Grupo Cafeína da Cocatrel traz conhecimento, informações e empoderamento para as mulheres produtoras de café da região de Três Pontas em MG
Contexto e desafios
Em 2017 a Cocatrel identificou que a presença de mulheres no seu quadro social era significantemente acima da média observada em outras cooperativas de Agronegócio do Sul de Minas. Em resposta a essa observação e, após estudos e planejamento, foi oficialmente criado em 19 de fevereiro de 2019 o Grupo Cafeína, o nome é uma brincadeira com a junção de expressões como cafeicultura feminina, café de menina, cafés de Minas. Tudo dá Cafeína, com a finalidade de criar um espaço de encontro e intercâmbio de informações entre mulheres cooperadas, além de promover maior proximidade com a gestão da Cocatrel.
Na ocasião do seu lançamento, as mulheres cooperadas representavam 19% do quadro social da cooperativa, hoje a principal missão é apoiar as cafeicultoras na superação de preconceitos e tabus, capacitando-as para inovar no campo do agronegócio. O objetivo da cooperativa é promover a valorização das mulheres envolvidas na produção agrícola.
Desenvolvimento e metodologia
As mulheres começam a sair da invisibilidade na cafeicultura brasileira. Embora sempre tenham estado nas lavouras ao longo de mais de dois séculos, só recentemente elas passaram a ter protagonismo no setor. Em Minas Gerais – maior polo cafeeiro do país –, a Cocatrel (Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas) criou o grupo Cafeína.
Os grãos da variedade arábica cultivados pelo Cafeína, formado por 150 cafeicultoras da região de Três Pontas, no sul de Minas, foi o primeiro lote a ser exportado para ser vendido no mercado Alemão. Na época, o anúncio do embarque de 320 sacas de 60 kg ocorreu em meio às comemorações do 15 de outubro, Dia Internacional da Mulher Rural.
O Cafeína surgiu com dois objetivos: segmentar a produção, a fim de potencializar o nicho de mercado feminino na cadeia cafeeira e capacitar as cafeicultoras para que possam exercer todas as atividades no setor, desde o manejo com as plantações até a gestão das propriedades.

O nome Cafeína, além de ser ligado ao café, partiu do princípio de que as mulheres do campo são fortes e com muita energia para transformar suas realidades. Assim como a cafeína, composto químico que traz muitos benefícios à saúde, como disposição, foco, concentração, melhor desempenho físico e melhora do humor, as mulheres do Cafeína também têm energia de sobra para trabalhar, gerir e produzir cafés de muita qualidade.
Para participar do grupo Cafeína, a produtora deve ser titular da matrícula de associada Cocatrel ou ter algum vínculo familiar com o titular (como esposa, filha ou irmã). Após o preenchimento do termo de adesão, ela é incluída em um grupo de WhatsApp onde as mulheres trocam experiências e práticas sobre diversos assuntos relacionados ao café. Além disso, são convidadas para participar de eventos, cursos e capacitações voltadas à força feminina no agronegócio, especificamente na cafeicultura.
O processo inclui a troca de experiências e melhores práticas. O café produzido por essas mulheres recebe atenção especial na comercialização, tanto no mercado interno quanto no externo. No mercado interno, o produto é altamente valorizado por torrefadores, a Cocatrel, para comemorar o mês das mulheres, lança anualmente uma linha de cafés especiais produzido por elas, incorporando-os no portifólio das cafeterias Cocatrel.

No mercado externo, o grupo também é relevante, são diversos países comercializando e consumindo os cafés produzidos pelas cooperadas da Cocatrel, o que agrega valor aos produtos. Para elas, é pago um ágio na venda de acordo com a negociação com o comprador, aumentando assim o valor agregado e a visibilidade do grupo.
A coordenação do grupo Cafeína é realizada pelo Conselho do grupo (formado por cooperadas e colaboradoras), enquanto a parte administrativa e de verificação é conduzida pela secretaria executiva do grupo com apoio da área de relacionamento.
Resultados e aprendizados
Antes da consolidação do Grupo Cafeína, a Cocatrel possuía apenas 19% do seu quadro social composto por mulheres. No entanto, esse segmento não era explorado tanto nas exportações quanto no mercado interno, e não havia café torrado produzido por mulheres em nosso portfólio de produtos. Atualmente, as mulheres já representam 22% do quadro social e, em 2023, foi recebido um total de 376.429 sacas de café produzidas por mulheres.
Desde 2020, a Cocatrel já exportou 4.302 sacas do grupo Cafeína Cocatrel. Quanto aos cafés torrados da linha produzida por mulheres, foram lançados produtos como Montrês Violeta, Aurora, Pérola, Iris, Jade, Dalia e Olívia, Cafeína, entre outros e, desde 2020, foram vendidos 1.728 pacotes de 500g. Essa iniciativa tem agregado valor aos produtos, aumentando a rentabilidade das cooperadas e a visibilidade do grupo.
Desde 2021, as vendas têm apresentado evolução e prêmios:
2021 - 2063 sacas bica corrida com o valor médio de R$1.125,00 ágio de R$ 96,00
2022 - 1839 sacas bica corrida com o valor médio de R$1.232,00 ágio de R$ 105,00
2023 - 8833 sacas bica corrida com o valor médio de R$1.007,00 ágio de R$ 135,00
Depoimento:
Adalgisa Miranda, cafeicultura há 34 anos, administra uma fazenda com 100 hectares, com 10 empregados e produção anual de cerca de 2 mil sacas.
“Estamos tomando a frente dos negócios e ganhando a preferência na contratação para trabalhar em algumas propriedades da região. Das pessoas que trabalham comigo, 50% são mulheres. Hoje, os homens já aceitam mais a nossa presença na cafeicultura.”
Contato da Cooperativa
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Objetivo: Reafirmar o compromisso de responsabilidade socioambiental instalando uma agência 100% sustentável, construída com 22 contêineres, isolamento térmico, infraestrutura verde e todos os demais pré-requisitos sustentáveis. Resultados: Construção de agência sustentável. Diminuição do impacto ambiental por meio da recaptação de água da chuva. Economia por meio da geração de energia elétrica fotovoltaica.
O "CREDICOMLab. Recebe" se trata de uma ação da cooperativa Sicoob Credicom, que visa estabelecer laços colaborativos entre outras cooperativas, empresas, startups, universidades e demais entidades. Seu propósito central é fomentar a troca de conhecimentos e experiências em torno de ações de inovação. Lançada em 2022, essa iniciativa continua a prosperar até os dias atuais, como case referência de intercooperação, impulsionada pelo êxito alcançado em sua estruturação e implementação. Destaca-se ainda que, há alta demanda por participação desse momento, especialmente por parte de cooperativas, que demonstram um interesse em se envolver nesse ambiente de colaboração e aprendizado.
Objetivo: Gerar energia limpa e renovável por meio da biodigestão anaeróbia dos dejetos e resíduos da agroindústria, minimizando os impactos ambientais da atividade de produção de alimentos, promovendo e incentivando as boas práticas de sustentabilidade e proteção do meio ambiente. Resultados: Projetos implantados em função da capacitação: • COOPERATIVA C. VALE Sede: Palotina, Oeste do Paraná Volume produzido: Entre 1500 a 2000 m³/dia para energia elétrica e 1050 m³/hora para uso térmico. Fonte de material utilizado: Dejetos suínos (geração energia elétrica) e efluente industrial de produção de amido de mandioca (uso térmico). COOPERATIVA CASTROLANDA Sede: Castro, Leste do Paraná Volume produzido: 12.593 nm³/dia de metano. Fonte de material utilizado: Lodo biológico ETE, Lodo tridecanter frigorifico, resíduo de batata lavador, glicina vegetal, resíduo de cerveja, ovos, óleo fritadeira, casca de batata, batata frita, farelo de fritadeira, dejetos e carcaça de suínos. COOPERATIVA COPACOL Sede: Cafelândia, Oeste do Paraná Volume produzido: Não possuem informação em volume de biogás gerado. Contudo, nos últimos três meses a geração de energia média com biogás foi de 88.116 kWh/mês. Fonte de material utilizado: Dejetos de suínos de uma Unidade de Produção de Leitões com 4.300 matrizes. COOPERATIVA FRÍSIA Sede: Carambeí, Leste do Paraná Volume produzido: 86.457 m³/mês. Fonte de material utilizado: Dejetos e carcaças provenientes da atividade de suinocultura. COOPERATIVA LAR Sede: Medianeira, Oeste do Paraná Volume produzido: 3.126.438,00 metros cúbicos de biogás, convertido em energia elétrica equivalem a 1.334.801 KWh de bioenergia (evitando a emissão de 1.719.540,9 metros cúbicos de gás metano). Fonte de material utilizado: Dejetos suínos. A unidade de produção localizada no município de Serranópolis do Iguaçu (PR) tem 3 biodigestores e produz 52% da energia consumida. Para 2021, a expectativa é produzir 100% da energia elétrica por meio do biogás.
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