Lar promove eficiência no uso dos recursos e geração de energia a partir de resíduos
Contexto e desafios
Com mais de 15 mil associados, a paranaense Lar Cooperativa Agroindustrial é referência no agronegócio brasileiro atuando em vários mercados. O processo de beneficiamento de grãos, essencial para garantir a qualidade de produtos como soja, milho e trigo, envolve etapas como limpeza, secagem e classificação.
No entanto, essa atividade gera um volume significativo de resíduos, como vagens de soja, sabugos de milho e palhas. Na Lar, esses resíduos correspondiam de 1% a 12% do volume de soja e de 0,7% a 1% do volume de milho processado.
Antes da implementação do projeto, o destino desses resíduos era o descarte em aterros ou a compostagem. Essa prática, além de representar um custo, gerava passivos ambientais, como a proliferação de insetos, a geração de odores e o risco de contaminação do lençol freático, impactando as comunidades no entorno das unidades operacionais.
Objetivos
Motivada pela necessidade de encontrar uma solução sustentável para a gestão de seus resíduos e de alinhar suas operações às melhores práticas ambientais, a cooperativa definiu os seguintes objetivos para a iniciativa:
- Reaproveitar os resíduos gerados na pós-colheita de soja e milho, eliminando o descarte inadequado.
- Diminuir as emissões de gases poluentes, contribuindo para uma matriz energética mais limpa.
- Gerar briquetes com alto poder calorífico, capazes de substituir combustíveis fósseis e outras formas de biomassa convencional.
- Criar novas oportunidades de negócio e de renda a partir da valorização de resíduos que antes eram um problema.
Desenvolvimento
Para transformar o desafio em oportunidade, a Lar adotou uma estratégia multifásica. O processo começou com a identificação do problema e a busca por parceiros tecnológicos. Com uma parceria, a cooperativa desenvolveu uma solução inovadora para a transformação dos resíduos em briquetes.
A implementação seguiu com a elaboração de um projeto detalhado, a alocação de recursos e a definição de uma planta piloto para a realização de testes, validando a eficácia da solução em condições controladas.
A cooperativa contou com o apoio de consultorias, integradores de projeto e empresas de engenharia, automação e manutenção para garantir o sucesso técnico da iniciativa. Após a validação, a organização solicitou a patente da solução para proteger a inovação e expandiu o projeto para outras unidades.
O público-alvo beneficiado pela iniciativa inclui os trabalhadores das unidades de beneficiamento de grãos e as comunidades locais, que passaram a conviver com um ambiente mais limpo e sustentável.
Resultados e impacto
A implementação do projeto trouxe resultados concretos e transformadores. Os resíduos agrícolas, após passarem por processos de secagem, moagem e prensagem, são convertidos em briquetes de alto valor energético, com poder calorífico entre 4.500 e 5.000 kcal. Esses briquetes são utilizados como combustível em caldeiras e secadores de grãos da própria cooperativa, substituindo a biomassa tradicional.
Essa solução de economia circular otimizou a matriz energética da Lar, diminuiu os problemas ambientais associados ao descarte de resíduos e não utiliza aditivos químicos no processo.
Além dos ganhos ambientais, a iniciativa gerou ganhos logísticos e econômicos, transformando o que era um custo em um produto de valor agregado que contribui para a sustentabilidade e a preservação dos recursos naturais.
Desse modo, o projeto demonstra na prática como a bioeconomia pode transformar resíduos em fonte de energia limpa, com alto potencial de replicabilidade em outras agroindústrias, reforçando o compromisso do cooperativismo com a transição energética.
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Região: Sul Categoria: Energias Renováveis Ação: Diversificação da matriz energética com adoção de energias limpas, uso de biogás e energia solar. ODS: Objetivo 7 - Energia acessível e limpa Resultados: O biodigestor de Medianeira tem capacidade de gerar cerca de 8.700 Nm³/dia de biogás, proporcionando economia de R$ 3 milhões por ano. Substituição do gás liquefeito de petróleo (GLP) pelo biogás, o que reduz a emissão de gases poluentes. Ao todo, as energias renováveis já representam mais de 98% de todo o consumo energético da Frimesa.
Nome do projeto: Cooperativas como resposta à geração de energia renovável com o protagonismo das pessoas – cooperação entre Brasil e Alemanha. Investimento no projeto: R$ 100 mil (OCB), R$ 250 mil (DGRV). Resultados: Aumento da capacidade instalada de energia renovável por novas cooperativas, de 0,075 MW, em 2016, para 11,4 MW no final de 2020. Crescimento do número de cooperativas envolvidas na geração de energia renovável. Em dezembro de 2020, eram 24 cooperativas gerando energia para 238 unidades consumidoras. O trabalho desenvolvido incentivou as cooperativas já existentes a gerarem sua própria energia. Em 2020, foram 482 empreendimentos de geração de energia renovável, totalizando 35 MW. Criação da plataforma www.energia.coop, gerando informação específica e de fácil acesso sobre o assunto. Troca de experiência internacional entre Brasil, Alemanha e diversos países na América.
Auditores internos priorizam setores ligados à cadeia de valor da cooperativa e estabelecem planos e prazos para correção das não conformidades. A prática é adotada na Unimed Central de Serviços - RS desde 2012 e é acompanhada por meio de indicadores.