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title: Perspectivas econômicas: como se preparar para 2025 | Notícias | Sistema OCB
description: A casa do cooperativismo no Brasil. Apoiamos o crescimento sustentável das cooperativas, fornecendo recursos para fortalecer e promover desenvolvimento.
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date: 2025-01-27T12:15:33Z
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 O ano de 2025 chega com muitas perspectivas econômicas importantes e desafiadoras. O país vive momento em que o equilíbrio das contas públicas é prioridade, e para isso implementa um pacote de corte de gastos – proposto pelo Executivo e alterado na Câmara e no Senado. A apreensão sobre os gastos públicos gera um clima de incerteza em relação às perspectivas econômicas brasileiras, mesmo que o país venha de dois anos de crescimento acima das projeções das instituições financeiras nacionais. Nesse contexto, a tendência positiva será colocada à prova. A macroeconomia sempre afeta o mundo dos negócios. Desse modo, 2025 promete ser um ano com desafios para o Brasil, e isso pode se refletir em desaceleração econômica. Entenda quais são as principais questões nacionais neste ano e saiba como sua cooperativa pode se preparar.

## **Juros elevados: o que significa?**

Uma das histórias mais importantes da economia brasileira no fim de 2024 continuará a ser ponto de atenção em 2025. A Selic, a taxa básica de juros da economia nacional, foi elevada pelo Banco Central pela terceira vez consecutiva (chegando a 12,25%). A instituição indicou que deve aumentá-la ainda mais no futuro próximo. Segundo a edição de 24 de janeiro do [Boletim Focus](https://www.bcb.gov.br/publicacoes/focus), pesquisa promovida pelo Banco Central que afere as projeções de mais de 100 instituições financeiras, o mercado prevê que a Selic feche 2025 em 15% ao ano. Se concretizado, este seria o maior valor desde 2006. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central pela sucessiva elevação da taxa Selic tem como objetivo manter a inflação brasileira sob controle, próxima da meta de 3%. O outro lado da moeda é que a alta na taxa de juros pode frear o crescimento da economia nacional. A taxa básica de juros também exerce impacto sobre as dívidas governamentais. Segundo cálculo do Banco Central, a cada ponto percentual que a Selic cresce, a dívida líquida do setor público sobe em R$ 55,2 bilhões.

### **Impacto sobre o cooperativismo de crédito**

A elevação da taxa básica de juros é utilizada por autoridades econômicas para controlar a inflação. A lógica por trás disso é que os juros mais altos encarecem o custo de se tomar empréstimos, desestimulando a atividade e controlando preços na economia como um todo. Se menos empréstimos forem concedidos devido às condições pouco favoráveis, isso significa um problema para o cooperativismo de crédito. As operações de crédito correspondem a 54% dos ativos totais do setor – segundo os dados mais recentes, relativos a 2023. Assim sendo, elas representam uma razão importante para o [crescimento em ritmo superior ao restante do Sistema Financeiro Nacional](https://coonecta.me/blog/sncc-cooperativas-de-credito/). O cooperativismo já tem como marca ser mais flexível que as instituições financeiras tradicionais nas concessões de crédito. O risco de inadimplência está se materializando, e o índice de ativos problemáticos apresentou curva ascendente entre 2021 e 2023, chegando a 5,9%. A elevação na taxa básica de juros aumenta ainda mais este risco.

## **Busca por inflação controlada**

Indicador econômico palpável na vida e no bolso de qualquer brasileiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2024 em 4,83%, acima dos 4,5% estabelecidos como teto da meta governamental. A partir deste ano, o cálculo da inflação será feito a partir de uma meta contínua. Ou seja, ao fim de cada mês a inflação acumulada em 12 meses será avaliada em relação à meta – que segue de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Se o IPCA permanecer fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, a meta será considerada descumprida, e o Banco Central terá de se explicar publicamente. O mercado nacional demonstra pessimismo em relação à capacidade de controle sob a inflação. As projeções do Boletim Focus sobre o IPCA aumentaram em 14 semanas consecutivas. Na edição de 24 de janeiro, as instituições financeiras preveem que o índice fechará 2025 em 5,50%. O número é ainda maior que o registrado em 2024, e 1,0 ponto percentual acima do teto da meta. Entretanto, as projeções das instituições financeiras nem sempre são perfeitamente adequadas à realidade. Os bancos entraram em 2024 prevendo que o IPCA permaneceria dentro da meta, em 4,47% – o que não aconteceu. E para 2023 o prognóstico era pessimista – 5,62% –, mas este foi o único ano de 2021 em diante no qual a meta foi cumprida. O Fundo Monetário Internacional (FMI) é menos pessimista que o [mercado financeiro nacional](https://negocios.coop.br/mercado-nacional/) em relação às projeções da inflação brasileira. A instituição prevê que a variação nos preços de consumo será de 3,6% em 2025.

### **Pressão sobre os preços**

A inflação é um indicador econômico de impacto fácil de visualizar no dia a dia. Afinal, ela impacta os preços de tudo que você irá consumir, incluindo itens essenciais como alimentos e bebidas. Quanto mais o IPCA cresce, menor é o poder de compra da população, tendo em vista que os aumentos salariais não acompanham o custo de vida. Se a inflação seguir as projeções do mercado financeiro e permanecer acima da meta, isso se refletirá em problemas para negócios de diferentes setores. Nesse cenário, as cooperativas terão de lidar com a alta nos [custos operacionais](https://negocios.coop.br/intercooperacao/inovacao-e-intercooperacao-reduzem-custos-e-otimizam-servicos/), o que pressiona os preços de comercialização.

## **Dólar manterá disparada?**

Outra história da economia brasileira teve capítulos importantes no final de 2024: a desvalorização cambial do real em relação ao dólar. Após o Governo anunciar seu pacote de corte de gastos em novembro do ano passado, a moeda norte-americana disparou e atingiu o patamar de R$ 6 pela primeira vez na história. As projeções de mercado indicam que a alta histórica verificada no fim de 2024 não será um período de exceção, e sim algo próximo do ‘novo normal’. O Boletim Focus prevê que o dólar fechará 2025 no mesmo patamar de R$ 6, e que este número deve permanecer estável em 2026. A desvalorização do real em relação à moeda norte-americana acelerou devido à reação do mercado ao pacote brasileiro de corte de gastos. Também há fatores externos, como a expectativa sobre a postura do recém-empossado presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele promete uma política protecionista e a elevação às tarifas de importação, o que tem potencial de fortalecer o dólar. O grau dessas medidas, entretanto, ainda é incerto. Trump não incorporou as tarifas de importação ao seu primeiro pacote de ordens executivas, prometendo implementá-las somente em fevereiro. O discurso inicial era que produtos chineses seriam taxados em 60%. Porém, após a posse, o presidente norte-americano já falou em tarifa de 10%.

### **Como o dólar impacta a economia brasileira**

Dólar, inflação e juros são três indicadores econômicos que estão altamente correlacionados. A alta da moeda norte-americana afeta diretamente os valores de importação, e, consequentemente, pressiona os custos de produção. No futuro, isso se refletirá em alta nos preços de comercialização, elevando o IPCA. A resposta do Banco Central nesses casos costuma ser a elevação da taxa de juros. É exatamente neste ciclo que o Brasil pode estar em 2025. Algumas cooperativas, todavia, podem se beneficiar com a desvalorização cambial. Esta tendência resulta no crescimento do preço das *commodities*, gerando possibilidade de[ maiores ganhos no ramo agropecuário com exportação](https://negocios.coop.br/aprendamais/serie-exportacao-para-cooperativas-volume-i-primeiros-passos-para-exportacao/), por exemplo. O problema é que os altos valores também se refletem no mercado nacional. O momento de alta do dólar reforça a necessidade de as cooperativas adotarem medidas de [hedge cambial em transações internacionais](https://negocios.coop.br/inteligencia-de-mercado/operacoes-de-cambio-como-funcionam-e-os-conceitos-basicos/). O hedge é um instrumento para minimizar riscos, no qual o valor de um ativo – nesse caso, o dólar – é fixado. Ele pode ser aplicado em contratos de compra e venda e no investimento em fundos cambiais.

## **Brasil com números de empregabilidade históricos**

Em contrapartida às preocupações com inflação, juros e dólar, a economia brasileira carrega indicadores fortes e positivos para sua população. O principal deles é a empregabilidade. Segundo os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), relativos ao trimestre entre setembro e novembro de 2024, a taxa de desocupação é de 6,1%, o menor número desde o início da [série histórica](https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/9173-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios-continua-trimestral.html?=&t=series-historicas&utm_source=landing&utm_medium=explica&utm_campaign=desemprego), em 2012. A redução na taxa de desemprego, que chegou a 14,9% durante a pandemia de Covid-19, sinaliza uma recuperação da economia brasileira. Se grande parcela da população continuar empregada, o consumo tende a se manter estável - o que é um alento em meio às incertezas econômicas que pairam sobre 2025. Apesar de benéfica à população, a redução na taxa de desocupação pode gerar pressão sobre a economia. O aumento na demanda por bens e serviços tende a elevar os preços, o que culmina em crescimento na inflação. Assim sendo, o Banco Central intervém através da taxa básica de juros, freando o progresso econômico atual em prol de maior estabilidade no futuro.

## **O PIB pode superar expectativas de novo?**

Influenciado por todos esses fatores já abordados, o resultado da atividade econômica nacional culmina em um número: o Produto Interno Bruto, o famoso PIB. Os números completos sobre o ano de 2024 só serão divulgados em março, mas os resultados prévios mostram que a economia brasileira rendeu acima do esperado no período. O PIB brasileiro cresceu 3,3% nos três primeiros trimestres de 2024 em comparação ao mesmo recorte de 2023. O Fundo Monetário Internacional projeta que a variação positiva do ano completo será de 3,7%. Entre janeiro e setembro, a evolução econômica foi impulsionada pelos setores de Indústria (3,5%) e Serviços (3,8%). A valorização do PIB nacional ocorreu apesar da desconfiança das instituições financeiras. O segundo Relatório Focus de 2024 previa crescimento de apenas 1,59% ao longo do ano, menos da metade do valor registrado em três trimestres. O Brasil também superou as expectativas do mercado em 2023, registrando variação de 3,2% no PIB, contra projeção de 0,78%.

### **Projeções do PIB para 2025**

Casos recentes mostram que as projeções econômicas nem sempre são altamente precisas e condizentes com a realidade, mas elas são importantes para medir o nível de confiança de mercados nacionais e internacionais sobre a economia brasileira. O clima para 2025 não é dos mais otimistas: a expectativa é de desaceleração econômica. Na edição de 24 de janeiro, o Relatório Focus projeta que o PIB crescerá 2,06% – a previsão vem crescendo em ritmo tímido durante o início deste ano. Já o FMI tem expectativas similares e projeta alta de 2,2%. Se o produto nacional estiver neste patamar ao final de 2025, será a menor variação positiva desde 2020. Apesar do cenário de incertezas, espera-se que a agropecuária volte a crescer em 2025 e diminua o ritmo da retração geral. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta safra recorde em 2024/25, com produção de 322,47 milhões de toneladas. Já a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), por sua vez, espera aumento de até 5% no PIB do agronegócio.

## **Como se preparar diante das perspectivas econômicas para 2025**

As dúvidas acerca dos principais elementos da macroeconomia brasileira indicam que 2025 será um ano desafiador. O crescimento dos últimos anos será posto à prova, assim como a capacidade governamental de equilibrar as contas públicas enquanto promove o desenvolvimento socioeconômico. Não se espera que os problemas alcancem o status de uma crise econômica, mas a desaceleração parece iminente. As cooperativas, portanto, precisam estar prontas para esse cenário. Monitorar a Selic pode ajudar a economizar. Avalie se as alterações na taxa básica de juros impactam as dívidas já contraídas e planeje-se para cumprir com as novas pendências. Acompanhe o noticiário sobre as reuniões do Copom, e utilize as informações disponíveis para realizar operações de crédito no momento mais apropriado. Em momentos de recessão, gerenciar recursos de maneira inteligente torna-se ainda mais importante. Se a sua cooperativa ainda não se beneficia de análises de dados, aproveite para mudar isso em 2025. [Implementar uma cultura data driven](https://inova.coop.br/indica/noticia/indica-noticias/como-implantar-uma-gestao-data-driven-na-sua-cooperativa-de-forma-definitiva) demanda recursos, mas os gastos se converterão em resultados com o passar do tempo. A organização terá informações concretas para identificar desperdícios, aprimorar processos e tomar decisões assertivas.

### **Ano de inovação**

Outro ponto essencial para nunca perder de vista, principalmente em contextos adversos, é que inovar é um caminho sustentável para obter resultados. Não encare a inovação como uma prática secundária, que deixa de receber recursos em momentos de austeridade. Quando a demanda por produtos ou serviços cai devido ao contexto macroeconômico, quem se destaca são as organizações que oferecem algo diferente. Inovar te prepara para o futuro e cria vantagens competitivas essenciais em tempos de crise. Mas não se esqueça de inovar com propósito e conhecimento do mercado. Os passos devem ser muito bem avaliados em momentos de instabilidade. Ao planejar a gestão de riscos da sua cooperativa, analise o contexto macroeconômico. Entenda se este é o momento adequado para executar suas estratégias e fique atento às janelas de oportunidades.

## **Conclusão: de olho nas perspectivas econômicas**

O ano de 2025 será desafiador para a macroeconomia brasileira. A conexão entre inflação, juros e dólar alto pode culminar em desaceleração do crescimento nacional. Diante desse cenário, é essencial que sua cooperativa se prepare para lidar com as adversidades externas. Aumente a competitividade de sua organização com o [e-book “Como elaborar um plano de negócios para sua cooperativa”](https://negocios.coop.br/aprendamais/como-elaborar-um-plano-de-negocios-para-sua-cooperativa/), do NegóciosCoop! Aprenda como pesquisas de mercado, análises mercadológicas, estratégia de marketing e outros conceitos podem ajudar na elaboração de um plano de negócios.

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