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title: Convivência entre gerações fortalece a cultura cooperativista  | Notícias | Sistema OCB
description: Cooperativas de Pernambuco, Rio Grande do Sul e Paraná mostram como a convivência entre jovens e veteranos fortalece a cultura cooperativista
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De um lado, o frescor das ideias novas, a quebra de paradigmas e muita energia. De outro, a experiência, as trajetórias consolidadas e a visão de quem já atravessou muitos ciclos. Nas cooperativas brasileiras, esses dois mundos dividem o mesmo espaço: gerações distintas trabalham lado a lado entre cooperados, colaboradores e diretorias, em uma parceria que traz diversidade, olhares renovados e mais força para o cooperativismo.

O compartilhamento ativo de experiências, diferentes visões de carreira e troca de saberes fazem parte da rotina da Cooperativa de Produtores Exportadores do Vale do São Francisco ([Coopexvale](https://coopexvale.com.br/)), onde a atual diretoria é composta por cooperativistas de 28 a 71 anos de idade.

A combinação entre legado e inovação ajuda a cooperativa pernambucana a se destacar na produção de uvas no Vale do São Francisco, uma das únicas regiões do mundo capaz de produzir duas safras e meia por ano, graças ao clima favorável e à irrigação. São 40 famílias cooperadas, que produzem 26 mil toneladas de uvas anualmente e exportam para 15 países.

A diversidade geracional na liderança não é por acaso. Para integrar os jovens – muitos deles filhos de cooperados, o que garante a continuidade dos negócios das famílias – e formar novos líderes, a Coopexvale criou iniciativas como o Comitê de Organização do Quadro Social, que incentiva a juventude a ocupar os espaços de governança, e um programa de [preparação de potenciais sucessores](https://somoscooperativismo.coop.br/noticias-eventos/cooperativismo-preserva-legado-e-prepara-as-proximas-geracoes).

Para o diretor mais velho, Jorge Deon, de 71 anos, a convivência é especialmente valiosa na sucessão. “Essa mistura de gerações é muito interessante para a questão sucessória, pois soma a troca de ideias entre uma geração mais conservadora e a geração mais jovem e inovadora. Isso é importante para a renovação e continuidade da cooperativa, já que substitui a forma tradicional de ser por novas ideias, juntamente com a energia dos jovens para dar seguimento a tudo construído até aqui”, destaca.

Na outra ponta, o diretor mais jovem, Henrique Aires, de 28 anos, enxerga nessa abertura uma chance de aprender na prática. “Esse movimento da Coopexvale de integrar na diretoria a geração mais jovem da cooperativa é muito importante para o futuro, pois permite que nós, mais jovens, consigamos aprender e absorver a experiência daqueles mais experientes para que possamos aplicar no futuro”.

Aos 32 anos, a integrante do Conselho de Administração Gabriela Olinda também representa a nova safra de lideranças da cooperativa. Ela conheceu o coop pelo pai, Jailson Lira, diretor e coordenador do comitê de exportação da Coopexvale, e hoje representa uma geração que se encantou pelo movimento e aprendeu com os fundadores.

“Aqui temos produtores e lideranças de diferentes gerações, e isso é parte da própria identidade da cooperativa. Quem está há mais tempo traz experiência, conhecimento do negócio, da atividade produtiva e da própria história da organização. Os mais jovens chegam com outras referências, novas tecnologias, novas perspectivas e novas formas de enxergar os desafios. Para essa convivência funcionar, é fundamental existir abertura para o diálogo e, principalmente, espaço para participação”, afirma a gestora, que também é integrante do Comitê de Mulheres da Coopexvale e do Comitê de Jovens Cooperativistas de Pernambuco.

![coopexvale 1 1](https://somoscooperativismo.coop.br/images/coopexvale-1-1.webp)Na visão da conselheira, quem chega precisa de oportunidade para aprender com quem construiu a cooperativa, mas também de liberdade para propor mudanças. “Entre os mais jovens, vejo muita abertura para tecnologia, inovação, novas formas de comunicação, e principalmente disposição para questionar processos já estabelecidos. Acredito também que eles podem contribuir trazendo novas perspectivas sobre mercado e futuro. Já as gerações que estão há mais tempo na cooperativa carregam algo que não se aprende rapidamente: repertório. Sabem a história da organização, passaram por diferentes ciclos, conhecem os cooperados e entendem as consequências de determinadas decisões”.

No dia a dia da Coopexvale, essa convivência fortalece a cultura cooperativista: preserva a história e os valores da cooperativa e, ao mesmo tempo, abre espaço para ideias novas. Para Gabriela, é esse equilíbrio que garante o futuro. “Uma cooperativa precisa ter memória, mas também precisa se renovar para continuar existindo em um mundo de mudanças. E essa renovação acontece quando experiência e novas perspectivas caminham juntas. Legado não é simplesmente aquilo que recebemos. É aquilo que escolhemos continuar construindo todos os dias. E no cooperativismo, essa construção é coletiva”, afirma.

## Valorizar o passado 

No Rio Grande do Sul, a [Sicredi Pioneira](https://sicredipioneira.com.br/), primeira cooperativa de crédito da América Latina, fundada em 1902, investe na experiência de quem já viveu muito como base para formar novos cooperativistas. Por meio do programa Longevidade, a cooperativa aproxima profissionais com mais de 50 anos de quem está começando a carreira no cooperativismo, como jovens aprendizes e estagiários.

A proposta é promover uma troca entre quem chega ao mercado de trabalho e quem já passou por muitas realidades, com respeito e abertura para conhecer a história do outro. Para isso, o programa adota a mentoria reversa: os colaboradores mais jovens atuam como padrinhos e madrinhas dos profissionais longevos. “A iniciativa fortalece a integração, promove aprendizado mútuo e transforma a diversidade geracional em desenvolvimento, pertencimento e colaboração para todos”, destaca a líder do time de Pessoas e Cultura da Sicredi Pioneira, Cristine Wedig.

Com 335 mil cooperados e 1.103 colaboradores, a Sicredi Pioneira tem hoje no quadro profissionais de 15 a 62 anos. Para Cristine, essa mistura de perfis resulta em uma governança diversa, moderna e sólida. “A diversidade etária favorece a troca de experiências, o aprendizado contínuo e a combinação entre inovação, curiosidade, conhecimento técnico e experiência de mercado, fortalecendo a construção coletiva no dia a dia”, afirma.

Nessa integração, cada faixa etária contribui com o que tem de mais forte. Segundo a gestora, a Geração Z transita com naturalidade no ambiente digital, se adapta rápido a novos cenários e está aberta a novidades. Também valorizam oportunidades ligadas ao seu senso de propósito, com padrões éticos nos quais se reconheça, e buscam ambientes ![equipe sicredi pioneira 1](https://somoscooperativismo.coop.br/images/equipe-sicredi-pioneira-1.webp)emocionalmente saudáveis, que respeitem a diversidade e a inclusão.

Já os profissionais mais experientes trazem repertório: como atravessaram transformações e ciclos diferentes do mercado, leem cenários com outro olhar e antecipam com mais facilidade o impacto das decisões. No dia a dia, a troca é constante: os veteranos compartilham conhecimento do negócio, de relacionamento e de carreira, e os mais jovens respondem com tecnologia, inovação e novos olhares.

“Quando essas gerações trabalham juntas, a cooperativa consegue unir perfis que chegam com uma visão de quem só viveu no mundo digital com aqueles que tem vasta experiência de vida quando a internet ainda não estava disponível e as soluções ainda eram analógicas. Deste modo, respeitamos a nossa essência e história centenária, mas seguimos atentos ao que as novas gerações estão demandando”, complementa Cristine.

De acordo com a gestora, a convivência entre idades também fortalece o propósito da Sicredi Pioneira. “Temos a alegria de ter cinco gerações trabalhando juntas neste momento. Isso se conecta fortemente aos nossos valores culturais em que todos são respeitados em sua individualidade. Nossa missão é construir comunidades melhores. Para isso, precisamos refletir quem somos e quem atendemos, representando todas as suas particularidades”, finaliza.

## Futuro mais preparado 

Na [Coamo Agroindustrial Cooperativa](https://www.coamo.com.br/), o investimento nos jovens cooperativistas começa cedo, aos 6 anos, e vai até o Conselho de Administração. Com atuação no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, a cooperativa mantém um processo consolidado e sistematizado de formação para os 33,7 mil cooperados e os 11,5 mil colaboradores.

A primeira etapa é a revistinha Coamo Kids, que apresenta os princípios do cooperativismo para crianças de forma lúdica, com jogos, histórias e muita cor. Filhos e netos de cooperados e colaboradores são os maiores beneficiados, já que desde cedo aprendem sobre temas como gestão democrática, participação e sucessão familiar no campo.

Entre 13 e 17 anos, a estratégia é o programa Futuro Coop, uma capacitação com módulos sobre economia, sucessão e outros temas, todos explicados por diretores da cooperativa. A proposta é despertar nos adolescentes a curiosidade de participar e dar continuidade ao agronegócio cooperativo.

![airton galinari coamo 1](https://somoscooperativismo.coop.br/images/airton-galinari-coamo-1.webp)O passo seguinte, segundo o presidente executivo da Coamo, Airton Galinari, é a capacitação profissional. “A partir dos 18 até os 35 anos, temos um programa educacional que existe há 30 anos, o Jovens Líderes Cooperativistas, um MBA realizado em parceria com a Universidade Federal do Paraná. Um curso presencial de onde saem as pessoas que vão compor os conselhos da cooperativa”, explica.

O resultado dessa jornada aparece no Conselho de Administração, que reúne hoje representantes de 32 a 85 anos, em uma combinação de diferentes experiências e visões de mundo. “Independentemente da idade, todos são agricultores. Dentro da cooperativa, que é uma sociedade de pessoas, é um lugar mais fácil de solidificar uma convivência de gerações em torno do mesmo objetivo”, afirma o presidente.

Para os mais experientes, a Coamo reconhece a permanência na cooperativa com o programa Tempo de Casa. “Aqui temos profissionais com 10 a 50 anos de trabalho na Coamo e valorizamos isso. A cultura cooperativista é uma das fortalezas do nosso negócio e ela é transmitida por pessoas, não é passada por decretos. E essa cultura depende de as pessoas ficarem e permanecerem. Como, naturalmente, as pessoas vão ser promovidas, não têm medo de ensinar para quem está chegando”, completa.

E as novas gerações, segundo Galinari, estão entrando no cooperativismo com vontade de aprender, conexão com o mundo digital e grande capacidade de comunicação, atributos que ajudam a difundir ainda mais as cooperativas como um bom negócio. Para aproveitar esse potencial, a Coamo investe em tecnologia para manter os jovens no campo e estimula o aprendizado na prática com os cooperativistas mais experientes. “Existe um trabalho de formação desses jovens que não é feito por um professor, mas pelos próprios colaboradores, que mostram o caminho, fazendo essa transferência de cultura e de conhecimento”.

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