de áreas degradadas. De acordo com o diretor presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS), Luís Tadeu Assad, no início do projeto, apenas 17% dos agricultores adotavam práticas inovadoras. Ao final das atividades formativas, 91% deles manifestaram interesse em dar continuidade à aplicação de novas tecnologias. “Todos esses dados mostram que somos uma potência agrícola sustentável. O investimento em ciência e tecnologia é essencial”, considera o secretário adjunto da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Inovação no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Cleber Soares. “Não adianta ter ciência e tecnologia se ela não chegar no produtor. Por isso adotamos ações concretas. Estamos certos de que a agricultura descarbonizante vai contribuir para o futuro da humanidade.”