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title: Tarifas e oportunidades: o xadrez geopolítico do comércio internacional em 2025 | Notícias | Sistema OCB
description: A casa do cooperativismo no Brasil. Apoiamos o crescimento sustentável das cooperativas, fornecendo recursos para fortalecer e promover desenvolvimento.
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  #  Tarifas e oportunidades: o xadrez geopolítico do comércio internacional em 2025 

![Tarifas e oportunidades: o xadrez geopolítico do comércio internacional em 2025](https://somoscooperativismo.coop.br/images/noticias/pexels-tiohugo-16146279-scaled_6826.webp)

 Três meses são muito ou pouco tempo? Quando o assunto é geopolítica, pode ter certeza de que é muito tempo. 2025 precisou de apenas 90 dias para ser um ano altamente significativo nas relações internacionais. Este início de ano é marcado por decisões nacionais que geram ramificações por todo o planeta. Algumas medidas, especialmente atreladas à taxação de importações, podem rapidamente transformar o cenário do comércio internacional. Ao mesmo tempo em que as novidades colocam interrogações, também podem significar o surgimento de oportunidades. Leia este artigo do NegóciosCoop para se inteirar sobre [decisões geopolíticas](https://negocios.coop.br/mercado-internacional/guerras-e-instabilidade-geopolitica-como-afetam-os-negocios-das-cooperativas/) relevantes tomadas em 2025 e entenda seus impactos para o comércio internacional. Boa leitura!

## **Movimentando a geopolítica: as novas tarifas nos EUA**

Tudo que acontece na grande potência econômica do planeta reverbera na geopolítica e na atividade econômica do resto do mundo. Não é surpresa nenhuma, portanto, que o início do mandato de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos afete o comércio internacional. E, ao que tudo indica, só vimos até agora os primeiros passos de seu projeto. O presidente norte-americano anunciou e reiterou em diversas ocasiões que divulgará, no dia 2 de abril, um pacote de tarifas aduaneiras “recíprocas”. A ideia, conforme tem declarado a Casa Branca, é impor tarifas proporcionais às cobradas por outros países sobre os produtos dos EUA. Segundo os posicionamentos de Trump, a medida é uma forma de proteger a economia nacional e equilibrar a balança comercial. A aplicação de novas tarifas a outros países é uma tendência que já está em curso no segundo mandato de Trump à frente da Casa Branca. Em março deste ano,

entrou em vigor a taxação de 25% a todas as importações de aço e alumínio, outra tentativa de fortalecer a indústria norte-americana. A decisão tende a impactar de maneira significativa o Brasil, segundo maior fornecedor de aço para os EUA em 2024, atrás somente do Canadá. A [China](https://negocios.coop.br/inteligencia-de-mercado/china-conhecendo-melhor-nosso-principal-parceiro-comercial/) também foi alvo de novos impostos aduaneiros norte-americanos. A

Casa Branca dobrou as tarifas sobre todos os produtos chineses importados, saindo de 10% para 20%. Segundo o governo estadunidense, a taxação é uma resposta ao fornecimento chinês de produtos químicos utilizados ​​na produção da droga fentanil. A China, por sua vez, nega qualquer envolvimento. Trump ainda apresentou uma proposta para taxar navios chineses que entrem em portos nos EUA.

### **Respostas ao movimento norte-americano**

Diante de decisões que impactam severamente relações comerciais previamente estabelecidas e importantes para diferentes economias, é natural que os países respondam às medidas de Trump com suas próprias taxações. Conversas sobre medidas recíprocas ou até mesmo a aplicação de tarifas já são vistas ao redor do planeta. A China, por exemplo, rapidamente anunciou tarifas retaliatórias após os impostos criados por Trump. O país asiático passou a taxar frango, trigo, milho e algodão vindos dos EUA em 15%, assim como sorgo, soja, carne de porco, carne bovina, produtos aquáticos, frutas, vegetais e laticínios em 10%. Além disso, 25 empresas americanas entraram em lista de restrições sobre exportação e investimento. Por fim, China, Japão e Coreia do Sul anunciaram em 31 de março que responderão conjuntamente ao novo pacote americano de 2 de abril. Já o Canadá, histórico parceiro comercial dos EUA, parece se distanciar do país vizinho. Trump chegou a anunciar tarifas de 25% a produtos canadenses e mexicanos, mas adiou sua aplicação para 2 de abril. Mesma data prevista para que entre em vigor um imposto de 25% sobre importação de carros e peças automotivas – o Canadá é lar de operações de montadoras norte-americanas e está entre seus cinco maiores fornecedores de carros. Diante desse cenário, o novo primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, disse que o relacionamento de cooperação entre as nações “acabou” e que responderá com tarifas retaliatórias. A União Europeia também avalia com atenção o movimento protecionista norte-americano. O bloco chegou a anunciar um pacote de decisões, mas recuou. Agora, aguarda o anúncio de Trump, previsto para 2 de abril, para tomar contramedidas se julgar necessário. O presidente norte-americano prometeu aplicar tarifas em “larga escala” à UE caso os europeus trabalhem em conjunto com o Canadá para “causar danos econômicos aos EUA”.

## **Movimentos da geopolítica: portas se fecham, oportunidades se apresentam**

A imposição de tarifas aduaneiras abrangentes a todo o planeta, como algumas das medidas recém-adotadas pelos EUA, naturalmente pode afetar as [exportações brasileiras](https://negocios.coop.br/mercado-internacional/internacionalizacao-gera-negocios-para-o-cooperativismo-agropecuario/). Espera-se que o impacto seja sentido no ramo siderúrgico, por exemplo, onde as transações de aço e alumínio com norte-americanos são essenciais. A troca internacional de tarifas e retaliações, no entanto, pode abrir novas oportunidades para as organizações brasileiras. Ao fecharem portas entre si, os países envolvidos nessa guerra comercial abrem portas para outras parcerias. Esse fenômeno tende a ganhar força especialmente no ramo agropecuário, segmento onde o cooperativismo brasileiro se destaca. O Brasil já é consolidado internacionalmente como o principal exportador de *commodities* agropecuárias do planeta. Segundo [estudo do Insper Agro Global](https://somoscooperativismo.coop.br/arquivos/noticias/eua-20x-20brasil_6826.pdf), o país ultrapassou os EUA para se tornar o maior exportador do mundo em 2023 e 2024, comercializando US$ 137,7 bilhões apenas em 2024. Após um ano de ligeira redução no crescimento das vendas, o agronegócio brasileiro pode se aproveitar do contexto geopolítico para [amplificar sua participação em diversos mercados](https://negocios.coop.br/mercado-internacional/como-planejar-a-prospeccao-de-mercados-internacionais-para-exportacao/). Entre eles está a China, que passou a taxar diversos produtos americanos. Diante da possível diminuição da oferta dos EUA, a demanda por culturas como carne de porco, algodão, milho e soja tende a crescer, [segundo especialistas na área de exportação](https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2025/03/24/china-deve-demandar-mais-do-agro-brasileiro-apos-taxacoes-dos-eua.htm). Como o embate [aduaneiro](https://negocios.coop.br/mercado-internacional/quais-sao-as-principais-etapas-do-despacho-aduaneiro/) ainda está em seus estágios iniciais, não é possível precisar o quão grande pode ser a abertura para o agronegócio brasileiro.

### **Extensão de parceria comercial à vista?**

De acordo com [dados da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária](https://somoscooperativismo.coop.br/arquivos/noticias/copy2-of-notaimprensa02-2025_6826.docx), o Brasil exportou U$ 11,24 bilhões em fevereiro de 2024, valor superior ao apresentado em janeiro. Dentre esses números, uma tendência chama a atenção: o aumento de vendas para o México. Parceiro comercial relevante, mas de volume reduzido em comparação a potências econômicas – responsável por 1,78% das exportações em 2024 –, o México tem estreitado relações comerciais com o agronegócio nacional. Em fevereiro, por exemplo, os destaques ficam para o aumento de 4.130,2% nas importações de café solúvel, 265,2% em carne de frango e 100,8% em carne bovina. Assim como o Canadá, o México também é um histórico parceiro comercial dos EUA que tende a repensar sua economia caso as tarifas norte-americanas de 25% sejam realmente aplicadas. Portanto, a relação comercial ascendente com o Brasil tende a crescer ainda mais.

### **Oportunidades para a pecuária**

O agronegócio brasileiro teve um ano de 2024 histórico na produção e venda de carne bovina. O país exportou 2,89 milhões de toneladas e movimentou US$ 12,8 bilhões, segundo [dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços](https://apexbrasil.com.br/br/pt/conteudo/noticias/Brasil-bate-recorde-nas-exportacoes-de-carne-bovina-em-2024.html#:~:text=Com%20recordes%20sucessivos%20m%C3%AAs%20a,que%20o%20faturado%20em%202023.), e quebrou recordes nacionais. A expectativa é que a tendência positiva se mantenha em 2025. A[ China já é a principal importadora de carne brasileira](https://negocios.coop.br/inteligencia-de-mercado/um-olhar-voltado-para-china/), recebendo 1,33 milhão de toneladas apenas em 2024. A demanda do país asiático pode aumentar, tendo em vista que a carne bovina está entre os produtos norte-americanos que passaram a ser taxados em 10%. Ao mesmo tempo em que a questão tarifária se desenrola, o Brasil busca viabilizar a exportação de carne bovina para outro mercado asiático: o Japão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, viajaram ao Japão para tratativas que incluíam negociações pela abertura deste mercado. O processo envolve [certificação de qualidade ](https://negocios.coop.br/mercado-internacional/por-que-as-certificacoes-sao-essenciais-para-suas-exportacoes/)da carne e inspeções sanitárias de técnicos japoneses no Brasil. Já há comércio de proteínas de frango entre os dois países. Atualmente, o Japão tem os EUA e a Austrália como principais parceiros na importação de carne bovina.

## **Inquietação geopolítica: o mundo vive uma guerra comercial?**

Bastaram apenas três meses para ficar evidente que 2025 é um ano de transformações geopolíticas no relacionamento entre países. O cenário de medidas unilaterais, em geral através de novas taxas, e respostas retaliatórias marca o início do que pode ser considerada uma guerra comercial. Diante do tamanho das medidas restritivas e do desejo de proteção às próprias economias, não é exagero usar o termo “guerra” ao se referir ao atual contexto internacional. O cenário dá indícios de enfraquecimento do multilateralismo comercial. A Organização Mundial do Comércio (OMC), criada com o objetivo de supervisionar as relações entre países, perdeu poder de decisão em resoluções internacionais desde o bloqueio à nomeação de novos juízes ao Órgão de Apelação, em 2019. Ou seja, não há um mediador com voz realmente ativa, e o protecionismo encontra menos barreiras. Resta saber até onde vai a aplicação de medidas tarifárias e retaliações. Os EUA, protagonistas nesta tendência protecionista, conseguirão fortalecer a própria economia através do incentivo a produtos internos? Qual será o impacto para as nações que passaram a ser tarifadas? Perguntas que terão respostas mais claras no futuro próximo. Fato é que, se a escalada protecionista seguir em curso, o comércio internacional pode diminuir. A imposição de tarifas tem potencial de forçar uma reconfiguração da cadeia de suprimentos global, com diversificação de fornecedores e foco na produção regional. A guerra comercial impõe um cenário volátil, repleto de desafios e marcado por novas oportunidades.

## **Conclusão: por que a geopolítica importa para as cooperativas**

Diante de um cenário geopolítico volátil além das novas tarifas, é essencial que sua cooperativa encare as mudanças fora de seu controle como janelas de oportunidades.

> Foi justamente pensando nisso que o NegóciosCoop preparou o artigo [Guerras e instabilidade geopolítica: como afetam os negócios das cooperativas](https://negocios.coop.br/mercado-internacional/guerras-e-instabilidade-geopolitica-como-afetam-os-negocios-das-cooperativas/)! Leia e saiba mais sobre como incorporar o risco geopolítico ao planejamento da organização, adaptando-se a novos contextos e demonstrando resiliência.

 

 

 





 

 

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