Projeto transição para energia renovável da CCPR une sustentabilidade e eficiência operacional
Contexto e desafios
Desde sua fundação em 1948, a Cooperativa Central dos Produtores Rurais, CCPR, consolidou-se como uma das maiores do setor leiteiro, marcada por uma trajetória de inovação e liderança. Com cerca de 25 mil cooperados, a organização tem uma robusta Política de Sustentabilidade.
No entanto, a alta dependência da matriz energética convencional surgiu como um desafio estratégico. Além de representar um custo operacional elevado para uma operação que capta 90 milhões de litros de leite por mês, essa dependência gerava um impacto ambiental desalinhado com os princípios da cooperativa.
Para avançar em sua agenda de sustentabilidade e fortalecer a resiliência do negócio, a CCPR precisava encontrar uma solução para a transição energética de sua cadeia produtiva.
Objetivos
Alinhado ao programa Enxergando Sentido Global, que foca nas práticas ESG, e à Política de Sustentabilidade, a cooperativa criou o projeto de construção de usinas fotovoltaicas para a transição da matriz energética. O objetivo principal era reduzir o impacto ambiental das operações, diminuindo drasticamente a emissão de gases de efeito estufa.
Em paralelo, a iniciativa visava gerar ganhos de eficiência e fortalecer a sustentabilidade de toda a cadeia. As metas secundárias incluíam a redução de custos operacionais com energia elétrica, a geração de valor para cooperados e colaboradores e o reforço do compromisso social da CCPR com o desenvolvimento das comunidades onde atua.
Desenvolvimento
Para concretizar seus objetivos, a CCPR investiu R$ 100 milhões na construção de 22 usinas fotovoltaicas, distribuídas estrategicamente em 17 municípios de Minas Gerais e Goiás.
A primeira fase, de planejamento e articulação, consistiu na estruturação do modelo de negócio e na formação de alianças estratégicas. A CCPR firmou parceria com o programa MinasCoop Energia, do Sistema Ocemg, e com a empresa Cemig SIM, garantindo o suporte técnico e institucional necessário para viabilizar a iniciativa em larga escala.
A segunda fase foi dedicada à identificação das melhores áreas para a instalação das usinas, seguida pela obtenção de todo o licenciamento ambiental e regulatório necessário. Aqui, a cooperativa alocou cerca de R$ 7 milhões para aquisição de módulos fotovoltaicos e materiais.
A etapa seguinte teve início em 2023 com a inauguração das primeiras usinas. O cronograma prevê que todas as 22 unidades estejam em pleno funcionamento até o final de 2025.
Por fim, a quarta fase representa a etapa de consolidação dos resultados. A energia produzida passou a abastecer mais de 20 unidades da CCPR, incluindo lojas agropecuárias, postos de refrigeração e o Escritório Central, além de destinar parte da geração para o Hospital Imaculada Conceição.
Resultados e impacto
A implementação da usina fotovoltaica gerou resultados expressivos e multidimensionais para a CCPR. Ambientalmente, o projeto representa um passo concreto na transição para uma matriz energética limpa, com uma significativa redução na emissão de gases de efeito estufa e na pegada de carbono da cooperativa.
A iniciativa garante a autossuficiência energética para mais de 20 de suas unidades, resultando em uma importante redução de custos operacionais e maior previsibilidade orçamentária. Já o impacto social, um dos pilares do cooperativismo, é igualmente notável.
Ao destinar parte da energia gerada para o Hospital Imaculada Conceição, a CCPR contribui diretamente para a sustentabilidade financeira de uma instituição que atende mais de 1 milhão de pessoas por ano. Com isso, a cooperativa fortalece o compromisso com a inovação, sustentabilidade e responsabilidade social.
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Objetivo: Promover a viabilidade socioeconômica e ambiental da comunidade por meio da geração de renda e da produção de alimentos em sistemas agroflorestais. Resultados: Renda contínua para os cooperados no curto, médio e longo prazos. Garantia de venda dos produtos produzidos. Aumento da sustentabilidade da produção, já que não há necessidade de desmatamento. Recuperação da biodiversidade, fauna e flora, pelo reflorestamento da região. Melhoria no microclima da região. Fim do uso do fogo nos sistemas produtivos. Geração de emprego e qualificação, pois o sistema agroflorestal necessita de mão de obra especializada nos tratos culturais. Adoção de tecnologia que possibilita acesso a instrumentos econômicos, como o pagamento por serviços ambientais e crédito de carbono. Proximidade com a economia circular, com a busca de eficiência na cadeia produtiva e no aproveitamento de resíduos sólidos e líquidos para a produção de fertilizantes.
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