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Live debate fontes de financiamento para o coop agropecuário

Especialistas e lideranças apontaram soluções além do crédito rural tradicional 

O Sistema OCB promoveu nesta segunda-feira (4), um debate direto sobre um dos principais gargalos do agro. A live Fontes de financiamento para o cooperativismo agropecuário reuniu lideranças do movimento, além de representantes do mercado e do poder público  que discutiram caminhos para ampliar o acesso a recursos por parte das cooperativas do segmento.  

Na abertura, a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, destacou o momento desafiador vivido pelo agro, marcado pelo aumento do endividamento e por políticas públicas que  precisam acompanhar o ritmo de crescimento do setor. Para ela, o cenário exige uma atuação mais estratégica e a busca por instrumentos inovadores. “Precisamos olhar além do crédito rural tradicional. É fundamental avançar em alternativas que garantam sustentabilidade aos negócios e preparem o cooperativismo para o futuro”, afirmou. 

Nesse movimento, Tania ressaltou que a aproximação com o mercado de capitais já está em curso. Iniciativas recentes do Sistema OCB, como o diálogo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e eventos realizados na B3, tem buscado justamente ampliar essa conexão com investidores e abrir novas possibilidades de financiamento. 

A mesma linha foi reforçada pelo deputado federal Arnaldo Jardim (SP), presidente da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) e integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Segundo ele, é importante separar os desafios imediatos, como os endividamentos, das mudanças estruturais que o financiamento do agro vem vivenciando. 

Arnaldo lembrou que o país avançou na criação de instrumentos como CRA, CPR e, mais recentemente, os Fiagros, que ampliam a participação do capital privado no crédito rural. Ainda assim, segundo ele, ainda há um descompasso evidente: embora represente cerca de 30% do PIB, o agro tem presença limitada no mercado de capitais. “Aproximar esses dois mundos é fundamental para reduzir custos e ampliar o acesso a recursos”, declarou. 

 

Ponte com o mercado 

Na prática, esse movimento de aproximação e alinhamento, passa diretamente pelas cooperativas. O superintendente da CVM, Bruno de Freitas Gomes, destacou que elas cumprem papel estratégico ao conectar investidores aos produtores rurais, especialmente os de pequeno e médio porte, que dificilmente teriam acesso ao mercado de capitais de forma direta. 

Ele também reforçou que, atualmente, já existem diferentes instrumentos disponíveis, como a CPR, o CDCA, as notas comerciais e operações estruturadas via CRA e Fiagro. “Este último, inclusive, vem ganhando espaço ao reunir ativos do agro em fundos de investimento, ampliando a capacidade de captação de recursos privados”, considerou. 

Além disso, o superintendente lembrou que a CVM avança em novas frentes para facilitar esse acesso. “Entre elas está o uso de plataformas de investimento coletivo (crowdfunding), que devem permitir às cooperativas captarem recursos diretamente com investidores, dentro de limites regulatórios”, complementou.  

 

Nova lógica de financiamento 

Para o especialista Otaciano Neto, o setor vive uma mudança mais profunda. Segundo ele, o financiamento do agro deixou de depender majoritariamente de recursos públicos e passou, ao longo dos anos, a incorporar o capital privado. 

Nesse novo cenário, instrumentos como Fiagro e CRA aproximam quem investe de quem produz, e cria uma relação mais direta com o risco e o desempenho da atividade agropecuária. “O financiamento deixou de ser uma solução única e passou a ser uma ‘colcha de retalhos’, com diferentes fontes que precisam ser combinadas”, resumiu. 

Esse avanço, no entanto, traz, de acordo com Otaciano, um novo desafio: ampliar a base de investidores. “Hoje, o número de brasileiros que aplicam recursos no agro ainda é relativamente baixo, o que reforça a necessidade de melhorar a comunicação e fortalecer a confiança no setor”, disse. 

 

Quando a teoria vira prática 

A discussão também trouxe exemplos concretos dessa transformação. Um dos destaques foi o modelo desenvolvido no Paraná, que combina recursos públicos, privados e das próprias cooperativas para viabilizar investimentos no campo. 

A estrutura, baseada em instrumentos como os  FIDCs, permite alavancar recursos e financiar projetos em áreas como armazenagem, logística e expansão produtiva. Na prática, trata-se de um modelo de blended finance, que mistura diferentes fontes de capital para reduzir custos e ampliar o acesso ao crédito na ponta. 

 

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