Cresol revoluciona pecuária de búfalos com manejo sustentável e assistência técnica
Contexto e desafios
A Cresol nasceu em 1995 no interior do Paraná e tem como foco o desenvolvimento de seus mais de 1 milhão de cooperados e das comunidades onde atua. A instituição financeira conta com 59 cooperativas espalhadas por 19 estados brasileiros.
É com essa filosofia que a Cresol identificou uma oportunidade de impacto no Vale do Ribeira, no Paraná. A região possui um dos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixos do estado e um relevo montanhoso que limita a agricultura.
A criação de búfalos, bubalinocultura, se tornou uma das principais fontes de renda para os pequenos produtores. No entanto, a atividade era conduzida de forma extrativista, com pouco ou nenhum suporte técnico. A falta de conhecimento sobre manejo adequado resultava em práticas ultrapassadas e prejudiciais ao meio ambiente.
Além disso, o pisoteio excessivo dos animais causava erosão e compactação do solo, enquanto o acesso descontrolado a rios e nascentes ameaçava os recursos hídricos. Sem orientação, os produtores não investiam na recuperação do solo nem na melhoria da alimentação do rebanho, o que limitava a produtividade e a renda.
Objetivos
A Cresol criou o projeto para levar assistência técnica a uma região historicamente carente de apoio na cadeia de bubalinos. O objetivo principal foi incentivar a adoção de boas práticas que unissem o cuidado com o meio ambiente ao aumento da produção e da renda dos agricultores, resultando em melhor qualidade de vida.
As metas foram focadas em promover o uso mais consciente e sustentável dos recursos naturais. Isso incluiu a introdução de técnicas de correção do solo para recuperar áreas degradadas.
A cooperativa também incentivou o cultivo de capiaçu, que serve como suplemento alimentar para os búfalos, especialmente em períodos de seca. Além de garantir a segurança alimentar do rebanho, o capiaçu exige menos defensivos agrícolas, reduzindo o impacto ambiental.
Desenvolvimento
A iniciativa foi direcionada aos pequenos produtores cooperados e à comunidade, com foco especial nos jovens agricultores, buscando criar oportunidades para que permanecessem no campo com viabilidade econômica.
A primeira etapa consistiu na seleção de 26 produtores de búfalos interessados em modernizar suas propriedades. Em seguida, equipes técnicas realizaram visitas de campo para diagnóstico e promoveram reuniões para compartilhar conhecimento e definir planos de ação individuais para cada propriedade.
O projeto foi implementado por meio do programa Bem Cultivar, da Cresol. A cooperativa contou com a parceria com o Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia (Ceades/Sebrae).
A Cresol contou com outras parcerias, como o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e prefeituras, para fortalecer a cadeia produtiva regional. A organização financiou o projeto com recursos próprios, enquanto o Ceades/Sebrae contribuiu com a experiência técnica, garantindo suporte completo aos produtores.
Resultados e impacto
Após a implementação do projeto, a mudança na mentalidade e nas práticas dos produtores foi notável. Eles passaram a adotar práticas de correção e recuperação do solo, melhorando a qualidade das pastagens e a produtividade. A diversificação da produção e o cultivo de suplementos alimentares garantiram a nutrição adequada do rebanho.
Prova disso é o produtor Pio Rafael Schneider, que, após receber as orientações, construiu bebedouros e um lago artificial para seus 10 animais. A medida garantiu o bem-estar do rebanho e evitou que os búfalos degradassem as margens dos rios, em uma solução de baixo custo e alto impacto ambiental positivo.
Do ponto de vista climático, as práticas de manejo de pastagens adotadas ajudam a fixar o carbono no solo. Além disso, os búfalos são animais com alta eficiência na conversão alimentar, o que significa que produzem mais com menos recursos, diminuindo a pressão sobre o ecossistema.
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