Produção sustentável para manter a floresta em pé
Tradição e ciência andam de mãos dadas em uma pequena cooperativa da Floresta Amazônica. A Cooperar — Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus — sistematizou o saber da população ribeirinha ao conhecimento técnico-científico para criar um plano de manejo florestal sustentável da floresta. O objetivo é gerar oportunidades de trabalho e renda para as comunidades, garantindo também o bem-estar das gerações futuras em escala local, regional e global. Com cerca de 450 cooperados, a Cooperar reúne a população ribeirinha da Vila Céu do Mapiá. Uma gente humilde, com baixo nível de escolaridade, pouca assistência de políticas públicas e uma enorme consciência ambiental. Por serem filhos da floresta, eles querem vê-la de pé, e contam com a tecnologia de manejo sustentável para produzir com alto nível de sustentabilidade e respeito ao meio ambiente. Para conseguir madeira sem devastar a floresta, eles desenvolveram um sistema de manejo florestal que consiste em retirar somente parte das árvores de maior porte, deixando as remanescentes protegidas. Assim, as clareiras provocadas pela queda das árvores e os caminhos abertos para o transporte são rapidamente reflorestados. Por se tratar de atividade relacionada ao uso sustentável de recursos naturais em uma Unidade de Conservação Federal, a fiscalização e o acompanhamento legal são realizados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por meio do Sistema Nacional de Controle de Ori - gem de Produtos Florestais (SINAFLOR), e pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (IBAMA). Ainda, a cooperativa possui certificação florestal do FSC - Forest Stewardship Council (Conselho de Manejo Florestal). Foi realizada uma auditoria oficial pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (IMAFLORA) que resultou na aprovação da Certificação Florestal para o projeto, que passa a ser uma das poucas iniciativas de manejo florestal comunitário certificadas no Brasil. O projeto contou com a parceria do Instituto Nova Era (INE), Instituto Socioambiental de Viçosa (ISAVIÇOSA) e do Instituto Socioeconômico Solidário (ISES). No total foram investidos, R$ 1,3 milhão no projeto, sendo R$ 251,9 mil vindos da própria cooperativa, e R$ 1,076 milhão de organizações dispostas a trabalhar pela preservação da floresta Amazônica e pelo fortalecimento da economia de baixo carbono. Vale destacar: além de trabalhar com o manejo florestal madeireiro, a Cooperar opera em diferentes cadeias produtivas, como o cacau nativo, a castanha do Brasil, óleos vegetais, produção e beneficiamento de alimentos, artesanatos, fitoterápicos, cosméticos e casca de mulateiro.
CUIDADO COM RETORNO GARANTIDO
O desenvolvimento de cadeias produtivas florestais sustentáveis torna os povos tradicionais da região verdadeiros guardiões da floresta de onde tiram seu sustento. No caso da Cooperar, toda a cadeia produtiva, desde a colheita até o beneficiamento, recebeu capacitação em manejo sustentável e tratos culturais nos cacaueiros para ganho de produtividade. Desde a implantação desse novo sistema, a cooperativa registrou um salto da produtividade anual do cacau silvestre de 4 toneladas para 12 toneladas, com geração de trabalho e renda para 24 famílias. O projeto também estabeleceu convênios comerciais para aumento do poder de compra dos cooperados em um entreposto industrial e comercial localizado no município de Boca do Acre. Além disso, os barcos e as estruturas de produção da Cooperar foram reformados. A comunicação com os seis núcleos produtivos da cooperativa foi uma atividade igualmente priorizada, por meio da instalação de rádios comunicadores. Para completar, com uso de GPS, foi feito o mapeamento das rotas e comunidades produtoras. Tudo isso contribuiu para gerar oportunidades de trabalho e renda para as comunidades ribeirinhas; implementar políticas públicas nos territórios e melhorar as estruturas de produção, armazenamento e escoamento dos núcleos produtivos dos cooperados.
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Projeto: Olho D´Água Objetivo: Restauração de nascentes localizadas nas propriedades dos cooperados, na área de atuação da Cocari, presente nos estados do Paraná, Goiás e Minas Gerais, visando suprir as necessidades domésticas e agropecuárias, além da proteção, preservação, conservação e recuperação dos recursos hídricos, da fauna e da flora local. Resultados: Em 2021 o projeto alcançou a marca histórica de 1.000 nascentes recuperadas, comemorada no dia 28 de julho, Dia do Agricultor; Com a restauração, a vazão de água da nascente aumenta e se torna límpida, protegida e própria para o consumo; Projeto premiado e reconhecido pelo Ministério da Agricultura; Desde 2014 recebe o selo Chico Mendes de preservação; Em 2014, conquistou o troféu Cooperativa do Ano, em premiação da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB); Em 2019, recebeu o troféu Onda Verde – Prêmio Expressão de Ecologia, criado pela Editora Expressão, em 1993; É uma referência para outras instituições e municípios que procuram a Cocari, para aprender a técnica de restauração.
O Sicoob Credialto liderou a construção de uma usina fotovoltaica para a Santa Casa de Piumhi, principal hospital de referência em sua região. A iniciativa, financiada por campanhas junto aos cooperados e recursos do FATES, reduziu em 40% os custos de energia da instituição, permitindo que a economia seja reinvestida na melhoria da infraestrutura de saúde. O projeto une sustentabilidade energética, ação climática e fortalecimento dos serviços de saúde para uma população de mais de 100 mil pessoas.
Em um projeto inovador, a Cresol está promovendo a transição agroecológica de agricultores familiares no Brasil e no Uruguai. Por meio de uma metodologia participativa, a iniciativa cria espaços no campo para desenvolver e disseminar práticas de baixo carbono, como o plantio direto de hortaliças e a produção de bioinsumos. O projeto já ativou 45 unidades de referência, fortaleceu a resiliência climática das propriedades e posicionou os agricultores como protagonistas da inovação.
