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title: Segurança alimentar: por quê é importante e qual o papel do coop | Notícias | Sistema OCB
description: A casa do cooperativismo no Brasil. Apoiamos o crescimento sustentável das cooperativas, fornecendo recursos para fortalecer e promover desenvolvimento.
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  #  Segurança alimentar: por quê é importante e qual o papel do coop 

![Segurança alimentar: por quê é importante e qual o papel do coop](https://somoscooperativismo.coop.br/images/noticias/microsoftteams-image-37_4878.webp)

 A pandemia de Covid-19 causou impactos profundos em relação à fragilidade social e desaceleração da atividade econômica, de forma a afetar diretamente a vida de muitas pessoas. Assim, uma das principais faces dos efeitos provocados pelas consequências da pandemia foi o aumento da insegurança alimentar ao redor do mundo. Com a expectativa de retomada econômica em 2022 após dois anos de recessão, a esperança era de recuperação dos níveis de segurança alimentar. Entretanto, em muitos países, essas previsões não se concretizaram. A pressão inflacionária e até mesmo a guerra na Ucrânia impediram avanços significativos nessa questão. Diante disso, traduzir o aumento do Produto Interno Bruto em ganhos referentes à segurança alimentar representa um enorme desafio a ser enfrentado por grande parte do planeta. Nações mais pobres, com baixos rendimentos e acesso precário a serviços essenciais, continuam tendo as populações mais afetadas. Com isso, a fome e a desnutrição crescem. Neste artigo, vamos entender o panorama global da segurança alimentar, mostrar o cenário brasileiro e explicar como o cooperativismo agropecuário atua para enfrentar a fome. Aproveite a leitura!

## **O que é segurança alimentar**

A insegurança alimentar ocorre quando, devido a contextos geográficos, econômicos e sociais não há o acesso adequado à alimentação capaz de atender às necessidades nutritivas. A [definição é da](https://www.fao.org/hunger/en/)[ *Food and Agriculture Organization*](https://www.fao.org/hunger/en/)[ (FAO)](https://www.fao.org/hunger/en/), braço da Organização das Nações Unidades focada no combate à fome. Dessa maneira, a insegurança alimentar pode decorrer tanto da indisponibilidade dos alimentos quanto da falta de recursos para a obtenção de comida. Ou seja, tanto a cadeia produtiva e logística quanto a pobreza estão intrinsecamente ligadas à insegurança alimentar. Além disso, a insegurança alimentar pode existir em diferentes níveis. A FAO possui uma escala que classifica o grau de severidade da insegurança alimentar. As camadas são as seguintes:

- **Incerteza em relação à capacidade de obter comida** (entre estado de segurança alimentar e moderada condição de insegurança)
- **Abrindo mão de qualidade e variedade na comida** (insegurança alimentar moderada)
- **Reduzindo a quantidade de comida e pulando refeições** (insegurança alimentar moderada)
- **Sem acesso a refeições por um dia ou mais** (insegurança alimentar severa)

## **O panorama da insegurança alimentar**

De acordo com o [relatório da FAO sobre o estado segurança alimentar e da nutrição no mundo](https://www.fao.org/publications/sofi/2022/en/), a estimativa é de que entre 702 e 828 milhões de pessoas foram afetadas pela fome em 2021. O número cresceu cerca de 150 milhões desde o início da pandemia: mais 103 milhões de pessoas entre 2019 e 2020 e mais 46 milhões em 2021. O documento também enfatizou que o novo aumento da fome em 2021 reflete a desigualdade em relação à retomada econômica entre os países. O continente que liderou a fome, por exemplo, foi a Ásia, que concentra mais da metade das pessoas que vivenciaram essa situação. América do Norte e Europa somadas, por outro lado, registraram 5 milhões de pessoas em situação de fome. No mais, a subnutrição está em tendência de alta. Estima-se que cerca de 670 milhões de pessoas estarão em subnutrição em 2030, o que representa 8% da população mundial. Ao todo, por volta de 2,3 bilhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar moderada ou severa - quantia equivalente a 30% da população mundial.

### **Insegurança alimentar também é questão de gênero**

A desigualdade de gênero na insegurança alimentar – que havia crescido em 2020 sob o efeito da pandemia – alargou-se ainda mais em 2021. Isso aconteceu, em grande parte, pelas crescentes diferenças na América Latina e Caribe, bem como na Ásia. Para se ter uma ideia, em 2021, a diferença atingiu 4,3 pontos percentuais, com 31,9% das mulheres no mundo sendo moderada ou severamente afetadas pela fome e desnutrição. Em contrapartida, comparativamente, 27,6% dos homens estiveram na mesma situação.

### **Efeitos da pandemia de Covid-19**

O crescimento da segurança alimentar durante os anos de maior impacto da pandemia de Covid-19 não é fruto do acaso. O baque econômico causado pela disseminação da doença prejudicou em países mais pobres que estão com dificuldades maiores para alcançar a recuperação e retomar o crescimento. Ademais, a pandemia prejudicou as cadeias de suprimento, aumentando os custos de produção e logística dos alimentos. Soma-se a isso o crescimento do desemprego, redução da renda e ausência de uma rede de suporte social para grande parte da população mundial como causas que relacionam a Covid-19 à insegurança alimentar.

### **Impactos da guerra na Ucrânia**

O contexto geopolítico também está interferindo no estado da segurança alimentar. O conflito entre Rússia e Ucrânia, duas das mais importantes produtoras de commodities, prejudica a oferta de alimentos em âmbito global. Antes da crise, os dois países juntos forneceram 30% e 20% da exportação de trigo e milho, respectivamente, por exemplo. E não é só isso: eles também representaram cerca de 80% das exportações globais de produtos de sementes de girassol. Assim, somando todos esses fatores, as interrupções nas exportações agrícolas causadas pela guerra na Ucrânia [expuseram os mercados globais de alimentos e fertilizantes a escassez e alta de preços](https://negocios.coop.br/inteligencia-de-mercado/guerra-entre-russia-e-ucrania-os-impactos-para-o-coop/). Esses déficits de exportação elevaram os já altos preços mundiais de commodities alimentares. Consequentemente, a guerra na Ucrânia está sobrecarregando uma crise multifatorial, que envolve alimentos, energia e finanças, com impactos devastadores sobre as pessoas e países mais vulneráveis.

### **O papel da mudança climática**

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) revelou que [os últimos oito anos podem ter sido os mais quentes já registrados](https://www.metropoles.com/brasil/meio-ambiente-brasil/ultimos-8-anos-podem-ser-os-mais-quentes-alerta-onu-na-cop-27). O fenômenos da mudança climática pode ser mais um elemento que impacta negativamente a segurança alimentar e nutricional. Consequências do aquecimento global como e temperaturas muito altas, ocorrência de desertificação, estresse hídrico e outros processos decorrentes afetam o acesso à alimentação. Ou seja, o acesso regular e permanente aos alimentos, tanto no que diz respeito à quantidade quanto à qualidade, tanto em áreas urbanas quanto no campo. O verão de 2022 no Hemisfério Norte deixa evidente como as dificuldades com as questões climáticas podem afetar os agricultores e todo o ecossistema. A Europa, por exemplo, enfrentou uma das piores secas dos últimos cinco séculos, responsável por prejudicar as safras por todo o continente. China e Estados Unidos foram outras potenciais que sentiram os efeitos deletérios das alterações climáticas em suas produções devido às secas e altas temperaturas. Não é por acaso que a cadeia produtiva de alimentos foi [assunto da COP27](https://negocios.coop.br/mercado-nacional/cop27-mudancas-climaticas-energias-renovaveis-e-desmatamento-em-foco/).

##  **A insegurança alimentar no Brasil**

Dados da FAO indicam que, no Brasil, Entre 2014 e 2016, por exemplo, a insegurança alimentar atingiu 37,5 milhões de pessoas, dentre os quais quase 4 milhões estavam na condição mais grave. Esses números evidenciam uma piora alarmante no país. Em que [mais de 60 milhões de pessoas sofreram com a insegurança alimentar entre 2019 e 2021](https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/07/06/mais-de-60-milhoes-de-brasileiros-sofrem-com-inseguranca-alimentar-diz-fao.ghtml). Dentre esses, mais de 15 milhões de brasileiros vivenciaram a insegurança alimentar no estágio severo.

### **O papel do agro no combate à insegurança alimentar**

O setor agropecuário brasileiro se destaca dos demais por sua resiliência em períodos de crise econômica e financeira - fenômeno ainda mais evidenciado durante a pandemia. Dessa forma, o segmento lidera e protagoniza ações em prol da inovação e da sustentabilidade, dando suporte à segurança alimentar no Brasil e no mundo. Um bom exemplo da capacidade de produção do agro brasileiro é a produtividade das safras de grãos. Atualmente, o Brasil é responsável por 40% da produção da soja de todo o mundo, proporcionando mais de 140 milhões de toneladas da commodity. O país também se destaca na produção de suco de laranja, pois é responsável por 69% de toda a produção global. Em 2020 e 2021, o PIB do agronegócio alcançou recordes sucessivos. Entretanto, em 2022, o PIB do setor recuou nos dois primeiros trimestres, devido às reduções de margem na cadeia agropecuária frente aos aumentos de custos e redução dos preços das commodities agrícolas. Ainda assim, o agronegócio segue compondo mais de um quarto do PIB brasileiro.

### **Cooperativismo como protagonista**

O cooperativismo agropecuário brasileiro é peça-chave para proporcionar segurança alimentar. através da reunião e organização de produtores rurais para fortalecer o poder de escala e a atuação no mercado, as cooperativas agropecuárias atuando em todos os elos da cadeia do agronegócio, de insumos até comercialização, passando pela industrialização, armazenagem e produção. Além de fortalecer o caráter socioeconômico no campo, apoiando os produtores rurais e o meio em que estão inseridos, as cooperativas do Ramo promovem o bem-estar alimentar da sociedade como um todo. A [análise econômica sobre os desafios para a segurança alimentar](https://negocios.coop.br/inteligencia-de-mercado/o-desafio-mundial-para-seguranca-alimentar/) elenca cinco frentes de atuação do coop nesse sentido:

1. **Originação:** fomento à tecnologia, assistência técnica e extensão rural (cerca de 9 mil técnicos);
2. **Agroindustrialização:** agregação de valor e maior controle de qualidade dos produtos;
3. **Insumos:** acesso a semenstes, mudas, fertilizantes, defensivos, rações e demais insumos;
4. **Armazenagem:** extensa capacidade de armazenagem (acima de 25% em todo o Brasil);
5. **Comercialização:** acesso a mercado e redução de assimetrias.

Atualmente, ao todo, o cooperativismo agropecuário conta com mais de 1 milhão de produtores rurais cooperados no país distribuídos em 1.170 cooperativas.

####  **O coop na cesta básica**

A importância das cooperativas agropecuárias é evidenciada pela participação que elas têm na originação dos produtos que compõem a cesta básica. A oferta de arroz, feijão, carne, legumes, ovos, leite e café, para citar somente alguns produtos, conta com uma enorme participação do cooperativismo. As cooperativas são responsáveis por aproximadamente de 53% da safra brasileira de grãos, com presença relevante em importantes cadeias produtivas. Além disso, elas promovem a capilaridade em redes produtivas de fruticultura, horticultura e demais cadeias de origem vegetal e animal. Confira a participação das cooperativas agropecuárias na segurança alimentar a partir da proporção delas na produção de elementos centrais da cesta básica:

- **Trigo**: 75%
- **Café**: 55%
- **Milho**: 53%
- **Soja**: 52%
- **Suínos**: 50%
- **Leite**: 46%
- **Feijão**: 43%

## **Desafios e tendências para o cooperativismo agropecuário**

Diante de tamanha importância que o cooperativismo brasileiro agropecuário tem para a segurança alimentar não só brasileira, mas também global, uma série de desafios se impõem. Listamos, portanto,alguns pontos de atenção para o desenvolvimento do Ramo. Veja:

- **Produtividade:** com o aumento constante da demanda por alimentos a produtividade é o grande desafio do campo. Para isso, o agro está adotando novas técnicas e tecnologias de forma a otimizar a produção de alimentos.
- **Competitividade:** o cooperativismo agropecuário brasileiro também deve se manter forte enquanto modelo de negócios, [para que possa competir tanto no mercado interno quanto nas exportações](https://negocios.coop.br/mercado-nacional/disponivel-e-book-sobre-competitividade-como-tornar-sua-cooperativa-mais-competitiva/), retornando em prosperidade econômica, social e ambiental para os cooperados.
- **Infraestrutura e conectividade:** o campo está passando por uma transformação digital importante, e o cooperativismo precisa estar na vanguarda desse processo. O potencial da [inteligência artificial](https://inova.coop.br/blog/o-que-e-inteligencia-artificial-e-como-ela-pode-impactar-os-negocios-04b1d1e5402b), da [internet 5G](https://inova.coop.br/blog/como-a-tecnologia-5g-pode-impactar-no-comportamento-de-usuarios-industria-e-mercado-9219cd9c7096) e da [robótica autônoma,](https://inova.coop.br/blog/robos-autonomos-como-a-automacao-contribui-para-a-eficiencia-nos-negocios-b2cfc1775f1e) por exemplo, é grande e pode contribuir com a produtividade e a competitividade. A boa notícia é que [as cooperativas estão inovando e aderindo às novas soluções tecnológicas](https://inova.coop.br/blog/cooperativas-sao-selecionadas-para-programa-agro-4-0-0392e9f6b54c).
- **Crescimento sustentável:** o cooperativismo precisa seguir crescendo enquanto negócio e se adaptando às realidades econômicas e mercadológicas, mas sem deixar de lado seus princípios e propósitos democráticos e sustentáveis.
- **Agenda ESG:** por mais que o [ESG esteja presente no DNA do cooperativismo](https://inova.coop.br/blog/esg-no-cooperativismo-exemplos-e-boas-praticas-0ff1842e9090), ele está se tornando [cada vez mais relevante nos negócios](https://negocios.coop.br/inteligencia-de-mercado/esg-o-que-e-e-por-que-e-importante-para-os-negocios/). O campo enfrenta uma série de desafios em relação à agenda ESG, sobretudo em relação ao seu impacto ambiental, porém sem abrir mão do caráter social e econômico, que engloba a segurança alimentar.

Diante dessa miríade de desafios, o cooperativismo agropecuário desponta como um ator cada vez mais forte e importante no cenário de segurança alimentar.

##  **Conclusão**

Em um contexto global onde o enfrentamento à insegurança alimentar é prioridade, o cooperativismo agropecuário brasileiro cumpre um papel fundamental. O aumento da fome e da desnutrição é um problema multifatorial potencializado pela pandemia. Sendo assim, a produção de alimentos representa um ponto central nas estratégias de enfrentamento à insegurança alimentar. A partir desse cenário, um grande espaço se abre para que as cooperativas agropecuárias brasileiras possam ocupar cada vez mais o mercado de forma qualificada. Tudo isso enquanto atuam focada nas exigências e padrões globais a exemplo da rastreabilidade, eficiência e sustentabilidade da produção.



 

 





 

 

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