GT Ambiental discute neutralidade de carbono

GT Ambiental discute neutralidade de carbono

O Grupo de Trabalho Ambiental do Sistema OCB reuniu especialistas em um encontro dedicado à discussão sobre práticas, oportunidades e desafios para alcançar a neutralidade de carbono. O evento aconteceu na sexta-feira (24) e teve como público técnicos e cooperativas agropecuárias das Organizações Estaduais (OCEs) integrantes do GT Ambiental, com o intuito de fornecer clareza acerca do assunto às cooperativas. A constante evolução da legislação e do marco de carbono foi considerado durante toda a reunião e o evento buscou informar e incentivar ações concretas por parte das cooperativas no sentido de inventariar e monitorar as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Ao todo, o evento contou com 55 participantes.

Leonardo Munhoz, doutor em Direito Ambiental e pesquisador do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), trouxe para discussão o surgimento do mercado de carbono e destacou a relação entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Ele enfatizou o potencial do Brasil no cenário global, especialmente ao considerar a regulação de áreas protegidas, o que poderia posicionar o país no mercado de carbono voluntário. "Nosso país é o único no mundo que possui um Código Florestal com esse tipo de obrigação. Nos Estados Unidos, por exemplo, o agricultor americano não possui obrigação legal de ter uma reserva em sua propriedade. Caso o Brasil faça essa regulação de áreas protegidas, será possível adentrar ao mercado de carbono voluntário, sendo vitrine para o mundo", explicou.

Lucas de Souza, integrante do Centro de Estudos em Sustentabilidade de FGV, apresentou o inventário organizacional de GEE, utilizando o método GHG Protocol adaptado ao contexto brasileiro. Ele ressaltou a importância de estimular uma cultura corporativa de inventário de emissões para proporcionar instrumentos padrões de qualidade internacional às organizações. Para ele, essa é uma ferramenta de gestão que implementa o processo de melhoria interna, com redução de emissões, economia de recursos e aumento da eficiência. "Entendemos que as organizações são atores chave no combate às mudanças do clima. Observamos o número crescente de organizações interessadas em relatar de forma transparente a sua responsabilidade nas emissões globais do GEE", disse.

Marco Morato, coordenador de Meio Ambiente e Energia do Sistema OCB, ressaltou a eficiência como um ponto crucial, tendo em vista as emissões de carbono. Ele salientou a importância de medir para gerenciar. "O inventário mostra quais são os pontos sensíveis e onde é possível melhorar para aumentar a eficiência do processo", afirmou.

Eduardo Assad, também pesquisador do Observatório de Bioeconomia da FGV, concentrou sua apresentação no nível da propriedade e destacou as tecnologias da agricultura de baixo carbono como um caminho para a neutralidade. Ele abordou o impacto das mudanças climáticas e explicou os benefícios do plano ABC e de metas de mitigação até o ano de 2018. Para ele, não é possível assegurar neutralidade nas tecnologias de baixo carbono, uma vez que elas não são permanentes, mas é possível assegurar o carbono. "O carbono neutro é um caminho longo a ser percorrido, mas está tudo pronto, só precisamos começar a discutir isso", declarou.

 

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