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25/06/2026
Cooperativismo entra em campo para democratizar acesso aos seguros
Nova legislação fortalece a inclusão econômica e cria condições para expandir a proteção social no país
A Lei Complementar (LC) 213/2025 abriu uma nova frente de expansão para o cooperativismo brasileiro ao permitir que cooperativas passem a atuar em praticamente todos os segmentos do Sistema Nacional de Seguros Privados (SNSP). A medida garantiu a presença do modelo econômico em um setor considerado estratégico para inclusão financeira e proteção patrimonial no país.
A nova legislação é considerada pelo Sistema OCB um marco histórico, por permitir que as cooperativas avancem em áreas como seguros patrimoniais, automotivos, empresariais e de vida, ampliando o acesso da população a serviços securitários, especialmente em regiões menos atendidas pelos grandes centros financeiros.
A gerente geral de Negócios do Sistema OCB, Clara Maffia, afirma que a regulamentação do setor, com a recente publicação da Resolução CNSP 492/2026, representa um passo importante para dar segurança jurídica ao setor e criar um ambiente mais estruturado para atuação das cooperativas. “Era importante definir o escopo de atuação dos diferentes modelos societários que operam neste setor, criar regras claras para as operações, fixar responsabilidades e estabelecer uma governança mínima”. Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Segundo ela, a expectativa é que o acesso ao seguro e à proteção patrimonial seja democratizado no Brasil. “As cooperativas possuem forte presença regional e proximidade com as comunidades, característica vista pelo setor como diferencial competitivo para expansão da proteção securitária. Além disso, elas têm essa característica importante de estar presente em locais onde muitas vezes outros modelos societários não estão”, complementa.
Novo marco legal
A construção do novo marco regulatório contou com atuação da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) e de parlamentares ligados ao setor. O deputado federal Reginaldo Lopes (MG) participou das articulações da proposta no Congresso Nacional e defendeu o fortalecimento do cooperativismo como instrumento de inclusão financeira e desenvolvimento regional. “A entrada das cooperativas nesse mercado abre uma oportunidade importante para o acesso da população à proteção securitária e fortalece a inclusão financeira no país”, afirmou o parlamentar.
Além disso, o parlamentar também reforçou a visão de que o modelo cooperativista é diferenciado por sua capacidade de alcançar regiões menos assistidas. “A presença das cooperativas, nesse contexto, tem um significado importante. Com elas, os serviços de seguros podem pode ser um instrumento de inclusão econômica e proteção social”, declarou.
Ramo Seguros
Após a sanção da Lei Complementar 213/2025, o Sistema OCB aprovou, em março de 2025, a criação do Ramo Seguros durante Assembleia Geral Extraordinária realizada em Brasília. A medida consolidou oficialmente o cooperativismo de seguros como um novo eixo de atuação do setor no país.
No mundo, o cooperativismo de seguros já é uma força consolidada. Segundo dados da Federação Internacional de Cooperativas e Seguros Mútuos (ICMIF), existem atualmente cerca de 5 mil cooperativas e mútuas de seguros em 79 países, atendendo mais de 333 milhões de pessoas. Juntas, elas somam aproximadamente R$ 11 trilhões em ativos e respondem por cerca de 26% da participação global do mercado segurador.
Países como Estados Unidos, Canadá, França e Argentina possuem cooperativas seguradoras consolidadas, que desempenham papel relevante na inclusão financeira e na proteção patrimonial de milhões de cidadãos.
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Notícias representação
15/06/2026
Seguros cooperativos ganham espaço com nova regulamentação
Modelo poderá ampliar oferta de proteção e inclusão financeira em regiões menos atendidas
A baixa cobertura do mercado de seguros no Brasil tem ampliado o debate sobre alternativas capazes de levar proteção financeira a regiões e públicos historicamente pouco atendidos pelo sistema tradicional. Nesse contexto, as cooperativas de seguros passaram a ocupar papel de destaque após a aprovação da Lei Complementar 213/2025, que abriu espaço para a atuação do modelo cooperativista em praticamente todos os segmentos do setor.
Kayo Magalhães / Câmara dos DeputadosA nova legislação permitiu que cooperativas ingressem em áreas antes restritas a outros agentes do mercado, ampliando a presença do movimento em um segmento considerado estratégico para a proteção patrimonial e a segurança financeira da população. Com a publicação da Resolução CNSP 492/2026 pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), o setor passa a contar com regras mais claras para sua estruturação e funcionamento.
Dados do mercado indicam que apenas cerca de 30% da frota nacional de veículos possui cobertura securitária. Além disso, milhões de pequenos empreendedores, produtores rurais e moradores de municípios do interior ainda encontram dificuldades para acessar produtos de proteção patrimonial e financeira. A expectativa é que a entrada das cooperativas contribua para ampliar a oferta desses serviços, especialmente em localidades menos assistidas.
A gerente geral de Negócios do Sistema OCB, Clara Maffia, destaca que o cooperativismo pode contribuir para ampliar o alcance do mercado de seguros ao combinar presença territorial, conhecimento das realidades locais e foco nas necessidades dos cooperados. “O cooperativismo tem uma característica muito importante: ele nasce das necessidades das pessoas e das comunidades. Essa proximidade permite identificar demandas específicas e desenvolver soluções alinhadas à realidade de cada região. No setor de seguros, isso pode representar mais acesso, mais informação e mais proteção para públicos que hoje ainda estão à margem desse mercado”, afirma.
Segundo Clara, a regulamentação também representa um avanço institucional para o setor ao estabelecer um ambiente mais estruturado para a atuação das cooperativas de seguros. “A nova legislação cria parâmetros claros para o funcionamento do segmento, fortalece a segurança jurídica e amplia as possibilidades de oferta de proteção financeira. É um passo importante para aumentar a concorrência, estimular a inovação e ampliar o acesso da população aos serviços securitários”, acrescenta.
Avanço
A aprovação da Lei Complementar 213/2025 contou com apoio da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) e de parlamentares ligados às pautas de inclusão financeira e modernização do mercado securitário.
A deputada Bia Kicis (DF), que acompanhou as discussões sobre a regulamentação das associações de proteção patrimonial e a inclusão das cooperativas no mercado de seguros, avalia que a medida amplia as alternativas disponíveis para consumidores que hoje permanecem fora do mercado tradicional. “Estamos criando um ambiente regulatório mais organizado e transparente, que oferece novas possibilidades para consumidores e para entidades que já atuavam em modelos mutualistas no país. O principal beneficiado será o cidadão, que passa a contar com mais opções de proteção e maior segurança jurídica”, destaca.
Presença global
A entrada das cooperativas no mercado de seguros aproxima o Brasil de uma realidade já presente em diversas economias ao redor do mundo. Em países como Estados Unidos, Canadá, França e Argentina, cooperativas seguradoras desempenham papel relevante na oferta de proteção patrimonial e financeira, especialmente em segmentos e regiões que demandam soluções mais próximas das necessidades dos usuários.
Levantamento da Federação Internacional de Cooperativas e Seguros Mútuos (ICMIF) mostra que existem atualmente cerca de 5 mil cooperativas e mútuas de seguros distribuídas por 79 países. Juntas, elas atendem mais de 333 milhões de pessoas, administram aproximadamente R$ 11 trilhões em ativos e respondem por cerca de 26% do mercado segurador mundial.
No Brasil, a regulamentação do setor abriu caminho para que o cooperativismo passe a atuar em um segmento onde já acumula experiência em áreas reguladas como crédito e saúde. Como reflexo desse novo cenário, o Sistema OCB aprovou, em março de 2025, a criação do Ramo Seguros durante Assembleia Geral Extraordinária realizada em Brasília, consolidando oficialmente esse segmento como um novo eixo de atuação do cooperativismo brasileiro.
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11/06/2026
Cooperativismo de seguros avança com regulamentação e mobiliza setor
Live do Sistema OCB marcou o início da nova fase de estruturação do segmento no país
O cooperativismo brasileiro deu mais um passo importante na consolidação do Ramo Seguros nesta quinta-feira (11), durante a live Cooperativismo de Seguros: a Resolução CNSP 492/2026 e os novos caminhos para o coop, promovida pelo Sistema OCB. O evento reuniu representantes do setor cooperativista e da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para detalhar os impactos da nova regulamentação e orientar cooperativas interessadas em atuar no mercado segurador.
A transmissão é um dos primeiros eventos públicos realizados após a aprovação da Resolução CNSP 492/2026, norma que regulamenta a atuação das cooperativas de seguros no Brasil e complementa os avanços trazidos pela Lei Complementar 213/2025. O encontro marcou o início de uma nova etapa para o setor: a estruturação das primeiras cooperativas de seguros brasileiras.
Na abertura, o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, destacou o caráter histórico da conquista e ressaltou que, após mais de uma década de articulações, o cooperativismo entra agora na fase de construção efetiva do novo ramo. “Vencemos a etapa legal e regulatória. Agora começa o trabalho de construir um ramo sólido, saudável, transparente e capaz de gerar resultados para as pessoas. Nosso objetivo é construir um modelo que beneficie diretamente quem está no centro do cooperativismo: o cooperado”, afirmou.
Márcio também agradeceu a parceria institucional construída com a Susep ao longo do processo regulatório e reforçou que o desenvolvimento do setor exigirá preparação técnica, formação de lideranças e fortalecimento da inteligência cooperativa. Segundo ele, o Sistema OCB seguirá oferecendo suporte às cooperativas interessadas em ingressar nesse mercado.
Ampliação da proteção securitária
Representando a Susep, o superintendente Alessandro Octaviani afirmou que a regulamentação das cooperativas de seguros responde a um desafio estratégico para o desenvolvimento nacional: ampliar a proteção securitária da economia brasileira.
Ao citar eventos climáticos recentes, como as enchentes no Rio Grande do Sul, as secas em São Paulo e os impactos das chuvas no Maranhão, Octaviani destacou a necessidade de expandir o acesso ao seguro no país. “Precisamos aumentar a resiliência securitária da economia brasileira. O cooperativismo surge como um parceiro fundamental para ampliar essa proteção, alcançar regiões onde o seguro ainda é pouco presente e contribuir para o desenvolvimento econômico e social”, declarou.
Segundo ele, a aprovação da Lei Complementar 213/2025 e da Resolução CNSP 492/2026 representa uma construção institucional conjunta entre governo, reguladores e movimento cooperativista.
Experiências bem-sucedidas
O diretor da Susep, Carlos Queiroz, apresentou os principais aspectos da regulamentação e destacou que o cooperativismo de seguros é uma realidade consolidada em diversos países. De acordo com dados da Federação Internacional de Cooperativas e Seguros Mútuos (ICMIF), cooperativas e entidades mutualistas respondem por cerca de 26% do mercado global de seguros. Em algumas economias desenvolvidas, como Estados Unidos, França e Alemanha, a participação supera 40%.
“O Brasil não podia ficar de fora desse movimento. Observamos o sucesso do cooperativismo de crédito, sua capacidade de gerar inclusão financeira e entendemos que era o momento de dar esse passo também no mercado de seguros”, defendeu. Queiroz também ressaltou que a regulamentação permite a atuação das cooperativas em praticamente todos os ramos de seguros destinados ao público em geral, mantendo restrições apenas para segmentos de maior complexidade e risco.
Outro destaque da norma é a adoção da estrutura cooperativista em três níveis — singulares, centrais e confederações — modelo inspirado no sistema cooperativo brasileiro de crédito e alinhado às necessidades do mercado segurador para compartilhamento e pulverização de riscos.
Inclusão e desenvolvimento regional
Durante o evento, a gerente geral de Negócios do Sistema OCB, Clara Maffia, reforçou que o cooperativismo tem potencial para ampliar o acesso aos seguros em regiões e segmentos ainda pouco atendidos pelo mercado tradicional.
Segundo ela, a chegada das cooperativas ao setor deve contribuir para ampliar a cultura de proteção, estimular a concorrência, promover inclusão e fortalecer economias locais. “O cooperativismo tem histórico de levar serviços onde outros modelos não chegam. Vemos isso no crédito, na saúde, no transporte e em diversos outros ramos. Agora temos a oportunidade de fazer o mesmo no mercado de seguros”, afirmou.
Clara salientou ainda que a regulamentação construída pela Susep respeita as especificidades do modelo cooperativista e cria condições para o desenvolvimento sustentável do setor, apoiado em princípios como governança, intercooperação e participação democrática.
Crescimento
A consultora do Sistema OCB para o tema, Angelica Carlini, apresentou detalhes da regulamentação e explicou como funcionará a estrutura das cooperativas de seguros. Ela considerou que o modelo aprovado preserva características centrais do cooperativismo brasileiro, como a organização em cooperativas singulares, centrais e confederações, e cria mecanismos capazes de garantir segurança jurídica, estabilidade operacional e adequada gestão de riscos. “Não existe dificuldade que não possa ser superada quando existe vontade de fazer bem feito. O cooperativismo tem experiência, governança e compromisso com as pessoas. Esses atributos serão fundamentais para o sucesso desse novo ramo”, afirmou.
Angelica lembrou ainda que a regulamentação contempla instrumentos importantes para o funcionamento do setor, como operações de cosseguro, resseguro, auditoria cooperativa e supervisão regulatória, criando bases sólidas para o desenvolvimento das futuras cooperativas de seguros.
Próximos passos
Além de esclarecer dúvidas sobre a nova regulamentação, a live marcou o início da agenda de apoio do Sistema OCB ao desenvolvimento do ramo. Entre as próximas entregas está a disponibilização de um modelo padrão de estatuto para cooperativas singulares de seguros, que servirá de referência para as organizações interessadas em iniciar suas operações.
A expectativa é que a regulamentação impulsione a formação das primeiras cooperativas de seguros do país e amplie a participação do cooperativismo em um mercado que movimenta trilhões de dólares no mundo e tem papel estratégico na proteção de pessoas, negócios e atividades econômicas.
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09/06/2026
Sistema OCB recebe ministro do Mapa para debater agenda do cooperativismo
Reunião reafirmou parceria na construção do próximo ciclo agrícola e de demandas do cooperativismo e setor agropecuário
A menos de um mês do lançamento oficial do Plano Safra 2026/27, o ministro da Agricultura e Pecuária (MAPA), André de Paula, esteve nesta terça-feira (9) na sede do Sistema OCB, em Brasília, para uma reunião com o presidente do Conselho de Administração, Márcio Lopes de Freitas, a presidente executiva Tania Zanella e a superintendente Fabíola Nader Motta. Participaram, ainda, o gerente técnico, João Prieto, e o coordenador do ramo agropecuário, Rodolfo Jordão.
A pauta concentrou os principais pleitos do setor para o próximo ciclo agrícola, e conforme explicou o presidente do Conselho de Administração, o peso dos números explica a relevância deles para o cooperativismo: são 1.172 cooperativas, mais de 1 milhão de produtores rurais e uma participação que chega a 50% da safra de grãos, 75% do trigo, 55% do café, 46% do leite e 50% dos suínos produzidos no país.
"O cooperativismo agropecuário é um parceiro estratégico do governo na produção, no armazenamento e na comercialização de alimentos. Por isso, é fundamental que as políticas do Plano Safra reconheçam essa realidade e ampliem as condições de financiamento para que os produtores e suas cooperativas possam continuar investindo e garantindo a segurança alimentar do país", afirmou o presidente Márcio.
Ele reforçou que o cooperativismo espera um Plano Safra 2026/27 que amplie o volume de crédito disponível, fortaleça os mecanismos de equalização de juros e garanta previsibilidade orçamentária para o seguro rural. O setor também defende ajustes nos critérios do Pronamp para contemplar um número maior de médios produtores e a criação de condições mais favoráveis para investimentos em armazenagem e agroindustrialização — pilares essenciais para agregar valor à produção.
A reunião também abordou o acesso a mercados internacionais, com atenção às negociações com a União Europeia e às barreiras comerciais norte-americanas. O Sistema OCB sinalizou, ainda, que pretende apresentar um projeto para contribuir na remodelagem de políticas públicas do setor. "Estamos construindo uma proposta para que elas sejam cada vez mais aderentes à realidade das cooperativas e dos produtores rurais", declarou Tania.
O ministro André de Paula reforçou o compromisso do MAPA com a agenda do setor e destacou o caráter estratégico da parceria. "Estar aqui é o gesto de apreço e a afirmação da importância desse setor. Trazer minha equipe é sinalizar que isso seguirá sendo assim — precisamos da parceria de vocês e estaremos sempre à disposição para trabalhar juntos", afirmou.
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25/03/2026
Transporte: coop debate descarbonização, seguros e governança
Reunião nacional alinhou prioridades e tratou de regulação, ESG e mercado
O Conselho Consultivo do Ramo Transporte se reuniu nesta segunda-feira (23) para discutir temas estratégicos e alinhar as principais pautas do setor para o ano. O encontro contou com a participação de representantes de 19 estados.
Entre os destaques da agenda estiveram a apresentação dos resultados dos programas do Sescoop, as novas exigências relacionadas à descarbonização e os desafios regulatórios enfrentados no mercado de seguros. Os debates mostraram a necessidade de adaptação das cooperativas às transformações em curso, com foco na competitividade e na sustentabilidade das operações.
Durante a reunião, a equipe técnica do Sescoop apresentou um panorama da adesão das cooperativas aos diagnósticos de Identidade, Governança e Gestão e ESG. Os conselheiros apontaram a importância de ajustar as ferramentas à realidade do Ramo Transporte, especialmente para atender cooperativas de menor porte.
Também foram apresentadas soluções desenvolvidas pelo Sistema OCB para apoiar as cooperativas na elaboração de inventários de emissões de gases de efeito estufa. A iniciativa busca preparar o setor para as exigências do mercado regulado de carbono, previsto para entrar em vigor em 2028.
No campo dos seguros, a reunião contou com a participação da especialista Angélica Carlini, que trouxe uma análise sobre os principais entraves enfrentados pelas cooperativas, como a duplicidade na contratação de seguros de roubo de carga. Também foram discutidas as oportunidades abertas pela regulamentação das cooperativas de seguros pela Susep. Como encaminhamento, o Conselho propôs a criação de um grupo técnico para estruturar um plano de negócios e avaliar a viabilidade de uma cooperativa de seguros voltada ao transporte.
Outros temas relevantes também estiveram na pauta, incluindo questões tributárias, regulatórias, concorrenciais e os desafios relacionados à renovação de frota no transporte de passageiros. A Medida Provisória 1.343/2026, que instituiu a fiscalização eletrônica de 100% dos fretes e trouxe alterações no Artigo 7º, também foi debatida. A norma gerou questionamentos sobre o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) em todas as operações e a manutenção de conquistas que cooperativismo de transporte já obteve no transporte de cargas
Diante disso, o Conselho solicitou análise técnica urgente da medida, com a elaboração de possíveis propostas de emenda para resguardar os interesses das cooperativas, especialmente no que diz respeito ao CIOT.
Para o coordenador nacional do Conselho Consultivo do Ramo Transporte, Evaldo Moreira Matos, o momento exige organização e visão estratégica do setor. “Estamos diante de um cenário de mudanças importantes, que exigem das cooperativas preparo técnico e alinhamento institucional. O Conselho cumpre um papel essencial ao reunir lideranças de todo o país para construir soluções conjuntas, fortalecer a representação do ramo e antecipar respostas aos desafios que já estão postos”, declarou.
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03/03/2026
“Cooperativas irão democratizar o acesso ao seguro no Brasil”, afirma diretor da Susep
Após um ano de trabalho, a regulamentação da Lei Complementar 213/2025, que amplia a atuação das cooperativas no mercado de seguros, está em fase final de validação na Superintendência de Seguros Privados (Susep) e as primeiras representantes do novo ramo Seguros devem começar a constituídas até a metade do ano. O processo teve apoio técnico e institucional do Sistema OCB.
A previsão é do diretor de Regulação Prudencial e Estudos Econômicos da Susep, Carlos Queiroz, que considera a lei um marco na democratização do acesso a seguros no Brasil. Segundo ele, a ampliação da participação do cooperativismo no setor poderá garantir a inclusão de mais brasileiros no mercado securitário, com preços mais competitivos e soluções mais adequadas às diferentes realidades do país.
“O cooperativismo de seguros vai ser tão bom ou mais bem-sucedido do que o cooperativismo de crédito, porque existe muita sinergia nesses dois mercados e o cooperativismo já vai entrar no seguro com uma boa experiência”, comparou Queiroz em entrevista exclusiva ao Sistema OCB.
Para chegar a um texto final que contemple as particularidades do modelo cooperativista, o diretor da Susep afirma que o Sistema OCB teve papel fundamental e que as duas instituições trabalharam em colaboração para construir normas alinhadas aos interesses da sociedade brasileira.
Leia a entrevista completa:
Sistema OCB: Como está o processo de regulamentação da LC 213/2025?
Carlos Queiroz: Após o advento da lei, a Susep instaurou um grupo de trabalho interno, compreendeu a sua visão de como poderia ser o cooperativismo de seguros e chamou a OCB, como a grande entidade representativa deste segmento, para primeiro ouvir como é o cooperativismo na visão dos cooperados. E isso foi muito importante, porque uma coisa é a Susep em um segmento que não tem experiência, outra coisa é a visão daquele que opera aquele mercado. Desde o começo, eu tinha conversado com a OCB que a gente ia precisar muito da experiência deles e do conhecimento deles para entender, principalmente, aquilo que diferencia uma sociedade empresária de uma sociedade cooperativa. A ideia sempre foi que, aqui na Susep, a gente aportaria o conhecimento do seguro, o conhecimento da técnica, o conhecimento da prudência, o conhecimento da previsão, o conhecimento da conduta, aquilo que faz o mercado de seguros funcionar bem sob a supervisão da Susep, mas a gente esperava receber da OCB a visão daquilo que é um bom cooperativismo, um cooperativismo que funciona, um cooperativismo que dá resultado, um cooperativismo que atende aos princípios cooperativos.
Foi um jogo de ganha-ganha. A gente deu, recebeu e construímos, de fato, um texto final. Ele foi à consulta pública, recebemos uma série de sugestões. Agora, esse texto construído a muitas mãos está na etapa de avaliação do nosso jurídico. Em breve, deve ser submetido ao Conselho Diretor da Susep e, uma vez aprovado, seguirá para a aprovação do Conselho Nacional de Seguros Privados, que é o órgão regulador.
Qual a previsão de entrada das novas cooperativas de seguros no mercado?
Nossa previsão é que entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026 a Susep já possa receber pedidos de autorização para constituição das cooperativas de seguros. Temos uma expectativa muito positiva de que tenhamos cooperativas de seguros autorizadas ainda este ano.
Quais as expectativas do mercado de seguros com a chegada das cooperativas?
Temos uma confiança muito grande de que o cooperativismo de seguros vai ser tão bom ou mais bem-sucedido do que o cooperativismo de crédito, porque existe muita sinergia nesses dois mercados e o cooperativismo já vai entrar no seguro com uma boa experiência no cooperativismo de crédito. O cooperativismo financeiro hoje é um segmento consolidado e que tem um crescimento muito grande, então eu acho que o cooperativismo vai entrar no mercado de seguros já com uma série de lições aprendidas e com muito mais facilidade.
Quais são os impactos financeiros esperados com a chegada das coops no mercado de seguros?
Do ponto de vista financeiro, a gente espera que esse arranjo, na medida em que ele for amadurecendo, tenha condições de ofertar boas coberturas a bons preços, coberturas que atendam a necessidade do cooperado por um preço acessível. Estamos falando aqui de melhora nas condições de concorrência, o que pode se traduzir em melhores preços para todos. Do ponto de vista prudencial, a gente espera que o cooperativismo chegue como está no segmento de crédito, com capacidade financeira para atender às regras e requisitos de solvência e à constituição de provisões, que é o que dá o suporte para a sustentabilidade do negócio.
Como as cooperativas podem democratizar o acesso a seguros para os brasileiros?
A cooperativa, por estar mais próxima, por conhecer a realidade local, tem condição de desenhar soluções de seguro, cobertura e produtos mais adaptados às necessidades dos seus cooperados e segurados. Essa característica da cooperativa de conhecer bem o seu cooperado, de conhecer bem o seu cliente, tem tudo para fomentar desenhos de melhores produtos, mais adequados à necessidade e, quando isso acontece, também melhora o preço.
Naquela cidade pequena de 5 mil ou 10 mil habitantes, já existe uma agência de uma determinada cooperativa que já vende o produto seguro. Agora, a diferença é que essa cooperativa vai poder vender o da sua cooperativa de seguros. A aposta é que o aprofundamento desse regime ou dessa sistemática traga ali um benefício de democratização do acesso, com certeza.
As cooperativas de seguros poderão oferecer preços mais competitivos?
Sim, porque determinadas coberturas que são desnecessárias não vão ser oferecidas, mas aquelas coberturas que de fato são essenciais para aquele público, para aquele segmento, são as que vão ser oferecidas. Isso traz eficiência para o sistema, porque você concentra naquilo que é principal. Não tenho dúvida de que produtos mais adequados, melhores preços e também a proximidade característica do cooperativismo tendem a se traduzir num tratamento mais próximo, mais humanizado, talvez até mais justo do cooperado. Porque afinal aquela cooperativa também é dele. Existe também um sentimento de pertencimento e o tratamento que a cooperativa dá ao seu cooperado tende a ser diferenciado. Então, vejo melhorias no atendimento, no preço e no desenho do produto oferecido.
Quais os principais desafios do mercado de seguros hoje?
Com o uso intensivo das tecnologias, o risco cibernético se mostra como um desafio grande, assim como o armazenamento adequado dos dados dos clientes. Temos também os riscos de sustentabilidade, aqueles relacionados à própria transformação, além do desafio de sempre aprimorar a governança das instituições. Uma seguradora, seja ela empresária ou cooperativa, não pode atuar com uma governança frágil, com controles frágeis, com sistemas simples. Ela precisa dar conta desses diversos riscos que compõem o nosso segmento. O negócio do seguro é o tratamento do risco, a proteção do risco e a proteção do interesse das pessoas.
Como as cooperativas podem preencher essas lacunas?
Vejo cooperativas com uma posição de destaque na questão da sustentabilidade e da educação financeira, de utilizar a sua estrutura para fomentar esse tipo de conhecimento que as gerações passadas não tiveram formalmente na educação. As cooperativas também têm bastante preocupação com a questão tecnológica. As cooperativas de crédito, por exemplo, atendem requisitos do Banco Central que são muito exigentes para o funcionamento do mercado de crédito, então elas já têm uma boa estruturação. Existe também essa articulação de querer trazer para o Brasil aquilo que de melhor as cooperativas estão fazendo no resto do mundo e é importante destacar que as cooperativas têm uma participação muito importante na produção dos seguros a nível mundial. E esta importação de conhecimento e de experiência vai ocorrer de um bom modo. Desde o começo, vamos construir um mercado sustentável, que funciona bem, um mercado seguro.
Saiba mais sobre as cooperativas de seguros no Guia prático para entender o seguro cooperativo e mútuo, publicado pelo Sistema OCB.
Notícias eventos
18/11/2025
Brasil debate cultura do seguro e inovação cooperativa na COP30
Fórum evidencia urgência de fortalecer atuação frente aos eventos climáticos extremos
A Casa do Seguro na COP30 debateu, nesta segunda-feira (17), a urgência de ampliar o acesso ao seguro e fortalecer a atuação das cooperativas em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais desafiador. A abertura do Fórum de Sustentabilidade em Cooperativismo e Seguros reuniu lideranças nacionais e internacionais para discutir caminhos que garantam proteção, resiliência e segurança alimentar ao país.
Na abertura, Tania Zanella, superintendente do Sistema OCB e presidente do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), destacou a conquista histórica que permite que cooperativas brasileiras atuem no modelo securitário, uma agenda construída em parceria com a CNseg e aprovada esse ano no Congresso Nacional. “Durante décadas, as cooperativas foram impedidas de operar em seguros no Brasil. Com muito diálogo e articulação, conseguimos mudar esse cenário. Agora, temos a oportunidade de transformar também a cultura do seguro no nosso país, como já acontece em diversos lugares do mundo”.
Ela reforçou que o cooperativismo brasileiro tem resultados concretos que merecem ser conhecidos. “As cooperativas que vão passar por aqui mostram todos os dias o quanto estão transformando a vida dos brasileiros. Temos desafios grandes, especialmente no seguro rural, que precisa de uma reestruturação profunda. Mas seguimos com coragem e estratégia para avançar”, complementou.
Seguro rural e cooperativismo: protegendo o futuro da alimentação
O primeiro painel da tarde discutiu como o seguro rural e o cooperativismo são fundamentais para garantir a estabilidade da produção e a segurança alimentar, especialmente em países em desenvolvimento. Moderado por Clara Maffia, gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, o encontro reuniu especialistas do Brasil e do exterior.
Para Andres Elola, presidente da Federação Internacional de Cooperativas e Seguros Mútuos -ICMIF Américas e gerente-geral da Surco Seguros, o cooperativismo e o seguro compartilham a mesma lógica de solidariedade, apoio mútuo e gestão responsável. “O seguro é ideal para o cooperativismo. Eles compartilham valores e propósitos. E isso fica evidente quando os problemas aparecem. Governança sólida, dispersão do risco e foco no bem comum tornam o modelo altamente eficiente”.
Elola ressaltou que eventos extremos estão mudando a dinâmica global e ampliando a necessidade de mecanismos de proteção. “Há muito por fazer, mas o mundo cooperativo tem força: 26% da oferta de seguros no mundo é regulada pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI). No Brasil, as cooperativas já são responsáveis por 50% da produção de grãos no agro. Não tem como falar em seguro rural sem falar em cooperativismo.”
A experiência da Coopercitrus foi apresentada pelo presidente do Conselho de Administração, Matheus Marino, que detalhou como a cooperativa utiliza tecnologia, assistência técnica e proximidade com o produtor para reduzir riscos e ampliar a prosperidade no campo. “O seguro é parte essencial da gestão do negócio. Como estamos no dia a dia das propriedades, conhecemos solo, clima, genética, manejo e o nível de capacitação do produtor. Isso reduz muito o risco. E quando reduz o risco, reduz o custo da operação. Para o cooperado, isso faz toda a diferença”, explicou.
Ele lembrou ainda que a adoção de práticas ambientais também depende de instrumentos de proteção. “Se queremos estimular restauração, emissão de títulos verdes e serviços ambientais, precisamos de seguros específicos que deem sustentação a compromissos de longo prazo. Sem isso, muitas iniciativas não conseguem avançar.”
O painel contou também com a participação de Leonardo Botelho Ferreira, chefe do Departamento de Relacionamento Internacional do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que destacou que a entidade já destina quase 20% de seus repasses via cooperativas, número que tem crescido ano a ano. “As cooperativas chegam aonde as instituições tradicionais não chegam e, por isso, são tão estratégicas. Em um cenário de maior risco climático, o seguro se torna essencial para proteger o balanço das instituições financeiras e garantir acesso ao crédito com condições melhores”, declarou.
O deputado Fernando Monteiro (PE) reforçou o desafio de modernizar a legislação e acelerar a regulamentação de instrumentos que deem segurança ao produtor. “Precisamos aprender a conviver com as mudanças climáticas, não a combatê-las. O seguro rural é fundamental para garantir produção, renda e segurança alimentar. E precisamos avançar em temas como seguro de catástrofe e políticas que premiem quem contrata seguro”, salientou.
Cooperativismo e mercado segurador frente aos desastres climáticos
O painel seguinte tratou da integração entre o cooperativismo e o mercado segurador na gestão de riscos climáticos e na recuperação de territórios impactados. O subsecretário do Ministério da Fazenda, Vinicius Brandi, destacou que cooperativas têm maior facilidade em adotar práticas sustentáveis e gerar ganhos de eficiência compartilhados. “A força da coletividade traz resultados. Seguro e cooperativismo, cada um à sua maneira, promovem inclusão, governança, prevenção e resiliência. E isso está totalmente alinhado com a agenda econômica sustentável do país.”
Para Ivo Kanashiro, superintendente de Sustentabilidade da Mapfre, o seguro é hoje o principal mecanismo financeiro de adaptação climática. “Sem seguro, não existe adaptação. O setor tem expertise para analisar riscos e usar tecnologia e dados — inclusive inteligência artificial — para proteger negócios e democratizar o acesso à informação. Quem ganha é o produtor, que passa a entender melhor seu próprio risco”, disse.
Alexandre Englert Barbosa, diretor executivo de Estratégia, Sustentabilidade, Administração e Finanças do Sicredi, reforçou o impacto do cooperativismo na resposta a desastres, citando a atuação no Rio Grande do Sul e no recente tornado no Paraná. “O seguro traz tranquilidade ao associado no momento mais difícil. E a cooperação faz o resto: conectar pessoas, agilizar soluções e reconstruir comunidades. Temos muito a avançar em cultura de seguro no país, mas a COP30 mostra que estamos no caminho”, argumentou.
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13/10/2025
Cooperativismo integra agenda climática da Casa do Seguro na COP30
Evento da CNseg destacou parceria do cooperativismo e participação em painéis do evento global
A parceria com o cooperativismo brasileiro foi um dos pontos altos do evento Pré-COP30 – A Casa do Seguro, promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), nesta quarta-feira (8), em Brasília. O encontro lançou oficialmente a participação do setor de seguros na COP30, com a criação de um espaço físico próprio – a Casa do Seguro – que sediará debates e painéis diários durante o evento global sobre clima, em Belém (PA).
Clara Maffia, gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, participou do painel Seguros como instrumento de proteção social. A discussão reuniu Júlia Normande Lins, diretora técnica da Susep; Nicolás Morales, gerente regional para a América Latina e Caribe da Microinsurance Network; e Alexandre Leal, diretor técnico e de estudos da CNseg, que atuou como moderador. O debate abordou como o setor pode contribuir para reduzir a vulnerabilidade socioeconômica diante dos eventos climáticos extremos.
“Foi um evento muito importante, que marcou o lançamento oficial da Casa do Seguro na COP30. O Sistema OCB é parceiro dessa iniciativa e um dos dias de programação em Belém será totalmente dedicado ao cooperativismo, com foco nas cooperativas de seguros”, destacou Clara.
Modelo cooperativo
Durante sua participação, Clara apresentou o potencial do modelo cooperativo para ampliar o acesso à proteção securitária e fortalecer a resiliência de comunidades vulneráveis. Ela respondeu a duas questões centrais: o papel das cooperativas na construção dessa resiliência e os desafios para ampliar o acesso aos seguros inclusivos no Brasil.
Ao tratar do primeiro ponto, a gerente destacou que o diferencial das cooperativas está na forte presença comunitária e territorial, que permite compreender de perto as vulnerabilidades de cada região e oferecer soluções sob medida. “As cooperativas são, por natureza, instrumentos de inclusão. Elas têm uma atuação enraizada nas comunidades, o que as torna essenciais para desenvolver seguros acessíveis e adequados a grupos historicamente excluídos do mercado tradicional”, explicou.
Clara também ressaltou o papel das cooperativas na educação financeira e securitária, no incentivo à criação de fundos mutualistas comunitários e no uso de tecnologia e dados climáticos para estruturar produtos inovadores, como microseguros e seguros paramétricos voltados a agricultores familiares, comunidades ribeirinhas e periferias urbanas.
Na segunda questão, sobre os obstáculos para ampliar a resiliência da população, a gerente apontou que a baixa cultura de proteção securitária, a exclusão financeira e as mudanças climáticas em ritmo acelerado são os principais desafios. Segundo ela, esses entraves exigem uma estratégia conjunta de educação, inovação regulatória e parcerias intersetoriais. “Ampliar o acesso ao seguro no Brasil passa por fortalecer a cultura de prevenção, criar produtos proporcionais à realidade das pessoas e fomentar ecossistemas colaborativos entre cooperativas, seguradoras tradicionais, governos e sociedade civil”, afirmou.
Cenário
O painel também foi espaço para destacar o avanço do cooperativismo de seguros no Brasil. Após a aprovação da Lei Complementar 213/2025, que ampliou a participação das cooperativas no mercado brasileiro, o Sistema OCB instituiu o 8º Ramo do cooperativismo – o de Seguros. Com a nova norma, as cooperativas passam a poder atuar em praticamente todos os ramos de seguros privados, além dos agrícolas, de saúde e de acidentes de trabalho, em que já possuíam autorização.
No cenário internacional, as cooperativas e mútuas de seguros já somam 5 mil instituições em 79 países, que empregam 230 mil pessoas e atendem a 340 milhões de membros, com ativos que ultrapassam R$ 11 trilhões, segundo dados da ICMIF.
O Sistema OCB tem acompanhado de perto o processo de regulamentação conduzido pela Susep, participando de grupos de trabalho sobre seguros e catástrofes. “Estamos satisfeitos de ver que a proposta regulatória brasileira se inspira no modelo cooperativista de crédito, que tem crescido de forma sustentável e competitiva. As cooperativas de seguros terão papel central na construção de soluções inovadoras diante das mudanças climáticas”, completou Clara.
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09/09/2025
V Seminário Jurídico: seguros e reforma tributária são destaques
Evento discutiu governança, regimes específicos e desafios das novas legislações
O V Seminário Jurídico do Sistema OCB, realizado nesta terça-feira (9), trouxe ao centro do debate os aspectos jurídicos e societários das cooperativas de seguros, além de um amplo painel sobre os impactos da reforma tributária no cooperativismo. Juristas, autoridades da Receita Federal e dos governos federal e estaduais apresentaram análises sobre governança, regimes específicos e inovações que estão sendo implementadas com a nova legislação.
Seguros
A advogada e consultora jurídica, Angélica Carlini, destacou que a atividade securitária tem total afinidade com os princípios cooperativistas, por estar baseada em solidariedade e mutualismo. Ela explicou que a Lei Complementar nº 213/2025 estabeleceu novas exigências de governança para cooperativas que atuarão nesse segmento, incluindo conselhos de administração, diretorias e conselhos fiscais, lembrando que a regulamentação dessas exigências deverá ser proporcional ao porte e à complexidade das operações. “No seguro, dois pontos exigem máxima transparência: a subscrição de riscos e a regulação de sinistros. Sem governança adequada, esses processos não se sustentam”, ressaltou.
Na mesma linha, o diretor da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Carlos Roberto Alves de Queiroz, reforçou a confiança da autarquia no papel do cooperativismo dentro do mercado segurador. “O cooperativismo mostrou estar preparado para assumir uma função relevante na sociedade, e a Susep está convicta de que ele terá protagonismo no setor. A Lei Complementar 213 trouxe dispositivos importantes para garantir solvência e segurança, e vejo que o aspecto de conduta de mercado será uma contribuição essencial da comunidade jurídica cooperativista”, afirmou.
Reforma Tributária
O secretário extraordinário da Reforma Tributária, Bernard Appy, trouxe uma abordagem técnica sobre a incidência do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Ele explicou que a neutralidade tributária é um princípio que precisa ser respeitado, evitando que o uso da cooperativa seja desincentivado. “O conceito é que o imposto não deve prejudicar ou favorecer formas específicas de organização econômica. O desafio é aplicar isso em um sistema onde parte dos cooperados não está no regime regular de débito e crédito, o que gera complexidade”, apontou.
Em seguida, José Evande Carvalho Araújo, consultor da Câmara dos Deputados, apresentou um panorama histórico das tentativas de reforma desde 1988 até a aprovação da Emenda Constitucional 132/2023. Ele elencou críticas ao sistema atual, como carga elevada, regressividade e guerra fiscal, e mostrou como o modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) moderno busca simplificar, ampliar a base de incidência e reduzir litígios.
Na visão de Vanessa Canado, coordenadora do Núcleo de Tributação do Insper, essa mudança tem ligação direta com o contencioso das cooperativas: 67% das decisões judiciais analisadas tratam de tributos que serão substituídos pela nova sistemática. “Um bom desenho legal do IVA é essencial para reduzir disputas e dar segurança jurídica ao setor”, observou.
O auditor fiscal da Receita Federal, Fernando Mombelli detalhou o regime específico das sociedades cooperativas previsto na legislação. Ele lembrou que a Constituição exige tratamento adequado ao ato cooperativo, e que a lei complementar recente permite aplicar alíquota zero em operações entre cooperados e cooperativas, assegurando neutralidade.
Split Paymentt
No período da tarde, o evento contou com a participação de Sheyne Leal, integrante do Grupo de Trabalho do Split Payment no Programa de Assessoramento Técnico à Implementação da Reforma da Tributação do Consumo (PAT-RTC). A especialista explicou o funcionamento dessa metodologia de pagamento, que será central na operacionalização do novo sistema de tributação do consumo no Brasil.
Segundo ela, o Split Payment tem como base a Lei Complementar nº 214/2025, que determina como os débitos do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) serão pagos. O modelo exige que o valor da operação seja automaticamente fracionado, garantindo transparência e rastreabilidade no recolhimento dos tributos.
O processo envolve diretamente fornecedor e adquirente: enquanto a transação é realizada, a parcela correspondente aos impostos é separada e destinada ao Comitê Gestor do IBS e à Receita Federal. Para isso, de acordo com Sheyne, estão previstas três modalidades de aplicação: a inteligente, em que o contribuinte informa os valores e eventuais excessos são ajustados em até três dias úteis; a superinteligente, em que o próprio governo calcula os valores, levando em conta créditos e pagamentos anteriores; e a simplificada, que utiliza percentuais pré-estabelecidos sobre a transação.
A implementação do modelo será gradual, começando pelas operações business-to-business (B2B) e em caráter opcional. Para a especialista, um dos pontos mais desafiadores será a integração dos sistemas de pagamento — como boleto, Pix e TED — ao mecanismo de divisão automática dos tributos.
Ela destacou ainda os princípios que orientam a adoção do Split Payment, como a necessidade de minimizar impactos financeiros, assegurar a fluidez no caixa das empresas e reduzir riscos operacionais. “A proposta é modernizar a arrecadação sem comprometer a atividade econômica, trazendo mais segurança jurídica para todos os envolvidos”, afirmou.
Painéis simultâneos
Encerrando a programação, o seminário promoveu três painéis simultâneos, cada um dedicado a um setor específico: instituições financeiras, operadoras de saúde e agropecuário.
No painel de instituições financeiras, advogados e dirigentes de cooperativas de crédito discutiram como os regimes específicos previstos na lei complementar dialogam com a atuação dessas entidades, em especial no que se refere à neutralidade do ato cooperativo e à competitividade das cooperativas de crédito.
O debate sobre operadoras de saúde reuniu especialistas em direito tributário e representantes de cooperativas de saúde. O grupo analisou como o novo sistema de tributação pode impactar os custos assistenciais, a sustentabilidade do modelo e a preservação da lógica mutualista na prestação de serviços de saúde.
Já o painel do setor agropecuário, que contou com tributaristas e especialistas, teve como foco a operacionalização da alíquota zero nas operações entre cooperados e cooperativas, a transição para o IVA e os desafios para manter a competitividade do agronegócio brasileiro no cenário global.
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25/08/2025
Sistema OCB e Susep alinham regulação para cooperativas de seguros
Encontro discutiu novos modelos societários e parceria institucional entre as entidades
Na última quinta-feira (21), o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, recebeu, na sede da entidade, o superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Alessandro Octaviani. A reunião marcou um passo importante para o avanço da regulamentação e do fortalecimento da atuação das cooperativas no setor securitário brasileiro.
Durante o encontro, Octaviani apresentou um panorama das principais mudanças legais e regulatórias ocorridas em 2024 e 2025, bem como o esforço da Susep em preparar o setor para recepcionar novos modelos societários que deverão compor o mercado de seguros nos próximos anos. Ele destacou a importância do cooperativismo como alternativa inovadora e democrática para a ampliação da oferta de serviço.
Segundo o superintendente, a Susep está empenhada em assegurar um ambiente regulatório adequado às especificidades do cooperativismo, favorecendo tanto a solidez quanto a competitividade. Nesse sentido, ele antecipou que, nos próximos dois meses, a regulamentação voltada especificamente às cooperativas de seguros deve entrar em consulta pública, um avanço aguardado por todo o setor.
O presidente Márcio ressaltou a relevância dessa agenda e a necessidade de construir um ambiente institucional seguro para o desenvolvimento das novas cooperativas. “A regulação é um marco essencial para que as cooperativas de seguros possam nascer e se consolidar com solidez, transparência e segurança jurídica. O que estamos discutindo aqui é uma base que permitirá ao cooperativismo ampliar sua atuação em um setor estratégico para a sociedade brasileira”, afirmou.
Ele lembrou ainda que o cooperativismo já tem atuação consolidada em outros segmentos regulados, como o crédito e a saúde, o que reforça sua capacidade de se adaptar e prosperar em ambientes de alta exigência normativa. “Nestes segmentos, o cooperativismo brasileiro já mostrou sua força e sua capacidade de oferecer soluções competitivas e inclusivas. Temos confiança de que o mesmo acontecerá no setor de seguros, desde que estejamos amparados por uma regulação moderna e adequada”.
A reunião também foi uma oportunidade para consolidar a parceria institucional entre o Sistema OCB e a Susep. “Estamos iniciando uma relação muito positiva com a Superintendência, baseada em diálogo, confiança e respeito mútuo. Essa parceria é fundamental para que as cooperativas de seguros surjam fortes e bem estruturadas, prontas para atender às demandas da sociedade”, reforçou o presidente.
O Sistema OCB se comprometeu a acompanhar de perto os próximos passos do processo regulatório, oferecendo suporte técnico às cooperativas já existentes e orientando novos grupos interessados em constituir cooperativas de seguros. A entidade também seguirá atuando como interlocutora qualificada junto à Susep, para que as especificidades do modelo cooperativo estejam refletidas na regulamentação.
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25/08/2025
No 3º Workshop de Seguros, cooperativismo evidencia papel na transição climática
Sistema OCB reforça contribuição do setor para resiliência e sustentabilidade
O 3º Workshop de Seguros para Jornalistas, promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), reuniu especialistas, autoridades e representantes de diversos setores nesta sexta-feira (22), no Rio de Janeiro. O encontro teve como foco os desafios da transição climática e o papel do seguro na construção de resiliência frente aos eventos extremos que afetam cada vez mais a sociedade e a economia.
O Sistema OCB foi representado por Alex Macedo, coordenador de Meio Ambiente, que apresentou a visão do cooperativismo para a agenda climática e destacou propostas que podem fortalecer a proteção de produtores e comunidades frente às mudanças globais.
Segundo Alex, o cooperativismo brasileiro já atua de forma estruturada em iniciativas de mitigação e adaptação, com projetos em eficiência energética, neutralidade de carbono e inovação em modelos produtivos. No campo dos seguros, ele ressaltou que a ampliação da proteção e da previsibilidade orçamentária do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) é um passo essencial para garantir segurança alimentar e estabilidade econômica.
“As cooperativas estão na linha de frente da produção de alimentos e da geração de energia limpa. Para que possam continuar a exercer esse papel estratégico, é fundamental que os instrumentos de seguros climáticos sejam fortalecidos e acessíveis. O risco climático não é mais um evento isolado, mas uma realidade contínua que exige redes de proteção cada vez mais robustas”, afirmou.
De acordo com dados da CNSeg, os eventos climáticos extremos expõem uma lacuna preocupante na cobertura securitária. Em 2024, as perdas globais chegaram a US$ 368 bilhões, mas apenas 40% desse valor estavam segurados, o que deixou um déficit de proteção de cerca de US$ 211 bilhões. No Brasil, a situação é semelhante: entre 2013 e 2022, os prejuízos no setor privado somaram R$ 320 bilhões, 90% concentrados na agricultura e pecuária. Mesmo diante desse cenário, apenas 7,7% da área agrícola cultivada do país conta hoje com seguro rural, o que evidencia a importância de fortalecer programas como o PSR e discutir novas soluções, como o Seguro Social Catástrofe, voltado para grandes desastres. As enchentes no Rio Grande do Sul, por exemplo, geraram perdas estimadas em R$ 100 bilhões, mas apenas 6% desse total estavam amparados por seguros
Durante sua participação, o coordenador destacou ainda que o reconhecimento das cooperativas como atores estratégicos da política climática é indispensável. Isso inclui tanto a valorização de práticas sustentáveis quanto a ampliação do acesso a mecanismos de financiamento verde e ao mercado de créditos de carbono.
O representante do Sistema OCB também apresentou propostas que deverão ser defendidas pelo movimento cooperativista na COP30, a ser realizada em Belém, em 2025. Entre elas, a criação de um seguro social catástrofe, voltado a eventos de grande impacto, e o desenvolvimento de sistemas avançados de monitoramento e alerta precoce, capazes de reduzir perdas e melhorar a resiliência das comunidades.
“O cooperativismo oferece soluções práticas e inovadoras para enfrentar a crise climática. Ao integrar seguros, financiamento e sustentabilidade, mostramos que é possível proteger o presente e construir um futuro mais resiliente para todos”, completou.
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04/07/2025
Conselho do Ramo Transporte debate avanços e estratégias para o setor
Reunião abordou desdobramentos da missão à China e desafios em licitações
O Conselho Consultivo do Ramo Transporte realizou, nesta quarta-feira (3), reunião para tratar de temas estratégicos para o desenvolvimento do setor. O encontro abordou desde a regulamentação do cooperativismo de seguros até os desdobramentos da missão técnica à China e os desafios enfrentados por cooperativas em licitações públicas. O objetivo foi alinhar a atuação do Sistema OCB com as demandas do ramo e fortalecer o papel das cooperativas do setor no mercado.
O primeiro tema em pauta foi o cooperativismo de seguros, o 8º ramo do cooperativismo criado este ano. A equipe técnica do Sistema OCB apresentou aos conselheiros o andamento das discussões junto à Superintendência de Seguros Privados (Susep) para regulamentação do segmento. Também foram expostos o plano de ação sistêmico e reflexões sobre as possibilidades de integração entre o ramo transporte e o de seguros.
“Nosso intuito foi provocar uma reflexão sobre como o cooperativismo de transporte pode, no futuro, se beneficiar e atuar de forma integrada ao ramo de seguros. Apresentamos o nosso planejamento e ouvimos as contribuições dos conselheiros para pensar estratégias conjuntas”, destacou Tiago Barros, analista técnico da Gerência de Relações Institucionais do Sistema OCB.
Outro ponto de destaque foi a apresentação dos resultados da Missão de Estudos do Ramo Transporte à China, realizada em maio deste ano. A iniciativa reuniu representantes de 13 estados brasileiros em visitas técnicas, reuniões institucionais e imersões em tecnologia e mobilidade. Entre os desdobramentos, já há cooperativas em processo de importação de equipamentos como câmeras de identificação facial e caminhões elétricos, além de articulações para aquisição coletiva de pneus.
“O que vimos após a missão à China é um movimento concreto das cooperativas para transformar o aprendizado em oportunidades comerciais. Há cooperativas buscando importações conjuntas e até o desenvolvimento de produtos com marca própria”, acrescentou Evaldo Matos, coordenador do Conselho Consultivo do Ramo Transporte.
Durante o encontro, a equipe técnica também apresentou os resultados preliminares da 1ª Pesquisa sobre a Participação de Cooperativas em Licitações Públicas. O levantamento revelou dados importantes sobre os desafios enfrentados pelo setor para acessar certames públicos e reforçou a necessidade de atuação institucional para ampliar a representatividade das cooperativas.
Entre as demais demandas discutidas estiveram situações envolvendo a relação entre cooperado e cooperativa, questões ligadas a produção do cooperado, dentre outros aspectos. Para aprofundar o debate, o colegiado aprovou a criação de um grupo de trabalho que analisará os casos e proporá encaminhamentos.
Houve ainda alinhamento sobre a agenda com o Sest/Senat para tratar do atendimento a cooperados em alguns estados e a necessidade de abrir diálogo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sobre aplicação de multas a cooperativas.
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28/05/2025
Missão técnica à Argentina busca fortalecer Ramo Seguros
Delegação conheceu boas práticas no país vizinho e reforçou diretrizes para o setor no Brasil
Entre os dias 21 e 23 de maio, o Sistema OCB coordenou uma missão técnica à Argentina com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre o funcionamento das cooperativas de seguros naquele país, onde o modelo já é consolidado e representa uma importante fatia do mercado.
A viagem, organizada no contexto da recente promulgação da Lei Complementar (LC) 213/2025, que regulamenta a atuação de cooperativas de seguros no Brasil, teve como foco a troca de experiências e a formulação de diretrizes para a construção de um setor forte e resiliente também em território nacional.
A delegação brasileira foi composta por representantes do Sistema OCB e do Ramo Crédito. A missão integra as ações estratégicas do grupo de intercooperação do cooperativismo de crédito, que vem debatendo o modelo de negócios, aspectos regulatórios e a viabilidade econômica dessas futuras cooperativas. “Nesse cenário, a experiência argentina surgiu como uma referência concreta e inspiradora, já que o país vizinho abriga cooperativas centenárias que se destacam em competitividade, governança, capitalização e inovação”, destacou Clara Maffia, gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, presente na missão.
A programação começou com uma visita ao Edifício Corporativo da Sancor Seguros, em Sunchales, uma das maiores e mais tradicionais cooperativas do setor na Argentina. Os participantes foram recebidos pela diretoria da organização e puderam conhecer sua trajetória, seus desafios e seu modelo de governança, além de sua estrutura de capital e atuação social.
No dia 22, em Rosário, a delegação visitou o Grupo La Segunda, outro importante player do mercado cooperativo de seguros argentino, e a cooperativa Segurometal. As visitas permitiram compreender a diversidade de atuação das cooperativas argentinas, que ocupam nichos estratégicos e oferecem soluções inovadoras com alto grau de eficiência.
No último dia da missão a delegação esteve em Buenos Aires para uma reunião com a Associação Argentina de Cooperativas e Mútuas de Seguros (AACMS), entidade que representa boa parte das cooperativas do setor no país. O grupo também conheceu a atuação da Stop Loss Bureau de Resseguro e da Segurcoop, uma cooperativa moderna com atuação nacional.
“A missão foi extremamente rica. Conhecer um mercado onde as cooperativas de seguros são líderes e operam com solidez reforça que o modelo é viável e promissor. Saímos da Argentina com mais clareza sobre os caminhos possíveis para estruturar, no Brasil, cooperativas que nasçam fortes, conectadas à intercooperação e preparadas para competir em pé de igualdade no setor de seguros”, acrescentou Clara.
Ao longo dos três dias, os participantes discutiram aspectos regulatórios, estrutura de capital, governança, ferramentas de resseguro, sustentabilidade do negócio e os desafios enfrentados pelas cooperativas argentinas — muitos dos quais semelhantes aos que o Brasil deverá enfrentar nos próximos anos, com o avanço da regulamentação junto à Susep (Superintendência de Seguros Privados).
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26/05/2025
Artigo: um novo tempo para o mercado de seguros no Brasil
O Portal Jota publicou nesta segunda-feira (26), artigo assinado pelo presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, sobre o novo Ramo Seguros.
O texto celebra a sanção da Lei Complementar 213/2025 como um marco histórico para o cooperativismo brasileiro, ao integrar formalmente as cooperativas de seguros ao Sistema Nacional de Seguros Privados. Também destaca que a medida fortalece a inclusão securitária, especialmente para populações vulneráveis, e posiciona as cooperativas como agentes de desenvolvimento econômico, com foco em soluções justas, locais e humanas.
Confira o artigo completo:
Um novo tempo para o mercado de seguros no Brasil
Márcio Lopes de Freitas
A história do cooperativismo brasileiro alcançou mais um capítulo decisivo com a sanção da Lei Complementar 213/2025, que integra formalmente as cooperativas de seguros ao Sistema Nacional de Seguros Privados.
Esse é um marco legal histórico que vai além de uma simples abertura de mercado. Ele representa a possibilidade real de democratização do acesso à proteção e à segurança financeira no Brasil, ou seja, à inclusão securitária, um tema fundamental e urgente para o país.
Milhões de brasileiros ainda vivem sem qualquer tipo de proteção formal diante de riscos que podem comprometer a vida, o sustento e o futuro de suas famílias. E são justamente os mais vulneráveis - pequenos produtores, trabalhadores informais, empreendedores individuais - que mais precisam dessa rede de apoio.
Nesse contexto, onde várias regiões do país não são atendidas pelo mercado segurador, a nova legislação permite que as cooperativas atuem como alternativa concreta, com qualidade, preços justos e atendimento humanizado, características que já fazem parte da identidade do nosso modelo de negócios.
Para além de produtos, as cooperativas estão preparadas para oferecer confiança, pertencimento e amparo. Isso porque são instituições que operam com foco no cooperado, não no lucro, e isso muda tudo. Como donos do negócio, o interesse maior é construir soluções desenhadas a partir de suas realidades locais e com a garantia de transparência, participação e distribuição justa de resultados.
Assim, o que se evidencia, é que as cooperativas podem assegurar a cobertura necessária, mas também contribuir para que seus segurados tenham dignidade para poder recomeçar, para enfrentar adversidades com apoio e para construir uma vida mais protegida e planejada. É a lógica da mutualidade vencendo a lógica da exclusão.
Importante salientar que a inclusão securitária é também um vetor de desenvolvimento econômico. Quando as pessoas têm acesso a esses serviços, elas se sentem mais confiantes para empreender, investir e inovar. Consequentemente, esse ciclo movimenta a economia, gera empregos e fortalece as comunidades. No campo, por exemplo, o seguro rural é essencial para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e garantir a resiliência da produção agrícola.
Com a nova legislação, o Brasil se posiciona para integrar um grupo de nações que apostam em um modelo mais humano, participativo e sustentável de fazer seguros. Essa conquista é fruto de anos de articulação institucional do Sistema OCB (órgão de representação máxima do cooperativismo brasileiro), em parceria com a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), a Superintendência de Seguros Privados (Susep), o Ministério da Fazenda e diversos atores que compreenderam a importância de uma economia mais inclusiva e cooperativa.
No mundo, as seguradoras cooperativas e mutualistas já atendem cerca de 889 milhões de pessoas, com receitas de prêmios que ultrapassam US$ 1,4 trilhão. Países como França, Estados Unidos, Alemanha e Japão têm mercados cooperativos de seguros sólidos, em alguns casos com participação superior a 40%. No Brasil, o mercado segurador espera representar 6,4% do PIB em 2025. Com a entrada das cooperativas, a expectativa é de um impacto adicional de até 15%, o que comprova, mais uma vez, o potencial transformador desse momento.
Por isso, continuamos vigilantes e atuantes, acompanhando cada etapa da regulamentação dessa nova legislação que deve ser concluída ainda este ano. Queremos que as cooperativas de seguros no Brasil sejam referência, como já são as de crédito, saúde, infraestrutura e agropecuárias, por exemplo.
Acreditamos na premissa de que o futuro do setor de seguros passa pela cooperação. E estamos prontos para liderar essa transformação.
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08/04/2025
Seguros: Grupo de Trabalho inicia agenda estratégica para o novo Ramo
Com apoio da Susep, reunião discutiu plano de ação, regulação, capacitação e fomento
A primeira reunião do Grupo de Trabalho (GT) Cooperativas de Seguros, realizada nesta segunda-feira (07), reuniu cerca de 50 pessoas, representantes de 20 Organizações Estaduais (OCEs) e, também, do Sistema OCB. O encontro marcou o início de uma jornada estratégica para a consolidação do novo Ramo Seguros, aprovado em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), após a sanção da Lei Complementar (LC) 213/2025, que permite a constituição de cooperativas para atuar de forma mais ampla no mercado segurador.
Com uma pauta estruturada, a reunião foi dividida em quatro blocos principais, sendo eles a contextualização, os desafios regulatórios, o futuro registro destas cooperativas e a apresentação do plano de ação. A gerente-geral da OCB, Fabíola Nader Motta, conduziu a abertura com uma análise sobre os caminhos percorridos até o momento e os próximos passos da agenda institucional. “A criação do Ramo Seguros é um marco para o cooperativismo brasileiro. Essa conquista, fruto de mais de uma década de articulação, amplia nossas possibilidades de atuação em um dos setores mais relevantes da economia mundial. O GT nasce para organizar esse novo momento, garantir segurança jurídica e apoiar as organizações estaduais nessa transição”, afirmou.
Na sequência, Clara Maffia, gerente de Relações Institucionais, aprofundou o debate com um panorama da legislação, do potencial de mercado e da participação das cooperativas de seguros no cenário internacional. “Estamos diante de um mercado que movimenta uma importante parcela da economia no mundo. A nova lei nos permite ocupar espaços estratégicos, aproveitar nichos e promover soluções mais acessíveis e solidárias. Para isso, precisamos de um plano de ação robusto, que reúna regulação proporcional, capacitação, estrutura institucional e comunicação qualificada”, destacou.
Planejamento
O principal produto da reunião foi a apresentação do plano para fortalecimento do novo ramo, dividido em cinco eixos estratégicos:
Comunicação e divulgação: traz ações como a produção de boletins informativos, artigo de opinião com o presidente do Sistema OCB e gravação da websérie Se Liga, além do planejamento do Seminário Nacional das Cooperativas de Seguros;
Atuação na regulação: o GT já iniciou o diálogo com a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) e a contratação de um escritório jurídico especializado. Também está sendo estruturada uma missão internacional de estudos, com base em materiais traduzidos da Federação Internacional das Cooperativas e Mútuas de Seguros (ICMIF);
Capacitação e preparação: produção de materiais como FAQs, cursos in company, parcerias com a Escola Nacional de Seguros (ENS) e a construção de trilhas formativas em parceria com o Sistema OCB;
Adequação institucional: atualização da comunicação oficial do Sistema OCB para incluir o novo ramo, e um grupo específico responsável por acompanhar a integração dele às estruturas nacionais e estaduais;
Fomento: estímulo à criação e ao fortalecimento de cooperativas de seguros, com ênfase na identificação de nichos de mercado, potencial de intercooperação com o Ramo Crédito e apoio às iniciativas que estejam alinhadas à regulamentação futura.
Registro
Entre os temas discutidos, o que mais gerou dúvidas foi a definição dos critérios de registro das cooperativas de seguros. Como a regulamentação da LC 213/2025 ainda está em construção, há insegurança sobre pontos como capital mínimo exigido, estrutura de governança, segmentos autorizados, entre outros.
A orientação do Sistema OCB às unidades estaduais foi clara para atuar com cautela e preparo. “Nossa intenção é garantir que todo o processo aconteça com segurança. Por isso, precisamos orientar os interessados para que aguardem a regulamentação, compreendam suas implicações e só então iniciem os trâmites de constituição”, reforçou Clara Maffia.
Outro ponto de destaque na reunião foi a participação da Susep, representada pelo diretor Ayrton Almeida e pelo coordenador César Neves, reafirmaram o compromisso do órgão em atuar de forma colaborativa junto ao Sistema OCB, para construir uma regulamentação proporcional e adequada ao modelo cooperativo. “Ter a SUSEP ao nosso lado desde a primeira reunião é um sinal claro de que estamos no caminho certo. Essa parceria institucional será essencial para garantir que as cooperativas tenham um ambiente regulatório seguro e favorável ao seu desenvolvimento”, afirmou Fabíola.
Mercado
Os dados apresentados durante a reunião reforçam o potencial do setor. No mundo, as cooperativas de seguros estão presentes em 77 países, com mais de 5 mil organizações e somam US$ 1,4 trilhão em receitas de prêmios e US$ 11 trilhões em ativos totais. No Brasil, embora o setor ainda seja concentrado em 135 seguradoras, o a movimentação financeira alcança R$435 bilhões em receita e gera 185 mil empregos diretos.
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26/03/2025
Sistema OCB participa de lançamento da Agenda Legislativa do Agro 2025
Pauta do agro fortalece o cooperativismo e destaca a sustentabilidade no país, diz Tania Zanella
O Congresso Nacional foi palco, nesta quarta-feira (26), do lançamento da Agenda Legislativa do Agro 2025, documento elaborado anualmente pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para nortear as principais pautas do setor no Parlamento. A nova edição destaca temas cruciais como o marco temporal, licenciamento ambiental e a reciprocidade comercial.
Com oito eixos temáticos, a agenda abrange questões como tributação, política agrícola, meio ambiente, infraestrutura, produção agropecuária e relações internacionais. O objetivo é garantir que os projetos de lei priorizados atendam às necessidades dos produtores rurais e impulsionem o desenvolvimento econômico e sustentável do Brasil.
A sessão solene foi proposta pela senadora Tereza Cristina (MS) e pela deputada federal Marussa Boldrin (GO), ambas integrantes da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), que enfatizaram a importância da agenda para o fortalecimento do agro. Segundo Tereza Cristina, o documento indica apoio total ou parcial a 71 projetos de lei, incluindo o PLP 108/2024, que regulamenta a Reforma Tributária para renda, e a PEC 48/2023, que trata do marco temporal para demarcação de terras indígenas.
"A agropecuária é um dos principais pilares da economia nacional, responsável por boa parte das exportações, pelo equilíbrio da balança comercial, pela geração de empregos e pela manutenção da segurança alimentar da população. O Congresso tem sido um parceiro fundamental para garantir que o setor continue crescendo de forma sustentável", afirmou a senadora.
A deputada Marussa Boldrin também ressaltou a importância da agenda para os produtores rurais. "Precisamos garantir que os trabalhadores do campo tenham segurança jurídica para produzir e que o Brasil continue sendo referência mundial no agronegócio. A Agenda Legislativa do Agro é um instrumento essencial para orientar nossas ações no Parlamento e dar voz ao setor."
Cooperativismo na COP30
Superintendente do Sistema OCB e presidente do IPA, Tania Zanella Durante o evento, a superintendente do Sistema OCB e presidente do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), Tania Zanella, destacou o papel estratégico do cooperativismo para o desenvolvimento sustentável do setor agropecuário. "O cooperativismo alia produção e preservação. Defendemos um modelo socialmente justo, economicamente viável e ambientalmente correto. Nas últimas semanas, apresentamos também nossa agenda institucional com 56 prioridades ao Congresso Nacional e ao Executivo Federal, além do Manifesto do Cooperativismo para a COP30", ressaltou, reforçando que a Agenda Legislativa do Agro 2025 fortalece o cooperativismo no Brasil.
Segundo ela, as cooperativas brasileiras estão mobilizadas para demonstrar na Conferência Mundial do Clima as iniciativas sustentáveis já em prática no país. "Entendemos que o cooperativismo pode ser um grande protagonista da COP30, mostrando como é possível conciliar desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental", reforçou.
Outro ponto abordado por Tania Zanella foi a recente conquista legislativa do setor - a aprovação da Lei Complementar 213/2015, que regulamenta a atuação das cooperativas de seguros no Brasil. A nova legislação permite que essas cooperativas operem em segmentos além do agropecuário, incluindo saúde e acidentes de trabalho. "O Brasil era um dos poucos países onde as cooperativas de seguros eram legalmente impedidas de atuar. Com essa aprovação, abrimos espaço para uma nova dinâmica de mercado, beneficiando tanto o cooperativismo quanto os consumidores de seguros no país", explicou.
Apoio parlamentar
O presidente da CNA, João Martins da Silva Júnior, ressaltou o apoio do Poder Legislativo ao setor agropecuário ao longo dos anos. Para ele, a atuação dos parlamentares tem sido “aberta, transparente e voltada aos interesses públicos”. Ainda segundo ele, a solenidade desta quarta-feira marcou um novo patamar na cooperação entre o produtor rural e a representação política da entidade. “Nossa agenda legislativa foi construída por muitas mãos, pelas representações dos produtores, por especialistas de cada setor da nossa cadeia produtiva, num alinhamento harmonioso que é a melhor expressão da unidade do agronegócio brasileiro.”
Entre os parlamentares presentes na sessão solene estavam os integrantes da Frencoop: os senadores Zequinha Marinho (Podemos-PA), Izalci Lucas (PL-DF), Sergio Moro (União-PR), Jorge Seif (PL-SC) e Luis Carlos Heinze (PP-RS), além do deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), que também é presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária.
Ainda participaram do evento embaixadores, encarregados de negócios e representantes diplomáticos da Alemanha, Palestina, República do Iraque e República Democrática do Congo.
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Parlamentares, presidente do Sistema OCB e representantes da Susep participaram da realização do Seminário de Seguros da Casa do CooperativismoO debate sobre os desafios e oportunidades do cooperativismo de seguros no Brasil foi tema do seminário Cooperativismo de Seguros: um novo capítulo para o coop, nesta quarta-feira (19), promovido pelo Sistema OCB. Em um momento marcado pela entrada em vigor da Lei Complementar (LC) 213/2025, o evento reuniu especialistas, autoridades e líderes do setor para destacar o papel transformador das cooperativas no desenvolvimento econômico e social do país.
A mesa de abertura contou com a presença de lideranças do setor, como os deputados federais Vinicius Carvalho (SP), Arnaldo Jardim (SP), presidente da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) e Reginaldo Lopes (MG), além do superintendente de Seguros Privados (Susep), Alessandro Octaviani.
Para o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, a criação do Ramo Seguros representa um avanço significativo para o cooperativismo brasileiro. Ele afirmou que a nova legislação proporciona um ambiente regulatório seguro e propício para que as cooperativas atuem com solidez nesse segmento, além de oferecer serviço de qualidade e acessível aos cooperados. “Agora, o desafio é construir um modelo sustentável e eficiente, aproveitando o respaldo institucional e a base parlamentar que ajudaram a viabilizar essa conquista”, disse.
“Hoje, oficialmente, o Sistema OCB acolhe o cooperativismo de seguros e, esse, é um momento de cautela técnica, mas também de uma oportunidade extraordinária. A Casa do Cooperativismo está pronta para ordenar e catalisar esse processo, com a garantia de consolidar um cooperativismo de seguros sólido e acessível aos 30 milhões de cooperados que teremos até 2027”, completou Márcio.
Superintendente da Susep, Alessandro OctavianiPor sua vez, Alessandro Octaviani ressaltou que o Brasil ainda enfrenta desafios significativos no mercado de seguros, evidenciados por tragédias como a do Rio Grande do Sul, na qual o prejuízo estimado superou, em muito, a cobertura oferecida pelas seguradoras. Para ele, essa lacuna evidencia a necessidade de um modelo mais inclusivo e abrangente. “A SUSEP reconhece o papel do cooperativismo na democratização do acesso aos seguros e reforça seu compromisso com uma regulação equilibrada, que fortaleça o setor e atenda às demandas de uma economia diversa e em constante transformação”, declarou.
Octaviani reforçou que o cooperativismo é um modelo de negócio que gera e distribui riqueza de forma extremamente efetiva. “Nosso compromisso é construir uma regulação parceira, porque o futuro do Brasil passa pelo futuro do cooperativismo. Precisamos oferecer produtos que agreguem valor e preencham as lacunas do mercado de seguros”.
Deputado Arnaldo JardimO deputado Arnaldo Jardim afirmou que o avanço do cooperativismo de seguros exige diálogo permanente entre o setor e os órgãos reguladores. Ele lembrou que a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) está comprometida em garantir segurança jurídica e transparência nesse processo para permitir que as cooperativas cresçam com qualidade e responsabilidade. “A regulação bem estruturada fortalecerá o movimento e possibilitará sua expansão com bases sólidas e benefícios não apenas aos cooperados, mas à economia do país como um todo”.
Jardim destacou ainda que o Brasil possui todas as ferramentas para prosperar. “Vamos crescer com a devida atenção e com garantia de segurança para que o setor avance com inovação, estabilidade jurídica e regras claras. A Frencoop apoia essa regulação e está pronta para colaborar nessa etapa”, comemorou.
A nova legislação estabelece regras claras para o funcionamento das cooperativas de seguros ao proporcionar um ambiente regulatório seguro com atuação em diversos segmentos do mercado. As cooperativas já podem oferecer produtos como seguros de vida, patrimoniais e veiculares, o que gera ampliação da concorrência e democratização ao acesso aos serviços de seguros no Brasil.
A LC 213/2025 trouxe alterações significativas ao Decreto-Lei 73/1966, que regula o setor de seguros no Brasil. Até então, as cooperativas estavam restritas a atuar apenas nos segmentos de seguro de saúde, de acidente de trabalho e agrícola. Com a nova legislação, elas passam a operar em quase todos os ramos, com exceção de previdência privada e de capitalização aberta.
A abertura do setor foi fruto de um longo debate, impulsionado pelo crescimento das associações de proteção veicular criadas para atender nichos desassistidos, como motoristas de aplicativos e proprietários de veículos antigos. No entanto, a ausência de regulamentação levou muitas dessas entidades a serem investigadas pela Susep e diversos outros órgãos, o que intensificou a celeridade para a consolidação de um arcabouço legal mais adequado.
Impacto positivo
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A professora Angélica Carlini explicou que o mutualismo é um pilar essencial do mercado de seguros e precisa ser bem compreendido para garantir a sustentabilidade das cooperativas que atuarão nesse setor. “O Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para ampliar a cultura de seguros entre seus cidadãos e produtores rurais. Para que as cooperativas tenham sucesso, é fundamental capacitar lideranças, colaboradores e cooperados, além de tornar os seguros mais acessíveis e compreensíveis, para que sejam percebidos como um valor agregado e não apenas como um custo”.
Ela também ressaltou que sustentabilidade e solvência em um fundo mutual exigem estudos rigorosos de risco e análises estatísticas detalhadas. “O desafio do cooperativismo de seguros será estruturar produtos que atendam às necessidades dos cooperados, com distribuição acessível e contratos claros”, concluiu.
Como relator da LC 213/25, o deputado Vinicius Carvalho falou sobre a regulamentação da lei. “Foi fruto de uma construção coletiva entre a sociedade civil e o parlamento, que atendeu a demanda crescente do setor. O reconhecimento legal, a partir de agora, garante um ambiente seguro para a operação das cooperativas e oferece proteção aos consumidores, bem como estabilidade ao mercado. A aprovação expressiva da lei reflete a maturidade do debate e o entendimento de que o cooperativismo pode desempenhar um papel fundamental no setor de seguros”.
“Uma lei nasce de uma necessidade da sociedade. O projeto das cooperativas de seguros começou em 2015 e só foi possível porque houve participação ativa do movimento. O Parlamento reconheceu a importância dessa regulamentação para garantir um crescimento sustentável e estruturado”, completou o deputado.
O consultor da Federação Internacional de Seguros Cooperativos e Mútuos (ICMIF), entidade setorial da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), Edwar Potter, trouxe a visão de que cooperativas de seguros fazem parte de um movimento global que alia economia solidária e serviços financeiros sustentáveis. “Diferente das seguradoras tradicionais, as cooperativas possuem um compromisso com a equidade e o benefício de seus associados, além de dar prioridade à autogestão e a distribuição justa dos recursos.” Ele destacou que o desafio é estruturar modelos sólidos, baseados na intercooperação e no entendimento profundo do mercado, com competitividade e viabilidade econômicas do setor.
“As seguradoras cooperativas e mútuas já representam US$10 trilhões em ativos no mundo. Para fortalecer esse modelo no Brasil, é essencial criar alianças entre cooperativas, desenvolver produtos personalizados e educar os cooperados sobre seguros”, finalizou Potter.
Desafios e perspectivas
Embora a lei já esteja em vigor, a regulamentação ainda está em fase de discussão. Os principais desafios incluem a definição de regras proporcionais ao porte das cooperativas, as exigências de capital mínimo para operação e a questão das multas aplicadas às associações de proteção veicular.
O presidente da Seguros Unimed, Helton Freitas, compartilhou sua experiência e destacou a inspiração por trás da empresa. “A trajetória da Seguros Unimed demonstra que é possível aliar eficiência econômica ao compromisso com os cooperados. Nossa história reforça que as cooperativas podem oferecer soluções sólidas e sustentáveis, para manter o equilíbrio entre solidez financeira, responsabilidade social e atendimento às necessidades dos associados”.
Carlos Queiroz, diretor de Supervisão Comercial e Seguros da Susep, salientou que a sanção da LC 213/25 é um divisor de águas para o mercado segurador brasileiro. “Esse novo marco regulatório estabelece diretrizes mais claras, introduz princípios inovadores e abre espaços para novos modelos econômicos no setor. Para o cooperativismo, essa mudança representa uma oportunidade histórica de crescimento e consolidação. Agora, cabe à SUSEP o papel de garantir uma regulação eficiente e uma supervisão que fortaleça esse novo panorama”.
ENS e Sistema OCB assinam memorando para capacitação Para fortalecer o setor, um memorando de entendimento foi assinado com a Escola de Negócios e Seguros (ENS), para capacitar dirigentes e interessados em criar cooperativas de seguro. O presidente da ENS, Lucas Vergílio, acredita que a lei aprovada consolida uma base jurídica moderna e inclusiva para o setor. ”Estamos diante de uma transformação sem precedentes no mercado segurador. O desafio, daqui pra frente, é garantir um ambiente de capacitação que proporcione um caminho promissor para os próximos anos do cooperativismo”, disse.
Impacto no Mercado de Seguros
A entrada das cooperativas no mercado de seguros promete aumentar a concorrência, reduzir preços e ampliar a cobertura no Brasil. Atualmente, apenas 30% da frota de veículos e menos de 10% das residências estão seguradas. "Com uma regulação moderna, o Brasil se alinha às melhores práticas internacionais e abre espaço para um setor mais inclusivo e competitivo", destacou Márcio Lopes de Freitas.
Ao final do evento, Fabíola Nader Motta, gerente-geral do Sistema OCB, lembrou que a construção da LC 2131/25 foi um processo coletivo e estratégico, fruto do esforço conjunto de parlamentares, cooperativistas, especialistas e equipe técnica do Sistema OCB. “Durante anos, foi preciso dialogar, esclarecer e mostrar o potencial do cooperativismo para o setor de seguros. Criamos um plano de ação estruturado que garantirá acolhimento às cooperativas, que serão capacitadas e apoiadas para sua consolidação no mercado. Com iniciativas voltadas à comunicação, capacitação, regulação e articulação institucional, o cooperativismo está pronto para protagonizar essa nova fase do setor segurador no Brasil”, concluiu.
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A Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada nesta terça-feira (18), em Brasília, no auditório do Sistema OCB, deliberou e aprovou a criação do Ramo Seguros, após a sanção da Lei 213/25, que permitirá a participação mais ampla das cooperativas no mercado segurador.
O propósito é promover o cooperativismo de seguros no Brasil, com ampliação ao acesso da população a seguros de maneira mais justa e acessível. A criação do Ramo não apenas fortalece o setor, mas também gera impactos socioeconômicos positivos, democratiza o acesso ao segmento e cria uma nova frente para as cooperativas no Brasil.
“A criação do Ramo Seguros reforça o reconhecimento do Sistema OCB em relação à relevância do tema e marca um momento histórico para o cooperativismo brasileiro. Com a aprovação da lei, abrimos um novo caminho para que as cooperativas possam atuar no mercado segurador de forma justa e acessível. Nossa conquista fortalece o setor e amplia o acesso da população a seguros mais inclusivos, além de promover impacto socioeconômico positivo para milhões de brasileiros”, disse.
A partir de agora, as cooperativas poderão atuar em diversos segmentos de seguros privados, com normas regulatórias proporcionais ao modelo cooperativo e adequadas à sua forma societária. O processo de sanção da lei foi resultado de um longo trabalho de articulação e mobilização do Sistema OCB, bem como de outros atores estratégicos do setor, com o objetivo de ampliar o portfólio de seguros e possibilitar uma atuação mais robusta das cooperativas.
A nova legislação prevê a organização das cooperativas de seguros em diferentes níveis e, ainda, oferece a possibilidade de que as cooperativas de crédito possam operar com seguradoras constituídas por sociedades anônimas ou com cooperativas de seguros.
Entre os benefícios da aprovação da lei estão a segurança jurídica para as coops que ingressarem no mercado, uma regulamentação e fiscalização mais adequadas e proporcionais, além da possibilidade de redução nos preços dos seguros já existentes.
A formalização de um novo setor promete ampliar o mercado com a meta de torná-lo mais acessível e competitivo a um maior número de brasileiros, além da capacidade de operação da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP).Saiba mais:
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Evento inédito promovido pelo Sistema OCB abordará oportunidades e desafios do segmento
O Sistema OCB promove na próxima quarta-feira (19) o seminário Cooperativismo de Seguros: um novo capítulo para o coop. O evento será realizado das 9h às 12h30 na sede da entidade em Brasília e reunirá especialistas, autoridades e líderes do setor para debater as oportunidades e desafios do cooperativismo de seguros no Brasil, destacando seu papel transformador no desenvolvimento econômico e social do país. O evento também será transmitido ao vivo pelo canal Youtube do Sistema.
“A inserção das cooperativas no mercado de seguros abre novas perspectivas de crescimento para o movimento, mas também reforça nossa capacidade de preencher lacunas deixadas pelas seguradoras tradicionais, impulsionando a economia e promovendo inclusão social”, afirma Márcio Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB. Para ele, “a modernização do setor, aliada a uma governança robusta e a práticas de gestão inovadoras, poderá gerar ganhos expressivos, como a criação de empregos e a ampliação da proteção securitária para milhares de brasileiros”.
A realização do seminário se dá em um contexto de intensas transformações no setor, impulsionadas pela entrada em vigor da Lei Complementar 213/2025. A nova legislação estabelece regras claras e cria um ambiente jurídico seguro para as cooperativas de seguros, ao ampliar o acesso e democratizar os serviços . Ao definir critérios precisos para a atuação dessas instituições, a lei possibilita que as cooperativas se adaptem rapidamente aos requisitos dos órgãos reguladores, como a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e o Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), e promova uma operação sustentável e competitiva no mercado.
Com a expectativa de diversificar a oferta de produtos – incluindo seguros agrícolas, de vida e patrimonial – o seminário também abordará a importância de estimular a concorrência saudável no setor. A iniciativa visa, além de discutir as mudanças trazidas pela nova regulamentação, promover o intercâmbio de experiências bem-sucedidas de cooperativas que já atuam em segmentos tradicionais, como crédito, saúde, agropecuária e energia. Esse movimento tem o potencial de preencher lacunas deixadas pelas seguradoras convencionais, sobretudo em regiões e segmentos historicamente desassistidos.
Clara Maffia, gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, desta a importância do seminário. “Estamos entusiasmados com o potencial transformador do cooperativismo de seguros. Este seminário representa uma oportunidade única para aprofundarmos o debate sobre como as novas regulamentações podem ampliar o acesso e promover a inclusão no setor, beneficiando tanto as cooperativas quanto os consumidores”, declara. Ainda segundo ela, essa visão reforça o compromisso da entidade em fomentar o diálogo entre reguladores, cooperativas e o mercado, elemento fundamental para o fortalecimento e a inovação no setor de seguros.
Durante o seminário, os participantes terão a oportunidade de discutir aspectos técnicos e estratégicos, como a definição das normas contábeis específicas para as cooperativas seguradoras e os desafios de estruturar um modelo de governança moderno e robusto. O encontro também promoverá um diálogo direto com os órgãos reguladores, visando garantir que a transição para esse novo modelo seja eficiente e benéfica para todo o setor.
Com uma programação rica em debates e troca de experiências, o evento promete ser um marco no cenário do cooperativismo de seguros, contribuindo para a consolidação de um modelo mais inclusivo, inovador e alinhado às demandas do mercado contemporâneo. Confira:
PROGRAMAÇÃO
09h – Mesa de Abertura
A abertura do seminário contará com a presença de autoridades do setor, como o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, os deputados federais Vinicius Carvalho (SP) e Arnaldo Jardim (SP), e o superintendente da Susep, Alessandro Octaviani.
09h30 – O panorama do setor de seguros no Brasil: desafios e oportunidades
A advogada e docente Angelica Carlini apresentará um panorama detalhado do setor de seguros, discutindo os desafios enfrentados e as oportunidades que se abrem para as cooperativas nesse contexto.
10h10 – O cooperativismo de seguros no mundo
Edward Potter, consultor da Worldwise Civil Society Consultancy e ex-diretor executivo da ICMIF/Américas, trará uma visão internacional sobre o cooperativismo de seguros, boas práticas e tendências globais que podem ser aplicadas no Brasil.
10h50 – A experiência e a inspiração da Seguros Unimed
Helton Freitas, presidente da Seguros Unimed, compartilhará a trajetória de sucesso da cooperativa, referência no mercado de seguros e inspiração para outras organizações seguirem o modelo cooperativo.
11h15 – LC 213/2025: regulamentação e próximos passos
Carlos Queiroz, diretor de Supervisão Prudencial e Resseguros da Susep, falará sobre a nova regulamentação que promete transformar o setor de seguros no Brasil, seus impactos e próximos passos para sua implementação.
12h05 – Apresentação Escola de Negócios e Seguros (ENS) e assinatura de memorando de entendimentos
O seminário também contará com a apresentação da Escola de Negócios e Seguros (ENS) e a assinatura de um memorando de entendimentos que fortalece a educação e a formação no setor de seguros cooperativo.
12h30 – Encerramento
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