Artigo do 8º EBPC avalia eficiência das cooperativas de crédito
Estudo analisou dados de 2000 a 2022 e comparou desempenho com bancos públicos e privados
As cooperativas de crédito demonstram desempenho eficiente e resiliente na intermediação financeira no Brasil, com resultados comparáveis e, em alguns períodos, superiores aos dos bancos públicos e privados. Essa é a principal conclusão do artigo Cooperativas de crédito são mais eficientes que bancos? Evidências para o Brasil, um dos trabalhos de destaque apresentados no 8º Encontro Brasileiro de Pesquisadores em Cooperativismo (EBPC) premiado melhor trabalho no eixo Contabilidade, Finanças e Desempenho da edição.
Assinado por Loredany Consule Rodrigues, Marcelo Dias Paes Ferreira, Yuri Clements Daglia Calil, Mateus de Carvalho Reis Neves e Raquel Pereira Pontes, o estudo analisou dados do Banco Central do Brasil entre 2000 e 2022 e abrangeu 24.075 observações, das quais 88,5% corresponderam a cooperativas singulares.
Eficiência sob diferentes ângulos
O estudo parte de uma pergunta simples: as cooperativas de crédito funcionam de forma mais eficiente do que os bancos na concessão de crédito? Para responder, os autores analisaram mais de 20 anos de dados do sistema financeiro, separando o que é estrutural - próprio do modelo de funcionamento das instituições - do que é conjuntural, resultado de períodos de crise ou instabilidade econômica.
Os resultados mostram que há espaço para ganhos de eficiência no sistema como um todo, mas indicam também que cooperativas, bancos públicos e bancos privados se comportam de forma diferente ao longo do tempo. Em média, os níveis de eficiência associados a fatores permanentes e a fatores temporários foram semelhantes.
Cooperativas em posição competitiva
Na comparação entre os tipos de instituições, as cooperativas de crédito apresentaram desempenho consistente e competitivo. O estudo aponta que elas operam com níveis de eficiência estrutural próximos aos dos bancos públicos e superiores aos dos bancos privados.
O período após a crise financeira de 2008 reforça esse resultado. Enquanto cooperativas e bancos públicos conseguiram reduzir perdas de eficiência relacionadas a fatores conjunturais, os bancos privados, em média, passaram a enfrentar mais dificuldades nesse aspecto. Para os autores, esse movimento reflete a capacidade das cooperativas de manter operações estáveis e próximas de seus cooperados, mesmo em cenários econômicos mais adversos.
Inclusão financeira e crédito mais acessível
O trabalho também destaca características operacionais das cooperativas de crédito que ajudam a explicar esses resultados. Em geral, o estudo aponta que elas dependem menos de grandes estruturas de capital e mais do trabalho e da proximidade com seus associados. Além disso, segunda a pesquisa, as cooperativas praticam, em média, taxas de juros mais baixas em diversas operações, o que contribui para ampliar o acesso ao crédito, especialmente em localidades e segmentos menos atendidos pelos bancos tradicionais.
Implicações para políticas públicas
Ao final, os autores concluem que as cooperativas de crédito exercem um papel relevante para a eficiência e a estabilidade do sistema financeiro brasileiro. Ao longo do tempo, elas mostram capacidade de manter desempenho sólido e de ampliar a oferta de crédito em momentos em que bancos privados reduziram sua atuação.
Nesse contexto, o estudo indica que políticas públicas voltadas ao fortalecimento da governança, da capacitação e da expansão responsável das cooperativas podem ampliar ainda mais os impactos positivos do cooperativismo financeiro, especialmente para o desenvolvimento econômico local e a inclusão financeira.
O artigo integra os anais do 8º EBPC e está disponível para consulta em in.coop.br/ebpc.
Eficiência sob diferentes ângulos