Na fronteira da Amazônia, Cooperativa RECA estimula a bioeconomia regenerativa
Contexto e desafios
Em 1984, a região de Nova Califórnia, na tríplice fronteira entre Rondônia, Acre e Amazonas, enfrentava graves desafios sociais, econômicos e ambientais. Famílias de agricultores migrantes, assentadas pela reforma agrária, chegaram a um antigo seringal e encontraram um cenário de ausência de infraestrutura, surtos de malária, isolamento e falta de assistência.
As primeiras tentativas de aplicar modelos agrícolas do Sul e Sudeste, com o cultivo de arroz e milho, fracassaram devido ao tipo de solo e clima amazônicos. A ausência de governança, a grilagem e a extração ilegal de madeira agravavam os conflitos e ameaçavam os modos de vida tradicionais.
Diante desse cenário, os agricultores perceberam que a única saída era se unir aos povos que já viviam na floresta, como os seringueiros, para construir uma solução a partir dos saberes locais e da cooperação.
Objetivos
Frente a um modelo de colonização predatório, o Projeto RECA nasceu com o objetivo central de criar uma alternativa que permitisse fixar as famílias na terra de forma digna e em harmonia com a floresta. A meta era desenvolver um sistema produtivo que gerasse renda, recuperasse áreas já degradadas e mantivesse a floresta em pé, rompendo com o ciclo do desmatamento.
Para isso, a cooperativa buscou organizar os agricultores em grupos, capacitando-os para a gestão de seus próprios negócios e promovendo um modelo de cooperativismo sustentável. O projeto almejava ir além da produção, estruturando toda a cadeia de valor, desde o beneficiamento e industrialização dos produtos da sociobiodiversidade até a comercialização coletiva em mercados que valorizam a sustentabilidade, com o registro de marcas próprias.
Desenvolvimento
A Cooper-RECA estruturou uma estratégia baseada na organização comunitária, no fortalecimento do cooperativismo e na valorização dos saberes locais. A cooperativa adotou os Sistemas Agroflorestais (SAFs) como sua principal tecnologia de produção.
Os SAFs permitiram produzir alimentos, como cupuaçu, pupunha e castanha-do-brasil, e, ao mesmo tempo, regenerar o ecossistema.
Para consolidar essa visão, a Cooper-RECA contou com uma rede de parceiros, incluindo OCB/Sescoop, Emater, Embrapa, Fundo Amazônia e universidades.
A organização em nove grupos de produtores fortaleceu a governança comunitária e a disseminação das práticas agroecológicas, incluindo a produção própria de bioinsumos e o reaproveitamento de resíduos em uma lógica de economia circular.
Resultados e impacto
A implementação do Projeto RECA transformou a realidade socioambiental da região. A cooperativa recuperou mais de 1.000 hectares de áreas degradadas com os SAFs e fortaleceu o extrativismo sustentável. O impacto econômico é visível: a renda familiar dos cooperados aumentou em até 100%, e a organização comunitária gerou inclusão social.
As agroindústrias implantadas pela cooperativa hoje beneficiam volumes expressivos de produtos da bioeconomia amazônica, incluindo 120 toneladas de castanha-do-brasil, 2,2 milhões de quilos de cupuaçu e 100 toneladas de polpa de açaí anualmente.
Além disso, a cooperativa desenvolveu um projeto de carbono neutro focado em desmatamento evitado, consolidando-se como um modelo replicável de desenvolvimento sustentável na Amazônia.
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Veja mais
A prática se chama Expresso - Gerente de Atendimento e Gestão de Filas e visa melhorar a experiência de atendimento dos associados da cooperativa. O Atendimento Expresso é um balcão de atendimento com intuito de agilizar o atendimento, reduzindo o tempo de espera, como também auxiliar em dúvidas e prestar serviços rápido e de baixa complexidade.
A Sicoob Centro, em Rondônia, liderou uma iniciativa para revitalizar a cadeia produtiva do cacau, devastada pela praga vassoura-de-bruxa. Apoiando agricultores familiares por meio da cooperação, o projeto promoveu o uso de sistemas agroflorestais, conquistou a Indicação Geográfica (IG) para o cacau local e gerou aumento de produtividade e renda, transformando um cenário de crise em um modelo de desenvolvimento sustentável.
Projeto: Olho D´Água Objetivo: Restauração de nascentes localizadas nas propriedades dos cooperados, na área de atuação da Cocari, presente nos estados do Paraná, Goiás e Minas Gerais, visando suprir as necessidades domésticas e agropecuárias, além da proteção, preservação, conservação e recuperação dos recursos hídricos, da fauna e da flora local. Resultados: Em 2021 o projeto alcançou a marca histórica de 1.000 nascentes recuperadas, comemorada no dia 28 de julho, Dia do Agricultor; Com a restauração, a vazão de água da nascente aumenta e se torna límpida, protegida e própria para o consumo; Projeto premiado e reconhecido pelo Ministério da Agricultura; Desde 2014 recebe o selo Chico Mendes de preservação; Em 2014, conquistou o troféu Cooperativa do Ano, em premiação da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB); Em 2019, recebeu o troféu Onda Verde – Prêmio Expressão de Ecologia, criado pela Editora Expressão, em 1993; É uma referência para outras instituições e municípios que procuram a Cocari, para aprender a técnica de restauração.
Região: Brasil Categoria: Produção Sustentável / Finanças Verdes Ação: Fortalecimento dos agricultores familiares brasileiros por meio da ampliação de crédito para plantio, manutenção de lavouras, investimentos em máquinas, implementos, benfeitorias rurais, infraestrutura para energia solar, entre outros. ODS: 2 - Fome Zero e Agricultura Sustentável 7 - Energia Limpa e Acessível 12 - Consumo e Produção Sustentáveis Resultados: Mais de R$ 10 bilhões disponibilizados à agricultura familiar por meio do Pronaf. Cerca de 600 mil famílias beneficiadas. Mais de R$ 125 milhões em crédito para transição energética.
