Dirigida por mulheres, Coopsertão inaugura fábrica e lidera recuperação da Caatinga no sertão baiano
Contexto e desafios
A Cooperativa Ser do Sertão (Coopsertão) nasceu em 2008 para promover o fortalecimento do cooperativismo por meio de práticas agroecológicas e da profissionalização. Inicialmente focada na produção artesanal de geleias, doces e polpas de frutas típicas, a cooperativa cresceu e expandiu suas operações.
Um aspecto fundamental da Coopsertão é sua preocupação com a sustentabilidade, que se reflete em seu público de mais de 326 famílias cooperadas, a maioria mulheres. Todo o excedente das operações é reinvestido na implementação de técnicas agroecológicas e resilientes para garantir uma produção resistente a adversidades como a seca.
Com o crescimento da Coopsertão, a antiga agroindústria se tornou insuficiente para atender à demanda, limitando a expansão da cooperativa e o número de famílias beneficiadas. Além disso, a cooperativa está inserida no semiárido baiano, região que enfrenta alta vulnerabilidade climática.
Objetivos
Para superar a limitação da infraestrutura e ampliar seu impacto, a Coopsertão estruturou um projeto para promover a produção sustentável na Caatinga. O passo mais urgente era a construção de uma nova agroindústria, a Fábrica dos Sonhos, para escalar a produção, atender a novos mercados e incluir mais famílias no processo produtivo.
Paralelamente, o projeto estabeleceu como meta promover um modelo de produção sustentável na Caatinga. O objetivo, desse modo, era capacitar os cooperados em práticas de agricultura de baixo carbono, como a recuperação de pastagens degradadas e a implementação de sistemas que integram lavoura, pecuária e floresta.
No pilar social, a iniciativa tinha como foco fortalecer a geração de renda e o protagonismo de mulheres e jovens. O projeto foi desenhado para oferecer capacitação técnica em manejo sustentável, e gestão e beneficiamento de produtos.
Por fim, a Coopsertão buscou fortalecer sua capacidade comercial e institucional. A ideia era obter certificações de produção orgânica e acessar mercados mais justos.
Desenvolvimento
O projeto, apelidado de Mulheres da Caatinga: Produzindo e Conservando, tinha como pilar central a construção da nova agroindústria. A obra foi viabilizada por um investimento de R$ 2,5 milhões, financiado pelo projeto PRS-Caatinga, uma iniciativa do PNUD com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente, GEF.
Enquanto a fábrica era erguida, a Coopsertão intensificou o trabalho no campo. A cooperativa ofereceu assistência técnica a 120 famílias, cobrindo uma área de 2.400 hectares.
A equipe de agrônomos e técnicos agrícolas orientou os produtores na implementação de práticas de baixo carbono, como o manejo sustentável do solo, o cultivo de frutas nativas e a recuperação de áreas degradadas. Para garantir a qualidade e o valor agregado dos produtos, a cooperativa investiu na busca por certificações.
A gestão comercial também foi aprimorada. Além de buscar novos clientes no setor privado, a Coopsertão fortaleceu sua participação em programas de compras públicas, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar, PNAE, e o Programa de Aquisição de Alimentos, PAA, que garantem a venda de parte da produção.
Resultados e impacto
Com a Fábrica dos Sonhos em operação, a Coopsertão aumentou sua capacidade de processamento de 100 para 800 toneladas de frutas por ano. O projeto beneficiou diretamente 120 famílias e mais de mil pessoas indiretamente, com um aumento de 40% na renda média dos cooperados.
No campo ambiental, a iniciativa já promoveu a recuperação de 500 hectares de áreas degradadas, contribuindo para a conservação da Caatinga e a segurança hídrica da região.
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